quarta-feira, 26 de julho de 2017

Amigo Branco (Por Ernesto Xavier)

Olá, amigo branco. Tudo bem? 

Hoje estou falando contigo. É um papo necessário. Há tempos nós caminhamos juntos, conversamos, você lê o que eu escrevo e até concorda comigo em vários pontos. 

Não precisamos concordar em tudo, eu sei. Mas tem uns assuntos que a gente não falou ainda, assim, na cara, na sinceridade, de forma crua, sabe? Acho que chegou a hora.

Nada no Brasil é uma coincidência. Tudo é fruto de uma história escrita por mim, por você e por todo mundo que pisou aqui um dia.

Eram 23h43 de uma terça-feira. Eu estava no BRT lotado, sem espaço para mais ninguém, que iria em direção à Santa Cruz. Não era coincidência que cerca de 80% das pessoas que estavam ali, àquela hora, voltando para suas casas, eram negras. Muitas delas nem sabem que são negras, eu creio. Suas almas sabem. Seus genes sabem. Seus ancestrais sabem.

Não é coincidência que mais de 70% da população carcerária seja negra. Não é coincidência que 78% dos homicídios sejam de negros. Não é coincidência que dos 513 deputados federais, quase nenhum deles seja negro. Não é coincidência que as favelas sejam predominantemente negras. Não é coincidência que apenas 12,8% dos universitários sejam negros, mesmo com as cotas.

Somos seres históricos, resultado de tudo que veio antes de nós. 

Estou falando de estrutura. Racismo Estrutural. 

O racismo não é só quando você vê alguém chamando o outro de macaco. Isso na verdade é Injúria Racial. O racismo vai muito além do xingamento. Ele está presente em praticamente tudo que vemos no Brasil. Infelizmente não te explicaram isso na escola e nem vão explicar. Em casa? Você também não ouvirá isso em casa, amigo branco. Nem na TV. Nem na Veja. Talvez na internet, já que agora temos este espaço para falar. Mas você lê? Ou acha que estamos chatos e só sabemos falar disso? A gente tem que ser “chato” e repetitivo, porque não nos deixaram falar por 400 anos. 

É um tempinho, né?

Quando a polícia entra na favela atirando e acertando tanto o bandido, quanto o morador, isso é reflexo do racismo estrutural. Quando esse bandido predominantemente é negro, isso é o racismo estrutural. Quando o policial mal remunerado e mal treinado, em grande parte negro, arrisca a vida, isso também é o racismo estrutural. Quando aquele aluno da escola pública “sabe” que seu futuro vai ser bem complicado e que ele dificilmente conseguirá algo melhor do que seus pais, isso também é o racismo estrutural. Quando o dinheiro investido pelo governo em infraestrutura faz do Leblon um bairro limpo, com saneamento, asfalto liso, mais segurança, transporte e saúde, enquanto Sepetiba tem transporte precário, ruas sem asfalto, buracos, esgoto a céu aberto, quase nenhuma estrutura, isso, sim, é o racismo estrutural.

Aí você vai dizer que na verdade é uma questão social. Tolinho.

Quem é pobre no Brasil? É o filho da desembargadora que foi solto depois de mais de 120 kg de maconha ou o Rafael Braga, preto, com uma garrafa de Pinho Sol? Quem vai conseguir habeas corpus pra cuidar dos filhos, a Adriana Ancelmo ou a Ana Lys, negra e periférica?

O acesso à justiça é diferente. O acesso à saúde, à educação, ao emprego, ao amor. Até o amor é influenciado pelo racismo. Pergunte à uma mulher negra e ela vai te explicar.

Ser pobre e preto não é uma coincidência. Ser branco e pobre é uma exceção. 

Quando a TV tem pouquíssimos artistas negros em comparação aos brancos, isso é o racismo estrutural gritando e te dizendo que não quer mudar, que o mundo ideal deles não é aquele que te inclui se você é preto. Isso vai entrando na cabeça daquela criança negra, que desde pequena não se vê em lugar algum. Ela quer ser princesa, mas nunca apresentaram a ela as princesas africanas, as histórias africanas. Ele/ela quer ser cientista, mas nunca mostraram a ele/ela algum cientista parecido com ele/ela. Ele não conhece Neil DeGrasse, nem sabe que Machado de Assis e Lima Barreto eram pretos, nem ouviu falar em Carolina de Jesus. Malcolm X? Luther King Jr? Angela Davis? Nem dão aula de inglês direito na escola dele. Cursinho? Hahahaha Piada. Isso é racismo estrutural, amigo branco. 

Quando você vai naquela festinha pleiba com ingresso à 80 reais, você só vai ver o preto servindo ou na banda daquele rap ou funk que você gosta de ouvir, mas que você só ouve se for na tua esquina, porque se for pra entrar na quebrada onde essa música surge, você não vai. Não vai porque você curte um “ambiente diferenciado”. Você não sobe a favela pra comprar maconha e pó. Você tem um intermediário que te livra disso. Mas teu dinheiro financia a guerra. A guerra que você vê na TV e se diz horrorizado. Tu é patrocinador da guerra, cara. A guerra que mata os pretos. A guerra que ainda tenta eliminar os pretos do Brasil, assim como queriam há 100 anos atrás. 

Você tá me lendo até aqui? Tá mesmo? 

Já conseguiu imaginar um presidente negro no Brasil ou isso é só coisa que americano pode ter?

Esse país não é miscigenado porque todo mundo se ama e gosta de procriar com gente de outra cor, de outra classe, de outra origem. Nós somos filhos do estupro. Desculpa te contar isso agora, mas é o que posso te dizer. Não é uma suposição. É uma questão de análise de documentos e relatos antigos, além de exames de DNA feitos recentemente. A mulher negra não seduzia o português para conseguir regalias. Ela era estuprada, mesmo tendo companheiros negros. Homens negros fortes eram tidos como reprodutores, assim como fazem com bois e cavalos. 

Negros aos montes foram jogados nas periferias, sem emprego, sem casa, sem estudo. Jogados nas ruas. Não é à toa que temos tantos moradores de rua...negros. Quando surge um branco, ele vira o “mendigato” e é abrigado por alguém que se compadece de alguém tão bonito que está nas ruas. O preto não vira mendigato. O preto vai forçado para abrigo, o preto é preso, o preto toma jato de água, o preto é cracudo, o preto é amarrado no poste. 

Amigo branco, você historicamente é racista. Desculpa te informar isso mais uma vez. Eu sei que você talvez nunca tenha xingado alguém de macaco, você tem vários amigos negros, você já namorou ou ficou com alguém negro, você curte as paradas negras e apoia de toda forma possível. Obrigado. Siga melhorando, beleza? Mas...ainda precisa entender o que você representa e reproduz. Não tem como eu passar a mão na sua cabeça. Não estou brigando. É uma conversa, séria, sim, mas sincera. O racismo por ser estrutural, permeia tudo, está enraizado, entranhado. O mito da democracia racial nos persegue e impede avanços. 

Cuidado com o “mas” das suas respostas. Normalmente ele é um silenciador. Ele te coloca em posição de poder, pois esta posição sempre foi sua, não é mesmo? O “mas” assassino, que diz ser tolerante, porém olha com antipatia para o fim dos próprios privilégios. 

Privilégio não é mérito, amigo branco. Privilégio é privilégio. 

Um dia eu volto pra falar mais. Por hoje é isso. Não deixe a estrutura te engessar. 

Sua estrutura pode matar alguém.

Um abraço,

Amigo preto



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".





terça-feira, 18 de julho de 2017

Tráfico (Por Ernesto Xavier)

Quando no Brasil vamos admitir que o tráfico de drogas faz parte da economia brasileira? 

Digo mais, quando vão dizer claramente que grande parte do PIB provém de esquemas que envolvem direta ou indiretamente a compra e venda de drogas ilícitas e tudo o que as rodeiam, como tráficos de armas, compras de imóveis, carros, pagamento de propina, suborno, esquemas que envolvem políticos, policiais, juízes, grandes empresas e seus respectivos empresários?

O tráfico de drogas não começa na boca de fumo dentro da favela, com os pretos todos lá, jovens, armados até os dentes, mas sem qualquer preparo e dispostos a trocar tiro com os policiais, também pretos e pobres em sua maioria.

O esquema está tão distante desses que são os mais visados pela segurança pública, que fica até difícil explicar, mas vamos lá.

No último final de semana vi a lista dos 6 maiores traficantes de drogas do país procurados pela Polícia Federal. Todos brancos. Sim, todos. Gente alta na hierarquia do crime organizado. Mesmo assim, com gente ainda mais alta, mas que não vão aparecer em lista nenhuma da PF, pois chegaria em pessoas que, no Brasil, não podem ser investigadas, punidas e nem ao menos suspeitas. Gente que ocupa cadeira na Câmara dos Deputados, no Senado, quiçá na presi...deixa pra lá.

Já tivemos helicóptero interceptado com mais de 400 kg de pasta base de cocaína, estimada em mais de 10 milhões de dólares, com ligação direta com deputado e senador. Já teve avião com 623 kg de cocaína ligados a ministro. Mas nada disso vai adiante, pois, como já falei, são pessoas que não podem ser investigadas.

No entorno do Brasil temos o Peru, Colômbia e a Bolívia, por exemplo. Grandes produtores de cocaína e maconha. 

Pausa.

Não estou aqui para julgar se deveria ser legalizado ou não o consumo e a venda. Estou falando de um mercado ilegal que existe e produz muita grana e mortes no meu país.

Voltando.

O Peru, a Colômbia e a Bolívia possuem cartéis de drogas com ligações diretas com as facções criminosas brasileiras, que usam para o consumo interno e para exportação para os EUA e Europa. 

Até aí tudo certo? Ok.

Para assegurar o esquema, necessitam de armamento. É uma guerra deflagrada, correto? Acho que ninguém tem dúvida disso. 

São armas novas, de última geração, produzidas em países de primeiro mundo, por empresas reconhecidas mundialmente. 

Alguém aqui já ouviu falar em grandes roubos de armas em empresas de armas estrangeiras? Nunca ouvi falar.

As armas que chegam aqui saem da Suíça, dos EUA e de tantos outros lugares com nota fiscal, pagamento reconhecido, tudo dentro dos conformes. Ou alguém aqui vislumbra algum desses países permitindo a produção e venda ilegal de armas por empresas de seus países sem alguma sanção?
 
Portanto, chego a conclusão de que existe a forte conivência desses próprios países, ditos desenvolvidos, para a escalada de violência na América Latina. 

Sabendo quem são os compradores, deveria ser simples identificar os caminhos que essas armas fazem para chegar até o pretinho pobre que está lá no Complexo do Alemão portando um semi-automática. Não deveria?

É um esquema extremamente complexo que envolve portos, fronteiras, propinas, dólares e mais dólares. O pretinho não vai lá na fronteira negociar armas. Nem vai lá pra permitir a entrada de drogas no país. Ele é a ponta de lança. O bucha. O otário que vai morrer cedo, saca?

O tráfico de drogas e, consequentemente, o de armas são esquemas que não vão acabar no Brasil, pois envolvem muita gente grande, que já comanda o país desde sempre e que tem interesse direto para que assim permaneça. 

O Brasil não exporta só soja, café e proteína animal. Tem muita cocaína envolvida fazendo essa economia girar. Muito sangue escorrendo de gente que é só a consequência desse sistema. Um sistema que mantém uma parte significante da população bem pobre e analfabeta para servirem de "motivo" e mão-de-obra na cadeia alimentar do crime. E para que tantos outros pobres sejam os "defensores" da honra nacional, morrendo aos montes no país inteiro. 

Uma guerra que mata o preto e pobre em diversas instâncias, seja ele traficante, policial ou usuário.
Um guerra que consolida privilégios, seja ele latifundiário, político, empresário ou traficante internacional. 

Uma guerra que só serve para manter a roda girando. O preço alto da droga, o comércio de armas e o foco bem longe daqueles que realmente lucram com isso tudo.

Brasil, terra de traficantes e degredados desde Cabral.


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".

















quinta-feira, 13 de julho de 2017

Vergonha (Por Thiago Muniz)

Nasci no Brasil. Um país onde não se respeita ninguém.

Tenho VERGONHA.

VERGONHA de assistir uma luta de classes; onde uma classe engoliu a seco durante um certo período de tempo a ascensão da outra classe menos favorecida durante décadas e na primeira oportunidade vestiu uma camisa amarela com as iniciais de uma instituição esportiva corrupta ao lado de um pato chancelado por uma federação esdrúxula das indústrias com um movimento jovem capitaneado por 2 irmãos magnatas norte-americanos.

VERGONHA de conviver numa sociedade hipócrita que comemora a prisão de um político onde foi condenado sem provas cabíveis, numa clara condenação política.

VERGONHA de ver que a política não respeita o patrimônio público, onde se empodera do bem social. Onde a verba pública é esticada aos bens pessoais.

VERGONHA do único país do mundo que tem nome de árvore e que não defende os recursos naturais.
VERGONHA de assistir a um Congresso onde pode ser comparada a uma grande bancada varejista, onde se apóia quem ofereça mais. Onde se legisla a causa própria. Um Congresso onde não se respeita nem os seus próprios eleitores e se gabam por possuírem o tal foro privilegiado.

VERGONHA de ser contribuinte de um Judiciário pagão, onde os interesses políticos subtraem ao interesse social e ao cumprimento claro da justiça.

VERGONHA de conviver com uma Polícia que foi criada para defender aos interesses do Estado e não em prol da sociedade, não que ela mereça, mas não é o correto.

VERGONHA de assistir a degradação educacional de um país onde não respeita e espanca os seus próprios professores. Onde se provoca a alienação educacional e cultural contra a evolução de uma população.

VERGONHA de ver uma sociedade idolatrando um juiz "parcial e partidário" como o "Justiceiro da República" culminando na condenação de uma pessoa sem provas mas com convicções.

VERGONHA de ver que a cultura escravagista continua fortemente enraizada, principalmente nas áreas onde o coronelismo é progressivo. No mesmo coronelismo onde se cria leis próprias e o voto de cabresto.

VERGONHA de assistir a cultura do estupro em favor do machismo absoluto.

VERGONHA de presenciar o crescimento de uma classe que se promulga como religiosa mas na prática é uma classe de poder, com plano de poder.

VERGONHA de ser testemunha de uma classe estatutária federal ser extremamente ingrata com quem lhes concedeu benefícios, depois de anos defasada.

VERGONHA de um país que mais executa pessoas em zona urbana do que em conflitos pelo mundo.

VERGONHA de ter presenciado a uma classe política indignada com um resultado legítimo de uma eleição e simplesmente provocar o caos no país, a tal ponto de impedir o mandato de uma presidente em pleno exercício de seu poder.

VERGONHA de ver uma sociedade hipócrita onde olha para uma pessoa negra e julga como suspeito para algo errado.

VERGONHA de ver uma reforma trabalhista, onde a Consolidação das Leis Trabalhistas sendo dilacerada em favor do empresariado, onde se deveria fazer uma reforma tributária.

VERGONHA de ver uma sociedade Anestesiada e Complacente.

VERGONHA de ver que a Prisão Domiciliar só é concedida para quem possui uma extensa conta bancária privilegiada como cortesia jurídica.

VERGONHA de ver a Ignorância e a Intolerância reinando plenas dentro do país.

VERGONHA de assistir a tamanha falta de argumentos numa roda de debates e conversas.

VERGONHA de presenciar o preconceito descarado do Sul com relação ao Norte.

VERGONHA de sentir VERGONHA.

Enfim...VERGONHA!

Tenho mais VERGONHA por ter a consciência de que não tenho perspectivas de grandes mudanças.











BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Treze (Por Ernesto Xavier)

O que dizer da condenação do Lula, em primeira instância, pelo juiz Sergio Moro?

1. Não há provas.

2. Ele foi condenado por um bem que não usufruiu, nem recebeu dinheiro, nada.

3. Agora é crime visitar apartamentos. Tome cuidado com o seu corretor de imóveis.

4. O "chefe da quadrilha" supostamente ganhou um triplex pequeno no Guarujá, enquanto o Aécio recebeu 2 milhões de reais com direito à áudio, vídeo, mala, delação, ameaça de morte ao primo, etc.

5. Quando alguém é condenado, não quer dizer que aquela pessoa realmente tenha cometido um crime. As cadeias brasileiras superlotadas são a prova disso.

6. Lula não vai para a cadeia agora e nem está inelegível por enquanto.

7. Desafio alguém a ter algum documento que comprove a ligação entre Lula e o apartamento. Se alguém tiver, por favor, mande para a PF, pois eles estão a procura disso faz tempo.

8. O tal "analfabeto" seria, então, o mais inteligente bandido, capaz de esconder provas e manipular empreiteiros? Estou confuso.

9. Um juiz deve ir à imprensa para pedir apoio da população ou deveria apenas fazer o seu trabalho?

10. Se eu for à polícia e falar que meu vizinho é criminoso, ele poderá ser preso apenas pelo que eu falei ou terei de levar provas?

11. Eu passo toda semana pela Ponte Rio-Niterói. Isso significa que possuo um apartamento na cidade, cabendo como prova um comprovante de pedágio? Quero meu apartamento em Niterói, já!!!

12. A condenação de Lula um dia após a aprovação da Reforma Trabalhista é coincidência ou estou ficando paranoico por achar que tira o foco de algo que vai atingir o trabalhador brasileiro por toda a vida?

13. Se o Lula não puder se candidatar em 2018, quem ele indicar, vai ganhar as eleições. Portanto, sentem e chorem, coxinhas.
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Terminei no item 13, porque 13 é Lula. 

O 13 tirou o Brasil do Mapa da Fome. 

O 13 trouxe luz para quem nunca tinha tido energia elétrica. 

O 13 trouxe água para cidades nordestinas devastadas pela seca. 

O 13 construiu mais universidades em 8 anos, do que o Brasil em todo o resto da história. 

O 13 deu direitos trabalhistas para empregadas domésticas. 

O 13 enriqueceu os bancos, inclusive. Enriqueceu empresas. 

Fez o Brasil crescer e chegar a ser a 7° maior economia do mundo.

13 é número de sorte. 

Azar de quem ache o contrário.

Não gostou? A gente se fala nas urnas em outubro de 2018. 

PT, saudações.



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".







sexta-feira, 30 de junho de 2017

Aécio (Por Ernesto Xavier)

O ministro Marco Aurélio Melo devolveu ao senador Aécio Neves o direito de voltar às suas funções parlamentares.

Não adiantou áudio, filmagem, rastreamento do dinheiro, denúncia, recibo, nada.

Para prender ou manter alguém como Aécio longe do seu cargo, seria necessário que Deus, Khrishna, Jesus, Alá, Oxalá e todos mais viessem à Terra e chamassem essa galerinha "honesta" da justiça brasileira pra conversar.

Para o Aécio ser considerado culpado, só se ele tivesse nascido no hospital Pedro II, em Santa Cruz e sido criado em Antares com amiguinhos pobres, pretos e sem qualquer diploma. Aí sim Aécio seria preso!!

Mais ou menos assim, pois Aécio não teria chegado ao Senado. Aécio não teria sido candidato à presidente, não seria presidente do PSDB, não teria juízes lhe defendendo, não conseguiria entrar num shopping, nem nos hotéis de luxo que ele frequenta. 

Não teria apartamento em São Conrado, não seria amigo do Joesley, não poderia pedir 2 milhões a ele, não entraria com pedido de impugnação da chapa Dilma/Temer no TSE, não seria amigo íntimo do Gilmar Mendes.

Aécio seria só mais um pretinho da favela. Ouviria "bandido bom é bandido morto". Não teria panela pra bater e nem camisa da CBF. Aécio seria um dos 13,8 milhões de brasileiros desempregados.

Aécio tomaria porrada da polícia, seria revistado todo santo dia na entrada do seu bairro, tomaria uma "bala perdida" pelas costas, seria enterrado sem honras e com o sorriso daqueles que primeiro atiram e depois perguntam quem era.

Mas Aécio é Neves. Neto de Tancredo. Playboy mineiro em terras cariocas. A imagem do sonho brasileiro. Um sonho baseado nos privilégios que todos desejavam ter, mas que só Aécio e seus parceiros podem desfrutar.

Bem-vindos à nossa Capitania Hereditária!



Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".

















sexta-feira, 23 de junho de 2017

A lata do lixo da história encheu rápido (Por Roberto Sander)

Após um ano do golpe que levou ao poder o grupo político mais corrupto da história do Brasil, confesso que sinto minha alma lavada. Por um lado é decepcionante ver o nosso país, depois de 13 anos de governo progressista (apesar de todos os percalços), ainda dominado pelo pior tipo de gente, sempre a serviço dos interesses mais escusos, mais antipopulares. 

Um grupo, como se sabe, que tem como objetivo apenas servir a plutocracia, ao mercado financeiro e as grandes corporações industriais.

Mas, por outro lado, mais rápido do que se imaginava, toda essa gente está sendo desmascarada. Apesar da resistência do STF em mandar prender de vez Aécio Neves, o grande mentor de toda essa desfaçatez, só a sua desconstrução como político, a sua total desmoralização - que traz a reboque a também desmoralização de todos os seus seguidores, aqueles que batiam a mão no peito para dizer que queriam um novo Brasil, livre da corrupção - já é motivo de satisfação para os espíritos democratas. Temer, o traidor, também é um fantasma político, vagando na presidência sem qualquer respaldo, sem mais capacidade sequer de entregar as reformas da morte que prometeu.

Enquanto isso, as grandes vítimas desse processo, apesar de todas as tentativas de ligá-los a esquemas de corrupção, seguem andando de cabeça erguida, sem nenhuma prova, pelo menos por enquanto, que possa incriminá-los.

Desmoralizado também está o juiz Sérgio Moro que, além de ter dado mais um tiro no pé, mostrando-se conivente com a corrupção ao inocentar as esbanjadoras de dinheiro de propina Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo, teve agora o baque de ver, esfregado em suas fuças, o documento que comprova, de uma vez por todas, que o triplex do Guarujá nunca poderia ter sido cedido pela OAS ao presidente Lula.

Léo Pinheiro simplesmente não tinha como ter dado o apartamento a Lula sem ter depositado o valor correspondente ao imóvel em uma conta da Caixa Econômica Federal, que é na realidade quem possui, desde 2010, os direitos econômicos e financeiros sobre o tal triplex. A revelação desmontou a denúncia do Ministério Público Federal, que sustentava, apenas com base na delação de Pinheiro, que Lula era o dono oculto do imóvel.

Pois ter resistido a esse processo de demonização do PT e dos seus principais líderes me custou algumas inimizades. Inimizades de pessoas que tinha em alta conta e que nunca imaginei que fossem tão intolerantes e reacionárias. Fui chamado de petista (como se isso fosse uma grande ofensa), de ingênuo, de defensor de corrupto, de escrevinhador de bobagens, etc.

Mas como sempre tive absoluta convicção de que estava do lado certo - ou seja, do lado da Justiça, da legalidade e da democracia - que jamais deixei de resistir, de argumentar e, assim, de evitar o confronto.

Confesso que todo esse processo me enriqueceu bastante. Pude conhecer melhor as pessoas e ver a diferença que existe entre o "gente boa" e o "cidadão". O só "gente boa" é aquele que, na hora H, se deixa levar pelo lugar comum, pelo o que o sistema determina, sem nada questionar, sem de nada desconfiar. O "cidadão", ao contrário, é aquele que resiste, que não se curva diante das unanimidades, que tem como norte o que é legal, no sentido mais amplo da palavra.

Era amigo de muito "gente boa". Não sei se sou mais. Andam encolhidos, envergonhados, ressentidos, como se tivesse feito algum mal a eles por sempre apontar as suas contradições que agora estão mais do que escancaradas. E ao invés de uma autocrítica, de um reconhecimento de que se enganaram, se fazem de desentendidos e fogem do debate. 

Embora lamente, acho graça. Não deixa de ser divertido ver toda aquela empáfia de dono da verdade, de arauto da moralidade, reduzida a pó.

Difícil ainda prever o que acontecerá no nosso país. No entanto, seja lá o que vier, acredito que saímos dessa fortalecidos. A vitória da oposição na votação do senado - simbolizada por este grande político que se chama Paulo Paim - fez o projeto da reforma trabalhista empacar e trouxe um alento para quem via seus direitos serem tomados sem dó nem piedade.

De toda maneira, já sabemos que a lata de lixo da história chegou rapidinho para os três personagens que, a meu ver, simbolizaram esse momento em que se tentou (e ainda tenta) jogar o Brasil nas trevas: Sérgio Moro, Michel Temer e Aécio Neves. E Cunha, Cabral & Cia? Estes, embora também nefastos, são apenas coadjuvantes.






quinta-feira, 15 de junho de 2017

A perda de uma flor (Thiago Muniz)

A perda da flor...
...assim como o amor, 
Causa uma dor.

Circunstâncias da vida
Fatores de risco
A imaturidade se aflora

O encanto no encontro
A troca no olhar
As histórias contadas 

A despedida...
...o beijo
...um possível reencontro

Mas a flor, assim como o amor 
Causa uma dor
Ah! Essa dor que aflora...

E se...o tempo!
Permitisse um regresso 
Faria tudo diferente

A flor não teria dor...

...assim como o amor.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Rosário (Por Ernesto Xavier)

Dizem que Danilo Gentili é comediante. 

Ele conta piadas onde só ele e seus seguidores riem. Ele ficou rico assim. Ganhou um programa de auditório assim. Tem gente "respeitada" que vai ao programa dele. Tem uma emissora com concessão pública, obviamente, que paga seus salários. Tem patrocinadores que compram espaço nos intervalos e nos merchandisings ao longo do programa. 

Tem milhões de seguidores nas redes sociais. Danilo tem, portanto, a chancela de milhões de brasileiros.

Isso foi para dizer que vivemos em um país onde a cultura do estupro é aplaudida. 

E o que está descrito acima prova isso. Danilo esfregou papéis picados em sua genitália representando a deputada federal Maria do Rosário, pois sabe que milhões de pessoas e milhões de reais o dão autorização para tal. Ele chamou a deputada de puta, pois milhões de pessoas iriam rir e dizer "fez o que todo mundo já deveria ter feito".

Maria do Rosário é mais uma mulher. Mais uma nesse mar de desrespeito e violência. Já foi ofendida por Bolsonaro, o que não é de se espantar.

Maria luta inclusive pelas mulheres que talvez a odeiem. Pessoas que não compreendem que independentemente da posição política, ao ofender e desrespeitar uma mulher, estamos violentando todas, pois é assim que gente como Gentili pensa e age: fazem contra Rosário, pois é da esquerda e está no olho do furacão, mas fariam com qualquer outra mulher.

Danilo precisa responder nos tribunais. Seus atos são criminosos. A cadeia seria o seu caminho. Isso se estivéssemos em um país que pune atitudes machistas. 

Mas estamos no Brasil.

Aquele mesmo país que pôs a culpa na vítima pelo estupro coletivo.

30-05-2017

Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".















segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vem aí: Serguei, a biografia

Para quem gosta de música e acompanha os acontecimentos, sabemos quem é Serguei, seja por alguma história que alguém contou para você ou pelo que o próprio Serguei contou em alguma rara entrevista que ele concedeu.

Pois você não conhece de fato a história desse artista lendário.

Esse enigma será desvendado pelos escritores Rodrigo Barros e Paulo-Roberto Andel, em "As alucinações de Serguei - a biografia.".

Nele conheceremos mais sobre a sua origem, o início como artista, as histórias emblemáticas com diversos artistas, a sua sexualidade um tanto ortodoxa e seu refúgio na pacata e épica Saquarema.

O livro será lançado em breve, nas melhores livrarias do Brasil, em breve anunciaremos o lançamento.

Um bate e pronto com o escritor Paulo-Roberto Andel, em entrevista ao colunista Thiago Muniz.

1) Como você conheceu o Serguei?

Paulo Roberto Andel: Desde criança. Minha mãe era amiga dele. Serguei era uma espécie de mito de Copacabana nos anos 1960 e 1970. As garotas eram loucas por ele. Enfim, um personagem riquíssimo. 

2) Quais foram as etapas e os motivos que você e o Rodrigo Barros tiveram para a concepção deste livro? 

Paulo Roberto Andel: Por ocasião dos problemas financeiros que Serguei enfrentava ano passado, tive a ideia de fazer um livro sobre ele numa conversa com Rodrigo, cuja renda seria integralmente revertida para o cantor. Ele abraçou a parceria no ato e começamos um enorme trabalho de pesquisas, depoimentos, entrevistas e outros elementos do universo Serguei. Finalmente estamos no processo final: em poucas semanas, a biografia estará na gráfica. 

3) Com toda a repercussão e polêmicas sobre a publicação de biografias, vocês em algum momento ficaram preocupados que não gerassem algum transtorno?

Paulo Roberto Andel: O projeto tem a renda 100% revertida para o Serguei, ele foi amabilíssimo conosco e não tivemos qualquer problema. Ele é uma criatura liberta, longe das amarras de alguns biografados que só querem uma edição positiva de suas vidas. Serguei é 100% um artista de verdade, o tempo inteiro. 

4) Você acredita que com a publicação da biografia a sociedade passe a olhar com mais generosidade pelo Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Serguei é uma figura importantíssima para se entender a MPB do fim dos anos 1960 em diante. Um cantor fantástico e um artista que merece a devida valorização. Uma pessoa que deveria ser mais ouvida em muita coisa quando o assunto é rock brasileiro. 

5) Podemos nos surpreender com a verdade sobre Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Muito. Há situações a respeito de Serguei que beiram o inacreditável mas são absolutamente reais.



















BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

A verdade vindo a tona (Por Thiago Muniz)

"Temos que corrigir nossos erros do qual somos cúmplices pelo sufrágio colocamos esses ladrões no poder. Considerando que emana de nós, povo, temos que saber escolher, votando certo.
(Luiz Carlos Quaresma)

E o Brasil foi dormir tendo certeza que o seu presidente ilegítimo é um corrupto. E aos que continuam céticos, os áudios serão divulgados em breve, não tão rápidos como esperávamos mas surgirão. Se não consegue mais aprovar o que lhe foi delegado, Temer perdeu a função e, por tabela, o único apoio que o sustentava – já que, na sociedade, a impopularidade do atual presidente é comparável às de Collor e Dilma antes de sofrerem o impeachment.

Se perder o apoio dos grandes empresários, o presidente perderá cacife fundamental para sustentar sua fisiológica base parlamentar. Depois de Joesley, quem mais vai topar negociar contribuições financeiras para políticos por indicação de Temer?

E o "salvador da pátria" de 2014, senhor Aécio Neves só não foi preso ainda por ter o tão maligno foro privilegiado, pois sua irmã e seu primo já foram presos pela Polícia Federal. A caveira de Tancredo Neves deve estar se revirando de desgosto.

O momento atual é termos lucidez. Esclarecer aos menos informados de que o momento é delicado no país. Nada é mais urgente do que Fachin derrubar o sigilo sobre as delações da JBS. Isso tem de ocorrer hoje, inclusive para minimizar o impacto do vazamento seletivo.

Sabermos que a Oligarquia já está articulando uma provável saída de Michel Temer e ele vai fazer de tudo para não renunciar. O momento atual não é escolhermos um mártir ou herói e sim sermos protagonistas da história do Brasil.

O momento é de reflexão, pois o atual Congresso é ardiloso e legisla em favor próprio. A sociedade necessita refletir de nossas atitudes.

Colocar os políticos para montar a Reforma Política é o mesmo que colocar criminosos para fazer a reforma no Código Penal, não tem sentido. Essa gente rouba e mata antes de ser delatada. É assim há 500 anos. Sem o fortalecimento das instituições democráticas, essa turma se arvora e toma o poder na marra, como aconteceu há um ano, para continuar roubando e calando quem as denuncia. Quanto mais luz e democracia, menos sombra.

Somente as ruas podem impedir o fim da democracia novamente no Brasil. O povo tem que agir.





































BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



terça-feira, 16 de maio de 2017

Barra de Guaratiba: o litoral paradisíaco (Por Thiago Muniz)

"Guaratiba" é um termo oriundo da língua tupi que significa "ajuntamento de guarás", através da junção dos termos agwa'rá ("guará") e tyba ("ajuntamento").

Barra de Guaratiba é um bairro litorâneo do município do Rio de Janeiro, onde Situa-se em região de reserva ecológica, entre a Restinga de Marambaia, manguezais e Mata Atlântica. Distante cerca de 60 Km do Centro do Rio de Janeiro, a Barra de Guaratiba é a que fica mais distante, aproximadamente 1h30min de carro dos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Mas quem vence a distância acaba encontrando outras compensações. 

O bairro de Barra de Guaratiba aparenta ser um recanto, uma rua sem saída, um lugar pequeno e aconchegante, ao chegar próximo do centro ruas estreitas e interessantes, casas construídas a um nível acima e a abaixo da estrada e uma vista deslumbrante. Além da linda praia da Barra de Guaratiba com visual incrível para o mar e a a Restinga de Marambaia.

Ao penetrar na Barra de Guaratiba, vê-se em primeiro plano, as pontes que ligam a região á Restinga da Marambaia; mais adiante o morro da Espia, de onde se descortina o horizonte, e, embaixo, a sua pequena praia banhando o pé do morro. 

Do morro da Espia, com o mar agitado, vê-se um imenso lençol de espuma causado pelas constantes ondas que quebram e rolam até guiriri (espécie de planta que cobre toda a extensão da restinga e produz pequenos cocos), época em que os surfistas aproveitam para estar na crista de todas as ondas, ou penetrando nos “tubos” que ali se formam. 

Com o mar morto, a enseada da praia da Barra de Guaratiba serve de porto para as embarcações, principalmente as traineiras que são ancoradas durante as horas de folga dos pescadores. Na praia, o intercâmbio das canoas e barcos que saem e chegam para a pesca ou passeio é um espetáculo de encher os olhos de quem vê. A acolhida e hospitalidade de seu povo completa a sua beleza.

Possui uma área territorial de 944,20 hectares e 4.380 habitantes (IBGE/2000).

Além de vários bares e restaurantes especializados em frutos domar e bebidas geladíssimas, há várias traineiras de pescadores que fazem passeios deliciosos pela orla.

No lado direito de sua pequena orla, começa a belíssima restinga de Marambaia, que possui acesso restrito por ser área militar. A praia possui águas calmas e conta com estrutura de casas, bares e um morro urbanizado. O acesso é feito pela estrada Roberto Burle Marx ou estrada da Barra de Guaratiba, com cerca de 45 km de distância do Centro.

Através de trilha no costão de Guaratiba, partindo da Rua Parlon Siqueira, entre Grumari e Guaratiba, é possível ter acesso a praias totalmente desertas e selvagens, como as praias do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. Para chegar até a praia do Perigoso são cerca de 50 minutos de caminhada e até a praia do Inferno (a última), cerca de 3 horas. 

Para realizar as trilhas, recomenda-se o uso de protetor solar, roupas leves, muita água e o acompanhamento de um guia. Também é indicado fazer a caminhada em grupo em razão do isolamento do local. Aos mais aventureiros, o prêmio, por último, chega-se à Praia do Inferno, de onde se tem uma trilha alternativa para um regresso mais rápido à Barra de Guaratiba. Estima-se um percurso de até duas horas para o retorno.

Barra de Guaratiba é conhecida nacionalmente como centro gastronômico: possui vários restaurantes rústicos na beira da estrada Roberto Burle Marx onde servem crustáceos, frutos do mar e deliciosas peixadas. 

Os restaurantes das tias (Tia Penha e Tia Palmira por exemplo) começaram a despontar nos anos 80 e eram bem rústicos, praticamente o quintal da casa dos pescadores. Hoje atraem gente de longe. Muita coisa mudou, mas a comida que é importante continua de ótima qualidade. 

O Restaurante do Bira é um dos mais famosos restaurantes da região. A especialidade da casa são frutos do mar e o visual é imbatível de frente para a Restinga da Marambaia e o Canal do Bacalhau. Seu preço não é barato, mas as porções são muito fartas, então o ideal é ir com um grupo um pouco maior (ou levar muita quentinha para casa depois).




UMA BREVE HISTÓRIA DO BAIRRO

Em indígena, significa “abundância de guarás”, aves aquáticas pernaltas. A Freguesia de Guaratiba foi criada em 1755, com terras desmembradas da Freguesia de Irajá, por iniciativa de Dom José de Barros Alarcão.

Em Guaratiba, existiam importantes engenhos, como o Engenho Novo, o Engenho de Fora, o do Morgado, o da Ilha, o da Bica e o da Pedra. Duas de suas maiores capelas eram a de Santo Antônio (Engenho da Bica) e a de São Salvador do Mundo, de 1773, doada pelo Capitão Francisco Pais Ferreira, proprietário do Engenho de Fora.

Numa disputa entre Francisco Macedo Vasconcelos, do Engenho do Morgado, e Ana Sá Freire, do Engenho da Ilha, foi aberto um caminho pelo Engenho Novo que se converteu em Estrada Geral, surgindo nela novos engenhos. No bairro há um largo, uma estrada e um morro com a denominação Ilha. Uma das versões é de que “ilha”, seria uma corruptela de William, nome de um oficial inglês da frota de Dom João VI em 1808, que se instalou no local.

Após o ciclo do açúcar e aguardentes em seus engenhos, surgiu a cultura do café, e a fazenda do Engenho Novo, de Pedro Dauvereau, foi a primeira fazenda carioca a usar maquinaria moderna importada. No Governo Washington Luís, o prefeito Antonio Prado Junior levou a Guaratiba, sua primeira estrada moderna, a da Grota Funda, com sinuosas curvas, que dava acesso à baixada de Jacarepaguá. Na década de 1970, foi construída a estrada Rio-Santos, atual Avenida das Américas, cruzando a extensa baixada. Existiu uma linha de bondes ligando Campo Grande ao largo da Ilha.

Grande parte de Guaratiba é ocupada por manguezais que chegam até a orla da Baía de Sepetiba e formam importante ecossistema, com viveiro de peixes e crustáceos. No Bairro foi implantado o atual Centro Tecnológico do Exército. Em sua baixada, atravessada pelos rios Piraquê e Cabuçu, destacando-se os jardins Maravilha, Garrido, Guaratiba, Cinco Marias e Piaí, todos da década de 1950/1960.

Nota: A denominação, delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

PRIMEIROS HABITANTES

Nos registros pertencentes a matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba, consta que a região da Barra de Guaratiba começou a ser habitada a partir de março de 1579, quando Manoel Velloso Espinha, morador da Vila dos Santos, que lutou ao lado de Estácio da Sá contra os Tamoios, requereu à Coroa portuguesa a doação de uma sesmaria ( medida de terras com que o rei de Portugal agraciava os seus colonos mais fiéis), situada ao norte da ilha chamada Marambaia da Barra (hoje Restinga de Marambaia), ao longo da costa, com duas léguas de comprimento e outras tantas em direção ao sertão, e mais uma ilha de nome Guratiba-Aitinga ou Aratuquacima (hoje Barra de Guaratiba), com todas as águas, entradas e saídas, visto estarem devolutas povoadas, segundo instruções de sua alteza para povoar o Rio de Janeiro.

O referido cidadão justificou o seu pedido de doação, alegando ter usado um navio de sua propriedade, e a sua custa, com sua gente, mais escravos, com muita despesa, conquistando para a Coroa Portuguesa o rio Tamoio-Franceses e Cabo Frio, além de ter contribuído para a derrota dos Tamoios ao lado de Estácio de Sá.

A doação foi concebida, sob a exigência de que o donatário povoasse as terras dentro de um prazo máximo de três anos, com seus herdeiros, ascendentes e descendentes, sem tributo algum, a não ser dizimo devido a Deus e pago à igreja.

Não resta a menor dúvida de que começou a partir dessa época a ocupação das terra de Guaratiba, pelo homem branco, e a formação de seu povo.

A partir do ano de 1750- cento e setenta e um anos depois, Dom Fradique de Quevedo Rondon na época donatário das terras, doou parte delas á matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba.

DESEMBARQUE DE INVASORES

Louvado em anotações feitas pelo guaratibano Almir de Carvalho, consta que há fortes indícios de que foi em Barra de Guaratiba que os invasores franceses desembarcaram em 1710, quando o corsário Duclerc percebeu que não poderia vencer a barreira de fogo da Fortaleza de Santa Cruz, para penetrar na Baía de Guanabara. Há fortes indícios, também de que a restinga de Marambaia foi utilizada como local de concentração do tráfico negreiro do século XVIII.

A divisão do Patrimônio histórico, diante das evidências, considerou-a semelhante á região da Barra de Guaratiba, depois de ter examinado uma reprodução do local de desembarque,

A pesquisa teve início quando, estudando a cultura cafeeira na província, tomou conhecimento de que o latifundiário José Joaquim de Souza Breves envolveu-se no comercio do café, para tanto adquirindo a ilha de Marambaia, local utilizado como porto de embarque e desembarque, e, bastante adequado ao acolhimento de embarcações negreiras.

DICA DO CRONISTA

Umas das vistas mais lindas do Rio de Janeiro, Barra de Guaratiba é um bairro muito gastronômico com belos passeios. Você pode alugar um stand up e desfrutar o canal ao lado da restinga. Também pode fazer a trilha da Pedra do Telégrafo e ter uma das mais belas paisagens, mas mantenha a paisagem limpa, ultimamente os visitantes estão deixando o local bastante sujo, o que degrada mais rápido o local. É um destino bem interessante para aqueles que querem ficar bem próximos da natureza. É extremamente encantadora, a paisagem é deslumbrante. Um lugar calmo e com pessoas muito receptivas. Lembra uma aldeia de pescadores, um lugar tranquilo, me sinto a vontade em andar pelas ruas e sem preocupações com violência.











Praias do Canto e Grande visto por cima




Trilha a caminho da Praia do Meio




Trilha a caminho da Pedra da Tartaruga




Praia do Canto




Praia Grande




Pedra do Telégrafo




Pedra da Tartaruga




Praia do Perigoso - visão interna




Ponte antiga




Ponte antiga




Pescadores de Barra de Guaratiba com tubarão de 1.200 Kg. (1931)




Pedra da Tartaruga e Praia do Perigoso







































 





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Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.