quinta-feira, 31 de março de 2016

Tchau Querida! (Por Rapha Ramirez)

As frases que estão na boca do povo no momento são: “ta tranquilo, tá favorável” ou “to chegando em, coisa louca em” e a que a Excelentíssima Senhora Presidente da República repete todos os dias, para ela mesmo acreditar: “não vai ter golpe”.

Fico cá perguntando com meus botões “ta tranquilo e ta favorável” pra quem? Alguns amigos podem dizer: para as oligarquias que dominam esse país desde que que a nau de Cabral aqui aportou, outros dirão para a mídia manipuladora e emburrecedora que manda no Brasil desde que Assis Chateaubriand pensou em trazer a televisão para o país e eu digo para vocês “não ta tranquilo e não ta favorável” para ninguém, o trabalhador a tempos vê a comida sumir do seu prato e a cesta básica encarecer, diferente do que a Presidenta disse na campanha não são só os banqueiros tiram a comida da boca do trabalhador, os políticos companheiros também, com cada caso de corrupção.

O Brasil a tempos parou economicamente e politicamente e sem perspectiva para voltar a caminhar.

Dilma quando diz que o impedimento de um presidente só pode existir se comprovadamente houver crime de responsabilidade tem razão, mas a Isto é listou apenas 7, vamos a eles:

1- CRIME DE RESPONSABILIDADE

1.1 - Obstrução da Justiça I

Diálogo Dilma/Lula e atos da nomeação
Em diálogo mantido entre a presidente e o antecessor na quarta-feira 16, Dilma disse a Lula que enviaria a ele um “termo de posse” de ministro para ser utilizado “em caso de necessidade”. A presidente trabalhava ali para impedir que Lula fosse preso antes de sua nomeação para a Casa Civil. Os atos seguintes corroborariam o desejo de Dilma de livrar Lula dos problemas com a Justiça. Enquanto o presidente do PT, Rui Falcão, informava que a posse de Lula só ocorreria na terça-feira 22, o Planalto mandava circular uma edição extra do Diário Oficial formalizando a nomeação.

1.2 - Obstrução da Justiça II

Nomeação do Ministro Navarro
O senador Delcídio do Amaral (MS) afirmou em delação premiada, revelada por ISTOÉ, que a presidente Dilma Rousseff, numa tentativa de deter a Lava Jato, o escalou para que ele fosse um dos responsáveis por articular a nomeação do ministro Marcelo Navarro Dantas, do STJ, em troca da soltura de presos da investigação policial.

1.3 - Obstrução da Justiça III

Compra do silêncio de Delcídio
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, foi escalado para tentar convencer o senador Delcídio a não fechar acordo de delação premiada com o Ministério Pública Federal, que chegou a insinuar ajuda financeira, caso fosse necessário.

1.4 - Obstrução da Justiça VI

Cinco ministros na mão
O senador Delcídio afirmou que Dilma costumava dizer que tinha cinco ministros no Supremo, numa referência ao lobby do governo nos tribunais superiores para barrar a Lava Jato.

1.5 - Enquadramento legal

Inciso 5 do Artigo 6º da Lei 1.079/1950:
Opor-se diretamente e por fatos ao livre exercício do Poder Judiciário, ou obstar, por meios violentos, ao efeito dos seus atos, mandados ou sentenças.

2- CRIME DE DESOBEDIÊNCIA

2.1 - Nomeação de Lula no Diário Oficial

Apesar de decisão da Justiça Federal que sustava a nomeação do ex-presidente para a Casa Civil, Dilma fez o ato ser publicado no Diário Oficial da União.

2.2 - Enquadramento legal

Artigo 359 do Código Penal: Exercer função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão judicial

3- EXTORSÃO

3.1 - Ameaças para doação de campanha

Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, afirmou ter pago propina à campanha presidencial em 2014 porque teria sido ameaçado pelo ministro Edinho Silva, então tesoureiro de Dilma, de ter obras canceladas com o governo. Há uma representação na PGR contra Dilma para apurar o possível achaque.

3.2 - Enquadramento legal

Artigo 158 do Código Penal: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa.

4- CRIME ELEITORAL

4.1 - Abuso de poder político e econômico na campanha de 2014

Dilma é acusada em ação no TSE de se valer do cargo para influenciar o eleitor, em detrimento da liberdade de voto, além da utilização de estruturas do governo, antes e durante a campanha, o que incluiria recursos desviados da Petrobras.

4.2 - Caixa 2

A Polícia Federal apontou no relatório de indiciamento do marqueteiro do PT João Santana e de sua mulher, Mônica Moura, que o casal recebeu pelo menos R$ 21,5 milhões entre outubro de 2014 e maio de 2015 - período pós reeleição da presidente Dilma - do “departamento de propina” da Odebrecht. Isso reforça as suspeitas de caixa 2 na campanha, descrita no Código Eleitoral como “captação ilícita de recursos”.

4.3 - Enquadramento legal

Art. 237, do Código Eleitoral: A interferência do poder econômico e o desvio ou abuso do poder de autoridade, em desfavor da liberdade do voto, serão coibidos e punidos com cassação e ineligibilidade.

5- CRIME DE RESPONSABILIDADE FISCAL

5.1 - Pedaladas fiscais

A presidente Dilma incorreu nas chamadas “pedaladas fiscais”, a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. A manobra fiscal foi reprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

5.2 - Enquadramento legal

Inciso III do Art. 11 da Lei 1.079/1950: Contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou apólices, ou efetuar operação de crédito sem autorização legal

5.3 - Decretos não numerados

A chefe do Executivo descumpriu a lei ao editar decretos liberando crédito extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso. Foram ao menos seis decretos enquadrados nessa situação.

5.4 - Enquadramento Legal

Inciso VI do Artigo 10 da Lei 1.079/1950: Ordenar ou autorizar a abertura de crédito em desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de crédito adicional ou com inobservância de prescrição legal.

6- FALSIDADE IDEOLÓGICA

6.1 - Escondendo o rombo nas contas

Corre uma ação no TSE em que os partidos de oposição acusam acusa a presidente Dilma de esconder a situação real da economia do país, especialmente no ano eleitoral.

6.2 - Enquadramento legal

Art. 299 do Código Penal: Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

7- IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

7.1 - Visita político-partidária

Dilma foi denunciada na Justiça por mobilizar todo um aparato de governo – avião, helicóptero, seguranças – para prestar solidariedade a Lula em São Bernard, um dia após o petista sofrer condução coercitiva para prestar depoimento à Polícia Federal no inquérito da Operação Lava Jato. O próprio ato de nomeação de Lula na Casa Civil pode ser enquadrado neste crime.

7.2 - Enquadramento legal

Art. 11 da Lei nº 8.429/1992: Constituti ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições.

Bem, nos calcanhares da Presidenta petista “vem chegando em” o final da linha, sem credibilidade, sem apoio político e com quase 70% da população contra o seu governo, dificilmente Dilma conseguira terminar o mandato, que foi conseguido com a propagação de mentiras e calunias contra adversários, ela mesmo disse que faria os diabos para ganhar a eleição, pois é fez, e acho eu que esqueceu de pagar a fatura.

Quanto ao golpe, não vei ter golpe, golpe em quem? De quem? Faz tempo que estamos a deriva sem governo, sem rumo.

Engrandeça a sua biografia Dilma, renuncie e devolva o Brasil para o trilhos e o abra novamente a sua lojinha de 1,99 que você quebrou, lembra? Senta em uma praça de Porto Alegre enquanto o seu netinho brinca no parquinho, você joga um dominó com as sua amigas.

Já deu né? Tchau Querida!








Rapha Ramirez tem 32 anos, é formado em Jornalismo pela Universidade Veiga de Almeida. Apaixonado por política, já está escrevendo o seu primeiro livro e em breve se lançará como Escritor. Caso queiram entrar em contato com ele, basta seguirem o seu perfil no Twitter em @rapharamirez.

terça-feira, 29 de março de 2016

O golpe do PMDB tomou forma (Por Thiago Muniz)

"...E os ratos, como era previsto, caíram fora. Abandonaram não o navio, que já afundou há tempos, mas os outros ratos, que continuam agarrados a uma tábua aqui, uma bóia acolá, gritando esganiçados que não vai ter golpe." (Cora Ronai)

Que tragédia. O partido mais oportunista da história do Brasil vai voltar com força total (e de maneira indireta, bem PMDB mesmo). Presidência da República, Câmara e Senado nas mãos dos coronéis corruptos, governando como se ainda estivessem no século XIX.

PMDB, o povo tá de olho, não é largando o PT depois deles destruírem tudo que vocês vão limpar a própria imagem.

Enquanto o PT tinha caixa pra manter seus interesses, vocês ficaram juntinhos, agora se mostram iguais ou piores que eles. Não vamos esquecer.

Acredito que os que foram às ruas gritar fora PT estão felizes, contribuíram para que o PMDB finalmente conseguisse o que não teria a menor chance se o voto fosse direto.

É muito cômico um partido que passou toda sua história saqueando o Brasil dá uma de santo pra voltar ao poder através de um golpe. O PMDB nunca mais vai voltar ao poder de forma decentemente Democrática.

E o pior que ainda tem imbecil achando bonito isso. Partido de coronéis oportunistas. Que se perpetuam no poder, os MAIORES SANGUE-SUGAS da história política do Brasil. Mas são uns fanfarrões!

Em um dos momentos mais importantes da recente história do Brasil, o PMDB decide sobre permanecer ou não na base governista ou, melhor dizendo, se é favorável ao pedido de impeachment ou não, em uma reunião de 3 minutos! Isto mesmo.. em 3 míseros minutos podem ter definindo o futuro do Brasil nos próximos anos. Assim, o futuro do país decidido em 3 minutos. Pronto. Análise de materialidade ou da autoria do suposto crime de responsabilidade da Presidenta da República que ensejaria o pedido de impeachment? 3 minutos. Tempo mais do que suficiente para o preparo de um macarrão instantâneo. 3 minutos e está pronto o impeachment.

Isso é um treta épica! Eles (PMDB) está fugindo do barco que ajudou afundar o Brasil é ainda dando uma de bom moço. Mas a gente tá vendo, Brasil pra Frente Temer pra presidente? Oi? Como assim? É outra, não aceito Dilma e Lula não, mas há corrupção existe há milênios aqui. Vê eles assim só me faz lembrar como está parecido o cenário de Jogos Vorazes sim com esse âmbito político, lula não é o único errado não... Há uma corja inteira!

Enquanto o povo está morrendo à minguá essa gente pensa que o Brasil é deles, o Brasil é nosso povo, porque essa mulher não deixa o poder de uma vez, estão nos fazendo de palhaços no circo que eles mesmo plantaram, mas infelizmente somente eles estão colhendo, nós aqui sofrendo para podermos comprar 1 kg de carne. Provavelmente daqui a pouco estarão em um churrasco, todos juntos, rindo as nossas custas.

Impeachment acredito que não resolverá essa crise econômica, apenas dará uma sensação de alívio naqueles que queriam isso. Não vai surgir Bilhões de reais nos cofres públicos da noite para o dia acredito eu. A crise econômica vai continuar mesmo assim por um tempo. O governo de um país não é composto só por presidente, o presidente na verdade é o que menos atua.

Imagine a Política de um País como uma Pirâmide, onde o Presidente está no topo. Se você tirar a primeira peça do topo, nada acontece com a piramide. Agora mexa na base dela, tire alguns blocos, que ela vai começar a pender. A politica de um país começa pela base, que são os Vereadores de cada cidade, depois os Prefeitos, Deputados, Senadores, etc....

Dar o tal jeito no país é algo que quase que impossível, porque a política aqui é toda errada, e isso não é culpa do Lula, ou Fernando Henrique, esse problema vem lá de trás, de uns 100 anos atrás ou mais. O dinheiro aqui é desvalorizado demais ou melhor supervalorizado, porque as coisas tem preços absurdos.

É complicado de pensar nisso, porque dentro do Brasil, existem outros Brasis, nosso País é um dos maiores do mundo, em cada região a vida é de uma forma, em cada estado a vida é de uma forma, é algo muito complicado pra entender.

Tem lugares no Brasil onde a crise não chegou, sabe porquê? Porque a vida dessas pessoas sempre foi de pobreza.

O próximo governante tem que ser sério, tem que colocar ordem e mudar a política do Brasil. Mas todos são humanos, portanto se não tiver boa índole não vai adiantar. Se a pessoa não tiver a mente focada em mudança, não vai resolver.

Duvido que a grande população do Brasil procura se informar sobre a vida politica de cada candidato, sobre o passado da pessoa. Claro, isso é algo muito difícil de encontrar as vezes, mas hoje em dia temos internet, onde se acha tudo.
Precisamos ser fortes, enfrentar esse momento e saber escolher bem um candidato, desde um simples Vereador até o Presidente.

Para evitar um racha no partido, lideranças peemedebistas decidiram amenizar o rompimento com Dilma Rousseff. O fim do apoio do PMDB ao governo, a ser formalizado hoje, não será radical. Não serão fixados prazos para que filiados deixem ministérios e funções de confiança, e sequer haverá punições para quem ficar onde está. O partido mantém cerca de 600 cargos na máquina federal.

A saída à moda peemedebista foi costurada em reuniões como a mantida entre Michel Temer e o presidente do Senado, Renan Calheiros. O assunto também foi tema de conversa entre o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani, e o senador Eunício Oliveira (CE).

Imagine a presidente Dilma enviando ao Congresso um projeto de emenda constitucional convocando novas eleições, mas não só presidenciais, NOVAS ELEIÇÕES GERAIS? Todas as máscaras cairiam. Todos ficariam nus. Temer, Aecio, Serra, Alckmin, FHC, Caiado, Renan, Cunha, Paulinho da Força, a própria Dilma, o Lula e muitos outros, pois não seriam eleitos diante do que o país sabe hoje. Deveria também propor que o povo decida em plebiscito se políticos devem continuar com privilégios financeiros e se devem continuar a ganhar mais que professores e medicos.

Presidente Dilma, a senhora não tem mais nada a perder! Chute o balde! Lanço aqui a campanha: #EiDilmaChutaoBalde

PS: Não poderiam se candidatar nem ex- juízes e ninguém com problemas na justiça ou com sérios indícios de envolvimento na Lava Jato e em outros casos de corrupção.

Mapa da Democracia

"PMDB é como aquela visita que vai embora assim que a cerveja acaba" (André Dahmer)







BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

As costuradas do PMDB (Por Thiago Muniz)

Já estão dando o golpe como certo.

Quero ver a cara dos manifestantes pró-impeachment quando perceberem que foram usados para dar um golpe para livrar Temer (que é investigado pelo escândalo do etanol); Cunha (com 43 milhões em contas ilegais na Suíça); Aécio Neves (citado 9 vezes na Lava Jato), Serra, etc.

Cunha começa a costurar acordo com Temer para se livrar da cassação.

No entanto, esse acordo só será possível caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não atenda ao pedido da Procuradoria Geral da República, que defende o afastamento do parlamentar.

Diante da provável cassação, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começa a alinhavar um acordo com Michel Temer (PMDB-RJ), caso ele assuma o governo.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, ele renunciaria à presidência da Câmara dos Deputados sob o argumento de que o novo governo precisaria articular nova maioria no parlamento.

Portanto, apesar de ser suspenso pelo conselho de ética, ele manteria o cargo, garantindo o foro privilegiado.

No entanto, esse acordo só será possível caso o Supremo Tribunal Federal (STF) não atenda ao pedido da Procuradoria Geral da República, que defende o afastamento do parlamentar.

Cunha usou Assembleia de Deus para receber propina, diz Janot; segundo Mateus Coutinho do Estadão.

Empresas do delator Júlio Camargo foram usadas para fazer repasses de R$ 250 mil para a igreja que apoia o presidente da Câmara como forma de quitar parte da propina, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República.

O procurador-geral da República Rodrigo Janot acusa o deputado Eduardo Cunha de indicar a Igreja Evangélica Assembleia de Deus para receber parte da propina de ao menos US$ 5 milhões destinada a ele referente aos contratos para viabilizar a construção de dois navios-sonda usados pela Petrobrás. Parte dos repasses foram divulgados pelo Estado no mês passado.

Segundo a denúncia contra o presidente da Câmara apresentada nesta quinta-feira, o lobista e delator da Lava Jato Júlio Camargo foi procurado em 2012 por Fernando Soares, que operava a propina para o PMDB na estatal, e lhe indicou que ele “deveria realizar o pagamento desses valores à Igreja Evangélica Assembleia de Deus”, assinala a denúncia. O nome da igreja no registro da Receita Federal corresponde à Igreja Evangélica Assembleia de Deus, ministério Madureira, em Campinas (SP).

“Segundo Fernando Soares, pessoas dessa igreja iriam entrar em contato com o declarante, o que realmente ocorreu”, segue o procurador-geral da República. A partir de então, foram feitas duas transferências em agosto de 2012 das empresas de Júlio Camargo, Piemonte e Treviso, no valor de R$ 125 mil cada que tiveram como destino uma filial da Assembleia de Deus Ministério Madureira em Campinas “ambas com a falsa justificativa de pagamento a fornecedores”, segue Janot na denúncia.

O procurador-geral afirma que “não há dúvidas de que referidas transferências foram feitas por indicação de Eduardo Cunha para pagamento de parte do valor residual da propina referente às sondas”. A denúncia ainda ressalta que Júlio Camargo nunca frequentou a igreja evangélica e “professa a religião católica”, além de nunca ter feito doações para a Assembleia de Deus antes deste episódio.

Culto. Em fevereiro deste ano, Cunha chegou a participar de um culto de mais de duas horas em comemoração a sua eleição para a Presidência da Câmara junto com outros políticos na Assembleia de Deus Madureira, no Rio de Janeiro. Na ocasião ele declarou ter trocado a Igreja Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus Madureira. A bancada evangélica foi uma das que mais apoiou Cunha na eleição para a Presidência da Câmara.

O presidente da Assembleia de Deus Madureira no Rio, pastor Abner Ferreira, contemplou o presidente da Câmara no culto. “O Satanás teve que recolher cada uma das ferramentas preparadas contra nós. Nosso irmão em Cristo é o terceiro homem mais importante da República”, disse o religioso na época. Abner Ferreira é irmão do pastor Samuel Ferreira, que preside a Assembleia de Deus no Brás, em São Paulo, e aparece no registro da Receita Federal como presidente da Assembleia de Deus Madureira em Campinas, que recebeu os R$ 250 mil das empresas de Júlio Camargo.

Na denúncia apresentada nesta quinta, Janot acusa o presidente da Câmara de ter recebido propina no valor de ao menos US$ 5 milhões para viabilizar a construção de dois navios-sondas da Petrobras, no período entre junho de 2006 e outubro de 2012. A denúncia destrincha a complexa rede de empresas de fachada e offshores utilizada por Júlio Camargo, Fernando Soares e o ex-diretor de Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró para receber um total de US$ 40 milhões de propinas movimentadas no exterior e no Brasil, inclusive por meio da igreja evangélica.

Em nota divulgada nesta noite, Cunha afirmou ser inocente e disse refutar “com veemência” o que ele chamou de “ilações” da Procuradoria-Geral da República. A assessoria de imprensa do pastor Samuel Ferreira ainda não retornou aos contatos da reportagem. Contatado pela reportagem no mês passado para comentar os repasses, o religioso não quis falar sobre o caso.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



segunda-feira, 28 de março de 2016

O sultão Eduardo Cunha e suas artimanhas (Por Thiago Muniz)

O processo de impeachment contra a presidenta Dilma é um golpe em dois sentidos: político e financeiro. Não tem qualquer traço de legalidade. Há um trem pagador de mais de R$ 500 milhões de reais (meio bilhão) que patrocina o golpe contra uma presidente eleita e contra a qual não pesa sequer uma acusação de corrupção. O trem pagador tem um maquinista, Eduardo Cunha.

Segundo documentos do Ministério Público da Confederação Suíça enviados à Procuradoria Geral da República, o esquema suíço liderado por Cunha com outros participantes movimentou R$ 411 milhões em 29 contas bancárias entre 2007 e 2014 (o valor não inclui, portanto, o ano de 2015). Isso é apenas uma fração, aquilo que foi identificado Suíça.

Há ainda o dinheiro não localizado na própria Suíça e mais uma série de paraísos fiscais não mensurados neste montante (veja reportagem do Correio Braziliense sobre os documentos suíços clicando aqui).

Entrevistado pelo programa Espaço Público TV Brasil da EBC em novembro de 2015, o ex-ministro Ciro Gomes estimou que deste volume imenso de recursos Cunha usou R$ 350 milhões para montar seu próprio bloco parlamentar: 

“Eduardo Cunha roubou algo ao redor de meio bilhão de reais e deve ter distribuído uns 350 (milhões de reais) por uns 150 a 200 picaretas” –assista aqui e veja a afirmação de Ciro sobre a montagem da bancada de Cunha, a tropa de choque do impeachment, aos 8min05 da entrevista. Se as contas de Ciro estiverem corretas (e use-se o número mais modesto, 150), Cunha repassou algo como R$ 2 milhões para cada um de seus apoiadores apenas na “operação Suiça”.

Mas não é só. Como a planilha da Odebrecht já deixou patente, Cunha é padrinho de muitas outras doações$. A planilha indica o poder de Cunha como intermediário. Tomo emprestada a formulação da jornalista Helena Sthephanowitz no blog da Helena, na Rede Brasil Atual sobre o assunto: “Eduardo Cunha aparece como beneficiário de uma doação do Grupo Odebrecht de R$ 1,1 milhão para seu partido, o PMDB. Se foi ou não devidamente registrada é outra discussão e deverá ser objeto de novas investigações. O curioso é ele aparecer como 'padrinho' de uma doação bem maior, de R$ 3 milhões, para o diretório nacional do PSC, atual partido do deputado Jair Bolsonaro. 

Cunha aparece também na planilha como 'padrinho' de outra doação, de R$ 900 mil, para o PR. Ou seja, só por essas indicações na planilha, em 2010 Eduardo Cunha operou como captador de R$ 5 milhões – isso apenas junto ao Grupo Odebrecht – para três partidos, justamente os que em Brasília compõem a chamada 'bancada do Cunha', ou seja, o grupo de parlamentares de vários estados que acompanha fielmente a liderança do atual presidente da Câmara em todas as votações.” – leia a íntegra da coluna aqui.

É impressionante. Cunha apadrinha R$ 5 milhões apenas na planilha de uma empreiteira emuma eleição. É a bancada da mala, estimada por Ciro Gomes em 150 deputados . Fiéis a Cunha até o fim –enquanto ele continuar doando, é claro. É disparadamente a maior bancada da Câmara, praticamente o dobro do maior bloco parlamentar da Casa, que conta com 87 deputados (PP, PTB, PSC e PHS).

É a tropa de choque de Cunha, majoritária na Comissão do Impeachment e capaz de tudo para impedir o prosseguimento do processo contra o “capo” na Comissão de Ética.

Mas há mais, muito mais dinheiro para comprar o impeachment de Dilma. Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva, “tem muita gente querendo financiar esse negócio do impeachment”. Ouça aqui. É só o parlamentar interessado sinalizar que a grana aparece, segundo o deputado, conhecido como Paulinho da Força, líder do partido Solidariedade e que conhece um tipo de solidariedade que o fez réu em processo por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crimes contra o sistema financeiro e figura em mais três inquéritos –ele está na comissão do impeachment, por óbvio.

Cunha é algo como um herói, um ícone para Paulinho. Na mesma gravação em que afirmou que está chovendo e vai continuar a chover nas hortas dos deputados golpistas, ele fez questão de ressaltar que ”esse negócio (isso mesmo, “negócio”) do impeachment tá indo, eu vou falar a verdade, por causa do Eduardo Cunha. O impeachment só tá acontecendo por causa do Eduardo Cunha.” Paulinho está certo. Retire-se Cunha e o processo de impeachment terá enorme dificuldade de seguir adiante, sem o devido combustível.

O cenário da Câmara dos Deputados é desolador e faz do Brasil o centro de um escândalo ao redor do mundo. O condutor do processo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é réu numa ação no Supremo por recebimento de propina e distribuiu recursos da ordem de centenas de milhões de reais; 61% dos deputados da comissão encarregada do processo receberam R$ 9 milhões de empresas investigadas na operação Lava a Jato (leia aqui); 31 dos 130 integrantes da comissão (titulares e suplentes) respondem a inquérito ou ação penal no Supremo, acusados de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes (leia aqui).

O relator da comissão do impeachment, deputado Jovair Arantes, é funcionário (ops, aliado) de Cunha. Atua no Conselho de Ética como um coronel do exército de Cunha nas manobras para paralisar o processo contra o chefe. Assumiu a relatoria do impeachment apenas depois de garantir aos golpistas que condenará Dilma –leia aqui

Jovair é um aliado de valor: teria cobrado R$ 4 milhões apenas para apoiar a recondução ao cargo do presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente. Quem veiculou a denúncia? É até engraçado, mas foi a Veja! Isso mesmo, Veja desceu o cacete no deputado em 2012, quando considerava que isso prejudicava o governo do PT. Disse a revista na ocasião: “Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. ‘O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público’, escreveu”. Está tudo no link aqui, mas como Jovair agora é da famiglia dos Civita, não se sabe até quando estará no ar.

O crime contra o país acontece em clima de farra no Congresso –e numa escalada fascista sem precedentes na sociedade de nas ruas.

Farra para Cunha e os seus.

E que farra. A Procuradoria Geral da República (PGR), na denúncia apresentada ao Supremo contra Cunha em 4 de março de 2016 apresentou a vida de sultão de Cunha ao país (não, ao país não, porque a Globo e suas congêneres de menor expressão preferiram silenciar sobre o que você lerá a seguir pois, afinal, o pedalinho era mais importante). A expressão “vida de sultão” foi um preciso achado da reportagem de El País sobre a denúncia da Procuradoria –leia aqui e, se quiser, clique no link logo no início da reportagem para ter acesso à íntegra da peça da PGR).

Os números são dignos de um sultão mesmo, é só ir à denúncia, ler e deixar o queixo cair:

Virada de 2012/2013 - Em nove dias, numa viagem a Miami para a passagem de ano (entre 28 de dezembro e 5 de janeiro) Cunha, mulher e filha torraram R$ 170 mil. Isso mesmo! Mais de R$ 18 mil por dia (a cada dia ele gastou mais do que o salário mensal de um parlamentar à época, de R$ 17.794,76). Em Miami, a gastança foi antológica. Tudo em nove dias (a seguir apenas alguns exemplos dos gastos): almoço e jantar em restaurantes em Miami Beach em 28 de dezembro pela bagatela de R$ 7.500; uma refeição para celebrar o início de 2013 com a família no restaurante Prime Italian, em 01 de janeiro, no valor de R$ 6 mil; outras contas de valor similar em diversos restaurantes; apenas no dia 29 de dezembro, R$ 24.520 em comprinhas na Saks e na Salvatore Ferragamo. Mas não foi suficiente. Em 2 de janeiro, mais comprinhas, agora na Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna, duas das grifes mais requintadas do planeta, somando outros R$ 20.504. Parece mentira, não é? Mas tudo registrado nos cartões de crédito do futuro “capo” do impeachment.

2013 estava apenas começando – em fevereiro, depois do festival Miami, Cunha, que não é de ferro, foi a Nova York. O ritmo não se reduziu. Entre 9 e 12 daquele mês, a PGR flagrou gastos de R$ 36.732 entre hotel, restaurantes e as grifes preferidas de Cunha. O atual presidente da Câmara é rápido no gatilho; dia 12 de fevereiro a gastança começou cedinho em NYC e continuou à noite em Zurique, na Suíça (ah, a Suíça): entre a noite de 12 e a manhã do dia 15 de fevereiro, a conta ficou em R$ 18.716. Mas não foi tudo: na noite de 15 de fevereiro, lá estava ele sentado à mesa do Le Grand Vefour, em Paris, para uma refeição de R$ 9.984. No dia 16, pagou R$ 23.900 de hospedagem no famoso Hotel Crillon, em Paris, cidade onde chegara na véspera! Fevereiro acabara, mas em março a festa precisava continuar: no dia 25, pagou uma conta de R$ 12.288 no Hotel W. Barcelona, na cidade do mesmo nome. Não há distâncias nem limites para Cunha: em 20 de junho, lá estava ele no restaurante Russkiy Ampir, em São Petesburgo (Rússia): conta de mais de R$ 12 mil. Este foi o padrão em 2013, que se repetiu em setembro, de novo em Nova York.

Os sapatos de Cunha – o presidente da Câmara gosta de conforto para os pés. Parece que estava adivinhando que seria eleito presidente da Casa e tratou de cuidar dos pezinhos. Em setembro de 2013, em Nova York, torrou R$ 32.464 na loja de sapatos masculinos Pravda Abbigliamento. Isto em apenas uma compra de sapatos. Podemos imaginar que Cunha não parou por aí, mas os documentos da PGR não alcançam outras aquisições de lotes de sapatos. Mas grifes como Zegna e Ferragamo, suas preferidas, têm linhas de calçados que não devem ter escapado ao seu interesse.

2014 – Cunha não parava -e não parou até hoje. Atravessou o Atlântico já em janeiro de 2014 para continuar a festança com o seu dinheiro em Paris. No dia 12, pagou uma conta de quase R$ 40 mil reais no Hotel Meurice, na Cidade Luz, sem contar as comprinhas de sempre. Em março, já estava em Roma, logo depois em Veneza e Florença –entre 2 e 7 daquele mês, lá se foram mais R$ 37 mil só em hotéis, algo como R$ 6.200 de diárias. Como Cunha não é de ferro, não custava nada (para ele) uma esticadinha à terrinha. Dia 8 de março lá estava o comandante das forças contra a corrupção em Cascais, porque afinal em Portugal é tudo mais barato, não é? Mais R$ 9.472 em dois dias de hospedagem no Grande Real Villa Hotel (quase uma pechincha para o deputado, que pagara diárias superiores a R$ 6 mil apenas dois dias antes na Itália!). Não, não acabou. Em abril, o sultão certamente sentiu-se em casa: mais R$ 23.708 no hotel Burj Al Arab, em Abu Dabi.

2015 - Até o início do último ano, Cunha não era ainda presidente da Câmara. A eleição, em 1 de fevereiro de 2015, não constrangeu o sultão. Lá estava ele, 15 dias depois de sua eleição, cuidando de renovar o guarda roupa em Paris. Uma conta de mais de R$ 32 mil reais na Textiles Astrum France. Hospedagem? Nada de monotonia. O Crillon, em 2013, e o Meurice, em 2014, não estavam à altura do terceiro homem na linha sucessória: era chegada a hora do Plaza Athenee! Cinco noites por R$ 63.520 (quase R$ 13 mil a diária). Era preciso mesmo celebrar, e de novo na terrinha, mais uma conta de quase R$ 6 mil reais por uma refeição no restaurante Os Arcos, em Paço D’Arcos e de novo no Grande Real Villa Hotel, em Cascais (ele gostou!): mais R$ 11.700.

A singeleza da mulher de Cunha, Cláudia – nada de listas extensas. Só os destaques. Em 2014: em Paris, em janeiro, R$ 30.828 na Chanel e mais R$ 16.736 na Charvet Place Vêndome (só os destaques, lembre-se); em Roma, em março, R$ 17.988,00; em Lisboa, também em março, outros R$ 14.144 na Louis Vuitton; e, claro, Dubai –R$ 15.196 na Chanel. Os destaques de 2014 (só os “high lights”!) somaram quase R$ 100 mil reais em roupas, sapatos e bolsas. 

Chanel é sempre Chanel: pra a grife, quase a metade, R$ 46.024. Importante mencionar duas compras de 2015 porque, afinal, o maridão estava eleito presidente da Câmara e era preciso caprichar e pensar nele; na favorita Charvet Place Vêndome com suas opções para homens e mulheres, R$ 26.148; e mais R$ 6.704 em gravatas na Hermès pra Cunha fazer bonito presidindo a Câmara. Tudo em fevereiro, um mês de compras pra família Cunha (junto com março, setembro, outubro, dezembro e janeiro compõem o semestre dourado dos cunhas anualmente).

A filhinha Danielle e suas delícias – a lista é enorme e tá cansando, começa a ficar monótono. Mas vale o registro que moçinha não deixou barato. Da extensa lista de Danielle, três que merecem realce: em janeiro de 2014, enquanto papai e mamãe passeavam na Europa, ela gastou quase R$ 21 mil na Chanel, em Nova York; mais R$ 20 mil na Neiman Marcus em Orlando, em abril do mesmo ano; e mais R$ 18.508 na Fendi em Nova York –afinal, Europa é pra velhos, não é?

Cunha gasta com um sultão. É o sonho de todos os manifestantes dos domingos na Paulista, das matilhas fascistas, dos pequenos, médios empresários e até alguns grandes empresários, dos parlamentares e jornalistas a serviço do golpe: querem todos gastar como sultões. Por isso Cunha desperta uma relação mal escondida de inveja e admiração: pois ele de verdade gasta como um sultão.

É um sultão que presta serviço ao ódio dos que desejam ser sultões como ele, mas, sobretudo, preferem a morte a ver um país em que os ricos tenham de abrir mão de parte de sua fortuna para que os pobres possam viver com dignidade. Preferem a morte a ter de abrir mão de farras como a de Cunha -ou do "direito" de sonhar com elas.

Não há solução para o escândalo da presença de Cunha à frente da Câmara no interior do próprio Congresso –sua bancada é a maior da Casa. Só há duas soluções possíveis para o caso Cunha no âmbito da democracia: as ruas ou o Judiciário.

Cunha é o que é. A imprensa faz de conta que não vê o meio bilhão do sultão e sua máquina de fazer bancada. Prefere cuidar dos pedalinhos do torneiro mecânico.

O golpe em marcha, entre centenas de milhões de reais, ódio, farra e um condutor: o sultão.

Fonte: Caminho pra Casa

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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



domingo, 13 de março de 2016

O Pragmatismo do 13 de Março (Por Thiago Muniz)

Uma coisa é falar em saída do governo Dilma Rousseff; outra coisa é falar em saída da crise político-econômica atual.

Uma não coincide exatamente com a outra; a segunda não se reduz à primeira. Saindo Dilma, a crise não acabará. Nem tampouco começará a acabar, como acreditam alguns defensores do impeachment, da renúncia ou da mudança de regime de governo.

Observando os cartazes dos manifestantes contrários ao governo neste domingo em todo o país, pode-se notar que a maioria deles brada palavras-de-ordem que se limitam apenas à saída de Dilma. “Fora Dilma e leve o PT junto” é a mais comum. 

É uma visão que pode até expressar a legítima posição política de muita gente em relação ao governo, mas revela também uma certa miopia diante dos cenários de mais longo prazo. 

É uma percepção curta, imediata, que pensa a saída da crise apenas com o afastamento da presidente da República ou o esvaziamento do seu poder.

As fontes de instabilidade do governo, hoje, são múltiplas. Algumas delas, é verdade, têm a ver com o governo da vez. No entanto, elas são apenas uma parte das determinantes da conjuntura atual. 

Uma das principais fontes de instabilidade, a Operação Lava Jato, sequer chegou à pessoa da presidente, não obstante várias lideranças políticas que vão às ruas neste domingo ou que são simpáticas aos manifestantes já tenham sido nominalmente citadas em depoimentos ou já estejam acumulando processos contra si.

Dilma e o PT têm suas culpas, e não são poucas nem pequenas. A conjuntura não é responsabilidade apenas da mídia, ou da oposição, ou das elites, ou qualquer outro algoz de ocasião. No entanto, os mesmo que criticam a presidente, defendendo que ela lidere um governo de união nacional, são aqueles que se negam a conversar com Dilma. Certamente esses setores também têm suas justificativas. 

Mas não podem se eximir da culpa pela crise política que aí está, nem tampouco dos seus impactos sobre o ambiente econômico, já totalmente contaminado pela paralisia em que nos encontramos.

Se Dilma sair ou, ficando, tiver seus poderes diminuídos pela mudança de regime de governo, teremos o início de uma nova crise, que é parte dessa conjuntura maior de instabilidade, e não o fim do que estamos vivendo hoje. Essa nova crise terá como principais razões:

1. Continuidade da Operação Lava Jato e o fato de que ela irá alcançar nomes de um eventual futuro governo;

2. Tentativas de um eventual futuro governo justamente em limitar o alcance da Lava Jato;

3. Questionável capacidade de Michel Temer, vice-presidente, em liderar um governo de coalizão;

4. Existência de um processo no TSE que pode vir a cassar até mesmo o futuro presidente, caso o vice venha a assumir;

5. Possibilidade, ainda que remota, de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, venha a assumir a Presidência;

6. Instabilidade política que um possível regime parlamentarista geraria, dada a fragmentação partidária do Congresso, o peso que a futura nova oposição teria, etc.

7. Vício de origem que o chefe de governo teria ao ser eleito indiretamente por este que é o pior Congresso em 50 anos;

8. Continuidade da crise econômica, interna e externamente.

O que me estranha nesses protestos é a falta de coerência do protesto em si. Acho que se fosse o povo pelo povo a manifestação seria coesa.

Mas o povo apoiando elite e manutenção de privilégios, aplaudindo políticos, também, corruptos, e até Malafaias, Bolsonaros, Fascistas em geral, é meio esquizofrênico. Claro, alguns políticos vão tirar proveito da situação para se promoverem e vão as ruas também. 

Realmente não sei se se convocar uma manifestação e seguir um pessoal que ergue uma bandeira de "Militares no poder" é progressista ou racional. A insatisfação pela conjuntura do governo é visível e protestos têm que ser feitos. 

É nosso dever fazer crítica (não aquela crítica de apontar erros, mas sim no sentido do senso crítico de questionar o que está sendo feito). Porém, a irracionalidade dos manifestação é clara. Bandeiras absurdas são levantadas. É muito estranho a classe mais elitizada ir as ruas com um conteúdo tão apolítico.

O país foi incapaz de deter o processo e até hoje há quem pense que os bandidos vão vencer no final: PT e PMDB continuarão nos assaltando pela eternidade. 

Como foi possível conviver com tanta ladroagem? 

Como foi possível aceitar versões tão enganadoras? 

Como foi possível cultuar o cinismo que nos corrói? 

Ainda agora, surgem as velhas trapaças. O PT ameaça soltar nas ruas barbudos de camisa vermelha, e há garotas fazendo gestos obscenos com o dedo. 

Ao PT interessa a hipótese de conflitos. Se as pessoas tiverem medo, não sairão às ruas. E alguns cronistas vão dizer: caiu o ímpeto do impeachment, Dilma respira de novo. Dilma tem respirado à custa da nossa asfixia.

A Lava-Jato ainda está em curso. Vai sobrar pra praticamente todos os grandes partidos. Na linha de sucessão de Dilma tem o PMDB de Temer, Cunha e Renan. Figurões do PSDB tb estão citados em delações. Lembrei da música do amigo Ivan Lins (e do Vitor Martins): "cai o rei de ouro, cai o rei de espadas, cai o rei de paus, cai, não fica nada". O sistema político dominante no Brasil está falido, mas seus usufrutuários recusam-se a sepultá-lo.

Só um adendo: Aguardando as últimas fotos das manifestações no Capão Redondo, em São Mateus, São João de Meriti, Nova Iguaçu, Setor O de Ceilândia, Rocinha, Complexo do Alemão, Diadema e outras áreas metropolitanas equivalentes. Afinal, ouvi desde de manhã que elas acontecem "por todo o Brasil".


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




sexta-feira, 4 de março de 2016

O dia em que acreditei no Brasil (Por Thiago Muniz)

Desde que eu era mais jovem, nunca fui um filiado político ou admirador de um político em específico.

Mas a minha juventude "adolescêntica" se iniciou nos anos 1990, uma década onde começou com um impeachment de um presidente e a era do plano Real para a economia brasileira bastante fragilizada pelas incompetências anteriores.

Como a era FHC priorizou a economia e o lado social ficou de lado, eu pensei de verdade que quando o Lula entrasse para a presidência, os rumos mudassem a favor de um Brasil melhor, mais digno e com a corrupção erradicada.

Por um momento melhorou sim, a classe pobre teve voz, ela recebeu crédito para consumo, acesso ao estudo e subsídios para ter uma vida melhor. Só que política assistencialista deve ter vida útil para existir senão ela se transforma em política coronelista, uma prática comum desde que o Brasil existe.

Para melhorar as condições de uma sociedade, se deve fornecer subsídios e instrumentos capazes dela caminhar sozinha, e não acomodá-la com fomentos.

Nas eleições de 2002 votei sim em Luiz Inácio, eu enxerguei maturidade governamental nele, achei que o Brasil melhoraria de fato, de alguma forma o Gigante cresceria de uma maneira sólida e rugiria para o mundo.

E cresceu de fato, a economia bombeou, a infra-estrutura progrediu, só que...

Surgiu o escândalo do Mensalão! Uma nefasta que existiria até hoje se não fosse a delação inanimada do profeta do PTB. A partir de lá a mídia se movimentou aos poucos contra o governo. E o que surgiram de barbaridades nós perdemos as contas. Surgiu a CPI dos Correios e o Petrolão que quase extinguiu com a Petrobrás.

Mas temos que ter dois pesos e duas medidas; por outro lado o movimento de oposição que busca incessantemente a retomada do poder, ou seja, o PSDB; houve escândalos tão bárbaros quanto os do PT, cito a Privataria Tucana em MG, o escândalo do metrô de SP, o fatídico helicóptero com os 400 kg de cocaína achados numa fazenda em MG, fora o aeroporto na cidade de Claudio-MG. Mas daí eu não vi um grande movimento midiático em prol dessas sujeiras.

A decáda de 2000 começou com esperança e terminou com ceticismo. A década de 2010 começou com ceticismo e sinceramente não sei como terminará.

Naturalmente que diante do quadro desse momento e de tudo que possa vir a acontecer durante o dia, ainda é cedo para tomar qualquer posição.

Só me resta lamentar que algo que seja tão importante para o crescimento do país, da justiça e da democracia esteja sendo usado de forma justamente a colocar a democracia em risco.

As ruas serão tomadas por ambos os lados e poderemos ter conflitos graves, pois a nossa sociedade é intolerante e ignorante, não sabe respeitar as adversidades e as opiniões.

Espero que a mídia tenha consciência da forma perigosa como vem dando suas cartadas.

Há muitas dúvidas sobre o que está por vir: como reagirá Dilma?

E os movimentos sociais? Algumas conclusões já são possíveis: o ambiente político ficará ainda mais envenenado e os protestos do domingo que vem (13 de março), e, consequentemente, o processo de impeachment, ganharão enorme fôlego.

E, muito mais do que 2005, o projeto de poder do PT nunca esteve tão perto do fim.

O Brasil não tem mais jeito.

Infelizmente essa é a minha constatação. A corrupção já está enraizada na cultura, é praticamente impossível combatê-la.

É duro ter esse prognóstico, mas o Brasil é a terra da bagunça e da promiscuidade a céu aberto.








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