quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Parque Madureira pede socorro (Por Elika Takimoto)

Rio de Janeiro, 15 de junho de 2016.

O Parque Madureira pede socorro

É com profunda dor que anuncio que hoje levaram meu celular. Estou lamentando muito a perda material porque estava na 3ª prestação e bem feliz com o aparelho. Mas choro muito mais pelo local onde tudo aconteceu: O Meu Lugar.

Resolvi caminhar hoje no Parque Madureira pela manhã e como a minha internet móvel havia acabado levei um livro. Estava andando e lendo ao mesmo tempo. Sim. Faço isso. De repente, dois garotos munidos de uma faca gigantesca vieram até mim e pediram meu celular. Após me assaltarem, levaram também o celular de mais um funcionário do próprio parque.

Assim que os assaltantes pularam a cerca que divide o Parque da linha do trem, eu comecei a gritar. O Guarda Municipal perguntou para mim se eles estavam armados e eu disse que havia uma faca. O guarda Souza Lima saiu disparado atrás deles e conseguiu pegar um deles. Menor de idade...

Fomos todos, vítimas, três guardas municipais e infrator na mesma viatura para a Cidade da Polícia onde passei a manhã inteira. Mega tenso andar junto e bem perto com uma alma perdida nesse mundo. O garoto não falava coisa com coisa. Estava drogado. Descalço. Abandonado. Parecia um animal. Um rato, certamente. Não consegui ver um ser da mesma espécie que eu ali. Que horror nos tornamos todos. Que horror...

Conversando com os guardas no caminho fiquei sabendo que o Parque Madureira está tendo assalto todos os dias o dia inteiro. A imagem de segurança que ali é passado pela quantidade de guardas que por lá circulam é ilusória. Eu sempre estive crente que estava segura ali dentro, mas não. Embaixo do monumento da "Cidade Olímpica" vi o brilho da faca de mim se aproximando.

O celular foi jogado longe pela linha do trem assim como foi a faca na hora da fuga. Depois que voltei da delegacia, fiquei mais duas horas andando pela linha do trem procurando meu bichinho. Achei mochila com documentos, bolsas, sapatinho de criança, galinha morta esmagada, tênis velho, muitas garrafas quebradas, óculos de Sol sem lente, velas,... mas nada do meu celular... e achei o facão. Além dos documentos, peguei a faca e levei para a administração do Parque Madureira.

Registrei a ocorrência para o gestor do Parque lamentando que a imagem que a Prefeitura do Rio de Janeiro vende do Parque Madureira não corresponde mais à realidade que encontramos. Pedi um celular novo já que não estou em condições de comprar outro. Duvido que me respondam quanto mais que eu seja ressarcida. Mas tudo que eu pude fazer eu fiz.

Ao sair, passei no local onde ficam os guardas para agradecer o Souza Lima pela coragem e pela competência. Mal chegando, me deparei com dois policias militares. Um cara havia acabado de colocar a arma na cabeça de uma das pessoas que estava se exercitando no Parque e roubou tudo dela.

Enfim, essa postagem é para alertar a todos os frequentadores do Parque Madureira que tomem muito cuidado. Mas mais do que isso: essa postagem é um pedido à Prefeitura do Rio que coloque viaturas ali dentro para que possamos usufruir de um espaço tão lindo e bacana já que os guardas municipais não podem andar armados e nada fazer em casos como esses que estão acontecendo todos os dias. Um policiamento maior é o que precisamos, penso eu.

Já temos tão pouca opção no subúrbio. Triste ver um local de lazer virar algo tão feio como a fome...

Estou bem. Sem celular e com o humor quase reduzido a nada. Coisas boas nisso tudo: andei naqueles carrinhos de golf em alta velocidade ali dentro do Parque (sempre quis andar neles) e o moço da viatura deixou eu ligar a sirene para ver como era. Consegui rir um pouco nesse momento.

Enfim, pouco importa.

Socorro para o Parque Madureira e cuidado para quem o frequenta.

Att














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