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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chapecoense - 29/11/2016 (Por Thiago Muniz)

"Diante de um dos dias mais terríveis que já presenciei sobre futebol, que os torcedores reflitam sobre o ódio que reina habitualmente aqui." (Paulo-Roberto Andel - escritor)


Extremamente lamentável o acidente que vitimou a delegação da Chapecoense e também outras pessoas que estavam no voo para Medellin. Estou profundamente consternado. Todo o resto no que tange ao esporte fica em segundo plano nesse momento. Minha solidariedade aos sobreviventes, às famílias das vítimas, à diretoria e à torcida da Chape.

O esporte mundial está de luto.

Foi triste demais acordar com a notícia da queda do avião da Chapecoense. A vida tem uma dimensão trágica. Filósofos tratam disto. Teólogos discorrem sobre o tema. Por que morrem pessoas no apogeu da juventude e do sucesso? Há os que indicam um plano superior. Outros, como eu, entendem que os fatos são aleatórios. Mesmo assim, todos sentimos a dor das famílias enlutadas. É o maior sinistro do esporte e do jornalismo do país. Fiquei duramente impactado. Muito mais gente morre no trânsito mensalmente, mas o acidente desse tipo tem um poder impactante forte. Emocionou-me ver as cenas. A ordem do nosso mundo foi abalada. Estamos todos por um fio e é importante viver plenamente. Os que ficamos aprendemos com os que deixaram de existir: vamos viver de verdade, sem adiamentos, sem meio termo. A vida segue um pouco mais melancólica.

Estamos todos acabados com essa injustiça. E desta vez não foi a injustiça da bola. É das nossas vidas.

Continuo com o mesmo brilho nos olhos quando falo de esporte. E eu não desisti, trabalho com aquilo que sempre sonhei trabalhar. Espero que continue brilhando esteja onde estiver.

Ficamos impotentes diante da tragédia, mas podemos ajudar a tecer a rede de afeto e solidariedade para confortar os que ficam. As boas lembranças servem para homenagear essas pessoas que marcaram nossas vidas.

Alguém tem que ter bom senso. Futebol em 2016 acabou por aqui. Que se mantenham as posições, não caia ninguém sei lá. Mas perdeu o clima. Futebol é alegria, é entretenimento, não tem como continuar o campeonato diante do acontecido.

Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta. E a Chapecoense e a cidade de Chapecó terão forças para reerguer esse time e traze-lo de volta, porque neste momento esse é o desejo de todo o nosso país.

A Chapecoense poderia virar o segundo time de todo brasileiro. O time vai jogar na sua cidade? Bora la com a camisa da Chapecoense torcer contra o rival. O time merece se reestruturar e apoio nessas horas é fundamental. Torcida gera faturamento, lucro gera reestrutura. A Chapecoense precisa e merece ter a maior torcida do Brasil.

Pra quem está desacreditado do ser humano, um sopro de esperança e momento de grandeza. Clube Atlético Nacional, de Medellin, pede a Conmebol que a Chapecoense seja declarada campeã da Copa Sul-americana.








































#ForçaChape #somostodoschape


PS: O espírito de porco do ser humano não tem limites. Ouvi falar que já tem fotos do acidente em grupos de whatsapp. Não compartilhe isso e mande a puta que pariu quem o fez.



BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




domingo, 15 de novembro de 2015

Uma tragédia não anula a outra (Por Thiago Muniz)

Fico imaginando a dor e o sofrimento das pessoas atingidas pelas catástrofes de Mariana e Paris.

Mesmo assim no máximo tento me colocar no lugar das pessoas, sentir o que eles sentem, a perda que eles têm.

Fico enojado em como as pessoas, principalmente por meio das redes sociais, o quanto perde tempo em discutir o grau de importância de uma ou de outra.

Pessoas: Uma tragédia não anula a outra!

Só faltava essa: as pessoas relacionarem o torcedor de futebol ao terrorismo. Tenho ouvido de tudo depois desse atentado na França. É um festival de achismos sensacionais. Há até uma certa graça, um encanto. Pensando bem," achar" é muito melhor, é mais salutar do que declarações avalizadas de especialistas. O mundo da opinião, cheio de preconceitos e por isso mesmo mais humano.

Primeiramente, sim, a opinião é sua, o facebook ou twitter é seu, e você pode postar o que quiser nele. Ninguém está te proibindo de sentir compaixão, medo, consternação. Nada te impede de valorizar tanto a vida das vítimas francesas quanto das vítimas de tantos outros crimes (e se você faz isso, então não tem motivo pra se preocupar com as críticas à solidariedade seletiva) e é claro que você pode e deve se preocupar com os atentados de ontem, porque as repercussões serão globais.

Acredite, ninguém quer que você ignore os ataques da França ou a tragédia ambiental de Mariana, até porque quem faz essas críticas geralmente conhece a sensação de ter suas próprias tragédias ignoradas.

Não se trata de promover alienação, e sim de pensar criticamente. Em outras palavras, o que as pessoas devem se perguntar é o porquê de algumas dores te parecerem maiores do que outras.

Portanto, ao invés de dizer "o facebook é meu e eu posto o que eu quiser", ou de sentir-se atacado por "fiscais de compaixão", simplesmente ouça a pergunta que está sendo feita: por que você se sente impelido a colocar a bandeira francesa no seu avatar e não sente a mesma vontade de mostra a sua solidariedade pelos negros mortos pela pm brasileira, ou não vestiu a bandeira do Líbano quando ocorreu um atentado do ISIS por lá essa semana?

A solidariedade no nosso tempo é seletiva?

"Por coincidência (ou não), a Vale doou mais de 20 milhões de reais na última campanha eleitoral. Também por coincidência (ou não), a Vale produz campanhas milionárias nos principais veículos de imprensa do país. Quem paga o DJ escolhe a música!" ( Chico Alencar )

Hoje é 15 de Novembro, dia da Proclamação da República, e ninguém comenta, ninguém comemora, embora seja, em tese, um feriado. Comemorar o quê, afinal? É uma República que não deu certo.

Um Executivo eleito através de um estelionato e do uso da máquina pública.

Um Congresso e um Senado presidido por picaretas e composto por representantes do poder financeiro: a grande maioria apenas preocupada com seu próprio bem estar, enriquecimento e perpetuação no poder.

Um Judiciário aparelhado e corporativista onde quem tem os melhores advogados distorce as leis para que o crime siga impune.

Quem dera o nosso problema fossem os terroristas islâmicos.

É tão difícil explicar as coisas, tão difícil se fazer entender.

Me incomoda o fato de pesos e medidas diferentes. Não vi esse tipo de manifestação, como por exemplo, colocar a bandeira de Minas na foto de perfil! Ou eu sou Minas,eu sou Mariana!! Mas todos são Paris. Tá!! Não existe peso diferente para tragédias, existe comportamento deferente, ou indiferente, com relação a elas."

Uma das tragédias foi, apesar dos pesares, apesar da negligência, da canalhice e da irresponsabilidade geral, um acidente. Criminoso, mas acidente: ninguém explodiu a barragem de propósito, por mais que o seu rompimento pudesse ter sido evitado. A outra foi um ato de guerra. Eu não mudo o meu avatar para a cara do Santos Dumont quando cai um avião, por mais que lamente a tragédia, porque tragédias acontecem diariamente perto e longe de nós, e todos os dias eu deveria mudar o avatar. Eu mudo o meu avatar quando a civilização que eu prezo e o meu modo de vida são atacados por fanáticos religiosos, para mostrar de que lado estou.

A serenidade do presidente francês, François Hollande, no pronunciamento duas horas depois dos atentados terroristas em Paris me impressionou. Como um líder pode estar sereno ao falar à população, após o segundo ataque ao país num mesmo ano?

Fala-se em seis tiroteios na cidade e três explosões no entorno do Stade de France, o Maracanã deles. O presidente estava no estádio no momento das explosões, assistindo a um amistoso entre Alemanha e França. Era o escrete campeão do mundo enfrentando a seleção nacional. Havia 80 mil pessoas no estádio.

Já são mais de 100 mortos e uma centena de reféns numa casa noturna. E o presidente faz um pronunciamento sereno?! Os franceses, ainda perplexos, devem estar se perguntando sobre o fracasso retumbante da política antiterror.

Três bombas nos arredores de um estádio com 80 mil pessoas dentro e a polícia não evitou nada, não viu nada, não soube de nada. Seis tiroteios coordenados e nenhuma interceptação. 

É isso mesmo?

Impressionante. Apavorante. Desesperador.

Em tempo: Agora, perto da meia-noite (horário de Brasília), os comentaristas começam a chamar atenção para o fracasso das forças de segurança francesas. A 15 dias da Cop-21, elas foram incapazes de detectar a ameaça de ataque. Não impediram nenhum dos múltiplos atentados: invasão de casa noturna, disparos na rua, homens bomba no entorno de um estádio de futebol lotado. Isso num país que sofreu atentados com 17 mortos há dez meses. Hollande terá muito a explicar.

Há lamento e dor que baste para tudo, infelizmente. E há muitos idiotas sobrando no mundo.

A humanidade está doente e esta matando o planeta.






BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

sábado, 14 de novembro de 2015

O RIO DOCE, um dos MAIORES DO BRASIL, está MORTO! (Por Thiago Muniz)

Infelizmente, o BRASIL ainda não sabe o que está acontecendo em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Mas, infelizmente, uma das empresas que operam a Samarco no Brasil é a gigante Vale, a maior mineradora do Brasil, grande financiadora de campanhas publicitárias e políticas, é grande demais para se esconder.

Os veículos de "des-informação", também grandes beneficiadores de verbas publicitárias da empresa e do Governo continuam omitindo fatos e números importantes para amenizar a tragédia. Sugiro que aqueles que tem amigos virtuais em outras cidades, estados e países, informem melhor e alertem o Brasil de que são centenas de milhares de pessoas afetadas pelo fato.

Toda a economia dos municípios está comprometida. As escolas suspenderam as aulas, a agricultura está comprometida, porque não tem chuva, o comércio já quase parou, pois não tem água, nem para os banheiros; bares e restaurantes estão adotando material descartável para servirem, mas não existem panelas descartáveis e essas precisam ser lavadas.

A construção civil também foi afetada; não há água para o banho das pessoas. Hospitais e asilos, presídios e serviços essenciais estão sendo abastecidos por caminhões pipa, que precisam ir a outros municípios para se abastecerem de água, o que está onerando os cofres públicos com o alto consumo de combustível - isso quando conseguem passar pelas estradas bloqueadas pela manifestação de caminhoneiros.

O RIO DOCE, um dos MAIORES DO BRASIL, está MORTO! 

As populações, desde Mariana-MG até Linhares-ES (e depois no Oceano Atlântico) estão sofrendo as consequências do que talvez seja a maior tragédia ambiental, ecológica, econômica, hídrica, já ocorrida no país. E as consequências serão sentidas por muitas décadas. 

Somente em Governador Valadares são 260 mil pessoas afetadas. Alguém já imaginou uma cidade de 260mil pessoas totalmente sem água? E o pior: a água está correndo no Rio Doce, mas completamente envenenada por arsênico, mercúrio e outros metais.

Todos - eu disse todos - os peixes morreram envenendos e já se pode sentir o "cheiro" a kms de distância. Esse é o quadro que o BRASIL precisa saber. Divulguem para que outras tragédias possam ser evitadas. 

Talvez a próxima seja a dos lixões, ou das enormes pastagens que avançam derrubando as florestas, ou quem sabe, as imensas lavouras de soja??? Informem, manifestem a indignação pacífica, sem revolta ou violência. 

Chega de violência contra povo Brasileiro, menos ganância, é o que precisamos. Obrigado por me ler! É apenas o desabafo de um brasileiro e ... ser humano.

PS: Espero que o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) não continue omisso e conivente com a conduta ambiental da Samarco (que pertence à VALE & BPH BILITON) e os danos ambientais e a poluição causada.

Coraçao derretido em lama. Lama que brota das prefeituras, governos dos estados, presidência, congresso, senado, e onde mais esses ratos se enfiam. Meu repudio ao sistema politico brasileiro onde todos os partidos sao cumplices do descaso das mineradoras com meio ambiente. Galera do fora Dilma, fora Aécio e fora a ponte que pariu é hora de uniao e mobilização contra toda essa impunidade perversa. A morte de um rio é a morte de uma terra , é a morte de um povo , é a morte de um país.

Instagram: @belezascapixabas


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Sobre o desastre ambiental em Minas Gerais (Por Thiago Muniz)

Esta sopa de lama tóxica que desce no rio Doce e descerá por alguns anos toda vez que houver chuvas fortes e irá para a região litorânea do ES, espalhando-se por uns 3.000 km2 no litoral norte e uns 7000 km2 no litoral ao sul, atingindo três UCs marinhas – Comboios, APA Costa das Algas e RVS de Santa Cruz, que juntos somam uns 200.000 ha no mar.

Os minerais mais tóxicos e que estão em pequenas quantidades na massa total da lama, aparecerão concentrados na cadeia alimentar por muitos anos, talvez uns 100 anos.

RVS de Santa Cruz é um dos mais importantes criadouros marinhos do Oceano Atlântico.

1 hectare de criadouro marinho equivale a 100 ha de floresta tropical primária.

Isto significa que o impacto no mar equivale a uma descarga tóxica que contaminaria uma área terrestre de de 20.000.000 de hectares ou 200.000 km2 de floresta tropical primária.
E a mata ciliar também tem valor em dobro.

Considerando as duas margens são 1.500 km lineares x 2 = 3.000 km2 ou 300.000 ha de floresta tropical primária.

Vocês não fazem ideia.

O fluxo de nutrientes de toda a cadeia alimentar de 1/3 da região sudeste e o eixo de ½ do Oceano Atlântico Sul está comprometido e pouco funcional por no mínimo 100 anos!

Conclusão: esta empresa tem que fechar.

Além de pagar pelo assassinato da 5ª maior bacia hidrográfica brasileira.

Eles debocharam da prevenção e são reincidentes em diversos casos.

Demonstram incapacidade de operação crassa e com consequências trágicas e incomensuráveis.
Como não fechar?

Representam perigo para a segurança da nação!

O que restava de biodiversidade castigada pela seca agora terminou de ir.

Quem sobreviverá?

Quais espécies de peixes, anfíbios, moluscos, anelídeos, insetos aquáticos jamais serão vistas novamente?

A lista de espécies desaparecidas foram quantas?

Se alguém tiver informações, ajudariam a pensar.

Barragens e lagoas de contenção de dejetos necessitam ter barragens de emergência e plano de contingência.

Como licenciar o projeto sem estes quesitos cumpridos?

Qual a legalidade da licença para operação sem a garantia de segurança para a sociedade e o meio ambiente?

Mar de lama... mas não seria melhor evitar que a lama chegasse ao mar?

Quem teve a brilhante ideia de abrir as comportas das barragens rio abaixo em vez de fechá-las para conter a lama e depois retirar a lama da calha do rio?

Quem ainda pensa que o mar tem o poder de diluição da poluição?

Isto é um retrocesso da ciência de mais de 1 século!

Sendo Rio Federal a juridição é do governo federal portanto os encaminhamentos devem serem feitos ao MPF.

Palavras de André Ruschi (filho de Augusto Ruschi)
Estação Biologia Marinha Augusto Ruschi
Aracruz, Santa Cruz, ES

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A dimensão dessa tragédia é assustadora. Danos ambientais são irreversíveis.

Na minha ignorância eu pensei exatamente isso.

Uma barragem de proteção para casos de rompimentos. Muito lógico!! 

Por que não se prevê nada neste país? 

Por que se colocam pessoas desqualificadas em funções de tanta responsabilidade? 

Existem instruções de segurança a serem seguidas já adotadas em outros países com sucesso, e por que não se aplicam aqui? 

Temos inúmeras mineradoras, teremos medo daqui pra frente. E isso basta? Ter medo? 

Onde está esse governo, onde estão os ministros? Queremos vê-los e ouvi-los! 

Mas, estão ocupados, entregando uma dúzia de casas a mando do ex que só pensa em engambelar o povinho humilde e analfabeto desta terra infeliz.

O Ministério Publico Estadual já está tomando medidas, tem promotores de justiça no local, acompanhando, gente que mora e conhece a região, já tem ação civil publica cautelar, com medida deferida, para que a empresa adote medidas, a fim de que o poder publico não tenha que arcar com custos das operações.

Como a justiça no Brasil é falha, não haverá punição para os causadores desta tragédia. Serão punidos somente os que perderam tudo. Jamais receberão de volta seus lares, suas pequenas hortas, plantações, animais que criavam com amor e em muitos casos serviam como sustento. A vida pacata dos pequenos distritos onde tudo era familiar. Isto sem contar filhos, maridos, parentes queridos que jamais voltarão.

Muito provavelmente técnicos ambientais, devidamente "pagos" pelo governo irão fazer testes periódicos e afirmar categoricamente que nenhum desses locais ficou contaminado, que não há nada errado com a fauna e flora marinha, que tudo continua como se nada tivesse acontecido. Vergonha!!

Rejeito de mineração funciona como ‘cimento’, e vai acabar com a pesca em grande parte da calha do rio, segundo Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão.

Os danos ambientais em consequência do rompimento da barragens de rejeitos na localidade de Bento Rodrigues, em Mariana, serão permanentes e vão acabar com a pesca em parte dos rios Guaxalo do Norte e Rio do Carmo, que desaguam no Rio Doce.

O próprio Rio Doce, por sua vez, também pode ser afetado pelo grande volume de lama de rejeito da mineração, e terá a vida aquática comprometida.

Esse material é inerte, e nele não nasce praticamente nada. Ele recobre o leito e as reentrâncias e pedras do fundo do rio, mudando radicalmente todo o ecossistema”, destaca.

O resultado da camada de ‘cimento’ sobre o rio é que, além de matar peixes, algas, invertebrados, répteis e tudo o que recobriu, a lama acaba com os locais onde estas espécies se abrigavam e reproduziam. Buracos em pedras, altos e baixos do rio são aplainados e recobertos com o material viscoso.

O leito do rio se torna praticamente estéril.

E agora, onde está o governador de Minas Gerais, os senadores de Minas Gerais ???? Não estão nem um pouco preocupados com esse impacto.

A mineradora Samarco, joint venture da Vale com a australiana BHP Billiton, teve um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões em 2014. Ou seja, limpinhos!

Como se sabe, o Brasil é uma “mãe” para as mineradoras. A Agência Pública fez uma reportagem interessante a respeito, quando Marina Amaral perguntou: Quem lucra com a Vale?

O “pai” das mineradoras é Fernando Henrique Cardoso. Em 1996, com a Lei Kandir, isentou de ICMS as exportações de minérios!

O que aconteceu com a Vale, privatizada a preço de banana, é o mesmo que se pretende fazer com a Petrobras: colocar a empresa completamente a serviço dos acionistas, não do Brasil.

O que isso significa?

Auferir lucros a curto prazo, custe o que custar.

A questão-chave está no ritmo da exploração das reservas minerais.

Num país soberano, o ritmo é ditado pelo interesse público. É de interesse da população brasileira, por exemplo, inundar o mercado com o petróleo do pré-sal, derrubando os preços? Claro que não.

Quem lucra, neste caso, são os países consumidores. Os Estados Unidos, por exemplo. Portanto, quando FHC privatizou parcialmente a Petrobras, vendendo ações na bolsa de Nova York, ele transferiu parte da soberania brasileira para investidores estrangeiros. Eles, sim, querem retorno rápido. Querem cavar o oceano às pressas, até esgotar o pré-sal.

É a dinâmica do capitalismo!


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.














quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Pasta da Educação no Brasil sem rumo (Por Thiago Muniz)

A pior parte na exoneração de Renato Janine Ribeiro do Ministério da Educação não é nem tanto a decisão da presidente, em si, mas o fato de que a essa mudança não provocará nenhuma crise política.

Garantidas as pastas do PMDB, pouco importa com quem ficará a Educação. O governo Dilma capitulou completamente. E a decisão de hoje, para um governo cujo lema é “Pátria educadora”, é inequívoco a esse respeito.

Fora de círculos restritos, como na minha timeline do Facebook, onde há vários professores e pesquisadores, é improvável que se encontre na imprensa um peemedebista indignado pela decisão intempestiva de mudar um ministro nomeado há tão pouco tempo. Isso, para mim, é o mais triste – a palavra é essa mesma – no contexto atual. A capitulação levou o país a uma situação em que áreas-chaves são tratadas como acessórias.

Nunca é demais lembrar que Cid Gomes foi o primeiro ministro da Educação deste governo. Justo Cid Gomes, que, durante uma greve docente no Ceará, na época em que era governador, disse que professor tinha que trabalhar por amor, e não por interesse pecuniário. O mesmo Cid, que, já ministro, escolheu Xuxa como madrinha da educação no Brasil. Palrador como o irmão, Ciro, a quem muitos, agora, saúdam como um político independente, lúcido e altivo, Cid caiu ao criticar duramente a base parlamentar do governo, dentro do próprio Parlamento! Muito se discutiu, à época, sobre quem seria o novo ministro. Dilma estava acossada pelas manifestações de rua, e a nova indicação poderia sinalizar uma tentativa de retomada de alguma normalidade política.

Excetuando-se Veja e congêneres, o nome de Renato Janine Ribeiro foi celebrado dentro desse espírito. Era inexperiente, porém, muito melhor que Cid Gomes.

Em um Brasil colônia a crença coronelista degolou sempre a inteligência surgente. Passados mais de 500 anos a educação continua sub-valorizada em relação a outras vertentes. Pelo visto o paradigma secular da preservação da ignorância continua como um vírus no subconsciente coletivo e em governos sucessórios que não possuem alinhamento em sua gestão de valores.


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