segunda-feira, 30 de junho de 2014

Salvem a Suipa!

Não dá para admitir tanta injustiça! 

A Suipa é uma entidade do RJ que cuida de mais de 4 mil animais abandonados, faz um trabalho que deveria ser realizado pelo Governo. Mesmo assim, o governo quer cobrar 15 milhões de impostos devidos pela entidade!!! 

Bloqueando as contas da Suipa, que vive de doações, 4 mil animais irão literalmente morrer de fome!! Há um grande movimento na internet pedindo q nossa Presidente Dilma perdoe a divida da Suipa, mas até agora nossa presidente, como de costume, não responde aos nossos apelos. 

O curioso, é q a Fifa, entidade milionária, não precisou pagar os impostos devidos no nosso país. Então a Fifa não precisa pagar impostos e a Suipa que ajuda animais abandonados, vive de doações, terá as contas bloqueadas por não pagar impostos? 

Presidente Dilma por favor já q foi tão boazinha c a Fifa, seja decente com a Suipa!!! Ou a senhora vai ser a responsável pela morte de 4 mil animais e de uma parte do coração de todos os protetores do Brasil???

A SUIPA deveria ser isenta de impostos, já que é uma entidade beneficente. Do mesmo modo que tem entidades beneficente isentas para seres humanos, as dos animais merecem todo o apoio, começando pela dispensa desses impostos absurdos.

Uma vez eu adotei uma cadela na SUIPA, e quando eu cheguei lá a vi numa situação desesperadora: ela trancada num quadradinho latindo MUITO, cheia de feridas e com pus no ouvido. A mulher que deveria ficar de olho neles simplesmente mandava-a calar a boca e ficar quieta. Meses depois nós a perdemos porque ela herdou uma doença da mãe e não foi vacinada adequadamente no abrigo...depois disso, concordo que é legal abrigar animais de rua mas com responsabilidade...não é tacar num quadrado, sem afeto, pois abandonar o cão já fizeram antes.

O código civil brasileiro trata as entidades religiosas e ONGs, no quesito tributo, como Imunes, ou seja, apresentando elas ao município, estado e união provas de suas atividades que ajudam o trabalho do governo, nesse caso, elas estão dispensadas de recolhimento de imposto. Ainda sim irei me informar melhor com um contador, o procedimento correto a ser tomado com a regularização destas Ongs, pois acredito que nao devam tomar o mesmo procedimento que uma 'empresa' normal.



A Suipa é sim um serviço de utilidade pública.Recolhe e cuida de animais abandonados pelas ruas.Doentes fragilizados.Todos são acolhidos.Sou testemunha disso.Prestei serviço voluntário por anos.E agora o governo federal se nega reconhecer um trabalho como esse??? É mta indiferença.Mta desumanidade.

Com certeza a isenção dos impostos da copa são uma afronta ao povo Brasileiro, quantas ambulâncias poderiam ser consertadas, quantas salas de aula reformadas, quantas obras de saneamento básico poderiam ter sido feitas com este dinheiro, realmente se trata de um descaso esta atitude por parte do governo. Por outro lado, durante a gestão do presidente FHC, houve uma alteração da lei para que as entidades que atuam com animais não pudessem mais ser classificadas como entidades filantrópicas. Ao perder o status de filantropia, a Suipa passou a ter que cumprir algumas exigências que todas as entidades devem cumprir, mesmo aquelas sem fins lucrativos. 

Sabem o porquê do processo contra a Suipa? Porque ela protege os animais, mas negligencia seus funcionários. O imposto devido pela entidade ao governo, um montante de 15 milhões de reais, é referente ao INSS patronal. Sabe o que é isso? É o valor que a empresa paga para que seus funcionários tenham garantidos seus direitos previdenciários. Ai fica a pergunta, será que os funcionários da Suipa estão de acordo em perder seus direitos trabalhistas ?... A coisa parece ser um pouco mais complexa do que o a montagem das imagens pretende demonstrar...... E ai... você abre mão do seu INSS se estivesse trabalhando para a Suipa?



Se a cobrança dos impostos fossem justas e o dinheiro usado de forma correta sem alimentar o luxo desses políticos corruptos poderíamos até entender as questões legais.
No entanto, o que vemos é o dinheiro dos impostos serem desviados do nosso país para atender os interesses de outros paises, apenas por interesses políticos. O que vemos é um monte de abutres se dando bem com o dinheiro dos impostos. ‪

Ora se ela pode librear a FIFA de pagar o imposto sobre essa COPA , por que ela se exime desse poder na hora de perdoar a divida da SUIPA? Se há uma lei a ser cumprida que ela valha para todos

#helpsuipa ‪#perdoaasuipadilma ‪#chegadeinjustiça





domingo, 29 de junho de 2014

Por que um cais abandonado causa tanto barulho no Recife?

O terreno, no bairro histórico de São José, tornou-se o catalisador da insatisfação de uma parte de sociedade com o modelo de cidade vertical.

O terreno do cais José Estelita, que equivale a cerca de 14 campos como o do Maracanã, foi vendido pela extinta Rede Ferroviária Federal a preço de banana em 2008. O comprador, um consórcio formado pelas construtoras Moura Dubeux, Queiroz Galvão, G.L. Empreendimentos e Ara Empreendimentos, foi o único concorrente do leilão e pagou 55,4 milhões de reais, 554 reais o metro quadrado.
Dez vezes menos do valor atual na cidade que ostenta o quinto metro quadrado mais caro do Brasil. Ainda hoje todos os implicados lembram da oportunidade do negócio, cujo projeto foi entregue na prefeitura pouco antes de que o atual Plano Diretor da cidade, que disciplina o ordenamento urbano, fosse aprovado.
Desde aquela transação o empreendimento, batizado como Novo Recife, é suspeito. Cinco processos judiciais –dois do Ministério Público Estadual e Federal e três da sociedade civil – estão em andamento e questionam desde o leilão à falta de parcelamento do terreno e de estudos de impacto ambiental ou de vizinhança obrigatórios tanto pelo Estatuto das Cidades de 2001, como pelo mais recente plano diretor do Recife.
Questionam também uma outra coincidência: que o projeto fosse aprovado em uma sessão extraordinária em 28 de dezembro, no último dia útil da gestão do prefeito João da Costa (PT) que deixou sua poltrona em janeiro de 2013. Costa governou Recife por quatro anos em coligação com o PSB.
O secretário de Desenvolvimento e Planejamento Urbano, Antonio Alexandre, que recebeu o EL PAÍS durante quase duas horas, admite não gostar muito nem da verticalização que dominou a cidade nos últimos anos, nem do projeto Novo Recife “tal e como foi aprovado”. 
Ele o considera “segregador”, e por isso afirma que a prefeitura está trabalhando para que o empreendimento traga algum benefício à cidade como um enorme parque público, instalações esportivas, a restauração de uma igreja fechada, uma biblioteca... O consórcio não respondeu às questões deste jornal.
Embora o secretário mantenha um discurso encantador e dialogante até para os ativistas, com quem abriu o diálogo, ele marca um limite: “Eu tenho que garantir a segurança jurídica do consórcio”. Segundo ele existe um velho vácuo legal no emaranhado de leis urbanistas do Recife que vem beneficiando aos construtores e hoje é só a Justiça quem pode declarar a ilegalidade do projeto. Os juízes, menos rápidos que as burocracias municipais, ainda não se pronunciaram em última instância –todas as liminares foram cassadas.
Um dos pedidos de liminares foi assinado pela promotora Belize Câmara que hoje acompanha a contenda desde Jaboatão, para onde foi mandada depois de obter demasiado protagonismo no caso. O superior da promotora alegou acumulação de funções, mas Câmara fala sem pudor. “Houve uma audiência, em março de 2012, que foi o divisor de águas. Fui chamada pela câmara municipal, tinha muita gente e quando peguei o microfone e comecei a falar sobre as minhas investigações, todos se entusiasmaram demais. 
Eu diria que essa foi a semente do surgimento do grupo Direitos Urbanos. Um ano depois assinei uma liminar suspendendo o projeto. Fui afastada uma semana depois. Não tenho dúvidas de que não foi pela versão oficial”, afirma a promotora.
“A prefeitura pode dizer perfeitamente que não concorda com os procedimentos da gestão anterior e fundamentar a ilegalidade do projeto. Só as irregularidades achadas pelo Ministério Público seriam suficientes", alega a doutora em Direito Público Liana Cirne Cis, de 42 anos, a escudeira do movimento Direitos Urbanos. “Aproveitam a morosidade da nossa Justiça. O consórcio sabe que vai conseguir construir antes de ter uma sentença firme”, lamenta.
Há um precedente recente e parecido, bem perto do cais do José Estelita, que ilustra o que Liana quer dizer: as Torres Gêmeas. O empreendimento foi o primeiro em multiplicar por dezenas a altura do bairro histórico de São José, o primeiro em abrir a porta do céu naquela região onde as igrejas o tijolo mais alto era o das torres das igrejas. Como no Novo Recife, até o leilão foi questionado e o Ministério Público lutou até o final para evitar sua construção. 
Quando o órgão emitiu um veredito final ordenando derrubar os arranha-céus, aqueles dois prédios brancos já coçavam as nuvens e hoje seus proprietários entram de barco no condomínio. “Não sei por que não foi cumprido. O Governo não existe, nem o municipal, nem o estadual. Não existe um plano que oriente a intervenção do poder privado”, reclama a urbanista Virgínia Pontual, que foi assessora do Ministério Público no processo.

A torcida brasileira é ridícula. A seleção precisa se acostumar

Mineirão, oitavas de final da Copa do Mundo, Brasil x Chile. No início da prorrogação, Hulk consegue um escanteio. Olha para a torcida brasileira, bate no braço como quem diz que tem sangue naquelas veias, pede vibração. Alguns respondem, mas muitos talvez não estivessem nem vendo o lance. Esse é um dos dramas da seleção brasileira no mundial que disputa em casa. Não há vaias, o que é bom, mas não há apoio firme, o que é péssimo. Será assim enquanto o Brasil estiver na disputa do título, e os jogadores precisam se acostumar com isso.

Como ocorre em todos mundiais, milhões de brasileiros viram torcedores, mesmo que não tenham visto uma bola rolar nos quatro anos anteriores. Para muitos, a Copa do Mundo não é o torneio esportivo mais importante do planeta, mas motivo de festa e confraternização. Por isso é tão comum observar, nas aglomerações onde os jogos são vistos, pessoas tocando corneta durante as partidas ou indo embora no meio delas. Não há problema algum nisso, pois cada um “torce” do jeito que bem entende.
O problema, para a seleção brasileira, é que nos estádios esse tipo de comportamento parece ser a regra. Uma quantidade enorme de frequentadores das arenas da Copa não está lá para torcer, mas para ver e ser visto, para se divertir, e eclipsa a minoria que comprou ingresso para apoiar a seleção. É comum ver pessoas “produzidas” no estádio; outras fazendo selfiescom a bola rolando, algumas levantando para comprar comida aos 43 do primeiro tempo e muitas voltando do intervalo após o reinício do jogo.
No Mineirão, isso ficou claro. Mesmo diante do dramático jogo do Brasil, houve quem desejasse tirar foto com famosos entre o tempo normal e a prorrogação, quem sorrisse e vibrasse quando aparecia no telão no meio da batalha com o Chile e até gente filmando a disputa de pênaltis. Para essas pessoas, o importante não era apoiar a seleção, mas registrar o evento e poder dizer que esteve lá. É como se cada partida da seleção fosse um espetáculo do Cirque du Soleil.
É verdade que torcedores das 32 seleções agem assim. É verdade também que o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo fora de casa e, portanto, com pouca torcida. Mas é justamente por jogar em casa que a torcida era mais necessária.
Os 23 jogadores do Brasil convivem com a expectativa do título, mas ao mesmo tempo correm um enorme risco. Eles estão na fila para se tornarem os novos Barbosas. Um deles, talvez de forma injusta como o goleiro de 1950, pode ser “eleito” o culpado por uma nova derrota do Brasil em casa, que será falada pelos próximos 64 anos. Não é uma pressão pequena, e pode ajudar a explicar a clamorosa tensão do time e a intensa choradeira vista até aqui.
Nos momentos mais nervosos, a impressão é que a “torcida” do estádio, em silêncio quando o time mais precisa, vai iniciar o massacre se o time perder. No dia seguinte a uma eventual derrota, vários ali não estarão se importando, mas atacando os jogadores.
O assunto é sensível para a comissão técnica. Tanto é que o técnico Luiz Felipe Scolari vive agradecendo o apoio do torcedor, mesmo quando este não ocorre. Por óbvio, a preocupação é manter o público ao lado da seleção. Na noite de sexta-feira 27, Felipão foi além. Aceitou participar de uma constrangedora reportagem do Jornal Nacional na qual tentava instituir um novo grito de apoio à seleção. Não deu certo, talvez porque a “torcida” do estádio seja tão alienada em termos futebolísticos que nem mesmo acompanha o noticiário para saber quão ridicularizado é o “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.
O que temos são estádios repletos de não torcedores com ingresso. Muitos não compreendem que futebol não é diversão, mas drama, e que apoiar o time mesmo nos momentos mais sofridos é a primeira cláusula do contrato que você assina na infância quando adota um clube, e que serve também para a seleção, para quem escolhe torcer por ela, em especial em uma Copa do Mundo.
É triste, mas é a realidade. A seleção brasileira não é a prioridade da torcida e não vai ser. Os jogadores precisam entender isso e buscar motivação e confiança dentro do grupo. Das arquibancadas, isso não virá.
O motivo é que os ingressos não estão com os torcedores de verdade, o povo. Quem conseguiu comprar as entradas está muito mais interessada em poder falar que esteve lá.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

Luis Suarez: O esquizofrênico

O cidadão entra em campo para jogar futebol e golpeia o adversário com uma injustificável mordida nas costas em meio a dezenas de câmeras espalhadas pelo estádio.
A Fifa aplica-lhe as penas previstas nos códigos disciplinares das competições que promove, dá mostras de que está disposta a coibir a selvageria dentro de campo, e aí o que acontece?

Os humanos que vivem se queixando de que o futebol está perdendo o brilho se ocupam com críticas à dureza do castigo aplicado no raivoso que já havia protagonizado atos semelhantes em gramados europeus.
Não entendo.
Perdemos definitivamente a capacidade de nos indignar.
Achamos tudo normal: cotoveladas, pontapés, socos, dedo no olho, dentadas...
Vale tudo em nome da vitória esportiva.
Que se dane a arte!
Às favas com o fair play, com a educação e com a integridade física.
"O que vale são os três pontos", deve estar por dizer o espertalhão, o "roubado-é-mais-gostoso" da esquina e até a garotada que aguarda a vez do "time de fora".
Infelizmente, todos, absolutamente todos, estão mal acostumados com os tribunais fajutos e causuísticas das entidades esportivas do Rio, do país e até da América do Sul.
Quer saber?
A pena de nove jogos e quatro meses foi branda: a Fifa deveria ter incluído a obrigação de exames que atestassem a sanidade mental do artilheiro das dentadas antes de cada partida.
Ele deveria ser obrigado a se tratar e apresentar atestado psicológico, dizendo q ficou "bom", quer dizer, apto a ter convívio com outros jogadores, depois de certo tempo. Ele é um doente e impróprio a conviver com outros profissionais
Luisito Suárez, não vai ter mais Copa pra vc: vem morder fronha aqui fora...



Os dentes cravados pelo uruguaio Luis Suarez no ombro do italiano Giorgio Chiellini revelam mais sobre a forma como o jogo de futebol é disputado do que apenas mais um excesso de um jogador que, a julgar por seu comportamento pregresso, parece afetado por alarmante desequilíbrio mental.
Coisa que parece também ter acometido ninguém menos que o presidente do Uruguai, José Mujica, que saiu dizendo que só o que interessa é que o cara joga bem futebol. Bela mensagem a seus governados: não importa que você seja maluco ou desonesto.
Suarez já mordeu dois outros adversários (ao que se saiba foram só dois, mas a esta altura é lícito especular que podem ter sido muitos mais).
Em condições normais, alguém com tais traços teria dificuldade em arranjar emprego.
Há gente doida de pedra no ambiente musical, no teatro, no jornalismo e em qualquer outra atividade.
Mas creio que alguém que repetidamente ataque outras pessoas a dentadas não teria como persistir na atividade.
No futebol é diferente. Por que isso?
O que me leva a especular sobre outros comportamentos que se encontram disseminadamente no futebol e que, em condições normais, teriam consequências.
Em uma Copa do Mundo o jogador argentino Diego Maradona fez um gol de mão que resultou validado porque o árbitro não percebeu.
Em vez de ser condenada, a fraude (pois é do que se trata) costuma ser cantada como genialidade, tendo sido entronada no Panteão dos heróis da pátria platina como “la mano de Dios”.
Torcedores, comentaristas, políticos etc. (vai ver, até o Papa) se orgulham de algo que deveria causar vergonha.
Igualmente desonesta foi a atitude do jogador brasileiro Rivaldo em alguma Copa dessas, quando, ao se preparar para cobrar um escanteio, fingiu ser atingido no rosto de propósito por uma bola chutada por um adversário, o que resultou na punição deste.
O comportamento jamais poderia ser encarado como “recurso válido”, conforme certos comentaristas fazem.
Uma fraude comum é cavar faltas, visto como natural por hordas de pessoas. Acham aceitável que, sem que nada tenha acontecido, um sujeito se atire ao chão aos berros no intuito de enganar o árbitro.
Acompanha a cena com caras e bocas de indignação, o que reforça a intenção fraudulenta.
Desonestidade é desonestidade, não outra coisa qualquer. Simular pênaltis, como fizeram Fred e Diego Costa na presente Copa do Mundo, é picaretagem, e não outra coisa qualquer.
O que explicaria a disseminação de embustes no volume que se verifica no futebol?
De quem seria a responsabilidade senão dos técnicos e dirigentes? Por que os técnicos, em particular das divisões de base, não esculhambam os aprendizes que começam a vida profissional na base da mentira?
É bom ver que simulações, em particular, são muito desaprovadas em alguns ambientes. Há, contudo, demasiados outros em que não são. Os jogos da Copa de 2014 bem mostram quem é quem nesse particular.
Especulo que até se poderia montar uma espécie de “índice de imoralidade” de países a partir do número de vezes que jogadores fazem isso.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sarney, o Sir Ney: o último dos Coronéis

Sarney anunciou - finalmente - que pretende não concorrer mais ao cargo de Senador. 
Só acredito vendo. Todavia, você não conhece a história do Sarney - então vou lhe contar de forma breve - como nasceu a oligarquia Sarney. 


O pai do José Raimundo de Oliveira Costa (José Sarney), Desembargador Ney Costa, trabalhou na Inglaterra e é por conta disso que o povo maranhense absorveu o termo "Sir" Ney, Sarney... O fundador da oligarquia é o próprio José Sarney, iniciando seu domínio e sua incalculável fortuna nos idos dos anos 60.

Há muitos anos atrás, um Senhor muito poderoso, dono de muitas terras era conhecido como Ney. Ele dominava boa parte das capitanias hereditárias no nordeste do Brasil. O Sr Ney era um homem muito vaidoso e desejando ser reconhecido como pessoa importante resolveu obrigar seus empregados a chamá-lo de Sir Ney - Sir é uma forma de se dirigir a alguém de título nobre nos países de língua inglesa. 


Então com o tempo, em suas terras todos os que lá trabalhavam passaram a chamar o Senhor Ney de Sir Ney. O nome foi pegando e em pouco tempo nascia a dinastia Sarney. Mais ou menos como o que aconteceu com o For All, que era uma festa popular "Para Todos" e aos poucos foi se tornando "forró" - até se consolidar como tal. 


O Coronelismo de Sir Ney perdurou por várias gerações, inclusive há indício de que eles possuem um gene imortal. 


Pois muito bem... Sir Ney ou Sarney - um dos políticos mais influentes do Brasil - que comanda uma boa parte das grandes fornecedoras de energia elétrica do Norte e Nordeste - direta e indiretamente - dono de jornais, rádios e TVs. Fundamental aliado do Governo Petista nessa empreitada com o PMDB - parece que vai largar o osso. 


Se isso for verdade, faltam apenas mais uma penca de outros ordinários tomarem a mesma atitude, porque não há como esperar do povo - onde esses senhores alimentam currais eleitorais em troca de todo tipo de bugiganga - que eles não sejam reeleitos na "democracia Brasileira" - Gente da laia de Renan Calheiros, Fernando Collor de Mello entre outras dinossauros que monopolizam setores importantes do "desenvolvimento" desse país.


Ele é o último "coronel" vivo e ativo. Sem dúvida seria um político notável se não fosse talvez o maior ladrão desse país. O Maranhão é um estado grande, cheio de recursos naturais, possui o Porto do Itaqui, estratégico e de grande calado, principal via de escoamento do minério de Carajás, entre outras riquezas mas o estado vive na mais completa miséria, sujeira e doenças. Recebe recursos da SUDENE e SUDAM à muitos anos via Sarney, entre incontáveis falcatruas.

Sarney, um senador do Amapá que quase nunca é visto por lá: Em 2013, ele foi duas vezes a Macapá, mas diz que atua pelo estado em Brasília.


Pouco habitada nos últimos 24 anos, a casa da Avenida Carlos Gomes, em Macapá, modesta para os padrões do ilustre dono, passou por uma reforma e deve voltar a ser mais visitada neste ano eleitoral pelo ex-presidente da República e hoje senador José Sarney (PMDB-AP). Após sair da presidência com a maior rejeição registrada por um mandatário na história recente do país, Sarney teve que buscar uma vaga de senador, em 1990, pelo então emancipado Amapá, porque o PMDB lhe negou a legenda em sua terra natal, o Maranhão. Dos amapaenses, Sarney já ganhou três mandatos, mas a atenção dispensada por ele ao eleitorado de seu domicílio eleitoral é mínima, de acordo com políticos do estado. Sarney disse, na ocasião, que só decidiria a partir de março se disputaria outro mandato e listou benefícios que aprovou ou ajudou a aprovar para o Amapá.

Na casa onde funciona seu domicílio eleitoral em Macapá morava, até recentemente, um aliado seu, José Carlos Alvarenga, diretor do Sebrae. Mas hoje a casa está fechada. As outras residências do senador estão na Praia do Calhau e na Ilha do Curupu (MA) e na antiga Península dos Ministros, no Lago Sul, em Brasília.

As idas de Sarney ao Amapá são tão raras que, quando ele chega lá, quase sempre de jatinho, para passar algumas horas ou no máximo três dias, é um acontecimento que ganha as manchete nos jornais locais. Uma vizinha da casa de Sarney em Macapá conta:

- Minha querida, as visitas de Sarney aqui já viraram piadinhas! É motivo de riso. Moro perto da casa dele e nunca o vi por aqui. E olha que ando bastante! A casa está sempre fechada, mas como este ano tem eleição, já começamos a ver um movimentozinho - disse Cássia Danúbia Soares Ribeiro, moradora da Avenida Carlos Gomes.

Os eleitores e políticos do Amapá reclamam do pouco esforço dele, mesmo com o poder que tem no governo, para liberar suas emendas parlamentares ao Orçamento para obras no estado. Pelo levantamento da execução orçamentária de 2013, ele destinou emendas para Macapá (R$ 2 milhões), Mazagão (R$ 7,5 milhões) e Santana (R$ 2,5 milhões), entre outras. Apesar de autorizadas, nenhum centavo foi pago. A única emenda dele empenhada e paga foi uma de caráter nacional, para a Fundação Pioneiras Sociais ( R$ 743 mil), que administra a rede do Hospital Sarah Kubitischek.

Sarney costuma visitar o Amapá em datas importantes. No primeiro ano como senador eleito do Amapá, passou seu aniversário lá. Depois, aboliu essa ideia. Nos meses de dezembro ainda vai ao estado para fazer uma já tradicional festa com políticos e jornalistas num hotel da cidade, que inclui o sorteio de brindes.

O ano que Sarney passou mais tempo no Amapá , cerca de 30 dias, foi na campanha de 2006, quando quase perdeu para a então desconhecida Cristina Almeida (PSB). Precisou gastar muita sola de sapato no corpo a corpo. Em 2010, no dia da eleição presidencial, foi a Macapá de jatinho, por volta das 7h da manhã. Votou e, ao meio-dia, voltou para o Maranhão. Em 2013, ele esteve lá só duas vezes, em abril e dezembro.

- As promessas dele não saíram do papel. O aeroporto de Macapá teve a obra parada em 2004 porque o dinheiro sumiu e hoje só tem lá o esqueleto. Quando fui governador, Sarney não permitiu que o governo federal repassasse um centavo para o estado e só governei com os repasses constitucionais. - disse o senador João Alberto Capiberibe (PSB), seu adversário político.

Terceiro senador pelo Amapá, Randolfe Rodrigues (PSOL) tem boa relação com Sarney, mas cobrou:

- Não julgo a escolha do povo do Amapá que elegeu o Sarney, mas ele deveria ter mais respeito com os eleitores e ir ao estado com mais frequência. Poderia ir pelo menos uma vez ao mês. E se ele disser que atua pelo Amapá aqui em Brasília, está mentindo. Desde 2011, não o vejo em reunião de bancada.

Sarney lista obras que apoiou

Recolhido no Maranhão, onde dona Marly Sarney se recupera de um acidente, Sarney respondeu, por meio de sua assessoria: disse que vai ao Amapá todas as vezes que é preciso e que não decidiu se será candidato novamente. Ele diz que sua sua aprovação é alta no estado e faz uma avaliação positiva de seus mandatos de senador pelo Amapá. “Tenho residência em Macapá, Rua Carlos Gomes, 920. A lei permite a todas as pessoas terem várias residências e escolher uma delas para domicílio eleitoral. Estou sempre no Amapá, todas as vezes que é preciso. Fui eleito para representar o Amapá em Brasília, onde é o Senado”, disse por e-mail.

Sarney listou obras para o Amapá como de sua iniciativa: “Quase tudo que foi criado nesses 24 anos no Amapá tem a minha ajuda. Foram iniciativas minhas a Área de Livre Comércio Macapá-Santana, o carro-chefe da economia amapaense, responsável por 80% dos empregos. Criei a Zona Franca Verde, foi minha iniciativa três hidroelétricas que estão construindo no Amapá, a 1ª começa a funcionar em junho deste ano”, disse, citando ainda o trabalho pela liberação de verbas para obras de urbanização da capital e interior.
Sobre a acusação de que persegue adversários locais, afirmou por e-mail: “Nunca impedi qualquer repasse. Apoiei a eleição do Capiberibe ao governo e todas as outras obras que ele fez pelo estado. Quanto ao prefeito da capital, Clécio Luís, temos ótimas relações e também sempre procuro ajudar a cidade (...) Tenho apoio das maiores lideranças do estado. Tenho hoje, na última pesquisa, de dezembro, 50,6% das intenções de voto do eleitorado, os outros candidatos reunidos tem 22%”.




ADEUS.... volte para a Academia Brasileira de Letras e vá tomar chá com os imortais. 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O problema de Benzema, o craque que não canta a Marselhesa

O melhor em campo na partida em que a França atropelou a Suíça, Karim Benzema perdeu um pênalti, fez dois gols (o segundo não valeu por que o juiz caprichosamente havia apitado o fim da partida), deu duas assistências — e não cantou o hino.

Não é um detalhe. Ele não estava nervoso e atrapalhado. Benzema não entoa a gloriosa “Marselhesa” jamais. “Não é porque eu canto que eu vou marcar três gols. Se eu não cantar a ‘Marselhesa’ e marcar três gols, não acho que no final do jogo alguém vai reclamar. Zidane, por exemplo, não cantava. E há outros. Eu não vejo isso como um problema”, disse ele.
Benzema, como Zidane, seu ídolo e amigo, é filho de imigrantes argelinos e é muçulmano. O silêncio é um protesto a uma letra que fala: “Às armas, cidadãos/ formai vossos batalhões/ marchemos, marchemos! / Que um sangue impuro / banhe o nosso solo”. É duramente criticado por essa atitude. A Frente Nacional, de extrema direita, fundada por Jean Marie Le Pen, o chamou de mercenário desleal e pediu seu banimento. “Ele não vê problema nisso. Bem, o povo francês não veria nenhum problema se ele não estivesse mais no time”.
É uma falácia. Benzema, que também cravou dois contra Honduras na estreia, faz toda a diferença para a França, uma equipe majoritariamente de filhos de imigrantes. Além dele, o time tem Valbuena (descendente de espanhois), Cabaye (de vietnamitas), Matuidi (angolanos), Sagna (senegaleses), Varane (os pais são da Martinica).
Há três anos, o ex-técnico da seleção, Laurent Blanc, chegou a sugerir que se limitasse o número de atletas não-brancos. Blanc queria uma cota de 30% de descendentes de africanos na federação. Para sorte dos franceses, a ideia não foi adiante.
Na Espanha, Benzema costuma ser chamado de “vendedor de kebabs”. “Se marco gol, sou francês. Se não marco, sou árabe”, afirma. Karim Benzema e seus colegas são um problema, sem dúvida, mas para os adversários. E uma lembrança perigosa para o Brasil, cujos jogadores estufam o peito para cantar a capella o ouvirundum.
Ele está coberto de razão. Mais razão teria ainda se jogasse pela Argélia. Acho hipócrita quando vejo técnicos estrangeiros cantando o hino. Mesmo sendo exportadores, acho que nisso também podemos dar exemplo: há não sei quantos filhos de imigrantes nos representando no esporte (o próprio Zico é filho de português legítimo), mas estrangeiro naturalizado, não nascido em nosso solo (critério jus soli) ou de família brasileira (jus sanguini), o único que me vem a cabeça é o ex-tenista Fernando Meligeni, que encarnava tanta brasilidade que poucos sabem, mas é nascido na Argentina.
Ele é filho de pais argelinos, mas nasceu e foi criado na França, aprendeu a jogar futebol na França, então seria bem mais injusto ele ir jogar pela seleção do Irã do que a da França. Ele é francês, mas corre sangue argelino nas suas veias, fazendo com que essa frase do hino o atinja diretamente. Certo ele de jogar pela França, mas discordar desse pensamento retrógrado.
Porque não foram os antepassados dele. Os antepassados do Benzema são árabes que foram invadidos e colonizados pelos franceses. O problema dele com o hino é que no texto dele o inimigo é chamado de "sangue impuro". "Pureza de sangue" é um conceito racista, que já foi muitas vezes usado contra o povo dele. Ele é parte de uma minoria que é oprimida na França até hoje e tem todo o direito de condenar qualquer expressão racista. Ele tem o direito de defender o seu país, mas não precisa concordar com os erros da sua história.


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Hino da França - A Marselhesa
Compositor: Rouget De Lisle

-Allons enfants de la Patrie
Le jour de gloire est arrivé !
Contre nous de la tyrannie
L'étendard sanglant est levé
L'étendard sanglant est levé
Entendez-vous dans nos campagnes
Mugir ces féroces soldats?
Ils viennent jusque dans vos bras.
Égorger vos fils, vos compagnes!
-Aux armes citoyens
Formez vos bataillons
Marchons, marchons
Qu'un sang impur abreuve nos sillons

Que veut cette horde d'esclaves
De traîtres, de rois conjurés?
Pour qui ces ignobles entraves
Ces fers dès longtemps préparés?
Français, pour nous, ah! quel outrage
Quels transports il doit exciter?
C'est nous qu'on ose méditer
De rendre à l'antique esclavage!

Quoi ces cohortes étrangères!
Feraient la loi dans nos foyers!
Quoi! ces phalanges mercenaires
Terrasseraient nos fils guerriers!
Grand Dieu! par des mains enchaînées
Nos fronts sous le joug se ploieraient
De vils despotes deviendraient
Les maîtres des destinées.

Tremblez, tyrans et vous perfides
L'opprobre de tous les partis
Tremblez! vos projets parricides
Vont enfin recevoir leurs prix!
Tout est soldat pour vous combattre
S'ils tombent, nos jeunes héros
La France en produit de nouveaux,
Contre vous tout prêts à se battre.

Français, en guerriers magnanimes
Portez ou retenez vos coups!
Épargnez ces tristes victimes
À regret s'armant contre nous
Mais ces despotes sanguinaires
Mais ces complices de Bouillé
Tous ces tigres qui, sans pitié
Déchirent le sein de leur mère!

Nous entrerons dans la carrière
Quand nos aînés n'y seront plus
Nous y trouverons leur poussière
Et la trace de leurs vertus
Bien moins jaloux de leur survivre
Que de partager leur cercueil
Nous aurons le sublime orgueil
De les venger ou de les suivre!

Amour sacré de la Patrie
Conduis, soutiens nos bras vengeurs
Liberté, Liberté chérie
Combats avec tes défenseurs!
Sous nos drapeaux, que la victoire
Accoure à tes mâles accents
Que tes ennemis expirants
Voient ton triomphe et notre gloire!
Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
Contra nós, a tirania
O estandarte encarnado se eleva!
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós
Degolar nossos filhos, nossas mulheres.
Às armas cidadãos!
Formai vossos batalhões!
Marchemos, marchemos!
Nossa terra do sangue impuro se saciará!


O que deseja essa horda de escravos
de traidores, de reis conjurados?
Para quem (são) esses ignóbeis entraves
Esses grilhões há muito tempo preparados? (bis)
Franceses! Para vocês, ah! Que ultraje!
Que élan deve ele suscitar!
Somos nós que se ousa criticar
Sobre voltar à antiga escravidão!

Que! Essas multidões estrangeiras
Fariam a lei em nossos lares!
Que! As falanges mercenárias
Arrasariam nossos fiéis guerreiros (bis)
Grande Deus! Por mãos acorrentadas
Nossas frontes sob o jugo se curvariam
E déspotas vis tornar-se-iam
Mestres de nossos destinos!

Estremeçam, tiranos! E vocês pérfidos,
Injúria de todos os partidos,
Tremei! Seus projetos parricidas
Vão enfim receber seu preço! (bis)
Somos todos soldados para combatê-los,
Se nossos jovens heróis caem,
A França outros produz
Contra vocês, totalmente prontos para combatê-los!

Franceses, em guerreiros magnânimos,
Levem/ carreguem ou suspendam seus tiros!
Poupem essas tristes vítimas,
que contra vocês se armam a contragosto. (bis)
Mas esses déspotas sanguinários
Mas esses cúmplices de Bouillé,
Todos esses tigres que, sem piedade,
Rasgam o seio de suas mães!...

Entraremos na batalha
Quando nossos antecessores não mais lá estarão.
Lá encontraremos suas marcas
E o traço de suas virtudes. (bis)
Bem menos ciumentos de suas sepulturas
Teremos o sublime orgulho
De vingá-los ou de segui-los.


Amor Sagrado pela Pátria
Conduza, sustente nossos braços vingativos.
Liberdade, querida liberdade
Combata com teus defensores!
Sob nossas bandeiras, que a vitória
Chegue logo às tuas vozes viris!
Que teus inimigos agonizantes
Vejam teu triunfo e nossa glória.



domingo, 22 de junho de 2014

A bola rola e os protestos diminuem, mas não se extinguem

As manifestações no Brasil parecem anestesiadas pela Copa do Mundo, mas não desaparecem.

Na última quinta-feira, o movimento Passe Livre, que reivindica transporte público gratuito, organizou uma manifestação em São Paulo. O motivo do protesto era simples: comemorar o aniversário das multitudinárias marchas cidadãs que, eles mesmos detonaram a partir da faísca dos aumentos dos preços das tarifas de ônibus e metrô, e que sacudiram o país de cima a baixo. 
O mundo se voltou, então, para o Brasil, sem entender, a princípio, o sentido de protestos que se resumiam a reivindicar melhores serviços públicos para uma nova classe social. Os gritos contra a Copa do Mundo daquele junho de 2013 pressagiavam um campeonato quente nas ruas.
Mas não está sendo assim. Ou não totalmente. Aproximadamente 1.300 pessoas compareceram à manifestação da última quinta-feira. É verdade que um grupo violento de mascarados fechou uma avenida principal de São Paulo destruindo cabines telefônicas e incendiando lixeiras, e que vários carros de uma loja de luxo próxima amanheceram danificados por pedaços de madeira, ferro e pedregulhos. 
Mas, também é verdade, que a Copa está acontecendo sem muitas complicações e que a maré de protestos e manifestações que traziam o temor de um campeonato desastroso desapareceu, quase completamente, quando a bola começou a rolar. As ruas e os bares foram tomados por torcedores de todos os países (inclusive os brasileiros) que assistem pacificamente às partidas e falam, quase exclusivamente, sobre futebol, o que dá a impressão de que uma trégua foi firmada, até que a competição termine.
Os porta-vozes dos movimentos sociais e vários especialistas neste tipo de fenômeno garantem que as queixas continuam, mas que as multitudinárias manifestações com reivindicações abstratas de um ano atrás (melhores serviços públicos, melhor educação, menos corrupção...), incitadas também pela atuação de uma polícia bruta e pouco preparada, se fragmentaram em protestos pontuais com objetivos mais concretos: moradias em determinadas áreas, redução de tarifas do transporte público...
Todos concordam em ressaltar que a maré reivindicativa de 2013 marcou uma linha divisória no país, despertando uma população que não vai mais voltar atrás. "As pessoas entenderam que a ação política não depende de agentes externos, nem precisa de uma organização hierárquica. O tema quente, para o futuro das manifestações será qual modelo de cidade vamos ter", garantiu há alguns dias Lucas Monteiro, integrante do movimento Passe Livre. O mesmo, mas a partir de outra perspectiva, foi dito pelo governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, em uma entrevista recente: "A insegurança urbana e o transporte público serão as chaves da campanha eleitoral", referindo-se às eleições de outubro deste ano, que já estão na boca do povo.
De fato, ainda que o país esteja um pouco narcotizado pela efervescência da Copa do Mundo, há um imenso fundo eleitoral que é irremovível. A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, do PT, oficializou a sua candidatura no último sábado, prometendo, entre outras coisas, "mais mudanças" e melhorias em temas delicados para o brasileiro de hoje em dia, como educação, saúde pública, e transportes. Ela acrescentou que não se deixará guiar pelo ódio nem pelos insultos. 
Uma mensagem dirigida àqueles que, no dia da abertura da Copa, na partida entre Brasil e Croácia em São Paulo, a vaiaram e xingaram – a maioria brasileiros de classe média alta, que são os que podem pagar pelos ingressos para os jogos. Rousseff, apesar de ter caído nas pesquisas realizadas nos últimos meses, ainda está na frente dos outros candidatos. E a Copa do Mundo, envolvida por negros prognósticos, ocorre de maneira aceitável, e está servindo, segundo enquetes recentes, para frear a queda da candidata à reeleição e, inclusive, fazer com que ela volte a subir.


Os protestos se transformam, mas os brasileiros não vão sair das ruas

Um ano depois dos protestos que levaram milhares de pessoas às ruas, os atos continuam.











A onda de manifestações que agitou o Brasil desde junho de 2013 ainda está viva nas ruas. Um ano depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital, Fernando Haddad (PT), cederem à pressão das multidões que ocupavam importantes vias de São Paulo, a exemplo do que ocorria no restante do país, exigindo a redução das tarifas do transporte público, o Movimento Passe Livre (MPL), principal protagonista dos atos, reuniu cerca de 1.300 pessoas na avenida Paulista nesta quinta-feira, um número alto em comparação a outros atos ocorridos depois da onda de manifestações do ano passado.
Os manifestantes, que querem a gratuidade das tarifas, percorreram a cidade pelas principais avenidas e o ato culminou com a destruição de vidros de bancos, vitrines de lojas e carros de luxo expostos em concessionárias, uma ação dos adeptos da tática Black Bloc, enquanto membros do MPL tentavam frear a violência, e a Polícia Militar, que muitas vezes foi criticada pelo excesso de violência, permaneceu completamente passiva.
Outra vez, os principais agentes das manifestações de 2013 se encontravam nas ruas. Mas o que mudou neste um ano desde que os protestos eclodiram? Para especialistas ouvidos pelo EL PAÍS,  o movimento gerado a partir de junho se transformou, fortaleceu os atos de outros grupos e deu visibilidade a novas causas. Os Black Blocs continuam na ativa, mas já não estão em paz com os movimentos sociais. E os movimentos que ganharam força desde então estão cada vez mais distantes dos partidos políticos.
"Os atos mudaram as formas de mobilização social"
Os protestos, ao contrário do que muitos dizem, não foram surpreendentes. Há dez anos temos assistido revoltas relacionadas ao transporte em outras capitais. Mas isso nunca tinha acontecido no centro da política, que é o eixo Rio-São Paulo, que tem a capacidade de chamar a atenção. A tática do Movimento Passe Livre também foi diferente em São Paulo dessa vez: organizou muitos protestos com intervalos curtos entre eles. São Paulo contaminou o resto do país. E eles foram muito bem sucedidos, já que a redução das tarifas atingiu 70% da população das grandes cidades. E também porque fizeram com que uma série de outros processos tivessem início e visibilidade, como as pautas dos sem-teto.
Esse foi o grande legado dos protestos. Durante a mobilização, 5% da população do país saiu às ruas, um número muito alto, que acontece em grandes momentos como revolução, levantes populares. Não dava para esperar que esse nível de mobilização continuasse de forma permanente. Mas ele trouxe novas formas de mobilização social e impulsionou uma série de mobilizações importantes, mudou o patamar de mobilização social e a visibilidade desses movimentos. É um processo de construção que não está ligado a partidos políticos, como ocorreu nos anos 1970, 1980, com a formação do Partido dos Trabalhadores (PT). E o que impede que isso aconteça novamente é que a experiência do PT já foi bem-sucedida, com a conquista do poder político, mas malsucedido, porque a profunda mudança social que se pedia não veio. A tendência, então, é que esses movimentos continuem, longe dos partidos.
"A população percebeu que a ação política não depende de agentes externos"
As mobilizações de junho foram o resultado de oito anos de trabalho do Movimento Passe Livre, o que permitiu que o grupo tivesse legitimidade e articulação. Além disto, tínhamos um plano bem preparado de como barrar o aumento das tarifas, inspirado na experiência de outras cidades. Tinha de ser um processo curto, de no máximo três semanas, e firme - de não recuar diante da opressão policial. Fizemos um planejamento e saiu da maneira esperada. A mobilização também ganhou força por causa do valor material, já que o custo do transporte é muito alto e injusto, e pela perspectiva do sofrimento das pessoas que vivenciam as condições do transporte público ou não têm acesso para chegar a partes da cidade que construíram.
Nós sabíamos que o que ocorre em São Paulo tende a se repetir em outras cidades do Brasil e que, se caísse [o preço da tarifa] em São Paulo, cairia em outros lugares. Mas é verdade que tem coisas que não tínhamos como imaginar, como 40.000 pessoas ocuparem a prefeitura de São João Del Rei, (em Minas Gerais). Em mais de 100 cidades, a população tomou o controle, ainda que de maneira temporária, de como funcionava o sistema de transporte coletivo. Isso [o êxito das manifestações] intensificou um novo ciclo de ocupações urbanas. Entre julho e outubro foram cerca de 100 ocupações. A população percebeu que a ação política não depende de agentes externos nem precisa ter uma organização hierárquica. O tema quente [para o futuro das manifestações] é o modelo de cidade que vamos ter. Que tipo de cidade irá ser construída agora e como os trabalhadores irão se apropriar deste espaço.
"A pauta da reforma urbana está forte"
O tamanho dos protestos foi totalmente inesperado mesmo para quem estava organizando, o MPL. Foi um processo que cresceu muito pela ação repressiva da Polícia Militar. As manifestações, em São Paulo, passaram de uma média de 5.000 pessoas para centenas de milhares.
Junho, certamente, teve um efeito de estímulo e gatilho para outras causas sociais, incluindo o MTST. Foi uma causa vitoriosa que mobilizou a sociedade. A pauta (de redução de tarifas do transporte público) saiu vitoriosa. Uma pauta que está muito forte , mais ampla que a moradia, é a reforma urbana. Ela abrange moradia, mas também educação, saúde, transporte. Nós acreditamos que pode reverter a exclusão, a segregação e a privatização dos serviços urbanos.
"A violência mostrou que a polícia precisa mudar"
O que aconteceu com os protestos de 2013 mostrou não só a insatisfação da população brasileira, mas também que não temos um aparelho policial preparado para lidar com esse contingente. Neste período, ou a polícia se ausentou, como voltou a acontecer nesta quinta-feira, ou foi muito violenta. Ela usou muitas táticas contra os Black Blocs, mas em nenhuma teve 100% de acerto. A violência exacerbada da polícia na manifestação de 13 de junho do ano passado fez com que os protestos aumentassem.
A Polícia Militar (PM) tem um afastamento muito grande da população. Ela foi criada no final dos anos 60 pelos Militares, que queriam controlar as forças policiais. Esses oficiais foram treinados como soldados e essas coisas não desaparecem de uma hora para outra. A atuação violenta da polícia nos protestos, com a classe média, evidenciou isso e serviu para mostrar que a polícia precisa mudar. Mas existe um lobby muito grande dos policiais para que isso não aconteça, então a oportunidade vem e vai, porque eles têm esse poder, porque existe um discurso de que a PM é insubstituível, porque ela é muito mais preocupada com a ordem pública do que com a criminalidade. Se a sociedade não se organizar para isso, não vai mudar. Ou algum partido de grande representatividade está interessado em alterar a polícia?
"Os coletivos têm dificuldade de lidar com os Black Blocs"
Os Black Blocs tiveram um papel protagonista nos protestos. Não tanto por eles, mas pela violência que eles usam, que é um espetáculo midiático. Vários dos adeptos da tática já estavam presentes nas manifestações em junho, mas muitos a adotaram após a atuação da polícia, como uma reação à violência. Depois, virou uma moda. Mas já surge uma dificuldade dos movimentos de lidar com eles. O MTST já os rejeitou. O MPL já se diferenciou deles nesta quinta-feira, os metroviários na semana anterior.
Há um sentimento contraditório. Os coletivos sabem que quando eles aparecem todo mundo esquece as pautas dos movimentos, mas eles continuam participando de alguma forma e chamam a atenção dos meios de comunicação. Eles conseguem capa, manchete. A lógica é que eles continuem a participar, até porque a polícia não sabe lidar com eles. Mas está piorando o clima nas ruas, até porque os próprios adeptos dos Black Blocs desprezam os movimentos mais clássicos, sindicais, partidários. É uma convivência complicada. Mas o que os movimentos vão fazer, expulsá-los das ruas?







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