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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

RESISTÊNCIA (Por Ernesto Xavier)

Hoje meu nome é Resistência.

Sinto por Zumbi, que foi perseguido e morto por resistir à escravidão. 

Sinto por Dandara, tão importante quanto ele, mas ignorada pela história oficial, já que era mulher e negra. 

Sinto por Herzog, torturado e morto na ditadura militar. 

Sinto pelos milhões de índios assassinados e tirados de suas terras desde Cabral.

Sinto por cada LGBT espancado, morto ou ofendido apenas por serem quem são. 

Sinto também pelos iludidos, pois estes sentem o medo daquilo que desconhecem e perderam (ou talvez nunca tiveram) a empatia por aqueles que não têm o privilégio de estarem na elite, na branquitude, na heteronormatividade, no corpo ideal e desejado ou apenas na ilusão de serem algo que não são, mesmo que sofrendo por serem minoria, mas ainda assim, não se reconhecendo. A sociedade reconhece, filho.

A bala sempre atinge o alvo. Não tem bala perdida na terra brasilis.

Hoje sou a resistência de um povo que foi sequestrado, açoitado, forçado ao trabalho sem remuneração, estuprado, jogado na rua e despido de qualquer cidadania. Aqui estamos ainda. Tentam nos eliminar, mas resistimos. Tentam nos ignorar, mas entramos nas universidades. Tentam nos apagar, mas ocupamos as câmaras estaduais e a Federal.

Essa seguirá sendo a nossa história.

A história de quem apanha, cai e levanta. A história dos que defendem a democracia mesmo quando ela já se mostra perdida.

O ato do voto é apenas uma pequena parte do exercício democrático. Talvez o único que permanece vivo. No entanto, sua existência talvez já não importe tanto, já que a escolha de um presidente foi feita pela disseminação da mentira e do medo.

Mas que inocência me faria acreditar que apenas isso elegeu alguém? Não. Quem votou sabe. Sabe que ele recebeu dinheiro da JBS, sabe que ele é homofóbico, sabe do racismo, xenofobia, do nepotismo, do enriquecimento ilícito. Sabem. Mas a escolha vai além disso. Vai pelo caminho do ódio.

Mas que ódio é esse? Eu convivia com quem queria o meu mal e nem sabia? Talvez.

Enquanto eu não ameaçava qualquer privilégio deles, eu tinha um lugar em suas vidas. Talvez para que estivessem confortáveis e se sentissem menos ou nada preconceituosos. "Eu até tenho um amigo negro", diziam. Quando eu consegui aquela vaga na Universidade que eles julgavam ser deles, eu virei inimigo. Quando a mulher disse que não aceitaria um relacionamento abusivo, ela virou ameaça.

Quando um gay disse que não voltaria para o armário, virou ameaça. Quando uma mulher negra disse que não voltaria pra senzala simbólica a que estavam encarceradas, viraram ameaça. Quando o pobre dividiu a poltrona do avião e voltou pra visitar os parentes, virou ameaça. Quando ficou "difícil" encontrar empregada doméstica, viraram ameaça.

Assim como um golpe militar travestido de republicano foi a solução de uma elite escravocrata para frear a liberdade negra um ano após a abolição, agora tentam frear a ascensão progressista e suas múltiplas identidades que rogam por um espaço ao sol. Querem o direito de existir. Isso é democracia. É o exercício pleno da cidadania por todos os habitantes. É ter seu direito à educação de qualidade garantido. É ter direito a comer. Básico. Direito à moradia. Básico. Não é a esmola ao transeunte que vai resolver a consciência frágil de uma classe média que se vê como elite. Essa classe média que sustentou a eleição de um candidato notoriamente preconceituoso é o representante de seus anseios.

É a classe média que aplaude um jovem preso acorrentado ao poste. É a classe média que bate panela mesmo sem ter passado fome. É a classe média que fecha os olhos para o genocídio da juventude negra. É a classe média que incentiva e se orgulha da desigualdade. É a classe média que bate continência para uma polícia que mata e morre. Pretos e pobres que matam outros tão pretos e tão pobres quanto ela. É a classe média que coloca seu Iphone acima da vida. É a classe média que apoiou a ditadura e só se deu conta do que tinha feito quando seus filhos morreram nos porões do DOI-CODI. É a classe média brasileira que não quer deixar de tirar selfie com o Mickey, mas se diz patriota.

Um patriotismo de araque. Um patriotismo fascista e hipócrita. Quem ama seu país de verdade não pensa que o caminho para um compatriota, mesmo que diferente dele, seja o exílio.

Eu fui traído por aqueles que achei um dia serem meus amigos. Ganhei outros tantos na caminhada de luta e resiliência.

Hoje sou a resistência de um povo.

Hoje sou um pouco de todos que ainda acreditam no amor como forma de defender a vida. O amor não afaga apenas. Amor também é duro para dizer o que for necessário. Amor também tem cobrança. Amor também tem deveres e direitos. Por isso irei amar com todas as forças. Amarei meus companheiros de jornada para que possamos resistir. Amarei meu adversários, para que eu possa mostrar-lhes que nesse jogo político, onde a minha integridade física está ameaçada, a mão deles que diz afagar, está coberta de sangue, mas que ainda é possível limpar.

Estou triste, mas de pé.

Ninguém irá matar meus sonhos. O que trago em mim é inatingível.

Ass. Resistência


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".















sábado, 27 de outubro de 2018

O PT acabou com o Brasil (Por Caio Barbosa)

Nasci no meio da ditadura militar. Família de classe média. Nasci numa casa que não posso reclamar, em Corrêas, Petrópolis, construída ao longo de 20 anos pelos meus pais. O primeiro tijolo foi colocado em 1974. O último, em 1994, quando eu já estava saindo de casa para tentar ganhar o mundo como um projeto de cientista social e, posteriormente, jornalista. Minha mãe, Edyla, é professora aposentada da rede pública. Mais de 40 anos de sala de aula, mais da metade deles no principal colégio da cidade. Professora conceituada, filha de um comerciante, o Barbosão, e da Vó Zizi, que morreu antes de eu nascer. Era também muito conceituada na cidade. Sua "profissão" era fazer o bem através de religiões de matriz africana. Tinham uma vida sem luxo, mas confortável.

Meu pai, Zé Carlos, o Barriga, ou Frias, também é professor aposentado da rede pública. De filosofia, história, sociologia e matemática. Cara burro à beça. Mas não era lá um grande professor como minha mãe. É muito conhecido na cidade por ser advogado criminalista. De família bem mais simples. Trabalhava de dia e estudava de noite, comia marmita que vinha esquentando sobre o motor do ônibus, de Pedro do Rio, longínquo distrito de Petrópolis onde nasceu, até o Centro. Vô Zé, seu pai, foi o policial rodoviário número 007 do país. Fazia a escolta de Getúlio. Minha vó, Olga, também era dona de casa.

Dessa zorra aí nasci eu, filho caçula. Tenho uma irmã dez anos mais velha, a Bianca, e um irmão sete anos mais velho, Frederico, o Orelha. Eu sou o Cabeça. Como vocês podem ver, classe média. Mas antes do PT, em quem lá em casa nunca ninguém votou, à exceção da minha irmã, na adolescência, meus pais (classe média) nunca haviam ido à Europa, por exemplo, algo que a classe média, hoje, pós-PT, faz todo ano. Mais de uma vez.

Também nunca tiveram carro zero. Aliás, nem carro novo. Era Passat velho, e a gente andava com garrafões d'água entre as pernas porque o radiador dava problemas e "fervia". Carro zero era coisa de gente muito rica. Algo impensável. Hoje, pós-governo PT, tem muita gente de carro MUITO MELHOR do que meus pais tinham, muita gente de carro zero. Tá difícil de pagar a gasolina depois do golpe do Temer, eu sei. Mas na ditadura, meu amigos, era pica. A gente ficava vendo o Jornal Nacional na quinta-feira para ver o anuncio do aumento da gasolina, que rolava à meia-noite. Tinha que correr para o posto, que fechava às 22h, porque se enchesse o tanque no dia seguinte, perderia, no dinheiro de hoje, meio salário mínimo. Em questão de duas horas.

A gente era de classe média. Mas na ditadura tinha dificuldade de comer carne. Não por falta de dinheiro, mas porque faltava no mercado. Hoje, pós-PT, a gente come carne todo dia. E mais de 40 milhões de brasileiros, que nunca haviam comido carne, passaram a comer. Gente que morria de fome passou a não morrer. Uma revolução reconhecida pelo mundo.

Na minha infância, durante a ditadura, o pão francês era caro, o que obrigava a minha mãe a fazer pão de batata, um negócio horroroso. Hoje a gente come pão francês todo dia. E tem pão de tudo o que é tipo na padaria.

Na ditadura, mesmo sendo de classe média, meu pai bebia cerveja barata (Brahma) e cachaça barata (Velho Barreiro). São as que mais gosto até hoje. Vinho era de garrafão, que dava uma dor de cabeça de três dias. Whisky era coisa de muito rico. Quando rolava de esbanjar alguma coisa, meu pai comprava um Teachers. Hoje ele tem sempre um Red Label a tiracolo, ou um vinho português.

Saí de Petrópolis e fui estudar em Niterói, na UFF. Governo FHC. Na Faculdade de Comunicação Social, por exemplo, não havia negros. Só o Ricardo Jácomo. Os outros, na faxina. Em Ciências Sociais, que também cursei, até tinha, mas quase todos africanos, que vinham estudar aqui. Negro brasileiro, só na faxina. Agora tem na sala de aula.

Antes do PT, eu viajei o Brasil INTEIRO de ônibus, de caminhão, de lombo de jegue para ver o Fluminense jogar. Depois do PT, eu passei a viajar de avião. Tudo bem que o Emiliano Tolivia paga no cartão e eu vou pagando aos poucos. Mas de avião. Aqui no Rio, tinha que pular a roleta de ônibus, ou ir em cima dele, para ver o Flu jogar. Agora vou até de táxi (no aplicativo).

Eu nunca gostei do PT, reconheço e lamento todos os escândalos do governo PT. Mano Brown deu o papo. Mas amanhã vou votar. Porque se alguém disser que o PT acabou com o Brasil, ou este alguém está com problema de memória, se tiver a minha idade ou mais, ou é desinformado, se for mais jovem, ou é mau caráter. 

Outra opção não há.

P.s: só para encerrar. Quando te disserem que o PT acabou com a Petrobras, ria. A Petrobras segue firme e forte, apesar de tudo o que aconteceu no governo PT, que em resumo foi lotear a Petrobras para o PP, partido do Bolsonaro. Foi o PP do Bolsonaro, no governo PT, que saqueou a Petrobras. O Lula sabia? Não sei. É possível. Mas o Bolsonaro também devia saber, pois era o partido dele, por onde ele foi o deputado mais votado.

O Lula está preso por um apartamento no cu de São Paulo sem nenhum documento comprobatório. O Bolsonaro está solto mesmo tendo, comprovadamente, 13, de luxo, na Zona Sul do Rio. Com registro e tudo. Só não se tem registro de onde saiu o dinheiro para ele comprar isso tudo. De onde será?

Caio Barbosa é jornalista. 

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A eleição da Desidratação (Por Thiago Muniz)

As eleições de 2018 mostram que a sociedade resolveu arregaçar as mangas, independente do rumo que o Brasil tomará a partir de 2019, a questão é que muitos caciques, principalmente os que estão ligados diretos e indiretamente com corrupção, foram castigados nas urnas.

Eles foram castigados impiedosamente. Perderam força regional e o ímpeto de reação.

Essa força nas urnas foi graças a um discurso contra a corrupção; o que soa como um extremismo reacionário hipócrita e mesmo assim uma parcela da sociedade comprou a ideia e se cegaram, o que chega a ser um perigo e maléfico.

Por um lado, esse extremismo fez com que as urnas elegessem candidatos inéditos e exóticos nas Assembléias Legislativas e para o Congresso Nacional. Por outro lado, o extremismo desacerbado com a cegueira fundamentalista faz com que boa parte deste eleitorado perca o bom senso, a capacidade de argumentar e eleva o seu nível de violência, principalmente na base da agressão física.

A desidratação política fará com que esses caciques se reinventem ou até desistam da carreira política.

Uma constatação; o resultado desta eleição afirma uma verdade muito clara: a doutrinação jamais ocorreu nas escolas, ocorre nas igrejas.

Como disse Darcy Ribeiro: "O Brasil, último país a acabar com a escravidão tem um perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso."

Enfim, muita água para rolar na política, muita discussão e intolerância está por vir, vide a característica destes neo-políticos. Agora a suástica nazista virou um dogma.

Muitas trevas e sangue estão por vir.

Onde será o reveillon de 2018 para 1964?










Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerda Mundial News FM.


sábado, 29 de setembro de 2018

Ele Não (Por Thiago Muniz)

"Uma cidade refém do crime não pode votar em quem está envolvido com o crime." (Caio Barbosa)

Com quantas "fraquejadas" se faz uma revolução?

Quando as mulheres colocam alguma coisa na cabeça, não tem quem mude. As mulheres assumem maior protagonismo nas mobilizações políticas do país. As mulheres sabem que, para que tenham direito à vida com dignidade, ele não pode ser eleito.

Afinal, o deputado de extrema-direita se diz abertamente contra os Direitos Humanos e já proferiu diversas declarações de cunho antidemocrático, algumas delas transformadas em promessas de campanha inconstitucionais.

O deputado de extrema-direita cresceu politicamente com um discurso populista autoritário que instrumentaliza o medo e o ódio, abusando da disseminação de informações falsas de viés sensacionalista; se utiliza frequentemente da sua garantia de imunidade parlamentar para fazer menções elogiosas, ou no mínimo questionáveis à crimes como o estupro, lesão corporal, homicídio, sonegação de impostos, tortura, além das rotineiras ofensas e ataques a mulheres, pessoas negras, LGBTIs, quilombolas, indígenas e imigrantes.

O deputado de extrema-direita defende a existência de duas categorias de pessoas, os “cidadãos de bem” e os “bandidos” (às vezes chamados de comunistas, petistas, esquerdistas, maconheiros, vagabundos…) prometendo aos primeiros proteção e privilégios e, aos segundos, a prisão e a morte – de modo que o candidato não é nem tão patriota, honesto ou cristão como gosta de se afirmar, não sendo exagero chamá-lo de fascista.

Não se trata, portanto, de um ataque à pessoa do deputado de extrema-direita, mas sim da aversão ao que ele representa: um projeto de país injusto, excludente, antidemocrático e genocida.

Violência gera violência. Seja ela incitada em discursos, em ideologias, em apologias, seja em agressões físicas ou "verbais, direta ou indiretamente. Toda ação gera uma reação. Não se pode esperar paz quando se incita o caos. Não se pode esperar carinho quando se pratica o ódio. Uma péssima forma de fazer política: foram diversas as vezes em que, ao invés de oferecer uma proposta para enfrentar os problemas sociais, o deputado de extrema-direita e seus aliados destilaram ódio e discriminação contra mulheres, negros e homossexuais.

O que queremos é que o Brasil volte a crescer e a proporcionar qualidade de vida para seu povo, nós, trabalhadores e trabalhadoras!

Gente que tem nojo de povo, de gente, do brasileiro. São a escória deste país. A escória humana.

Ele não.








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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerda Mundial News FM.


domingo, 2 de setembro de 2018

O último a sair apaga a luz: Museu Nacional (Por Thiago Muniz)

Como deixaram acabar com o Museu Nacional? 200 anos de pura história virando guimba.

O sentimento é de INÉRCIA. Profunda TRISTEZA. Muita REVOLTA com o descaso a nossa história. HORROR com o caos predominante. O DESCASO era notório.

Tristeza profunda com o incêndio do Museu Nacional. Passei minha infância tendo a Quinta da Boa Vista como o espaço mais agradável dos meus passeios. Tudo fica na memória. Lamentável o descaso dos governos. Incalculável a perda. A falta de investimento em cultura e no patrimônio público tem consequências dramáticas.

Um dos dias mais tristes da minha vida. Um acervo inteiro repleto de peças históricas, obras de arte, pesquisas, fontes e documentação viraram cinzas. O zelo pela memória é um ato político. Vocês estão vendo em forma de tragédia anunciada a importância de um voto. O governo ignorou centenas de vezes o apelo dos funcionários do museu por uma restauração, o governo reduziu drasticamente o orçamento destinado a cultura. Não podemos “deixar a história para lá”, aprendam. Não é difícil.

Há muitas décadas esse museu vinha agonizando, mas exceto os historiadores, arqueólogos, biólogos e outros profissionais que sabiam da importância deste espaço, quase ninguém se importou. Alguns até davam gargalhadas e do alto da respectiva estupidez reacionária, proferiram em alto e bom som que se dependesse deles, acabariam com este e todos os outros museus. "Cultura e história não dão camisa a ninguém!" Diziam eles.

Podem comemorar corruptos e reacionários. Os desejos de vocês estão sendo atendidos. Agora, estou aguardando e deduzindo o arsenal de hipocrisia e demagogia que será despejado por muitos candidatos diante do que ocorreu. Se valesse prêmio adivinhar o que vão dizer, garanto que ficaria rico.

Vão fingir lamentações, prometer recursos para a cultura e blá blá blá. O fato é que um dos mais importantes aparelhos de cultura do país se foi. O resto é questão de tempo. O incêndio que destrói o Museu Nacional neste momento, na Quinta da Boa Vista, simboliza os tempos obscuros que vivemos no Brasil e o fim da Ciência promovido pelos canalhas golpistas. Parabéns a quem apoiou a destruição do país.

Isso era uma tragédia anunciada. Não importa agora questionarmos se foi criminoso ou mera fatalidade. O que importa agora é termos a noção que um dos acervos históricos do nosso país se foi, da mesma maneira que estão definhando com a nação.

Aos que não sabem, o Museu Nacional em termos de acervo era o quinto maior museu do mundo...

Não sei o que virá de pior, tempos sombrios.

Sem palavras...

" O Museu Nacional arde em chamas agora. A mais antiga instituição cientifica do país e guarda em seu acervo mais de 20 milhões de itens. Idealizado por D. João VI, o museu que ocupa um prédio histórico, o palácio de São Cristóvão, completou 200 anos em junho deste ano. Logo que foi criado, serviu para atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico do país. Ele guardava muitas preciosidades como o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, batizada de "Luzia", que fazia parte da coleção de Antropologia Biológica. Para vocês terem uma noção da importância histórica, o Museu Nacional foi palco para a primeira Assembleia Constituinte da República no final do século dezenove que marcou o fim do império no Brasil. Esse incêndio não pode ser considerado um acidente. Recentemente visitei o Museu e fique assustada de como ele estava abandonado. Isso é fruto de mais um descaso de nossos governos com a cultura e a educação. Muitos não sabem, mas ele está há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido. Chegaram a anunciar, pasmem, uma "vaquinha virtual" para arrecadar recursos junto ao público para reabrir a sala dos dinossauros. A meta era chegar a R$ 100 mil reais. Não é um prédio pegando fogo que estamos vendo. É a nossa história sendo apagada. Dor. Só dor aqui.
(Elika Takimoto)

" Não precisamos de educação, cultura, história, não, não precisamos de absolutamente nada disso. Só precisamos de grandes líderes neoliberais, inflação de dois dígitos, mercado totalmente livre, nenhuma lei de proteção ao trabalho, ao trabalhador, não, não precisamos de nada disso, é tudo besteira, afinal pra quê história, aquela coisa mofada, múmias, roupas e estátuas envelhecidas, pra quê.Não precisamos de professores de história, então pra que alunos, não, nada disso importa, importa sim, reduzir toda a verba ou orçamento da cultura, todos os benefícios, importa sim libertarmos o mercado, afinal ele se ajusta naturalmente, pra quê levar nossos filhos ao museu? Pra ver índio pelado, negro açoitado, coisa de velho. Precisamos sim de queimar todos os livros, todos os projetos educacionais, precisamos de armas, muitas armas, muita munição, muito sangue, afinal é isso que o povo brasileiro está pedindo, é isso que estamos produzindo. Deixa o museu queimar né, deixa os falsos profetas tomarem o poder, deixa a privatização se preocupar com seus lucros. Aos 59 anos digo com tristeza, nós, todos nós merecemos tudo o que temos de ruim aqui nesse país pq batemos Palmas pra maluco dançar e apoiamos projetos de destruição, infelizmente. Não, não há espaço pra revolta, revolta sem termos feito absolutamente nada? Não, não temos esse direito, se fizermos uma pesquisa rápida aqui, quantos de nós fomos a um museu esse ano, quantos de nós lemos um livro, assistimos uma exposição de arte qualquer, fomos a um show de um artista da nova geração e desconhecido, sim, aquele fora da fama da TV, ficaríamos envergonhados com o resultado dos números. Nelson Rodrigues, sempre ele, dizia, "O mineiro só é solidário no câncer", confesso que nunca entendi muito bem, porém quando assisto comoção depois do caldo entornado, da vaca ir pro brejo e do leite derramado, posso entender um pouquinho. Não somos nada solidários, somos individualistas egoísticamente falando, somos duros com os pobres, os famintos nas ruas, mas arriamos às calças pro rico e bem nascido, não somos um povo "legalzinho" e muito menos "bonzinho", somos cruéis, queremos ver corpos e sangue derramados, mas não queremos que sejam os dos nossos filhos, queremos os dos filhos do outro, do desconhecido, jamais seremos uma nação, continuaremos sendo um bando de ajuntados por conta da colonização, e não me venham dizer que a culpa é de Portugal, reconheço toda a capacidade dos patrícios, afinal, não fossem eles não teríamos esse gigante chamado Brasil. Ahhh tá pegando fogo, foi destruído o acervo da história do nosso país e da humanidade ajuntado por Pedro, João? Ainda tem muito mais pra pegar fogo e ser destruído, lá na Dom Hélder Câmara tem um, a última sede de fazenda cafeeira do Rio de Janeiro, pertinho do Norte shopping, ah o shopping nós conhecemos né, sim, lá tem a remanescente da Fazenda Capão do Bispo, procure saber, temos ainda muito mais, aliás o Rio de Janeiro é repleto de museus, bibliotecas, patrimônios da nação que não são visitados e muito menos valorizados, ah que pena que nós não tivemos tempo de conhecer né, ah sim, tem o Louvre, podemos ir até lá e aproveitamos para fazer uma selfie na Torre Eiffel.
(Silvio Almeida)

" As chamas que destruíram o Museu Nacional já têm ardido em todo o país. São os trabalhadores tratados como lixo por seus patrões, humilhados e postos para correr. Os pobres humilhados diariamente na entrada e saída de favelas pelo poder público. Os doentes amontoados nos hospitais. As balas assassinas que matam inocentes e policiais, mortos por armas traficadas por outros policiais. O Brasil incendiado pelo ódio primitivo dos verdadeiros homens das cavernas, loucos para que morram 150 milhões de brasileiros, mas sem coragem para admitir publicamente - por isso odeiam as políticas sociais mas não possuem propostas para o caos brasileiro, simplesmente porque não têm hombridade para dizer o que pensam. Ratos passando por cima de crianças, gente dormindo em esgotos, gente morrendo de fome. Armas para todos, nas quatro patas. Cem milhões de mortos-vivos, enquanto os grandes salões corporativos comemoram vitórias às custas de ruínas. Diante deste cenário macabro, quem chora o Museu são os poucos, são os bons, são os que sabem o tamanho da tragédia. Vai ter gente dizendo que o Museu Nacional não faz falta, porque tem Jornal Nacional todo dia. "
(Paulo-Roberto Andel)






























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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerda Mundial News FM.



terça-feira, 28 de agosto de 2018

Elika Takimoto para oxigenar a ALERJ (Por Thiago Muniz)

Prova viva, cabal e baixinha de que números e letras não precisam viver em conflito cisjordânico permanente: todos podemos ler, todos podemos escrever, todos podemos calcular.” (Paulo-Roberto Andel)

O Brasil que eu quero é Transparência, Senso de Justiça e Ética como atributos primordiais aos nossos políticos. Ainda dá tempo? Mas é claro que dá, e venho aqui apresentar a minha (e será a SUA!) candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro: ELIKA TAKIMOTO.

Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia. Elika é vencedora do Prêmio Saraiva Literatura, categoria: crônicas.

Autora de mais de dez livros, dentre eles:
  • História da física na sala de aula;
  • Minha vida é um blog aberto;
  • Como enlouquecer seu professor de física;
  • Filhosofia;
  • Beleza suburbana;
  • Tenso, logo escrito; 
  • Isaac no mundo das partículas.

Tenho uma grande admiração pela Elika. Conheço há pelo menos 15 anos, acompanhei de perto a sua ascendência profissional como professora, os seus textos enigmáticos sobre milhares de assuntos, a maneira irreverente como cuida de seus filhos e sua vida pessoal. Recebeu um desaconselho do presidente Lula sobre entrar na política, e de quebra, se filiou ao partido e amadureceu a ideia de se candidatar.

E tinhosa e focada como é, se candidatou e ganhou muita força. És a minha candidata.

Gostou? Se identificou? Quer colaborar? Acesse o LINK da campanha de financiamento coletivo. Lá você será contemplado(a) com o vídeo explicativo da Elika sobre a importância do financiamento.

Você não se arrependerá!













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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerda Mundial News FM.


quinta-feira, 15 de março de 2018

Polícia? Que Polícia? (Por Sidney Pinho Junior)

O que mais estarrece e provoca profunda indignação é que, boa parte da sociedade apoia a violência policial, a truculência e o abuso de autoridade batendo nas portas das pessoas, consideradas por esta minoria facínoras, bandidos desqualificados, quando na verdade são as pessoas de bem que trabalham, que lutam pelo pão de cada dia, sem a devida assistência do estado, omisso e covarde, opressor e mantenedor de uma polícia assassina, cruel e que não tem dignidade por conta de uma nação apodrecida, corrupta e viciada em enganar os cidadãos!

A classe média, refugiada em seus apartamentos financiados pelo sistema econômico que escraviza a todos, pensa ser parte das elites e se sente imune aos desmandos da polícia repressiva e anti-cidadão, mas no fundo sabe que ao sair às ruas das cidades brasileiras, não apenas no Rio de Janeiro, está correndo o risco de não voltar para casa, podendo como qualquer um, pobre, favelado, morador de comunidade ou não, acabar sendo vítima de uma polícia que cada vez se faz mais perigosa que a própria bandidagem!

A república, imposta aos brasileiros no golpe de estado de '15 de novembro de 1889, já nasceu viciada em preconceitos, tendo sido construída sob os alicerces da desigualdade, da impunidade e da sanha de poder das elites que nunca quiseram construir uma nação rica e próspera…

Os oligopólios se multiplicaram e cresceram explorando o cidadão comum, promovendo desigualdades e construindo muros sociais que legaram uma sociedade frágil, limitada e vivida em sofrer sem nunca dizer nada; transformada em gado, em servis conformados, encangalhados, colonizados e escravizados por políticas que não foram feitas para uma nação livre, pas para um país servil, alinhado e subserviente aos impérios capitalistas selvagens!

Hoje, estamos testemunhando o resultado, ainda parcial, mas absolutamente aterrador do que nos foi imposto nestes 129 anos de república, espúria e sem alma… um estado onde ser “cidadão de bem” é cultivar o preconceito indiscriminado, é valer-se das parcas benesses concedidas por um estado impostor, mentiroso e explorador e sentir-se parte dos privilegiados, de uma elite a qual jamais pertenceram, mas que insistem em acreditar!

Mas não se iludam pois o pior ainda está por vir… depois de rasgarem a CLT, extinguir o salário mínimo à partir da lei da terceirização e do trabalho intermitente, criando um novo estado escravocrata, de transformarem o ensino médio em indústrias de operários que jamais terão acesso ao ensino superior, reservado aos filhos dos poucos privilegiados de classe média, estão acelerando todo o processo de elitização definitiva de uma nação que jamais existiu!

Voltando a polícia, se construiu uma instituição de repressão e de formação destrutiva, onde uniformizada de soldadinhos de chumbo foram se investido de autoridades intocáveis e impunes, contra a sociedade e os cidadãos que ao invés de serem reconhecidos como tal, são tratados como suspeitos, criminosos, já que o estado perpetuou o crime como seu principal princípio de atuação, executando e levando aos cidadãos suas culpas e mazelas.

Não gritem contra os PM´s, não gritem contra os policiais civis, os federais, rodoviários federais e os mal preparados guardas civis, mas berrem e esgoelem-se contra o estado brasileiro, contra as autoridades constituídas que jamais pensaram que a educação é verdadeiramente transformadora, construtora e financiadora de uma nação, gritem contra as oligarquias que querem continuar enxergando o mundo de cima de seus privilégios espúrios de suas empáfias elitistas e que jamais pensaram em ter um país de verdade!

Não podemos culpar a omissão e o conformismo da classe média, pois talvez sejam eles as maiores vítimas sociais do modelo republicano capitalista inconsequente, que valoriza o ter e despreza o ser, transformando pessoas de bem em indivíduos egoístas, sem amor ao próximo e fechados ao clamor de uma sociedade pobre e que agoniza em direção ao cada falso…

Haveremos que nos despir de tudo que aprendemos e acreditamos até aqui, despimos-nos de todo preconceito, de todo desamor, mas principalmente despimos-nos da ganância, do incontrolável desejo do ter, a qualquer custo e a qualquer preço, pois somos todos vítimas de nós mesmos, que acreditamos num estado que não existe, numa justiça que trabalha em favor de poucos, na classe política que já nasceu tão podre quanto a república tupiniquim que nos oprime a todos… precisamos de coragem para dizer não e colocarmo-nos em marcha de resistência, marcha pela cidadania, pelo direito, pelos deveres negligenciados que nos aviltam com as mais cruéis formas de humilhação!

Não é mais uma questão de ser de esquerda ou de direita, de ser contra ou a favor de Lula, de Serra ou de Bolsonaro, não, não é mais uma questão de escolha pessoal, mas de sobrevivência coletiva, é questão de segurança nacional, pois já passa da hora de construirmos uma nação para todos n´s indistintamente, pobres ou ricos, brancos, negros e pardos, de esquerda e de direita, sem impormo-nos preconceitos que só nos separaram, gerando mágoas, desentendimentos e morte, muita morte!

O Brasil tem que ser revisto, a república tem que ser condenada por todos os seus crimes, por todas as atrocidades que nos impôs por mais de um século e, não podemos perdoar àqueles que querem cortar nossas cabeças, condenar nossos filhos ao inferno que se aproxima, mutilando nossas vidas e nos condenando ao fim que está nos devastando!

Unimo-nos todos, não por este Brasil, mas pela nação que ergueremos das cinzas podres da República covarde.







terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Mas, Ernesto... (Por Ernesto Xavier)

O carro atravessa a estrada à noite. Uma picape. Carro caro. O motorista sou eu, no caso. Uma blitz à frente e o trânsito fica um pouco mais lento. Nada de mais. Todos os carros vão passando em fila tranquilamente. Os policiais quase nem olham para os veículos, riem entre si, conversam. Um deles mexe no whatsapp. Faço os procedimentos padrões: diminuo a intensidade do farol, mantenho as mãos no volante, abaixo os vidros. 

E então o que acontece?

O cara arma o fuzil e aponta na minha direção.
Tcharaaaaaam!
Eu então calmamente ligo a luz interna e ele então percebe que há outra pessoa dentro do carro: uma mulher branca.
Ele abaixa o fuzil e me manda seguir.
Tcharaaaaaaam!!
Minha carta de alforria estava sentada no banco ao lado. Que maravilha é viver no Rio de Janeiro do século XIX. O fato ocorreu há alguns meses atrás. Clima tenso no Rio. Quando não foi, não é mesmo?
Aí alguns leitores vêm aqui me dizer: “Mas, Ernesto, eles estão apenas fazendo o trabalho deles”.
Sim, estão. Me apontando o fuzil. Fico até mais tranquilo quando ele engatilha. Dá aquela sensação gostosa de set de filmagem do Rambo. Só que eu, por acaso, sou o inimigo do Rambo.
Mas, Ernesto, a maioria desses policiais também são negros e pobres”.
Sim, querida, são. Ou você acha que as consequências do racismo atingem e são reproduzidas apenas pelos brancos?
Eu tenho uma sugestão: Deveriam criar uma nova matéria escolar para os ensinos Fundamental e Médio: “Racismo Estrutural Brasileiro: imagem e sociedade”.
Nesta disciplina, que seria obrigatória, valendo nota e só valeria tirar 10, o aluno aprenderia sobre como se formou o pensamento do cidadão brasileiro, como chegamos até aqui, etc.
Deixa de ser irônico, Ernesto”.
Estou falando sério. Nela, aprimoraríamos o olhar dos jovens, negros ou brancos. Mostraríamos novelas, comerciais de TV, editoriais de moda, noticiários. Seria interdisciplinar. O aluno deveria contar quantos negros encontra em uma novela que se passa no Brasil, quantos aparecem em comerciais de margarina, quantos aparecem nos noticiários policiais e fariam uma equação para chegar ao coeficiente de negritude da mídia brasileira.
O aluno entenderia porque “naturalmente” ele associa o crime a uma pessoa negra. Ele entenderia porque ele não se vê como negro, porque ele acha normal que quase todas as empregadas domésticas e babás sejam negras. E também que não é legal dizer que “ela é quase da família”, nem chama-la de “mãe-preta” ou coisas do tipo.
A matéria teria questões no ENEM. Envolveria História, Geografia, Sociologia, Matemática. Olhem o “valor agregado” que isso traria para o “cidadão de bem”. A classe média adora valor agregado e cidadão de bem.
Mas, Ernesto, porque você foca tanto nos policiais? Você quer acabar com a imagem dos militares?

Não, querido. Eu só não quero morrer. E, no caso, quem porta arma no Estado e pode fazer isso é um policial. Um médico não me ameaçaria com um bisturi e nem um professor com um giz.
Mas...
Dentro da sala de aula esse futuro policial poderia aprender um pouco sobre quem ele é, quem são seus irmãos sem farda, quem realmente pode ser uma ameaça e de que forma o pensamento social brasileiro age sobre ele, levando-o a pensar que somente pelo outro ser negro, então é uma ameaça.
Não, ele não pensa isso. Não é consciente não maioria das vezes. A sociedade é assim. A sociedade é racista. Infelizmente tenho que te avisar isso, caro leitor:
Você provavelmente é racista.
Não se assuste. Não vá para o banheiro chorar. Aguente firme. Vou repetir. Você provavelmente, se não for negro, é racista.
Respirou?
Um novo mundo se abre quando entendem isso. A sociedade brasileira está fundada em princípios de exclusão racial. Não dá pra explicar isso em apenas um texto no Facebook. Leva tempo. Apenas confie no que estou te dizendo. Algumas coisas irão acontecer comigo e nunca irão acontecer com você, branco, simplesmente porque minha pele carrega alguns símbolos, que historicamente me tornam alvo.
Sim, eu como negro, sou mais alvo do que agente (aquele que age, ok?) da violência. Cerca de 23100 jovens negros entre 15 e 29 anos são mortos todos os anos no Brasil. Um negro morto a cada 23 minutos. Morto por mãos brancas e negras, sim. Morto por estar envolvido com algo errado ou não. Morto porque a vida o colocou desde o nascimento em posição vulnerável. Ele pode ser um policial. Nossa polícia é, também, a que mais morre. Já chorei e sofri por 2 policiais negros mortos na minha família. Pessoas que eu amava demais. Não quero isso novamente.
Criaram uma guerra entre pretos. Bandidos negros. Policiais de baixa patente igualmente negros.
Não é só a polícia que deve entender isso. É você que escreve “mas” a tudo que diz respeito ao nosso direito à vida. 

O seu “mimimi” ajuda indiretamente a matar mais alguém. 

Provavelmente um jovem negro morreu enquanto você lia esse texto. Você leu mesmo? 

Ou apenas vai escrever o nome do seu candidato à presidente nos comentários? 

O nome dele é o seu argumento?

#SentiNaPele

Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".








segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Lá. Eles. Aqui. Nós. (Por Elika Takimoto)

O Brasil é enorme e bem poderia ser dividido ao meio. 

De um lado, mortadelas. Do outro, os coxinhas. A divisão já existe, só iria ser física, ou seja, além do campo das ideias. Aí, quem sabe, teríamos mais paz.

Veja bem. Quem apoiou o golpe, quem até hoje não enxerga o golpe, quem votou no Aécio ficaria de um lado. Quem denunciou desde o início o ataque à democracia, do outro.

Cada lado teria seu próprio presidente.

A galera que odeia PT ficaria com as escolas dominadas pelos projeto “Escola sem Partido”. Nessas escolas, os professores só passariam os conteúdos que sempre foram doutrinados a passar. Não promoveriam debates e nem incitariam os alunos a se revoltarem contra as mazelas do mundo porque se assim fizerem serão denunciados pelos próprios alunos. Os professores ou nada comentariam sobre o tema ou falariam que o mundo é assim, sempre foi assim e cabe ao aluno estudar muito para sobreviver a esse sistema.

Do outro lado, teríamos escolas em que debateríamos sobre desigualdade social, as diversidades do ser humano, quem quisesse ir de saia poderia ir de saia fosse homem fosse mulher fosse sem definição, primaríamos por um ensino coletivo e não individualista, prepararíamos o cidadão não somente para o “mercado de trabalho” mas, principalmente, para conviver com o próximo e consigo mesmo trabalhando sua auto estima o máximo que conseguiríamos. Jamais falaríamos para um jovem que ele tem que estudar para “ser alguém na vida” porque todos nós já somos um universo de potencialidades independente da idade, da classe social e do credo. Ensinaríamos que se deve estudar porque só o conhecimento transforma a si mesmo e o mundo.

Do lado de lá, as pessoas que nunca foram a museus não precisariam se preocupar porque lá não teria museus. Os prefeitos que fecharam os locais das exposições continuaria a fechar outros e ninguém se importaria. Pelo contrário. Ficariam felizes porque os artistas não estariam “mamando na Lei Rouanet”. Toda essa galera lá.

Daqui teríamos a arte como sempre muito incentivada em suas infinitas formas. Continuaríamos torcendo o nariz para muitas obras mas jamais proibiríamos o artista expressar o que pensa.

E já que estamos falando de artistas, aqui teríamos Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Wagner Moura, Duvivier, Xico Sá, Raduan Nassar. Lá, Lobão, Roger, Luana Piovani, Zezé e Luciano.

Lá. Bem longe daqui.

Aqui Paulo Freire. Pedagogia do Oprimido na veia. Lá Alexandre Frota ditando o que deveria ser ensinado para os jovens daquela metade do Brasil.

Do outro lado, capitalismo capitalismo capitalismo por todos os lados. Eles que falam que o socialismo não deu certo em nenhum lugar do mundo e desconsideram que só no continente africano 236 milhões de pessoas passam fome – de acordo com dados da ONU – e o número de suicídios em países considerados grandes potências na economia, eles continuariam tentando dar certo. Lembrando que aquele lado estaria pleno de pobres. Os pobres de direita.

Eles ficariam com esse sistema que pode ser definido, de forma resumida, como o sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, na livre iniciativa e, sobretudo, na busca incessante por lucro. Como vivendo nesse sistema eles acabariam com a desigualdade social que é a liga que mantém o capitalismo um sistema sólido seria um problema só deles. Lá a concorrência continuaria sendo desigual pela natureza do capitalismo que privilegia aquele que já possui capital em detrimento daquele que nada tem. A elite lá ficaria bem consolidada e, claro, cada vez mais ávida por mais lucro.

Aqui deste lado não. Estaríamos buscando um novo sistema partindo do pressuposto de que toda a desigualdade social pode ser evitada por meio de atuação estatal e políticas públicas acertadas. Seria um sistema que não giraria em torno do Capital e do lucro pois entendemos que algo assim pode não trabalhar em favor dos princípios democráticos.

O comunismo seria um sonho que nos movimentaria de alguma forma, pois é o sistema que surgiu com o propósito de eliminar a desigualdade – e as próprias classes sociais – através da coletivização dos meios de produção.

Ah sim. A bancada evangélica ficaria lá. Claro. Aqui teríamos a convivência pacífica de todas as religiões já que a tolerância seria muito debatida em nossas escolas. Mas os valores morais de cada religião jamais transpassaria os muros das Igreja, muito menos chegaria ao nosso congresso e jamais em nossas escolas.

Lá a diminuição da maioridade penal já teria passado. O garoto de 16 anos pego assaltando seria preso e colocado nas celas com bandidos profissionais. Seria estuprado, aliciado para o crime, levaria muita porrada e em menos de dez anos, como previsto na lei, voltaria para a sociedade. Certamente, um ser renovado e pronto para cometer crimes muito piores. Direitos humanos continuariam sendo motivo de piada ainda assim para aquele lado do Brasil. Vai entendê-los…

Aqui investiríamos tudo o que tivéssemos em educação, arte e esporte. Somente por essa via o ser humano se transforma em um cidadão mais sensível e conseguiríamos mudar a sua essência. Bandido bom é bandido reabilitado. Esse seria nosso lema.

Lá. Ana Paula do vôlei. Aqui. Joanna Maranhão.

Lá. Malafaia. Aqui. Leonardo Boff.

Lá. Marta Suplicy. Aqui. Marcia Tiburi.

Lá. Constantino. Aqui. Sakamoto.

Lá. Janaína Paschoal. Aqui. Qualquer uma de nós em seu lugar.

Lá. Bolsonaro...

Aqui ficaríamos com aquele que é reconhecido no mundo inteiro por ter diminuído a mortalidade infantil e a desigualdade social. Ele. No meio do povo sempre conversando olhando nos nossos olhos como só ele sabe fazer. Aqui. Lula.





Elika Takimoto é Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia.



domingo, 8 de outubro de 2017

Não era sobre pedofilia. Não era sobre corrupção. (Por Elika Takimoto)

Lembram-se de quando a gente ficava se esgoelando dizendo: “eles não estão na rua contra a corrupção”? Com o tempo, o que alertávamos se confirmou. Provas foram expostas, malas encontradas, áudios liberados e… silêncio de quem fez um fuzuê com as pedaladas que são cometidas há anos (e que logo depois do golpe foram liberadas pela corja que está no poder, vale lembrar).

A frase épica de Bertold Brecht “a cadela do fascismo sempre está no cio” explica bem tudo o que aconteceu. Era um bando de fascistas no armário que estava sem graça de vir a público. Afinal, falar que odeia pobre e que quer mais que preto, mulher, trans, gays se explodam não pegava bem.

Daí veio 2013 e a Globo aproveitando-se daquelas manifestações “apartidárias” – cujas bandeiras da CUT eram proibidas – criou o vilão e o herói. O Brasil ficou dicotômico como os personagens das novelas. Há o bandido (PT) e o Salvador da Pátria (Moro). Esse tipo de narrativa novelesca o povo assimila bem como se entre o branco e o preto não houvesse uma infinidade de tons de cinza.

E a cadela no cio passou a copular devassamente.

Foi naquele contexto que os fascistas vestiram uma camisa de heróis da nação. Teriam a nobre missão de “livrar o Brasil da corrupção”. Caíram como patos e lá foram de verde e amarelo para as ruas achando que estavam salvando a nossa pátria.

Passou, de repente, a ser questão de soberania nacional falar mal do PT e tirá-lo do poder. Achavam e diziam eles. Eles. Os mesmo que estavam completamente irritados com as políticas sociais como o programa Mais Médicos, Bolsa Família e as cotas, vale observar.

O fascismo funciona exatamente assim para quem não sabe. O inimigo tem que estar bem definido e cabe aos fascistas desmoralizá-lo. Vídeos descontextualizados das falas da Dilma eram a cereja do bolo naquela época. Queriam ridicularizá-la a qualquer preço. Pessoas a chamavam de burra e riam da retórica de uma mulher que hoje está pelo mundo dando palestras a convite de grandes universidades. Como se conseguissem ser metade da metade que Dilma é.

E eles não param. Como 2018 está logo ali e Lula segue sendo preferência da população brasileira como mostram todas as pesquisas, é necessário desmoralizar a esquerda e tudo o que ela representa.

Incrivelmente pautas humanitárias e a defesa pela liberdade de expressão saíram das atas das reuniões da direita. Haja vista o que o MBL anda fazendo.

O episódio Homem Nu foi mais um exemplo de como se comporta a hipócrita cadela do fascismo.

Avisamos: não é sobre pedofilia! E os patos lá fazendo postagens “temos que proteger nossas crianças…”. Proteger de quê, cara pálida? Quando a gente perguntava isso, ouvia como resposta: contra a pedofilia!

Qual a razão dessa resposta sem nenhum sentido? Das duas uma. Ou a pessoa é burra de pedra a ponto de conectar uma performance artística sem o menor teor sexual com pedofilia ou falta-lhe caráter mesmo, pois faz isso com o intuito de diminuir a capacidade intelectual dos artistas e dos que os apóiam.

E a prova de que eles não estavam preocupados com as crianças porcaria nenhuma veio a galope: o caso do estuprador do Piauí.

O crime foi noticiado por todos os jornais. Silêncio dos protetores das crianças do nosso Brasil. O estuprador teve autorização para ficar com uma criança dentro de sua cela porque ajudava a família do menino financeiramente.

Segundo o levantamento do projeto, ligado ao Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso a Informação da USP, enquanto o caso do museu teve 550 mil compartilhamentos, o do estuprador do Piauí ficou na média de 45 mil. “Uma relação de 10 pra 1”, afirma a página.

“No caso do MAM, as matérias muito compartilhadas estavam dispersas em várias publicações do Jornalivre, Veja, Folha, Instituto Liberal e Ceticismo Político, entre outros; no caso do estuprador do Piauí praticamente foram compartilhadas apenas matérias da Folha de São Paulo e do UOL”, disse a pesquisa.

Além disso, enquanto o caso do MAM motivou manifestações do Movimento Brasil Livre (MBL), da família Bolsonaro e de partidos conservadores, o caso do Piauí “não teve nenhum grande compartilhador” e não chegou a ser mencionado por aqueles que foram contrários à exposição.

E se alguém aqui achar que estou exagerando, deixo aqui as frases de um cartaz que está fixado no museu do Holocausto em Washington que tem como objetivo alertar as pessoas sobre os perigos do fascismo e como identificar seus primeiros sinais. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

1. Empoderamento nacionalista contínuo.
2. Desdém por direitos humanos.
3. Identificação do inimigo como causa unificadora.
4. Supremacia militar.
5. Sexismo desenfreado.
6. Controle de mídias de massa.
7. Obsessão com segurança nacional.
8. Governo e religião interligados.
9. Poder/direitos corporativistas protegidos.
10. Poder/direitos de trabalhadores suprimidos.
11. Desdém pelos intelectuais e pelas artes.
12. Obsessão por crime e punição.
13. Corrupção e nepotismo desenfreado.
14. Eleições fraudulentas.

Não era sobre a corrupção e não era sobre pedofilia. É sobre extermínio de raças e de classes.

Acreditam agora ou precisam ainda de mais exemplos?







Elika Takimoto é Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia.



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contra a privatização da UERJ (Por Thiago Muniz)

"Há muitas formas de destruir um país. Uma delas é acabando com a essência das universidades públicas com essa ladainha de privatização. O Brasil pede socorro." (Elika Takimoto)

Quando o povo vai deixar de ser gado!? Ninguém se revolta nesse país...aceitam tudo!

Ministério da Fazenda recomenda ao governo do Rio de Janeiro que privatize universidades públicas e demita servidores.

Não podemos deixar isso acontecer. Não vamos deixar que a educação, trabalhadores e aposentados sejam penalizados mais ainda por esta crise. Quem causou esta calamidade no Rio foi o governo do PMDB.

Sem dinheiro em caixa, por falta de repasses do governo fluminense, a UERJ resiste como pode. “A universidade está na UTI”, disse o reitor Ruy Garcia Marques.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o porquê do caos na Uerj, hoje veio a resposta oficial: o PMDB recomendou o fim de uma das maiores universidades do Brasil. Ou seja, para "recuperar" o Rio, o partido que destruiu o estado quer acabar de vez com um dos maiores patrimônios sociais e educacionais que temos – acabar para depois dar de bandeja a seus aliados, claro.

E não é só isso. Além de recomendar "o fim da oferta de ensino superior", o Ministério da Fazenda de Temer propôs:

💥 Extinção de empresas públicas, como a CEDAE;
💥 Demissão de servidores ativos;
💥 Contribuição previdenciária para inativos;
💥 Aumento contribuição previdenciária, além dos 14% já aprovados;
💥 Reforma do Regime Jurídico Único dos Servidores.

Onde vemos educação pública, Temer, Pezão e Meirelles veem migalhas pra alimentar bolsos amigos.
A gente não pode aguentar mais 1 ano desses caras governando e destruindo tudo o que nosso Estado conquistou ao longo dos anos. Somos referência na área de ensino, pesquisa em ciência e tecnologia.
Há 10 anos uma quadrilha se encastelou no Palácio Guanabara e hoje o resultado é esse.

A educação está precária e os professores que são pessoas importantíssimas para todo e qualquer cidadão, além do conviver com sala lotadas, sem nenhum tipo de suporte ainda tem que ficar sem salário. Mesmo na crise, UERJ ainda é uma das melhores do país. Porque querem acabar com ela e com o ensino público se este se prova a todo instante um dos melhores?

Confesso que não sei como conseguem continuar na luta política. Não sei! Acho desolador e desanimador demais todo esse cenário político carioca e nacional. Está difícil acreditar que nada deve ser impossível de mudar.

O Rio virou o laboratório do plano a futuro do poder econômico. Querem privatizar tudo e fazer negócios com o patrimônio público. Deixando ainda mais difícil a precária vida dos cariocas.

Vejo e escuto muita gente atribuir aos outros a obrigação de reclamar, lutar, ir para as ruas, disputar o espaço público, o vazio político. Não existe vitória sem a participação popular. É muito cômodo, esperar em casa que as coisas se resolvam por si só, passe de mágica. Parece que á população está sob efeito de hipnose ninguém reage, aceitam tudo na maior naturalidade. E é exatamente o que os ladrões querem: um povo sem ação.

Existe uma conta que nunca vai fechar, além do roubo, que é o pagamento da dívida e dos juros que consomem mais de 40% da riqueza produzida pelo país. Essa é a discussão central. A renda que o trabalhador produz vai para o sistema financeiro, o qual não produz nada e ainda tem as benesses desse sistema. Não há luz no fim do túnel, enquanto existir esses vermes que sugam a riqueza do país.

Quanta barbaridade! Acabam com centenas de vidas, com sonhos, com a juventude para enriquecerem vergonhosamente. O país todo está ameaçado com essa quadrilha que não para.

O dia que as pessoas entenderem que o diálogo de verdade só funciona quando ambos os lados tem o mesmo poder de barganha, o que NÃO é o nosso caso, definitivamente, talvez as coisas melhorem e avançamos para uma linguagem conhecida mundialmente: a truculência, vulgo porrada.

A Educação é lastimável e tem sido assim desde sempre. A hora é de unir forças. Historicamente quem muda as coisas são os estudantes. Mãos à obra. A UERJ é uma instituição de ensino,e não um palanque para esquerda ou direita.

O que está em jogo é sim, a diminuição do ensino público. Mas como diz um velho ditado: "povo burro não sabe votar".

#UerjResiste






















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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Brazil: dos Coronéis aos Imbecis (Por Thiago Muniz)

FARINHA pouca, meu PIRÃO primeiro.

O país chamado Brasil (ou Brazil...) é composto basicamente por uma minoria elitista coronelista e por uma parcela de imbecis que pensam que são elites.

A elite CORONELISTA é composta por uma minoria de empresários que atuam em diversos setores da economia, desde o controle dos meios de comunicação até trabalho escravo (sim, é isso mesmo), sendo que são tão fortes em suas bases políticas que possuem plena consciência da impunidade e quando uma bomba estoura sabem que podem contar com a "nobre" Justiça. Essa elite é perigosa e nociva, posta os seus interesses acima do bem e do mal e estão sempre dispostos a destruir quem os enfrenta. Lucram absurdamente pois possuem alguma espécie de fundação ou sonegam impostos na cara lavada mesmo. Alguns deles mantém suas influências em suas área de territórios sendo políticos ou apadrinhando políticos no âmbito federal, estadual e municipal. Praticamente em todos os estados brasileiros existe esta espécie de corja que não agrega em nada para o país, pelo contrário, só aleija. Ah! E se o patriarca ainda estiver vivo (essa espécie fez pacto com o diabo) os crimes cometidos serão todos arquivados pois já passaram dos 70 anos.

A classe dos IMBECIS é a típica classe média que come sardinha e arrota camarão. Bastou prosperar mais um pouco na vida e pensam que são a elite da sociedade. É a mesma classe imbecil que prosperou nos áureos tempos econômicos, onde puderam trocar de imóvel, automóvel, escola para os filhos e até contrataram empregada doméstica. Uma parte dela se solidarizou com o golpe e bateu panelas em suas varandas. Outra parte pertence a classe de servidor público federal que prosperou com o reajuste em seus rendimentos e receberam equipamentos adequados para trabalharem com dignidade e mesmo assim se solidarizaram com o golpe e bateu panelas em suas varandas. Uma outra parte tão mais imbecil quanto que recalcada pela ascensão das classes menos favorecidas ao acesso a mais educação e saúde, cultivaram um ódio exorbitante no governo que propiciou essa ascensão e se solidarizaram com o golpe e bateram panelas em suas varandas. Esses imbecis reunidos não sabem argumentar decentemente e se você emitir uma opinião diferente da deles você será rotulado e as vezes até perseguido.

Essas classes aleijam o Brasil de tal forma que não permite um crescimento sustentável, pois só olham para seus próprios rabos e não pensam no próximo. Só pensam em criar formas de aumentarem suas rendas na lei do menor esforço, por isso sonegam, corroboram para a corrupção e na lei da vantagem. Não estão preocupados numa reforma políticas senão perderão seus benefícios. Não se preocupam em ampliar a educação para todos pois enxergam como mais concorrência e mais entendimento com os aspectos sociais, manter a classe pobre o máximo de alienada é a meta deles.

O Brasil é a terra da PATIFARIA e da BAGUNÇA.

Então? Ainda tem esperanças para o país?








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Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



terça-feira, 18 de julho de 2017

Tráfico (Por Ernesto Xavier)

Quando no Brasil vamos admitir que o tráfico de drogas faz parte da economia brasileira? 

Digo mais, quando vão dizer claramente que grande parte do PIB provém de esquemas que envolvem direta ou indiretamente a compra e venda de drogas ilícitas e tudo o que as rodeiam, como tráficos de armas, compras de imóveis, carros, pagamento de propina, suborno, esquemas que envolvem políticos, policiais, juízes, grandes empresas e seus respectivos empresários?

O tráfico de drogas não começa na boca de fumo dentro da favela, com os pretos todos lá, jovens, armados até os dentes, mas sem qualquer preparo e dispostos a trocar tiro com os policiais, também pretos e pobres em sua maioria.

O esquema está tão distante desses que são os mais visados pela segurança pública, que fica até difícil explicar, mas vamos lá.

No último final de semana vi a lista dos 6 maiores traficantes de drogas do país procurados pela Polícia Federal. Todos brancos. Sim, todos. Gente alta na hierarquia do crime organizado. Mesmo assim, com gente ainda mais alta, mas que não vão aparecer em lista nenhuma da PF, pois chegaria em pessoas que, no Brasil, não podem ser investigadas, punidas e nem ao menos suspeitas. Gente que ocupa cadeira na Câmara dos Deputados, no Senado, quiçá na presi...deixa pra lá.

Já tivemos helicóptero interceptado com mais de 400 kg de pasta base de cocaína, estimada em mais de 10 milhões de dólares, com ligação direta com deputado e senador. Já teve avião com 623 kg de cocaína ligados a ministro. Mas nada disso vai adiante, pois, como já falei, são pessoas que não podem ser investigadas.

No entorno do Brasil temos o Peru, Colômbia e a Bolívia, por exemplo. Grandes produtores de cocaína e maconha. 

Pausa.

Não estou aqui para julgar se deveria ser legalizado ou não o consumo e a venda. Estou falando de um mercado ilegal que existe e produz muita grana e mortes no meu país.

Voltando.

O Peru, a Colômbia e a Bolívia possuem cartéis de drogas com ligações diretas com as facções criminosas brasileiras, que usam para o consumo interno e para exportação para os EUA e Europa. 

Até aí tudo certo? Ok.

Para assegurar o esquema, necessitam de armamento. É uma guerra deflagrada, correto? Acho que ninguém tem dúvida disso. 

São armas novas, de última geração, produzidas em países de primeiro mundo, por empresas reconhecidas mundialmente. 

Alguém aqui já ouviu falar em grandes roubos de armas em empresas de armas estrangeiras? Nunca ouvi falar.

As armas que chegam aqui saem da Suíça, dos EUA e de tantos outros lugares com nota fiscal, pagamento reconhecido, tudo dentro dos conformes. Ou alguém aqui vislumbra algum desses países permitindo a produção e venda ilegal de armas por empresas de seus países sem alguma sanção?
 
Portanto, chego a conclusão de que existe a forte conivência desses próprios países, ditos desenvolvidos, para a escalada de violência na América Latina. 

Sabendo quem são os compradores, deveria ser simples identificar os caminhos que essas armas fazem para chegar até o pretinho pobre que está lá no Complexo do Alemão portando um semi-automática. Não deveria?

É um esquema extremamente complexo que envolve portos, fronteiras, propinas, dólares e mais dólares. O pretinho não vai lá na fronteira negociar armas. Nem vai lá pra permitir a entrada de drogas no país. Ele é a ponta de lança. O bucha. O otário que vai morrer cedo, saca?

O tráfico de drogas e, consequentemente, o de armas são esquemas que não vão acabar no Brasil, pois envolvem muita gente grande, que já comanda o país desde sempre e que tem interesse direto para que assim permaneça. 

O Brasil não exporta só soja, café e proteína animal. Tem muita cocaína envolvida fazendo essa economia girar. Muito sangue escorrendo de gente que é só a consequência desse sistema. Um sistema que mantém uma parte significante da população bem pobre e analfabeta para servirem de "motivo" e mão-de-obra na cadeia alimentar do crime. E para que tantos outros pobres sejam os "defensores" da honra nacional, morrendo aos montes no país inteiro. 

Uma guerra que mata o preto e pobre em diversas instâncias, seja ele traficante, policial ou usuário.
Um guerra que consolida privilégios, seja ele latifundiário, político, empresário ou traficante internacional. 

Uma guerra que só serve para manter a roda girando. O preço alto da droga, o comércio de armas e o foco bem longe daqueles que realmente lucram com isso tudo.

Brasil, terra de traficantes e degredados desde Cabral.


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".