sexta-feira, 23 de junho de 2017

A lata do lixo da história encheu rápido (Por Roberto Sander)

Após um ano do golpe que levou ao poder o grupo político mais corrupto da história do Brasil, confesso que sinto minha alma lavada. Por um lado é decepcionante ver o nosso país, depois de 13 anos de governo progressista (apesar de todos os percalços), ainda dominado pelo pior tipo de gente, sempre a serviço dos interesses mais escusos, mais antipopulares. 

Um grupo, como se sabe, que tem como objetivo apenas servir a plutocracia, ao mercado financeiro e as grandes corporações industriais.

Mas, por outro lado, mais rápido do que se imaginava, toda essa gente está sendo desmascarada. Apesar da resistência do STF em mandar prender de vez Aécio Neves, o grande mentor de toda essa desfaçatez, só a sua desconstrução como político, a sua total desmoralização - que traz a reboque a também desmoralização de todos os seus seguidores, aqueles que batiam a mão no peito para dizer que queriam um novo Brasil, livre da corrupção - já é motivo de satisfação para os espíritos democratas. Temer, o traidor, também é um fantasma político, vagando na presidência sem qualquer respaldo, sem mais capacidade sequer de entregar as reformas da morte que prometeu.

Enquanto isso, as grandes vítimas desse processo, apesar de todas as tentativas de ligá-los a esquemas de corrupção, seguem andando de cabeça erguida, sem nenhuma prova, pelo menos por enquanto, que possa incriminá-los.

Desmoralizado também está o juiz Sérgio Moro que, além de ter dado mais um tiro no pé, mostrando-se conivente com a corrupção ao inocentar as esbanjadoras de dinheiro de propina Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo, teve agora o baque de ver, esfregado em suas fuças, o documento que comprova, de uma vez por todas, que o triplex do Guarujá nunca poderia ter sido cedido pela OAS ao presidente Lula.

Léo Pinheiro simplesmente não tinha como ter dado o apartamento a Lula sem ter depositado o valor correspondente ao imóvel em uma conta da Caixa Econômica Federal, que é na realidade quem possui, desde 2010, os direitos econômicos e financeiros sobre o tal triplex. A revelação desmontou a denúncia do Ministério Público Federal, que sustentava, apenas com base na delação de Pinheiro, que Lula era o dono oculto do imóvel.

Pois ter resistido a esse processo de demonização do PT e dos seus principais líderes me custou algumas inimizades. Inimizades de pessoas que tinha em alta conta e que nunca imaginei que fossem tão intolerantes e reacionárias. Fui chamado de petista (como se isso fosse uma grande ofensa), de ingênuo, de defensor de corrupto, de escrevinhador de bobagens, etc.

Mas como sempre tive absoluta convicção de que estava do lado certo - ou seja, do lado da Justiça, da legalidade e da democracia - que jamais deixei de resistir, de argumentar e, assim, de evitar o confronto.

Confesso que todo esse processo me enriqueceu bastante. Pude conhecer melhor as pessoas e ver a diferença que existe entre o "gente boa" e o "cidadão". O só "gente boa" é aquele que, na hora H, se deixa levar pelo lugar comum, pelo o que o sistema determina, sem nada questionar, sem de nada desconfiar. O "cidadão", ao contrário, é aquele que resiste, que não se curva diante das unanimidades, que tem como norte o que é legal, no sentido mais amplo da palavra.

Era amigo de muito "gente boa". Não sei se sou mais. Andam encolhidos, envergonhados, ressentidos, como se tivesse feito algum mal a eles por sempre apontar as suas contradições que agora estão mais do que escancaradas. E ao invés de uma autocrítica, de um reconhecimento de que se enganaram, se fazem de desentendidos e fogem do debate. 

Embora lamente, acho graça. Não deixa de ser divertido ver toda aquela empáfia de dono da verdade, de arauto da moralidade, reduzida a pó.

Difícil ainda prever o que acontecerá no nosso país. No entanto, seja lá o que vier, acredito que saímos dessa fortalecidos. A vitória da oposição na votação do senado - simbolizada por este grande político que se chama Paulo Paim - fez o projeto da reforma trabalhista empacar e trouxe um alento para quem via seus direitos serem tomados sem dó nem piedade.

De toda maneira, já sabemos que a lata de lixo da história chegou rapidinho para os três personagens que, a meu ver, simbolizaram esse momento em que se tentou (e ainda tenta) jogar o Brasil nas trevas: Sérgio Moro, Michel Temer e Aécio Neves. E Cunha, Cabral & Cia? Estes, embora também nefastos, são apenas coadjuvantes.






quinta-feira, 15 de junho de 2017

A perda de uma flor (Thiago Muniz)

A perda da flor...
...assim como o amor, 
Causa uma dor.

Circunstâncias da vida
Fatores de risco
A imaturidade se aflora

O encanto no encontro
A troca no olhar
As histórias contadas 

A despedida...
...o beijo
...um possível reencontro

Mas a flor, assim como o amor 
Causa uma dor
Ah! Essa dor que aflora...

E se...o tempo!
Permitisse um regresso 
Faria tudo diferente

A flor não teria dor...

...assim como o amor.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Rosário (Por Ernesto Xavier)

Dizem que Danilo Gentili é comediante. 

Ele conta piadas onde só ele e seus seguidores riem. Ele ficou rico assim. Ganhou um programa de auditório assim. Tem gente "respeitada" que vai ao programa dele. Tem uma emissora com concessão pública, obviamente, que paga seus salários. Tem patrocinadores que compram espaço nos intervalos e nos merchandisings ao longo do programa. 

Tem milhões de seguidores nas redes sociais. Danilo tem, portanto, a chancela de milhões de brasileiros.

Isso foi para dizer que vivemos em um país onde a cultura do estupro é aplaudida. 

E o que está descrito acima prova isso. Danilo esfregou papéis picados em sua genitália representando a deputada federal Maria do Rosário, pois sabe que milhões de pessoas e milhões de reais o dão autorização para tal. Ele chamou a deputada de puta, pois milhões de pessoas iriam rir e dizer "fez o que todo mundo já deveria ter feito".

Maria do Rosário é mais uma mulher. Mais uma nesse mar de desrespeito e violência. Já foi ofendida por Bolsonaro, o que não é de se espantar.

Maria luta inclusive pelas mulheres que talvez a odeiem. Pessoas que não compreendem que independentemente da posição política, ao ofender e desrespeitar uma mulher, estamos violentando todas, pois é assim que gente como Gentili pensa e age: fazem contra Rosário, pois é da esquerda e está no olho do furacão, mas fariam com qualquer outra mulher.

Danilo precisa responder nos tribunais. Seus atos são criminosos. A cadeia seria o seu caminho. Isso se estivéssemos em um país que pune atitudes machistas. 

Mas estamos no Brasil.

Aquele mesmo país que pôs a culpa na vítima pelo estupro coletivo.

30-05-2017

Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".















segunda-feira, 29 de maio de 2017

Vem aí: Serguei, a biografia

Para quem gosta de música e acompanha os acontecimentos, sabemos quem é Serguei, seja por alguma história que alguém contou para você ou pelo que o próprio Serguei contou em alguma rara entrevista que ele concedeu.

Pois você não conhece de fato a história desse artista lendário.

Esse enigma será desvendado pelos escritores Rodrigo Barros e Paulo-Roberto Andel, em "As alucinações de Serguei - a biografia.".

Nele conheceremos mais sobre a sua origem, o início como artista, as histórias emblemáticas com diversos artistas, a sua sexualidade um tanto ortodoxa e seu refúgio na pacata e épica Saquarema.

O livro será lançado em breve, nas melhores livrarias do Brasil, em breve anunciaremos o lançamento.

Um bate e pronto com o escritor Paulo-Roberto Andel, em entrevista ao colunista Thiago Muniz.

1) Como você conheceu o Serguei?

Paulo Roberto Andel: Desde criança. Minha mãe era amiga dele. Serguei era uma espécie de mito de Copacabana nos anos 1960 e 1970. As garotas eram loucas por ele. Enfim, um personagem riquíssimo. 

2) Quais foram as etapas e os motivos que você e o Rodrigo Barros tiveram para a concepção deste livro? 

Paulo Roberto Andel: Por ocasião dos problemas financeiros que Serguei enfrentava ano passado, tive a ideia de fazer um livro sobre ele numa conversa com Rodrigo, cuja renda seria integralmente revertida para o cantor. Ele abraçou a parceria no ato e começamos um enorme trabalho de pesquisas, depoimentos, entrevistas e outros elementos do universo Serguei. Finalmente estamos no processo final: em poucas semanas, a biografia estará na gráfica. 

3) Com toda a repercussão e polêmicas sobre a publicação de biografias, vocês em algum momento ficaram preocupados que não gerassem algum transtorno?

Paulo Roberto Andel: O projeto tem a renda 100% revertida para o Serguei, ele foi amabilíssimo conosco e não tivemos qualquer problema. Ele é uma criatura liberta, longe das amarras de alguns biografados que só querem uma edição positiva de suas vidas. Serguei é 100% um artista de verdade, o tempo inteiro. 

4) Você acredita que com a publicação da biografia a sociedade passe a olhar com mais generosidade pelo Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Serguei é uma figura importantíssima para se entender a MPB do fim dos anos 1960 em diante. Um cantor fantástico e um artista que merece a devida valorização. Uma pessoa que deveria ser mais ouvida em muita coisa quando o assunto é rock brasileiro. 

5) Podemos nos surpreender com a verdade sobre Serguei? 

Paulo Roberto Andel: Muito. Há situações a respeito de Serguei que beiram o inacreditável mas são absolutamente reais.



















BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quinta-feira, 18 de maio de 2017

A verdade vindo a tona (Por Thiago Muniz)

"Temos que corrigir nossos erros do qual somos cúmplices pelo sufrágio colocamos esses ladrões no poder. Considerando que emana de nós, povo, temos que saber escolher, votando certo.
(Luiz Carlos Quaresma)

E o Brasil foi dormir tendo certeza que o seu presidente ilegítimo é um corrupto. E aos que continuam céticos, os áudios serão divulgados em breve, não tão rápidos como esperávamos mas surgirão. Se não consegue mais aprovar o que lhe foi delegado, Temer perdeu a função e, por tabela, o único apoio que o sustentava – já que, na sociedade, a impopularidade do atual presidente é comparável às de Collor e Dilma antes de sofrerem o impeachment.

Se perder o apoio dos grandes empresários, o presidente perderá cacife fundamental para sustentar sua fisiológica base parlamentar. Depois de Joesley, quem mais vai topar negociar contribuições financeiras para políticos por indicação de Temer?

E o "salvador da pátria" de 2014, senhor Aécio Neves só não foi preso ainda por ter o tão maligno foro privilegiado, pois sua irmã e seu primo já foram presos pela Polícia Federal. A caveira de Tancredo Neves deve estar se revirando de desgosto.

O momento atual é termos lucidez. Esclarecer aos menos informados de que o momento é delicado no país. Nada é mais urgente do que Fachin derrubar o sigilo sobre as delações da JBS. Isso tem de ocorrer hoje, inclusive para minimizar o impacto do vazamento seletivo.

Sabermos que a Oligarquia já está articulando uma provável saída de Michel Temer e ele vai fazer de tudo para não renunciar. O momento atual não é escolhermos um mártir ou herói e sim sermos protagonistas da história do Brasil.

O momento é de reflexão, pois o atual Congresso é ardiloso e legisla em favor próprio. A sociedade necessita refletir de nossas atitudes.

Colocar os políticos para montar a Reforma Política é o mesmo que colocar criminosos para fazer a reforma no Código Penal, não tem sentido. Essa gente rouba e mata antes de ser delatada. É assim há 500 anos. Sem o fortalecimento das instituições democráticas, essa turma se arvora e toma o poder na marra, como aconteceu há um ano, para continuar roubando e calando quem as denuncia. Quanto mais luz e democracia, menos sombra.

Somente as ruas podem impedir o fim da democracia novamente no Brasil. O povo tem que agir.





































BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



terça-feira, 16 de maio de 2017

Barra de Guaratiba: o litoral paradisíaco (Por Thiago Muniz)

"Guaratiba" é um termo oriundo da língua tupi que significa "ajuntamento de guarás", através da junção dos termos agwa'rá ("guará") e tyba ("ajuntamento").

Barra de Guaratiba é um bairro litorâneo do município do Rio de Janeiro, onde Situa-se em região de reserva ecológica, entre a Restinga de Marambaia, manguezais e Mata Atlântica. Distante cerca de 60 Km do Centro do Rio de Janeiro, a Barra de Guaratiba é a que fica mais distante, aproximadamente 1h30min de carro dos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Mas quem vence a distância acaba encontrando outras compensações. 

O bairro de Barra de Guaratiba aparenta ser um recanto, uma rua sem saída, um lugar pequeno e aconchegante, ao chegar próximo do centro ruas estreitas e interessantes, casas construídas a um nível acima e a abaixo da estrada e uma vista deslumbrante. Além da linda praia da Barra de Guaratiba com visual incrível para o mar e a a Restinga de Marambaia.

Ao penetrar na Barra de Guaratiba, vê-se em primeiro plano, as pontes que ligam a região á Restinga da Marambaia; mais adiante o morro da Espia, de onde se descortina o horizonte, e, embaixo, a sua pequena praia banhando o pé do morro. 

Do morro da Espia, com o mar agitado, vê-se um imenso lençol de espuma causado pelas constantes ondas que quebram e rolam até guiriri (espécie de planta que cobre toda a extensão da restinga e produz pequenos cocos), época em que os surfistas aproveitam para estar na crista de todas as ondas, ou penetrando nos “tubos” que ali se formam. 

Com o mar morto, a enseada da praia da Barra de Guaratiba serve de porto para as embarcações, principalmente as traineiras que são ancoradas durante as horas de folga dos pescadores. Na praia, o intercâmbio das canoas e barcos que saem e chegam para a pesca ou passeio é um espetáculo de encher os olhos de quem vê. A acolhida e hospitalidade de seu povo completa a sua beleza.

Possui uma área territorial de 944,20 hectares e 4.380 habitantes (IBGE/2000).

Além de vários bares e restaurantes especializados em frutos domar e bebidas geladíssimas, há várias traineiras de pescadores que fazem passeios deliciosos pela orla.

No lado direito de sua pequena orla, começa a belíssima restinga de Marambaia, que possui acesso restrito por ser área militar. A praia possui águas calmas e conta com estrutura de casas, bares e um morro urbanizado. O acesso é feito pela estrada Roberto Burle Marx ou estrada da Barra de Guaratiba, com cerca de 45 km de distância do Centro.

Através de trilha no costão de Guaratiba, partindo da Rua Parlon Siqueira, entre Grumari e Guaratiba, é possível ter acesso a praias totalmente desertas e selvagens, como as praias do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. Para chegar até a praia do Perigoso são cerca de 50 minutos de caminhada e até a praia do Inferno (a última), cerca de 3 horas. 

Para realizar as trilhas, recomenda-se o uso de protetor solar, roupas leves, muita água e o acompanhamento de um guia. Também é indicado fazer a caminhada em grupo em razão do isolamento do local. Aos mais aventureiros, o prêmio, por último, chega-se à Praia do Inferno, de onde se tem uma trilha alternativa para um regresso mais rápido à Barra de Guaratiba. Estima-se um percurso de até duas horas para o retorno.

Barra de Guaratiba é conhecida nacionalmente como centro gastronômico: possui vários restaurantes rústicos na beira da estrada Roberto Burle Marx onde servem crustáceos, frutos do mar e deliciosas peixadas. 

Os restaurantes das tias (Tia Penha e Tia Palmira por exemplo) começaram a despontar nos anos 80 e eram bem rústicos, praticamente o quintal da casa dos pescadores. Hoje atraem gente de longe. Muita coisa mudou, mas a comida que é importante continua de ótima qualidade. 

O Restaurante do Bira é um dos mais famosos restaurantes da região. A especialidade da casa são frutos do mar e o visual é imbatível de frente para a Restinga da Marambaia e o Canal do Bacalhau. Seu preço não é barato, mas as porções são muito fartas, então o ideal é ir com um grupo um pouco maior (ou levar muita quentinha para casa depois).




UMA BREVE HISTÓRIA DO BAIRRO

Em indígena, significa “abundância de guarás”, aves aquáticas pernaltas. A Freguesia de Guaratiba foi criada em 1755, com terras desmembradas da Freguesia de Irajá, por iniciativa de Dom José de Barros Alarcão.

Em Guaratiba, existiam importantes engenhos, como o Engenho Novo, o Engenho de Fora, o do Morgado, o da Ilha, o da Bica e o da Pedra. Duas de suas maiores capelas eram a de Santo Antônio (Engenho da Bica) e a de São Salvador do Mundo, de 1773, doada pelo Capitão Francisco Pais Ferreira, proprietário do Engenho de Fora.

Numa disputa entre Francisco Macedo Vasconcelos, do Engenho do Morgado, e Ana Sá Freire, do Engenho da Ilha, foi aberto um caminho pelo Engenho Novo que se converteu em Estrada Geral, surgindo nela novos engenhos. No bairro há um largo, uma estrada e um morro com a denominação Ilha. Uma das versões é de que “ilha”, seria uma corruptela de William, nome de um oficial inglês da frota de Dom João VI em 1808, que se instalou no local.

Após o ciclo do açúcar e aguardentes em seus engenhos, surgiu a cultura do café, e a fazenda do Engenho Novo, de Pedro Dauvereau, foi a primeira fazenda carioca a usar maquinaria moderna importada. No Governo Washington Luís, o prefeito Antonio Prado Junior levou a Guaratiba, sua primeira estrada moderna, a da Grota Funda, com sinuosas curvas, que dava acesso à baixada de Jacarepaguá. Na década de 1970, foi construída a estrada Rio-Santos, atual Avenida das Américas, cruzando a extensa baixada. Existiu uma linha de bondes ligando Campo Grande ao largo da Ilha.

Grande parte de Guaratiba é ocupada por manguezais que chegam até a orla da Baía de Sepetiba e formam importante ecossistema, com viveiro de peixes e crustáceos. No Bairro foi implantado o atual Centro Tecnológico do Exército. Em sua baixada, atravessada pelos rios Piraquê e Cabuçu, destacando-se os jardins Maravilha, Garrido, Guaratiba, Cinco Marias e Piaí, todos da década de 1950/1960.

Nota: A denominação, delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

PRIMEIROS HABITANTES

Nos registros pertencentes a matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba, consta que a região da Barra de Guaratiba começou a ser habitada a partir de março de 1579, quando Manoel Velloso Espinha, morador da Vila dos Santos, que lutou ao lado de Estácio da Sá contra os Tamoios, requereu à Coroa portuguesa a doação de uma sesmaria ( medida de terras com que o rei de Portugal agraciava os seus colonos mais fiéis), situada ao norte da ilha chamada Marambaia da Barra (hoje Restinga de Marambaia), ao longo da costa, com duas léguas de comprimento e outras tantas em direção ao sertão, e mais uma ilha de nome Guratiba-Aitinga ou Aratuquacima (hoje Barra de Guaratiba), com todas as águas, entradas e saídas, visto estarem devolutas povoadas, segundo instruções de sua alteza para povoar o Rio de Janeiro.

O referido cidadão justificou o seu pedido de doação, alegando ter usado um navio de sua propriedade, e a sua custa, com sua gente, mais escravos, com muita despesa, conquistando para a Coroa Portuguesa o rio Tamoio-Franceses e Cabo Frio, além de ter contribuído para a derrota dos Tamoios ao lado de Estácio de Sá.

A doação foi concebida, sob a exigência de que o donatário povoasse as terras dentro de um prazo máximo de três anos, com seus herdeiros, ascendentes e descendentes, sem tributo algum, a não ser dizimo devido a Deus e pago à igreja.

Não resta a menor dúvida de que começou a partir dessa época a ocupação das terra de Guaratiba, pelo homem branco, e a formação de seu povo.

A partir do ano de 1750- cento e setenta e um anos depois, Dom Fradique de Quevedo Rondon na época donatário das terras, doou parte delas á matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba.

DESEMBARQUE DE INVASORES

Louvado em anotações feitas pelo guaratibano Almir de Carvalho, consta que há fortes indícios de que foi em Barra de Guaratiba que os invasores franceses desembarcaram em 1710, quando o corsário Duclerc percebeu que não poderia vencer a barreira de fogo da Fortaleza de Santa Cruz, para penetrar na Baía de Guanabara. Há fortes indícios, também de que a restinga de Marambaia foi utilizada como local de concentração do tráfico negreiro do século XVIII.

A divisão do Patrimônio histórico, diante das evidências, considerou-a semelhante á região da Barra de Guaratiba, depois de ter examinado uma reprodução do local de desembarque,

A pesquisa teve início quando, estudando a cultura cafeeira na província, tomou conhecimento de que o latifundiário José Joaquim de Souza Breves envolveu-se no comercio do café, para tanto adquirindo a ilha de Marambaia, local utilizado como porto de embarque e desembarque, e, bastante adequado ao acolhimento de embarcações negreiras.

DICA DO CRONISTA

Umas das vistas mais lindas do Rio de Janeiro, Barra de Guaratiba é um bairro muito gastronômico com belos passeios. Você pode alugar um stand up e desfrutar o canal ao lado da restinga. Também pode fazer a trilha da Pedra do Telégrafo e ter uma das mais belas paisagens, mas mantenha a paisagem limpa, ultimamente os visitantes estão deixando o local bastante sujo, o que degrada mais rápido o local. É um destino bem interessante para aqueles que querem ficar bem próximos da natureza. É extremamente encantadora, a paisagem é deslumbrante. Um lugar calmo e com pessoas muito receptivas. Lembra uma aldeia de pescadores, um lugar tranquilo, me sinto a vontade em andar pelas ruas e sem preocupações com violência.











Praias do Canto e Grande visto por cima




Trilha a caminho da Praia do Meio




Trilha a caminho da Pedra da Tartaruga




Praia do Canto




Praia Grande




Pedra do Telégrafo




Pedra da Tartaruga




Praia do Perigoso - visão interna




Ponte antiga




Ponte antiga




Pescadores de Barra de Guaratiba com tubarão de 1.200 Kg. (1931)




Pedra da Tartaruga e Praia do Perigoso







































 





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Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Xangô, o senhor da justiça (Por Thiago Muniz)

Xangô é um Orixá forte, inteligente e criativo. As pessoas que tem sua proteção podem se considera vencedoras.

Costumam tomar decisões certeiras graças à audacia e à justiça que possuem. Gostam de receber elogios pelas coisas que fazem. Xangô também é considerado o Orixá do fogo, já que é poderoso, autoritário e inspira respeito por aonde passa.

Extremamente sensual, ele teve três esposas: Iansã, Oxum e Obá. Como nunca se sentia derrotado, toda sua conquista era realizada de peito aberto. Seu senso de justiça é representado pelo raio e pelo trovão. Embora passe uma imagem repressiva, Xangô sempre soube separar o bem do mal. A mentira e a falsidade são coisas que seus filhos não admitem.

Mesmo autoritários e dominadores, sabem muito bem separar o certo do errado e adoram curtir prazeres que a vida oferece. Diante de qualquer problema, às vezes chegam a criar inimizades pela maneira franca de dizer tudo o que pensam. Mas mesmo assim, são adorados pela maioria das pessoas.

Xangô é o orixá dos raios, trovões, grandes cargas elétricas e do fogo. Comemorado no dia 29 de junho, “Dia de São Pedro”.

Xangô teve várias esposas sendo as mais conhecidas: Oyá (Iansã) , Oxum e Obá.

É viril e atrevido, violento e justiceiro; castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores.

A morte pelo raio é considerada uma punição do Senhor da Justiça. Da mesma forma, uma casa atingida por um raio é uma casa marcada pela cólera de Xangô.

Xangô é considerado o rei de todo o povo yorubá. Xangô foi um grande rei que unificou todo um povo. Foi ele quem criou o culto deEgungun, muitos Orixás possuem relação com os Egunguns mas, ele é o único Orixá que, verdadeiramente, exerce poder sobre os mortos, Egungun.

Xangô é a roupa da morte, Axó Iku, por este motivo não deve faltar nos Egbòs de Ikù e Egun, o vermelho que lhe pertence. Ao se manifestar nos Candomblés, não deve faltar em sua vestimenta uma espécie de saieta, com cores variadas e fortes, que representam as vestes dos Eguns.

As qualidades de Xangô

Afonjá – Afonjá, o Balé (governante) da cidade de Ilorin. Afonjá era também Are-Ona-Kaka-n-fo, quer dizer líder do exército do império. Segundo a história de Oió, no início do século dezenove, Oió era governada pelo rei Aolé, ele possuía aliados que eram espécies de Generais, que lhe davam todo o tipo de apoio mantendo assim o podes absoluto sobre o Reino Iorubá e os reinos anexados. Mas um dia um desses generais resolveu se rebelar contra Oió e se unir com os inimigos, esse general se chamava Afonjá que era conhecido como Kakanfo de Ilorin. Declarou-se independente de Oió. Com isso o Rei de Oió Aolé se envenenou para não ver o desmembramento do Império. Afonjá traíu o Império Iorubá, mas quando os rebeldes assumiram o poder Afonjá foi decaptado pelo seu novo aliado. Este alegou que se um homem traíu seu antigo rei ele voltaria a trair tantos outros.

Obá Kosso – Título que Xangô recebe ao fundar a cidade de Kossô nos arredores de Oió, tornando-se seu Rei. Título dado também a Aganju, irmão gêmeo de Xangô quando de sua chegada em Oió foi aclamado como o Rei Não se Enforcou, Obá Kô Sô.

Obá Lubê – Título de Xangô que faz referência a todo o seu poder e riqueza, pode ser traduzido como Senhor Abastado.

Obá Irù ou Barù – Título dado a Xangô logo após chegar ao apogeu do império, quando cria o culto de Egungun, é aclamado como a forma humana do Deus primordial Jakutá sobre a terra,senhor dos raios, tempestades, do Sol e do fogo em todas as suas formas. Ele acaba por destroir a capital do Reino numa crise de cólera e depois arrependido, se suicida , adentrando na terra.

Obá Ajakà – Também intitulado Bayaniym,” O pai me escolheu “, que faz referência a ele por ser o filho mais velho de Oraniã, e ter por direito que assumir o trono, irmão mais velho de Xangô.
Obá Aganjù – Aganju representa tudo que é explosivo, que não tem controle, ele é a personificação dos Vulcões.

Obá Orungã – Filho de Aganju Solá e Iemanjá, Orungã é dono da atmosfera é o ar que respiramos, dono da camada que protege a Terra. Ver mais abaixo.

Obá Ogodô – Muito falado também, é apenas o que se diz sobre Xangô, pois, Ogodô é o verbo bocejar. Então, quando está trovejando, o que se diz é que Xangô está bocejando. Dai Xangô Ogodô, é apenas um título de Xangô.

Jakutà ou Djakutà – Jakutá, é a representação da justiça e da ira de Olorun, míticamente Xangô foi iniciado para este Orixá sendo considerado como a forma divina primordial do mesmo. Ele foi enviado em sua forma divina por Olorun para estabelecer a ordem e submeter Oduduá e Oxalá aos planos da criação durante um momento de conflito entre as divindades. É o próprio Xangô.

Obá Arainã – Oroinã e Oraniã – Personificação do fogo, o magma do centro da terra é o pai de Xangô e de Aganju em sua forma humana.

Olookê – Orixá dono das montanha, em algumas lendas é um dos filho de Oraniã, foi casado com Yemanjá.

O Culto a Xangô:

Saudação: Kawó-Kabiesilé (forma com que os Orixas são reverenciados);
Cores: Vermelho e Branco ou Vermelho e Marrom ou Marrom e Preto ou Marrom e Branco ou somente Marrom ou vermelho.As cores representam os Orixás, e podem variar segundo a linha religiosa;

Dia da Semana: Quarta-Feira;

Elementos: Fogo, Vulcões, Tempestades, Sol, Trovões, Terremotos, Raios, criador do Culto de Egungun, senhor dos mortos, desertos e formações rochosas;

Elemento Livro: os livros representam Xangô porque este orixá está ligado as questões da razão, do conhecimento e do intelecto. Bem como a Justiça e o Direito;

Ferramenta: Oxê, machado duplo de dois cortes laterais feito e esculpido em madeira ou metal;
Pedra: Meteorito;

Domínios: Justiça, Poder Estatal, Questões Jurídicas, Pedreiras;

Oferendas: Amalá, cágado, carneiro, e algumas vezes cabrito. Gosta de Orobô, mas recusa Obi (noz de cola), ao contrário dos demais Orixás;

Dança: Alujá, a roda de Xangô. São vários toques que falam de suas conquistas, seus feitos, suas mulheres e seu poder e domínio como Orixá.

Animais associados a Xangô: Tartaruga, Falcão, Águia, Carneiro e Leão.














 












BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Brasil que não conhece o Brasil (Por Ernesto Xavier)

Preciso começar com um aviso nada agradável: Talvez você tenha ódio de classe.

Talvez. Acontece. Dá tempo de mudar. Você provavelmente nunca pensou nisso. Até acha que faz bem aos outros. Tem amigos pobres. Brincou com o filho da empregada quando era pequeno e trata ela “como se fosse da família”. Né mesmo?

Seu pai te falou que para alcançar algo de bom na vida você precisava estudar, trabalhar duro e chegaria lá. Você chegou. Parabéns! Hoje está trabalhando em uma empresa legal, estudou em uma faculdade federal concorridíssima, fala 3 idiomas e aquele MBA não foi fácil de pagar.

Sua mãe disse para ir atrás dos seus sonhos. Você foi. Fez um intercâmbio incrível. Lavou uns pratos nos EUA e se sentiu gente. Depois juntou uma grana e fez aquele mochilão pela Europa que nunca vai esquecer. Viu só? Sonhar é bom. Realizar é melhor ainda.

Agora se olha no espelho: tu tem ódio de classe.

Repita comigo: Eu tenho ódio de classe. Ó-D-I-O.

Calma. Você não é o vilão das histórias da Marvel. Você só foi criado em um ambiente onde as oportunidades estavam dadas e era uma questão de aproveitá-las. Você não estava errado em aproveitar. Tem muita gente que não aproveita e ainda reclama da vida. Escolhas. É da vida.
Acontece que esse ambiente te fez crer que tu era o cara. O seu esforço foi o grande motor para chegar lá e quem não chegou, putz, ‘tenta que consegue’. 

Foi assim que você aprendeu, né? Tipo a música da Xuxa: 

Tudo pode ser, se quiser será
O sonho sempre vem pra quem sonhar
Tudo pode ser, só basta acreditar
Tudo que tiver que ser, será

Lua de Cristal foi a trilha sonora da sua vida. Bendita geração Y do qual faço parte. Embalados por Xuxa, Angélica e um pouco de Sergio Mallandro. 

Te entendo, cara.

Para e pensa no moleque que via aquela mesa de café da manhã, no qual ela só pega uma uva, e o garoto não tinha nada em casa pra comer. O que era café da manhã? Aliás, pensa no moleque que nem tinha televisão para saber o que era o Xou da Xuxa. Malandro, o bicho pegava nas décadas de 80 e 90. Pegava mesmo. 

Já ouviu falar do Mapa da Fome?

Deve ter escutado falar disso por volta de 2014, quando a ONU anunciou que o Brasil não fazia mais parte desse tal mapa. Dizia o relatório, que o país tinha reduzido a taxa de desnutrição de 10,7% para menos de 5% desde 2003 e que a pobreza reduziu de 24,3% para 8,4% entre 2001 e 2012. 

É. Faz pensar, né? 

Provavelmente você nunca viu de perto alguém realmente com fome. Desnutrido, sabe? Alguém que realmente não come e não tem a menor esperança de quando vai realmente comer. Alguém que bebe água imprópria todos os dias. Quando tem água. Alguém que caminha quilômetros para buscar essa água suja que servirá para tudo. Quando a dignidade ganha outras conotações e talvez nem consigamos alcançar o significado com as palavras que temos à disposição em nossa língua. Sabe?
Não, você não sabe. Não tem a mínima ideia. Não entende aquele "mar" de gente pra ver a inauguração popular da transposição do Rio São Francisco.

Você pensa no pobre como algo que não deu certo. E você deu certo. Você se esforçou. A culpa não é sua.

Não funciona bem assim.

O sistema premia aqueles que estão dentro de um padrão, que obedeceram as normas desse padrão, que estão de acordo com o próprio sistema e podem representar sua imagem. Poucos são os que “vencem” estando fora desse padrão. Exceções que confirmam a regra. Saca?

Você vê o MST fechando estrada e acha que são um monte de vagabundos. Não sabe o que fazem. Não sabe como vivem. Não sabe pelo que lutam. Não sabe as questões que envolvem terras no Brasil. Não sabe o que se passa na base da pirâmide. Não enxerga que aquela talvez seja a forma mais eficiente de te chamar a atenção, mesmo que de forma negativa, mas que você saiba que eles existem. Que existe gente querendo(e precisando) plantar, vencer o poder dos latifundiários, de um Estado que o oprime ao ponto de mata-lo. Sim, matam muito por questões fundiárias no Brasil. Ou alguém aqui nunca ouviu falar em Eldorado dos Carajás? Abril de 1996. Olha a década de 90 entrando de novo na jogada!

Hoje acontece o depoimento do cara que começou esse processo de mudança na base no início do século 21. O cara que ousou subverter a “ordem natural das coisas” e que escancarou o tal do ódio de classe. 

Quem leu até aqui talvez entenda porque tem um monte de gente hoje em Curitiba para acompanhar esse depoimento. Talvez possa vislumbrar, mesmo que inicialmente, o porquê do amor desmedido de alguns por ele, que se amontoam em barracas de plástico, albergues, marquises, tudo para defender aquele que eles julgam tê-los defendido tanto. 

Você não precisa amar o MTST, nem se filiar ao PT, amar o Lula, querer a Dilma de volta. Não é disso que estou falando. Você só não consegue entender como tanta gente gosta dele e viaja milhares de quilômetros só para mostrar apoio. Você pensa no sanduíche de mortadela. O tal sanduíche que mata a fome de quem tem pressa. O tal sanduíche que será a única refeição. A mortadela que é mais barata que presunto. Sem pedigree. Falando alto, sorrindo largo, pisando firme. Pobre, mas entendendo o outro sentido de dignidade. O tal sentido que alguns sabem qual é, mas que para tantos é tão novo.

Tente entender o povo. Sinta-se parte dele. Você também é povo. Você também é massa trabalhadora. Só que está com o pescoço um pouco mais para fora da água. Só isso.

O ódio pode sair. É questão de aprendizado. Basta ter empatia.

Até lá, a luta continua.

10-05-2017

Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".














terça-feira, 9 de maio de 2017

Perdemos o senso do Caos (Por Thiago Muniz)

Caos significa desordem, confusão e tudo aquilo que está em desequilíbrio.

Na mitologia grega, Caos é considerado o deus primordial do universo, de acordo com a narrativa do poeta grego Hesíodo. Inicialmente, Caos seria interpretado como o “vazio” ou o “ar” que preenchia o espaço entre a Terra e o Éter (céu superior). Este significado se originou a partir da etimologia da palavra “caos”, derivada do grego khaíno, que pode ser traduzido como “separar”.

A relação do Caos com a desordem e o desequilíbrio só foi atribuída pelo poeta romano Ovídio. Caos passou a ser visto como um oposto de seu filho, Eros. Ou seja, enquanto Eros representava a união das forças e elementos, o Caos simbolizava a quebra, cisão e separação. A versão da história mitológica de Hesídio e Ovídio conta que antes da criação de Eros, o universo vivia em constante desordem. Todos os componentes necessários para a criação estavam dispersos e desorganizados.

A partir de então, Caos passou a ser reconhecido como o deus da desordem.

Tudo na vida é uma questão de referência. Ponto.

Na medida em que os meios de comunicação vão se disseminando e se anarquizando, todos ficamos sabendo de histórias que, até pouco tempo, praticamente não saíam de um raio de metros de suas origens.

A arrogância humana é tamanha, no entanto, que se costuma interpretar esse excesso de histórias dramáticas varrendo as redes sociais como uma prova incontestável de que o mundo caminha para uma piora.

O mundo não está ficando pior.

Há pouco menos de 300 anos, Tiradentes foi enforcado em praça pública, esquartejado e teve seus pedaços espalhados pela cidade.

Durante a inquisição, queimar supostas bruxas em praça pública, vendo-as agonizar até a morte, era mais do que uma punição eclesiástica: era a diversão dominical de famílias inteiras que se reuniam, ansiosas, para acompanhar a festa.

Nas cruzadas, as forças cristãs tinham o hábito de catapultar cabeças decepadas de muçulmanos para dentro de suas fortalezas como uma espécie de marketing militar, buscando assustá-los.

No Império Otomano, os sultões e príncipes podiam ter múltiplas esposas e concubinas – sendo que a diferença essencial entre uma e outra era que eles podiam espancar todas o quanto quisessem, mas assassinar as esposas era pouco tolerado.

Nas arenas romanas, ver gladiadores matando-se uns aos outros ou brigando contra leões era tão divertido que fazia a população esquecer de seus problemas ao se deliciar com mortes absolutamente bárbaras.

Hoje, quando algum caso parecido com esses ocorre e é transmitido pela Web ou pela TV – como com o Estado Islâmico ou o Boko Haram – bradamos aos quatro cantos que o mundo está cada vez pior e que a humanidade está fadada sucumbir à sua própria perversidade.

Não discordo de que haja muito pouca bondade na raça humana como um todo – mas é contradizer a história afirmar que a sociedade moderna e multiconectada não tenha sido altamente eficaz em elevar as barreiras éticas e comportamentais e trazer níveis de paz que, embora ainda insuficientes dadas as barbáries que insistem em acontecer, foram responsáveis por transformar o nosso mundo em um lugar cada vez melhor.

E por que, ainda assim, insistimos na tese de que tudo piora a cada dia?

Porque as referências que mais contam são sempre as imediatas, as mais próximas. É o presente, e não o passado remoto, que desenha a nossa percepção de mundo.

É o presente que, quase isoladamente, determina a nossa definição de caos.

Ou você realmente acredita que os genocídios do Boko Haram comoveriam os pacatos cidadãos de uma pequena cidade qualquer na Idade Média, cujos ânimos ficavam ouriçados sempre que podiam testemunhar, como diversão em família, uma suposta bruxa queimando viva no fogo da inquisição?

E assim, no país da bandidolatria e onde a banana come o macaco, vozes das mais variadas matizes surgiram para pleitear igualdade de tratamento a milhares de criminosas detidas atualmente no país.

Ora, nesse país onde multidões saem às ruas para pedir o fim da violência; onde se vestem de branco ou estampam camisetas a cada assassinato, estupro, sequestro, desaparecimento de vítimas, entre outros crimes, por que ao invés de se rebelarem contra a soltura da senhora de alto poder aquisitivo que teve regrada o retorno ao lar no bairro do Lebron, invertem as coisas e direcionam suas energias para postular justamente que outras pessoas criminosas (criminosas!) sejam liberadas?

Abstraia-se esse maniqueísmo pseudomarxista de briga de classes e diferença entre ricos e pobres, antes de continuar o raciocínio e diga:

Se um juiz soltar um jogador de futebol que mata uma mulher de forma bárbara e covarde, e desaparece com o corpo. Solta um assassino que assim agindo pune tanto a vítima como também seus familiares.

Posta em liberdade um criminoso que sem escrúpulos deixa, assim, uma criança recém-nascida sem a proteção, carinho e presença da mãe para o resto de sua vida. É válido então se postular em facebook, em revistas canhestras ou mesmo frente ao Supremo Tribunal Federal, que todos os brasileiros que assassinarem a mãe de seus filhos e que estejam em mesma situação sejam postos em liberdade?

Não parece óbvio que a indignação deve se voltar para que haja o retorno do assassino à cadeia e não a soltura de outros assassinos?

Como na clássica cena do cult “Filadélfia”, protagonizada pelos grandes Denzel Washington e Tom Hanks, até mesmo uma criança de 6 anos saberia que não é porque algo inaceitável e errado foi feito e tenha beneficiado indevidamente alguém que seja certo então se postular a convalidação de atos errados e injustos para também indevidamente beneficiar a outros.

O mesmo país que gritava por punição aos chamados poderosos e possui neste momento encarcerados alguns dos empresários mais ricos do continente sul americano; que possuí trancafiadas por diversos tipos de crimes figuras políticas que outrora ocupavam os cargos mais importantes da república; que observou essa semana a condenação de mais um agente político que figurava há poucos meses na linha sucessória da presidência desta nação; esse país não pode jamais retroceder quando um caso excepcional e destoante surge para insanamente alguns postularem o liberou geral e previsível caos.

A punição, essa sim, tem que ser democrática, já que a prática de crimes afeta universalmente a todos.



































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.