segunda-feira, 31 de março de 2014

Contra a ‘Lei de Gérson’

A CGU (Controladoria Geral da União) colocou no ar em meados do ano passado uma campanha publicitária nas redes sociais alertando para o que chama de ‘pequenas corrupções’. O órgão, responsável por fomentar a transparência nas contas do governo (leia-se ajudar a combater a corrupção), publicou uma série de imagens pedindo para as pessoas que deixem de lado certos hábitos que chamou de pequenas corrupções –furar fila, falsificar carteirinha de estudante, etc. 

Até aí, normal. Teve uma boa repercussão, mas nada de extraordinário.
Porém, na manhã do último domingo, o órgão federal juntou as recomendações em uma imagem só e recolocou no ar. 

O resultado foi surpreendente: a postagem já tem mais de 110 mil compartilhamentos e 6 milhões de visualizações, algo notável para uma página com pouco menos de 39 mil seguidores. 

Para comparar, o post mais compartilhado da história da Folha e os seus mais de 3 milhões de seguidores, o da morte de Nelson Mandela, teve pouco mais de 22 mil compartilhamentos.

“Nunca vimos algo parecido nem nas outras páginas do governo, que monitoramos para podermos ter base de comparação”, diz a chefe da comunicação do CGU, Thaisis Barboza.

Mas por qual motivo a campanha é tão compartilhada? O principal é que o assunto suscita polêmica.

Ela ataca uma das mais famosas leis não escritas deste país, a ‘Lei de Gérson’ –aquela que diz que “o importante é levar vantagem em tudo”. O problema dela é que, ao levar vantagem em tudo, geralmente se leva vantagem de forma imoral ou até ilícita. 

Muitas das atitudes são comuns entre os brasileiros –todo mundo conhece alguém que já aceitou troco errado, subornou um guarda, etc. “São mensagens de coisas que acontecem no nosso dia a dia, ou porque fazemos ou porque conhecemos quem faça. Estamos sujeitos a elas”, diz Thaisis.

Além do interesse legítimo de combater tais atitudes, a campanha viraliza porque, ao postar a imagem, o internauta dá aquele chutinho no calcanhar do amigo/parente fã da ‘Lei de Gérson’. Afinal, quem não tem aquele tio que brada contra a corrupção enquanto assiste ao ‘gatonet’ que instalou em casa?

domingo, 30 de março de 2014

Candidato Aécio Neves chapado, cambaleando e distribuindo notas de 100 reais

Aparentemente embriagado, na madrugada do Rio de Janeiro, senador e candidato a presidente Aécio Neves (PSDB-MG) é flagrado dando gorjeta a garçons. Assista ao vídeo.


O vídeo causou furor ontem à noite nas redes sociais. 

A cambaleante figura que entra num bar do Rio de Janeiro e dá gorjeta aos garçons é Aécio Neves. 

As imagens não estão em boa resolução e também não se sabe ao certo a data do fato.

Até agora, a assessoria do senador não se pronunciou sobre a cena constrangedora. A mídia privada, que adora ridicularizar políticos, também não falou nada sobre o caso. Imaginem se fosse um político “inimigo”?

Anselmo Gois e Brasil-247


O jornalista Anselmo Gois, em seu blog hospedado no jornal O Globo, apenas registrou ontem à tarde que “Aécio Neves participou, na madrugada de sexta para sábado, no Cervantes, comitê central da boemia em Copacabana, de uma celebração do PC – Partido… do Chope. Rodeado de amigos, simpático, o senador tucano, segundo testemunhas, por volta de 4h da manhã, socializou sua renda – deu uma nota de R$ 100 para cada um dos dois camaradas garçons que o serviram”.





sábado, 29 de março de 2014

Um Upgrade dos Musicais Tropicais

Os teatros estão abarrotados, os aplausos são ensurdecedores e os elencos ganham todos os prêmios. Quem sabe estão inventando aqui um novo formato de espetáculo?

O grande sucesso popular dos musicais brasileiros que estão lotando os teatros, além de emoções e aplausos, provoca novas questões, velhas bobagens e algumas polêmicas interessantes.

A base para discussão é sempre o clássico musical da Broadway ou, para os mais metidos, as montagens do West End de Londres. Para um crítico paulista, os espetáculos sobre Tim Maia, Cazuza, Renato Russo, Luiz Gonzaga e Elis Regina sequer podem ser chamados de musicais.

Seriam, no máximo, revistas, colagens, shows com esquetes e, no mínimo, pilantragens para enganar os tolos que querem ver seus ídolos ressuscitados no palco. Como diriam na Broadway, “Who cares?”, ou no Harlem, “Who gives a fuckin’ shit?” 

Os teatros estão abarrotados, os aplausos são ensurdecedores e os elencos ganham todos os prêmios. Quem sabe estão inventando aqui um novo formato de espetáculo musical, em que se misturam teatro, show, revista e tecnologia, para mostrar às novas gerações as vidas e obras de artistas de imensa importância na nossa cultura?

Há 20 anos, Paulo Francis me disse que tinha visto em Londres um musical muito interessante em que a história era narrada através de canções já conhecidas. Achou o espetáculo ruim, mas a ideia, boa, e me sugeriu escrever um musical brasileiro com essa estrutura. 

Vinte anos depois, a ideia era perfeita para um espetáculo justamente sobre a vida de um artista, as músicas já estavam prontas e consagradas pelo público, e escrevi “Vale tudo — Tim Maia, o musical”, que está em cartaz há quase três anos. Valeu, Francis.

Ruy Castro argumenta que um musical de verdade tem que ser original de letra e música, e esses espetáculos com canções já conhecidas não deixam espaço para novos musicais que poderiam ser escritos pelos nossos talentosíssimos compositores e letristas. 

Com a “Ópera do malandro”, Chico Buarque lhe dá razão, mas, de lá pra cá, o que foi produzido de original e relevante, cá ou lá?

Na Broadway, as montagens são cada vez mais espetaculares, mas nenhum musical em cartaz tem canções tão boas como as desses brasileiros. Só, talvez, o biográfico “Janis Joplin”.

Por Nelson Motta

sexta-feira, 28 de março de 2014

O que diria Tom Jobim sobre o Tom Jobim?

São tantas as barbaridades cotidianas que acontecem no Aeroporto Internacional do Rio, cartão postal do Brasil, que fico pensando o que diria o maestro Tom Jobim que foi homenageado dando seu nome para o aeroporto mais caótico do pais de aeroportos caóticos.
Tom uma vez disse: “morar no exterior é bom mas é uma merda; viver no Brasil é uma merda mas é bom”. O que diria agora Tom sobre a “homenagem” de ter batizado o Galeão?
Na cobertura que fiz sobre a chegada do 787 da Ethiopian no Galeão, relatei o descaso que existe com o aeroporto e três leitores ficaram indignados. Nenhum, porém, defendeu o Galeão. Nenhum contestou o que eu disse: que havia inúmeras goteiras (inclusive em cima das cadeiras onde os passageiros em conexão da Ethiopian aguardavam o reembarque), que os banheiros são imundos (em um deles havia vazamento e pobre das mulheres que viajam de sandália ou sapato baixos, sem salto), que a estrutura é precária, que os funcionários são rudes e não têm informações (um segurança desabafou na frente de cerca de 30 jornalistas: “isso está uma bagunça”), que não há lugar para todos se sentarem e que os funcionários da Infraero agem como autoridade que não ouve ninguém. Não vou entrar em detalhes para não expor funcionários.

O que esses leitores indignados rebateram quando eu critiquei o Galeão foi: “e Guarulhos?”. Como se eu estivesse advogando em defesa de Guarulhos. Um aeroporto longe do ideal mas que, depois da concessão, já demonstra melhorias. O mesmo vai acontecer com o Galeão. Depois da concessão, vão realmente cuidar e não apenas tocar o aeroporto. Outro perguntou: e qual o melhor aeroporto? Guarulhos? Mais uma vez meu foco não era esse e sim apontar que é uma vergonha termos um aeroporto assim. Na hora H sobra para os funcionários de limpeza, como se a culpa das goteiras fosse deles, que corriam de um lado para outro. A corda sempre vai arrebentar no lado mais fraco…

O Brasil é pobre na qualidade de aeroportos. Por isso, prefiro os pequenos Santos Dumont e Congonhas, pois em qualquer mudança de portão, andamos menos. Em qualquer emergência, estamos perto de casa. E recentemente receberam melhorias que estão longe de os tornarem perfeitos (basta lembrar a falta de ar condicionado no verão carioca ou os problemas de segurança em Congonhas), mas que serviram de paliativos.

Os defensores do Galeão devem cobrar mudanças e eu, como carioca, quero vê-lo como um dos melhores do mundo. Não adianta rebater críticas dizendo que outros também são ruins. Isso pode servir de consolo, mas não resolve os problemas.

Nas palavras do secretário de Turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira de Mello: “o Galeão é uma tragédia”. Nas palavras do segurança do Galeão: “Isso aqui está uma bagunça”. Em minhas palavras: “Os cariocas e os brasileiros merecem aeroportos melhores”.



Essa história não é daquelas que o amigo do amigo me contou. Aconteceu com um parente próximo. Foi ele mesmo quem me contou ontem. É um retrato de nosso país.
Chegava ele com a família dos Estados Unidos no aeroporto do Galeão, recém “privatizado” (o estado ainda detém mais de 60% do capital total), quando bateu aquela vontade de ir ao banheiro. Talvez tenha sido a fantástica comida da American Airlines.
Encaminhava-se para o banheiro, quando um funcionário do aeroporto o interceptou. Com toda a gentileza do mundo, querendo nitidamente ser eficaz, o rapaz perguntou, com essas exatas palavras: “Você vai fazer xixi ou cagar?”
Após o choque inicial, um tanto incrédulo, meu parente perguntou se era mesmo necessário especificar qual seria sua atividade no banheiro. Solícito, o moço disse que sim, e explicou o motivo: “É que estourou a tubulação do banheiro, e só os mictórios estão funcionando. Se for para cagar, tem que entrar naquela fila ali e usar o banheiro de retaguarda do aeroporto”.
Ao mostrar a fila, esse “gentleman” apontou para um grupo de 3 felizardos que aguardavam o esperado momento de aliviar aquele peso do corpo. Podem imaginar a cara que cada um fazia, os legítimos “cagões”, agora conhecidos de boa parte do aeroporto. Meu parente foi lá, aumentar o tamanho da fila, enquanto um único pensamento lhe passava pela cabeça: “Cheguei ao Brasil!”.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Uma lei que desafina

Direito autoral é briga de artista contra gigantes.

Depois do ruidoso julgamento do mensalão, o STF tem mais uma batata quente nas mãos, a questão da lei 12.853/2013, que dá ao governo poderes de interferir diretamente na gestão coletiva de direito autoral e no Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Tal lei foi pedida por um grupo de artistas dissidentes da atual gestão coletiva e sua tramitação contou com suporte político do Ministério da Cultura.

As associações e o Ecad, por sua vez, intercederam junto ao STF com duas ações diretas de inconstitucionalidade. O STF, através do ministro Luiz Fux, promoveu uma audiência pública no dia 17 de março, para ouvir as partes e, pelo que suponho, entender que forças estão por trás de todo esse imbróglio. Para julgar mediante a letra fria da lei, o ministro não precisaria ouvir as pessoas. Ele foi sábio.

Música é um grande gerador de emprego e renda. Os prédios não brotam do chão, feito árvores. 

As músicas não brotam nas rádios, filmes, discos e internet por milagre da tecnologia. Elas foram geradas a partir da criação intelectual do compositor, o elemento principal da criação. Depois as músicas se tornam produtos através do trabalho de intérpretes, músicos, arranjadores, produtores e editores musicais, que também são titulares de direitos autorais.

Somente através da gestão coletiva os direitos autorais podem ser pagos a seus titulares, mas é exatamente a gestão coletiva que a lei 12.853/2013 quer minar, tirando força das associações e do Ecad, fazendo do governo não o fiscalizador, mas o definidor de regras de funcionamento de uma atividade privada, sem dinheiro público.

De fato, associações precisam estimular a participação dos artistas em suas assembleias e garantir o rodízio de sua gestão. Parte desse imbróglio surgiu porque um grupo se sentiu alijado deste processo.

A gestão coletiva é feita em forma de condomínio. As associações formam a assembleia que comanda o Ecad. Quanto mais seus associados arrecadam, mais votos cada associação tem. Os quase 400 mil associados, entre brasileiros e estrangeiros, podem transitar livremente entre as nove associações existentes, que concorrem entre si.

Direito autoral é briga de artistas contra gigantes, no mundo inteiro. De um lado, os criadores. De outro lado, redes de TV, rádios, as bilionárias corporações de internet e governos. Quando não se paga ao Ecad, o calote é nos trabalhadores da cadeia produtiva da música.


O Ecad cobra somente por utilização pública de músicas. Ano passado, arrecadou mais de R$ 1 bilhão e distribuiu mais de R$ 800 milhões. Muitos estão atrás desse butim. A lei 12.853/2013, que foi aprovada de afogadilho, sem discussão pela classe, como ficou claro na audiência pública, traz boas ideias, mas o todo é um Frankenstein de imperfeições técnicas e inconstitucionais. É provável que seja declarada em parte inconstitucional.

Espera-se que a classe volte a conversar em busca de consenso que fortaleça a gestão coletiva e que o governo, em vez de tomar partido ou tentar ser gestor, seja um árbitro republicano, seu verdadeiro papel.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Qual é a origem do dízimo?

A cobrança existe desde a Antiguidade, quando muita coisa podia ser usada como dinheiro.

O dízimo existe há muito mais tempo que o cristianismo. Templos no antigo Egito, Grécia e Roma, por exemplo, cobravam tributos desde 1500 a.C. Eram doações de qualquer coisa que pudesse ser usada como dinheiro na Antiguidade, como animais, armas, frutas e água. A Igreja Católica institucionalizou a cobrança no Concílio de Macon, em 585, estabelecendo a quantia de 10% das posses dos fiéis. 

Mas foi Carlos Magno, rei dos francos, que expandiu a prática: conforme alargava seu império no século 9, difundia a cobrança nas regiões conquistadas. 

Com o tempo, os governos entraram na jogada. "A Igreja permitiu reis a cobrarem o dízimo, mediante o compromisso de expandir a fé cristã", diz Diego Omar Silveira, historiador da UFMG. 

Com a separação entre Igreja e Estado, a partir do século 18, o dízimo voltou a ser um tributo exclusivamente religioso.

Diz-me por que dizimas: Pagamento inspirou verbo "dizimar".

Roleta romana

O verbo dizimar, que hoje é sinônimo de exterminar, surgiu como uma punição do exército romano em caso de insurreição das tropas. O castigo era sanguinário. E estatístico. Ele consistia em matar um em cada dez soldados, aleatoriamente.

Por que 10%?

Além da mística envolvendo o número, usamos o sistema decimal, então é mais fácil dividir algo por dez do que por sete, por exemplo. Países islâmicos, que também usam o sistema, têm alguns ramos em que o dízimo é de 20%.

Caso de Morte

Na Igreja primitiva, o casal Ananias e Safira foi morto por esconder lucros que deveriam ser doados à comunidade. Não há casos assim só na Bíblia. Em 2010, no Maranhão, uma mulher matou os pais por eles não pagarem o dízimo.



Fontes: Diego Omar Silveira, historiador da UFMG, Eduardo de Quadros, professor de Ciências da Religião da PUC Goiás.

segunda-feira, 24 de março de 2014

AS TELES ESTÃO QUERENDO LIMITAR SEU ACESSO A SITES E APLICATIVOS DE INTERNET

Empresas de telecomunicação como Oi, Vivo, Tim e Claro estão pressionando os deputados para ter o poder de dizer o que você pode e não pode ver na internet, dependendo de quanto você e os diferentes sites e aplicativos estiverem dispostos a pagar.
Esta decisão está sendo tomada agora, através de negociações a portas fechadas. O voto dos deputados poderá acontecer já nos próximos dias. Só será possível reverter a situação se milhares de cidadãos mostrarem aos deputados que quem tentar destruir a Internet vai comprar uma briga com a sociedade.
Não temos tempo a perder. É a hora de usar a Internet para salvar a Internet!
O chamado Marco Civil da Internet foi criado para garantir os direitos e deveres dos usuários de Internet, evitando abusos, quebras de privacidade, e crimes como pornografia infantil e assédio.

ESTA LEI ESTÁ SENDO ALTERADA AGORA PARA BENEFICIAR AS GRANDES EMPRESAS DE TELECOMUNICAÇÃO.


As teles querem ter o poder de determinar o que pode ou não pode ser visto na Internet, dependendo de quanto os sites e os consumidores estiverem dispostos a pagar. Se os interesses dessas corporações prevalecerem, será o fim da liberdade de expressão, criação e comunicação na rede.

OU, EM TERMOS MAIS COMPLICADOS, SERÁ O FIM DA CHAMADA NEUTRALIDADE DA REDE.




MAS O QUE ACONTECE SE A NEUTRALIDADE ACABAR?  A neutralidade da rede é o que obriga as empresas de telecomunicação a dar a mesma velocidade a todos os sites, grandes e pequenos, sem poder cobrar a mais por isso, nem dos próprios sites nem do consumidor final. 
Se a neutralidade acabar, sites e aplicativos diferentes passam a ter velocidades diferentes.


O responsável por tentar acabar com a neutralidade da rede na Câmara é o deputado federal Eduardo Cunha do PMDB/RJ. Ex-presidente da Telerj durante o governo Collor, Cunha tem relações íntimas com as teles e utiliza sua influência como líder de partido para convencer outros deputados a impedir que a rede continue sendo neutra.

domingo, 23 de março de 2014

10 DICAS DA FIFA PARA ESTRANGEIROS NO BRASIL

A Fifa divulgou uma matéria em sua revista semanal (The Fifa Weekly), intitulada “Brazil for Beginners” (ou “Brasil para Iniciantes”), contendo 10 dicas “irreverentes” para os estrangeiros que irão visitar o Brasil durante a Copa do Mundo.

A foto da matéria mostra uma cena típica das praias cariocas, onde duas brasileiras, usando biquíni (fio dental), se bronzeiam e assistem à uma partida de futebol nas areias escaldantes de Ipanema. E o mascote do Brasil também está lá, o tatu-bola Fuleco!

Além disto, eles informam que são esperados aproximadamente 600 mil visitantes para a Copa do Mundo, e que, se o leitor for um desses visitantes, sugerem 10 dicas “importantíssimas” para evitar qualquer “problema” cultural.



As “10 DICAS” da FIFA para estrangeiros no Brasil


1 – “Sim” nem sempre quer dizer “sim”
Brasileiros são pessoas alegres e otimistas e nunca começarão uma frase com a palavra “não”. Existem, porém, graus de afirmação quando eles utilizam a palavra “sim”. De fato, para os brasileiros, “sim” significa “talvez”, então, se alguém falar para vc: “Sim, eu te ligo de volta”, não espere que o telefone vá tocar nos próximos cinco minutos.
2 – Horário flexível
Pontualidade não é uma ciência exata no Brasil. Quando marcar um encontro com alguém, ninguém espera que você estará no lugar combinado na hora exata. O padrão é geralmente contar com um atraso de 15 minutos.
3 – Contato corporal
Homens e mulheres brasileiros não estão familiarizados com o costume europeu de manter uma certa distância entre as pessoas. Eles falam com as mãos e não hesitarão em tocar nas pessoas com quem estão conversando. Em boates, isso pode facilmente se transformar num beijo, mas isso não deve ser mal interpretado. Um beijo no Brasil é uma forma descontraída de comunicação não-verbal e não um convite para ir mais além.
4 – Filas
Ficar pacientemente aguardando em uma fila não está no DNA do brasileiro. Subindo em uma escada rolante, por exemplo, o modelo britânico de formar uma fila em um dos lados não existe. Pelo contrário, os brasileiros preferem cultivar o caos e, de algum modo, encontrar uma maneira de chegar lá em cima (geralmente).
5 – Moderação
Se você for a uma churrascaria que oferece tudo o que você pode comer e imediatamente quiser partir para o menu de carnes, lembre-se de duas coisas: não coma nada por pelo menos 12 horas antes e coma a comida em pequenas quantidades, porque as melhores carnes geralmente são servidas apenas no final.
6 – Sobrevivência do mais forte
Nas ruas, os pedestres são totalmente ignorados e, mesmo nas faixas de pedestres, dificilmente algum motorista irá parar de forma voluntária. A única prioridade respeitada pelos motoristas é simplesmente definida pelo veículo de maior tamanho.
7 – Experimente um pouco de açaí
Os frutos da Amazônia fazem maravilhas. Eles são agentes emagrecedores naturais, previnem rugas e dizem que têm o mesmo efeito de uma bebida energética. Algumas colheradas em um desses, durante o intervalo, podem ajudar até o mais cansado dos jogadores de futebol a recuperar sua energia.
8 – Topless
A imagem de mulheres com pouca roupa e fantasias pelo corpo, talvez sejam comuns no carnaval, mas isso não é o que você verá no Brasil no dia a dia. De fato, apesar dos biquínis brasileiros serem menores que os europeus, as brasileiras nunca fazem topless na praia. Bronzear-se na praia fazendo topless é proibido e pode resultar em multa.
9 – Não fale Espanhol
Os turistas que tentarem se comunicar em espanhol no Brasil terão a sensação de estarem falando com surdos. A língua nacional do país e o português brasileiro, uma variante do português. E se você falar que Buenos Aires é a capital do Brasil, pode esperar para ser deportado.
10 – Tenha paciência
No Brasil, as coisas são geralmente feitas no último minuto e, se existe alguma coisa que todos os turistas devem se lembrar, é: não perca a paciência e mantenha os nervos calmos. No final, tudo dará certo e ficará pronto a tempo. Isso vale inclusive para os estádios de futebol. De fato, a filosofia de vida dos brasileiros pode ser resumida com a seguinte frase: “relaxa e aproveita” (“relax and enjoy”).

Nota da Fifa

De acordo com uma nota enviada à Folha, a Fifa informou que “a matéria tinha tom leve e em nenhum momento teve como intenção criticar o Brasil. O Objetivo era mostrar a característica descontração do povo brasileiro. De qualquer forma, estamos retirando o conteúdo da internet e pedimos desculpas se foi interpretado como uma crítica ao país.”
… eu só li verdades! Desta vez, acho que tenho que concordar com a FIFA em 100% ;-)

Golzinho humano

Só não entendi uma coisa… na foto da matéria, será que aquelas duas mulheres estavam servindo de traves para demarcar o gol?!
- Isso é um absurdo! O governo brasileiro deveria protestar… onde já se viu publicar uma imagem dessas utilizando duas brasileiras para este fim! O povo brasileiro nunca se sujeitaria a este tipo de coisa!
- Fifa, desta vez vcs foram longe demais!

sábado, 22 de março de 2014

Um esquerdista pode fazer tudo...

Ser de esquerda, no Brasil, significa ter um salvo-conduto para defender todo tipo de atrocidade e cair nas maiores contradições. É o monopólio das virtudes após décadas de lavagem cerebral demonizando a direita liberal ou conservadora.

Um esquerdista pode, por exemplo, mostrar-se revoltado com o regime militar, tentar reescrever a história como se os comunistas da década de 1960 lutassem por democracia e liberdade, tentar mudar o nome até de ponte, e logo depois partir para um abraço carinhoso no mais velho e cruel ditador do continente, Fidel Castro.

Um esquerdista pode, também, repudiar o “trabalho escravo” em certas fazendas brasileiras, o que significa não atender às mais de 200 exigências legais (incluindo espessura de colchão), e logo depois aplaudir o programa Mais Médicos do governo Dilma, que trata cubanos como simples mercadoria.

Um esquerdista pode tentar desqualificar uma médica cubana que pede asilo político, alegando que tinha problemas com bebida e recebia amantes em seu quarto (é proibido isso agora?), para logo depois chamar de preconceito de elite qualquer crítica ao ex-presidente chegado a uma cachaça e a “amizades íntimas”.

Um esquerdista pode culpar o embargo americano pela miséria da ilha-presídio caribenha, ignorando que toda experiência socialista acabou em total miséria, e logo depois condenar a globalização e chamar o comércio com ianques de “exploração” (decidam logo se ser “explorado” pelo capitalismo é bom ou ruim).

Um esquerdista pode execrar uma jornalista que diz compreender a revolta que leva ao ato de se fazer justiça com as próprias mãos, e logo depois aplaudir invasores de terras e outros “movimentos sociais”, que se julgam acima das leis em nome de suas “nobres” causas. Pode até receber os criminosos no Palácio do Planalto!

Um esquerdista pode aliviar a barra do criminoso, tratar o marginal como “vítima da sociedade”, e logo depois posar como defensor dos pobres honestos, ignorando que a afirmação anterior representa uma grave ofensa a todos aqueles que, apesar da origem humilde, mostram-se pessoas decentes por escolha própria.

Um esquerdista pode repudiar a ganância dos capitalistas, condenar o lucro, e logo depois aplaudir socialistas milionários, ou “homens do povo” que vivem como nababos, que cobram fortunas para fazer palestras, ou artistas que negociam enormes cachês com multinacionais para seus filmes ou comerciais.

Um esquerdista pode ser um músico famoso ou um comediante popular, e basta a fama por tais características para fazê-lo acreditar que é um grande pensador político, um intelectual de peso, alguém preparado para opinar com embasamento sobre os mais diversos assuntos sem constrangimento.

Um esquerdista pode insistir de forma patológica na cor do meliante preso ao poste, um rapaz negro, e logo depois ignorar outro bandido amarrado a um poste, pois este tinha a cor “errada”: era branco. Pode, ainda, acusar todos que condenam as cotas raciais de “racistas”, e logo depois descascar Joaquim Barbosa, inclusive por causa de sua cor.

Um esquerdista pode alegar ser a pessoa mais tolerante do mundo, isenta de qualquer preconceito e apaixonada pela diversidade, para logo depois ridicularizar crentes evangélicos, conservadores católicos ou liberais céticos.

Um esquerdista pode surtar com o uso de balas de borracha pela polícia contra “ativistas” mascarados que quebram tudo em volta, para logo depois cair em um ensurdecedor silêncio quando o governo socialista venezuelano manda tanques para as ruas para atirar a esmo em estudantes durante protestos legítimos contra um simulacro de democracia.

Um esquerdista, por fim, pode pintar as cores mais românticas e revolucionárias sobre as máscaras de vândalos e arruaceiros que atacam policiais, para logo depois chamar de “fascista” a direita liberal, ignorando que o fascismo de Mussolini tinha os camisas-negras que agiam de forma bastante similar aos black blocs.

Assim caminha a insanidade na Terra do Nunca, com “sininhos” aprontando por aí enquanto os artistas e “intelectuais” endossam a agressão contra o “sistema”. No fundo, defendem a barbárie contra a civilização. Abusam da dialética marxista, do duplo padrão moral de julgamento, da revolta seletiva, do cinismo, do monopólio da virtude.

Um esquerdista jamais precisa se importar com a coerência, com o resultado concreto de suas ideias, com pobres de carne e osso. Ele goza de um álibi prévio contra qualquer acusação.

Afinal, é de esquerda, ou seja, possui as mais lindas intenções. É o suficiente. Um esquerdista pode tudo! 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Laís Souza está tetraplégica, alguém tem que pagar por isso, e não é você

O Esporte machuca. 
Alguns matam ou aleijam. É o caso do esqui. Michael Schumacher vegeta em Grenoble. Os defensores do tal "espírito esportivo" não contam isso para os jovens praticantes. Muito pelo contrário: o papo é sempre de superar, ir além dos limites, e todo aquele bla-bla-bla pra vender tênis e energético.
Nossa esquiadora Laís Souza está tetraplégica. Lesionou a terceira vértebra. Não mexe pernas nem braços. Treinava para participar dos jogos olímpicos de inverno quando caiu. O seguro pagou a operação e o tratamento. Mas não vai pagar mais nada. Porque o seguro de vida ou invalidez contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro, e pela Confederação Brasileira de Desportos na Neve, só cobre acidentes que aconteçam durante as competições, e não durante o treinamento.
Muita gente se recusa a aceitar o que aconteceu com Laís. A imprensa dá voltas sem fim para falar do caso. Compreensível. É uma jovem simpática e batalhadora. O pai é metalúrgico, a mãe trabalha em uma loja de sapatos. Mas reportagens falando da "rápida recuperação" de Laís, que ela já tem sensações nesse ou aquele pedaço do corpo, são um desserviço. Li um artigo que começa dizendo que ela já "come sozinha". Dá a impressão que ela leva o garfo à boca. Nada disso. Só quer dizer que ela já se alimenta pela boca, e não via sonda gástrica.
Esse discurso atrapalha Laís mais que ajuda. Pior ainda as pautas sobre tratamentos experimentais milagrosos. A realidade é: Laís não vai ser curada. Jamais voltará a andar ou mexer os braços. Viverá uma vida dificílima e limitadíssima, completamente dependente dos outros. Se daqui a 30 anos um gênio criar um tratamento capaz de reverter sua lesão, ótimo, mas não está no horizonte da ciência.
O que ajudará Laís é dinheiro, muito dinheiro. Agora o Comitê Olímpico Brasileiro  iniciou uma campanha pedindo auxílio financeiro para o futuro de Laís. Famosos apoiam, Luciano Huck, Rubinho etc. (divulgando, não sabemos se doando). O objetivo, explica a nota do COB, é "ajudá-la a se autofinanciar…. desde contratar um professor de inglês, como custear parte de uma bolsa de estudo em uma Universidade no Brasil, conseguir um coaching para prepará-la para dar palestras sobre suas experiências, até criar uma fundação ou instituto para a Laís. Da mesma forma, a campanha visa a compra de equipamentos para a mobilidade e o conforto da Laís, itens não previstos na cobertura dos seguros contratados pelo COB."
Em português claro: não vai ter grana do COB ou do poder público para as cadeiras de roda de Laís. Para as sondas, equipamentos, remédios, enfermeiros e acompanhantes. A previsão é ela continuar no hospital em Miami por mais uns três meses. Depois, se vire. Tem ideia quanto custa ser tetraplégico? Vou chutar baixo uns R$ 15 mil por mês, R$ 180 mil por ano. Laís tem 25 anos. Sua próxima década vai custar uns dois R$ 2 milhões de reais.
O  Comitê Olímpico está transferindo a responsabilidade para nós. O Brasil investe bilhões em estádios para Copa, e outros tantos bilhões para a Olimpíada do Rio em 2016, e deixa uma moça tetraplégica dependendo de vaquinhas na internet…
O COB tem obrigação de assumir Laís. Os patrocinadores do COB, como Bradesco, Nike, Correios, Skol e outros, têm obrigação de assumir Laís.  Os políticos do Brasil, que usam esses megaeventos esportivos para estimular o ufanismo babaca (e pingar uma grana para os empresários amigos), têm obrigação de assumir Laís. Alguém vendeu as maravilhas do esporte para Laís, alguém estimulou seu sonho olímpico. São esses que devem se responsabilizar por sua paralisia. Não você ou eu.
Mas enquanto eles não fazem nada, se você pode fazer algo por Laís, faça:
Bradesco
Agência: 0548-7
Conta corrente: 0110490-0
Laís da Silva Souza

quinta-feira, 20 de março de 2014

Copa do Catar em 2022 já é desastrosa: 1200 operários mortos

Maioria dos trabalhadores são imigrantes do Nepal e da Índia e trabalham em condições análogas à escravidão.


Copa do Mundo da Fifa de 2022, no Catar, é um completo desastre já em 2014: 1200 trabalhadores envolvidos na construção dos estádios e em obras de infraestrutura morreram.

Um novo relatório da International Trade Union Confederation constatou que 1200 imigrantes, a maioria da Índia e do Nepal, já perderam suas vidas. 
A estimativa da entidade é que, no total, 4 mil operários vão morrer até o começo dos jogos, em 2022.
Em janeiro, as estimativas apontavam para 382 mortes nos últimos dois anos. 
O número aumentou com os dados das embaixadas: a embaixada do Nepal no Catar reportou, em fevereiro, 400 mortes desde 2010.
Já a embaixada indiana constatou 500 mortes desde 2012. 
No país, a maioria da mão-de-obra barata é formada por imigrantes do Nepal, Índia e Paquistão.
Os operários são expostos a longas jornadas - muitas acima de 12 horas - e lidam com um ambiente de trabalho pouco seguro e carente de infraestrutura adequada.
Há relatos de condições análogas à escravidão nas obras da Copa. Passaportes são confiscados e os salários são retidos pelos chefes durante meses. Tudo isso com um calor de 50 graus Celsius sobre a cabeça.
Muitos se machucam seriamente ou morrem após caírem de grandes alturas. Outros se suicidaram.
Segundo o relatório: “As péssimas condições de trabalho levam os trabalhadores à morte: acidentes de trabalho, ataques cardíacos, doenças desenvolvidas por conta da vida precária”.
Um representante do comitê organizador da Copa no país negou as informações e disse que os números estavam errados. 
Comissões de direitos humanos pedem o fim do sistema local chamado “kafala”, muito comum nos países árabes do Golfo Pérsico.
Os migrantes sem qualificações e dinheiro entram no Catar para trabalhar com a ajuda de um “patrocinador”. Este paga o visto, o custo da viagem e a hospedagem, por exemplo.
Geralmente, essa pessoa é o futuro chefe, abrindo margem para a exploração dos trabalhadores: eles chegam ao país já devendo para seus empregadores.
Um relatório da Anistia Internacional também trouxe dados sobre as condições de trabalho nas obras da Copa. A entidade conseguiu entrevistar cerca de 210 trabalhadores envolvidos.
90% disseram que seus passaportes estavam retidos com seus chefes, 56% não tinham acesso aos hospitais locais e 21% tinham problemas com salários atrasados.