quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A Fúria dos fidalgos que saíram do armário (Por Thiago Muniz)

A palavra fidalgo, significa, etimologicamente, a aglutinação de filho-de-algo. Era uma designação que, em termos gerais, designava a camada social que tinha o estatuto de nobre hereditária, juntamente com os titulares, os Senhores de terras, com jurisdição, e os Alcaides-mores.

A intolerância política está crescendo no Brasil. O músico foi constrangido, assediado moralmente e atacado verbalmente. Toda pessoa pública que participa do debate está sujeita a ouvir críticas à sua posição, mas elas devem ser feitas com civilidade.

O que mais impressiona – e preocupa – na agressão verbal que um grupo de garotões cuja profissão principal é ser filho de pai rico lançou contra Chico Buarque na noite da segunda-feira, 21 de dezembro? Três coisas.

Primeiro, a extrema fúria dessa direita desgarrada que acaba de sair do armário embutido. 

Segundo, a facilidade com que repetem o que dizem os grandes meios de comunicação. 

E terceiro, a incapacidade para qualquer gesto minimamente civilizado.

Chico saía de um jantar com amigos quando, ao buscar um táxi, passou a ser chamado de ‘petista’.

Ouviu a repetição de clichês idiotas repetidos à exaustão pelos meios de incomunicação e pelos deformadores de opinião. A um dos garotões ele respondeu com humor. Dizia o valentão que defender o PT quando se mora em Paris é fácil. ‘Você mora em Paris?’, perguntou Chico. E o rapaz respondeu: “Não, quem mora em Paris é você!’. Chico, então, perguntou: ‘Você andou lendo a Veja?’. 

A ironia continua sendo uma válvula de escape. Mas para ter ironia é preciso inteligência, artigo definitivamente raro na praça.

Não foi a primeira nem a décima agressão verbal que ele e seus amigos ouvem, todas relacionadas ao PT, a Lula e a Dilma. O mais recomendável é, sempre, fazer ouvidos moucos. Mas também essa regra tem suas exceções. O episódio de segunda-feira foi inevitável: Chico estava no meio da rua, é pessoa pública, reconhecível a milhas marítimas de distância.

Mais grave é saber que não foi a primeira nem a decima ocasião, e também não terá sido a última. O país está polarizado como poucas vezes esteve nos últimos 50 ou 60 anos. O grau de agressividade, de furiosa intransigência dessa direita recém-saída de um imenso armário – certamente embutido – é o que mais chama a atenção. 

E preocupa. Muito. Dizer na cara de alguém ‘Você é um merda’ pode ter consequências sérias. Chico sabia e sabe que qualquer reação à altura não faria outra coisa que atiçar ainda mais a fúria dessa direita desembestada, fartamente alimentada pela grande imprensa. Até nisso a direita recém assumida em sua verdadeira essência é covarde. Até quando?

O país se acostumou às tristes cenas de violência entre torcidas organizadas no futebol. Elas pelo menos têm a decência de se uniformizar, ou seja, é fácil identificar o adversário à distância.

Essa direita troglodita, não. Ataca à traição. E sabe que figuras públicas como as que foram atacadas à sorrelfa não costumam reagir, para não alimentar a sede mesquinha dos escrevedores de intrigas.

Há poucos registros, que eu me lembre, de alguém que tenha saído do armário com tanta sede de ação. Cuidado com eles: tantas ganas reprimidas, quando subitamente liberadas, desconhecem limites.

Chico, que embalou tantos amores, que animou tantas tristezas, que combateu por nós tantas pelejas, não pode ser submetido à intolerância de quem não consegue conviver com quem pensa diferente. Mas Chico é um monumento. Só os pombos têm licença de Deus para afrontar os monumentos.

Realmente essa saida do armário preocupa. Eles estão imbecilizados e a procura de uma reação. As mentiras constantes nas mídias sociais tem muito a ver com isso.

Selvagens se achando a nata da inteligência e da consciência política, estão por toda parte (até mesmo nas universidades e igrejas antes progressistas), sempre a um passo da violência física.
O que sabem fazer? O que têm a propor? Nada! Bizonhos guardiões dos próprios interesses e de suas verdades inabaláveis, embrulhadas em reluzentes preconceitos.

Das trevas, surgem em cada quarteirão, lançando sua verborragia sem sentido ou fundamento, truculentamente abordando pessoas cujo valor e história desconhecem, assim como as causas dos problemas que julgam compreender a partir de toscos elementos colhidos no noticiário tendencioso.
Suplicy, há meses; Chico, agora. Bravo! Soltando a voz nas calçadas, já não pode parar.

O problema não é partidário, mas de civilização x barbárie, de bronquice x sensibilidade, de urbanidade x matutice.

Apesar de vocês, este país haverá de fazer da democracia mais do que um "mal-entendido" (Sérgio Buarque de Hollanda) e da redução das desigualdades uma marca civilizatória na América do Sul.
"Não passarão!", pois de bestas-feras não passam, e mata-burros serão instalados, sem alarde e à luz do dia.

O que mais revolta essa direita troglodita é que agora a senzala tem voz, rosto, cheiro e pode sentar ao lado deles no avião, na faculdade e andar de carro nas mesmas vias. Já vimos o resultado que o ódio latente pode causar com a Alemanha nazista, espero sinceramente que ninguém se cale ao ser acossado diante desses sociopatas.

A que ponto chegou a intolerância dos intolerantes...

Abordar um artista da magnitude de um Chico Buarque, em um momento de lazer em local público para tentar "questionar" suas convicções políticas, é o suprassumo do analfabetismo político, dessas "zelites" que torcem para o caos político e econômico e um dólar nas alturas. 

Quem é esse Tulio Dek mesmo? Esse Garnero Jr, basta dar um Google e ver o quanto o avô, Mário Garnero, levou no escândalo da BrasilInvest, na época áurea da Ditadura Militar.


Em homenagem aos filhinhos de papai desse Brasil que se acham os donos da verdade, andam perambulando pelas ruas do Leblon bebendo Möet dentro de seus carrões importados atropelando trabalhadores em bairros nobres. Como diz a letra do samba do Chico: Vai trabalhar vagabundo!

Estamos todos juntos nessa #somostodoschico


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Guilherme Leão: o segurança do metrô que é um covarde! (Por Thiago Muniz)

A segurança do metrô de São Paulo é conhecida por sua truculência. Nesta segunda-feira, 21/12, os homens de preto do metrô puderam exercitar novamente suas habilidades na arte de espancar, humilhar e aterrorizar.

Desta vez foi contra estudantes secundaristas, como o jovem Heudes Cássio Oliveira, de 18 anos, aluno do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros. 

Heudes foi covardemente atacado pelos seguranças do metrô quando não oferecia risco algum a ninguém –tudo o que ele portava nas mãos era o frasco azul do Leite de Magnésia Phillips, usado como antídoto aos efeitos do gás lacrimogêneo.

O jovem, que acabava de participar de um ato público contra a “reorganização escolar” do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), encontrava-se na estação Sé do Metrô quando foi encurralado junto a uma máquina de refrigerantes, e espancado. 

Então, correu para as catracas e lá encontrou o cassetete cruel de uma celebridade do metrô.
Sim, Companhia do Metrô! 

Ele já está devidamente identificado e pode ser punido pelo comportamento abusivo e pelo uso desproporcional da força.

Anota aí: Guilherme Leão é o nome do covarde. 

Trata-se do “segurança gato” do metrô, assim chamado pela revista “Veja São Paulo” em sua edição de 29 de março de 2014, quando foi aclamado o “segurança mais bonito do metrô”, depois de conquistar 76% de supostos 18.624 votos de leitores da revista.

No dia 18 de março do mesmo ano, a Companhia do Metrô de São Paulo, já sabendo do resultado da enquete, lançou uma campanha com os dizeres:

Seguranças do metrô não são só bonitos. Eles são treinados em técnicas de imobilização, primeiros socorros e atendimento ao público”.

Bem poderia ter complementado: “E espancam estudantes magrinhos como ninguém.”

Trabalhando na estação Sé, Guilherme Leão tem 1,87 metro de altura e 80 quilos de músculos, que usou para bater em Heudes.

À Veja, o brutamontes disse que gosta “de cuidar do cabelo, das roupas, de ser bem vestido, bem arrumado.”

“Às vezes, demoro meia hora para arrumar o cabelo. O que gosto é de sair de casa bem, com uma aparência legal.”

Sobre o momento mais tenso que já viveu como segurança do metrô, Guilherme Leão disse:

“Certa vez, uma moradora de rua entrou sem pagar, fui abordá-la, ela se exaltou, e acabei sofrendo um corte na mão, que quase atingiu o nervo. Tive de ficar afastado por 15 dias.”

E agora, segurança do Metrô? Vai demorar para punir o troglodita bonitão?

Violação total de HUMANIDADE!

São leões de chácara travestidos de polícia! 

Parecem estar todos sob efeito de alguma substância alucinógena! Incontroláveis! Cruéis! Sádicos!

É incrível. A Veja tem um critério científico rigoroso para incensar maus exemplos, de toda espécie e natureza.

Praticamente não erra. Para nós mortais, pode ser um critério: "A Veja elogiou, desconfie que é coisa ruim. Veja atacou, deve ser coisa boa."

Ah...se por ventura ele alegar que enfrenta PROBLEMAS PSICOLÓGICOS, só a minha constatação: MENTIRA !!!!!







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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Brasil sem o WhatsApp (Por Thiago Muniz)

** COMO FAZER O WHATSAPP FUNCIONAR **

1- Baixe o App "VPN by betternet"

2- Aperte "Install Profile", depois "permitir" e depois "connect"

3- Use o Whatsapp

POR QUÊ? COMO? MAGIA?

Não, esse app apenas muda seu IP e as operadoras não conseguem mais bloquear o Whatsapp no seu celular.

Façam todos!

Só uma ressalva, a quem interessa. Já foram informados que o o uso de VPN é perigoso e expõe os dispositivos (vírus, dados, fotos e etc) ? Isso pode acontecer ou é teoria da conspiração também?

Estamos todos revoltados com o bloqueio do WhatsApp. Todos estamos, inclusive eu.

Todavia, percebam uma questão importante e vejam como isso tem a ver com o nosso comportamento como cidadão e se reflete em muito do que condenamos o tempo todo.

Fui atrás de informações sobre esse bloqueio e descobri que um Juiz que investiga crimes relacionados a Tráfico de Drogas estava desde Julho pedindo ao Facebook que é dono do WhatsApp, informações sobre um indivíduo que havia sido preso e tinha envolvimento com uma grande Facção criminosa.

O MINISTÉRIO PÚBLICO determinou que os responsáveis pelo aplicativo, dentro das exigências feitas pela lei, passassem as informações ao Juiz o que foi ignorado. O WhatsApp foi notificado novamente em agosto e multado. Continuou ignorando e então foi determinado o Bloqueio.

Alguém em sã consciência, sem ser passional, acha realmente que iriam bloquear um meio de comunicação tão importante para tantas pessoas se não existisse algo muito GRAVE relacionado?

Já li milhares de teorias de conspiração… mas aparentemente existe algo que justifica a ação do JUDICIÁRIO.

Se eu concordo?

Não sei até que ponto isso pode abrir precedentes para outras ações de bloqueio. Muito me assusta qualquer tipo de cerceamento da comunicação.

Porém, é preciso entender o que aconteceu e saber se de fato existem motivos para que a Justiça possa agir assim.

Imediatamente milhares de brasileiros já conseguiram dar "um jeitinho" para fazer o WhatsApp voltar a funcionar. O velho e bom "Jeitinho Brasileiro".

Será que as leis só valem quando atendem aos nossos interesses e quando elas nos atingem de alguma forma nós entendemos que é possível e aceitável burlar?

Deixo essa reflexão num momento onde todos estamos trabalhando no país nossas questões éticas e morais.

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domingo, 6 de dezembro de 2015

O pior ainda está por vir para o Brasil (Por Thiago Muniz)

Não dá para defender impeachment iniciado por um presidente da Câmara nas condições do Eduardo Cunha, depois dele não ter conseguido fazer prevalecer sua chantagem junto aos deputados do PT, mesmo lembrando que a peça jurídica é de iniciativa dos juristas Bicudo e Reale Jr.

Isso mostra a degradação da política brasileira. Um governo sob suspeição por seus erros e manipulações eleitorais, sofrendo de total falta de credibilidade, salvo por um presidente da Câmara de Deputados com muito menos credibilidade do que o governo. 

Além disto, beira a degradação a polarização no FLAxFLU entre os que querem tirar a Presidente a qualquer custo e os que querem mantê-la a qualquer custo. O debate pelo impeachment está corroendo o Brasil há meses.

O País está parado por esta hipótese que trás insegurança geral. Ao debater o assunto ele ficará para trás. Com a iniciativa vinda de um presidente da Câmara de Deputados sem a mínima legitimidade, e ainda sem provas legais claras de envolvimento da Presidente Dilma na corrupção, a possibilidade maior é de que o impeachment não passará. 

O perigo será ela e o PT tomarem esse resultado como licença para não mudar, como um perdão do Congresso ao que a Lava Jato descobriu, uma aceitação da inflação, do desemprego, da recessão, das manipulações de marketing.

O impeachment do atual governo, sem uma base legal sólida e convocado pelo atual presidente da CD, deixará o Brasil com uma marca de instabilidade política ao longo de décadas. Nenhum presidente terá seu mandato seguro. 

Qualquer pessoa pode entrar com pedido de impeachment e não faltará um presidente da Câmara que por interesse próprio poderá acatar o pedido, se os deputados do partido do governo não cairem em sua chantagem.

O Congresso terá de encontrar base legal sólida, de acordo com a Constituição, para poder chegar ao extremo de um segundo impeachment entre os únicos quatro presidentes eleitos em 25 anos.
Mas a continuação do atual governo Dilma, por mais três anos,deixará uma marca de decadência econômica, de desorganização social e caos político. 

O debate do impeachment pode entretanto significar uma virada de página na realidade política atual. Se o Congresso responsavelmente, criteriosamente, tiver argumentos para fazer o impeachment, mesmo diante da ilegitimidade do Cunha, o Brasil pode ter um novo governo que retome a credibilidade perdida pelo governo Dilma. 

Mas, se, como tudo indica, o Congresso não fizer o impeachment e der a vitória à Presidente Dilma, ela poderá reiniciar seu governo: reconhecer seus erros, que quase levam a um impeachment, dizer que seu partido é o Brasil, não mais o PT, chamar todo o País e nossas lideranças, inclusive da oposição, para um governo que retome a confiança do povo brasileiro: ela "ser a Itamar dela própria".

Mas, conhecendo seu comportamento, do PT e de alguns de seus aliados o grande perigo é ela ganhar e acreditar arrogantemente que recebeu um cheque em branco para continuar errando na economia e fazendo política com marketing, aparelhando a máquina pública como se fosse do seu partido, pedir a libertação do presos pela Lava Jato, dar um sinal de que corrupção foi aceita.

Tudo isso seria evitado, se percebendo o quadro em que seu governo colocou o Brasil, ela tivesse auxiliares próximos que recomendassem um novo governo com ela depois do voto no Congresso.

Mas para isso seria preciso eles terem a percepção da dimensão da crise, entenderem a dificuldade de recuperar a credibilidade e terem senso de responsabilidade estadista com o País. Posições que até aqui não tiveram. Se tivessem tido, não estaríamos na situação em que estamos.

Por isso, dá para imaginar que o pior ainda está por vir, seja por causa de um impeachment desastrado que vai corroer a confiança na política, seja pela continuação de um governo desastroso que está levando o país a uma decadência histórica.

Não sei se o Brasil tem jeito e nem sabemos em quanto tempo haverá pelo menos uma perspectiva de melhoras.


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sábado, 5 de dezembro de 2015

Você é contra ou a favor do Impeachment? (Por Thiago Muniz)

Sou contra.

Sou contra porque acho que, tendo sido o pedido encaminhado como foi, em ato de represália a uma chantagem que não deu certo, o todo fica comprometido. Eu sei que o pedido não foi feito pelo Cunha, mas foi ele quem deu início ao processo, e nada que ele faça hoje tem mais qualquer legitimidade. Esse homem devia estar na cadeia há tempos. Ou num manicômio.

Sou contra também porque acho que este processo de impeachment foi um presente dado de bandeja ao PT para justificar a sua falência administrativa. Se o impeachment acontecer, o que acho improvável, o governo terá sido a calamidade que está sendo porque a Dilma terá sido cassada; se não acontecer, teremos ido para o fundo do poço por causa da turbulência política provocada pela elite branca de olhos azuis que não se conforma em ver um operário no poder os porteiros viajando de avião os pobres na universidade blá blá blá.

Em suma, o idiota do Cunha deu munição e sobrevida ao PT, que vai chegar revitalizado a 2018: parabéns.

Sou contra, ainda, porque a Dilma foi eleita num processo supostamente democrático, e há dúvidas entre os juristas se as razões expostas no pedido são procedentes. Um pedido de impeachment deveria estar baseado em provas inequívocas.

Digo "supostamente democrático" porque, a meu ver, o uso despudorado da máquina governamental favoreceu enormemente a sua reeleição. Das verbas dobradas das empreiteiras aos deputados comprados nas coligações canalhas, tudo contribuiu para que ela voltasse ao poder. Mas este é o sistema que temos, e ele é a primeira coisa que precisamos corrigir para moralizar a política.

Por outro lado, sou totalmente contra a Dilma.

Não só pela sua óbvia incompetência, mas porque, a essa altura, ela não tem mais condições de ocupar o cargo. Tudo ao seu redor é caos. Nada funciona. Enquanto isso, o seu partido é protagonista do maior escândalo de corrupção jamais descoberto no país.

Se os demais partidos também roubavam (e continuam roubando) são outros quinhentos; quem está no poder agora, neste momento, é o PT, que daqui a pouco vai ter mais representantes nas penitenciárias do que no Congresso. Dilma pode não ter participado diretamente da bandalheira, mas foi criminosamente omissa, o que compromete a sua imagem e a legitimidade do seu governo.

Então, ‪#‎comofaz‬?

Não sei. Se soubesse eu estava em Brasília, tentando fazer.

Mas o Brasil -- que elegeu a Dilma, contra todas as evidências e mentiras da campanha eleitoral -- merece a Dilma. A culpa da miséria que estamos vivendo, e que ainda vamos amargar por muito tempo, ela divide com cada um dos seus eleitores.

Quando o Lula tinha 80% de aprovação, eu falava que o tal Brasil primeiro mundo registrado em cartório não passava de um voo de galinha de surfar na bonança de venda de commodities para a China. A partir de 2012 quando a China desacelerou, o castelo de areia desabou.

Por isso sou contra o impeachment !!! Se o PT sair, ele logo,logo vai ficar na posição onde ele é mestre, ou seja, na oposição culpando qualquer um que assumir.

Deixa a Dilma ai para tentar limpar toda o desastre que eles produziram. Ninguém nem precisa se preocupar que 2006 não se repete, pois perdoaram o Lula do Mensalão e o reelegeram ali pq a economia estava bombando na conjuntura internacional da época.

Agora sem a muleta da China para salvar e com a policia batendo na porta a toda hora com a Lava Jato, quando isso terminar esses caras nao se elegem nem para sindico de prédio.

A verdade é que o resultado de um impeachment - ou não, pode trazer consequências que não se pode antecipar. Afinal isto é Brasil e as idiossincrasias são parte de nossa vida.


De qualquer forma, alguma reforma drástica tem que ocorrer seja ela causada por Dilma, Cunha ou por nós mesmo.


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Impeachment, mas quem de fato e merecimento? (Por Thiago Muniz)

Impeachment é uma palavra de origem inglesa que significa "impedimento" ou "impugnação", utilizada como um modelo de processo instaurado contra altas autoridades governamentais acusadas de infringir os seus deveres funcionais. Dizer que ocorreu impeachment ao Presidente da República, significa que este não poderá continuar exercendo funções.

Abuso de poder, crimes normais e crimes de responsabilidade, assim como qualquer outro atentado ou violação à Constituição são exemplos do que pode dar base a um impeachment.

O impeachment ocorre no Poder Executivo, podendo acontecer no Brasil, por exemplo, ao Presidente da República, Governadores e Prefeitos. Quando acontece o impeachment, significa que o mandato fica impugnado ou cassado.

O procedimento do impeachment está descrito na lei 1079/50.

O impeachment é um processo longo e para que ocorra, devem ser cumpridos vários passos, entre eles a denúncia, a acusação e o julgamento.

O artigo 86 da Constituição refere as medidas tomadas caso o Presidente da República seja de fato impugnado, a primeira das quais a suspensão de suas funções.

O Poder Legislativo gere todo este processo.


Impeachment não é apenas tirar um presidente e colocar outro, como se fosse um time de futebol que muda de técnico e tudo se resolve. Tem milhares de variáveis a serem observadas. Se tirar o presidente e colocar outro no lugar resolvesse o problema, seria simples. Pobre de quem pensa que política se resolve assim, sem a complexidade que exige a visão completa.

Quem está colocando esse pedido em pauta é um Deputado com Contas na Suíça, cheio de casos de corrupção nas costas, tentando se vingar de um apoio que não teve para se livrar do seu processo.

A própria oposição reconhece isso.

O Governo errou sim, cometeu vários equívocos, todavia isso por si só, não justifica derrubar um presidente.

Quem assumirá? 

O PMDB? Que tem Cunha, Renan Calheiros ( DENUNCIADO NA LAVA JATO ) entre outros de um quadro tão triste quanto o de qualquer um desses partidos que estão querendo o Poder?
Eles serão os salvadores da Pátria que luta contra a Corrupção?

Sinceramente, em todos meus anos de vida, nunca tinha visto tanta gente GRANDE ser presa, e agora que estão prendendo todo mundo estão querendo também tirar uma Presidente que foi quem permitiu essa independência nas investigações? Sim, foi uma lei sancionada pela Dilma que deu essa autonomia que não existia em Governos anteriores. 

Me parece muito mais medo de serem investigados e presos. Porque efetivamente NÃO HÁ UM SALVADOR DA PÁTRIA que fará algum milagre para que o Brasil volte a crescer com um Congresso Nacional atuando em benefício próprio.

Se política fosse fácil, toda comunidade, todo condomínio, todo prédio, toda reunião onde existem interesses diversos, no micro, seria moleza de entender, e todos que já participaram de uma assembléia, que seja, sabem muito bem que o buraco é muito mais embaixo.

O País precisa crescer novamente, por isso acho que tem que se votar logo esse impasse e resolver para onde vamos, e uma vez que a decisão seja tomada, pró impeachment, lembre-se de uma outra variável importante, AS RUAS SERÃO OCUPADAS. Os movimentos sociais não vão deixar barato. 

E certamente os movimentos pró-impeachment também vão ocupar. Mas se é do caos que sai a solução, então sem medo do Caos. Vamos seguir e ver quem é quem.

Eduardo Cunha, o achacador da República, sabendo que seus sinais vitais estão perto do fim resolveu aceitar o pedido de Impeachment para ser votado na Câmara. Vai morrer atirando!!!

Agora é que eu quero ver quem é quem nesse jogo.

A abertura de impeachment contra Dilma só reforça que Cunha está derrotado no Conselho de Ética.

Trata-se de um ato de aventura e irresponsabilidade política, um ato de chantagem consumada e de vingança. Neste contexto, independente das razões que possam ou não fundamentar tal pedido, o processo nasce contaminado pela marca do golpe político.

A meu ver que isso seja logo resolvido. Não dá para o Brasil ficar na mão desse homem e um Governo trabalhando para não enfrentar essa questão com medo de cair.

Que se resolva essa etapa para que possamos andar para frente. Dilma não tem nenhum crime de corrupção contra ela, o que a Câmara terá de votar são outras questões, então ao bom entendimento da Democracia, veremos quem é quem e quais os objetivos.

Se cair, teremos um resultado que não se resumira apenas ao Congresso, se ficar, que ande com esse País para frente e voltemos a crescer. Eleições agora só em 2018, teoricamente, mas do jeito que estamos vivendo a política, parece que 2018 é amanhã e não é bem assim, o caminho será longo.

A chantagem se transformou em instrumento institucional de trabalho. Cunha sempre foi conhecido por utilizar os piores métodos nos bastidores da sua atividade politica! Agora o faz no microfone e sendo acompanhado por todos os brasileiros em uma atuação que deixaria Frank Underwood, de House of Cards, ( politico de série americana que não tinha qualquer limite ético para alcançar os seus objetivos ) com receio por tamanha ousadia.

Jogou com o PSDB e a oposição de direita dizendo que trataria do impeachment no momento certo. Esses o protegeram o quanto puderam. Impacientes com uma falta de decisão disseram abandonar o presidente da Câmara mas não esconderam esperar uma mudança na sua indefinição sobre o afastamento presidencial!

Jogou com o governo e o PT! A imprensa relatou conversa dele com o vice Michel Temer em que Cunha disse que esperava a definição dos votos do partido no conselho de ética para se pronunciar sobre o impeachment. Quando os parlamentares anunciam a decisão de votar a favor do prosseguimento que pode levar a sua cassação ele dá inicio ao processo de afastamento de Dilma!

Tenho sido crítico da política econômica do Governo Dilma, mas é forçoso reconhecer que a tentativa de enquadrar as chamadas "pedaladas fiscais" como crime de responsabilidade a justificar o impeachment da Presidente da República não passa de uma tentativa de golpe de estado.

Senão vejamos. As chamadas "pedaladas fiscais" nada mais são do que o sistemático atraso nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal paguem benefícios sociais como o bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, seguro desemprego, crédito agrícola etc.

Como as instituições financeiras pagam em dia os benefícios, o atraso no repasse dos recursos públicos gera contratualmente o pagamento de juros pelo governo aos bancos públicos.
De fato, a conduta, que visa a dar uma certa aura de equilíbrio às contas públicas em momentos de aperto de caixa, não é boa prática de Finanças Públicas. Mas está bem longe de constituir crime de responsabilidade.

Os defensores da tese da criminalização das pedaladas alegam que a medida se traduz, na verdade, em operação de crédito entre a União e os bancos federais, o que seria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não prospera, porém, o argumento, porque quando o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a operação de crédito entre o ente federativo e a instituição financeira por ele controlada, tendo esta no polo ativo na relação creditícia, visa a evitar a sangria das instituições financeiras públicas pelos governos, como ocorreu com os bancos estaduais pelos governadores, nos anos 80 e 90. 

Evidentemente, tal dispositivo não veda que os bancos públicos prestem serviços ao Governo Federal e nem os impedem de cobrar juros quando o Tesouro não lhes repassa tempestivamente os recursos para realizar o objeto do contrato de prestação de serviços. Portanto, a prática, embora não constitua, repita-se, boa técnica financeira, não é vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mesmo que assim não fosse, a prática não poderia ser enquadrada em qualquer das hipóteses de crime de responsabilidade do presidente da república por violação da lei orçamentária, cujas condutas sancionadas são expressamente previstas no artigo 10 da Lei n. 1.079/50, uma vez que a manobra, que vem sendo praticada desde o Governo FHC, não viola propriamente a lei de orçamento, que constitui o bem jurídico tutelado em todos os tipos do referido dispositivo legal.

Por outro lado, ainda que assim não fosse, não é qualquer violação à lei orçamentária que justifica o impeachment de um presidente eleito, sob pena de subordinarmos a democracia aos arranjos financeiros necessários a composição do superávit primário, em detrimento das prioridades sociais definidas pela sociedade.

Portanto, a tentativa de enquadrar as "pedaladas fiscais" nas hipóteses de crime de responsabilidade não encontra suporte jurídico.

Porém, como o julgamento tem um indiscutível tom político, já que a Câmara e o Senado, a quem compete julgá-las, são instituições eminentemente políticas, não surpreende a tentativa golpista.

Mas se o julgamento é político, convém perguntar se as atuais composições da Câmara e do Senado, em que mais de um terço dos parlamentares responde a inquéritos ou ações criminais, se encontram em condições morais de afastar uma Presidente da República eleita por 55 milhões de brasileiros, por não ter repassado tempestivamente os recursos para o pagamento dos benefícios sociais que o seu governo criou ou ampliou?

Seria a primeira vez na história da humanidade que um presidente eleito pelo povo seria cassado por seu governo ter obtido empréstimos a bancos públicos, e isso levado a efeito por um parlamento presidido e composto por vários políticos sabida e gravemente envolvidos com corrupção, o que, pelo se sabe, não é o caso da Presidente.

Os golpes no Século XXI não utilizam mais tanque e baionetas, mas manipulação de argumentos jurídicos e julgadores desapegados da vontade popular. Espero que não seja o caso do nosso país.
Agora vamos ver quem tem compromisso com o Estado de Direito!

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O matrimônio antigo entre Estado e empreiteiras (Por Thiago Muniz)

Casamento de empreiteiras com poder começou com JK e teve lua de mel na ditadura.

O casamento harmonioso das empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato com as obras públicas é mais antigo do que muitos pensam: começou no governo Juscelino Kubitschek (1955-1960) e teve sua "lua-de-mel" na ditadura militar (1964-1985). Essa é a análise de especialistas ouvidos pelo UOL e que fizeram uma retrospectiva sobre a história das empreiteiras no Brasil.

Autor da tese de doutorado "A ditadura dos empreiteiros", o historiador Pedro Campos avalia que, no regime militar, as empreiteiras começaram a se nacionalizar e se organizaram, ganhando força no cenário político e econômico. Para isso, elas criaram associações e sindicatos.

"Até a década de 50, eram construtoras que tinham seus limites no território do Estado ou região. O que acontece de JK pra cá é que eles se infiltraram em Brasília", explica Campos, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

A construção de Brasília, fundada em 1961, foi um marco para a história das construtoras: foi a partir de então que elas se uniram. "Ali, reuniram-se empreiteiras de vários Estados e começaram a manter contato, se organizar politicamente. Depois, passaram pelo planejamento da tomada de poder dos militares e pautaram as políticas públicas do país."

Com a chegada ao poder dos militares, as empreiteiras passaram a ganhar contratos do governo muito mais volumosos que os atuais. "Se eles era grandes, cresceram exponencialmente no regime militar. Se elas hoje são muito poderosas, ricas e têm um porte econômico como construtoras, posso dizer que elas eram maiores. O volume de investimentos em obras públicas era muito maior. Digamos que foi uma lua-de-mel bastante farta e prazerosa", comentou.

Entre as centenas de obras feitas no período miliar, há casos emblemáticos como a ponte Rio-Niterói, que foi feita por um consórcio que envolveu Camargo Corrêa e Mendes Junior entre 1968 e 1974. Já a Hidrelétrica Binacional de Itaipu, que teve o tratado assinado em 1973 e foi inaugurada em 1982, foi feira pelas construtoras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Mendes Júnior. As mesmas Mendes Júnior e a Camargo Corrêa Transamazônica, que começou em 1970 foi inaugurada, incompleta, em 1972.

Apesar de denúncias de pagamento de propina terem sido escancaradas com a operação Lava Jato da Polícia Federal, o historiador acredita que a corrupção envolvendo empresários da construção e políticos é antiga.

"Todos os indícios são de que a corrupção não aumentou. O que a gente tem hoje é uma série de mecanismos de fiscalização que expõe mais, bem maior do que havia antes. Na ditadura não tinha muitos mecanismos fiscalizadores, e que o havia era limitado", afirmou.

A corrupção no Brasil vem desde os tempos do Império, começou na República com o Marechal Deodoro da Fonseca e as obras do porto de Torres no Rio Grande do Sul, entrou na República Velha, passou por Getúlio, aconteceu durante a Ditadura (alguém lembra das "polonetas"?), e continuou com Sarney, Itamar, FHC, Lula e agora a Dilma. Se hoje a Petrobras está envolvida em escândalos de corrupção, aconteceu o mesmo durante a era FHC (plataforma P-36). 

Tem o caso do metrô paulista, que não é investigado pelo Ministério Público nem pelo Judiciário controlado pelo PSDB, e do mensalão mineiro, que foi o exemplo para o mensalão petista (o Marco Valério está envolvido nos 2 casos). Só os ingênuos acham que o PT inventou a corrupção.

A polarização “Bem” & Mal” e a incrível energia de ódio e histeria que isso suscita é uma das formas mais comuns de manipulação dos corações e mentes humanas. O PT não inovou com os ditos mensalões e nem mesmo o PSDB foi o pioneiro quando mudaram as regras em 1997 para haver reeleições presidenciais. 

Roberto Jefferson, talvez porque ficou sem o “seu”, confessou na CPI dos Correios ao ser perguntado pela então deputada e ex-juíza Denise Frossard: “isso existe desde que sou deputado” – ou seja...antes da fundação do “salvador” PT e do ”criativo”, PSDB...mensalão...petrolão...nomes novos para práticas antigas...(SEM QUERER ABSOLVER NINGUÉM COM ISSO...).

Aliás, muito bem lembrado pela matéria que não foi diferente durante a ditadura militar ou mesmo antes, com outros mecanismos e siglas, quando,, além dos fatos apontados, as estatais e demais órgãos públicos essenciais sempre foram povoadas pelos "sobrinhos" (não concursados) dos generais.



A ponte Rio-Niterói em construção em 1972


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

sábado, 28 de novembro de 2015

Newton Ishii: O Japonês "bonzinho" da Operação Lava Jato (Por Thiago Muniz)

Newton Ishii chegou a ser expulso da coorporação.

Sabe o agente da Polícia Federal que aparece em quase todas as fotos ao lado dos presos da Lava Jato que chegam à superintendência da PF em Curitiba?

Pois é, o nome dele é Newton Ishii.

Ingressou na corporação em 1976. Em 2003, sofreu um grande baque.

Foi preso pela própria PF durante a Operação Sucuri, suspeito de integrar uma quadrilha que realizava contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Acusado de corrupção, chegou a ser expulso da PF. Ishii responde a processos criminal e civil, além de uma sindicância. Reintegrado, a Polícia Federal diz que Ishii goza de confiança da direção e é um excelente profissional.

O áudio que levou para a prisão o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves pode ajudar a elucidar parte dos vazamentos acerca da Operação Lava Jato. Em um trecho da conversa, Edson Ribeiro, advogado de Nestor Cerveró, e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras, afirmam que um agente da Polícia Federal vende informações sigilosas.

O diálogo ocorre após Delcídio relatar aos interlocutores ter visto, com André Esteves, uma cópia da minuta da delação premiada negociada por Cerveró com os procuradores. O senador petista discute o teor do material, lamenta o vazamento e diz não saber quem vazou. Ele, então, ouve de Edson Ribeiro: "É o japonês. Se for alguém é o japonês". Diogo Ribeiro, chefe de gabinete de Delcídio, que também estava na conversa, complementa. "É o japonês bonzinho".

Delcídio pergunta quem seria o "japonês bonzinho" e o advogado de Cerveró diz: "É. Ele vende as informações para as revistas". Na sequência, o senador petista diz que a figura em questão é "o cara da carceragem, ele que controla a carceragem", informação confirmada pelo filho de Cerveró.

Mais tarde, o grupo volta a falar dos vazamentos. Edson Ribeiro levanta suspeitas sobre Sergio Riera, advogado de Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema da Lava Jato, Alberto Yousseff, doleiro que assinou acordo de delação premiada e sobre o "japonês", nas palavras de Bernardo Cerveró. A degravação feita pela PF traz o nome "Milton", mas no áudio é possível ouvir que Edson Ribeiro fala em "Nilton".

Em julho, o blog Expresso, da revista Época, destacou a presença do agente da Polícia Federal Newton Ishii em diversas das prisões de detidos da Lava Jato na superintendência da PF em Curitiba. Ishii é chefe do Núcleo de Operações da PF em Curitiba e tem um passado conturbado.

Funcionário da corporação desde 1976, Ishii foi expulso da PF em 2003, acusado de corrupção e de integrar uma quadrilha de contrabandistas. Desde então, o agente já foi reintegrado, com "confiança da direção da PF", segundo a publicação, mas ainda seguiria respondendo processos criminais, civis e uma sindicância.

No pedido de prisão de André Esteves e Delcídio do Amaral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifesta preocupação com o fato de o banqueiro ter tido acesso à delação de Cerveró. "Essa informação revela a existência de perigoso canal de vazamento, cuja amplitude não se conhece", diz o PGR. "Constitui genuíno mistério que um documento que estava guardado em ambiente prisional em Curitiba/PR, com incidência de sigilo, tenha chegado às mãos de um banqueiro privado em São Paulo/SP".

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a Polícia Federal vai investigar o vazamento da delação de Cerveró. Segundo a publicação, o ex-diretor da Petrobras informou à cúpula da PF que só ele, seus advogados, familiares e procuradores tiveram acesso. Ainda conforme o jornal, Ishii disse a colegas que seu nome estava sendo usado como "cortina de fumaça" para manchar a Operação Lava Jato.

Poucos viram, é claro. O herói Ishii virou máscara e marchinha de Carnaval.

Ele lembra o marinheiro do livro “Relato de um náugrafo''. Em meados da década de 1950, o protagonista sobrevivera a um naufrágio e fora consagrado herói na Colômbia.

Ao entrevistá-lo, o repórter Gabriel García Márquez descobriu que a embarcação afundara porque o marinheiro e seus companheiros a haviam sobrecarregado com mercadorias contrabandeadas. Um falso herói. Um herói que retratou uma época.

Como o “Japonês da Federal'' retrata fracassos do Brasil deprê de hoje.
















"Ai meu Deus, me dei mal
Bateu a minha porta
O japonês da Federal

Dormia o sono dos justos
Raia o dia, eram quase 6h
Escutei um barulhão,
Avistei o camburão

A minha porta o japonês, então, falou
Vem pra cá, você ganhou uma viagem ao Paraná"

A marcha foi escrita pelo advogado e compositor Thiago Vasconcelos de Souza.



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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 26 de novembro de 2015

André Esteves: da ascensão ao presídio (Por Thiago Muniz)

Banqueiro do BTG Pactual foi preso na operação Lava-Jato.

É marcada por ambição e agressividade notáveis a trajetória que levou André Esteves de uma vida de classe média na Tijuca, Zona Norte do Rio, ao posto de um dos homem mais ricos do Brasil. O sócio do BTG Pactual, maior banco de investimento da América Latina, e dono de uma fortuna de US$ 2,7 bilhões segundo a Bloomberg foi preso nesta quarta-feira no âmbito da operação Lava-Jato.

Esteves nasceu no Rio em 1968. Foi durante a faculdade de matemática na UFRJ que entrou no meio financeiro. O estudante começou de baixo, trabalhando como técnico de informática do banco Pactual, de Luiz Cezar Fernandes — que, anos depois, teria o pupilo como desafeto. O estudante chamou a atenção dos chefes e foi promovido a trader de renda fixa do banco em 1990, mesmo ano em que se formou. Pouco depois, ascenderia à chefia do novo braço de gestão de recursos da instituição. Para os sócios mais antigos do Pactual, Esteves e outros dois jovens talentos — Marcelo Serfaty e Gilberto Sayão — eram conhecidos como “os meninos do Cezar”

Com os negócios que tocava dando certo, Esteves usou seus bônus de desempenho para aumentar gradativamente sua participação do banco. Enquanto isso, seu mentor Luiz Cezar Fernandes se afundava em apuros por causa de dívidas acumuladas em tentativas frustradas de diversificar seus negócios na área industrial. Na fragilidade de Fernandes, Esteves viu uma oportunidade de tomar o controle do Pactual. Em 1998, juntamente com outros sócios, adquiriu a participação de Fernandes em troca de empréstimos e de sua saída do banco.

“O Esteves havia sido dinâmico e atuante, mas sempre tive consciência de que ele venderia a mãe para ter o poder”, disse Fernandes à revista “Piauí” em 2006, no perfil “De elefante a formiga”, sobre sua derrocada no mercado financeiro.

Com Fernandes neutraliza, Esteves e seus sócios transformaram o Pactual em uma potência do segmento bancário de investimentos. Tanto que chamou a atenção do gigante suíço UBS, que acabou comprando o banco carioca por US$ 2,6 bilhões, um dos maiores negócios já feitos no país à época. A turma de Esteves seguiu à frente do agora chamado UBS Pactual.

Dois anos depois, enquanto levava banqueiros à bancarrota pelo mundo, a crise financeira se insinuou como mais uma oportunidade para Esteves. Vendo o UBS enfrentando perdas com o colapso das hipotecas americanas, o executivo teria se aliando a outro bilionário carioca, Jorge Paulo Lemann, em uma tentativa de comprar uma fatia da instituição suíça.

Sem sucesso.

Em julho daquele ano, Esteves e um grupo de sócios deixaram o UBS Pactual e estabeleceram uma nova firma de investimentos, a BTG. A sigla é de Banking and Trading Group, mas o que se comenta no mercado é que a intenção mesmo é significar “better than Goldman” (melhor que o Goldman Sachs) — detalhe que daria dimensão às ambições superlativas de Esteves para a nova empreitada.

Mas ele não havia desistido do UBS. Em 2009, fez nova investida, dessa vez oferecendo US$ 2,5 bilhões para ter seu banco de volta. Os suíços aceitaram. O retorno de Esteves como dono do banco — agora BTG Pactual — em que começara como técnico de informática foi considerado triunfal.

A intenção de Esteves era ser não só um grande banco de investimento no Brasil, mas também global. Para concretizar esse desejo, começou a expansão pela América Latina, com presença no Chile, Peru, Colômbia e México, mas o BTG também tem escritórios nos Estados Unidos, Inglaterra, China e, neste ano, concluiu a compra do BSI, empresa especializada em gestão de fortunas na Suíça.

Nos anos seguintes, o BTG Pactual se firmaria mesmo como o maior banco de investimento independente da América Latina. Em 2012, levantaria US$ 2 bilhões ao abrir seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Hoje, pelo ranking do Banco Central, o BTG é o oitavo maior banco do país, com ativos totais de R$ 154,6 bilhões (posição de dezembro de 2014).

Outra característica do BTG nas mãos de Esteves é a atuação como “merchant bank”, que é quando uma instituição financeira faz um investimento em uma empresa como sócia – em geral, os bancos apenas financiam as operações. Foi dessa forma que o BTG passou a ser acionista da Sete Brasil (sondas), da Brazil Pharma (que tem, entre outras, as redes Farmais e Drogaria Rosário), da Rede D’Or (hospitais), Estapar (estacionamentos), Estre Ambiental, DVBR (rede de postos de combustíveis que conseguiu usar a bandeira da BR Distribuidora).

Grande parte desses negócios foi fechada na sede do banco, em São Paulo. O banqueiro não possui uma sala e trabalha ao lado de outros funcionários, em um grande salão que ocupa quase um dos andares inteiros que o banco ocupa no Pátio Victor Malzoni, edifício grandioso na Faria Lima, atual centro financeiro paulista.

A postura agressiva do BTG já rendeu muitos apelidos ao banco. Um deles é o de "piratas do mercado", uma vez que quando entram em um negócio, é para ficar com o lucro. Esse apetite pelo resultado fez com que a instituição entrasse nos mais diferentes mercados. Além de atuar em todos os segmento do setor financeiro, também tem presença no varejo, áreas hospitalar, infraestrutura, negócios imobiliários e academias de ginástica.

Mas nem toda tacada do banco de Esteves foi certeira. Um dos negócios que tem dado prejuízo é a participação da Sete Brasil, fabricante de sondas para exploração de petróleo. Para lidar com as possíveis perdas nesse negócio e em outros da área de óleo em gás, o banco tinha provisionado R$ 900 milhões em seu balanço, ou seja, já fez uma reserva para arcar com o prejuízo (Santander, Bradesco e a Funcef também são sócias da Sete, mas com uma participação menor). Ainda assim o lucro do banco continua crescendo. De janeiro a setembro, o resultado ficou positivo em R$ 3,4 bilhões, um crescimento de 32,15% na comparação com igual período de 2014.

Não foi a primeira vez, porém, que Esteves se envolveu em maus negócios. Em 2013, fechou parceria com Eike Batista para cooperarem na formulação de estratégia de investimentos. A dificuldade de encontrar saídas para o império “X” fez azedar a relação e teve impacto negativo nas ações do BTG na Bolsa. Quando a Eneva (ex-MPX de Eike) pediu recuperação judicial, no fim de 2014, o BTG tinha R$ 860 milhões de créditos a receber.

Embora boa parte das aquisições feitas pelo BTG tenha sido considerada ousada ou bom negócio, algumas chamaram a atenção por outros motivos. A principal delas foi a compra da participação em uma empresa da Petrobras na África. A fatia de 50% da PO&G, que explora campos de petróleo no continente africano, estava avaliada entre US$ 3 e US$ 3,5 bilhões em 2013. O ativo era considerado bom e havia interessados. A venda da participação, no entanto, foi feita por US$ 1,5 bilhão para o BTG.

André Esteves, preso nesta quarta-feira, disse em depoimento à Polícia Federal que esteve pessoalmente com o senador Delcídio Amaral (PT-MS) "no máximo" cinco vezes nos últimos doze meses. Ele diz que os encontros ocorreram em visitas do senador ao banco ou em outros eventos. Segundo ele, a última vez que estiveram juntos foi há cerca de um mês, na sede do BTG em São Paulo, para tratar de "temas da atual conjuntura econômica brasileira".

Esteves afirmou ainda que não conhece pessoalmente Nestor Cerveró e nunca teve qualquer forma de contato com o mesmo. Ele diz ter tomado conhecimento pela imprensa de que Cerveró poderia fazer a delação premiada, mas disse que não sabia que ele poderia citar o BTG ou ele próprio. O banqueiro negou ter pago ou oferecido qualquer vantagem a Cerveró para evitar a delação premiada. Esteves negou ainda conhecer o advogado Edson Ribeiro, também preso na operação de hoje.

André Esteves negou conhecer pessoalmente o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), disse que nunca falou por telefone com ele e que "jamais" contribuiu para suas campanhas políticas. Questionado sobre o relacionamento do BTG com a BR Distribuidora, disse que o único negócio do qual se recorda foi realizado por uma empresa da qual alguns acionistas do BTG eram sócios, chamada DVBR. Segundo André Esteves, essa empresa realizou o negócio de embandeiramento de postos de combustível com a BR distribuidora.

O banqueiro disse que a questão relacionada ao embandeiramento já foi objeto de depoimento prestado por ele à Polícia Federal em Brasília, dentro do inquérito que investiga fatos relacionados ao senador Collor e reiterou desconhecer o pagamento de qualquer vantagem indevida em relação a esse negócio. André Esteves disse que nunca esteve na BR Distribuidora e nem com qualquer dos diretores investigados na Lava Jato. Ele acrescentou que havia uma diretoria e um conselho de administração da empresa DVBR, responsáveis pelo negócio do embandeiramento.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.










terça-feira, 24 de novembro de 2015

Medidas Práticas de Retratação Pública da VALE (Por Thiago Muniz)

Além da indignação diante da IMPUNIDADE e da APATIA dos órgãos públicos no que tange a prevenção das catástrofes ambientais o que se esperaria de uma Nação séria, administrada por pessoas que entendem de fato do assunto, como no caso de Mariana:

1- Prisão preventiva do presidente da empresa SAMARCO e dos funcionários ligados diretamente ao setor ambiental e de segurança das barragens;

2- Prisão preventiva dos fiscais envolvidos na fiscalização das barragens;

3- Entrega dos cargos da superintendência do IBAMA de Minas Gerais, do secretário(a) de meio ambiente do estado de Minas Gerais e do município de Mariana;

4- Pedido formal de desculpas (não adianta muita coisa, mas o protocolo assim exige) da parte da ministra do ambiente, pois a co-responsabilidade da catástrofe, na minha humilde opinião, é do poder público;

5- Pronunciamento em rede de rádio e TV da presidente da Nação, apresentando desculpas à Nação (não adianta muita coisa, mas o protocolo assim exige), apresentando propostas de alteração na legislação ambiental a respeito das multas (são uma piada nesses casos), visando aumentá-las consideravelmente, instrumentalização dos órgãos de fiscalização para com atividades econômicas com potencial de geração de catástrofes ambientais por meio de fundo à ser criado e bancado pelas atividades e gerido pelo MMA e encaminhar essas e outras propostas em caráter de urgência ao Congresso Nacional.

Será que seria pedir muito?

Essa impunidade descabida tem de acabar.

Entendo que também a ministra do meio ambiente deveria ser presa.Afinal ela só recebe salários e mordomias?

Este fato, fruto da irresponsabilidade desta república imunda e imoral que não reúne as mínimas condições de representar o povo brasileiro.

A desonestidade de autoridades que nos governam é a principal causa desta barbárie.

Vocês já imaginaram quanto eles pagaram aos governos anteriores por conta da privatização?

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

E se fosse a lama da Petrobras na Praia de Ipanema? (Por Thiago Muniz)

"O propósito da mídia não é de informar o que acontece. É moldar a opinião pública de acordo com a vontade do poder corporativo dominante." (Noam Chomsky)

A maior catástrofe ambiental do século 21 no Brasil ganha novo ícone com a chegada da lama da Samarco (Vale, BHP) no Oceano Atlântico.

Mas quem se importa com a avalanche gosmenta de resíduos na Praia de Regência, no Espírito Santo? 

Em um litoral que o biólogo André Ruschi define como “a Amazônia marinha do planeta“? 

Pouco após a barragem da mineradora se romper, no dia 5, houve quem perguntasse, diante da desatenção inicial da grande imprensa: “E se fosse com a Petrobras?” 

Cabe agora atualizar a pergunta: “E se essa lama estivesse chegando na Praia de Copacabana? 

Ou Ipanema, Leblon, Barra? Ganharia a capa de Veja?”.

Por trás da lama da Samarco afirma-se o gosto amargo de um jornalismo subserviente, a serviço do mercado. Dezenas de pessoas estão desaparecidas em Mariana (MG). Entre elas, crianças.

As revistas seguem alienadas. Tivemos três fins de semana após o crime socioambiental, ocorrido no dia 5 de novembro. Nem por isso o tema mereceu alguma manchete de Veja, Época ou IstoÉ. 

Claro que o tema está lá, mas de forma protocolar. Os jornais até acordaram um pouco, diante da viralização do tema na internet. 

E estão cumprindo (ainda que em fragmentos, com peças isoladas de um quebra-cabeças) parte de sua função. 

As nossas revistas panfletárias, porém, não estão interessadas em contar à nossa classe média distraída – mas contar com todas as letras – que estamos diante de um dos episódios mais emblemáticos deste nosso capitalismo sôfrego, particularmente inconsequente. E violento.

Sim, as mineradoras fazem estragos por todo o mundo. Inclusive a Vale e a BHP, as maiores ao lado da Rio Tinto. O que não nos impede de constatar que as nossas publicações tipicamente vestais (essas que fazem capas sobre corrupções específicas de grupos políticos específicos) estejam tratando o caso de Mariana de forma secundária, como se fosse um detalhe – um desastre renovável. 

A Globo multiplicou os minutos sobre as mortes na França e parece sem fôlego para manter a catástrofe brasileira no noticiário. Mas não é só isso. Há um problema de postura. Não veremos o William Waack espumando por causa dos povoados arrasados e das espécies extintas. Não veremos analistas econômicos conectarem as vidas destruídas de pescadores (ou camponeses) à doce vida dos sócios da Vale.

E, portanto, no que se refere ao ambiente, o jornalismo brasileiro ganha a sua Escola Base. Mas às avessas: por falta de acusação, por falta de ímpeto de não somente constatar a responsabilidade da Samarco (Vale, BHP), mas constatar com a capacidade exclamativa que demonstra em outras situações. 

E sem que haja esforço de costurar uma narrativa maior, de questionar um sistema predador, que libera nossos recursos naturais para o saque bilionário por um punhado de empresas, livres para acumular (com fartas isenções fiscais) e poluir. Sem que se nomeie com todas as letras o partido – o PMDB – que controla o setor da mineração no país, amplamente financiado pelas próprias mineradoras. Quantas vezes o leitor ouviu o nome do PMDB em meio a essa lama toda?

A Escola Base foi aquele caso em São Paulo em que donos de uma escola infantil foram acusados de abuso sexual. A imprensa foi histérica a respeito (imaginem se o acusado fosse o dono de uma rede gigantesca de escolas privadas) e teve de fazer, tempos depois, um mea culpa: eles eram inocentes. Um mea culpa que simplesmente não é feito em relação aos linchamentos diários, espalhados por todo o país, de acusados – pobres, negros – de outros tipos de crime. 

A imprensa brasileira ainda é protagonista de espetáculos medievais de demonização de indivíduos, satanizações de acusados que servem também para justificar o tratamento excludente a grupos sociais inteiros. (A foto de Marcelo Carnaval, em O Globo, ilustra esse apartheid.) “Eles que não invadam nossa praia”.

E, no entanto, essa imprensa não se move (ou se move em círculos, sem ser incisiva) quando os suspeitos ou criminosos têm colarinho branco, CNPJ e gigantescas equipes de marketing. Briga com o porteiro, nunca com o patrão. Nossa elite não será algemada nem tratada como escória. 

Nem que seja ela a responsável por poluição ambiental e roubo de terras, destruição de biomas e especulação financeira assassina, nem que patrocine a crise, seja ela mesma a crise, nem que ela seja notoriamente atrasada (ou mais despudorada) em relação às demais elites do capitalismo mundial – porque ainda mais cínica e impune. Os cárceres estarão cada vez mais entupidos dos pequenos traficantes de drogas. Teremos 1 milhão de presos, 1 milhão de inimigos convenientes.

Estamos no país onde a ministra da Agricultura vai à Ásia e se deslumbra com mármores e tapetes, em uma missão oficial para promover o agronegócio brasileiro, esse agronegócio primo da mineração predadora, ambos a esmagar as florestas restantes, os povos indígenas e as populações tradicionais. 

E lá estava ela na Índia, toda alegre e intensa, vendendo as supostas maravilhas de uma nova fronteira agrícola, a do Matopiba (Maranhão-Tocantins-Piauí-Bahia), onde a família Marinho tem terras e onde o Cerrado ganha sua destruição diária, com o aval de governo e oposição, sem holofotes, sem proteção legal, sem lama, sem espetáculo – sem uma narrativa, uma cobertura diária que ao menos coloque em dúvida esse modelo, essa lógica.

Uma das coisas mais curiosas da imprensa brasileira a serviço da plutocracia é que ela não se dá conta de nossos rombos socioambientais nem quando o PT também deixa ali sua assinatura, nem quando o governo federal que fustigam tenha papel importante nessa destruição. A não ser que pretendam desprestigiar uma estatal. 

Porque o que querem é apenas colocar outro grupo político no poder, uma espécie de política de substituição de destruições, de preferência sem algum verniz compensatório, alguma inclusão em meio à implosão. É por isso que as próximas capas da Veja vestirão como presidiários apenas aqueles que a revista julgar convenientes; nunca os plutocratas com pedigree. Latifundiários da comunicação a minimizar a dor de multidões e a sacralizar o ódio das minorias. Em nome de seus pais, de seus filhos e apesar da lama no mar do Espírito Santo.

Primeiro enumeremos os donos. 

Já se sabe que 50% da Samarco pertence à Vale, a Vale que tirou o Rio Doce de seu nome e nele despejou lama tóxica. 

A outra metade pertence à anglo-australiana BHP Billiton, uma fusão da australiana Broken Hill Proprietary Company com a inglesa (radicada na África do Sul) Billiton, atuante nas veias abertas do Chile, Colômbia e Peru (onde tomou uma multa ambiental de US$ 77 mil após contaminação por cobre), no Canadá, Reino Unido e nos Estados Unidos, na Argélia, no Paquistão e em Trinidad & Tobago. Já protagonizou na Papua Nova Guiné uma contaminação fluvial histórica. As maiores mineradoras do mundo.

E a quem pertence à Vale? 

Esse capítulo costuma ser omitido, quando se fala de impactos sociais e ambientais. A empresa é controlada pela Valepar, com 53,9% do capital votante (1/3 do capital total). Com 5,3% para o governo federal, 5,3% para o BNDESpar, 14,8% para investidores brasileiros, 16,9% na Bovespa e 46,2% de investidores estrangeiros (este percentual cai para 33,9% no caso do capital total). De qualquer forma já temos que a Samarco – com a metade anglo-australiana e com esses investidores estrangeiros da Vale – tem mais da metade de suas ações nas mãos de estrangeiros.

E quem manda na Valepar, que controla a Vale? 

1) Fundos de investimentos administrados pela Previ, com 49% das ações; 

2) A Bradespar, do Bradesco, com 17,4%; 

3) A multinacional Mitsui, um dos maiores conglomerados japoneses, de bancos à petroquímica, com tentáculos na Sony, Yamaha, Toyota, com 15%; 

4) O BNDESpar, com 9,5. (Ignoremos os 0,03% da Elétron, do Opportunity e seu onipresente Daniel Dantas. E registremos que, com a Mitsui, aumenta ainda mias a participação de estrangeiros na Samarco.)

BNDES? Previ? 

Mas por que, então, a imprensa acostumada a fustigar o governo federal não fiscaliza com mais atenção a Vale, símbolo da privatização a preço de banana? 

Simplesmente porque não tem o saudável hábito – a imprensa brasileira – de fiscalizar corporações. E porque essas instituições não estão sozinhas. 

Porque tem a Mitsui, o Bradesco – o bilionário Bradesco. 

Com um governador petista dando entrevista coletiva na sede da Samarco. (O capitalismo não é para amadores.) 

Não há um acompanhamento sistemático do custo social e ambiental das aventuras plutocratas, sob governos de siglas diversas. Pelo contrário: o que há é um marketing despudorado.


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domingo, 22 de novembro de 2015

Refrigerantes são o novo tabaco do século 21 (Por Thiago Muniz)

Apogeu da vida saudável faz com que o consumo de refrigerantes nos EUA caia muito. Comer com os olhos’ aumenta o desperdício de alimentos.

Indra Nooyi foi taxativa em sua última apresentação aos analistas de Wall Street. O refrigerante, admitiu, “é algo do passado”. As palavras da executiva chefe da PepsiCo soaram como se desse por perdida uma guerra travada também pela Coca-Cola e a Dr Pepper. Os consumidores que preferem água mineral, chá e bebidas energéticas aos refrigerantes aumentam cada vez mais. Isso está fazendo com que o consumo de bebidas gasosas caia a níveis de três décadas atrás.

A quantidade de líquido consumida por um norte-americano é bem conhecida. São 680 litros por ano, o equivalente a três banheiras cheias até a borda. Isso significa que qualquer mudança de tendência no consumo é notada rapidamente, mesmo que seja mínima. Em outras palavras, quem compra um fardo de Dasani, Red Bull ou de Monster muito dificilmente comprará também um de Coca Zero, Diet Pepsi ou de Diet Mountain Dew, simplesmente porque substitui um pelo outro.

Esse é o ponto de partida em um mercado saturado de refrigerantes. Um quarto de todo esse líquido consumido é de refrigerante e 27% das vendas pertencem à Coca-Cola. Apesar do vício do açúcar, a distância com outras categorias de bebidas cai rapidamente, porque cada vez mais pessoas evitam as prateleiras das colas. É um negócio em crise, segundo a JPMorgan. Isso se deve em boa parte, como diz a Morningstar, às políticas feitas no âmbito da saúde.

Na última década o refrigerante se transformou no novo tabaco na batalha por uma vida saudável, uma luta que começou quando cidades como Nova York proibiram a venda de refrescos nos colégios. A mobilização ganhou força com as campanhas contra a obesidade e esse sentimento ficou bem forte entre a geração da ioga, que prefere uma dieta diferente da feita por seus pais. Como dizem os especialistas, “o consumidor agora faz sua própria escolha”.

O negócio dos refrigerantes chegou ao seu auge em 1998. Essas bebidas representavam então um terço da dieta líquida por habitantes. No começo do milênio eram consumidos 190 litros de refrigerante em média por ano, de acordo com as estatísticas da IBISWorld. Agora não chegam aos 145 litros. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos o consumo de água mineral cresceu 50% e o de bebidas energéticas dobrou de tamanho.

As estatísticas da Beverage Marketing Corporation também refletem essa mudança nos gostos. De fato, boa parte do aumento registrado nas vendas de bebidas não alcoólicas em 2014 é baseado em opções aparentemente mais saudáveis do que os refrigerantes. O consumo de água mineral, por exemplo, cresceu 7% até chegar aos 41,15 bilhões de litros em 2014. O de refrigerante caiu 1%.

O auge das bebidas energéticas

O volume do café expresso, como o vendido pela Starbucks, cresceu 11% no último ano enquanto o de chá aumentou 4%. As bebidas energéticas cresceram 6%, e as utilizadas no esporte, 3%. O crescimento das duas últimas categorias é importante, segundo A IBISWorld, porque são o substituto direto de produtos como a Coca Diet e a Pepsi Diet.

O nível de consumo atual de refrigerante por habitante não era visto desde 1986, segundo a Beverage Digest, e antecipa que em dois anos será superado pelo da água mineral. Não é somente o fato dos consumidores estarem acostumados a contar as calorias que entram em seu corpo. Eles se preocupam também pelo efeito de adoçantes artificiais como o aspartame. As redes sociais, ao mesmo tempo, alimentam o debate sobre as mudanças no metabolismo.

Esse estigma está no livro da professora de nutrição Marion Nestle, Soda Politics, no qual relata como a batalha contra as grandes empresas da indústria está sendo ganha e como está modificando a própria natureza do negócio. Mas como no caso do tabaco, ninguém dá o refrigerante como morto. De fato, os refrescos são a maior categoria de bebidas não alcoólicas por faturamento, com 77,40 bilhões de dólares (286,15 bilhões de reais) por ano. Em comparação, o da água mineral está em 13 bilhões (48,06 bilhões de reais).

Como dizem os analistas de Wall Street que acompanham as empresas dessa indústria, a mudança não se deve somente ao fato de existirem mais alternativas ao refrigerante do que duas décadas atrás. A demografia também mudou. As famílias não querem que seus filhos bebam refrigerante, o que torna mais difícil consumi-los em idade adulta. Os mais velhos também consomem menos. O cálculo demonstra que os distribuidores estão perdendo mercado a um ritmo de quase 2% ao ano.

Ao invés de lutar para aumentar o consumo de refrigerantes, os três grandes do setor decidiram se distanciar oferecendo novos produtos para responder aos novos gostos e aceitaram assim a mudança de tendência, criando alianças com empresas que comercializam bebidas alternativas como Monster Beverage e Green Mountain. A Coca-Cola dobrou sua carteira de produtos na última década enquanto o refrigerante representa um quarto do faturamento da PepsiCo.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



Ganhe dinheiro destruindo a natureza impune: Venha para o BRASIL (Por Thiago Muniz)

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VENHA PARA O BRA$IL.

Onde o amplo direito de defesa é garantido aos delinqüentes ambientais privados e governamentais por lei e onde a degradação ambiental é garantida pela política governamental da porteira arrombada!

Ia esquecendo, a população esculachada pelos acidentes, se comporta direitinho aguardando ser ressarcida algum dia pelos danos causados.

Quer melhor?!

Obs: favor não esquecer de apoiar nas eleições as principais quadrilhas da situação e oposição.

A análise de documentos do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão responsável pela fiscalização de barragens de mineração em todo o Brasil, revela que a tragédia que atingiu Mariana (MG) pode se repetir em pelo menos 16 outras barragens de quatro estados do país. O drama que matou 11 pessoas, desapareceu com outras 12 e atravessou Minas Gerais e Espírito Santo em direção ao mar ameaça mais meio milhão de pessoas. O Cadastro Nacional de Barragens de Mineração de abril de 2014 mostra que 16 reservatórios e uma cava de garimpo possuem categoria de risco alto — quando a estrutura não oferece condições ideais de segurança e pode colapsar — e alto dano potencial associado — quando pode afetar e matar populações, contaminar rios, destruir biomas e causar graves danos socioeconômicos.

De acordo com cálculos feitos, se essas barragens rompessem, os rejeitos potencialmente atingiriam 14 municípios, cuja população soma 540 mil habitantes. Incluindo-se na conta a cava de Serra Pelada, no Pará, são 780 mil pessoas em risco. As unidades possuem volume de 84 milhões de metros cúbicos para abrigar o material descartado no processo de mineração de ferro, estanho, manganês, caulim e ouro. O montante é 50% maior que a quantidade de lama que vazou da Samarco, que pertence à Vale e à australiana BHP.

Os rejeitos ameaçam três das maiores bacias hidrográficas brasileiras: a do Rio Paraguai, no coração do Pantanal sul-matogrossense; a do Rio Amazonas, que irriga a floresta amazônica; e a do Rio São Francisco, que banha o Nordeste.

A estimativa foi feita a partir da localização das barragens, dos cursos d’água e da localização da jusante — o sentido da vazão dos rios. Foram considerados municípios em risco imediato aqueles que estão a menos de 50 quilômetros das barragens e no caminho da correnteza de igarapés, riachos e rios que banham a área.

Apenas para comparação, a lama que saiu de Mariana já percorreu cerca de dez vezes a distância de 50 quilômetros usada na estimativa e partiu do reservatório a uma velocidade de cerca de 70 km/h. Repetidas as condições da barragem de Fundão, vilarejos desses municípios seriam afetados em menos de uma hora.

Os dados usados são do DNPM e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nenhuma das empresas responsáveis pelas barragens de alto risco forneceu laudos técnicos sobre o que aconteceria com seus rejeitos se as estruturas colapsassem, o que permitiria traçar uma rota mais certeira do impacto nos municípios e até dos atingidos indiretamente, por falta d’água, por exemplo. Esses estudos compõem os Planos de Ações Emergenciais de Barragens de Mineração, que incluem também a lista de procedimentos para salvamento de pessoas e contenção de desastres em caso de emergência, cuja formulação é obrigatória por lei.

— Não há porque as empresas não tornarem esses documentos públicos, é uma informação importante para a população. O comportamento é estranho e preocupante. Sugere que o plano possa não existir ou que tenha sido feito de qualquer maneira — alertou o geólogo Álvaro dos Santos, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas.

O plano de contingência da Samarco só foi apresentado mais de uma semana após o incidente e criticado pelo Ministério Público de Minas Gerais. O documento não previa alerta sonoro nem treinamento de pessoas que moravam na área de risco.

Entre as barragens listadas como potencialmente perigosas, há empresas reincidentes em acidentes. Uma delas, a Imerys Rio Capim Caulim S/A, é responsável pelo vazamento de cerca de 450 mil metros cúbicos de rejeitos de caulim — mistura de água e barro esbranquiçado — de uma das bacias, em 2007. Os rejeitos atingiram igarapés e rios do município de Barcarena (PA). Em 2014, o Ministério Público Federal investigou pelo menos outros dois vazamentos dos tanques da companhia. Agora, a empresa aparece como controladora de três barragens de classificação A: alto risco quanto à conservação e alto dano potencial. Ainda assim, sua produção não foi reduzida nem paralisada.

O Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais de caulim, minério fundamental para a produção de papel. A Imerys afirmou, em nota, que não paralisou as atividades porque a lei não obriga, e negou que as estruturas estejam fora de controle. “Entre 2013 e 2015 foram investidos cerca de R$ 15 milhões na segurança de operações de barragem”, disse a nota, que ressaltou ainda que sistematicamente são tomadas “medidas como monitoramento do nível das bacias, acompanhamento do nível dos lençóis freáticos e estudos de estabilidade dos maciços das bacias”. A empresa reconheceu que “onde está a planta de beneficiamento da Imerys, existem pessoas” e disse ter plano de emergência voltada para elas, mas não apresentou documentos nem detalhes.

— É óbvio que as atividades deveriam ser suspensas nesses casos, mas a fiscalização não obriga. Aliás, não há nem prazo para que a empresa melhore suas estruturas, ela pode fazer quando quiser — diz a procuradora Zani Cajueiro, especialista no assunto.

Em Corumbá (MS), a Vale controla a Urucum Mineração, dona de dois reservatórios de classificação A, usados na extração de manganês. Esse tipo de atividade costuma produzir como rejeito quantidades de arsênio, substância altamente tóxica, de acordo com o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), do Ministério da Tecnologia. A Vale negou que o rejeito seja perigoso e disse que manteve as operações a despeito do resultado negativo das condições das estruturas. Afirmou ainda que inspeções feitas em 2015 reenquadraram as bacias para baixo e médio risco, mas não apresentou documentos que comprovem isso.

Já a Gerdau AçoMinas, controladora da Barragem Bocaina em Ouro Preto (MG), disse que, em análise do fim de 2014, o reservatório foi considerado de baixo risco e que está fora de operação. Apresentou um documento do DNPM que mostra a mudança de classificação para nível C. No entanto, a página não tem data.

Dona de bacias de água barrenta encravadas no meio da floresta amazônica, a Taboca Mineração é a empresa com maior número de barragens na lista: são dez, usadas para mineração de estanho. A empresa admitiu que, em caso de rompimento, a maior delas poderia provocar uma onda de cinco metros de rejeitos, que atingiria áreas indígenas. Afirmou que nas bacias há água e areia de granito. As estruturas não estão em operação e passam por recuperação ambiental. A Taboca afirmou que adota criteriosos padrões de segurança, “inclusive com mais rigor que o exigido pela legislação”.

Especialistas, no entanto, questionam as condições das barragens, mesmo daquelas que não estão em situação de alto risco. Em Mariana, a barragem rompida era considerada de baixo risco.

— Quem produz os laudos são as próprias empresas ou consultorias contratadas por elas. A raposa cuida do galinheiro — disse Francisco Fernandes, pesquisador do Cetem.

O DNPM não respondeu à reportagem.

Ora, ora, apenas avaliem o valor das doações lícitas, dentro da lei, das empresas envolvidas nesse desastre ambiental de proporções bíblicas para com os chamados partidos políticos da situação e oposição!

Precisa explicar mais o quê?


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.