sexta-feira, 30 de maio de 2014

Calaram oficialmente Joaquim Barbosa

Sinceramente eu não entendo como estão falando mal do Joaquim Barbosa. É uma inversão de valores total. Se a Justiça não faz o seu papel, ela é chamada de omissa; quando ela faz o seu papel, ela é chamada de fascista. Joaquim Barbosa fez um dos mais belos trabalhos do Supremo Tribunal Federal. E ele só cumpriu o papel dele, fez o previsto que qualquer ministro deveria fazer, praticar a justiça. Agora dizer que Joaquim Barbosa não deve ser um exemplo a ser seguido é dar meritocracia a quem praticou corrupção e para os envolvidos do mensalão.

O ex-ministro Joaquim Barbosa não fez mais do que está obrigado a fazer. Não é conduta a ser glorificada, porquanto se trata de mero desempenho de função. Agora, um insignificante qualquer dizer que ele é "o mais grosseiro e despreparado de todos os juízes que já passaram pelo STF", além de "um exemplo a não ser seguido", é coisa de petralha que está indignado por ter seus camaradas presos, exprimindo os anseios de toda uma sociedade, fazendo valer a justiça.

Bandido sem estudo, quando contrariado pela justiça, mata; já os que tiveram a oportunidade de estudar (embora me pareça que não adiantou muito), tentam desmoralizar a justiça e os que a aplicam com o rigor que deve ter.

É uma pena, mas no Brasil é bem assim quem trabalha serio para destruir as falcatruas dos governos corruptos é ameaçado. E para manter sua integridade física e moral é forçado a se retirar, mas tudo bem que DEUS proteja o JOAQUIM BARBOSA e obrigado pelo ensinamento aos nossos direitos.

O plano totalitário petista, agora, terá livre acesso. Os congressistas, que são corruptos, vão justificar a próxima tacada, anular o congresso. O mesmo plano está sendo seguido pela Venezuela e o resultado está aí, mesmo sentados em uma enorme reserva de petróleo, não conseguem equilibrar a balança e tem de criar um cartão de consumo. E usam a velha desculpa de toda ditadura: os "inimigos" externos.


O Brasil virou uma bagunça, ninguém sabe de nada, corrupção ativa, preso por roubo achando que foi preso injustamente, Congresso omisso, o povo esta sem segurança, saúde, educação. Me pergunto um homem como o Ministro Joaquim Barbosa sofre ameaças, sua aponsentadoria antes da hora, fico envergonhado.



quinta-feira, 29 de maio de 2014

Joaquim Barbosa: Ame ou Odeie

O anúncio da aposentadoria de Joaquim Barbosa marca o fim de uma turbulenta e polêmica era no STF (Supremo Tribunal Federal). O ministro foi um dos mais políticos e certamente o mais divisionista chefe do Poder Judiciário da história recente.

Barbosa é um clássico caso de ame-o ou odeie-o. Para seus adversários, que já formam a "nova maioria" no plenário do STF e deverão ser reforçados por uma eventual indicação ainda nesta Presidência, Barbosa nunca abandonou as origens no Ministério Público.

Ministros o acusavam, reservadamente e em público, de agir como um promotor. A visibilidade do caso do mensalão, o maior e mais rumoroso da história do Supremo, deu ares de drama aos embates entre ele e o revisor do processo, o próximo presidente da corte, Ricardo Lewandowski.

Para seus apoiadores, o estilo agressivo em plenário gerou uma certa aura de "paladino da Justiça". O fato de que pela primeira vez um esquema envolvendo a antiga cúpula do partido no poder ter sido duramente punido forneceu argumentos concretos para a construção da imagem.

Durante a execução penal do mensalão, Barbosa fez uma leitura estrita da legislação para não facilitar a vida dos condenados, atraindo críticas entre os defensores dos presos de que ele promove uma perseguição.

Mérito à parte, o fato é que o "timing" de Barbosa durante o processo sempre garantiu que o caso permanecesse visível no noticiário –a começar pelo fatiamento do julgamento, que garantiu, no ano passado, a ida para a cadeia de Dirceu e companhia em pleno 15 de novembro.

Por outro lado, a dureza de Barbosa deixou várias marcas dúbias. O trato com a imprensa sempre foi difícil, e ele não perdeu uma oportunidade para entrar em conflito com jornalistas e questionar a estrutura de comando dos meios de comunicação no Brasil.


Dizer que um repórter "chafurdava no lixo" foi apenas o auge de um relacionamento tenso com a mídia. Quando exposto ao escrutínio natural do cargo, como por exemplo quando a Folha de São Paulo revelou que ele comprara um imóvel em Miami, sua reação posterior foi a de acusar o jornal de racismo por ser negro.

A questão da cor o acompanhou por todo o mandato, não menos porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca escondeu que buscava um negro para a vaga então aberta.

Barbosa sempre fez questão de lembrar a baixa penetração de negros no topo do mercado de trabalho em entrevistas e palestras, e de questionar o tratamento dado a eles no país. Por vezes, foi ríspido ao tratar do assunto, como na ocasião em que queixou-se de uma pergunta feita por um repórter negro, acusando-o de seguir a "linha de estereótipos" supostamente usada por jornalistas brancos.

Em outras ocasiões, expôs-se a críticas ao fazer uso de expedientes comumente associados a práticas denunciadas por ele em plenário. Recentemente, por exemplo, foi criticado e acabou por devolver parte do dinheiro que recebeu em diárias numa viagem para dar palestras na Europa durante suas férias. 

E foi responsável por enviar, em nome do Conselho Nacional de Justiça, carta para fazer lobby pela aprovação da proposta que aumenta os vencimentos de sua classe –embora neste caso ele sustente que só o fez para respeitar uma decisão colegiada, algo que alguns de seus pares negam em reserva.

Para bem ou para mal, a depender de sua preferência ideológica, o STF vai mudar de ares. Com isso, é previsível que o "exemplo de cima" que influenciava o espírito de juízes Brasil afora também seja alterado. Os já clássicos debates entre Barbosa e Lewandowski, para não falar do pugilato retórico com outro membros como Marco Aurélio Mello, deverão agora ser substituídos por um clima mais moderado na corte.


O estilo mais soporífero e tecnicista de Lewandowski e de novos membros do tribunal, como Teori Zavascki, deverá ser predominante no plenário. Para os críticos de Barbosa, alívio pelo fim de uma era de embate levado ao paroxismo. Para seus admiradores, o risco de uma Justiça menos eficaz e mais corporativista.

Por fim, resta saber qual o destino político de Barbosa, que até abril poderia ter se filiado a um partido e eventualmente concorrer à Presidência. Animal político por natureza, fora do Supremo Barbosa perde o palanque permanente.

Seu eventual apoio valerá ouro para os candidatos do campo oposicionista, embora ele nunca tenha manifestado grandes afinidades por qualquer um dos presidenciáveis –exceção feita, ao menos na retórica adotada, a Marina Silva.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Se nós tivéssemos ‘padrão Fifa’, o Brasil seria muito pior

A palavra de ordem se disseminou com intenção generosa: o Brasil padrão Fifa seria melhor.

No Google, aparecem 460 mil registros quando se digita “padrão Fifa'' entre aspas.

Os serviços públicos, a começar por educação e saúde, teriam mais qualidade, se mimetizassem o alto nível da dona do futebol _é a ladainha que ouvimos desde junho de 2013.

Com o perdão dos que adotaram a divisa, eu acho que o padrão Fifa é uma balela ou significa o avesso do lugar-comum que se fixou no imaginário nacional.

O país seria muitíssimo pior caso se espelhasse nos valores, métodos e obra de Sepp Blatter e seus bons companheiros.

Na saúde, o padrão Fifa seria o contrário de cuidar da vida dos brasileiros, o que se faz (ou deveria ser feito) com bons hospitais e pronto-socorros, profissionais qualificados e bem remunerados, prevenção acurada, saneamento para todos, alimentação decente e outras providências.

Seria o contrário porque a Fifa secundariza a saúde dos jogadores de futebol e prioriza o caixa.

Na Copa de 94, a entidade, ainda conduzida por João Havelange, impôs jogos ao meio-dia no escaldante verão californiano.

Já na gestão de Joseph Blatter, entregou de modo suspeito o Mundial de 2022 ao Catar, onde o calor torturante ataca na época do ano que a tradição reserva ao torneio.

Isso é se preocupar com a saúde?

A educação inspirada no padrão Fifa não seria dos sonhos, e sim o oposto.

Ao abordar o racismo, em vez de ensinar a repulsa, os professores pregariam tolerância com a segregação.

Por todo o planeta, acumulam-se episódios de preconceito. Em vez de punir as agremiações que acolhem torcedores racistas, a Fifa somente obriga seleções a entrarem em campo com faixas cujos dizeres, embora justos, estão longe de proporcionar o efeito de castigos exemplares.

E as lições de democracia?

O que há de se aprender com a política elitista de preços escorchantes dos ingressos?

Mesmo dentro das ditas arenas, camarotes chiquérrimos documentam e celebram a desigualdade obscena.

Uma federação que interdita a alternância de governo e eterniza seus capi sugere democracia? Por mais de 20 anos, Havelange não largou o osso. Seu sucessor mantém idêntico apetite.

De acordo com o padrão Fifa, ditaduras não são ruins e ditadores são todos boa gente, desde que se prestem aos propósitos dos poderosos chefões encastelados na Suíça. Já havia sido assim na Copa de 78, na Argentina do genocida Videla, e continua hoje, quando os tiranos mais sinistros são bem-vindos na entidade.

O que a Fifa diria sobre controle rigoroso de negócios em geral e operações financeiras em particular? Dificilmente apresentaria como case o esquema que resultou na escolha do Catar.

Muito menos o que permite que amigos da cartolagem lucrem com ingressos da Copa, fazendo decolar a preços ainda mais exorbitantes pacotes que já são para poucos.

É essa a gestão que queremos como padrão?

O padrão Fifa subverte o ensinamento franciscano do “é dando que se recebe'', a considerar tantas denúncias de propinas.

O que o padrão Fifa propõe para quem é flagrado em impedimento, senão a impunidade? Que punição houve para Havelange e Ricardo Teixeira?

É essa a Justiça ideal, o padrão Fifa de combate à corrupção?

Em que o Brasil prosperaria se imitasse o comportamento do secretário-geral Jérôme Valcke?

Ele é o mesmo executivo que embolsou, na condição de lobista, dinheiro da candidatura brasileira ao Mundial e mais tarde, na pele de cartola, sugeriu um pontapé no nosso traseiro.

Do seu papel no lobby só se soube graças a furo do repórter Sérgio Rangel.

Almejamos a transparência padrão Fifa, que escondia o frila do francês?

Em matéria de inovação e evolução, será que o caminho é o da Fifa, que resiste até ao controle eletrônico para saber se a bola entrou no gol?

De todas as expressões do farisaísmo do padrão Fifa, duas se destacam. A primeira, quando a entidade fala em legado disso e daquilo para o Brasil. Ela está interessada em multiplicar sua fortuna. E só.

E quando alardeia sua devoção pelo futebol. A Fifa mercantilizou a níveis jamais vistos a mais genuína paixão dos brasileiros. Apropriou-se até de nomes consagrados, como “Copa do Mundo''.

Por sorte, pelo menos isso não conseguiram nos roubar, a paixão que constitui a essência do futebol.

A despeito de todas as mazelas que vigoram no país que figura entre os campeões da desigualdade, o Brasil no padrão Fifa seria ainda mais egoísta, hipócrita, inescrupuloso, obscuro e desigual.

Padrão Fifa é exigir do outro o que não se faz _faça o que eu digo, e não o que eu faço.

A Fifa já nos fez muito mal. Fará mais ainda se o seu famigerado padrão se tornar o nosso modelo.

Se esta copa fosse nos Estados Unidos, na França, na China, o povo estaria fazendo de tudo para mostrar sua hospitalidade, as belezas de sua pátria, e falando bem de si mesmos para todos... Mas nós, como dizia Nelson Rodrigues, temos complexo de narciso ao contrário, gostamos de jogar lama em nós mesmos e causar péssima impressão para o mundo. 

Compreendo os protestos por melhoria de vida, são justos, mas qual é a vantagem de fazê-los agora? Estamos gerando medo nos turistas que viriam aqui gastar 12 bilhões de reais, entre dólares e euros. Queremos estrar para a história do mundo como a Pátria dos Fracassados? Roupa suja se lava em casa, como diz o ditado.


Não podemos de forma alguma criticar a FIFA, afinal nossos governantes já sabiam como os eles trabalham, ninguém entrou na história enganado, foram lá e se candidataram para COPA, eles não vieram aqui bater na nossa porta e nos oferecer o mundial, e se o Brasil participou do jogo, que cumpra as exigências mínimas para a realização do torneio, mas além de meterem a mão no dinheiro público com força, não conseguimos nem deixar a obra de todos os estádios prontos, somos de um incompetência ímpar, e o tempo de protestar era lá atrás em 2007, quando Lula e Dilma posaram sorridentes com o apoio da nação, agora na porta da COPA é de uma babaquice e oportunismo extremo, até para protestar somos um país atrasado.

Motivos para Amar e Odiar a Copa do Mundo

Dez razões para amar a Copa:

1) Mulher. As mulheres, gracias a Diós, atualmente já participam mais do dia-a-dia do futebol. Lindo. Mas é durante a Copa do Mundo que a maioria, como minha santa mãezinha lá em Juazeiro e as “primas” aqui de Copacabana, por exemplo, se engajam naquela velha corrente pra frente. E quanto mais mulher na torcida, melhor para qualquer ambiente ou qualquer mundo. Mulher, teu nome é sustentabilidade.

2) Conjunto das obras. Bom saber que, somente por causa da Copa, algumas grandes obras de infraestrutura urbana -como na área falida dos transportes públicos- foram iniciadas e podem ser concluídas, mesmo depois do evento. Se não fosse o Mundial… nem a pau, never more, corvo Edgar.

3) Essa grita de querer educação #padrãoFifa é  balela. Como mostrou a Folha, aqui literalmente copiada: mesmo mais altos hoje do que o previsto, os investimentos para a Copa representam parcela diminuta dos orçamentos públicos. Alvos frequentes das manifestações de rua, os gastos e os empréstimos do governo federal, dos Estados e das prefeituras com a Copa somam R$ 25,8 bilhões. O valor equivale a, por exemplo, 9% das despesas públicas anuais em educação, de R$ 280 bilhões. Em outras palavras, é o suficiente para custear aproximadamente um mês de gastos públicos com a área.

4) Centro do universo. Bora matar o vira-latismo provinciano, ser cosmopolita, receber gente do mundo inteiro e poder mostrar que o Brasil não é apenas o que a mídia internacional publica e o que estamos cansados de saber. Somos, na guerrilhas das contradições, infinitamente mais ricos do que a vã sociologia de boteco explica.

5) Gosto de futebol, porra, como diz o Peréio. Ô pentelho mascarado, me deixa curtir em paz os melhores jogos do planeta.

6) Quero aproveitar os feriados para viajar para uma praia distante ou para o mato, bem longe dessa baderna toda que assola o país, bando de babacas e grevistas chantagistas. Verei a Pátria em chuteiras bem longe de vocês, palhaços.

7) Vou faturar uma grana extra no meu botequim ou em um comércio de rua improvisado, afinal de contas é carnaval de novo e Deus é nosso.

8) Por que deixaram para reclamar sete anos depois? Quando o Brasil ganhou o direito, 97% eram favoráveis, ouvi até fogos dos vizinhos que hoje fazem muxoxos.

9) Se o futebol era tido como o ópio do povo, inclusive por quem agora está no poder, nunca gerou tanta discussão política. Viva o futebol. Foi capaz, inclusive, de unir a extrema direita e a extrema esquerda na turma do #naovaitercopa. #miladreIdeológico.

10) Já que os gastos foram feitos, quero mais é comemorar o hexa e enterrar de vez por toda a síndrome de Maracanazzo.



Dez razões para odiar a Copa:

1) Copa para quem? Se na hora da família inteira curtir o futebol somente uma elite econômica tem acesso aos ingressos pela hora da morte? Isso é o que se pode chamar de um evento somente para a Casa-grande e não para a senzala.

2) Além de gerar milhões em grana superfaturada para as empreiteiras, as obras públicas não foram entregues a tempo. Qual será esse legado?

3) No país em que há desvios na educação e doente morre em maca de hospital, essa grana dos estádios poderia salvar muita gente. Sem comentários. Esse assunto é muito grave.

4) Só vamos passar vergonha com os estrangeiros. Ponto.

5) Somente um alienado fica vendo esse futebol globalizado e babaca enquanto o país está um caos. Meu negócio é várzea ou a Segundona.

6) Como se não bastassem os mil e um feriados nacionais, mais dias parados ainda por simples jogos da Copa. Bando de vagabundos!

7) Ledo engano você, pequeno comerciante ou ambulante, achar que vai encher os tubos. Até o acarajé baiano de verdade está proibido pela Fifa nas cercanias do estádio. Só rola produto controlado pela entidade suíça, inclusive as iguarias regionais. Senhores turistas, fujam desses malditos exploradores tupiniquins, Nova York está bem mais em conta a essa altura.

8) Disseram que não seria empregado um centavo público nessa joça. Repare no que deu a farra do boi com o dinheiro público. Palhaçada.

9) País de alienados. Depois da vergonha da febre do álbum de figurinhas, só me falta ver esse bando de imbecis vestidos de verde e amarelo e torcendo pela seleção da CBF -porque de pátria em chuteiras, que me desculpe Nelson Rodrigues, esses jogadores mimadinhos não têm nada.

10) Que vença o Uruguai de novo. Ou a Bósnia. Tanto faz. Se é que vai ter Copa.

Sentiu falta de alguma coisa, amigo pró Copa? E você, amigo contra a Copa? 

terça-feira, 27 de maio de 2014

A Copa da Consciência Brasileira

O direito do protesto é pleno e honra a prática da democracia numa nação soberana. O exercício da cidadania também, mas não é totalmente praticado. Sou favorável às manifestações, é hora de começar a protestar com inteligência e sem violência. Nosso protesto começa na pesquisa sobre os candidatos a governadores e a presidência da república. 


Ter a certeza da ficha limpa, e votar em candidatos que tenham projetos de governo para um bem comum e não para o próprio umbigo. Olhar o passado e prever mais quatro anos no futuro. Que país você quer?

Não adianta quebrar tudo num país que já tem tão pouco em transporte, saúde e educação. O resultado negativo será arcado por nós mesmos, que iremos pagar mais para reaver o que está perdido, e que dará munições suficientes para agirem com mais violência, cinismo ou desmerecendo até mesmo o protesto, dizendo ser de apenas alguns.

Ainda é melhor protestar próximo do ônibus da seleção do que queimar algum coletivo e atrapalhar a própria população, pelo menos dá visibilidade e de uma certa forma não vai sair em vão, algo acontecerá. É claro que terá Copa, o protesto contra a Copa deveria ter acontecido em 2007 quando o Brasil foi escolhido em pleito único, mas isso não aconteceu.

Agora não podemos chorar o "leite derramado", o dinheiro (superfaturado) dos estádios já foram (quase...) feitos, as obras de infra-estrutura (???) prontas e o legado (a população não sabe o significado disso) está feito. Mas o que adianta quebrar tudo para estrangeiro ver? 



Vai mudar alguma coisa? Sim… a imagem do Brasil vai piorar, vamos mostrar que não fomos capazes de nada, assim que vão dizer. Vão sair rindo por aí da bagunça que é o Brasil. Mas roupa suja se lava em casa e somos nós, brasileiros, que precisamos reverter este quadro.

Ao contrário do que alguns falam por ai, a meu ver, não se trata só do dinheiro, o Brasil é um país Rico, daria para fazer uma copa do mundo e ter bons hospitais, boas escolas e tudo mais. Se trata além do superfaturamento de Tudo, da óbvia corrupção que acabou atrasando mais de 60% das obras e logicamente da falta de respeito desses políticos com as áreas que precisam de atenção e não recebem a mesma energia.


Então, não é que eu seja contra a Copa do Mundo, ao contrário, Graças a Copa do Mundo parece que o Povo saiu do Coma que estava desde sempre. A Copa jogou a atenção do Mundo inteiro para o Brasil e os Brasileiros perceberam que agora seria o momento ideal para demonstrar sua insatisfação com as questões sociais que precisam ser resolvidas. E DEVEM FAZER ISSO.

O canto nas torcidas derruba qualquer um e nos enche de orgulho, apoiando os jogadores pq estes também estarão apoiando o Brasil e lutando pela nossa bandeira. A única coisa que precisamos quebrar agora é a cabeça, estarmos convencidos que o protesto mais forte que uma democracia pode ter é apertar os botões de uma URNA de forma CONSCIENTE, olharmos mais um para o outro de um modo cívico, sem tomar partido e proveito de doses homeopáticas alheias, como a famosa Lei de Gérson.


Não vamos nos deixar a política nos enganar, em 1970 diziam que era a “esquerda” que era contra a Copa, nos dias de hoje é a “direita” que é contra. Não podemos deixar a roda da política nos enganar novamente e nos rodear de promessas e ilusões. Tenhamos calma em achar um denominador comum para o bem de nosso país.

E se você acha realmente que o problema é o dinheiro, lhe digo, o PROBLEMA É BOA VONTADE PARA FAZER AS MUDANÇAS NECESSÁRIAS E VERGONHA NA CARA DESSES VAGABUNDOS QUE APROVEITAM QUALQUER MOTIVO PARA EMBOLSAR a grana investido nestes eventos para se auto promoverem.

Vai ter Copa sim, mas que seja uma Copa para um Brasil melhor, é disso que eu torço.



#prontofalei #umabraçoatodos #VaiterCopa #FifagoHome 

#Brasil #CBF #Copanasurnas #Torcidaecantos 

#JogadoresdoladodoBrasil #AcordaBrasil #MudaBrasil

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Ronaldo Nazário, o Demagogo


Caro Ronaldinho, Ronaldo ou Fenômeno.
Através de sua carreira, os nomes foram mudando. Eu me lembro da primeira vez em que te entrevistei – foram poucas, muito menos do que eu desejaria – no vestiário do Palmeiras, após um jogo contra o Cruzeiro. Você disse que estava pronto para a Copa de 94. E foi convocado. O início de uma carreira que maravilhou o mundo.
Olha, acho melhor chamá-lo de Ronaldo Nazário de Lima, afinal o assunto não é apenas futebol.
Ronaldo, os seus dribles são eternos. Desde aquela série imensa em um jogo contra o Barcelona até aquele que não se completou, em um abril de 2000. Aquele que deixou o mundo triste, calado, sofrendo. Você voltava após cinco meses de paralisação por uma problema no joelho, voltou e, ali pela esquerda do ataque da Inter, gingou diante de Fernando Couto e rompeu novamente o tendão do joelho.
E o seu oportunismo? Não era como Romário, que ficava ali quietinho na área, esperando a bola chegar. Com seu tamanho, não dava para passar despercebido, mas, como o Baixinho, foram muitas alegrias vindas de puro oportunismo, de saber estar no lugar certo na hora certa.
Pois é, Ronaldo Nazário de Lima, drible e oportunismo são fundamentais na vida de um artilheiro. São desprezíveis na vida de um cidadão.
Falo isso por causa de sua declaração de que tem vergonha dos atrasos nas obras da Copa. Que elas passam uma imagem ruim lá fora. Aquele velho papo de quem deseja agradar os de fora.
Ora, Ronaldo, você estava lá, no dia em que o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa. Estava com Paulo Coelho, com Lula, com Aécio Neves e Eduardo Campos.
Você ao contrário deles, passou a ser membro do Comitê Organizador Local. Ronaldo, você é um dos responsáveis por tudo que envolve a Copa.
Ronaldo, você ganhou dinheiro com a Copa. Suas publicidades aumentaram. Você alugou sua casa para um figurão da Fifa, nem vou procurar no Google o nome dele, não interessa.
Ronaldo, que coisa feia!!!. Depois de ser o responsável, depois de faturar dinheiro, você estica o dedo e diz que “sente vergonha”.
Ah, quer dizer que você não é responsável por nada? Nadica de nada? O que está errado é culpa dos outros? Trabalhou com o governo, diz que está tudo errado e apoia Aécio Neves na eleição. Drible e oportunismo.
Ronaldo, eu não deveria me surpreender com suas idas e vindas.
Em 2009, você disse que não gostaria de ser relacionar com Ricardo Teixeira, uma pessoa de “duplo caráter”. Em 2012, disse que “ele é meu amigo e estou com ele no que precisar”, antes de Ricardo Teixeira ser obrigado a renunciar à CBF.
Você jogou no Barça e Real, na Inter e no Milan, se recuperou no Flamengo e assinou com o Corinthians.
Aliás, Ronaldo, você pensou que ao dizer que “os atrasos te dão vergonha” poderia atingir Andrés Sanchez, que foi seu parceiro na recuperação do Corinthians?
Ronaldo, no caso de Aécio vencer, você terá muitas chances de ser o Ministro dos Esportes. Mas, saiba que o Aécio estará de olho em você. Ele é neto de Tancredo, uma das grandes raposas da política brasileira. Como o avô, ele é desconfiado. Sabe que os que traem uma vez, traem sempre.
É questão de índole. De caráter. Ou, da falta de ambos.



Ronaldo, 

é o seguinte, te respeito como ídolo, como boa parte do povo brasileiro. Suas conquistas são inegáveis, fruto de muito trabalho, superação e bastante suor. Assim como as minhas. Mas como cidadãos brasileiros, especificamente em relação à Copa do Mundo, estamos em lados opostos. 

Em dia 23 de dezembro de 2011, o COL convocou a imprensa e, ao meu lado e de mais quatro deputados federais da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência – Mara Gabrilli, Rosinha da Adefal, Luiz Henrique Mandetta, Otávio Leite –, você anunciou a doação de 32 mil ingressos para este segmento da sociedade. O que você disse no evento está registrado: “O Romário não tem que agradecer nada. Somos nós é que temos que agradecê-lo por nos apresentar um projeto desses e nos dar a oportunidade de fazer uma Copa melhor”. 

Somente essas palavras, já o responsabilizam junto com presidente da CBF por esta doação. É muito negativo você vir a público agora afirmar que não tem responsabilidade sobre este tema. O descumprimento desta dívida não afeta a mim, nem aos outros deputados, mas certamente tira a oportunidade de milhares de pessoas que vivem à margem da sociedade – tanto por preconceito, como por pobreza – de realizar um sonho. 

Deixo bem claro que não tenho o objetivo de jogar você contra nada, nem ninguém. Estou apenas te lembrando de um compromisso assumido.

Sobre suas acusações de eu ser ignorante ou oportunista, vou relevar. Afinal, deve ter sido um momento de empolgação ou raiva da pessoa que escreveu o texto para você.

Outra coisa, você tem dito que o que penso não lhe importa. Não vejo como ser diferente, porque o que penso, como ajo e o que falo sempre tem o objetivo de mostrar para todos, da minha forma, a nossa realidade. Agora, se você acha normal gastar mais de R$ 1 bilhão na reforma de um estádio como o Maracanã, enquanto se enxerga ao redor deste mesmo estádio, hospitais sucateados, escolas precárias e transporte público de má qualidade, segurança temerosa e acessibilidade zero, realmente, você não deve se importar nem um pouco com o que eu digo. Objetivos diferentes. 

Vou além, segundo seu amigo Jerome Valcke, hoje secretário-geral da FIFA, apesar dos gastos absurdos e esforço que nosso país vem fazendo, esta Copa tem tudo para ser a pior da história. Algo muito diferente do que você mesmo pensa. Não é mesmo? 

Como representante do COL acredito que você já saiba que o orçamento da Copa começou em R$ 23,5 bilhões, já está em mais de R$ 26 bilhões, uma conta que ainda não fechou. Para piorar, apenas 5, das 41 obras de mobilidade urbana foram concluídas, de acordo com levantamentos recentes.

Em 2007, em Zurique, Suíça (sede da FIFA) ao lado de Parreira, Paulo Coelho e Ricardo Teixeira, eu afirmei e, principalmente, acreditei assim como a maioria dos brasileiros que esta Copa seria a melhor Copa de todos os tempos. Naquela época, a informação que tínhamos era que a Copa seria 90% financiada com dinheiro privado. Hoje, se sabe que 98% do dinheiro da Copa é público, ou seja, daquelas pessoas que pagam seus impostos e o pior, a maioria não conseguirá assistir a um jogo sequer. Há três anos, desde que assumi meu mandato de deputado federal, tenho posições e compromissos diferentes. Não é com você, não é com COL, com a FIFA, CBF, ou Governo. Meu único compromisso é com a população brasileira. Tenho feito a minha parte, cobrar, denunciar e legislar. E modéstia a parte, tenho feito muito bem.

Agora aos fatos. Já existe um requerimento (número 9/2014), aprovado dia 12 de março na Comissão de Esporte, que convida o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, e um membro do COL, no caso você, para esclarecer como será feita a doação.

Então, como foi sugerido, educadamente, aguardo a sua presença e a do presidente da CBF na Câmara dos Deputados para debater este tema. Acredito ser este o foro ideal para darmos satisfação à população, principalmente, para as pessoas com deficiência de baixa renda.

Valeu!

Brasil, o elo econômico perdido

Salvo exceções, o País está distante das cadeias de fornecimento globais, eixos do dinamismo econômico mundial.

O ano de 2014 está perdido para a indústria, anunciou a Fiesp em abril, oito meses antes do fim do período, aparentemente sem surpreender ninguém. O índice de confiança dos empresários do setor medido pela FGV caiu para menos de 100 pontos, o mesmo nível atingido na grande depressão mundial de 2009.
Dificuldades (e avanços) acumularam-se nos últimos anos, mas as principais agruras do setor vêm de décadas atrás. Estudos recentes apontam uma das consequências da crise crônica da indústria: o Brasil distanciou-se dos padrões internacionais e hoje, exceto no caso de algumas empresas, é um elo partido das grandes cadeias de fornecimento globais, também chamadas de cadeias produtivas ou de valor. A situação é preocupante, mas o País tem condições de resolvê-la, asseguram as análises.
Uma cadeia de fornecimento global é o conjunto de empresas de diferentes países envolvidos nas diversas etapas de produção de um bem ou serviço, da produção ao marketing e à distribuição. O Ford Escort produzido em 1981 na Europa com peças de várias procedências é considerado o primeiro carro mundial fabricado nesse sistema. O iPhone e o iPad são exemplos recentes de utilização da mesma lógica de suprimento.
Ficar fora dessas redes mundiais de suprimento equivale a apartar-se do mundo industrial e econômico contemporâneo, porque elas “baratearam enormemente os custos e aumentaram a eficiência dos sistemas da produção manufatureira”, explica o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. Mas “participar das cadeias globais é para quem pode, não para quem quer”, diz Mario Bernardini, diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, a entidade responsável pela mobilização, há um mês, de 21 associações empresariais para pressionar o governo federal por medidas de apoio à indústria de transformação. As reivindicações abrangem câmbio, juros, carga tributária, concorrência de produtos importados, desoneração de investimentos, indexação de preços, custo de energia e infraestrutura.
O conjunto de problemas considerados sistêmicos expressos na pauta encaminhada pela Abimaq explica em parte a inserção reduzida da indústria local nas cadeias globais e o baixo valor agregado nas transações do País com o mundo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e a Organização Mundial do Comércio consideram o Brasil uma das economias com menor valor adicionado de itens importados nas suas exportações, da ordem de 10%. Mas a sua contribuição em valor acrescentado às exportações de outros países é a segunda maior entre as economias em desenvolvimento, principalmente por conta das vendas externas de insumos e de matérias-primas. 
O seu lugar é mais o de um fornecedor de insumos para empresas de outras origens adicionarem valor às suas cadeias produtivas do que um exportador de produtos com maior valor adicionado. Empresas multinacionais buscam o País atraídas pelo mercado interno ou pela exploração de recursos naturais, mas não o veem como um local para agregar valor às cadeias globais às quais estão conectadas, concluem OCDE e OMC.
A elevada concentração no topo das cadeias de valor globais restringe o espaço de inserção dos países em desenvolvimento, mostra um levantamento feito por Peter Nolan, da Universidade de Cambridge, um dos principais estudiosos de cadeias produtivas e consultor oficial do governo da China (leia a tabela). Três empresas, em média, controlam quase 70% dos mercados mundiais em 31 setores e subsetores. São as integradoras das respectivas cadeias de valor global, quase todas com sedes nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Há apenas uma integradora brasileira, a Embraer, que reparte com a canadense Bombardier 75% do mercado mundial de aeronaves comerciais de 20 a 90 assentos.
O problema da baixa inserção da indústria brasileira ficou mais nítido com o impulso dado pela globalização às grandes cadeias produtivas mundiais. O setor foi menos ator e mais plateia desse movimento ocorrido entre 1980 e 2008. “A globalização é um fenômeno das economias asiáticas, europeias e americanas. Não chegou por aqui. Nós não fomos incluídos”, diz Júlio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
A participação reduzida do Brasil tem a ver com a política econômica dos anos 1970 e a crise da dívida externa nos anos 1980, responsável por um choque de 15 anos na economia. “Antes do Plano Real, a situação grave do balanço de pagamentos e a ameaça da hiperinflação afastaram o País das estratégias de migração e reorganização da grande empresa transnacional”, diz Luiz Gonzaga Belluzzo, diretor da Facamp Faculdades de Campinas e consultor de CartaCapital. A partir do plano, controlou-se a inflação, mas “a valorização do real, além de reanimar a vulnerabilidade externa, desfavoreceu a participação brasileira nas cadeias produtivas globais, sobretudo nos setores em que as transformações estruturais e tecnológicas ocorriam com mais intensidade”.
O movimento de globalização e a estruturação das cadeias de valor globais abalaram também concepções enraizadas a respeito da evolução provável das economias nacionais e das empresas. “Ao contrário da crença dos economistas da corrente de pensamento dominante, o chamado mainstream, de que abrir as economias em desenvolvimento proporcionaria às empresas locais oportunidades para seguir o caminho daquelas dos países de alta renda, as três décadas de globalização testemunharam um grau sem precedentes de consolidação internacional e concentração industrial”, dizem Peter Nolan e Jin Zhang, pesquisadora de Cambridge, no estudo Competição Global pós Crise Financeira.
A trajetória da Embraer contrasta com a da maior parte do setor industrial. A empresa iniciou a articulação de educação, manufatura e pesquisa há 45 anos, com apoio do governo, através do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. Um desenvolvimento anterior, portanto, às políticas liberalizantes dos anos 1980.
Com as transformações financeiras e organizacionais e as novas formas de concorrência surgidas a partir dessa década, as grandes empresas dos países desenvolvidos reconfiguraram o ambiente internacional. O crescente comércio entre as indústrias e principalmente o suprimento mundial, ou global sourcing, tiveram um papel decisivo nas estratégias de internacionalização das cadeias de fornecedores beneficiadoras, a partir da década de 1990, das economias asiáticas, em especial da chinesa. A maior parte do suprimento da Boeing, uma das integradoras da cadeia global de produção de aeronaves de grande porte, provêm de empresas do Japão, Coréia do Sul, Taiwan e China. A situação da Airbus, concorrente da Boeing, da Bombardier e da Embraer é semelhante.
“A realidade do setor aeronáutico, em âmbito mundial, exige produtos no estado da arte da tecnologia para manter as empresas competitivas e geradoras de empregos. Poucos fornecedores em todo o mundo estão aptos a prover muitos dos componentes e peças com as especificações necessárias para tais produtos, o que faz com que as cadeias sejam globalizadas”, diz Nelson Salgado, vice-presidente de relações institucionais e sustentabilidade da Embraer. A empresa auxilia o desenvolvimento dos seus fornecedores nacionais para atendimento dos padrões de excelência e competitividade exigidos para inserção na cadeia global e aumento do índice de nacionalização dos seus produtos.
As cadeias globais de valor “tornaram-se uma força central impulsionadora de mudanças estruturais em muitas economias modernas”, afirma a Confederação Nacional da Indústria em estudo coordenado por Timothy Sturgeon, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Gary Gereffi, da Universidade de Duke. Historicamente, o Brasil conta com uma base de tecnologia nacional mais sólida que a China ou o México. Não desenvolveu indústrias plenamente competitivas, mas a substituição de importações no passado criou bolsões de excelência que podem, com base em uma combinação correta de políticas, desempenhar papéis importantes nas cadeias globais de valor daqui para a frente. Cabe ao Brasil resolver os problemas crônicos da sua indústria, coordenar as políticas de governo já existentes e procurar as empresas estrangeiras bem situadas nas cadeias, dizem os pesquisadores.
“Temos uma grande base instalada de empresas transnacionais. A maioria delas agrega muito valor, com fábricas e centros de desenvolvimento locais”, diz o economista Antonio Corrêa de Lacerda, professor da PUC-SP. Boa parte é dirigida por executivos brasileiros, ou estrangeiros com relação estreita com o País. “Deveríamos negociar com esses dirigentes um maior compromisso com produção e inovação locais, exportações, empregos e tudo que possa acelerar e qualificar nossa inserção externa”, sugere Lacerda.
Para Gomes de Almeida, a solução dos problemas sistêmicos da economia permitiria explorar melhor setores em que o Brasil tem muita expertise, como as indústrias automobilística, de bens de capital, mecânica, de equipamentos elétricos, eletrônica, de alimentos. O economista defende “uma política especial para envolver as multinacionais que fracionam sua produção no mundo sem incluir o Brasil, a não ser como fornecedor básico e mercado final, apesar de estarem instaladas no País”.
A cadeia produtiva do petróleo exemplifica avanços e possibilidades no caso brasileiro. Há um investimento significativo da Petrobras em exploração e refino do petróleo. É importante aproveitar a capacidade industrial de convertê-lo no País em produtos químicos e petroquímicos hoje, em grande parte, importados, disse Carlos Fadigas, presidente da Braskem, no Fórum Brasil promovido em março por CartaCapital. Nas etapas anteriores à produção de petróleo, inclui-se a construção de plataformas de prospecção, responsável pelo renascimento do setor de estaleiros no Brasil.
Falta ao Brasil “entender a nova geografia da produção”, diz Renato da Fonseca, gerente de pesquisa e competitividade da CNI. Com o avanço do comércio e da tecnologia, não se concebe mais produzir tudo em um país. O conteúdo local dos produtos é importante, mas deve-se defini-lo com cuidado, “para acertar a dosagem”. Antes, no entanto, é preciso proporcionar à indústria boas condições locais de operação.
Como se isso fosse alguma novidade! O Brasil é um gigante isolado e só agora a esquerda parece perceber isso. Culpa desse povo anti-globalização que prefere pagar caro por produtos ruins e sem qualidade simplesmente porque foram produzidos por compatriotas, sem sequer perceber que é exatamente esse tipo de protecionismo doentio que impede esses mesmos industriais de se atualizar e entregar produtos melhores para a população. Protecionismo só é bom no período de industrialização de um país (como na França e Alemanha no Séc. XIX e no Brasil no meio do Séc. XX), depois que o país já ganhou suas indústrias, protecionismo só impede o país de avançar. A Coréia do Sul tinha 13% de participação das importações na sua economia na década de 60 e metade da renda brasileira. Abraçaram a globalização, 54% da sua economia depende de importações e é um país riquíssimo. O Brasil? Ainda está preso hoje nos mesmos 13% da Coréia do Sul. País rico é país que se especializa e troca riqueza o máximo possível com outros países.
Esta bipolaridade que os empresários nutrem quanto a postura do Estado também não deixa de ser curiosa. Ora, é contundente em atacar qualquer tipo de intervenção Estatal, ora exige deste, subsídios, apoio, crédito... passando a criticar quando não há tal interferência antes indesejada. A mão do Estado - que antes deveria ser invisível - quando em momentos não muito felizes para o mercado que tanto é defendido como autoregulador de si próprio, aquela mesma "mão" interventiva (quase que leprosa aos olhos liberais) indesejada passa a ser salvação como se do nada passase a ser uma mão quase que materna aos filhos que choram frente a dificuldades que achavam não ser possível enfrentar.

domingo, 25 de maio de 2014

Recuperação da Islândia é espelho para o Brasil

País deixou os bancos quebrarem, manteve benefícios sociais e população rejeitou adesão à União Europeia.


Numa ilha com 12 vulcões e instalada sobre uma falha geológica, o maior desastre sofrido pelo país veio dos escritórios de banqueiros sofisticados. Há cinco anos, os bancos da Islândia acumularam uma dívida 12 vezes o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Quando eles quebraram, o país derreteu.
Para superar seus problemas, o governo adotou uma política contrária a todas as receitas conhecidas: o governo não salvou os bancos, manteve os benefícios sociais da população, implementou um controle de capitais e deu um calote bilionário em investidores internacionais. Mas, quando o debate foi definir o seu futuro, a ideia que parecia óbvia, de se unir à União Europeia (UE), foi rejeitada pela maioria da população. 

Cinco anos depois da maior crise do continente desde a Segunda Guerra Mundial, o euro sobreviveu graças a resgates bilionários. Se o pior foi evitado, uma das heranças foi um continente mais dividido e mais desigual que nunca. Se o sul quase entrou em colapso, economias como as da Alemanha, Luxemburgo, Áustria e os países escandinavos conseguiram se manter numa situação relativamente positiva.

A disparidade foi escancarada e acabou reabrindo debates que durante anos haviam sido aparentemente enterrados. Várias questões voltaram a surgir: quais são as fronteiras da UE, quem deve fazer parte dela, para que serve o bloco e, acima de tudo, qual a responsabilidade dos países ricos dentro do bloco.

Entre as nações que fazem parte da UE, partidos que defendem a saída do bloco ganharam força. Já as forças políticas tradicionais que sempre apoiaram o projeto europeu hoje falam abertamente na volta das fronteiras internas. 
A ideia de que todos no continente inevitavelmente fariam parte um dia do bloco foi também derrubada. Na Islândia, o processo de adesão foi engavetado. Na Suíça, os grupos que defendiam um novo referendo foram colocados na geladeira. Na Noruega, a adesão já nem mais é debatida. Entre os governos que pedem a adesão ao bloco, as negociações estão mortas.

Mas o que mais chama a atenção é que, mesmo dentro do bloco de países que usam a moeda comum, governos defendem a criação de uma Europa a "duas velocidades". De um lado, os países saneados, que crescem e querem aprofundar a integração. De outro, aqueles que ou não têm condições de aderir às regras ou simplesmente acreditam que não seja a melhor opção para suas economias.

A reação, segundo diplomatas, é resultado dos erros cometidos pela UE no passado. Documentos obtidos com exclusividade pelo Estado revelam que a Europa sabia que a Grécia não tinha condições de aderir ao euro, mas, politicamente, não queria deixar o país de fora. Agora, com a crise, esses arranjos políticos foram denunciados.
Fronteiras claras. Politicamente, o euro abafou a disparidade econômica do continente nos últimos anos. Mas, com a crise, as fronteiras da Europa que haviam sido suprimidas pelos políticos voltaram a ficar claras na economia real. E o mercado foi o primeiro a denunciá-las.

De um lado, títulos de governos como o da Grécia foram classificados por agências de rating como "lixo". França, Holanda e Reino Unido perderam o status de AAA. A classificação máxima acabou sendo um direito exclusivo de apenas sete países na Europa: Alemanha, Finlândia, Luxemburgo, Suécia, Noruega, Dinamarca e Suíça. Desses, apenas três estão na zona do euro.

Os últimos dados de crescimento também apontam para uma Europa a dois ritmos. A Alemanha, que representa hoje 30% da produção do continente, deve crescer 1,8% em 2014. O Reino Unido também deve ter uma expansão de 2,7% em 2014 e 2,5% em 2015. Na Islândia, a projeção é de crescimento de quase 3%, ante 2,8% na Suécia.

Já a Espanha, Grécia e Itália teriam uma expansão de apenas 0,6%. Mesmo a França crescerá menos de 1%.

A crise também aprofundou a disparidade social entre os países europeus. Segundo um estudo realizado por mais de cem especialistas e reunidos pelo think-tank alemão Bertelsmann Stiftung, as diferenças sociais dentro da Europa aumentaram durante a crise e hoje são uma ameaça ao bloco. "A brecha social ameaça a viabilidade da UE", alertou Aart De Geus, o diretor do Bertelsmann Stiftung.
De um lado, a Europa conta com Suécia, Noruega, Suíça, Finlândia, Dinamarca e Alemanha. Nesses países, as contas estão relativamente em dia, o desemprego é baixo e o sistema de bem-estar social foi mantido. "Considerada em um momento como ‘o homem doente’ da Europa, a Alemanha é hoje a líder entre os países que usam o euro", apontou.

Na Islândia, mesmo as famílias que sofreram com a crise foram de certa forma resgatadas. O governo fechou um acordo para o perdão das dívidas e os benefícios sociais não foram cortados. A estudante Solveig Gisladettir conta que, quando o país quebrou em 2008, sua família teve de sair da casa onde estavam.

"Foi um momento difícil. Mas hoje já voltamos a uma situação normal", conta a islandesa, com seu computador de último modelo se preparando para as provas na faculdade de Ciências Sociais.

Do outro lado estão Grécia, Itália, Portugal e Espanha, onde o desemprego entre os jovens chega a passar a marca de 50% em alguns casos. "Diante desses dados, precisamos falar em uma geração perdida nesses países", disse De Geus.

Os dados colhidos pela pesquisa revelam uma dura realidade. Na Espanha e na Grécia, mais de um quinto das crianças vive na pobreza. Desde 2009, as taxas de pobreza no bloco aumentaram de 9,4% da população para 10%. Na Europa Central, a promessa de que a adesão ao bloco acabaria com a pobreza não se transformou em realidade. Na Romênia, 30% da população vive ainda com menos de  4 por dia.
Só não vamos chamar a Islândia de socialista, por favor! É que o capitalismo em países escandinavos possui outras nuances, longe de ser socialista, agora deixar bancos quebrarem e privilegiar o bem-estar social também não é lá muito capitalista, Centrista, podemos dizer. No verdadeiro capitalismo os bancos quebram como outras empresas quaisquer. Até os ingleses e americanos deixam bancos quebrarem. É que no Brasil o Estado é o grande problema, é o grande emprestador, é o grande necessitado de dinheiro.
Benefícios sociais devem existir (são possíveis) em sociedades aonde todos trabalham, acreditam no trabalho, poupam, pagam impostos, etc. Aqui no Brasil a nossa cultura é outra na maior parte do país: a maioria almeja viver à sombra do estado, num emprego público bem sossegado, sem cobrança, sem produtividade, mas com benefícios de primeiro mundo (pago pelo bolso dos outros). Aí criaram uma constituição (CF 88) que promete o padrão de vida de Primeiro Mundo sem haver dinheiro para tal. Quando a guerra terminou na Europa todas as escolas alemãs estavam bombardeadas, os livros haviam sido queimados por nazistas e comunistas. Os professores então reuniram as crianças em torno dos escombros e começavam a dar aulas de memória. E doze anos depois a Alemanha estava fundando a União Europeia (na época chamada de CEE). São outros povos, outras culturas, outros valores.
Vale ressaltar que a Islândia é um país com um território muito pequeno, aparentemente fácil de se administrar, com uma população pequena. Com uma população pequena e culta, tudo fica muito mais fácil. Não é o caso do Brasil, com um povão ignorante com grau de escolaridade baixo, vasto território e uma população gigante de mais de 200 milhões de pessoas. Sem comparação, porém pode servir de exemplo.