terça-feira, 5 de julho de 2016

Educar para Libertar (Por Thiago Muniz)

Os políticos brasileiros descobriram há muito tempo que povo sem cultura é facilmente manipulável e, portanto, não têm interesse na solução dos problemas na educação. Tudo que se tem feito a respeito é pura demagogia. E agora, às vésperas das eleições, mais uma promessa de campanha.

Precisamos de vontade política e pressão popular, modernizar o ensino e dar salários dignos aos professores. Acabar também com essa história de passe livre de ano letivo é fundamental.

O Brasil deve investir na qualidade da educação, no ensino fundamental e na conscientização do povo. Assim teremos mais qualidade de vida com amor e paz no Brasil.

Felizmente a questão da educação no Brasil vem mostrando uma significativa melhora no que diz respeito ao analfabetismo. Mas, por outro lado, se faz urgente e necessário um investimento por parte do governo no que se refere à formação, capacitação e remuneração dos professores, bem como às melhorias das condições de trabalho dos mesmos. A evasão e a repetência escolar são frutos de um governo omisso que não tem como prioridade a educação de todo o cidadão. Nosso país somente será uma nação quando os nossos governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado a uma educação digna e de qualidade.

Premissas importantes:

1) Criação de Colégios em tempo integral;

2) Um centro nacional de preparação do material escolar, incluindo as aulas

3) Distribuição do material escolar para os colégios, onde os/as professores(as) explicariam as matérias aos alunos por meio de aulas vindas em videocassetes ou DVD.

4) Melhorar a formação dos professores e modernizar as escolas utilizando as tecnologias existentes;

5) O currículo escolar pode ser melhorado. Por exemplo, com a inclusão de uma terceira língua no ensino médio, e.g. espanhol, alemão, francês, russo;

6) Evasão. A evasão escolar acontece por várias razoes: trabalho infantil etc. Os problemas não são homogêneos e exigem soluções diferenciadas para cada região. No Nordeste, a bolsa-escola parece ser uma solução;

7) Repetência. Nunca vamos conseguir evitar a repetência em 100%, mas podemos diminuir o fator percentual. No geral, educação no Brasil precisa de investimentos, dinheiro mesmo, ação do governo, pois idéias para melhorar o ensino existem muitas, mas todas dependem de orçamento e de um projeto de longo prazo, algo como 10 anos.

Tudo que se faz em termos de educação, deve-se entender que surte efeito a médio e longo prazo. Um bom começo, no entanto, passa pela capacitação dos professores atuais em termos de adaptação a novas pedagogias e uma nova visão de mundo.

Para que se tenha um ensino fundamental de qualidade é necessária uma qualificação dos professores que irão lecionar neste ensino. Mas, para que se tenha uma melhor qualificação desses professores, eles já devem chegar com uma boa base ao ensino de terceiro grau. Para isso deve-se melhorar o ensino médio. Mas, para que se melhore o ensino médio, temos que ter melhores licenciados, e os alunos devem ter tido uma boa base no ensino fundamental. Todos os níveis de ensino são elos da corrente. Não podemos tentar melhor um elo da corrente se o outro está fraco. Se deixarmos um destes elos fracos, a corrente se arrebenta.

É necessário, um melhor investimento na modernização das escolas e também uma maior valorização dos profissionais da área, porém existe um grande problema que é a falta de condições que muitas famílias encontram para manter os filhos nas escolas. Famílias que não têm nem o que comer não sabem nem o que significa a palavra escola. Desta forma, é necessário que haja um planejamento familiar e uma melhor distribuição de renda, aí sim haveria melhorias na educação no Brasil, pois com a barriga cheia ficaria mais fácil para os menos privilegiados pensar na palavra escola e entender o seu significado.

Há o reconhecimento de que algo precisa ser feito e urgentemente. Mas como fazê-lo se a própria política fomenta a situação caótica em que vive a educação no Brasil? De que adianta o governo dizer que quase todas as crianças têm acesso ao ensino básico no país se por trás disto tudo o quadro é desesperador? Se de fato a "repetência" fosse levada a sério possivelmente teríamos uma visão mais realista a ser enfrentada. Por que não mostrar claramente que estas mesmas crianças estão chegando à quarta série sem saber ler na maior parte das escolas da rede pública? Seria isto uma evolução? Estamos realmente diante de novos fatos? Mas, ao que parece, procuramos escondê-los diante de cada um de nós e dizer que o país tem avançado nos últimos anos na área da educação. É hora de arregaçarmos as mangas. Valorizar o profissional que abriga, que aninha todo o processo de aprendizado- o professor - e reconhecer quando um sistema básico de vida não está caminhando bem. Montar uma ação que envolva todos os segmentos da sociedade talvez seja um início para se fazer algo pelo futuro da educação em nosso país.

Acho que o problema da Educação está nas pessoas responsáveis pelo planejamento, programas que são implantados sem ter o mínimo conhecimento da prática, do dia-a-dia das escolas. As mudanças devem ser regionais e com participação de pessoas que tenham interesse em mudar esse quadro vergonhoso da nossa educação.

Uma mudança de hábitos de um país inteiro não acontece da noite para o dia: leitura. Há de se criar o hábito de gostar de ler. A educação então começa em casa, com os pais oferecendo bons títulos e desligando a TV na hora das novelas. Os professores podem indicar outros bons títulos para exames e cultura geral. Conscientizar um país inteiro de que a educação começa por mudança de hábitos e dentro de casa é o grande desafio. É importante ressaltar que professores bem treinados podem indicar bons títulos, mas os pais devem incentivar o ato continuamente.

A educação, como estrutura, não pode ser vista em suas frações isoladamente, mas sim como um todo que precisa ter suas partes desenvolvidas adequadamente. A parte física deve oferecer os recursos necessários à aplicação de didáticas interdisciplinarmente ligadas, e estas didáticas devem ser aplicadas por professores devidamente preparados.

Acho que em primeiro lugar é preciso aumentar o número de escolas. É um absurdo o número tão pequeno de escolas nas favelas. Aumentando o número de escolas, aumentará consideravelmente o acesso das crianças a elas. Sobre investimento nos professores, acho que o professor é ferramenta fundamental no estímulo aos estudantes. Não só em salários, mas em capacitação também. Não existe coisa mais desestimulante do que um professor sem brilho. Em terceiro lugar, acho que os cientistas educacionais têm de descobrir uma metodologia que traga a realidade das crianças para dentro da escola, trabalhar com a realidade talvez seja mais estimulante para os alunos. Claro que modernização é importante, a tecnologia faz parte do cotidiano, mas, se os estudantes não estiverem preparados e em um ambiente propício, essa modernização não terá o feito devido.

A melhoria da educação no Brasil começa com a vontade do povo, agindo como cidadão, a fiscalização das irregularidades e a vontade política dos legisladores, tanto a nível federal como estadual e municipal. Os legisladores não podem agir de acordo com suas vontades, em prol de benefícios particulares, mas sim pelas solicitações dos cidadãos, ao mesmo tempo que o cidadão não pode agir sem o apoio do Legislativo.
















BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blogs "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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