segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Intervenção (Por Ernesto Xavier)

"Nós sofremos uma intervenção parecida em 2014. Tivemos um soldado para cada 55 moradores. Eu nunca tive um médico ou professor para cada 55 moradores". Gisele Martins, moradora da Favela da Maré, à Rádio Brasil de Fato.

O Rio de Janeiro possui cerca de 850 regiões dominadas pelo tráfico de drogas. 850. Elas não nasceram por geração espontânea ou milagre. Sacou o tamanho do problema? Imaginou uma intervenção nesse cenário?

E se eu te disser que o problema mais grave não está dentro dessas 850 regiões ou comunidades ou territórios ou favelas, seja lá o nome que você quiser dar?

O Rio vem firmando parcerias com as forças armadas há décadas. Grandes eventos como a ECO-92 tiveram os militares juntos. Copa do Mundo. Papa. Olimpíadas. Aquela sensação gostosa de paz, mesmo que os números absolutos dissessem o contrário. Mas se na TV diz que tá tudo em paz, então tá tudo em paz.

Durante o período de instalação das UPPs, eram as forças armadas que faziam a primeira ocupação, lembram? E aquele tanque enferrujado da Marinha entrando na favela? Lembram também? Eu fico imaginando aquele blindado lançando um tiro no meio da comunidade. Espetáculo.

A classe média ia urrar em gozo! Classe média gosta de ver sangue, contanto que não seja o seu. Se você pensar que a classe média reclamava de Merthiolate porque ardia e preferia mercúrio cromo, forçando o Merthiolate a não arder mais, então imagina se essa classe média tomasse um tiro de “bala perdida” dentro de seus apartamentos em Copacabana?

Desde junho do ano passado tivemos movimentações importantes do exército no Rio, na Rocinha, na Maré e na Cidade de Deus. Deu em que? Nada. O bagulho ficou mais doido. A porrada estancou. Os trafica faziam o que queriam. Tá todo mundo aí ainda. Dinheiro gasto a rodo. Anexos no orçamento. 

Aquele dinheirinho que escoa pro caixa 2 da campanha. Uma M-A-R-A-V-I-L-H-A.

Não se acaba com o tráfico e consequentemente o crime organizado matando traficante na favela por dois motivos simples: eles são substituídos por outro rapidamente, pois aquilo não é o Ministério do Trabalho e a pobreza e o acesso aos bens de consumo seguem escassos e em segundo lugar porque quem mantém aquela máquina funcionando não é atingido, mesmo que uns dêem mole e deixem um helicóptero com 400 kg de pasta base de cocaína ser apreendido na própria fazenda.

Esses são os dois principais motivos, mas outros se juntam nessa sopa de entulho que a gente é obrigado a tomar.

Uma delas está na “inteligência” do exército. Essa mesma que dizem que irão usar agora no Rio. A grande maioria dos militares está concentrada na região Sudeste. Um contingente espetacularmente grande não faz absolutamente nada. Limpam quartel e fazem vigília. Não estão na fronteira pra reforçar a fiscalização do que entra e sai do país.

Não estão defendendo fronteira, saca? Soberania nacional, defesa territorial e outras paradas que Bolsominions adoram falar. Não é pra isso que serve? Rio de Janeiro e São Paulo não fazem fronteira com ninguém. Coleguinha, AK-47 e AR-15 não brotam em árvore. Vem do exterior por via terrestre ou pelo porto. Traficante de favela carioca não fala inglês, espanhol ou russo pra negociar arma e droga na fronteira. Então tem alguém graúdo que faz isso por ele. Não sou eu. Não é você (acho) e não é o PM que tá aqui no Rio trabalhando de viatura velha e sem colete.

Outro ponto: traficante não sabe fazer manutenção em arma. Uma metralhadora dessas dura uns 3 meses na mão deles. Aí quebra e tem que comprar outra. Rotatividade sinistra! Chega muita parada. Deve vir pelo Ifood ou Uber Eats. Só pode. Entra no aplicativo, escolhe a metralhadora e ela chega com o motoboy junto com a nota fiscal e o troco.

Essa intervenção já começou faz tempo. Lá pelo século XVI quando tiraram meus antepassados da África e jogaram aqui.

Mas tudo você coloca o racismo no meio, né Ernesto?

Sinto dizer, porém não fui eu que no dia 13 maio abri as portas das senzalas, jogando negros na rua, sem trabalho, sem casa, sem instrução, sem dinheiro, com fome, marginalizados. É, não fui eu. Juro.

Depois também não fui eu que fiz remoções. Nem promovi o encarceramento em massa de negros.

Ah, também não fui eu que matei negros após a abolição, mesmo que eles nada tivessem feito. Não posso esquecer de dizer que também não fui eu que contei uma falsa história da África e do negro nos livros de história, nos filmes, novelas, livros...feitos por brancos, claro.

As favelas cresceram com esses negros, nordestinos, marginalizados em geral. O poder do Estado só ia lá com a polícia ou com candidato pra pedir voto. Fuzil ou santinho. E era isso. É isso. Essa é a intervenção que o pobre e preto conhece.

Eu poderia perguntar a alguns colegas da Zona Sul onde eles compram suas droguinhas (sem fazer julgamento do uso). Eu receberia alguns endereços nobres da cidade. Tem no Leblon, Ipanema, Copacabana. Será que o Fraga Netto vai se interessar? Mando a planilha pra ele. Vai rolar uma apreensão em massa de “jovens de classe média” ou vão continuar prendendo e matando só o “traficante fulano”?

Em breve a classe média vai se sentir em paz, andar com seu Iphone 8 de boa no Arpoador, comer seu açaí com guaraná e proteinato na casa de sucos e jogar futevôlei numa manhã de terça-feira na Barra. Aquela sensação de segurança. Soldados em fardas camufladas nas ruas. O Rio Maravilha! O Rio exportação! O Rio fitness!

O pretinho da favela vai correr de bala perdida, vai abrir a mochila toda vez que entrar ou sair do bairro, vai ter toque de recolher, vai ter enterro de familiar, de amigo, de conhecido. Mas o carioca-zona-sul-classe-média-nariz-em-pé estará vendo maratona de “La Casa de Papel” comendo snacks de mandioca comprada no Hortifruti, bebendo suco verde.

A intervenção vai sair uma hora. Os problemas continuarão aqui. As armas seguirão passando pela fronteira. A cocaína também. A pobreza na favela vai piorar. Muitas famílias vão chorar. Não tem mal necessário nesse caso. Vai morrer inocente. E não me venha com o discurso de que é inevitável, porque se fosse a sua família em risco, você não aceitaria nenhuma margem de risco. Essa margem só serve pra quem você não se importa.

Alguém aí tá se importando com o filho da dona Tereza, que sonhava jogar futebol e ainda estava no 7° ano, apesar da falta de professor na escola? Ou o bicho só pega quando o aluno do Santo Agostinho perde o celular na porta do colégio?

Quer intervir no Rio? Cria máquina do tempo e dá dignidade pro povo preto.

O resto é enxugar gelo.


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".













































sábado, 17 de fevereiro de 2018

Vai começar a carnificina no RJ (Por Thiago Muniz)

"Muda a cor da farda do atirador, só não muda a cor da pele de quem morre." (Ernesto Xavier)

Quando o vulgo golpista vampiro, mas então presidente Michel Temer decretou a intervenção federal na segurança pública no Estado do Rio de Janeiro; foi uma forma de conquistar o seu próprio partido, o MDB/PMDB, que está rachado devido a Reforma da Previdência. O governador em exercício, senhor Luiz Fernando Pezão, é um desses membros do partido que estava nessa sinuca de bico. Então qual foi a moeda de troca? Entregar a segurança de um estado como o Rio de Janeiro em favor de algumas moedas de prata, assim como Judas fez com Jesus.

Como diria Raul Seixas: "A solução é alugar o país...". Pezão alugou a segurança pública para o governo federal, onde nomeou um general quatro estrelas para ser o interventor do estado. Mas o senhor Temer deixou bem claro que a intervenção só será colocada em prática depois da votação da Reforma da Previdência; ou seja, uma mão lava a outra.

Mal o general assumiu o posto de interventor já declarou que "O clima não é tão ruim assim...".

Como assim general? Não conheces a realidade do Rio de Janeiro? Faça uma ronda pessoalmente por toda a cidade do RJ, baixada e adjacências e verás que o buraco é muito mais embaixo do que pensas ou mandaram dizeres publicamente. Dê uma volta com trajes civis de preferência na Linha Vermelha e Linha Amarela. Verás que a hostilidade está bem aguda.

Intervenção Federal? Na prática será só nas zonas Norte, Oeste, Baixada e talvez a região Metropolitana. Porque o playboy filhote de empresário ou de magistrado continuará acendendo o seu baseado no Arpoador ou puxando uma carreirinha de cocaína em alguma festa no Leblon.

A intervenção só apareceu depois do caos na Rocinha, ou seja, zona Sul carioca, maior comunidade da América Latina, PIB maior que muitas cidades do país, reduto do consumo e demanda das drogas. Na Pavuna por exemplo está tão pior quanto, as empresas estão fugindo do RJ por terem que obrigatoriamente passarem por aquela região (Pavuna, Acari, Costa Barros, Jardim América...) e literalmente os caminhões são saqueados todos os dias. Isso já perdura há mais de 2 anos. E só agora vem uma intervenção federal?

Nossas praças não serão salão de festas do crime organizado. Já sabem o que significa, né? E não, não era do bloco de carnaval em Ipanema que o Temer falava. A narrativa vinha sendo construída desde o início da semana, e não pela primeira vez (arrastões em 1992, fechamento de escolas e comércio em 2002...).

Um fuzil na clandestinidade pode estar valendo até uns 50 mil reais, a vista e em dinheiro vivo. A quem interessa mesmo a não apreensão e incineração desta arma? Enquanto não houver uma reforma na segurança pública, os agentes policiais continuarão mantendo as suas vidas paralelas com alta rentabilidade e influências. Seja através de milícias, contravenções e política; manter o comércio armamentista ilegal ativo é o objetivo fundamental para a máquina paralela.

Os militares vão moralizar o Rio de Janeiro? Não, peraí! Leiam as matérias abaixo:

Matéria de 18 de janeiro de 2018.
* Matéria de 11 de dezembro de 2017.
* Matéria de 13 de outubro de 2017.
* Matéria de 05 de dezembro de 2017.

Em primeiro lugar a opinião pública no Brasil é pautada pela mídia, especialmente a TV. Estou errado? Se a mídia oligárquica quiser ela faz a imagem de uma instituição ou a derruba. Portanto, não podemos pautar a credibilidade pela opinião pública, já que ela não é tão espontânea assim. Aliás, pergunte para moradores de comunidades pobres o que elas acham das forças militares. Creio que terá muitas histórias tristes para ouvir. Tem gente boa? Tem. Mas a estrutura é corrompida, preconceituosa, desumanizada.

Devemos ter alguma ação na segurança? Sim. Urgentemente. Mas ela deve partir das forças estaduais. O exército não é treinado para o combate e patrulhamento de rotina nas cidades. Além disso, a intervenção no Rio é meramente política. Estados com o o RN e CE necessitam muito mais de ações de segurança do que o Rio, mas o estado do RJ é vitrine política.

O trabalho de longo prazo sempre é colocado em último lugar e seguimos enxugando gelo. À criminalidade não vai acabar porque a desigualdade social não vai acabar. Assim é que se combate a violência . Outro ponto: existe um poder simbólico do Estado que é exercido sobre o cidadão. A sensação de ausência da presença do Estado leva ao caos, à desobediência civil. Não sou eu que estou afirmando isso. São os maiores sociólogos do mundo, Bourdieu como o principal. Se o Estado não se faz presente, o sujeito age como bem entende e tende à desordem. Assim é com todas as instituições .

O povo não vê hospital funcionando, nem viatura, nem esgoto, nem luz, nada. Ele vai se revoltar. Ele vai desobedecer. Agora o Estado quer entrar com armas? Qual é a leitura que o povo vai ter? A de que eles são horríveis, desprezíveis. Então, a segurança é pra quem? Pro povo como um todo ou pro morador da zona sul? Acho que fica óbvio para quem se destina.

Temos 79,9% dos 60 mil homicídios no Brasil de pessoas negras. Isso é algo que surge porque os negros são naturalmente violentos? Ou porque fomos jogados à miséria desde 1565? É estrutural. E as polícias e forças armadas foram criadas no Brasil a partir da visão de que negro e pobres são ameaças e que devem defender a elite, a propriedade. Vide o brasão da PM no Rio de Janeiro.

E para terminar, vou citar na íntegra o que a professora Jaqueline Muniz, especialista em segurança pública da Universidade Federal Fluminense, fez na edição das 10 da Globo News hoje (17/02) ao vivo:

"Olha! A expectativa eu diria que não é otimista. É pior do que seis ou meia dúzia, ficou claro na fala do ministro né? A pergunta que a gente tem que fazer é a seguinte: Ninguém foi pego de surpresa com essa ação de intervenção colocada no decreto. Primeiro que o Rio de Janeiro desde 1992 com a ECO-92 vem experimentando formas diretas e indiretas de intervenção das Forças Armadas na segurança pública do Rio, ok? Então isto não é uma novidade. Segundo ponto que é importante chamar é usando a imagem do Carnaval é que a operação do GLO na Rocinha, no Salgueiro (São Gonçalo e não Tijuca) e antes disso na Maré serviram como uma espécie de ensaio técnico em que ninguém mostrou quais foram os quesitos e as notas que tiraram né? Até agora, apesar de terem gasto quase 300 milhões na Maré por mais 1 ano, aqueceu a panela de pressão sem produzir resultados substanciais, ninguém apresentou relatórios de eficácia, eficiência e efetividade no emprego das Forças Armadas em suporte a ação policial no Rio de Janeiro, o que nós vemos e temos assistido no Rio na verdade pra ser muito clara é substituição do arroz com feijão da segurança pública, que é o que funciona, correto? Não é invenção da roda, o dia a dia dos policiamentos por operações policiais sobe e desce morro, pela teatralidade operacional, que tem rendimento político e eleitoral, rendimento midiático, mas pouco efeito no cotidiano. Se é de fato pra combater o crime organizado não será esse efeito "espanta barata" que tem se produzido com sobe e desce morro chamado síndrome do Cabrito, agora articulada, envolvendo as Forças Armadas, que aliás tem plena consciência de sua incapacidade de agir como polícia, de tal maneira que demandaram o salvo conduto uma proteção através de um decreto que transfere os seus erros nas suas violações para a Justiça Militar. O jogo entre Estado e Governo Federal não tem como mudar, isso é um ilusionismo e é preciso ser claro com a população. Tem alguém enganando alguém, o governador passou a perna nas polícias ou as polícias fizeram um by pass no governador; por uma questão muito simples que a população precisa saber; há 15 dias atrás a Polícia Militar fazia um planejamento e um seminário, com apoio do Viva Rio, dentro da FIRJAN de planejamento estratégico dessa polícia do Futuro, a polícia de 2018. Estavam presentes o secretário de segurança, o ministro da defesa, todos estavam lá. E desenharam um plano, uma proposta; ouvindo setores da sociedade e entregar ao governador. Quinze dias depois todo mundo é pego de surpresa? A intervenção federal no Rio de Janeiro não é um efeito especial de escola de samba que ninguém sabe, fica sabendo no Sambódromo da insegurança pública do Rio, ok? Então, quem passou a perna em quem? De um lado o governador que entregou o Rio de Janeiro de porteira fechada, e quem abre mão da segurança abre mão da governabilidade, da capacidade de governo. Não é falando alto, gritando forte, que vai fazer as polícias funcionarem. Se tinha ingovernabilidade na segurança, não é o Exército falando alto, de bigode que vai conseguir produzir, porque afinal nem as Forças, as espadas no Brasil, das Forças Armadas a Polícia Federal ou a guarda da esquina não tem dispositivos de controle interno e externo de governabilidade, fazê-las funcionar é um gesto de boa vontade e camaradagem entre pares, é um pedido de Por favor, trabalhe ali na esquina. Esse é o primeiro ponto. Segundo e importante ponto, que a população do Rio tem que saber, o Ministério Público tem um ajustamento de conduta que esta há 2 anos do governo do Estado do RJ um plano de segurança, um conjunto de ações estruturais e sistêmicas pra reduzir a matança de policiais, a matança de civis, mudanças na estrutura da segurança pública do Rio de Janeiro, os prazos estão vencendo e o governador e mais ninguém apresentou. Por sua vez a Defensoria Pública do Rio de Janeiro tem uma ação civil de redução de perdas e danos exatamente para evitar também a matança com propostas substantivas de mudança continuada, pra que a gente não caia nessa fórmula fácil de achar que a espada sozinha resolve e vai cortar para todos os lados, inclusive a cabeça dos governantes e daqueles que hoje sentam na cadeira. Tem uma situação crítica, quem está enganando e porque? O plano de segurança era mais do mesmo, então volto a dizer o que tinha dito antes; vocês não acham estranho que exatamente o Ministério Público há mais de 1 ano desenhou o termo de ajustamento de conduta que envolve um conjunto de ações estruturais de mudança dentro das polícias pra fora, a mesma coisa a Defensoria Pública; o governo do Estado tinha que entregar a partir das audiências públicas, está devendo, aliás já passou do prazo, que tenha sido feito uma reunião com ONG´s, PM, empresariado, pra desenhar esse plano de ações, que aliás é simplório, é medíocre, é mais do mesmo, e que de repente todo mundo é pego de surpresa? Dá a impressão de que o comando militar chegou no Rio de Janeiro pra passar o Carnaval, gostou da cidade e resolveu governar. Não é assim! Tem uma articulação política por trás sim! Se é mesmo pra combater o chamado Crime Organizado como metástase, não existe Crime Organizado que não tenha chancela convivência e conivência com os setores do Estado e setores do Governo. Afinal, é através do dinheiro do crime que se faz caixa 2 de campanha, e que crime é esse? É através de mercadorias ilegais, que vai da banda larga ao tráfico de drogas, mas voltando ao ponto do Rio de Janeiro; porque a Polícia Civil foi intencionalmente sucateada no seu trabalho de inteligência, no seu sistema de dados, nas suas equipes de investigação e na atividade de perícia, porque pelo que eu saiba e pelo que o mundo saiba de pesquisa do que funciona e do que não funciona é a atividade discreta e não barulhenta espetacular, de investigação e inteligência consegue desbaratar economias criminosas e não o efeito espanta baratas da ostensividade, aqui se faz polícia de espetáculo, polícia ostentatória, cara, polícia ostentação. Por outro, transformaram a Polícia Militar numa mercadoria, venderam o policial, precarizaram o policial militar para a iniciativa privada: Lapa Presente, Lagoa Presente, Méier Presente, que até então todo mundo acha lindo. Porque acham lindo? Porque ninguém presta contas, é igual ao decreto do Temer, pode tudo mas eu não dou satisfação a ninguém. Mas e aí vai atuar como polícia? Não! Eu tenho medinho, eu só quero mandar: o sucesso é MEU, o fracasso é DE QUEM TÁ LÁ NA PONTA, o PM da esquina, o policial. Só pra fechar, é mesmo pra combater o crime organizado? Eu queria citar alguns pesquisadores, por exemplo a Camila Dias, que vem insistindo como muitos outros pesquisadores, da unidade de comando do PCC, que tem um governo criminoso, unidades de comando em todo o país se chama PCC. Alguma coisa está sendo feita em São Paulo? Já que é um governo criminoso, unidades de comando. Porque no Rio de Janeiro são franquias ocupacionais, mais fáceis de combater, uma vez que elas não tem disputa de poder e territórios, será que é isso? Ou não? Ou será que é um outro tipo de arranjo político que salva o governador de alguma coisa que a gente não sabe o que é, e ele entrega os seus votos e entrega o governo para as pessoas brincarem de governo militar. Sobre transparência, primeiro eles dizem que há integração, o que a gente sabe que não há. A primeira coisa é que não temos mecanismos de governabilidade das polícias no Brasil, não apenas no Rio de Janeiro. A segunda, os dados aqui são tratados como questões pessoais, intransferíveis e ambulantes, ou seja, não se produz inteligência, e sim disse me disse, fofoca de um e de outro, e mais grave que isso, tem agora a intervenção do limão e limonada, tem um governo militar? Porque o governo militar de retórica de ocupação através da paz foi a UPP que foi sabotado por dentro. Agora sobra a lógica da teatrilidade do confronto. Fechando; então se tem uma intervenção porque o Rio de Janeiro está ingovernável, se é essa a retórica, se quer fazer acreditar, é fundamental que se tenha uma auditoria imediata na Polícia Militar, pra saber em que estado ela está foi precarizada e em que estado o interventor vai entregar, o mesmo na Polícia Civil, o mesmo no Corpo de Bombeiros, o mesmo no sistema prisional. Mas é necessário observação externa e internacional, isso não é brincadeira, aqui ninguém presta contas, cadê os relatórios da operação do Salgueiro (São Gonçalo), na Rocinha; cadê a prestação de contas? O sucesso aqui tem a ver com a manipulação de dados. Como é que você diz que está seguro? Quando você esconde a informação e produz auto-censura, isto não é produzir segurança pública. Agora o que eu quero fechar é que muita gente vai ganhar com isso; o crime organizado agradece, o PCC agradece, os falsos professas da segurança pública agradecem e os mercadores agradecem. Estamos diante de uma temporada de abertura de chantagens corporativas e das negociatas da segurança. Que Deus nos proteja que ele ainda está no Rio de Janeiro."

Sem mais...

















BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerda Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Como será o amanhã? (Por Thais Velloso)

Oceano inteiro continuará sendo pranto de saudade amanhã, em referência à Calunga onde dolorosamente se percorre a travessia, para quebrar a corrente e alumiar o ritual. Quem estiver assistindo e admirando, constituindo o caudal de gente que se reiventa ali, estará sendo protegido pela união do céu e do mar. E teremos então um banquete para o rei, enfeitado do verde tijucano que nos trará a esperança desativada pelas negativas revestidas de óleo curador. Aralokô, pajuê. Em seguida aprenderemos que no princípio nem sempre era o verbo, no ritual sossegado das mães de santo na avenida. Axé! De repente o rádio será ligado por mãos femininas que revelarão um repertório de amor, poesia de outrora. E bailaremos. Já será madrugada, ao som da sinfonia de Villa-Lobos, brasileiro. Canoeiro, canoeiro... Há ainda que se botar banca na Avenida, vindo de São Carlos. Assim lutaremos pela liberdade diante das aquarelas de Debret.

Navegaremos em águas claras até a Zona Sul, gritando por liberdade com orgulho dos ancestrais. Um menino na Santa Cruz ensinou o que é amar, nos explicando que a força pra viver está em um coração de criança, como o nosso pode também ser. Aprendendo a lição, não seremos mais um entregue a razão, e então teremos na mente o dom da criação. No pé da serra transformada em Avenida, um batuque pra Xangô. O rei bordará um mundo de delírios, sonhos, devaneios, tingindo de verde nossa história. Ouvindo o som do atabaque, entenderemos o clamor por piedade. Moju, Magé, Mojubá! Nos encontraremos no abraço da fera encantada, numa passarela tomada pelo canto da Iara, todos sendo levados pela correnteza que conduz até o Eldorado, uma Padre Miguel com cidadãos pintados de ouro.

Até que a sandália da passista no chão anunciará um novo ano. E as vozes se unirão em coro mostrando que o povo está mesmo matando a saudade. Na mais bela arte, as arquibancadas formarão a mais perfeita arquitetura numa paleta em que o preto se mistura com o amarelo. E do futuro virá o branco e o azul inundando nossos olhos de amor. "É o povo do samba!", gritaremos. Vanguarda popular composta por quem vem dos Macacos e do Boulevard. Meu Deus, se eu chorar não leve a mal. De São Cristóvão virá gente nos lembrar que não somos escravos de nenhum senhor. Libertados, estaremos também no trono, e depois do cassino, onde se ganha e se perde dinheiro, brincaremos de qualquer maneira. Pecado é não brincar o Carnaval. E Namastê pra todo povo da Avenida.

Desobedecendo pra pacificar, a luz vai acender; o céu, clarear. Coração aberto, quem quiser pode chegar. Voará a águia sobre nós, com poesia de cordel presa no bico, sob vinte e duas estrelas no céu. Provaremos o sabor do Carnaval, provocando uma vontade louca de que chegue logo o próximo. Calor que afaga, poder que assola. Mães e mulheres se aproximarão, apontando a estrela que tem que brilhar. Firmarão o tambor pra rainha do terreiro e veremos juntos a ginga que faz esse povo sambar. E é sambando que nos daremos conta da coroa girando, de pipas pelos ares, tiê, tucano e arara voando, tambores ressoando para ver brilhar meninos abandonados. Carentes, não teremos medo de amar. A nossa festa é pra quem sabe cuidar e pra quem não nega o amor. Sendo assim, voltaremos de lá alimentados de axé, já que o samba faz essa dor dentro do peito ir embora.






























Thaís Velloso é Professora e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ.




sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Que tiro no pé hein...Estácio de Sá (Por Thiago Muniz)

Antes de começar essa coluna, quero deixar bem claro a gratidão que eu devo a Universidade Estácio de Sá, tanto como profissional, pois eu trabalhei lá e deixei grandes colegas e alguns amigos que levo até hoje. E como aluno, pois sem ela eu não teria o meu diploma de ensino superior.

Pois bem...

Mas as épocas eram outras. Eu trabalhei no Recursos Humanos da Estácio durante 2 anos, entre 2005 a 2007. Nesse último ano, a empresa estava se preparando para abrir capital no mercado financeiro, se estruturando para se tornar uma S/A. Não sei detalhes técnicos pois não é minha especialidade, só sei que era isso que aconteceu de fato. Houve até uma auditoria para analisar e redesenhar todos os processos internos da empresa, procedimento que toda uma empresa de porte grande privada está sujeita a acontecer.

Pois é...

Ao final do ano de 2007, por um provável consenso entre dos conselheiros superiores da empresa, foi ordenado a demissão em massa na empresa. Eu fui um deles.

Recebi a carta de demissão, assinei, fiquei chateado obviamente, mas antes de ir embora em definitivo o meu gerente se despediu de mim e pediu para que eu comparecesse numa reunião em janeiro de 2008 em que o patrono da empresa (in memoriam) faria com os demitidos, quem quisesse comparecer pois era facultativo. Fiquei bastante curioso nesta reunião e resolvi ir; afinal nunca tinha visto ele, era para mim quase que uma lenda, tipo uma mula sem cabeça dono de uma empresa.

Pois bem...

Resolvi comparecer a reunião, encontrei com o meu (ex) gerente, ele agradeceu por eu ter comparecido e eu sentei para aguardar. Não sei exatamente o total de demitidos mas acredito que nem 1/3 dos demitidos compareceram. Depois de uns 20 minutos após a hora marcada, o patrono entra na sala, bem quieto e se juntou na frente de todos para falar. Explicou desde a fundação da Estácio até os momentos em que a empresa estava passando. E ao final garantiu que todos os desligados seriam readmitidos da empresa durante o ano de 2008. Sinceramente as palavras dele não me comoveram, teve pessoas que até o aplaudiram; mas um fato eu fiquei surpreso. Antes de ir embora o meu (ex) gerente me pediu para aguardar uma ligação em fevereiro.

Pois é...

Recebi uma ligação do RH em fevereiro, conforme o meu (ex) gerente prometeu, me perguntou se eu tinha interesse numa possível volta a empresa. Como eu ainda não tinha terminado a faculdade, optei que sim e fui para uma entrevista numa das unidades acadêmicas, na época era a unidade Nova América, localizada dentro do shopping de mesmo nome. Fui bem recebido pelo gerente administrativo, tivemos uma conversa ótima, ele não escondeu as realidades que a filial estava passando (inclusive o salário menor que eu tinha, óbvio!) e mesmo assim aceitei o desafio. Era um horário em que daria para me dedicar mais aos estudos, conciliou que eu pudesse fazer mais disciplinas e consegui terminar a faculdade antes da minha previsão. Lá também deixei grandes colegas e alguns amigos que levo até hoje.

Pois bem...

Contou, relatou, e daí?

Quero explicar que o capitalismo é agressivo e cruel, mas as tomadas de decisões não podem ser feitas através de resultados e metas em planilhas sem contar com o aspecto humano, pois são as pessoas que movem a engrenagem das empresas, a mecatrônica está substituindo cada vez mais funções em detrimento dos humanos, talvez daqui a umas décadas a inteligência artificial assuma tomadas de decisões, o que na minha opinião será o caos mundial.

Pois é...

A Estácio em âmbito nacional, demitiu de maneira inadvertida, aproximadamente 1.200 professores, cerca de 12% de todo seu corpo docente, em favor da nova Reforma Trabalhista é um desastre sem tamanho. Foram centenas de profissionais competentes, dedicados e muito qualificados, que foram dispensados da forma mais cruel possível. Essa Reforma Trabalhista é uma semi-escravidão institucionalizada, praticamente o Congresso Nacional rasgou a Consolidação das Leis Trabalhistas. Isso está sendo inadmissível, uma afronta contra os direitos trabalhistas; e o que a sociedade faz? Nada! A sociedade está anestesiada, me dá a impressão que está chancelando todas as reformas que estão prejudicando a nós mesmos.

Pois bem...

Não estou surpreso com a quantidade de amigos que estão sendo DEMITIDOS nesta reta final de ano. Parabéns aos paneleiros e depreciadores da democracia, a Reforma Trabalhista ainda poderá bater na sua porta.

Pois é... Universidade Estácio de Sá.

Pelo menos na minha época o patrono (in memoriam) deu a cara a tapa, como empresário ele não tinha a menor obrigação de fazer aquilo, correria o risco até de tomar uns tapas, mas saiu aplaudido. Desta vez com a variação de resultados, planilhas, metas, Kpi´s, atribuições; acredito que até o telegrama de desligamento foi suspenso por contenção de despesas. Na minha época eu recebi todas as verbas rescisórias e FGTS sem problemas. Desta vez não podemos garantir aos atuais desligados.

Pois bem... Universidade Estácio de Sá.

De acordo com nota da assessoria de imprensa da companhia, "todos os profissionais que vierem a integrar o quadro da Estácio serão contratados pelo regime CLT, conforme é padrão no grupo". A nova lei trabalhista formalizou o trabalho intermitente, permitindo que as empresas criem um banco de funcionários que podem ser acionados quando houver demanda.

Pois é... Universidade Estácio de Sá.

Que tiro no pé hein...





























BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.





segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Lá. Eles. Aqui. Nós. (Por Elika Takimoto)

O Brasil é enorme e bem poderia ser dividido ao meio. 

De um lado, mortadelas. Do outro, os coxinhas. A divisão já existe, só iria ser física, ou seja, além do campo das ideias. Aí, quem sabe, teríamos mais paz.

Veja bem. Quem apoiou o golpe, quem até hoje não enxerga o golpe, quem votou no Aécio ficaria de um lado. Quem denunciou desde o início o ataque à democracia, do outro.

Cada lado teria seu próprio presidente.

A galera que odeia PT ficaria com as escolas dominadas pelos projeto “Escola sem Partido”. Nessas escolas, os professores só passariam os conteúdos que sempre foram doutrinados a passar. Não promoveriam debates e nem incitariam os alunos a se revoltarem contra as mazelas do mundo porque se assim fizerem serão denunciados pelos próprios alunos. Os professores ou nada comentariam sobre o tema ou falariam que o mundo é assim, sempre foi assim e cabe ao aluno estudar muito para sobreviver a esse sistema.

Do outro lado, teríamos escolas em que debateríamos sobre desigualdade social, as diversidades do ser humano, quem quisesse ir de saia poderia ir de saia fosse homem fosse mulher fosse sem definição, primaríamos por um ensino coletivo e não individualista, prepararíamos o cidadão não somente para o “mercado de trabalho” mas, principalmente, para conviver com o próximo e consigo mesmo trabalhando sua auto estima o máximo que conseguiríamos. Jamais falaríamos para um jovem que ele tem que estudar para “ser alguém na vida” porque todos nós já somos um universo de potencialidades independente da idade, da classe social e do credo. Ensinaríamos que se deve estudar porque só o conhecimento transforma a si mesmo e o mundo.

Do lado de lá, as pessoas que nunca foram a museus não precisariam se preocupar porque lá não teria museus. Os prefeitos que fecharam os locais das exposições continuaria a fechar outros e ninguém se importaria. Pelo contrário. Ficariam felizes porque os artistas não estariam “mamando na Lei Rouanet”. Toda essa galera lá.

Daqui teríamos a arte como sempre muito incentivada em suas infinitas formas. Continuaríamos torcendo o nariz para muitas obras mas jamais proibiríamos o artista expressar o que pensa.

E já que estamos falando de artistas, aqui teríamos Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Duvivier, Xico Sá, Raduan Nassar. Lá, Lobão, Roger, Luana Piovani, Zezé e Luciano.

Lá. Bem longe daqui.

Aqui Paulo Freire. Pedagogia do Oprimido na veia. Lá Alexandre Frota ditando o que deveria ser ensinado para os jovens daquela metade do Brasil.

Do outro lado, capitalismo capitalismo capitalismo por todos os lados. Eles que falam que o socialismo não deu certo em nenhum lugar do mundo e desconsideram que só no continente africano 236 milhões de pessoas passam fome – de acordo com dados da ONU – e o número de suicídios em países considerados grandes potências na economia, eles continuariam tentando dar certo. Lembrando que aquele lado estaria pleno de pobres. Os pobres de direita.

Eles ficariam com esse sistema que pode ser definido, de forma resumida, como o sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na livre iniciativa e, sobretudo, na busca incessante por lucro. Como vivendo nesse sistema eles acabariam com a desigualdade social que é a liga que mantém o capitalismo um sistema sólido seria um problema só deles. Lá a concorrência continuaria sendo desigual pela natureza do capitalismo que privilegia aquele que já possui capital em detrimento daquele que nada tem. A elite lá ficaria bem consolidada e, claro, cada vez mais ávida por mais lucro.

Aqui deste lado não. Estaríamos buscando um novo sistema partindo do pressuposto de que toda a desigualdade social pode ser evitada por meio de atuação estatal e políticas públicas acertadas. Seria um sistema que não giraria em torno do Capital e do lucro pois entendemos que algo assim pode não trabalhar em favor dos princípios democráticos.

O comunismo seria um sonho que nos movimentaria de alguma forma, pois é o sistema que surgiu com o propósito de eliminar a desigualdade – e as próprias classes sociais – através da coletivização dos meios de produção.

Ah sim. A bancada evangélica ficaria lá. Claro. Aqui teríamos a convivência pacífica de todas as religiões já que a tolerância seria muito debatida em nossas escolas. Mas os valores morais de cada religião jamais transpassaria os muros das Igreja, muito menos chegaria ao nosso congresso e jamais em nossas escolas.

Lá a diminuição da maioridade penal já teria passado. O garoto de 16 anos pego assaltando seria preso e colocado nas celas com bandidos profissionais. Seria estuprado, aliciado para o crime, levaria muita porrada e em menos de dez anos, como previsto na lei, voltaria para a sociedade. Certamente, um ser renovado e pronto para cometer crimes muito piores. Direitos humanos continuariam sendo motivo de piada ainda assim para aquele lado do Brasil. Vai entendê-los…

Aqui investiríamos tudo o que tivéssemos em educação, arte e esporte. Somente por essa via o ser humano se transforma em um cidadão mais sensível e conseguiríamos mudar a sua essência. Bandido bom é bandido reabilitado. Esse seria nosso lema.

Lá. Ana Paula do vôlei. Aqui. Joanna Maranhão.

Lá. Malafaia. Aqui. Leonardo Boff.

Lá. Marta Suplicy. Aqui. Marcia Tiburi.

Lá. Constantino. Aqui. Sakamoto.

Lá. Janaína Paschoal. Aqui. Qualquer uma de nós em seu lugar.

Lá. Bolsonaro...

Aqui ficaríamos com aquele que é reconhecido no mundo inteiro por ter diminuído a mortalidade infantil e a desigualdade social. Ele. No meio do povo sempre conversando olhando nos nossos olhos como só ele sabe fazer. Aqui. Lula.





Elika Takimoto é Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia.



domingo, 8 de outubro de 2017

Não era sobre pedofilia. Não era sobre corrupção. (Por Elika Takimoto)

Lembram-se de quando a gente ficava se esgoelando dizendo: “eles não estão na rua contra a corrupção”? Com o tempo, o que alertávamos se confirmou. Provas foram expostas, malas encontradas, áudios liberados e… silêncio de quem fez um fuzuê com as pedaladas que são cometidas há anos (e que logo depois do golpe foram liberadas pela corja que está no poder, vale lembrar).

A frase épica de Bertold Brecht “a cadela do fascismo sempre está no cio” explica bem tudo o que aconteceu. Era um bando de fascistas no armário que estava sem graça de vir a público. Afinal, falar que odeia pobre e que quer mais que preto, mulher, trans, gays se explodam não pegava bem.

Daí veio 2013 e a Globo aproveitando-se daquelas manifestações “apartidárias” – cujas bandeiras da CUT eram proibidas – criou o vilão e o herói. O Brasil ficou dicotômico como os personagens das novelas. Há o bandido (PT) e o Salvador da Pátria (Moro). Esse tipo de narrativa novelesca o povo assimila bem como se entre o branco e o preto não houvesse uma infinidade de tons de cinza.

E a cadela no cio passou a copular devassamente.

Foi naquele contexto que os fascistas vestiram uma camisa de heróis da nação. Teriam a nobre missão de “livrar o Brasil da corrupção”. Caíram como patos e lá foram de verde e amarelo para as ruas achando que estavam salvando a nossa pátria.

Passou, de repente, a ser questão de soberania nacional falar mal do PT e tirá-lo do poder. Achavam e diziam eles. Eles. Os mesmo que estavam completamente irritados com as políticas sociais como o programa Mais Médicos, Bolsa Família e as cotas, vale observar.

O fascismo funciona exatamente assim para quem não sabe. O inimigo tem que estar bem definido e cabe aos fascistas desmoralizá-lo. Vídeos descontextualizados das falas da Dilma eram a cereja do bolo naquela época. Queriam ridicularizá-la a qualquer preço. Pessoas a chamavam de burra e riam da retórica de uma mulher que hoje está pelo mundo dando palestras a convite de grandes universidades. Como se conseguissem ser metade da metade que Dilma é.

E eles não param. Como 2018 está logo ali e Lula segue sendo preferência da população brasileira como mostram todas as pesquisas, é necessário desmoralizar a esquerda e tudo o que ela representa.

Incrivelmente pautas humanitárias e a defesa pela liberdade de expressão saíram das atas das reuniões da direita. Haja vista o que o MBL anda fazendo.

O episódio Homem Nu foi mais um exemplo de como se comporta a hipócrita cadela do fascismo.

Avisamos: não é sobre pedofilia! E os patos lá fazendo postagens “temos que proteger nossas crianças…”. Proteger de quê, cara pálida? Quando a gente perguntava isso, ouvia como resposta: contra a pedofilia!

Qual a razão dessa resposta sem nenhum sentido? Das duas uma. Ou a pessoa é burra de pedra a ponto de conectar uma performance artística sem o menor teor sexual com pedofilia ou falta-lhe caráter mesmo, pois faz isso com o intuito de diminuir a capacidade intelectual dos artistas e dos que os apóiam.

E a prova de que eles não estavam preocupados com as crianças porcaria nenhuma veio a galope: o caso do estuprador do Piauí.

O crime foi noticiado por todos os jornais. Silêncio dos protetores das crianças do nosso Brasil. O estuprador teve autorização para ficar com uma criança dentro de sua cela porque ajudava a família do menino financeiramente.

Segundo o levantamento do projeto, ligado ao Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso a Informação da USP, enquanto o caso do museu teve 550 mil compartilhamentos, o do estuprador do Piauí ficou na média de 45 mil. “Uma relação de 10 pra 1”, afirma a página.

“No caso do MAM, as matérias muito compartilhadas estavam dispersas em várias publicações do Jornalivre, Veja, Folha, Instituto Liberal e Ceticismo Político, entre outros; no caso do estuprador do Piauí praticamente foram compartilhadas apenas matérias da Folha de São Paulo e do UOL”, disse a pesquisa.

Além disso, enquanto o caso do MAM motivou manifestações do Movimento Brasil Livre (MBL), da família Bolsonaro e de partidos conservadores, o caso do Piauí “não teve nenhum grande compartilhador” e não chegou a ser mencionado por aqueles que foram contrários à exposição.

E se alguém aqui achar que estou exagerando, deixo aqui as frases de um cartaz que está fixado no museu do Holocausto em Washington que tem como objetivo alertar as pessoas sobre os perigos do fascismo e como identificar seus primeiros sinais. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

1. Empoderamento nacionalista contínuo.
2. Desdém por direitos humanos.
3. Identificação do inimigo como causa unificadora.
4. Supremacia militar.
5. Sexismo desenfreado.
6. Controle de mídias de massa.
7. Obsessão com segurança nacional.
8. Governo e religião interligados.
9. Poder/direitos corporativistas protegidos.
10. Poder/direitos de trabalhadores suprimidos.
11. Desdém pelos intelectuais e pelas artes.
12. Obsessão por crime e punição.
13. Corrupção e nepotismo desenfreado.
14. Eleições fraudulentas.

Não era sobre a corrupção e não era sobre pedofilia. É sobre extermínio de raças e de classes.

Acreditam agora ou precisam ainda de mais exemplos?







Elika Takimoto é Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia.



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O Rio de Janeiro tomado pela violência (Por Thiago Muniz)

"Os verdadeiros traficantes estão no Congresso Nacional atuando para atrasar o avanço de leis e pautas que possam de fato interromper o fluxo financeiro que o tráfico de drogas gera! Os milhões de dólares de receita econômica que recebem sem pagar um centavo qualquer ao Estado. Lavando dinheiro em bancos, em igrejas, em todo tipo de instituição legal. Tendo seus aviões e helicópteros com pasta de cocaína presos diante do cinismo de uma sociedade que se recusa a debater de forma honesta a questão da regulamentação das drogas." (Tico Santa Cruz)

"O "caos" em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, "caos" seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?" (Vladimir Saflate)

O Rio de Janeiro está jogado as moscas. A violência toma conta da cidade; assaltos, latrocínios, arrastões, tiros, guerra de facções. O que mais precisa pra detectarmos que estamos numa guerra civil?

A preocupação da imprensa e governo é com o Leblon ou com o morador da Rocinha? Essa histeria busca a melhoria de vida do morador da favela ou é você que não vai poder ir no Rock in Rio?

Por isso que quando pega um morro próximo a Zona Sul, se alardeia todo esse processo que estamos vendo. Só ganha visibilidade quando chega perto dos mais ricos.

Quando é Zona Sul é o CAOS.
Quando é Subúrbio é uma DOCE ROTINA.

"Operação Inteligente", é avisar os bandidos cada passo da invasão policial com transmissão ao vivo no Globocop.

Essa guerra na Rocinha por exemplo está apenas descortinando quão hipócrita é boa parte de nossa sociedade. Vários mortos, alguns queimados vivos, moradores baleados, moradores tendo seus carros roubados, casas invadidas, tendo seus bens destruídos Mas... ninguém, absolutamente ninguém fala nada.

Onde estão os demagogos para fazerem grandes textos nas redes sociais? Os problemas são muito profundos para serem tratados de forma simplificada e com discursos rasos que são adotados por figuras midiáticas e populistas, com seus jargões que na prática não oferecem nenhuma real condição de estabelecer uma ordem social e econômica para a questão da violência.

Onde estão as manifestações, ônibus queimados, moradores desocupados pedindo justiça?

Onde está aquele advogado de porta de cadeia que só aparece se a vítima for morta por agentes do estado? Onde ele está, para ajudar as famílias dos mortos nessa guerra?

Onde estão os policiólogos, sociólogos, maconhólogos com suas teses cretinas e estapafúrdias, falando daquilo que não sabe e não conhece?

Agora vemos todos atônitos verem mais de 60 vagabundos armados de fuzis patrulhando as ruas da favela, um absurdo! Mas quando colocaram alguém lá que barrou essa putaria, armaram para ele é o tiraram de lá! Agora paguem o preço! E aguardem que vai ficar pior, em breve quando eles vierem para o asfalto! Quem sobreviver, verá!

Tem que acabar com essa entrada imoral e ilegal de fuzis, enquanto esse esquema imundo das forças policiais, forças armadas e política continuar o ciclo vicioso da violência e venda de drogas continuará, não mudará. Nossas fronteiras não estão sendo cuidadas, nosso litoral também não. Entram toneladas de armamento todos os dias com anuência desse mesmo Estado que falido, não consegue dar conta do básico.

A ameaça a soberania do país não vem mais de nações vizinhas e sim do tráfico e do crime organizado que impõem a população leis e decisões que não pertencem a Constituição do Brasil. O problema não é o Estado como Estado, e sim os grupos que tomam o poder desse Estado para usarem em benefício próprio. Lembrando, muitos deles a serviço das empresas privadas.

O tráfico na favela é a senzala armada, os bois de piranha dos verdadeiros nocivos da sociedade. O verdadeiro traficante não está na favela! Ali estão os soldados, os descartáveis, os que morrerão e serão trocados por outros, numa fila interminável.

Vários fatores são responsáveis por esse quadro no Brasil, a violência está completamente ligada com a desigualdade social, que por sua vez é mantida pela falta de investimentos públicos reais em educação, que por sua vez colocam jovens em situação de vulnerabilidade e falta de oportunidades para conseguir empregos, que por sua vez num país arruinado por uma crise política onde aqueles que deveriam estar trabalhando para nós, estão trabalhando para salvarem suas próprias peles!

O Rio de Janeiro está em guerra sim, mas sempre esteve... E infelizmente quem também acaba sofrendo sempre com essa guerra são os mais pobres, a periferia e a favela!













BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cícero, meu primeiro amigo gay (Por Paulo-Roberto Andel)

Em alguns meses de 1975, meu pai ainda era um homem de algumas posses. Morávamos num prédio de quatro andares, sem elevador, na rua Santa Clara (posteriormente demolido para dar vez a um flat), em Copacabana. Até então, sempre tínhamos gente trabalhando em casa (desde criança, detestei a palavra "empregada", que me sugeria aparte social).

Um belo dia, minha mãe inovou e contratou o Cícero. De cara, já era diferente por ser homem numa atividade essencialmente ocupada por mulheres à época. E também por usar aquele chapéu de cozinheiro que eu acho um barato. E, finalmente, por ser homossexual assumido, o que causou verdadeiro horror nos nossos vizinhos.

Uma delas, Dona Mimi, uma senhora portuguesa branca, de bem, em nome de Deus, quis fazer um movimento para que nos mudássemos do prédio - era inaceitável para ela ver um "veado" nos corredores. Mas aí minha mãe, que era baixinha mas não era fácil, a viu num cochicho com outra vizinha e a enquadrou bonito. Nos corredores a palhaçada acabou. Quando eu saía com minha mãe para ir à escola, a idosa lusa e sua amiga ainda cochichavam, mas quase encolhidas. Hoje, sou capaz de supor qual era o teor da conversa baixa: "Essa mulher deixa um veado dentro de casa com uma criança".

Comi pratos sensacionais feitos pelo Cícero. Mais de 40 anos depois, sou capaz de lembrar do bife com arroz e fritas e da panqueca de carne. Foram muitos pratos. Ele sempre falava comigo, ria, me dava tchau, mas eu nunca entendia porque quando a minha mãe sempre insistia para que ele deixasse a cozinha para ficar perto de nós na sala, ele nunca vinha. Só falava comigo de longe, talvez a uns quatro metros de distância. Eu tinha que gritar para que ele escutasse.

Quando meu pai faliu, tivemos que mudar de apartamento, de bairro e de padrão. No dia da despedida, foi a única vez que vi Cícero de perto: ele deu um beijo e um abraço em minha mãe, agradeceu muito a ela, passou a mão na minha cabeça e foi embora. Ainda o vimos na rua, debochando alto das vizinhas fofoqueiras. Poucos dias depois, mudamos por alguns meses para um minúsculo apartamento em Vaz Lobo, para depois voltarmos a Copacabana, ficando dezesseis anos na Siqueira Campos, aí já sem ninguém trabalhando em casa.

Ainda pude viver mais trinta anos com meus pais, com todos os altos e baixos de uma família, mas fomos felizes. Contudo, nunca conversávamos sobre aquela época porque era dolorosa para todos nós: não queríamos ter mudado, passamos muita dificuldade financeira e quase fome, mas superamos tudo. Quando falávamos no Cícero, minha mãe ria e se divertia, tinha saudades dele. Mas só depois de muito tempo é que refleti.

Estávamos num momento de dificuldades. Ela era uma super hiper cozinheira e uma pessoa muito simples. Por que será que teria contratado um cozinheiro num momento em que estávamos tão apertados? E porque ele nunca chegava perto de mim, mesmo com ela insistindo para que viesse conversar conosco?

As respostas talvez não sejam exatas, mas levam à reflexão. Provavelmente minha mãe contratou Cícero porque ele estava com alguma dificuldade profissional, já que estávamos com pouquíssimo dinheiro - de alguma forma, ela o quis protegê-lo. E Cícero nunca chegou perto de mim porque tinha MEDO de ser visto em qualquer ato com uma criança, mesmo com a mãe perto: a ditadura militar-empresarial chegava a todos os lugares, quanto mais na minha casa (meu pai e meu tio foram presos no fim dos anos 1960 por "subversão"). E pior ainda que encontrasse um homossexual brincando com uma criança, não importando qual fosse o motivo.

Cícero é a primeira lembrança que tenho de um homossexual na vida - a segunda é de Serguei, que minha mãe adorava e que hoje tenho a honra de ser seu biógrafo, ao lado de Rodrigo Barros. Cícero sempre me tratou com todo o respeito, a ponto de se auto-mutilar socialmente. A ele devo excelentes pratos de comida deliciosa.

De lá para cá, foram muitos anos e muitos e muitos queridos amigos homossexuais, milhares de álbuns tocados por músicos homossexuais, livros fantásticos escritos por homossexuais. As artes, o cotidiano, o futebol - SiM! -, o trabalho, as faculdades, os bares, tudo. Ex-namoradas e ficantes. Amigas queridas e grandes admirações. Como poderia ousar discriminar o que faz parte da minha vida desde sempre?

Não vivi a orientação homossexual, mas jamais por preconceito e sim porque não é minha essência. Se fosse, creio que eu teria tido apoio de meus pais, teria que enfrentar inúmeros percalços mas, provavelmente, acabaria numa organização LGBT em luta pelos direitos e causas. Mas não preciso ser necessariamente homossexual para abraçar e me solidarizar com todos os homossexuais, amigos meus ou não, diante dessa idiotice agora rebatizada de "liminar da cura gay". Homossexualidade não foi, não é nem nunca será doença, exceto para aqueles que nem sempre são sexualmente seguros de si mesmos.

De alguma forma todos aqueles amigos homoafetivos são aqui representados pelo nome de Cícero, que foi o meu primeiro amigo gay quando eu nem sabia o que era sexo. Penso na dor daquele homem em 1975, temendo ser preso e desaparecido pelo simples fato de conversar com uma criança. Mas o pior é pensar que, 40 anos depois, parte do Brasil é ainda tão primitiva quanto naquele tempo.

Pela cura da ignorância já!


Paulo-Roberto Andel é escritor, cronista, editor do Panorama Tricolor. @pauloandel








terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contra a privatização da UERJ (Por Thiago Muniz)

"Há muitas formas de destruir um país. Uma delas é acabando com a essência das universidades públicas com essa ladainha de privatização. O Brasil pede socorro." (Elika Takimoto)

Quando o povo vai deixar de ser gado!? Ninguém se revolta nesse país...aceitam tudo!

Ministério da Fazenda recomenda ao governo do Rio de Janeiro que privatize universidades públicas e demita servidores.

Não podemos deixar isso acontecer. Não vamos deixar que a educação, trabalhadores e aposentados sejam penalizados mais ainda por esta crise. Quem causou esta calamidade no Rio foi o governo do PMDB.

Sem dinheiro em caixa, por falta de repasses do governo fluminense, a UERJ resiste como pode. “A universidade está na UTI”, disse o reitor Ruy Garcia Marques.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o porquê do caos na Uerj, hoje veio a resposta oficial: o PMDB recomendou o fim de uma das maiores universidades do Brasil. Ou seja, para "recuperar" o Rio, o partido que destruiu o estado quer acabar de vez com um dos maiores patrimônios sociais e educacionais que temos – acabar para depois dar de bandeja a seus aliados, claro.

E não é só isso. Além de recomendar "o fim da oferta de ensino superior", o Ministério da Fazenda de Temer propôs:

💥 Extinção de empresas públicas, como a CEDAE;
💥 Demissão de servidores ativos;
💥 Contribuição previdenciária para inativos;
💥 Aumento contribuição previdenciária, além dos 14% já aprovados;
💥 Reforma do Regime Jurídico Único dos Servidores.

Onde vemos educação pública, Temer, Pezão e Meirelles veem migalhas pra alimentar bolsos amigos.
A gente não pode aguentar mais 1 ano desses caras governando e destruindo tudo o que nosso Estado conquistou ao longo dos anos. Somos referência na área de ensino, pesquisa em ciência e tecnologia.
Há 10 anos uma quadrilha se encastelou no Palácio Guanabara e hoje o resultado é esse.

A educação está precária e os professores que são pessoas importantíssimas para todo e qualquer cidadão, além do conviver com sala lotadas, sem nenhum tipo de suporte ainda tem que ficar sem salário. Mesmo na crise, UERJ ainda é uma das melhores do país. Porque querem acabar com ela e com o ensino público se este se prova a todo instante um dos melhores?

Confesso que não sei como conseguem continuar na luta política. Não sei! Acho desolador e desanimador demais todo esse cenário político carioca e nacional. Está difícil acreditar que nada deve ser impossível de mudar.

O Rio virou o laboratório do plano a futuro do poder econômico. Querem privatizar tudo e fazer negócios com o patrimônio público. Deixando ainda mais difícil a precária vida dos cariocas.

Vejo e escuto muita gente atribuir aos outros a obrigação de reclamar, lutar, ir para as ruas, disputar o espaço público, o vazio político. Não existe vitória sem a participação popular. É muito cômodo, esperar em casa que as coisas se resolvam por si só, passe de mágica. Parece que á população está sob efeito de hipnose ninguém reage, aceitam tudo na maior naturalidade. E é exatamente o que os ladrões querem: um povo sem ação.

Existe uma conta que nunca vai fechar, além do roubo, que é o pagamento da dívida e dos juros que consomem mais de 40% da riqueza produzida pelo país. Essa é a discussão central. A renda que o trabalhador produz vai para o sistema financeiro, o qual não produz nada e ainda tem as benesses desse sistema. Não há luz no fim do túnel, enquanto existir esses vermes que sugam a riqueza do país.

Quanta barbaridade! Acabam com centenas de vidas, com sonhos, com a juventude para enriquecerem vergonhosamente. O país todo está ameaçado com essa quadrilha que não para.

O dia que as pessoas entenderem que o diálogo de verdade só funciona quando ambos os lados tem o mesmo poder de barganha, o que NÃO é o nosso caso, definitivamente, talvez as coisas melhorem e avançamos para uma linguagem conhecida mundialmente: a truculência, vulgo porrada.

A Educação é lastimável e tem sido assim desde sempre. A hora é de unir forças. Historicamente quem muda as coisas são os estudantes. Mãos à obra. A UERJ é uma instituição de ensino,e não um palanque para esquerda ou direita.

O que está em jogo é sim, a diminuição do ensino público. Mas como diz um velho ditado: "povo burro não sabe votar".

#UerjResiste






















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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

Vem aí a Bienal do Livro 2017 (Por Thiago Muniz)

"Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não lêem." (Mario Quintana)

E mais uma edição da Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro será realizada no Riocentro, entre os dias 31 de agosto até 10 de setembro.

A Bienal do Livro do Rio é o maior evento literário do país, um grande encontro que tem o livro como astro principal. Para o leitor, é a oportunidade de aproximação dos seus autores favoritos e de conhecer muitos outros. Durante onze dias, o Riocentro sedia a festa da cultura, da literatura e da educação. Nos espaços dedicados às atrações, o público pode participar de debates, bate-papos com personalidades e escritores, além das atividades culturais que promovem a leitura.

E com ela vem o desafio de incentivar os jovens a aumentar a prática da leitura num país onde se tem o hábito de ler muito pouco, em comparação a média de outros países. Nem só de livros vive a Bienal. O evento vai privilegiar a vivência de narrativas além-texto pelos visitantes — são espaços com jogos, tecnologia e interatividade.

De cara nova, a Bienal será do livro, da tecnologia e da realidade virtual. O Espaço Geek & Quadrinhos, com games, simulações é novidade para atrair adeptos de jogos e cultura pop. O objetivo é abraçar os amantes de tecnologia, jogos e cultura pop, que em outras edições da feira de literatura já vinham abocanhando representatividade na programação cultural e na oferta de produtos.

A programação quer aproximar os visitantes e convidados, em um bate-papo informal. O objetivo é fazer com que o público interaja, com diversão sem compromisso.

Marque na sua agenda.

Bienal do Livro Rio 2017
Local: Riocentro
Dias: 31 de agosto: até 10 de setembro
Horário de Funcionamento: Durante a semana: 9h às 22h.
                                             Fins de semana: 10h às 22h








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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.