domingo, 30 de agosto de 2015

Galán: o político que não se vendeu a Pablo Escobar (Por Thiago Muniz)

"Ni un paso atrás, siempre adelante.
(Luis Carlos Galán)

A noite de um sexta-feira 18 de agosto de 1989 o narcotráfico e os seus vínculos com o poder político conseguiram outra vitória na Colômbia. O candidato à Presidência Luis Carlos Galán, um liberal que tinha prometido lutar contra o crime organizado no país em tempos de Pablo Escobar, morria crivado a balas quando se dispunha a dar um dos seus famosos discursos.

O assassinato foi uma tragédia que marcaria para sempre a história de um país que vivia momentos terríveis de violência com o auge de Pablo Escobar e seus sequazes, o cartel de Medellín, quem tinham alcançado estabelecer fortes vínculos com as altas esferas políticas colombianas.



Galán, liberal e ex-ministro de Educação do Governo de Miguel Patrana, queria desafiar à dinâmica que governava a Colômbia e sob a frase: "Nem um passo atrás, sempre adiante, e o que for necessário, será", decidiu defender até o final a luta contra a corrupção, a violência e o narcotráfico.

"Apesar de que era um menino, lembro o que estava acontecendo. Os assassinatos de Rodrigo Lara (ministro de Justiça), Jaime Pardo Leal (da União Patriótica), Guillermo Cano (jornalista). Todos em casa sabíamos que papai era um homem ameaçado e que a Colômbia sofria com os violentos", rememora o seu filho Carlos, segundo o diário colombiano 'El Espectador'.

A sua família lembra Galán, como um "mamagallista (brincalhão) por natureza", mas cujo caráter teve que mudar à força, quando sofreu a primeira tentativa de assassinato, em 4 de julho de 1989. As autoridades lograram deter os culpados, mas desde então os seus dias estavam contados.

Aquele dia fatídico a mulher de Galán, Gloria, lhe tinha insistido para que não fosse à uma manifestação em Soacha, no sul de Bogotá. Tinha medo depois do atentado frustrado que haviam preparado contra eles e depois dos assassinatos uns dias antes do magistrado Carlos Valencia García e do coronel Valdemar Franklin, na Antioquia.

Ignorando os conselhos da sua família, Galán dirigiu-se a Soacha disposto a pronunciar um discurso. Cumprimentou a multidão que o esperava e subiu a uma improvisada tarimba, onde lhe esperavam os seus assassinos. De repente se escutou a primeira rajada de balas. As televisões colombianas captaram aquele momento histórico que tirou a fala dos seus espectadores e que afundou mais ainda na escuridão a uma Colômbia que, por aquele então, nunca se tirava o luto.

Ainda que uma boa parte do país critica a impunidade do assassinato do líder liberal, a Promotoria tem uma lista de condenados e uma hipóteses clara sobre os motivos deste crime, que estaria vinculado com outros quatro magnicídios.

Após anos de investigação, e após o assassinato de oito dos testemunhas do caso, entre eles os próprios sicários, os fiscais sustentam que Galán foi assassinado por uma aliança criminal entre inimigos, que sob a liderança de Pablo Escobar pretendiam acabar com aqueles líderes contra o crime organizado que tivessem possibilidades de alcançar o poder.

Entre os já condenados e acusados do caso encontram-se o narcotraficante John Jairo Velásquez, alcunhas 'Popeye'; o ex-ministro Alberto Santofimio Botero; os coronéis da Polícia Manuel Antonio González; o ex-comandante do primeiro distrito de Soacha Luis Felipe Montilla; além do general em retirada Miguel Maza Márquez, quem recentemente foi julgado, entretanto não tem a condena aplicada.

Segundo a Promotoria, entre as testemunhas e implicados no caso que foram assassinados ao longo dos anos estaria o responsável do homicídio.

Sobre os avanços e obstáculos que teve a investigação pelo assassinato de Galán, o seu filho Carlos falou também de supostos vínculos do clã dos Ochoa com o assassinato do seu pai, segundo informou Caracol Rádio.

Outro membro da família, o ex-vereador de Bogotá e irmão do liberal, Antonio Galán, destacou que desde o princípio das investigações forças escuras levaram para outros setores as investigações e fizeram que inocentes fossem à prisão por um delito que não cometeram.

Segundo os investigadores do caso, há uma carta que no próximo 22 de outubro, quando se adiante um julgamento contra os dois coronéis implicados, poderia dar novas pistas do crime.

A carta é o testemunho de um cabo da Polícia que fazia parte do grupo motorizado que encarregava-se da segurança na praça de Soacha para o evento de Galán.

Supostamente, esta testemunha teria informação de quem ordenaram alterar a segurança do candidato presidencial e tiveram o poder de manipular os relatórios da Polícia de Soacha.

Este testemunha, identificado como José Ariza Lancheros, teria permanecido escondido e com segurança durante vários anos e, aparentemente, teria provas para resolver um dos magnicídios a mãos de cartel mais importante e mais controversos do país.

Em resposta, o governo ordena a prisão de numerosas propriedades pertencentes aos chefões do cartel de Medellin e o fechamento da fronteira para impedir a fuga dos traficantes. A máfia, por sua vez, dinamita as sedes dos partidos Liberal e Conservador e multiplica as ameaças de morte. Uma nova guerra entre o governo colombiano e a máfia da droga estava começando.

Em 1982, Pablo Escobar, um homem muito rico, nascido em Antióquia e de antecedentes desconhecidos, era inicialmente membro do Partido Novo Liberalismo de Galán. O senador conhecia detalhes sobre suas atividades ilegais e publicamente o rejeitava diante dos milhares de apoiadores de Antioquia e de toda a Colômbia.

Galán continuava com sua ascendente carreira, abstendo-se, porém, de concorrer às eleições de 1986 a fim de evitar as divisões dentro do seu partido, sendo, no entanto, reeleito uma vez mais como senador. Isso permitiu ao Partido Liberal reconquistar a presidência com a eleição de Virgílio Barco, mas com um terrível custo:o partido perdeu 50% dos votos conquistados na eleição anterior. 

Foi somente com a mediação do ex-presidente Julio César Turbay que Galán retornou ao partido em 1987 tentando ganhar a indicação para candidato presidencial.

Galán estava crescentemente incomodado com a violência e a corrupção que os cartéis da droga, chefiados por Escobar e Gonzalo Rodriguez, impunham à Colômbia.

Ele tentava respaldar o débil governo de seu correligionário buscando contrabalançar o poder de seus perigosos inimigos.

De acordo com relatos, as primeiras ameaças de assassinato foram chamadas telefônicas feitas diretamente para a residência de Galán. Folhetos foram deixados na caixa de correio ameaçando matar ou sequestrar seus filhos. Uma tentativa de matar Galán com uma lança-granadas fracassou quando visitava Medellin em 4 de agosto de 1989. A tentativa foi frustrada pelos homens de Waldemar Quintero que foram avisados. Quintero era o comandante da Polícia Nacional Colombiana em Antióquia e, como Galán, havia sido prefeito de Medellin.

Após esses acontecimentos, Galán e sua família restringiram seus deslocamentos especialmente durante a noite. Dias depois, o staff de Galán recebeu informação da inteligência colombiana alertando-o da presença em Bogotá de um grupo de sicários com a intenção de matá-lo. A equipe o aconselhou a não viajar à cidade de Soacha e que o deslocamento para Valledupar era mais recomendável, uma vez que também estava agendado para participar de um jogo de futebol do qual a seleção estava participando. No último momento, Galán mudou de ideia e ordenou que seus assessores preparassem a viagem para Soacha.

Galán foi morto enquanto caminhava em direção ao palanque, prestes a falar a uma multidão de 10 mil pessoas. O cartel da droga estava preocupado com a possível aprovação no Congresso de um tratado de extradição com os Estados Unidos e imaginava que com o atentado afastaria da votação os inimigos políticos de Galán temerosos de seu crescente poder.

Segundo John Jairo "Popeye" Velásquez e Luis Carlos "El Mugre" Aguillar, ex-sicários de Escobar, o assassinato foi planejado numa fazenda pelo narcotraficante Gonzalo "El Mexicano" Rodríguez, o líder do Partido Liberal, Alberto Santofimio e outros. Velásquez afirmava que Santofimio tinha certa influência sobre as decisões de Escobar e que o ouviu exclamar “mate-o Pablo, mate-o!”. Outros potenciais bandidos foram mencionados por um membro desmobilizado do grupo paramilitar “Ernesto Baez” das AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) que testemunharam que o assassinato de Galán havia sido organizado pela máfia com a participação de elementos corruptos do exército e da DAS (Departamento Administrativo de Segurança), a polícia política.

Em 2004, numa carta escrita por um dos sicários que havia se infiltrado entre os guarda-costas de Galán sugeriu que o assassinato foi executado com a ajuda de um policial corrupto e alguns membros de seu corpo pessoal de segurança, que haviam sido comprados pelos chefões do cartel das drogas, inclusive Escobar. A maioria dos presumíveis sicários presos foram mortos na cadeia ou logo após sua libertação, supostamente para silenciá-los.

Em 13 de maio de 2005, o ex-ministro da Justiça e congressista pelo Partido Liberal, Alberto Santofimio, conhecido por suas estreitas ligações com Escobar durante os anos 1980, foi preso e acusado de ser o autor intelectual do assassinato de Galán.

De acordo com novos depoimentos do chefe do bando de Escobar, John Jario Velásquez, Santofimio teria abertamente sugerido a eliminação de Galán durante um encontro secreto, a fim de eliminar seu rival, para também, no caso de Galán ser eleito presidente, evitar a provável extradição de Escobar. Em 11 de outubro de 2007, Alberto Santofimio foi condenado a 24 anos de reclusão.





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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

sábado, 29 de agosto de 2015

A exumação da CPMF (Por Thiago Muniz)

Sou contrário à proposta de o governo cobrir rombo no orçamento com a CPMF.

Penso que o caminho mais adequado seria outro:
  • aumentar o imposto pago pelos bancos,
  • acabar com a isenção para na exportação do agronegócio, 
  • aumentar a alíquota na exportação de minérios (a Vale paga apenas 4%), 
  • cobrar imposto sobre grandes fortunas e sobre grandes heranças, 
  • acabar com a isenção de impostos sobre lucros e dividendos (que é a forma como os executivos de empresas recebem seus vencimentos), 
  • mexer na tabela do Imposto de Renda, 
  • criando alíquotas maiores para quem ganha muito "y otras cositas más".
Seria positiva uma CPMF com uma alíquota baixíssima (algo como 0,001%, por exemplo), não para arrecadar, mas como mais um instrumento para a Receita combater a sonegação fiscal e a lavagem de dinheiro.

De qualquer forma, salta aos olhos o amadorismo de Dilma e sua equipe. É evidente que haveria reação à proposta de recriar o imposto.

Como a proposta é lançada sem uma sondagem prévia? Nem Michel Temer, a essa altura o fiador do apoio do PMDB, foi consultado.

Ao se declarar contrário à medida, tornou muito difícil sua aprovação.

Os companheiros agradecem as boas maneiras, e partem desinibidos para novos saques. E bota desinibição nisso: no momento em que o país entra oficialmente em recessão, com um rombo recorde de R$ 10 bilhões nas contas públicas em julho — joias de uma década de pilhagem —, os oprimidos profissionais tiram da cartola a ressurreição da CPMF.

Já que você não quer falar em impeachment, querido contribuinte, vai passar a pagar pixuleco também. Mas não se preocupe: é pixuleco oficial, contabilizado, tudo certinho. Você nem vai precisar apertar a mão do companheiro Vaccari.

Para um governo tão preocupado com o povo, que chega a destruir o setor elétrico para fingir que a conta de luz é barata, recriar a famigerada CPMF é o sinal definitivo do desespero. Estão raspando o tacho. Até Delfim Netto, o oráculo do Lula, resolveu fazer o boletim de ocorrência do desastre financeiro. 

E note-se que Delfim foi aquele amigo das horas difíceis, sempre com um malabarismo teórico na ponta da língua para dizer que a administração petista ia muito bem, obrigado. Para Delfim Netto, desembarcar do seu doce teatro progressista, o brejo realmente deve ter alcançado a vaca.

Mas, para um povo cordial e pacato, até o brejo é relativo. Daqui a pouco aparece um intelectual antenado para dizer que, se é para tombar no chão, melhor afundar... Ou então que o brejo já vinha se chegando há muito tempo, e a vaca só estava no lugar errado, na hora errada. Os respeitáveis economistas Mansueto Almeida, Marcos Lisboa e Samuel Pessoa, por exemplo — que não são malabaristas — escreveram que o tombo fiscal brasileiro tem pouco a ver com a era petista.

Sugeriram inclusive que este signatário é maniqueísta e só pensa no PT. Seja como for, após 12 anos de déficits escondidos com maquiagem contábil, reaquecimento da inflação, derrubada dos investimentos graças ao sequestro do Estado pelo partido e, finalmente, uma recessão genuinamente petista, as ponderações do trio de notáveis são pura poesia para João Santana.

Melhor mesmo parar de pensar no PT. Vamos concentrar só no brejo. Mas se você acha, ainda assim, que pagar CPMF para financiar pixuleco é um pouco demais, faça como o chefe do cerimonial do Palácio: tome posição e diga àquela senhora que daqui ela não passa.


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O Boneco Inflável chamado Lula (Por Thiago Muniz)

Institucionalizaram o boneco inflável do Lula.

Essa história do Boneco do Lula é muito pitoresca.

Confesso que achei engraçado desde o começo, quando o próprio Lula apareceu - se a foto for verdadeira - segurando uma pequena réplica dele e sorrindo.

Que estão tentando demolir a imagem do ex-presidente por medo de que ele venha em 2018 e não encontre adversário a altura, isso é óbvio. Com as opções que se colocam a disposição hoje, Lula é ainda e com tudo que o PT vem sangrando, uma liderança que imprime muito medo a quem quer chegar ao poder.

Ontem o Lula inflável chamava atenção em São Paulo e um grupo de jovens da UJS liderados por uma menina linda foi lá e deu um furo no boneco.

A confusão começou e resumindo, o que todo mundo queria aconteceu, o Lula (inflável) foi parar na delegacia.

Os donos do Boneco queriam processar a menina por dano ao patrimônio privado, porém quando foi pedida a nota fiscal do personagem gigante…. ninguém até o momento apresentou…

O que isso significa?
Que gastaram uma grana para fazer o Boneco mas não emitiram a nota fiscal, o que teoricamente é ilegal.

Esse é o nosso Brasil, o país da contradição.

Eu ando impressionada com a ignorância desse povo que diz contrário a atual política brasileira! 

Qualquer crítica é recebida com violência, ignorância, maldade e absurdos proferidos! 

Quando coloquei meu comentário na página da folha sobre a corrupção de Aécio Neves me chamaram de puta, vagabunda e tantas outras ofensas que me deram ânsia!!!! 

Não é possível que essas pessoas não tenham a mínima dignidade de responder às críticas sem ofensa e com argumentos válidos politicamente e historicamente! Me envergonho dessas pessoas!

O problema com o Lula não é a com a corrupção, é o ódio por ver um nordestino de origem pobre no poder. E pior ainda, esse nordestino através de programas do seu governo, teve a "petulância" de permitir que muitos pobres tivessem acesso bens de consumo que antes era só de alguns pouquíssimos. Essa é a razão do ódio contra o Lula. A corrupção vem em último lugar.

Pitoresco é ver aqueles que chamam todos que forem contrários às suas ideias de fascistas, sem ao menos saber o que é o fascismo.
Pitoresco é um grupo que se diz contra violência e a favor da democracia furar um boneco caricaturado numa manifestação pacífica e dentro dos seus direitos de liberdade de expressão.

Pitoresco é ver um governo que tirou muitos da miséria mas não sabia que custava tanto doar sem receber de volta. Hoje somos nós quem pagamos a conta dessa péssima gestão.

Pitoresco é ver a apelação da presidente em querer retornar com a CPMF.

Pitoresco mesmo é ver esses absurdos acontecendo e pessoas como você defendendo com unhas e dentes um partido podre e corrupto e um sistema falido, que já não consegue esconder que perdeu completamente o controle e se encontra sem saída para uma solução da crise.

-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Lula até 10/2001

  • Lula a favor de manifestação
  • Lula diz q politicos são bandidos
  • Lula é a favor de CPI e impeachment
  • Lula é contra a CPMF
  • Lula é a favor dos direitos trabalhistas

Lula em 08/2015

  • Lula é contra as manifestações
  • Lula é contra CPIs
  • Lula é contra impeachment
  • Lula é a favor da retirada dos direitos trabalhistas
  • Lula é a favor da volta da CPMF

14 anos e muitas mudanças de pensamentos....

Pensava de uma forma quando era pedra... mudou após virar vidraça.


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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pepe Mujica, o mito (Por Thiago Muniz)

Pepe Mujica é, sem dúvida, uma grande figura.

Mujica apaixona o Brasil porque fala o óbvio: é preciso decência na política.

Mas seus dias de pop star no Rio de Janeiro se explicam também por outra razão: é um político que tem uma vida pessoal coerente com o que defende na vida pública.

Não está preocupado em enriquecer, em prestar "consultorias", em ter relações promíscuas (e lucrativas) com empreiteiras ou em outras picaretagens do gênero.

Como o modelo é coisa rara no nosso mercado, faz um merecido sucesso.

Assim, o frisson que ele tem causado é consequência de duas coisas, combinadas: de suas indiscutíveis qualidades e da indigência política e moral de boa parte dos nossos "homens públicos".

O contraste com o que estamos acostumados aqui no Brasil é muito grande, por isso choca tanto as pessoas, ele é simples e coerente,qualidades praticamente extintas na classe política brasileira.

O seu título de "Doutor Honoris Causa" lhe foi conferido pelo povo, que tem nele um exemplo de dignidade e de real compromisso com a causa pública.

Eu estava na UERJ e em dado momento quiseram saber que são os exemplos históricos e os livros que mudaram a percepção de vida de Pepe.Qual foi a resposta :

"Queridos,a vida é um livro aberto". A falta a leitura desse livro para alguns políticos de esquerda no Brasil.

Mujica é, de fato, um grande político. Mas tornou-se maior com o passar do tempo justamente porque soube aprender com os erros do passado e buscar alianças amplas para governar. Alguns procuram caracterizá-lo como um homem de esquerda que não faz concessões. Seria um exemplo da "verdadeira esquerda", em contraposição à Lula. É bom saber que ele, Mujica, tem grande admiração por Lula e já declarou isto diversas vezes.

Vai visitá-lo nesta viagem no Instituto Lula. Em segundo lugar, Mujica fez várias concessões, a começar pelo sistema financeiro uruguaio, que permaneceu intocado, apesar de ser notória a lavagem de dinheiro no país. Ele fez muito bem o que estava a seu alcance e por isto se consagrou.

"Quem gosta muito de dinheiro não deve entrar para política" (Mujica)

"Esta democracia não é perfeita, porque não somos perfeitos. A luta é para melhorá-la, não para sepultá-la" (Mujica)

As pessoas xingam o cara pelo simples fato de ser comunista. Ai lembro que o Paulo Freire também era e, no entanto, seus pensamentos são a base de muitos sistemas educacionais de sucesso no mundo, inclusive, pasmem, dos EUA. Ah, por sinal, foi convidado para lecionar em Harvard sem ter nenhum título. Ia me esquecendo, em Stanford tem uma biblioteca inteira dedicada a sua obra. E os brasileiros, o que fizeram? Desprezaram tudo isso. Por que? Somente pela ideologia política do cara. Isso explica porque estamos onde estamos.

"Os políticos têm que viver como a maioria da população, não como a minoria privilegiada"(Mujica).

Esse fez dos belos discursos a sua prática. Não é como esses socialistas de araque do Brasil que vivem na ostentação, no luxo. Que do alto dos seus apartamentos, iates e carros de luxo, no conforto do Ar-condicionado, tomam vinhos e champanhe de 10 mil a garrafa, ficando a se deliciar com a miséria completa de um povo que vegeta por falta de educação de qualidade, nos açougues denominados de hospitais, enfim, mergulhados na miséria e ignorância!.

Suas palavras são pronunciadas, sílaba por sílaba, com a potência similar de um cisco no olho. Foram elas, acompanhadas de uma conduta pessoal que condiz com o que prega, que fizeram que esse ex-guerrilheiro, tão normal e tão humano, alcançasse a presidência do Uruguai em 2009 e o status de guru e filósofo internacional de toda uma geração. Sua simplicidade fascina, sua sabedoria assombra. Especialmente uma juventude com novos valores, menos materiais, e que exige mudanças. E tudo isso aos 80 anos de idade.

Quando presidente, Mujica doava parte de seu salário, continuava a viver em sua chácara na periferia de Montevidéu, ia de Fusca para o trabalho, não usava gravata —às vezes nem sapato!— e ainda abria as portas do palácio presidencial no inverno para os moradores de rua. De quebra, apoiou a regularização da maconha, a liberalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo —já não é normal no Uruguai que as mulheres estejam proibidas a fazer o que querem e que as pessoas não possam se amar livremente, mas isso é papo para outro dia.




























Mujica na UERJ



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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Depressão: um mal global (Por Thiago Muniz)

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. No sentido patológico, há presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. É imprescindível o acompanhamento médico tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento adequado.

A depressão é muito mais que isso e muito mais séria. É uma aflição tão severa que restringe a capacidade de uma pessoa funcionar plenamente, um abismo mental tão profundo que ninguém pode achar que vai se safar apenas endireitando os ombros ou pensando coisas positivas.

Essa escuridão da mente e do estado de espírito é mais do que um simples desânimo. É um desequilíbrio da química cerebral, algo tão físico quanto uma fratura óssea, ou um tumor maligno. É um fenômeno que atinge todo mundo: quem perde um ente querido, mães jovens com depressão pós-parto, estudantes ansiosos, militares veteranos, idosos de uma maneira geral e pais preocupados com o sustento da família.

O jornalista Ricardo Boechat, que recentemente sofreu de surto depressivo, disse que a depressão não escolhe vítimas por seu grau de instrução ou situação econômica. Castiga sem piedade e da mesma forma pobres e ricos, anônimos e famosos. Os médicos que estão o tratando disseram que ele esticou a corda demais, que fez mais coisas do que deveria fazer e em menos tempo do que seria razoável. Foi além dos limites que a sua saúde permitia e ignorou todos os sinais físicos e avisos domésticos.

Para prevenir a doença da depressão é preciso estar atento aos indicadores de estresse em sua própria vida. Assim como fazemos com nosso carro, é fundamental observar a temperatura do nosso motor interno, os limites de nossa velocidade, ou o nível de combustível que temos no tanque. Quando ocorre a “depressão por exaustão”, é preciso fazer os ajustes necessários. A fadiga é o inimigo comum e recuperar forças passa a ser uma questão de sobrevivência.

A experiência mostra que, se não reservarmos um tempo para nos sentirmos bem, sem dúvida depois teremos que dispender tempo passando mal. E foi o que aconteceu. Mas a cura existe. Às vezes requer tratamentos demorados. Mas, como está no texto que eu li, "mentes despedaçadas também podem ser curadas, assim como corações partidos".



São sintomas de depressão:
  • Humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia;
  • Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior esforço para fazer as coisas;
  • Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis;
  • Desinteresse, falta de motivação e apatia;
  • Falta de vontade e indecisão;
  • Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;
  • Pessimismo, ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa autoestima, sensação de falta de sentido na vida, inutilidade, ruína, fracasso, doença ou morte.;
  • A pessoa pode desejar morrer, planejar uma forma de morrer ou tentar suicídio;
  • Interpretação distorcida e negativa da realidade: tudo é visto sob a ótica depressiva, um tom "cinzento" para si, os outros e o seu mundo;
  • Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento;
  • Diminuição do desempenho sexual (pode até manter atividade sexual, mas sem a conotação prazerosa habitual) e da libido;
  • Perda ou aumento do apetite e do peso;
  • Insônia (dificuldade de conciliar o sono, múltiplos despertares ou sensação de sono muito superficial), despertar matinal precoce (geralmente duas horas antes do horário habitual) ou, menos frequentemente, aumento do sono (dorme demais e mesmo assim fica com sono a maior parte do tempo);
  • Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos, como dores de barriga, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça ou no corpo, sensação de corpo pesado ou de pressão no peito, entre outros.

Alcançar a cura da depressão pode não ser a tarefa mais fácil do mundo, mas está bem longe de ser impossível. Com a dose certa de motivação e força de vontade, o caminho que parece longo e totalmente fora de alcance começa a se construir aos poucos na sua frente. É como dizem: comece fazendo o necessário, depois o que é possível e, quando você menos esperar, estará fazendo o que antes considerava impraticável.

E o primeiro passo é saber que você não está SOZINHO.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 350 milhões de pessoas do mundo todo sofrem, em algum grau, de depressão. O transtorno mental, que é mais comum do que podemos imaginar, é caracterizado por tristeza, perda de interesse em toda e qualquer atividade, ausência de prazer, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima. Distúrbios do sono e no apetite também são bastante comuns. Ou seja: todas as áreas da vida são afetadas.

O pior de tudo isso é que parentes, amigos e outras pessoas próximas não compreendem totalmente a gravidade e profundidade dessa situação, e acabam sendo negligentes nos cuidados e atenção – o que pode até contribuir para piorar o quadro de depressão.

O que cura depressão

Há algumas (muitas) coisas que uma pessoa pode fazer por si mesma e dar passos largos na grande caminhada que é a cura de uma depressão. Por exemplo:

1. Estabeleça uma rotina

Se você está deprimido, precisa de uma rotina. É o que diz Ian Cook, psiquiatra e diretor do Programa de Pesquisa e Clínica de Depressão da UCLA (Universidade da Califórnia – EUA). A depressão pode fazer a estrutura da sua vida desmoronar, fazendo um dia se fundir com o outro e deixando você totalmente sem rumo. Definir uma agenda diária, com horários e atividades, pode ajudar a colocar as coisas de volta nos trilhos.

2. Pratique exercícios físicos regularmente

Nós já falamos aqui sobre várias situações em que um mínimo de exercícios físicos pode fazer uma grande diferença. Desde ter resultados mais satisfatórios em uma determinada prova à dormir melhor e entrar em forma. E esse é mais um contexto onde esse hábito só tem a colaborar com você.

A prática regular de exercícios aumenta a quantidade de endorfinas no corpo, que são responsáveis por uma sensação de bem-estar reconfortante. Também segundo Ian Cook, a longo prazo, a prática de exercícios físicos regulares parece encorajar o cérebro a se religar de maneira positiva. E não é preciso correr maratonas inteiras para se beneficiar com tudo isso. Caminhadas algumas vezes por semana já são suficientes!

3. Tenha uma alimentação saudável

Não há uma dieta milagrosa para curar depressão, mas ficar de olho no que você come pode ser uma boa ideia. Se a depressão tende a fazer você comer demais, ficar no controle da sua alimentação vai fazer você se sentir melhor e mais confiante automaticamente. Segundo o psiquiátrica americano Cook, há evidências de que alimentos com ômega-3, ácidos graxos – como salmão e atum – e ácido fólico – como espinafre e abacate – podem ajudar a aliviar a depressão.

4. Assuma responsabilidades
Quando você está deprimido, a única coisa que você sente vontade de fazer é se afastar da sua própria vida e abandonar todas as suas responsabilidades – tanto em casa quanto no trabalho. Se esforce para que isso não aconteça. Ficar envolvido com algum projeto e ter responsabilidades diárias ajudam, e muito, pois contribuem para um sentimento insubstituível de autorrealização. Se você não consegue trabalhar o dia inteiro, pense em meio período. Se essa ideia também parece intolerável, considere um trabalho voluntário.

5. Desafie pensamentos negativos

O trabalho mental é uma parte significativa e fundamental na luta contra a depressão. Por isso é preciso mudar o jeito que você pensa. Porque quando se está deprimido, seus pensamentos sempre são os piores possíveis, em relação a tudo. E isso é como um bola de neve. Você começa a se sentir péssimo em relação a você mesmo e a tudo que está a sua volta. Por isso, uma boa ideia é usar a lógica como tratamento natural para curar depressão. Você pode se sentir como se ninguém gostasse de você, mas existe alguma evidência real para achar isso? É preciso prática para pensar assim, mas com o tempo se torna algo natural, e você começa a domar pensamentos negativos antes que eles saiam de controle.




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terça-feira, 25 de agosto de 2015

O WhatsApp pelos dois lados da moeda (Por Thiago Muniz)

O WhatsApp, não custa lembrar, vem do capitalismo, do desejo de lucrar, da propriedade privada, do investimento de capital poupado para ter retorno, do dinâmico setor de tecnologia, ícone do livre mercado, de investidores “anjos” em busca da próxima tacada bilionária. O mesmo para Facebook, Apple, Twitter, Microsoft etc.

Nada veio do socialismo!

O avanço do capitalismo foi o maior “milagre” para os mais pobres. Foi ele que permitiu o crescente acesso das massas aos diferentes produtos que trazem mais conforto, mais produtividade, mais qualidade de vida. Isso é o capitalismo em ação! Enquanto a defesa de grandes corporações em simbiose com o governo, o que chamam de “capitalismo de estado” só para manchar a imagem do capitalismo, é no fundo a prática recorrente das esquerdas.

O WhatsApp é um dos aplicativos mais populares de todos os tempos. É rápido, é flexível, é prático e é de graça, uma mão na roda nesses momentos difíceis em que todos os preços estão subindo. 

Ele é perfeito no que se propõe a fazer, ou seja, conectar pessoas. Por causa disso, todos adoram o WhatsApp. Isto é: todos menos as operadoras e o ministro Ricardo Berzoini, que estão loucos para acabar com ele.

Eu até entendo porque as operadoras não gostam do WhatsApp, já que ele permite aos usuários economizar o rico dinheirinho que, antes, ia direto para os seus (delas) bolsos. Mas, por mais que me esforce, não consigo entender por que o ministro não gosta do aplicativo, que considera um serviço pirata "à margem da lei".

Pensem comigo. Assim como o seu esclarecido colega Aldo Rebello, da Ciência, Tecnologia e Inovação, o ministro Berzoini se considera um homem de esquerda. Ora, como tal, ele deveria, pelo menos em tese, amar a vasta massa de trabalhadores -- que, por sua vez, amam de paixão o WhatsApp, que funciona a seu favor e protege o seu dinheiro das teles. As teles, todos sabemos, são empresas gigantescas, que têm lucros quase tão obscenos quanto os dos bancos. E que, ainda por cima, mandam quase tudo o que ganham para o exterior:

"Subsidiárias brasileiras de telecomunicações chegam a enviar (para o exterior) até 95% de seus ganhos anuais, como forma de reduzir endividamentos e de compensar queda na receita em países menos performáticos; a TIM e a Vivo, por exemplo, enviaram para suas matrizes cerca de R$ 15 bilhões desde 2009; ao mesmo tempo, continuam liderando reclamações na Anatel e enfrentando dificuldades em ampliar capacidade da rede de dados.".

Não tirei essa informação de nenhum órgão da imprensa golpista, mas sim do blog brasil247, espécie de porta-voz do governo que o ministro integra. Era de se esperar, portanto, que o ministro, como homem de esquerda que diz ser, demonstrasse um pouco menos de amor pelas teles e um pouco mais de amor pelos trabalhadores, que tanto dependem do WhatsApp. Também era de se esperar que notasse que, há tempos, as operadoras cobram dos cidadãos contas cada vez maiores por serviços cada vez piores, o que justifica em boa parte o sucesso do aplicativo. Até outro dia, homens de esquerda defendiam pessoas físicas da sanha de pessoas jurídicas; mas isso, claro, era na época em que a esquerda ficava à esquerda, e não à direita da direita, como fica hoje.

O ministro Berzoini argumenta que "esse tipo de serviço subtrai empregos do povo brasileiro”. Pelo visto, ele ainda não entendeu que emprego não é necessariamente sinônimo de trabalho, e nem reparou como tecnologias como o WhatsApp ajudam a todos os trabalhadores, indistintamente -- coisa que qualquer pessoa percebe no dia a dia, ao se comunicar com o mecânico, o feirante, o marceneiro ou a costureira, para ficar nuns poucos exemplos.

Ninguém pode criticar o ministro por ignorar a realidade. Militando no PT, alçado àquela elite política que tem todas as despesas pagas e todos os problemas cotidianos resolvidos, ele certamente não vê um trabalhador de perto há anos -- e não precisa do WhatsApp para nada.
É mais fácil as operadoras reclamarem do WhatsApp e até do Skype do que oferecerem uma banda maior, cobertura, ou mesmo 3G decente. A crítica deles é baseada na mediocridade do serviço que prestam, porque se prestassem uma banda decente e uma cobertura tb decente as pessoas usando o WhatsApp iriam aumentar o tráfego de dados e portanto reverter em lucro, mas eles não querem lucro, querem lucratividade absurda em cima de uma banda ridícula, de serviços medíocres.

O problema das operadoras de telefonia não é dinheiro, mas sim soberba, miopia e arrogância. Operadoras continuam brigando por voz pois é a única fonte de receitas que elas ainda dominam, exatamente como era no século XX.

É fácil falar agora sobre o Whatsapp? É. Mas o ponto não é o aplicativo que provavelmente seria criado de qualquer maneira, o ponto é a mentalidade avessa à inovação em serviços de valor agregado que sempre dominou as operadoras de celular independente da tecnologia. Elas simplesmente preferiram continuar penduradas na voz e agora estão pagando o preço por isso.

Dentre as várias coisas que faço, lido com inovação tecnológica a alguns anos, e na última década estive intimamente ligado ao mercado mobile. As teles pagam hoje por sua arrogância ao segregar a inovação em seu mercado, numa espécie de reserva, onde se consideravam 'donas'. Milhares de aplicativos tinham que suplicar para serem distribuídos por elas até 2008, e as empresas e pessoas eram simplesmente ignoradas como produtores que ajudariam a aumentar o faturamento delas com serviços que também ajudariam a população (ganha-ganha).

Hoje, elas foram colocadas de fora da linha da inovação no setor e passaram a apenas vender uma commoditie que é o canal de comunicação, o qual pode ser dispensado caso exista uma conexão wifi por perto. Era uma bola cantada a anos com o Skype, que preferiram ignorar e criar modelos de negócios que geraram esse 'cisne negro' que vivem hoje.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Michel Temer livre pra inserir o câncer do PMDB no Brasil (Por Thiago Muniz)

O paulista Michel Temer deu sua fisionomia ao PMDB e, com discrição, comanda a máquina partidária há mais de 10 anos.

Os noticiários já haviam antecipado, em seus editoriais, a posição central do vice-presidente Michel Temer no cenário político, ao mesmo tempo em que acenou para o clima de instabilidade no Executivo.

No domingo, 16 de agosto, o Jornal do Brasil destacava que a pouca adesão às manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff se devia à atuação de Temer:

"A competente ação que o vice-presidente vem desenvolvendo nestes últimos dias como reorganizador do processo político, onde o vencedor é o Brasil, mostrou que o vice é o grande artífice das manobras politicas que, primeiro, mostram as forças das instituições, e não bravatas de políticos provincianos com arroubos golpistas", escreveu o JB, prosseguindo: "Michel Temer merece o apoio de todos os partidos que pensam no Brasil para que possa, na coordenação política, abrir caminhos para as propostas do governo serem vitoriosas no Congresso em benefício do povo."

Ao mesmo tempo, no dia 6 de agosto, o JB alertava para o clima instável no Executivo, quando Temer declarou: "É preciso que alguém tenha capacidade de reunificar, reunir a todos”

Michel Temer é um homem de fala mansa, comportamento tranquilo, político conhecido por suas articulações silenciosas sempre com bons resultados, frases curtas e objetivas. As declarações dadas na quarta-feira (4/8) pelo vice-presidente da República, Michel Temer, de que “é preciso que alguém tenha capacidade de reunificar, reunir a todos”, é uma frase que é um pingo no “i”, disse o JB,acrescentando:"Não há dúvida do que quis dizer Temer. Estamos navegando em águas turvas, revoltas e sem timoneiro".

Nesse momento em que o mundo passa por uma crise devastadora nos países emergentes em razão de os preços dos commodities desabarem, com a sinalização de uma possível recessão na China, os mais prejudicados são os que têm nos últimos anos aumentado suas exportações para aquele país. Entre eles, o Brasil é um dos que mais se beneficiavam daquele mercado.

Se o cenário econômico é extremamente preocupante, o político, com o posicionamento de Temer, já nos permite também acreditar que o rompimento em São Paulo é iminente. O PMDB terá candidatura própria. Somada à inevitável crise brasileira na área política, a saída de Temer também dá ao presidente da Câmara um certo conforto nas ameaças que vem fazendo.

Quando se vê que o individual, por razões puramente fisiológicas, contrariam o interesse nacional, vemos que podemos estar caminhando para o caos. Não se vê por parte da oposição, e o JB já antecipou, nenhuma crítica aos corruptores. O assunto Eduardo Campos morreu com ele. Seu partido não se posiciona. O envolvimento de Sérgio Guerra na Lava Jato também parece ter morrido com ele.

O que se vê claramente é a tentativa da oposição em fazer política contra o partido do governo. Não se vê na oposição uma defesa ao juiz Sergio Moro, e nem um ataque às empreiteira envolvidas no Lava Jato. Não se vê o presidente da Câmara se defender do que lhe acusam. Se vê o presidente da Câmara atacar a lentidão do Lava Jato contra outros supostos acusados.

A saída de Temer da articulação acelera a crise política, que será explosiva para a crise econômica.

Discreto, protocolar, litúrgico e um dos poucos políticos que, em vez da voz alta, usa os ouvidos para tomar decisões, o vice-presidente da República, Michel Temer, uniu e colocou o PMDB como uma espécie de fiel da balança nas eleições de 2014. 

 

Com o mais importante cargo na linha sucessória do Palácio do Planalto, a hegemonia no comando do Congresso, o maior número de prefeitos (1.421), de vereadores (7.825), de deputados estaduais (147), quatro governadores, a segunda maior bancada na Câmara (77 deputados federais) e a maior no Senado (21 senadores com a adesão de Kátia Abreu, do Tocantins) desde a eleição da presidente Dilma Rousseff, em 2010, o PMDB se uniu em torno do nome de Temer. Hoje licenciado por conta das atribuições do cargo de vice, Temer comanda a máquina partidária há 11 anos e deu sua fisionomia ao PMDB.

“Reconheço que o Michel vem exercendo um papel importante na conciliação do PMDB. Ao contrário de outros vices, pela discrição, experiência política e o perfil conciliador, ele conquistou um peso específico e importante no partido e nas decisões do governo”, diz o senador Pedro Simon (PMDB-RS), independente e peemedebista histórico. Em várias ocasiões Simon se insurgiu contra a ala governista do partido, da qual Temer é um dos idealizadores.

Tanto cacife obriga que nenhuma decisão relevante na relação com o governo deixa de passar por Temer. É dele também a costura que garantiu o acordo que levou a presidência da Câmara ao decano Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL) à presidência do Senado. A contrapartida é o aval que garante a ele, mais uma vez, a vaga na dobradinha pela sucessão presidencial.

O PMDB também acumula, por força do acordo, cinco pastas importantes na Esplanada (Minas e Energia, Agricultura, Aviação Civil, Turismo e Previdência) e, ainda, a possibilidade de agregar um sexto ministério, o da Integração Nacional, desocupada pelo ex-ministro Fernando Bezerra com o racha que separou o PSB da base aliada. O nome de consenso costurado por uma articulação de Temer junto aos senadores e deputados numa eventual reforma em janeiro é o do senador Vital do Rego (PMDB-PB).

Aos 73 anos, filho de libaneses, caçula de uma família de oito irmãos, seis mandatos de deputado federal (de 1987 a 2011), líder em várias legislaturas e presidente da Câmara por três vezes (1997, 1999 e 2009), o grande desafio desse paulista de Tietê, católico, professor de direito e advogado, é tirar do PMDB a fama de partido paroquial e fincar a bandeira da legenda justamente em sua base eleitoral, o disputadíssimo Estado de São Paulo.

Se a chapa nacional está consolidada – conforme ele mesmo não se cansa de repetir – o trabalho de maior fôlego agora é unir o partido em torno do empresário Paulo Skaf, que se impôs como candidato depois que outro pupilo de Temer, o deputado Gabriel Chalita, caiu em desgraça por suspeitas de corrupção.

Michel Miguel Elias Temer Lúlia, ou simplesmente Michel para os peemedebistas, entrou na política durante o governo de Ademar de Barros como chefe de gabinete do então secretário de Educação, Ataliba Nogueira. Em 1983, no governo Franco Montoro, já filiado ao PMDB dois anos antes, virou procurador-geral do Estado de São Paulo. Um ano depois, foi nomeado secretário de Segurança Pública, cargo que voltaria a exercer em 1992, já na gestão do ex-governador Luz Antônio Fleury Filho, com a missão de debelar uma das maiores crises da segurança pública paulista, deflagrada com a chacina dos 111 presos do Carandiru. 

 

“Era um momento muito difícil. Com habilidade e espírito de conciliação, ele pacificou a segurança. O Temer é extremamente leal, correto e hábil articulador político”, derrama-se em elogios o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. A primeira medida de Temer como secretário foi chamar a sociedade civil a participar da política de segurança, o que acabou resultando no único episódio que se tem notícias de uma reação voluntarista. Numa reunião com o Conselho da Polícia Civil, um dos “cardeais” chegou a ameaçar que pediria demissão caso os interesses da polícia fossem misturados aos grupos de direitos humanos.

“Pois se o senhor formalizar o pedido de demissão, eu aceitarei”, reagiu o então secretário, numa das raras ocasiões em que alterou a voz. O cardeal silenciou-se. Depois, a amigos, ele confidenciou que seu jeito cerimonioso às vezes levava as pessoas a confundir com frouxidão.

Quando Temer assumiu a segurança, em 1992, as tropas de choque da PM haviam chegado ao auge da matança de civis em alegados conflitos de rua: 1.421 mortes. Além de reforçar as corregedorias, ele adotou duas singelas medidas para inibir os excessos: a perícia deveria fazer o exame residuográfico (que mede a presença de pólvora) nas mãos das vítimas para confirmar se ela reagiu a tiros à ordem policial; os agentes envolvidos em conflitos sairiam das ruas e, depois de tratamento psiquiátrico, seriam remanejados para áreas administrativas. No final do ano seguinte, as estatísticas registravam 377 mortos de civis, uma drástica redução e a comprovação das suspeitas de que grande parte dos conflitos, na verdade, era execução de supostos criminosos.

A atuação na segurança levou Fleury a nomeá-lo Secretário de Governo, cargo em que acumulava a Casa Civil e o colocava como o segundo na hierarquia do Palácio dos Bandeirantes, responsável pela articulação política. “Ele me ajudou muito”, afirma Fleury, que não conhece personagem com quem Temer tenha se incompatibilizado. “Pode procurar um inimigo dele. Não vai encontrar”, garante.

O vice-presidente da República é assim. Um homem de união. Um aparador de arestas, como define o cientista político Gaudêncio Torquato. Cerimonioso e conciliador, tornou-se um confessor que une figuras tão diferentes como Renan Calheiros e José Sarney. O PMDB é para profissionais.

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), constitucionalista e estudioso das questões jurídicas, deve-se a Temer o parecer que destrancou a pauta da Câmara quando esta era travada pelas medidas provisórias emitidas pelo governo. Ele apresentou uma interpretação mostrando que a pauta só seria trancada para as matérias ordinárias própria das MPs, o que deixava a Mesa livre para votar outros projetos em sessões extraordinárias.

O parecer de Temer acabou sendo respaldado pelo decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello em decisão que virou jurisprudência. Temer sabe como ninguém os atalhos existentes entre o Legislativo e o Executivo, lembra o cientista político Leonardo Barreto. Mas nem tudo são flores: na disputa pela liderança do partido na Câmara, ele perdeu a parada. Quem levou foi um adversário do Palácio do Planalto, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Desde então, diante da incapacidade do vice em vetar Cunha, o Planalto passou a conversar diretamente com o Congresso.

Sempre que o acusam de fisiológico, Temer responde com os números sobre a capilaridade do PMDB e seu direito de governar. Tantos anos na política também renderam desgaste. Em 2009, seu nome foi citado 21 vezes numa lista de supostas doações não declaradas encontradas na Construtora Camargo Corrêa durante a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Depois, no caso do Mensalão do DEM, no Distrito Federal, foi acusado por um dono de jornal de ter recebido dinheiro para afastar do partido o ex-governador Joaquim Roriz. Ele negou e, para se defender, abriu uma ação contra o detrator.

Em 2009, o Departamento Intersindical de Assistência Parlamentar (Diap) apontou Temer como o mais influente congressista. Constitucionalista, o vice-presidente escreveu várias obras sobre direito, entre elas Elementos do Direito Constitucional que, na 26ª edição, com perto de 250 mil exemplares vendidos, é referência nas faculdades de direito. Ele também andou incursionando pela literatura: no ano passado lançou “Anônima Intimidade” (Editora Topbooks), uma coletânea de poesias escritas em guardanapos durante as viagens de avião pelo país.

Tirar a obra do âmbito íntimo mostrou-se uma surpreendente exceção da vida pública de um homem que, como poucos, gosta dos bastidores e da liturgia do poder.

Numa rara entrevista em que demonstrou nervosismo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) soltou uma pérola sobre o futuro do país, ontem, após reuniões com “aliados” do governo Dilma Rousseff.

Segundo ele, o país precisa de “alguém que tenha capacidade de reunificar a todos”.

Quem seria essa pessoa? Há duas interpretações: ele, Temer, ou uma personificação do Congresso Nacional, ou seja, o PMDB.

Eis que hoje pela manhã os deputados decidem votar quatro contas de ex-presidentes e preparam o terreno para avaliar os dados de 2014 de Dilma Rousseff – aqueles das pedaladas fiscais. Ao mesmo tempo, uma pesquisa Datafolha mostra que a rejeição a Dilma chega a 71%, superior à de Collor.

É a senha para mostrar que o caminho para o impeachment está aberto. Portanto, chegou a hora de pensar seriamente no que vem depois.

Teríamos o PMDB no comando das presidências da República, da Câmara e do Senado. Na primeira cadeira, alguém eleito na chapa da presidente afastada, nas outras duas, investigados pela operação Lava Jato.

O que isso muda essencialmente na vida dos brasileiros? O PMDB possui um plano diferente do ajuste fiscal de Dilma e Joaquim Levy para tirar a economia do buraco? A corrupção vai diminuir?

Pois é, você sabe qual é a resposta.

PMDB é sócio majoritário de todos os problemas enfrentados pelo país atualmente. E não vai passar a ser solução de uma hora para outra.

No fundo, o PMDB só está sendo o PMDB. Ou melhor, o “imobilismo em movimento”, segundo o livro do filósofo da Unicamp Marcos Nobre.

A obra descreve o “peemedebismo” como o eixo central da política brasileira há três décadas. Uma força que blinda qualquer possibilidade de transformação de fato no país.

Se o partido comandar o poder central de fio a pavio, não seremos governados por nada mais que a nossa política em estado puro. O que só comprova a tese da nação do voo de galinha, que só sabe andar em círculos e que, volta e meia, percebe que nunca saiu do governo Sarney.

Bem-vindo, de novo, a 1985.





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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


domingo, 23 de agosto de 2015

O Pitanguy ovelha negra matador (Por Thiago Muniz)

Como é difícil criar um filho..

O cara leva a vida inteira para construir seu nome, sua reputação, sua imagem.. aí vem o idiota de um filho, marginal bêbado que mata um trabalhador, e leva o nome do Pitanguy pra cadeia.

Nos últimos cinco anos, Ivo Nascimento Pitanguy acumulou 70 multas, 14 delas por embriaguez ao volante, segundo informações da 14ª DP, que investiga o caso.

Ao todo, o prontuário, de 23 páginas, soma 240 pontos. Em teoria, quem acumula 20 pontos em 12 meses tem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) temporariamente suspensa.

Cadê a lei?

Pra variar.. Este cara já tinha que estar sem carteira pra dirigir há tempos… Mas…

Possivelmente, como é filho de papai, deve pagar fiança e responder o processo em liberdade. Com os antecedentes que ele tem no trânsito e continua com licença para dirigir, é bem provável que continue impune.

País da igualdade, me poupe,o Brasil é o mais desigual do mundo, um trabalhador esquece de pagar uma conta já é punido,um filhinho de papai mata e é dito inocente, não culpado. Isso realmente precisa mudar, leis iguais para todos.

E o trabalhador morto? Não dão notícia da família dele? Porque a imprensa só fala de pessoas ricas poderosas?

E, o advogado dele tem a "cara de pau" em dizer que a preocupação no momento é a saúde do cliente dele e, pra disfarçar, acrescentou que prestará assistência a família do trabalhador, pai de família que ainda deixou dois menores órfãos. Tomara, que esse advogado, também, não deixe menores órfãos.

O Brasil é bom demais né! O safado vai ter o direito de dirigir suspenso agora. E terá que fazer aulas práticas novamente. E dentro de pouco tempo será devolvido a CNH a ele. Como não cassou o direito de dirigir?

Só porque é filho de rico e famoso, nada vai acontecer porque quem morreu era um trabalhador e com certeza o advogado dos Pitanguy vão reverter o caso e o trabalhador vai virar culpado por estar no caminho de um bêbado irresponsável, e esse mesmo advogado vai engordar sua conta bancaria.

Interessante a tese do advogado "'o carro não ficou danificado demais, o que seria um sinal que o cliente não estava em alta velocidade", o seu cliente estava alcoolizado Dr. "Adevogadu"!

Com 70 multas e mais de 240 pontos na carteira," E mesmo alcoolizado, pode ( pode?) ser indiciado por homicidio culposo ( qdo nao ha intenção de matar!!). Detalhe: a reportagem diz que "a familia está preocupada, ele esta abaldo psicologicamente". E com o cara que foi morto, eles nao se preocupam?

Segundo a delegada, a ficha de Ivo Nascimento de Campos Pitanguy no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ) tem 23 folhas, com 70 multas aplicadas nos últimos 5 anos, o que dá mais de 240 pontos na carteira. Do total de multas, 14 são por dirigirembriagado.

"É um absurdo que, com essa quantidade de pontos, ele não tenha tido a carteira apreendida. Já deveria ter perdido há muito tempo. Está colocando a vida dos outros em risco, como aconteceu com o operário", disse a delegada.

O empresário (quer dizer idiota), de 59 anos, é filho do cirurgião plástico Ivo Pitanguy.

José Ferreira da Silva foi atropelado na Gávea.

Quem ainda tem uma mínima ilusão de que há alguma isenção, por mais tímida que seja, pela parte da mídia e do Poder Judiciário quando se trata de casos envolvendo nossas elites?

Basta olhar para nossas prisões abarrotadas de negros e pardos para ver que há algo de muito errado com nosso modelo de justiça! Ou para nossas periferias onde dominam práticas de extermínio racial.

Uma sociedade em que a propriedade tem mais vai valor que a vida, e a vida de alguns ( com mais propriedades) tem mais valor que outras vidas.

Apesar dos arranhões, o carro passa bem.


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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Lavar dinheiro em Igrejas é pecado? (Por Thiago Muniz)

Lavagem de dinheiro é uma expressão que se refere a práticas econômico-financeiras que têm por finalidade dissimular ou esconder a origem ilícita de determinados ativos financeiros ou bens patrimoniais, de forma a que tais ativos aparentem uma origem lícita ou a que, pelo menos, a origem ilícita seja difícil de demonstrar ou provar. É dar fachada de dignidade a dinheiro de origem ilegal.

A maneira mais comum é por meio de empresas de fachada, ou seja, negócios "de mentirinha" controlados pela própria organização criminosa que quer lavar a grana. Os criminosos pegam o dinheiro que ganharam de um jeito ilegal (tráfico de drogas, falsificação de dinheiro ou sonegação de impostos, por exemplo) e fazem parecer que ele foi ganho por essa empresa, que, no papel, tem uma atividade honesta.

O trambique também rola quando não é o uso, e não a origem do dinheiro, que é ilegal. É o caso de igrejas que não poderiam gastar o dinheiro doado por fiéis comprando bens para seus líderes, e sim em obras de caridade. A origem do termo "lavagem de dinheiro" tem duas explicações: a primeira é que nos Estados Unidos, na década de 20 uma rede de lavanderias funcionava como empresa de fachada. A outra teoria é que um grupo americano colocava notas de dólares falsificadas para lavar. Assim, elas ficavam com aparência de velhas e podiam ser usadas como se fossem limpinhas.

Cresce no Brasil o uso de “templos de fachada” ou “igrejas-fantasma” utilizados para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. O alerta é feito pelo desembargador federal Fausto Martin De Sanctis, especializado no combate a crimes financeiros e à lavagem de dinheiro. 

De acordo com ele, a imunidade tributária prevista aos templos religiosos é eficaz para abrigar recursos de procedência criminosa, sonegar impostos e dissimular o enriquecimento ilícito: "É impossível auditar as doações dos fiéis. E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado. É grave", conclui De Sanctis.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, a prática tem sido investigada pelos Ministérios Públicos estaduais e pelas procuradorias da República. Para o procurador Silvio Luís Martins de Oliveira — que investigou e denunciou criminalmente responsáveis pela Igreja Universal do Reino de Deus por lavagem de dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha e estelionato — é preciso refinar a fiscalização sobre atividades financeiras de entidades religiosas. 

Segundo ele, para lavar o dinheiro as igrejas se utilizam de doleiros: "Costuma ser um doleiro de confiança que busca ajuda de casas de câmbio, pois a quantidade de cédulas é enorme. É o que chamam de 'dinheiro sofrido', porque o fiel costuma pagar o dízimo com notas amassadas", esclarece.

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) discorda que falte fiscalização. "Se o legislador, após longo debate na Assembleia Nacional Constituinte, isentou as instituições religiosas de impostos, nada mais fez do que atender aos anseios da maior parte da sociedade", diz. 

Sobre o uso das casas religiosas para práticas de moral e legalidade questionáveis, Feliciano faz uma alusão indireta a entidades católicas: "Se partirmos do pressuposto que uma entidade não deve ter tratamento especial pela possibilidade de malfeitores se aproveitarem, por analogia o mesmo princípio se aplicaria às Santas Casas e Universidades mantidas por Fundações sem fins lucrativos".

A prática tem preocupado também a Justiça Eleitoral. Doações de organizações religiosas a partidos políticos são proibidas pela legislação. Para detectar operações ilícitas, o Tribunal Superior Eleitoral firmou convênio com a Receita e a Polícia Federal. De acordo com o juiz assessor da presidência do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Marco Antonio Martin Vargas, o convênio facilita o trabalho pois é feito o cruzamento de dados.

Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, há 55,1 mil organizações religiosas em atividade em 2014. Um crescimento de 1,4% em comparação com 2013. O estudo "Religião e Território" (2013), dos pesquisadores Cesar Romero Jacob, Dora Rodrigues Hees e Philippe Waniez, indica expansão dos chamados "evangélicos não determinados". 

Eles passaram de 580 mil no ano 2000 para impressionantes 9,2 milhões em 2010. Os evangélicos de missão cresceram de 6,9 milhões para 7,6 milhões no mesmo período, enquanto os evangélicos pentecostais passaram de 17,6 milhões para 25,3 milhões em dez anos.

O desembargador federal Fausto Martin De Sanctis, alertou que tem crescido o uso da imunidade tributária das igrejas para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegação fiscal.

"É impossível auditar as doações dos fiéis”, afirmou. “E isso é ideal para quem precisa camuflar o aumento de sua renda, escapar da tributação e lavar dinheiro do crime organizado. É grave".

Informou que, para tirar proveito dessa situação, criminosos têm criado “templos de fachada” ou “igrejas-fantasma”.

De Sanctis é especializado no combate a crimes financeiros e à lavagem de dinheiro. Ele é do (TRF) Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

De 1991 até 2010 ele foi titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, notabilizando-se por mandar prender, entre outros figurões, o banqueiro Daniel Dantas, um dos envolvidos na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

O jornal Valor Econômico informou que ministérios públicos têm investigado o uso da imunidade tributária para “esquentar” dinheiro de origens ilegais.

Silvio Luís Martins de Oliveira, do Ministério Público Federal de São Paulo, é um dos procuradores que se dedicam a colher provas desse tipo de lavagem. Ele fez parte da equipe de procuradores que denunciou criminalmente pastores da cúpula da Igreja Universal por evasão de divisas, formação de quadrilha e estelionato.

Oliveira disse falou que o dinheiro de igrejas é ‘lavado’ com mais frequência por esquema montado por doleiros e casas de câmbio, porque a quantidade de cédulas é enorme.

“É o que chamam de ‘dinheiro sofrido”, porque o fiel costuma pagar o dízimo com notas amassadas".


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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Angela Merkel no Brasil e o desprezo da mídia (Por Thiago Muniz)

PROCURANDO A SENHORA MERKEL

Alguém a viu? 

Há 1.600 empresas alemãs no Brasil. 

O seu primeiro carro foi provavelmente um Fusca ou uma Brasília. 

Os coletivos e caminhões são Mercedes-Benz ou Volkswagen. 

A Bayer está no meio de nós. Quem já não precisou de uma aspirina? 

Angela Merkel chegou com 11 ministros. Ontem assinou 15 tratados comerciais e culturais. 

A Alemanha é o principal parceiro comercial do Brasil na Europa e o quarto no mundo. 

E a mídia esconde as duas porque está com raiva de uma delas, a brasileira. Assim não dá...

Alemanha é Alemanha! Economia, politica, ciência, educação, tecnologia, cidadania, qualidade de vida...essas "coisinhas banais" funcionam muito bem por lá. E a mídia? A mídia fala das mesmas abobrinhas. Isso é uma vergonha.

Fiquei aqui "pensando"...é mais complexa a questão. A mídia deu toda cobertura à viagem feita pela presidente aos Estados Unidos. Tem muito mais água correndo por baixo dessa ponte. E os protagonistas subterrâneos são sempre os mesmos.

A mídia sempre conta o que lhe interessa. Temos de entender que jornal nasceu da política, não da necessidade de informação. Não conseguimos aceitar isso. Mas temos de aceitar. Isso é a base da liberdade: que a informação possa ser tão livre que o jornal tenha o direito de omiti-la.

Nessa hora, a denúncia do intelectual faz sua parte, mas devemos também fazer a outra parte, que é criar os veículos que sejam menos políticos quanto à informação. Mas os intelectuais brasileiros são incapazes até de ter um blog.

Estamos vivendo um tempo onde a estupidez parecer ser a única pauta da agenda nacional (tanto jornalística, quanto política e econômica). Bourdieu, em "Sobre a Televisão" demonstra o quanto a pauta da leitura (o jornal) está submetida aos índices da audiência da pauta da imagem e do movimento (a televisão).

O texto e as suas possibilidades de reflexão são substituídos pela necessidade espetáculo do irrefletido onde a racionalidade é permutada por emoções efêmeras tornadas agora o único motor da ação política das massas. É sempre importante notar que a Estupidez é filosófica e politicamente ambidestra.

Em tempo: A pátria germânica é a que mais exporta tecnologia no planeta.

Pobre mídia brasileira, semi-falida e controlada pelas famílias oligárquicas neo-monárquicas coronelistas.


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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Eduardo Cunha será indiciado por Corrupção (Por Thiago Muniz)

O Ministério Público Federal deverá apresentar denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda nesta quarta-feira, segundo disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto. O presidente da Câmara será acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia a ser apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) tem como base a acusação do empresário Júlio Almeida Camargo, que confessou em juizo ter pago US$ 5 milhões em propina para o deputado. Cunha nega participação nos crimes.

Se o STF aceitar a denúncia, o parlamentar passará a ser réu no escândalo de corrupção. O GLOBO mostrou também hoje que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), deve constar na lista apresentada ao Supremo como outro denunciado.

Um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, Camargo teria pago o suborno para facilitar a assinatura de contratos de afretamento de navios-sonda entre a Samsung Heavy Industries e a diretoria de Internacional da Petrobras. Pelo aluguel de dois navios, o Sonda Petrobras 100000 e o Vitoria 10000, a Petrobras teria desembolsado US$ 1,2 bilhão. O pagamento de propina para Cunha e outros envolvidos nas transações seria superior a US$ 40 milhões.

À época da assinatura do primeiro contrato, no valor de US$ 586 milhões, a diretoria Internacional estava sob o comando de Nestor Cerveró, condenado no início da semana a 12 anos e 3 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. O negócio teria sido intermediado pelo lobista Fernando Soares, o Baiano. No mesmo processo, o lobista foi condenado a 16 anos e 1 mês de prisão no mesmo processo, que resultou na condenação de Cerveró.

Camargo foi condenado a 14 anos de prisão, mas como fez acordo de delação premiada, ficará em regime aberto diferenciado. A parte relacionada a Cunha foi enviada a Procuradoria Geral da República e deu origem a abertura de um inquérito contra o deputado no STF no início deste ano. Cinco meses depois desta nova etapa da investigação, o grupo de trabalho que auxilia o procurador-geral Rodrigo Janot, concluiu a apuração.

A denúncia contra o presidente da Câmara está sendo redigida. Os procuradores concluíram pela responsabilização criminal de Cunha por corrupção e lavagem. Na investigação da primeira instância, liderada pela força-tarefa de Curitiba, procuradores obtiveram provas da movimentação do dinheiro da propina no exterior com a ajuda do Ministério Público da Suíça.

"A cooperação jurídica com a Suíça foi fundamental para a comprovação do fluxo do dinheiro no exterior e comprovação documental dos fatos. Por meio dela, obteve-se documentos irrefutáveis que comprovaram a transferência do dinheiro da Samsung para as empresas de Julio Camargo e, em seguida, para as de Fernando Soares e Cerveró, bem como para a contas de terceiros indicadas por eles", informou a força-tarefa em nota divulgada na segunda-feira.

As acusações contra Cunha surgiram num depoimento do doleiro Alberto Youssef, o principal operador da propina no esquema de corrupção na Petrobras. Youssef disse que ajudou Julio Camargo a repassar propina para Cunha e outros políticos para facilitar o contrato com a Samsung.

Youssef disse ainda que, o presidente da Câmara até usou requerimentos de informação de uma das comissões da Câmara para pressionar Camargo a liberar parcelas do suborno, que estavam atrasadas por conta de desacertos com a Samsung. Os requerimentos da chantagem teriam sido apresentados em nome da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita de Rio Bonito.

Nos primeiros depoimentos da delação premiada, Camargo nada disse sobre as transações com Cunha. Ele se limitou as acusações contra Cerveró e Fernando Baiano. Depois, quando confrontado com depoimentos de Youssef, decidiu abrir o jogo. O empresário confirmou e ainda ofereceu mais detalhes sobre o suposto suborno de Cunha.

Engraçado esse povo que defende dizendo que ele é apenas suspeito, se sou brasileiro trabalhador que cumpro com os meus deveres, o fato de ser suspeito já me colocaria na cadeia apanhando igual a um condenado, preguiça dessa gente que defende político.

É sério mesmo que tem gente defendendo esse cara? Recebeu milhões em propinas da Lava Jato e tão ai enchendo a boca para defender ele?

O grande problema é que eles não apodrecem na cadeia. Rápido, rápido já estarão no semi-aberto.. E para o aberto é um pulo. Esse país definitivamente não tem jeito.

Demorou de mais para tirar a Dilma agora vai dançar, por falta de aviso é que não foi. A propósito tal fato mostra como as instituições estão podre, uma espera pela outra para agir, a câmera espera pelo TCU que espera pelo executivo, que espera pelo ingerência do Senado que tem medo do STF e este legisla, sem falar no TSE que aguarda ordem do executivo para finalizar o Processo de Dilma, já que tem medo de ser derrubado no STF, a prova é o que não falta.

Desmantelar uma máfia sei que não é fácil não, mas vamos torcer pra esta FACÇÃO CRIMINOSA seja penalizada, por que senão quem vai comer o pão que o DIABO amaçou serão os menos favorecidos e a nova geração...os envolvidos nesses escândalos, os mais amigos e familiares e descendentes, terão um montão de DÓLARES para desfrutar o resto de suas vidas...ENTENDERAM OU QUER QUE DESENHE?

Como assim?

Uma pessoa vai em rede nacional e internacional para defender sua integridade e é acusado de corrupçao e lavagem de dinheiro. POVO BRASILEIRO VAMOS CAÇAR TODOS QUE ESTAO NO PODER, ELE MENTEM!




BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

A revolta dos reacionários (Por Thiago Muniz)

Embora seja oposto as opiniões de opressão, não concordo com imagens como essas. Tentam vender sempre uma imagem maniqueísta de "comunistas do bem e inocentes, e protestantes lobos do mal."

Todas essas visões só dividem a sociedade em azuis e vermelhos, ao invés de tentar dialogar com a diversidade de pensamentos; e dialogar com a coerência. São imagens como essa que ajudam a construir o "lado do mal", quando na verdade estamos do mesmo lado.

Todos estamos do mesmo lado. 

Queremos um país melhor, e devemos explicar isso para cada coxinha do mundo, porque esse vício de "demonizar" o outro, só cria desentendimentos.

No entanto, esta é a cena. Na manifestação ANTI-democracia, em suma: gente burra, ignorante, ATRASADA e egoísta. Herdeiros de décadas de ditadura militar, que não deixou que nos preparássemos para viver num ambiente democrático. Avante Brasil, temos muito trabalho pela frente.

São tão inocentes esses comunistas. Só defendem uma ideologia que matou milhões em prol de uma suposta divisão das riquezas que se concentram sempre nas mãos dos líderes. Ainda há boçais que defendem. 

O Brasil é diferente mesmo.

Um governo deve dar a seu povo meios para que ele progrida e não se basear em ideologia de inveja.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.