terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cícero, meu primeiro amigo gay (Por Paulo-Roberto Andel)

Em alguns meses de 1975, meu pai ainda era um homem de algumas posses. Morávamos num prédio de quatro andares, sem elevador, na rua Santa Clara (posteriormente demolido para dar vez a um flat), em Copacabana. Até então, sempre tínhamos gente trabalhando em casa (desde criança, detestei a palavra "empregada", que me sugeria aparte social).

Um belo dia, minha mãe inovou e contratou o Cícero. De cara, já era diferente por ser homem numa atividade essencialmente ocupada por mulheres à época. E também por usar aquele chapéu de cozinheiro que eu acho um barato. E, finalmente, por ser homossexual assumido, o que causou verdadeiro horror nos nossos vizinhos.

Uma delas, Dona Mimi, uma senhora portuguesa branca, de bem, em nome de Deus, quis fazer um movimento para que nos mudássemos do prédio - era inaceitável para ela ver um "veado" nos corredores. Mas aí minha mãe, que era baixinha mas não era fácil, a viu num cochicho com outra vizinha e a enquadrou bonito. Nos corredores a palhaçada acabou. Quando eu saía com minha mãe para ir à escola, a idosa lusa e sua amiga ainda cochichavam, mas quase encolhidas. Hoje, sou capaz de supor qual era o teor da conversa baixa: "Essa mulher deixa um veado dentro de casa com uma criança".

Comi pratos sensacionais feitos pelo Cícero. Mais de 40 anos depois, sou capaz de lembrar do bife com arroz e fritas e da panqueca de carne. Foram muitos pratos. Ele sempre falava comigo, ria, me dava tchau, mas eu nunca entendia porque quando a minha mãe sempre insistia para que ele deixasse a cozinha para ficar perto de nós na sala, ele nunca vinha. Só falava comigo de longe, talvez a uns quatro metros de distância. Eu tinha que gritar para que ele escutasse.

Quando meu pai faliu, tivemos que mudar de apartamento, de bairro e de padrão. No dia da despedida, foi a única vez que vi Cícero de perto: ele deu um beijo e um abraço em minha mãe, agradeceu muito a ela, passou a mão na minha cabeça e foi embora. Ainda o vimos na rua, debochando alto das vizinhas fofoqueiras. Poucos dias depois, mudamos por alguns meses para um minúsculo apartamento em Vaz Lobo, para depois voltarmos a Copacabana, ficando dezesseis anos na Siqueira Campos, aí já sem ninguém trabalhando em casa.

Ainda pude viver mais trinta anos com meus pais, com todos os altos e baixos de uma família, mas fomos felizes. Contudo, nunca conversávamos sobre aquela época porque era dolorosa para todos nós: não queríamos ter mudado, passamos muita dificuldade financeira e quase fome, mas superamos tudo. Quando falávamos no Cícero, minha mãe ria e se divertia, tinha saudades dele. Mas só depois de muito tempo é que refleti.

Estávamos num momento de dificuldades. Ela era uma super hiper cozinheira e uma pessoa muito simples. Por que será que teria contratado um cozinheiro num momento em que estávamos tão apertados? E porque ele nunca chegava perto de mim, mesmo com ela insistindo para que viesse conversar conosco?

As respostas talvez não sejam exatas, mas levam à reflexão. Provavelmente minha mãe contratou Cícero porque ele estava com alguma dificuldade profissional, já que estávamos com pouquíssimo dinheiro - de alguma forma, ela o quis protegê-lo. E Cícero nunca chegou perto de mim porque tinha MEDO de ser visto em qualquer ato com uma criança, mesmo com a mãe perto: a ditadura militar-empresarial chegava a todos os lugares, quanto mais na minha casa (meu pai e meu tio foram presos no fim dos anos 1960 por "subversão"). E pior ainda que encontrasse um homossexual brincando com uma criança, não importando qual fosse o motivo.

Cícero é a primeira lembrança que tenho de um homossexual na vida - a segunda é de Serguei, que minha mãe adorava e que hoje tenho a honra de ser seu biógrafo, ao lado de Rodrigo Barros. Cícero sempre me tratou com todo o respeito, a ponto de se auto-mutilar socialmente. A ele devo excelentes pratos de comida deliciosa.

De lá para cá, foram muitos anos e muitos e muitos queridos amigos homossexuais, milhares de álbuns tocados por músicos homossexuais, livros fantásticos escritos por homossexuais. As artes, o cotidiano, o futebol - SiM! -, o trabalho, as faculdades, os bares, tudo. Ex-namoradas e ficantes. Amigas queridas e grandes admirações. Como poderia ousar discriminar o que faz parte da minha vida desde sempre?

Não vivi a orientação homossexual, mas jamais por preconceito e sim porque não é minha essência. Se fosse, creio que eu teria tido apoio de meus pais, teria que enfrentar inúmeros percalços mas, provavelmente, acabaria numa organização LGBT em luta pelos direitos e causas. Mas não preciso ser necessariamente homossexual para abraçar e me solidarizar com todos os homossexuais, amigos meus ou não, diante dessa idiotice agora rebatizada de "liminar da cura gay". Homossexualidade não foi, não é nem nunca será doença, exceto para aqueles que nem sempre são sexualmente seguros de si mesmos.

De alguma forma todos aqueles amigos homoafetivos são aqui representados pelo nome de Cícero, que foi o meu primeiro amigo gay quando eu nem sabia o que era sexo. Penso na dor daquele homem em 1975, temendo ser preso e desaparecido pelo simples fato de conversar com uma criança. Mas o pior é pensar que, 40 anos depois, parte do Brasil é ainda tão primitiva quanto naquele tempo.

Pela cura da ignorância já!


Paulo-Roberto Andel é escritor, cronista, editor do Panorama Tricolor. @pauloandel








terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contra a privatização da UERJ (Por Thiago Muniz)

"Há muitas formas de destruir um país. Uma delas é acabando com a essência das universidades públicas com essa ladainha de privatização. O Brasil pede socorro." (Elika Takimoto)

Quando o povo vai deixar de ser gado!? Ninguém se revolta nesse país...aceitam tudo!

Ministério da Fazenda recomenda ao governo do Rio de Janeiro que privatize universidades públicas e demita servidores.

Não podemos deixar isso acontecer. Não vamos deixar que a educação, trabalhadores e aposentados sejam penalizados mais ainda por esta crise. Quem causou esta calamidade no Rio foi o governo do PMDB.

Sem dinheiro em caixa, por falta de repasses do governo fluminense, a UERJ resiste como pode. “A universidade está na UTI”, disse o reitor Ruy Garcia Marques.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o porquê do caos na Uerj, hoje veio a resposta oficial: o PMDB recomendou o fim de uma das maiores universidades do Brasil. Ou seja, para "recuperar" o Rio, o partido que destruiu o estado quer acabar de vez com um dos maiores patrimônios sociais e educacionais que temos – acabar para depois dar de bandeja a seus aliados, claro.

E não é só isso. Além de recomendar "o fim da oferta de ensino superior", o Ministério da Fazenda de Temer propôs:

💥 Extinção de empresas públicas, como a CEDAE;
💥 Demissão de servidores ativos;
💥 Contribuição previdenciária para inativos;
💥 Aumento contribuição previdenciária, além dos 14% já aprovados;
💥 Reforma do Regime Jurídico Único dos Servidores.

Onde vemos educação pública, Temer, Pezão e Meirelles veem migalhas pra alimentar bolsos amigos.
A gente não pode aguentar mais 1 ano desses caras governando e destruindo tudo o que nosso Estado conquistou ao longo dos anos. Somos referência na área de ensino, pesquisa em ciência e tecnologia.
Há 10 anos uma quadrilha se encastelou no Palácio Guanabara e hoje o resultado é esse.

A educação está precária e os professores que são pessoas importantíssimas para todo e qualquer cidadão, além do conviver com sala lotadas, sem nenhum tipo de suporte ainda tem que ficar sem salário. Mesmo na crise, UERJ ainda é uma das melhores do país. Porque querem acabar com ela e com o ensino público se este se prova a todo instante um dos melhores?

Confesso que não sei como conseguem continuar na luta política. Não sei! Acho desolador e desanimador demais todo esse cenário político carioca e nacional. Está difícil acreditar que nada deve ser impossível de mudar.

O Rio virou o laboratório do plano a futuro do poder econômico. Querem privatizar tudo e fazer negócios com o patrimônio público. Deixando ainda mais difícil a precária vida dos cariocas.

Vejo e escuto muita gente atribuir aos outros a obrigação de reclamar, lutar, ir para as ruas, disputar o espaço público, o vazio político. Não existe vitória sem a participação popular. É muito cômodo, esperar em casa que as coisas se resolvam por si só, passe de mágica. Parece que á população está sob efeito de hipnose ninguém reage, aceitam tudo na maior naturalidade. E é exatamente o que os ladrões querem: um povo sem ação.

Existe uma conta que nunca vai fechar, além do roubo, que é o pagamento da dívida e dos juros que consomem mais de 40% da riqueza produzida pelo país. Essa é a discussão central. A renda que o trabalhador produz vai para o sistema financeiro, o qual não produz nada e ainda tem as benesses desse sistema. Não há luz no fim do túnel, enquanto existir esses vermes que sugam a riqueza do país.

Quanta barbaridade! Acabam com centenas de vidas, com sonhos, com a juventude para enriquecerem vergonhosamente. O país todo está ameaçado com essa quadrilha que não para.

O dia que as pessoas entenderem que o diálogo de verdade só funciona quando ambos os lados tem o mesmo poder de barganha, o que NÃO é o nosso caso, definitivamente, talvez as coisas melhorem e avançamos para uma linguagem conhecida mundialmente: a truculência, vulgo porrada.

A Educação é lastimável e tem sido assim desde sempre. A hora é de unir forças. Historicamente quem muda as coisas são os estudantes. Mãos à obra. A UERJ é uma instituição de ensino,e não um palanque para esquerda ou direita.

O que está em jogo é sim, a diminuição do ensino público. Mas como diz um velho ditado: "povo burro não sabe votar".

#UerjResiste






















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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Vem aí a Bienal do Livro 2017 (Por Thiago Muniz)

"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem." (Mario Quintana)

E mais uma edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro será realizada no Riocentro, entre os dias 31 de agosto até 10 de setembro.

A Bienal do Livro do Rio é o maior evento literário do país, um grande encontro que tem o livro como astro principal. Para o leitor, é a oportunidade de aproximação dos seus autores favoritos e de conhecer muitos outros. Durante onze dias, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação. Nos espaços dedicados às atrações, o público pode participar de debates, bate-papos com personalidades e escritores, além das atividades culturais que promovem a leitura.

E com ela vem o desafio de incentivar os jovens a aumentar a prática da leitura num país onde se tem o hábito de ler muito pouco, em comparação a média de outros países. Nem só de livros vive a Bienal. O evento vai privilegiar a vivência de narrativas além-texto pelos visitantes — são espaços com jogos, tecnologia e interatividade.

De cara nova, a Bienal será do livro, da tecnologia e da realidade virtual. O Espaço Geek & Quadrinhos, com games, simulações é novidade para atrair adeptos de jogos e cultura pop. O objetivo é abraçar os amantes de tecnologia, jogos e cultura pop, que em outras edições da feira de literatura já vinham abocanhando representatividade na programação cultural e na oferta de produtos.

A programação quer aproximar os visitantes e convidados, em um bate-papo informal. O objetivo é fazer com que o público interaja, com diversão sem compromisso.

Marque na sua agenda.

Bienal do Livro Rio 2017
Local: Riocentro
Dias: 31 de agosto: até 10 de setembro
Horário de Funcionamento: Durante a semana: 9h às 22h.
                                             Fins de semana: 10h às 22h








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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Brazil: dos Coronéis aos Imbecis (Por Thiago Muniz)

FARINHA pouca, meu PIRÃO primeiro.

O país chamado Brasil (ou Brazil...) é composto basicamente por uma minoria elitista coronelista e por uma parcela de imbecis que pensam que são elites.

A elite CORONELISTA é composta por uma minoria de empresários que atuam em diversos setores da economia, desde o controle dos meios de comunicação até trabalho escravo (sim, é isso mesmo), sendo que são tão fortes em suas bases políticas que possuem plena consciência da impunidade e quando uma bomba estoura sabem que podem contar com a "nobre" Justiça. Essa elite é perigosa e nociva, posta os seus interesses acima do bem e do mal e estão sempre dispostos a destruir quem os enfrenta. Lucram absurdamente pois possuem alguma espécie de fundação ou sonegam impostos na cara lavada mesmo. Alguns deles mantém suas influências em suas área de territórios sendo políticos ou apadrinhando políticos no âmbito federal, estadual e municipal. Praticamente em todos os estados brasileiros existe esta espécie de corja que não agrega em nada para o país, pelo contrário, só aleija. Ah! E se o patriarca ainda estiver vivo (essa espécie fez pacto com o diabo) os crimes cometidos serão todos arquivados pois já passaram dos 70 anos.

A classe dos IMBECIS é a típica classe média que come sardinha e arrota camarão. Bastou prosperar mais um pouco na vida e pensam que são a elite da sociedade. É a mesma classe imbecil que prosperou nos áureos tempos econômicos, onde puderam trocar de imóvel, automóvel, escola para os filhos e até contrataram empregada doméstica. Uma parte dela se solidarizou com o golpe e bateu panelas em suas varandas. Outra parte pertence a classe de servidor público federal que prosperou com o reajuste em seus rendimentos e receberam equipamentos adequados para trabalharem com dignidade e mesmo assim se solidarizaram com o golpe e bateu panelas em suas varandas. Uma outra parte tão mais imbecil quanto que recalcada pela ascensão das classes menos favorecidas ao acesso a mais educação e saúde, cultivaram um ódio exorbitante no governo que propiciou essa ascensão e se solidarizaram com o golpe e bateram panelas em suas varandas. Esses imbecis reunidos não sabem argumentar decentemente e se você emitir uma opinião diferente da deles você será rotulado e as vezes até perseguido.

Essas classes aleijam o Brasil de tal forma que não permite um crescimento sustentável, pois só olham para seus próprios rabos e não pensam no próximo. Só pensam em criar formas de aumentarem suas rendas na lei do menor esforço, por isso sonegam, corroboram para a corrupção e na lei da vantagem. Não estão preocupados numa reforma políticas senão perderão seus benefícios. Não se preocupam em ampliar a educação para todos pois enxergam como mais concorrência e mais entendimento com os aspectos sociais, manter a classe pobre o máximo de alienada é a meta deles.

O Brasil é a terra da PATIFARIA e da BAGUNÇA.

Então? Ainda tem esperanças para o país?








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Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



domingo, 13 de agosto de 2017

Hitler era de Esquerda? Quanta utopia... (Por Thiago Muniz)

Hitler apoiava o livre mercado e a iniciativa privada. Essencialmente para alemães nativos.

Hitler defendia a expropriação de bens para o enriquecimento do Estado, mas não excluía o lucro e a propriedade.

Hitler não era filiado a Internacional Comunista, ou a Internacional Socialista.

O socialismo alemão era uma ideologia mal elaborada cujo principal objetivo era a criação de um estado supremacista.

A economia alemã investia em conceitos como "soma zero" e manufatura interna, por isso a Volkswagen, a Hugo Boss, a Adidas e outras empresas alemãs lucraram e cresceram muito.

Hitler, além de determinar práticas xenofóbicas e racistas como eixo do vetor econômico, roubou dos judeus seus bens e capital, com o pretexto de recuperar a economia alemã.

Hitler, se fosse socialista, teria entendido que o conceito de estado nacional era combatido. Hitler afirmou, em 1930, "...Nosso termo adotado “socialista” não tem nada a ver com o socialismo marxista, Marxismo é anti-propriedade; enquanto o verdadeiro socialismo não é!".

Em termos econômicos, a Alemanha de Hitler era mercantilista. Um modelo anterior ao capitalismo, mas não oponente a ele, e oposto ao comunismo.

Porque o mercantilismo prevê forte intervenção do Estado na propriedade privada, mas nunca a extinção dela.

O Bundestag atual possui neonazistas pelo Partido Nacional Democrático Alemão.

Precisamos, então, pela lógica de alguns desinformados, discutir se a democracia é nazista.

Os neonazistas evoluíram seu pensamento econômico para o liberalismo e o capitalismo, e mesmo o neoliberalismo, com intervenção mínima do estado no mercado.

Mas o principal objetivo de Hitler e do nazismo é a criação de um estado supremacista.

Nenhum governo comunista, ou mesmo o levante ocorrido na Bahia, tinha por eixo a supremacia racial, mas o rompimento com um modelo econômico.

Hitler se dizia anticapitalista. Porque isso era invenção dos judeus. E se dizia anticomunista. Porque isso era invenção de judeus.

De fato, Marx.

Mas ele, na prática, e na prática de seu ministro da economia, era mercantilista.

E defendia um estado cujo principal pilar é a supremacia da raça branca.

Hitler não era de esquerda. Em termos econômicos, era mercantilista, racista, xenofóbico, homofóbico e sua prática política atual é amparada pela direita e extrema-direita.

Portanto...

Parem de falar merda. Averigue antes de profanar besteira.







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Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Amigo Branco (Por Ernesto Xavier)

Olá, amigo branco. Tudo bem? 

Hoje estou falando contigo. É um papo necessário. Há tempos nós caminhamos juntos, conversamos, você lê o que eu escrevo e até concorda comigo em vários pontos. 

Não precisamos concordar em tudo, eu sei. Mas tem uns assuntos que a gente não falou ainda, assim, na cara, na sinceridade, de forma crua, sabe? Acho que chegou a hora.

Nada no Brasil é uma coincidência. Tudo é fruto de uma história escrita por mim, por você e por todo mundo que pisou aqui um dia.

Eram 23h43 de uma terça-feira. Eu estava no BRT lotado, sem espaço para mais ninguém, que iria em direção à Santa Cruz. Não era coincidência que cerca de 80% das pessoas que estavam ali, àquela hora, voltando para suas casas, eram negras. Muitas delas nem sabem que são negras, eu creio. Suas almas sabem. Seus genes sabem. Seus ancestrais sabem.

Não é coincidência que mais de 70% da população carcerária seja negra. Não é coincidência que 78% dos homicídios sejam de negros. Não é coincidência que dos 513 deputados federais, quase nenhum deles seja negro. Não é coincidência que as favelas sejam predominantemente negras. Não é coincidência que apenas 12,8% dos universitários sejam negros, mesmo com as cotas.

Somos seres históricos, resultado de tudo que veio antes de nós. 

Estou falando de estrutura. Racismo Estrutural. 

O racismo não é só quando você vê alguém chamando o outro de macaco. Isso na verdade é Injúria Racial. O racismo vai muito além do xingamento. Ele está presente em praticamente tudo que vemos no Brasil. Infelizmente não te explicaram isso na escola e nem vão explicar. Em casa? Você também não ouvirá isso em casa, amigo branco. Nem na TV. Nem na Veja. Talvez na internet, já que agora temos este espaço para falar. Mas você lê? Ou acha que estamos chatos e só sabemos falar disso? A gente tem que ser “chato” e repetitivo, porque não nos deixaram falar por 400 anos. 

É um tempinho, né?

Quando a polícia entra na favela atirando e acertando tanto o bandido, quanto o morador, isso é reflexo do racismo estrutural. Quando esse bandido predominantemente é negro, isso é o racismo estrutural. Quando o policial mal remunerado e mal treinado, em grande parte negro, arrisca a vida, isso também é o racismo estrutural. Quando aquele aluno da escola pública “sabe” que seu futuro vai ser bem complicado e que ele dificilmente conseguirá algo melhor do que seus pais, isso também é o racismo estrutural. Quando o dinheiro investido pelo governo em infraestrutura faz do Leblon um bairro limpo, com saneamento, asfalto liso, mais segurança, transporte e saúde, enquanto Sepetiba tem transporte precário, ruas sem asfalto, buracos, esgoto a céu aberto, quase nenhuma estrutura, isso, sim, é o racismo estrutural.

Aí você vai dizer que na verdade é uma questão social. Tolinho.

Quem é pobre no Brasil? É o filho da desembargadora que foi solto depois de mais de 120 kg de maconha ou o Rafael Braga, preto, com uma garrafa de Pinho Sol? Quem vai conseguir habeas corpus pra cuidar dos filhos, a Adriana Ancelmo ou a Ana Lys, negra e periférica?

O acesso à justiça é diferente. O acesso à saúde, à educação, ao emprego, ao amor. Até o amor é influenciado pelo racismo. Pergunte à uma mulher negra e ela vai te explicar.

Ser pobre e preto não é uma coincidência. Ser branco e pobre é uma exceção. 

Quando a TV tem pouquíssimos artistas negros em comparação aos brancos, isso é o racismo estrutural gritando e te dizendo que não quer mudar, que o mundo ideal deles não é aquele que te inclui se você é preto. Isso vai entrando na cabeça daquela criança negra, que desde pequena não se vê em lugar algum. Ela quer ser princesa, mas nunca apresentaram a ela as princesas africanas, as histórias africanas. Ele/ela quer ser cientista, mas nunca mostraram a ele/ela algum cientista parecido com ele/ela. Ele não conhece Neil DeGrasse, nem sabe que Machado de Assis e Lima Barreto eram pretos, nem ouviu falar em Carolina de Jesus. Malcolm X? Luther King Jr? Angela Davis? Nem dão aula de inglês direito na escola dele. Cursinho? Hahahaha Piada. Isso é racismo estrutural, amigo branco. 

Quando você vai naquela festinha pleiba com ingresso à 80 reais, você só vai ver o preto servindo ou na banda daquele rap ou funk que você gosta de ouvir, mas que você só ouve se for na tua esquina, porque se for pra entrar na quebrada onde essa música surge, você não vai. Não vai porque você curte um “ambiente diferenciado”. Você não sobe a favela pra comprar maconha e pó. Você tem um intermediário que te livra disso. Mas teu dinheiro financia a guerra. A guerra que você vê na TV e se diz horrorizado. Tu é patrocinador da guerra, cara. A guerra que mata os pretos. A guerra que ainda tenta eliminar os pretos do Brasil, assim como queriam há 100 anos atrás. 

Você tá me lendo até aqui? Tá mesmo? 

Já conseguiu imaginar um presidente negro no Brasil ou isso é só coisa que americano pode ter?

Esse país não é miscigenado porque todo mundo se ama e gosta de procriar com gente de outra cor, de outra classe, de outra origem. Nós somos filhos do estupro. Desculpa te contar isso agora, mas é o que posso te dizer. Não é uma suposição. É uma questão de análise de documentos e relatos antigos, além de exames de DNA feitos recentemente. A mulher negra não seduzia o português para conseguir regalias. Ela era estuprada, mesmo tendo companheiros negros. Homens negros fortes eram tidos como reprodutores, assim como fazem com bois e cavalos. 

Negros aos montes foram jogados nas periferias, sem emprego, sem casa, sem estudo. Jogados nas ruas. Não é à toa que temos tantos moradores de rua...negros. Quando surge um branco, ele vira o “mendigato” e é abrigado por alguém que se compadece de alguém tão bonito que está nas ruas. O preto não vira mendigato. O preto vai forçado para abrigo, o preto é preso, o preto toma jato de água, o preto é cracudo, o preto é amarrado no poste. 

Amigo branco, você historicamente é racista. Desculpa te informar isso mais uma vez. Eu sei que você talvez nunca tenha xingado alguém de macaco, você tem vários amigos negros, você já namorou ou ficou com alguém negro, você curte as paradas negras e apoia de toda forma possível. Obrigado. Siga melhorando, beleza? Mas...ainda precisa entender o que você representa e reproduz. Não tem como eu passar a mão na sua cabeça. Não estou brigando. É uma conversa, séria, sim, mas sincera. O racismo por ser estrutural, permeia tudo, está enraizado, entranhado. O mito da democracia racial nos persegue e impede avanços. 

Cuidado com o “mas” das suas respostas. Normalmente ele é um silenciador. Ele te coloca em posição de poder, pois esta posição sempre foi sua, não é mesmo? O “mas” assassino, que diz ser tolerante, porém olha com antipatia para o fim dos próprios privilégios. 

Privilégio não é mérito, amigo branco. Privilégio é privilégio. 

Um dia eu volto pra falar mais. Por hoje é isso. Não deixe a estrutura te engessar. 

Sua estrutura pode matar alguém.

Um abraço,

Amigo preto



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".





terça-feira, 18 de julho de 2017

Tráfico (Por Ernesto Xavier)

Quando no Brasil vamos admitir que o tráfico de drogas faz parte da economia brasileira? 

Digo mais, quando vão dizer claramente que grande parte do PIB provém de esquemas que envolvem direta ou indiretamente a compra e venda de drogas ilícitas e tudo o que as rodeiam, como tráficos de armas, compras de imóveis, carros, pagamento de propina, suborno, esquemas que envolvem políticos, policiais, juízes, grandes empresas e seus respectivos empresários?

O tráfico de drogas não começa na boca de fumo dentro da favela, com os pretos todos lá, jovens, armados até os dentes, mas sem qualquer preparo e dispostos a trocar tiro com os policiais, também pretos e pobres em sua maioria.

O esquema está tão distante desses que são os mais visados pela segurança pública, que fica até difícil explicar, mas vamos lá.

No último final de semana vi a lista dos 6 maiores traficantes de drogas do país procurados pela Polícia Federal. Todos brancos. Sim, todos. Gente alta na hierarquia do crime organizado. Mesmo assim, com gente ainda mais alta, mas que não vão aparecer em lista nenhuma da PF, pois chegaria em pessoas que, no Brasil, não podem ser investigadas, punidas e nem ao menos suspeitas. Gente que ocupa cadeira na Câmara dos Deputados, no Senado, quiçá na presi...deixa pra lá.

Já tivemos helicóptero interceptado com mais de 400 kg de pasta base de cocaína, estimada em mais de 10 milhões de dólares, com ligação direta com deputado e senador. Já teve avião com 623 kg de cocaína ligados a ministro. Mas nada disso vai adiante, pois, como já falei, são pessoas que não podem ser investigadas.

No entorno do Brasil temos o Peru, Colômbia e a Bolívia, por exemplo. Grandes produtores de cocaína e maconha. 

Pausa.

Não estou aqui para julgar se deveria ser legalizado ou não o consumo e a venda. Estou falando de um mercado ilegal que existe e produz muita grana e mortes no meu país.

Voltando.

O Peru, a Colômbia e a Bolívia possuem cartéis de drogas com ligações diretas com as facções criminosas brasileiras, que usam para o consumo interno e para exportação para os EUA e Europa. 

Até aí tudo certo? Ok.

Para assegurar o esquema, necessitam de armamento. É uma guerra deflagrada, correto? Acho que ninguém tem dúvida disso. 

São armas novas, de última geração, produzidas em países de primeiro mundo, por empresas reconhecidas mundialmente. 

Alguém aqui já ouviu falar em grandes roubos de armas em empresas de armas estrangeiras? Nunca ouvi falar.

As armas que chegam aqui saem da Suíça, dos EUA e de tantos outros lugares com nota fiscal, pagamento reconhecido, tudo dentro dos conformes. Ou alguém aqui vislumbra algum desses países permitindo a produção e venda ilegal de armas por empresas de seus países sem alguma sanção?
 
Portanto, chego a conclusão de que existe a forte conivência desses próprios países, ditos desenvolvidos, para a escalada de violência na América Latina. 

Sabendo quem são os compradores, deveria ser simples identificar os caminhos que essas armas fazem para chegar até o pretinho pobre que está lá no Complexo do Alemão portando um semi-automática. Não deveria?

É um esquema extremamente complexo que envolve portos, fronteiras, propinas, dólares e mais dólares. O pretinho não vai lá na fronteira negociar armas. Nem vai lá pra permitir a entrada de drogas no país. Ele é a ponta de lança. O bucha. O otário que vai morrer cedo, saca?

O tráfico de drogas e, consequentemente, o de armas são esquemas que não vão acabar no Brasil, pois envolvem muita gente grande, que já comanda o país desde sempre e que tem interesse direto para que assim permaneça. 

O Brasil não exporta só soja, café e proteína animal. Tem muita cocaína envolvida fazendo essa economia girar. Muito sangue escorrendo de gente que é só a consequência desse sistema. Um sistema que mantém uma parte significante da população bem pobre e analfabeta para servirem de "motivo" e mão-de-obra na cadeia alimentar do crime. E para que tantos outros pobres sejam os "defensores" da honra nacional, morrendo aos montes no país inteiro. 

Uma guerra que mata o preto e pobre em diversas instâncias, seja ele traficante, policial ou usuário.
Um guerra que consolida privilégios, seja ele latifundiário, político, empresário ou traficante internacional. 

Uma guerra que só serve para manter a roda girando. O preço alto da droga, o comércio de armas e o foco bem longe daqueles que realmente lucram com isso tudo.

Brasil, terra de traficantes e degredados desde Cabral.


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".

















quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vergonha (Por Thiago Muniz)

Nasci no Brasil. Um país onde não se respeita ninguém.

Tenho VERGONHA.

VERGONHA de assistir uma luta de classes; onde uma classe engoliu a seco durante um certo período de tempo a ascensão da outra classe menos favorecida durante décadas e na primeira oportunidade vestiu uma camisa amarela com as iniciais de uma instituição esportiva corrupta ao lado de um pato chancelado por uma federação esdrúxula das indústrias com um movimento jovem capitaneado por 2 irmãos magnatas norte-americanos.

VERGONHA de conviver numa sociedade hipócrita que comemora a prisão de um político onde foi condenado sem provas cabíveis, numa clara condenação política.

VERGONHA de ver que a política não respeita o patrimônio público, onde se empodera do bem social. Onde a verba pública é esticada aos bens pessoais.

VERGONHA do único país do mundo que tem nome de árvore e que não defende os recursos naturais.
VERGONHA de assistir a um Congresso onde pode ser comparada a uma grande bancada varejista, onde se apóia quem ofereça mais. Onde se legisla a causa própria. Um Congresso onde não se respeita nem os seus próprios eleitores e se gabam por possuírem o tal foro privilegiado.

VERGONHA de ser contribuinte de um Judiciário pagão, onde os interesses políticos subtraem ao interesse social e ao cumprimento claro da justiça.

VERGONHA de conviver com uma Polícia que foi criada para defender aos interesses do Estado e não em prol da sociedade, não que ela mereça, mas não é o correto.

VERGONHA de assistir a degradação educacional de um país onde não respeita e espanca os seus próprios professores. Onde se provoca a alienação educacional e cultural contra a evolução de uma população.

VERGONHA de ver uma sociedade idolatrando um juiz "parcial e partidário" como o "Justiceiro da República" culminando na condenação de uma pessoa sem provas mas com convicções.

VERGONHA de ver que a cultura escravagista continua fortemente enraizada, principalmente nas áreas onde o coronelismo é progressivo. No mesmo coronelismo onde se cria leis próprias e o voto de cabresto.

VERGONHA de assistir a cultura do estupro em favor do machismo absoluto.

VERGONHA de presenciar o crescimento de uma classe que se promulga como religiosa mas na prática é uma classe de poder, com plano de poder.

VERGONHA de ser testemunha de uma classe estatutária federal ser extremamente ingrata com quem lhes concedeu benefícios, depois de anos defasada.

VERGONHA de um país que mais executa pessoas em zona urbana do que em conflitos pelo mundo.

VERGONHA de ter presenciado a uma classe política indignada com um resultado legítimo de uma eleição e simplesmente provocar o caos no país, a tal ponto de impedir o mandato de uma presidente em pleno exercício de seu poder.

VERGONHA de ver uma sociedade hipócrita onde olha para uma pessoa negra e julga como suspeito para algo errado.

VERGONHA de ver uma reforma trabalhista, onde a Consolidação das Leis Trabalhistas sendo dilacerada em favor do empresariado, onde se deveria fazer uma reforma tributária.

VERGONHA de ver uma sociedade Anestesiada e Complacente.

VERGONHA de ver que a Prisão Domiciliar só é concedida para quem possui uma extensa conta bancária privilegiada como cortesia jurídica.

VERGONHA de ver a Ignorância e a Intolerância reinando plenas dentro do país.

VERGONHA de assistir a tamanha falta de argumentos numa roda de debates e conversas.

VERGONHA de presenciar o preconceito descarado do Sul com relação ao Norte.

VERGONHA de sentir VERGONHA.

Enfim...VERGONHA!

Tenho mais VERGONHA por ter a consciência de que não tenho perspectivas de grandes mudanças.











BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Treze (Por Ernesto Xavier)

O que dizer da condenação do Lula, em primeira instância, pelo juiz Sergio Moro?

1. Não há provas.

2. Ele foi condenado por um bem que não usufruiu, nem recebeu dinheiro, nada.

3. Agora é crime visitar apartamentos. Tome cuidado com o seu corretor de imóveis.

4. O "chefe da quadrilha" supostamente ganhou um triplex pequeno no Guarujá, enquanto o Aécio recebeu 2 milhões de reais com direito à áudio, vídeo, mala, delação, ameaça de morte ao primo, etc.

5. Quando alguém é condenado, não quer dizer que aquela pessoa realmente tenha cometido um crime. As cadeias brasileiras superlotadas são a prova disso.

6. Lula não vai para a cadeia agora e nem está inelegível por enquanto.

7. Desafio alguém a ter algum documento que comprove a ligação entre Lula e o apartamento. Se alguém tiver, por favor, mande para a PF, pois eles estão a procura disso faz tempo.

8. O tal "analfabeto" seria, então, o mais inteligente bandido, capaz de esconder provas e manipular empreiteiros? Estou confuso.

9. Um juiz deve ir à imprensa para pedir apoio da população ou deveria apenas fazer o seu trabalho?

10. Se eu for à polícia e falar que meu vizinho é criminoso, ele poderá ser preso apenas pelo que eu falei ou terei de levar provas?

11. Eu passo toda semana pela Ponte Rio-Niterói. Isso significa que possuo um apartamento na cidade, cabendo como prova um comprovante de pedágio? Quero meu apartamento em Niterói, já!!!

12. A condenação de Lula um dia após a aprovação da Reforma Trabalhista é coincidência ou estou ficando paranoico por achar que tira o foco de algo que vai atingir o trabalhador brasileiro por toda a vida?

13. Se o Lula não puder se candidatar em 2018, quem ele indicar, vai ganhar as eleições. Portanto, sentem e chorem, coxinhas.
.
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Terminei no item 13, porque 13 é Lula. 

O 13 tirou o Brasil do Mapa da Fome. 

O 13 trouxe luz para quem nunca tinha tido energia elétrica. 

O 13 trouxe água para cidades nordestinas devastadas pela seca. 

O 13 construiu mais universidades em 8 anos, do que o Brasil em todo o resto da história. 

O 13 deu direitos trabalhistas para empregadas domésticas. 

O 13 enriqueceu os bancos, inclusive. Enriqueceu empresas. 

Fez o Brasil crescer e chegar a ser a 7° maior economia do mundo.

13 é número de sorte. 

Azar de quem ache o contrário.

Não gostou? A gente se fala nas urnas em outubro de 2018. 

PT, saudações.



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".







sexta-feira, 30 de junho de 2017

Aécio (Por Ernesto Xavier)

O ministro Marco Aurélio Melo devolveu ao senador Aécio Neves o direito de voltar às suas funções parlamentares.

Não adiantou áudio, filmagem, rastreamento do dinheiro, denúncia, recibo, nada.

Para prender ou manter alguém como Aécio longe do seu cargo, seria necessário que Deus, Khrishna, Jesus, Alá, Oxalá e todos mais viessem à Terra e chamassem essa galerinha "honesta" da justiça brasileira pra conversar.

Para o Aécio ser considerado culpado, só se ele tivesse nascido no hospital Pedro II, em Santa Cruz e sido criado em Antares com amiguinhos pobres, pretos e sem qualquer diploma. Aí sim Aécio seria preso!!

Mais ou menos assim, pois Aécio não teria chegado ao Senado. Aécio não teria sido candidato à presidente, não seria presidente do PSDB, não teria juízes lhe defendendo, não conseguiria entrar num shopping, nem nos hotéis de luxo que ele frequenta. 

Não teria apartamento em São Conrado, não seria amigo do Joesley, não poderia pedir 2 milhões a ele, não entraria com pedido de impugnação da chapa Dilma/Temer no TSE, não seria amigo íntimo do Gilmar Mendes.

Aécio seria só mais um pretinho da favela. Ouviria "bandido bom é bandido morto". Não teria panela pra bater e nem camisa da CBF. Aécio seria um dos 13,8 milhões de brasileiros desempregados.

Aécio tomaria porrada da polícia, seria revistado todo santo dia na entrada do seu bairro, tomaria uma "bala perdida" pelas costas, seria enterrado sem honras e com o sorriso daqueles que primeiro atiram e depois perguntam quem era.

Mas Aécio é Neves. Neto de Tancredo. Playboy mineiro em terras cariocas. A imagem do sonho brasileiro. Um sonho baseado nos privilégios que todos desejavam ter, mas que só Aécio e seus parceiros podem desfrutar.

Bem-vindos à nossa Capitania Hereditária!



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".

















sexta-feira, 23 de junho de 2017

A lata do lixo da história encheu rápido (Por Roberto Sander)

Após um ano do golpe que levou ao poder o grupo político mais corrupto da história do Brasil, confesso que sinto minha alma lavada. Por um lado é decepcionante ver o nosso país, depois de 13 anos de governo progressista (apesar de todos os percalços), ainda dominado pelo pior tipo de gente, sempre a serviço dos interesses mais escusos, mais antipopulares. 

Um grupo, como se sabe, que tem como objetivo apenas servir a plutocracia, ao mercado financeiro e as grandes corporações industriais.

Mas, por outro lado, mais rápido do que se imaginava, toda essa gente está sendo desmascarada. Apesar da resistência do STF em mandar prender de vez Aécio Neves, o grande mentor de toda essa desfaçatez, só a sua desconstrução como político, a sua total desmoralização - que traz a reboque a também desmoralização de todos os seus seguidores, aqueles que batiam a mão no peito para dizer que queriam um novo Brasil, livre da corrupção - já é motivo de satisfação para os espíritos democratas. Temer, o traidor, também é um fantasma político, vagando na presidência sem qualquer respaldo, sem mais capacidade sequer de entregar as reformas da morte que prometeu.

Enquanto isso, as grandes vítimas desse processo, apesar de todas as tentativas de ligá-los a esquemas de corrupção, seguem andando de cabeça erguida, sem nenhuma prova, pelo menos por enquanto, que possa incriminá-los.

Desmoralizado também está o juiz Sérgio Moro que, além de ter dado mais um tiro no pé, mostrando-se conivente com a corrupção ao inocentar as esbanjadoras de dinheiro de propina Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo, teve agora o baque de ver, esfregado em suas fuças, o documento que comprova, de uma vez por todas, que o triplex do Guarujá nunca poderia ter sido cedido pela OAS ao presidente Lula.

Léo Pinheiro simplesmente não tinha como ter dado o apartamento a Lula sem ter depositado o valor correspondente ao imóvel em uma conta da Caixa Econômica Federal, que é na realidade quem possui, desde 2010, os direitos econômicos e financeiros sobre o tal triplex. A revelação desmontou a denúncia do Ministério Público Federal, que sustentava, apenas com base na delação de Pinheiro, que Lula era o dono oculto do imóvel.

Pois ter resistido a esse processo de demonização do PT e dos seus principais líderes me custou algumas inimizades. Inimizades de pessoas que tinha em alta conta e que nunca imaginei que fossem tão intolerantes e reacionárias. Fui chamado de petista (como se isso fosse uma grande ofensa), de ingênuo, de defensor de corrupto, de escrevinhador de bobagens, etc.

Mas como sempre tive absoluta convicção de que estava do lado certo - ou seja, do lado da Justiça, da legalidade e da democracia - que jamais deixei de resistir, de argumentar e, assim, de evitar o confronto.

Confesso que todo esse processo me enriqueceu bastante. Pude conhecer melhor as pessoas e ver a diferença que existe entre o "gente boa" e o "cidadão". O só "gente boa" é aquele que, na hora H, se deixa levar pelo lugar comum, pelo o que o sistema determina, sem nada questionar, sem de nada desconfiar. O "cidadão", ao contrário, é aquele que resiste, que não se curva diante das unanimidades, que tem como norte o que é legal, no sentido mais amplo da palavra.

Era amigo de muito "gente boa". Não sei se sou mais. Andam encolhidos, envergonhados, ressentidos, como se tivesse feito algum mal a eles por sempre apontar as suas contradições que agora estão mais do que escancaradas. E ao invés de uma autocrítica, de um reconhecimento de que se enganaram, se fazem de desentendidos e fogem do debate. 

Embora lamente, acho graça. Não deixa de ser divertido ver toda aquela empáfia de dono da verdade, de arauto da moralidade, reduzida a pó.

Difícil ainda prever o que acontecerá no nosso país. No entanto, seja lá o que vier, acredito que saímos dessa fortalecidos. A vitória da oposição na votação do senado - simbolizada por este grande político que se chama Paulo Paim - fez o projeto da reforma trabalhista empacar e trouxe um alento para quem via seus direitos serem tomados sem dó nem piedade.

De toda maneira, já sabemos que a lata de lixo da história chegou rapidinho para os três personagens que, a meu ver, simbolizaram esse momento em que se tentou (e ainda tenta) jogar o Brasil nas trevas: Sérgio Moro, Michel Temer e Aécio Neves. E Cunha, Cabral & Cia? Estes, embora também nefastos, são apenas coadjuvantes.






quinta-feira, 15 de junho de 2017

A perda de uma flor (Thiago Muniz)

A perda da flor...
...assim como o amor, 
Causa uma dor.

Circunstâncias da vida
Fatores de risco
A imaturidade se aflora

O encanto no encontro
A troca no olhar
As histórias contadas 

A despedida...
...o beijo
...um possível reencontro

Mas a flor, assim como o amor 
Causa uma dor
Ah! Essa dor que aflora...

E se...o tempo!
Permitisse um regresso 
Faria tudo diferente

A flor não teria dor...

...assim como o amor.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Rosário (Por Ernesto Xavier)

Dizem que Danilo Gentili é comediante. 

Ele conta piadas onde só ele e seus seguidores riem. Ele ficou rico assim. Ganhou um programa de auditório assim. Tem gente "respeitada" que vai ao programa dele. Tem uma emissora com concessão pública, obviamente, que paga seus salários. Tem patrocinadores que compram espaço nos intervalos e nos merchandisings ao longo do programa. 

Tem milhões de seguidores nas redes sociais. Danilo tem, portanto, a chancela de milhões de brasileiros.

Isso foi para dizer que vivemos em um país onde a cultura do estupro é aplaudida. 

E o que está descrito acima prova isso. Danilo esfregou papéis picados em sua genitália representando a deputada federal Maria do Rosário, pois sabe que milhões de pessoas e milhões de reais o dão autorização para tal. Ele chamou a deputada de puta, pois milhões de pessoas iriam rir e dizer "fez o que todo mundo já deveria ter feito".

Maria do Rosário é mais uma mulher. Mais uma nesse mar de desrespeito e violência. Já foi ofendida por Bolsonaro, o que não é de se espantar.

Maria luta inclusive pelas mulheres que talvez a odeiem. Pessoas que não compreendem que independentemente da posição política, ao ofender e desrespeitar uma mulher, estamos violentando todas, pois é assim que gente como Gentili pensa e age: fazem contra Rosário, pois é da esquerda e está no olho do furacão, mas fariam com qualquer outra mulher.

Danilo precisa responder nos tribunais. Seus atos são criminosos. A cadeia seria o seu caminho. Isso se estivéssemos em um país que pune atitudes machistas. 

Mas estamos no Brasil.

Aquele mesmo país que pôs a culpa na vítima pelo estupro coletivo.

30-05-2017

Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".















segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vem aí: Serguei, a biografia

Para quem gosta de música e acompanha os acontecimentos, sabemos quem é Serguei, seja por alguma história que alguém contou para você ou pelo que o próprio Serguei contou em alguma rara entrevista que ele concedeu.

Pois você não conhece de fato a história desse artista lendário.

Esse enigma será desvendado pelos escritores Rodrigo Barros e Paulo-Roberto Andel, em "As alucinações de Serguei - a biografia.".

Nele conheceremos mais sobre a sua origem, o início como artista, as histórias emblemáticas com diversos artistas, a sua sexualidade um tanto ortodoxa e seu refúgio na pacata e épica Saquarema.

O livro será lançado em breve, nas melhores livrarias do Brasil, em breve anunciaremos o lançamento.

Um bate e pronto com o escritor Paulo-Roberto Andel, em entrevista ao colunista Thiago Muniz.

1) Como você conheceu o Serguei?

Paulo Roberto Andel: Desde criança. Minha mãe era amiga dele. Serguei era uma espécie de mito de Copacabana nos anos 1960 e 1970. As garotas eram loucas por ele. Enfim, um personagem riquíssimo. 

2) Quais foram as etapas e os motivos que você e o Rodrigo Barros tiveram para a concepção deste livro? 

Paulo Roberto Andel: Por ocasião dos problemas financeiros que Serguei enfrentava ano passado, tive a ideia de fazer um livro sobre ele numa conversa com Rodrigo, cuja renda seria integralmente revertida para o cantor. Ele abraçou a parceria no ato e começamos um enorme trabalho de pesquisas, depoimentos, entrevistas e outros elementos do universo Serguei. Finalmente estamos no processo final: em poucas semanas, a biografia estará na gráfica. 

3) Com toda a repercussão e polêmicas sobre a publicação de biografias, vocês em algum momento ficaram preocupados que não gerassem algum transtorno?

Paulo Roberto Andel: O projeto tem a renda 100% revertida para o Serguei, ele foi amabilíssimo conosco e não tivemos qualquer problema. Ele é uma criatura liberta, longe das amarras de alguns biografados que só querem uma edição positiva de suas vidas. Serguei é 100% um artista de verdade, o tempo inteiro. 

4) Você acredita que com a publicação da biografia a sociedade passe a olhar com mais generosidade pelo Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Serguei é uma figura importantíssima para se entender a MPB do fim dos anos 1960 em diante. Um cantor fantástico e um artista que merece a devida valorização. Uma pessoa que deveria ser mais ouvida em muita coisa quando o assunto é rock brasileiro. 

5) Podemos nos surpreender com a verdade sobre Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Muito. Há situações a respeito de Serguei que beiram o inacreditável mas são absolutamente reais.



















BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.