quarta-feira, 30 de julho de 2014

Chega de militarismo na Polícia (Por Thiago Muniz)

Os policiais brasileiros querem desmilitarizar a instituição.

Uma pesquisa mostra que 73,7% dos agentes apoiam desvincular a corporação dos meios militares para evitar as disputas internas com a polícia civil. Uma ONG identifica 40 casos de torturas praticadas por policiais e agentes.

Marcos é um policial militar de São Paulo. Adriano é policial federal no Rio Grande do Sul. E Gilson atua na Polícia Civil de Mato Grosso. Apesar de trabalharem em instituições e Estados diferentes, os três fazem parte de um grupo que até então não tinha dado as caras na segurança pública brasileira, o de agentes insatisfeitos com o atual modelo de policiamento e que defendem a desmilitarização da polícia brasileira.

Uma pesquisa divulgada em São Paulo, nesta quarta-feira, pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 73,7% dos policiais brasileiros são a favor da desvinculação da polícia dos meios militares. 

Até a maioria dos policiais militares (76,3%) querem a desmilitarização da corporação. Quase a metade do total dos que querem as mudanças se concentra entre duas propostas: 21,8% defendem que a PM e a Polícia Civil se unifiquem formando uma instituição de ciclo completo e 27,1% quer a criação de uma nova polícia com carreira única.

Na prática isso quer dizer que os policiais do Brasil querem uma reestruturação de suas carreiras para aperfeiçoar o combate ao crime e acabar com as brigas internas entre as corporações. “Cansei de ver bandido ser solto porque as provas coletadas pelos policiais militares foram mal aproveitadas no inquérito da Polícia Civil. As picuinhas entre as duas corporações nos impediram de ajudar mais na investigação”, reclama o PM Marcos.

“Cansei de ver casos em que a PM prende, acusa e julga um traficante e quer que nós, policiais civis, acreditemos na versão deles. Isso não pode continuar. A desconfiança tem de acabar”, acrescenta o policial Gilson.

Atualmente , cabe as 27 Unidades da Federação definirem como será o seu policiamento. E cada Estado tem duas polícias, a Militar, que atua na repressão, no policiamento ostensivo, e a Civil, responsável pela investigação da maior parte dos delitos, como homicídios, roubos, furtos e sequestros. 

Ocorre que, como citado pelos policiais Marcos e Gilson, em muitas ocasiões as polícias não se conversam e acabam atrapalhando o combate à criminalidade. Sua estrutura de promoção de funcionários, de escala de trabalho, de treinamento e de repressão ao crime é muito diferente uma da outra.

Quando se fala de carreira única, quer dizer que um policial que hoje é guarda de trânsito um dia pode chegar a comandar a instituição. O que, nos dias de hoje, é quase impossível levando em conta os sistemas de promoção internos.

Para um dos responsáveis pela pesquisa, o sociólogo e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Renato Sérgio de Lima, os resultados são um “sinal claro de que o Brasil precisa avançar na agenda da desmilitarização e reforma das forças de segurança”.

O levantamento divulgado pelo Fórum ouviu 21.101 policiais civis, militares, federais, rodoviários federais e bombeiros. Parte deles, 38,7%, demonstrou também estar descontente com a profissão que escolheram e não optariam por ela caso pudessem voltar no tempo. 

Além disso, 99% reclamam que recebem baixos salários e 98% dizem que sua formação dentro da polícia é deficiente. “Já vi colegas que passam por treinamentos fast food e não sabem nada da teoria e nada de prática. Dá medo ficar ao lado desse colega, vai que ele falha na hora em que mais precisamos dele”, relata o policial Adriano.

A desmilitarização da polícia é um tema que há ao menos 15 anos tem sido discutida entre militantes de direitos humanos e agentes de segurança. No último ano ganhou força graças à repressão policial durante os protestos que ocorreram a partir de junho de 2013.

Atualmente há ao menos três projetos de lei, todos na forma de emendas constitucionais, tramitando no Congresso Nacional. O que está mais avançado é a PEC 51, de autoria do senador Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro. 

Se a proposta for aprovada, além de mudar a atual estrutura das polícias transformando-as em completamente civis, haverá uma maior participação da União e dos municípios na segurança pública (criando polícias metropolitanas e municipais) e um fortalecimento dos mecanismos de controle externo dos policiais, segundo o autor do projeto.

Parte dos críticos da PEC 51 argumenta que a criação de polícias metropolitanas ou municipais só traria mais problemas e maiores gastos aos cofres públicos. O projeto ainda não tem data para ser votado.

Um recente estudo da ONG Humans Rights Watch identificou 64 casos de agressões cometidas por forças de segurança no Brasil. O levantamento analisou ocorrências de prisões nos últimos quatro anos. Conforme a pesquisa da ONG, em 40 destes casos, há convincentes evidências de que o abuso subiu para o nível de tortura cometida por policiais ou agentes penitenciários contra pessoas que estavam sob sua custódia.

A investigação da HRW identificou 150 culpados pelas agressões em cinco Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Paraná. Os abusos ocorreram nas ruas, dentro de viaturas policiais, em casas particulares, em delegacias de polícia e em penitenciárias. As vítimas, que eram supostos criminosos presos em flagrante, foram espancadas, ameaçadas física ou sexualmente, submetidas a choques elétricos ou a sufocamento com sacos plásticos. As agressões foram cometidas para obter falsas confissões ou para entregar algum outro suposto criminoso.

Em um informe divulgado à imprensa, a ONG destacou que muitos dos presos levam meses para terem acesso a um juiz e relatar que foi torturado ou agredido, quando o correto, segundo a legislação, seria apresentá-lo ao juízo em até 24 horas. Nesta semana, a HRW enviou uma carta ao Congresso Nacional alertando para a gravidade da questão e cobrando um posicionamento das autoridades brasileiras.



BIO

Thiago Muniz é colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


domingo, 27 de julho de 2014

Brasileiro é um povo trabalhador?

Mentira! Brasileiro é vagabundo por excelência.

Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca. Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; pagar 40% de sua renda em tributos e ainda dar esmola para pobre na rua ao invés de cobrar do governo uma solução para pobreza; aceitar que ONG´s de direitos humanos fiquem dando pitaco na forma como tratamos nossa criminalidade; não protestar cada vez que o governo compra um colchão para presidiários que queimaram os deles de propósito, não é coisa de gente solidária. É coisa de gente otária.


 Brasileiro é um povo alegre. Mentira. Brasileiro é bobalhão. Fazer piadinha com as imundícies que acompanhamos todo dia é o mesmo que tomar bofetada na cara e dar risada. Depois de um massacre que durou quatro dias em São Paulo, ouvir o José Simão fazer piadinha a respeito e achar graça, é o mesmo que contar piada no enterro do pai. Brasileiro tem um sério problema. Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe - lá no fundo - que se estivesse no lugar dele faria o mesmo. Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

Brasileiro é um povo honesto. Mentira. Já foi, hoje é uma qualidade em baixa. Se você oferecer 50 Euros a um policial europeu para ele não te autuar, provavelmente você irá preso. Não por medo de ser pego, mas porque ele sabe ser errado aceitar propinas. O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado com o mensalão, pensa intimamente o que faria se arrumasse uma boquinha dessas, quando na realidade isso sequer deveria passar por sua cabeça.

O Brasil é um pais democrático. Mentira. Num país democrático a vontade da maioria é Lei. A maioria do povo acha que bandido bom é bandido morto, mas sucumbe a uma minoria barulhenta que se apressa em dizer que um bandido que foi morto numa troca de tiros, foi executado friamente. Num país onde todos tem direitos, mas ninguém tem obrigações, não existe democracia e sim, anarquia. Num país em que a maioria sucumbe bovinamente ante uma minoria barulhenta, não existe democracia, mas um simulacro hipócrita. Se tirarmos o pano do politicamente correto, veremos que vivemos numa sociedade feudal: um rei que detém o poder central (presidente e suas MPs), seguido de duques, condes, arquiduques e senhores feudais (ministros, senadores, deputados, prefeitos, vereadores). Todos sustentados pelo povo que paga tributos que tem como único fim, o pagamento dos privilégios do poder. E ainda somos obrigados a votar. Democracia isso? Pense nisso!!!

O famoso jeitinho brasileiro. Na minha opinião um dos maiores responsáveis pelo caos que se tornou a política brasileira. Brasileiro se acha malandro, muito esperto. Faz um "gato" puxando a TV a cabo do vizinho e acha que está botando pra quebrar. No outro dia o caixa da padaria erra no troco e devolve 6 reais a mais, caramba, silenciosamente ele sai de lá com a felicidade de ter ganhado na loto...malandrões, esquecem que pagam a maior taxa de juros do planeta e o retorno é zero. Zero saúde, zero emprego, zero educação, mas e daí? Afinal somos penta campeões do mundo né? Grande coisa...



O Brasil é o país do futuro. Caramba, meu avô dizia isso em 1950. Muitas vezes cheguei a imaginar em como seria a indignação e revolta dos meus avôs se ainda estivessem vivos. Dessa vergonha eles se safaram... Brasil, o país do futuro. Hoje o futuro chegou e tivemos uma das piores taxas de crescimento do mundo.

Deus é brasileiro. Puxa, essa eu não vou nem comentar... O que me deixa mais triste e inconformado é ver todos os dias nos jornais a manchete da vitória no primeiro turno do governo mais sujo já visto em toda a história brasileira.

Para finalizar tiro minha conclusão:

O brasileiro merece! Como diz o ditado popular, é igual mulher de malandro, gosta de apanhar. Se você não é como o exemplo de brasileiro citado nesse comentário, meus sentimentos amigo, continuemos fazendo nossa parte, e que um dia pessoas de bem assumam o controle do país novamente, aí sim teremos todas as chances de ser a maior potência do planeta. Afinal aqui não tem terremoto, tsunami nem furacão. Temos petróleo, álcool, bio-diesel, e sem dúvida nenhuma o mais importante: água doce!

Só falta boa vontade. Será que é tão difícil assim?

sexta-feira, 25 de julho de 2014

O SABER NA PERIFERIA DOS INTERESSES

Muitos são os interesses estabelecidos pelas pessoas no mundo, hoje, decorrentes de uma evolução humana, pelas necessidades e vontades, identificadas e apontadas, respectivamente, que se baseia numa filosofia estritamente consumista, reforçada por um sistema, que insiste em manipular os rumos da humanidade.

O homem em grande parte do planeta, especialmente em continentes e países que apresentam um determinado distanciamento de ricos valores culturais, sem também a devida valorização da educação, vem progressivamente demonstrando uma postura que leva a construção da imagem de um ser, a qual enxerga em tudo uma preciosidade maior que o conhecimento. E no Brasil, grande parte de seu povo é assim.


Em nosso país, o Hino Nacional é cantado de forma errada e mesmo assim, explicações são apresentadas, estapafúrdias, desconexas, mas sem justificativa convincente, e ainda engrossamos um coro de risadas, rindo de nós mesmos, tornamo-nos protagonistas de uma tragicomédia comum da nossa cultura. Em contrapartida, cantam-se hinos de clubes de futebol e músicas diversas e populares, sem erro algum, pois de que vale e interessa saber a letra e até a autoria do nosso hino maior, se copa do mundo representa um evento que só acontece a cada quatro anos?


Precisa-se entender que num passado não tão distante, tivemos disciplinas no currículo da educação básica brasileira que nos levavam a valorizar as artes, a cultura, o conhecimento e o saber, mas para estas disciplinas, o interesse foi perdido, devido ao surgimento de interesses particulares e bem diferentes dos interesses sociais, ficando somente na lembrança dos mais saudosistas.


Ainda falando sobre a cultura do povo brasileiro, sobre seus saberes e conhecimentos, e sua sensibilidade diante da necessidade de se ter conhecimento e sabedoria, vemos jovens, estes mesmos em que nas canções de tantos grandes nomes da música popular brasileira, e que políticos também usam na elaboração de seus discursos políticos, inflamados, para a conquista de suas simpatias, com o rótulo de o futuro da nação e do planeta, cometendo absurdos, repugnados por uma sociedade menos alienada.


Depredam, por exemplo, monumentos culturais e religiosos, nutridos de ódio e rebeldia, como também, pela ignorância, intolerância e fanatismo, sob uma argumentação nada aceitável e plausível. Sustentam-se numa tese, que parece ter sido construída no ápice da insanidade humana.


Já imaginaram ver uma notícia de que um jovem cidadão italiano, por exemplo, dizendo-se protestante, invade uma basílica em Roma e passa a destruir imagens sacras, obras fiéis da escola barroca? Difícil de acreditar não é? Sim, principalmente quando se acredita tratar-se de um povo muito mais evoluído culturalmente, bem distante da cultura de tantos outros povos, dentre eles, o brasileiro.


O Saber, o conhecimento, precisa urgentemente migrar para o centro dos interesses. Que a sua permanência na zona periférica seja logo repensada pela humanidade, em especial, pelo povo brasileiro, a fim de que não retrocedamos na nossa evolução, em passadas largas a caminho de um verdadeiro e indigesto colapso social.



quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ariano Suassuna partiu!

Depois de João Ubaldo Ribeiro e Ruben Alves, Ariano se despediu do mundo carnal.

E agora eu pergunto: Porque essa praga de mortes não ronda o Congresso?

Pelo menos na Literatura nos enriquece de cultura e informação, e o Congresso, o que agrega de valor para nós?

Vai com Deus Ariano! Sua arte e sua alma literária nos progride para a eternidade, o seu legado é o maior sustento e herança para o público.















"O homem nasceu para a imortalidade. A morte foi um acidente de percurso. Mas depois que eu me tornei pai e avô, descobri que a família é quase uma imortalidade, porque é uma continuidade" (Ariano Suassuna)

"Eu tenho a maior convicção de que, com os elementos da chamada arte arcaica, a gente pode fazer uma arte que se projeta até para o futuro" 
(Ariano Suassuna)

"Há duas raças de gente com quais simpatizo: mentiroso e doido, porque eles são primos dos escritores. (...) Na minha vida não acontece nada. Se eu não mentir, o que é que eu vou contar?" 
(Ariano Suassuna)

"Não tenho nada contra a cultura universal, mas não posso admitir que se considere sinônimo de universal a cultura de massa. Ela é o contrário da universalidade, é a uniformização" 
(Ariano Suassuna)

"Eu acho que a arte, por natureza, não é uma imitação do real, é uma recriação. (...) Se fosse para imitar a realidade do dia a dia, melhor seria ficar com a própria realidade" 
(Ariano Suassuna)


Diga-me com quem andas, que eu te direi quem és

Creio ser muito preocupante o Brasil se alinhar a um conjunto de países que têm, por tradição, um perfil autoritário como política interna e uma vocação imperialista como política externa.

Antes que me acusem, adianto: nada entendo de relações internacionais, geopolítica ou diplomacia. Portanto, o que se segue são meras opiniões, talvez até mesmo ingênuas, de um cidadão relativamente esclarecido. E inconformado.
Comemoramos todos, sem que qualquer partido da oposição contestasse, a recente reunião da presidenta Dilma Rousseff com os chefes de estado da Rússia, Índia, China e África do Sul, que, junto com o Brasil, formam o chamado BRICS, sigla que, diga-se de passagem, foi inventada por um funcionário do grupo financeiro transnacional Goldmann Sachs, Jim O’Neill.
O encontro serviu para que os países fortalecessem seus laços econômicos, com a criação de um banco de desenvolvimento comum, cujo capital inicial eleva-se a 50 bilhões de dólares, e, evidentemente, para estabelecer um pacto político que se contrapõe aos Estados Unidos e Europa.
Do ponto de vista estratégico, poderia ser um sintoma de inteligência diplomática. O Brasil, para não continuar refém dos humores de norte-americanos e europeus, acena com uma aliança com seus potenciais inimigos, Rússia e China à frente, para promover um equilíbrio de forças, tornando-se um fiel da balança entre dois mundos que defendem interesses econômicos e políticos bastante divergentes.
Aceitando esse ponto de vista, trata-se de uma jogada ousada e digna de aplausos: ganha o Brasil. Tão irrepreensível é esse movimento, que o acordo teria sido assinado fosse Dilma presidente da República ou não – por isso, não ouvimos levantar nenhuma voz contrária.
A questão que passo a abordar, no entanto, é ética, e, por ser nobre, talvez pareça risível. Creio ser muito preocupante o Brasil se alinhar a um conjunto de países que têm, por tradição, um perfil autoritário como política interna e uma vocação imperialista como política externa. Todos eles, Rússia, Índia, China e África do Sul, uns mais, outros menos, navegam em águas turvas, pouco recomendáveis para nações que se querem democráticas e transparentes.
A Rússia ocupa o 154º lugar no ranking dos mais corruptos do mundo, entre 178 países pesquisados, segundo dados da Transparência Internacional. Só para termos uma comparação, o Brasil está na 69ªposição... Além disso, os russos não possuem nenhuma tradição democrática: a um Império que cultivou o sistema de servidão até 1861, sucedeu o regime soviético, de partido único e campos de concentração. O atual presidente, Vladimir Putin, ex-chefe da temida polícia secreta, a KGB, é conhecido por seu perfil autoritário e pela pregação de um nacionalismo beligerante contra as repúblicas vizinhas. Ele administra o quinto maior orçamento militar do mundo.
Não é muito diferente a China. Se em termos de corrupção não se afasta tanto do Brasil (é a 78ª colocada no ranking), em termos políticos isola-se até mesmo da Rússia, pois, na prática, trata-se de uma ditadura nos moldes clássicos: partido único, repressão dos opositores, censura à liberdade de opinião – e perseguição a minoras étnicas (uigures e tibetanos, principalmente). O país hoje é também conhecido pelo desdém aos direitos humanos e trabalhistas (interna e externamente) e pelo desprezo ao meio-ambiente.
Sua política comercial agressiva, que a alavancou para a segunda maior economia do planeta, baseia-se, entre outras coisas, na venda de produtos de baixa qualidade a preços sem competição. Junto com a Rússia (e os Estados Unidos, França e Reino Unido) faz parte do clube das nações detentoras da bomba atômica que assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Possui o maior exército do mundo e o segundo maior orçamento militar.
Nominalmente conhecida como a maior democracia do mundo – possui cerca de 1,2 bilhão de habitantes –, a Índia é um dos países mais complexos do planeta. Com 70% da população vivendo em áreas rurais, o índice de analfabetismo chega a 37%, e, sendo a décima maior economia, sua renda per capita é de 3.900 dólares (contra cerca de 10 mil dólares do Brasil). O país possui ainda a maior concentração de pessoas pobres (há famílias que moram nas ruas há gerações) – segundo o Banco Mundial, 42% do total da população sobrevivem com menos de um dólar por dia.
A Índia ocupa o 87º lugar no ranking da corrupção e, embora possua um arsenal de bombas atômicas, se recusa a assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, assim como seu maior inimigo, o Paquistão. Os gastos militares do país chegam a 46 bilhões de dólares, o décimo maior orçamento militar do planeta.
Já a África do Sul, segundo a Transparência Internacional, ocupa o 54ºlugar no ranking dos mais corruptos do mundo. Com graves problemas econômicos – o desemprego atinge um em cada quatro adultos –, a violência campeia: o país tem a maior taxa de homicídios do mundo (cinco vezes maior que a do segundo lugar, o Brasil) e segundo maior índice de estupros de mulheres – uma em cada três admite ter sofrido violência sexual – e o primeiro em estupro de bebês e crianças. A AIDS infecta 31% das mulheres grávidas e um em cada cinco adultos sul-africanos, homens e mulheres, tem a doença. O atual presidente, Jacob Zuma, é suspeito de estelionato, corrupção e... Estupro.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Drones, as mulas do futuro?

Esses aparelhos podem cruzar com droga a fronteira entre Estados Unidos e México.

Criados no início para as táticas militares e mais recentemente utilizados para tirar fotografias, pela indústria de Hollywood ou da construção, os drones – ou aviões não tripulados – poderiam se converter nas mulas do futuro. Como aeronaves de pequenas dimensões, esses aparelhos têm a capacidade de cruzar, carregando drogas, uma distância similar ou maior que a da fronteira entre Estados Unidos e México, escapando dos controles convencionais (inclusive radares) e sem arriscar vidas no meio do caminho.
"Trata-se de uma prática factível, talvez mais provável para a heroína que para a maconha", afirma o diretor de Segurança do IMCO, Alejandro Hope. "Mas na atualidade, a maior parte da droga continua passando por meios convencionais como veículos, pessoas ou túneis. Ao contrário da lenda criada ao seu redor, o narcotráfico é um negócio low-tech [que requer pouca tecnologia]".
Segundo fontes da Agência Antidrogas norte-americana (DEA) citadas faz alguns dias pelo jornal mexicano El Universal, os cartéis estariam utilizando, desde o começo do ano, trabalhadores de empresas montadoras de drones em território nacional para fabricar aeronaves sob medida para suas necessidades. A Cidade do México, Querétaro, Guadalajara e Nuevo León seriam as entidades onde estariam acontecendo essa prática. Questionada pelo EL PAÍS, a embaixada dos EUA no México apontou que "não faz nenhum comentário sobre nota ou investigação que está em andamento".
Dentro da indústria de fabricação de drones, o pessoal consultado mostra-se resistente a avaliar a possibilidade de que as aeronaves possam chegar a servir de negócio para o crime organizado. O empregado de uma empresa que prefere manter o anonimato assegura que não é viável. "Pela pouca autonomia que têm, uns 500 metros, e o pouco peso que podem carregar", argumenta. Os drones menores, esses que qualquer interessado pode adquirir por 600 dólares, somente suportam o peso de uma câmera ultraleve (entre 200 e 500 gramas).
Roberto Hernández Guerrero, diretor de Arte da revista Instyle e fundador do grupo do Facebook Drones México – o primeiro na comunidade virtual – acredita que poderia terminar sendo um bom negócio para as máfias da droga. "Tudo depende do investimento, mas um drone bem equipado pode chegar a carregar entre 10 e 15 quilos, ter uma autonomia de voo de 15 minutos e percorrer um quilômetro de distância. Esses aparelhos custariam uns 150.000 pesos (25.900 reais)", calcula.
Segundo relatório da Oficina contra a Droga e o Delito da ONU, publicado no final de 2013, um quilo de cocaína que na Colômbia é vendida por 700 dólares, na fronteira norte do México pode alcançar o valor de 12.000 ou 15.000, ao entrar nos EUA passa a 20.000 e se chegar a Nova York ou Seattle é comercializada por 30.000 dólares.
No México, desde 2013, uma única empresa distribui equipamentos de vigilância aérea para forças de segurança públicas. "O fabricante é canadense, os aparelhos pesam 1,65 quilos e podem chegar a voar até 25 minutos, o máximo de tempo já conseguido no mundo", explica Gerardo Castell, o responsável da VAP, com sede na Cidade do México. O preço de um destes drones é de 40.000 dólares, mas seu design - pequeno e leve - está pensado para carregar uma pequena câmera. Parece complicado para Castell encontrar aviões que levem até 10 ou 15 quilos, mas reconhece: "Não há nada impossível".
"Como tal, existem poucas empresas que se dediquem à construção de drones, mas são muitas as montadoras independentes", explica Roberto Hernández. É um mistério a quantidade de pessoas com capacidade para montar um. "No grupo somos 2.100 membros interessados, mas não quer dizer que todos saibam montar um", diz. Ele, por exemplo, é fotógrafo e monta drones em seu tempo livre. "Desde menino voei aeromodelos, sempre me atraiu. São muito úteis para minha profissão".
Na opinião desse jovem de 29 anos, a regulamentação, inexistente no México, é necessária. "Pode ser que termine criando restrições, mas acho que poderá ser benéfica para nós, que usamos para fins lícitos. Qualquer avanço tecnológico, por mais positivo que for, se cair nas mãos inadequadas, pode servir para realizar as piores atividades", conclui.

domingo, 20 de julho de 2014

SOS Gaza

"Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre." (Eduardo Galeano)

É chocante mas é a dura realidade mundial.

A segunda noite desde que começou a invasão terrestre de Gaza teve 26 palestinos mortos e quatro soldados israelenses feridos, um deles em um acidente rodoviário. O Exército de Israel matou 330 palestinos desde o começo da Operação Limite Protetor na Faixa de Gaza, na madrugada de 8 de julho. 72 deles eram crianças ou mulheres menores de 18 anos, segundo a contagem do Ministério da Saúde palestino. Dos quase 3.300 feridos, 657 são crianças. A Organização das Nações Unidas calcula que mais de 75% dos mortos são civis.

O Exército israelense anunciou nesta tarde a morte de dois soldados vítimas de uma incursão de milicianos do Hamas, que haviam se infiltrado em território israelense pela rede de túneis que fazem ligação com Gaza. Em um comunicado, o Exército informou que se trata do sargento Adar Bersano, de 20 anos, e do oficial Amotz Greenberg, de 45. Com estas mortes chegam a quatro as baixas israelenses. Nesta semana já haviam morrido outro soldado e um civil. Israel investiga se este último foi vítima do chamado fogo amigo.

As primeiras horas da noite de estiveram entre as piores de toda a ofensiva, com dezenas de palestinos mortos.Durante a noite, as tropas israelenses mantiveram as posições que haviam ocupado na sexta-feira dentro do território palestino. No Sul, perto da localidade de Jan Yunis, os soldados e os tanques continuam estacionados a mais de um quilômetro no interior da Faixa de Gaza. No Norte e no Leste mantinham-se, segundo relatos de moradores, cem metros adentro.

Enquanto isso, continuava a se agravar a situação dos deslocados que fugiam dos israelenses, cujas tropas não encontraram resistência. A ONU informou que seus abrigos tinham recebido 40.000 palestinos até a tarde de sexta-feira. A estas cifras é preciso acrescentar os palestinos que se refugiam em casas de familiares ou amigos. Com frequência, famílias como a de Fuad Hanana, que vive no bairro de Zeitun, a menos de dois quilômetros da fronteira com Israel, enviam seus filhos para a casa de parentes que vivem em zonas centrais da Cidade de Gaza.

Os duros bombardeios da sexta-feira acabaram forçando a evacuação total do hospital de Al Wafa, um centro de saúde relacionado com o Hamas, em cujo quarto e último andar Israel diz haver detectado um “centro de operações” do grupo islâmico. Está localizado sobre um pequeno monte, de onde se divisa a fronteira de Israel. Na primeira linha de fogo. Na sexta-feira, sua estrutura mostrava os impactos de artilharia que recebeu nas últimas semanas. As calçadas em torno estão cheias de entulho e vidros quebrados. As ruas destas zonas fronteiriças estão quase completamente vazias.

No sábado, o Exército de Israel acusou o Hamas de utilizar um “burro explosivo” contra seus soldados no Sul da Faixa: “Enviar um animal para a morte para conseguir objetivos terroristas pode parecer chocante”, dizia a nota do Exército. “Mas não é a primeira vez que os palestinos adotam essa tática”.

Era preciso reparar nas duas bandeiras amarelas que ondeavam sobre os alto-falantes para perceber que o discurso inflamado de resistência que troava no sábado em frente ao hospital de Jan Yunis provinha dos palestinos próximos ao Movimento de Libertação Nacional da Palestina, o Al Fatah. Em um tom que poderia muito bem ser confundido com o típico usado pelo grupo islâmico e também palestino Hamas, a voz pedia resposta contra os ataques israelenses e a "libertação da Palestina". As pessoas ali reunidas esperavam nove corpos, vítimas de um só projétil de um drone israelense na noite anterior. O aspecto da multidão, composta em sua maioria por homens bem barbeados e vestidos à europeia, corresponde com o que se espera dos seguidores da Al Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. O cortejo fúnebre levou dois cadáveres amortalhados com bandeiras verdes do Hamas. Os outros sete, envoltos nas cores palestinas, eram da Al Fatah. Enquanto os subiam nos ombros, o alto-falante proclamou: "Uma nação unida, Hamas e Al Fatah". A aspiração continua longe de se cumprir, enquanto Israel castiga Gaza com uma operação militar que já matou mais de 330 palestinos em 12 dias. As mortes de dois soldados neste sábado elevam para quatro as perdas israelenses.

Ambas as organizações palestinas anunciaram em abril um acordo de reconciliação nacional, sete anos depois da repartição feita dos territórios palestinos após uma breve guerra civil. O laico Al Fatah governa, desde então, a Cisjordânia, aonde está a sede da Autoridade Palestina, Ramallah. O islâmico Hamas controla desde 2007 a faixa de Gaza, empobrecida, cercada por Israel e isolada também do Egito, que manteve sua fronteira fechada durante a maior parte destes anos.

Após levarem os mortos até um dos abarrotados cemitérios de Gaza, um homem de 45 anos que se identificou como Abu Ibrahim admitiu com rodeios que é membro da Al Fatah e que, como muitos dos funcionários militantes de sua facção que ficaram em Gaza, recebe mas não trabalha desde a ruptura palestina em 2007. Ainda assim, o engenheiro considera que o presidente Abbas "está fracassando em defender Gaza" das bombas de Israel. "Por que há sete anos não vem para Gaza? Por que não nos apoia?" Disse sentir que "o Hamas é o único que faz algo" para fustigar Israel, com seus foguetes. Os palestinos, disse, "devem defender-se como podem, não há outra opção". Abbas, disse, "deve cancelar toda a colaboração com Israel". A Autoridade Nacional coordena-se com as autoridades de segurança de Israel em diversos aspectos relacionados com a ocupação.

Enquanto mantinham posições muito próximas da fronteira ao norte e leste da faixa de Gaza, os tanques e a artilharia de Israel penetraram mais de um quilômetro dentro do território palestino ao sul. Esses avanços inquietavam o vendedor de sabonetes Wael Garto, de 40 anos, que defendia "as tentativas de Abbas em conseguir um cessar-fogo"com a mediação do Egito. Do alto se escutava os motores de um dos drones israelenses que vigiam dia e noite tudo o que acontece na faixa de Gaza.

Na semana passada, um grupo de manifestantes impediu que o ministro da Saúde do Governo de reconciliação, Jawad Awaad, procedente de Ramallah, visitasse a cidade de Gaza. Protestavam contra a "traição" de Abbas.

O parlamentar palestino e dirigente da Al Fatah em Gaza, Faisal Abu Sala, considera, por outro lado, que o Hamas "buscou a reconciliação para saldar seus problemas de dinheiro". Em frente à sua casa assegurava ontem que "nesta ofensiva, o Hamas e a Al Fatah têm as mesmas metas". Mas acredita que "é prioritária uma negociação para parar este massacre". Abbas, disse, "segue firmemente comprometido com a reconciliação". Mas as bombas de Israel a afastam a cada explosão, que fortalece a reputação do Hamas entre uma população que se sente encarcerada e triturada por um inimigo impune.

sábado, 19 de julho de 2014

O avião da salvação?

Diante desses fatos - e sem querer estimular teorias da conspiração - questiono se o fato de haver especialistas em HIV/AIDS à bordo do avião terá sido uma mera coincidência ou pode apontar para uma outra explicação sobre o abatimento da aeronave numa região da fronteira entre dois países conservadores?


Há outro detalhe do nefasto episódio que me aflige mais: estima-se que, dentre os passageiros à bordo da aeronave, estavam mais de 100 pessoas, dentre pesquisadores, ativistas e membros de organizações não-governamentais, que viajavam rumo à 20ª Conferência Mundial de Aids, que acontece na Austrália. Segundo dados divulgados sobre as vítimas, 173 eram da Holanda, país referência no financiamento de projetos e no debate avançado sobre HIV e AIDS, dentre eles, Joep Lange, um cientista reconhecido mundialmente por ter dedicado mais de 30 anos da sua vida à pesquisa sobre o HIV e a Aids.

Como afirmou a diretora do programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, caso essas informações se confirmem, haverá um impacto dessas mortes nas pesquisas e nas políticas públicas futuras de prevenção e combate à AIDS - e isto é muito grave e desalentador!

A Aids nunca terá cura, mesmo qe seja descoberta a cura, será mantida em segredo sempre, e isso não é teoria da conspiração, isso nem é teoria, isso é prática, prática do dinheiro, e as pessoas matam por isso.

AIDS é uma doença grave a qual o mundo inteiro quer se ver livre, assim como diversas outras as quais muitos cientistas dedicam a vida deles para descobrir a cura, e posso garantir que eles não estão nem um pouco preocupados com o fato de existirem casais homo ou heterossexuais, então porque diabos alguem perderia seu tempo em, de alguma forma, atrasar a cura?

Não creio, mas essa teoria daria um bom roteiro para filme. Um atentando contra uma aeronave que transportava cientistas que possivelmente revelaria uma descoberta revolucionária no mundo da medicina, causando grande impacto e contrariando interesses políticos e financeiro. Viajei com a ideia aqui. Mas, que acontecimento trágico, que coisa horrível. Fiquei triste e apreensiva juntamente com milhões de pessoas. Que Deus acalante o coração dos familiares. PAZ e BEM estamos precisando.

Eu acredito que, apesar do fim trágico destas vidas, é possível continuar com as pesquisas. Até porque, acredito, nenhum destes pesquisadores guardaria o desenvolvimento de suas pesquisas meramente na cabeça, sem documentação alguma. Isso não é ciência. Não fica na cabeça das pessoas, não morre com elas. E há pessoas boas para dar continuidade a esse trabalho.

O que eu acho é que ninguém pode usar esse episódio como argumento para reduzir as pesquisas na área. Não vale nem como justificativa para dizer que as pesquisas estejam prejudicadas. Bola pra frente, pois os pesquisadores certamente iriam gostar que a humanidade continuasse, agora, em homenagem a eles!

A AIDS jamais terá uma cura definitiva, pois é muito mais lucrativo para a indústria farmacêutica fazer com que os pacientes tomem seus medicamentos pelo resto da vida, o que pode durar décadas. Se descobrirem a cura definitiva, o número de transmissões diminuirá muitos, e em pouco tempo, quase não haverá mais casos de AIDS. Para quem irão vender remédios? Para os alienígenas?

Sou cético a teorias da conspiração, porém é preciso ter ciência do IMENSO PODER das grandes empresas farmacêuticas que lucram BILHÕES com a venda de medicamentos para o controle da AIDS e de infectados com o HIV em todo o Planeta. Seria possível se aproveitarem de uma situação instável para colocar a culpa em várias outras fontes, bem distantes de suas relações corriqueiras. Sinceramente, me parece as vezes algo mirabolante, porém o Ser Humano já provou que é capaz de coisas absurdas por poder e dinheiro, então a hipótese permanece de pé!


sexta-feira, 18 de julho de 2014

O adeus de João Ubaldo Ribeiro

Soco duro que traz um gosto amargo, amaríssimo à boca: João Ubaldo morreu na madrugada.
João Ubaldo está morto, sem mais.
Seria igual estar em São Paulo, em Pequim ou em Copenhagen, onde estou?
Seria, mas não é.
A distância aparentemente não existe, mas existe.
Existe apesar de estarmos distantes há anos, tantos que a última vez em que o vi foi na Alemanha, numa estação ferroviária, em 2006, no dia seguinte da morte de outro querido, Bussunda, trauma parecido, embora diferente.

João Ubaldo era presença em nossos jantares nas Copas do Mundo da Espanha, em 1982, na do México, em 1986, e, depois, na dos Estados Unidos.
Sempre monopolizando as conversas com seu vozeirão e verve incomparáveis.
Jamais se fez de rogado e se ouvia uma ideia de que gostasse avisava o interlocutor, sem cerimônia: “Vou usar e não darei a fonte”.
Não me lembro de nenhum caso em que tenha cumprido a promessa que soava feito ameaça, mas se o fez, fez bem, melhor que o autor da ideia.
Certa vez perdi 100 dólares numa burra aposta que fiz com ele sobre uma letra de Cole Porter, que Luis Fernando Verissimo serviu como juiz.
Divertido, cobrou e, diante de minha incredulidade, embolsou, sem mais.
Desembolsaria muito, mas muito mais, se pudesse pagar por um novo encontro com ele.
Para lembrar de tantas conversas impagáveis, ao lado de João Saldanha, Zózimo Barros do Amaral, Verissimo, Ruy Carlos Ostermann, Sérgio Cabral, o pai, Alberto Helena Jr., Sandro Moreyra.
Somos poucos. Poucos ficamos. Ficamos pouco.
O tic tac do relógio é implacável. João Ubaldo estará ausente da página central do jornal O Globo, aos domingos, logo abaixo do Veríssimo. Deixaremos de ler sobre os "botecos" do Leblon, sobre suas críticas ao governo e ao poder, sobre Itaparica(sua eterna ilha), e, principalmente, o seu sorriso, palavra imortalizada em um famoso livro dele(O sorriso do lagarto), deixará o plano terrestre para sempre. 

Aliás, estão ocorrendo muitas mortes de pessoas abaixo dos 75 anos..a medicina não poderia evoluir um pouco mais? porque ficamos mesmo pouco tempo na Terra..Menos de 900 meses por aqui..que o baiano João Ubaldo com Deus.


Quando morrem grandes escritores, sinto no peito a mesma angústia de quando perdi alguns dos meus ídolos na música! O bom é que a obra é eterna!  O Ruim é que desequilibra um pouco a fauna de criadores extraordinários! E nesse mundo onde o ordinário, o superficial e a idiocracia vem vencendo, uma baixa dessas é uma grande perda!

quarta-feira, 16 de julho de 2014

E se nenhum político pudesse se reeleger no Brasil?

Jurista propõe movimento para acabar com a reeleição de políticos.

Ideia é buscar assinaturas para, a exemplo da Ficha Limpa, criar lei de iniciativa popular contra os 'políticos profissionais'.

E se nenhum político pudesse se reeleger no Brasil? A ideia já tem aprovação de pelo menos 5,5 mil pessoas na página no Facebook do movimento “Fim do Político Profissional”. Para Luiz Flávio Gomes, professor, jurista, ex-promotor e idealizador dessa ideia, a possibilidade de se reeleger é um caminho para corrupção e só a pressão da sociedade pode tornar a ideia em uma lei de iniciativa popular, assim como aconteceu com a Lei da Ficha Limpa, em 2010.


O que é o movimento "Fim do Político Profissional"?
É um movimento, antes de tudo, de indignação. O que pretendemos é limitar as reeleições dos políticos e que, desta forma, eles não fiquem se reelegendo eternamente, como é o caso do José Sarney. A reeleição cria a necessidade da corrupção porque reeleger-se custa muito caro. A iniciativa também é contra a perpetuação da corrupção por meio das famílias dos políticos. Afinal, ainda que um político não se reeleja, ele pode perpetuar os esquemas de corrupção por meio dos familiares.


De que maneira estas ideias podem virar realidade?
Por meio de uma iniciativa popular, como o foi o caso da Ficha Limpa. Agora, precisamos somar energias e, por isso estamos buscando movimentos com iniciativas parecidas, que querem limitar os mandatos políticos e exigir que os políticos continuem exercendo suas profissões originais. Um político não pode deixar a profissão em que atua. Se ele é médico, deve continuar atuando como médico, se é advogado, deve continuar atuando como advogado e etc, porque ele não pode se perpetuar como político, é uma ocupação cívica passageira.


Mantendo a profissão, o político não estaria se dedicando menos ao serviço público?
Hoje em dia, não é preciso estar lá em Brasília sempre. Você pode trabalhar e opinar por internet, a tramitação dos projetos é toda digital. Manter a profissão é importante porque o político não pode perder a conexão com a vida das pessoas e deve lembrar que a política é sempre passageira, só quem permanece são os funcionários burocratas do Estado. O político deve atuar dando uma contribuição temporária, é um serviço público e querermos cortar as mordomias, privilégios.


De que maneira a Lei da Ficha Limpa serviu de inspiração para esta iniciativa?
A Lei da Ficha Limpa foi um exemplo fantástico de democracia direta no Brasil. Demorou cerca de três a quatro anos, foi difícil, mas conseguiram tornar a ideia em uma realidade. Todo mundo dizia que seria impossível, mas no final os políticos acabaram aprovando a lei por pressão da sociedade. Se não nos envolvermos, o Brasil não muda.


Quais são os próximos passos?
Vamos delinear o projeto nos próximos 60 dias com as entidades com quem já estamos nos comunicando. Depois, vamos precisar criar uma massa de apoio muito forte, porque são necessárias um milhão de assinaturas para criar uma lei de iniciativa popular como esta. Além disto, toda reforma política tem que ser aprovada um ano antes das eleições, então temos até outubro de 2015 para lutar, se quisermos ver esta lei valer nas eleições de 2016.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Que venham as escolas e hospitais "padrão Brasil"

Claro que foi duro ver a seleção tomar 7 gols da Alemanha, mas as tragédias fazem parte da mística do futebol. O importante é que a seleção perdeu, mas o Brasil ganhou: a Copa do Mundo 2014 foi um sucesso. A despeito das previsões catastróficas feitas pela oposição e pela mídia, que praticou apenas mau jornalismo no que diz respeito à Copa, fizemos um grande evento, digno de um grande país. Nem vou mencionar aqui o pedido de desculpas que deveria ser feito por todos ao ex-presidente Lula, que nunca duvidou do sucesso do Mundial de futebol no Brasil desde o princípio. Lula, a Copa foi um golaço.
Houve uma torcida contra feia não me refiro aqui aos que foram às ruas para defender, com justiça, as vítimas de remoções por conta das obras da Copa. Critico os que torceram contra o País. Gente na imprensa e na oposição que desejou até mesmo que um dos estádios ou aeroportos erguidos para o Mundial desmoronasse e causasse mortes. Esta é a verdade, que só escrevo agora até por superstição. Não é à toa que se tentou atribuir a queda de um viaduto em Belo Horizonte, de responsabilidade da prefeitura, ao governo federal. Só que se uma tragédia ocorresse na Copa, não atingiria apenas a imagem do governo, e sim a do Brasil. Sinal que essa gente não está preocupada com o País, só quer tomar o poder. Não está nem aí para o fato de que, aconteça o que acontecer, o Brasil é o mesmo. Os governos vão, o País fica.
Felizmente, a Copa transcorreu da melhor forma possível. Recebemos bem os visitantes estrangeiros, que ficaram impressionados com a simpatia e a alegria do nosso povo, nossa boa comida, nosso clima, nossa natureza exuberante e nem um pouco com a brutalidade de nossa polícia. Não aconteceu o caos aéreo também desejado por setores da oposição e da mídia, tudo funcionou direitinho e recebemos os maiores elogios dos turistas e da imprensa internacional. Nos divertimos a valer com os jogos, que bateram todos os recordes de gols inclusive nas redes da seleção brasileira… Foi um mês de farra, que deixará saudades. Já estamos com saudades.
Agora, devemos olhar para frente, para o futuro, para o Brasil que queremos. Em minha opinião, uma das reivindicações mais justas feitas pelos que protestaram nas manifestações de junho do ano passado e, este ano, contra a Copa do Mundo, foi a que pedia, em faixas e cartazes, equipamentos públicos “padrão FIFA”. Parece um pedido genérico, mas não é. Principalmente após vermos os estádios e aeroportos que construímos. Bonitos, modernos, funcionais. “Padrão FIFA”. Por que não escolas e hospitais com a mesma excelência? Não podemos deixar de exigir isso. Não podemos rebaixar nosso nível de exigência depois que vimos do que somos capazes.
O que muitas das pessoas que foram às ruas exigir “padrão FIFA” não sabem, porém, é que isso não depende somente do governo federal. Saúde e educação também são responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Se aí, na sua cidade, um hospital municipal não funciona bem, não adianta cobrar quem preside o País, tem que cobrar o prefeito. Se uma escola estadual não funciona bem, não adianta reclamar com o governo federal, tem que reclamar com o governador. Já que aprendemos a ir às ruas protestar, é preciso direcionar os protestos para o alvo certo e não apenas ficar repetindo clichês.
Uma boa maneira de protestar por equipamentos públicos “padrão FIFA” é deixando de eleger maus políticos, que nunca fizeram nada pelo País, por seu Estado ou por sua cidade. Ir às ruas é bacana. Mas é importante também dedicar algum tempo para se informar sobre os vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o prefeito que você elege. Porque infelizmente manifestações não bastam para mudar as coisas. Numa democracia, a única maneira eficiente de promover mudanças é votando. Em quem você votou na eleição passada? Verifique se seu candidato cumpriu tudo aquilo que prometeu. Se não cumpriu, não vote mais nele.
Outra coisa que as pessoas parecem não saber é que prefeitos, governadores e o presidente da República dependem dos órgãos legislativos para governar bem. Não adianta votar em nomes decentes para os cargos executivos e votar mal para as Câmaras de Vereadores, Assembléias e o Congresso Nacional. Muita gente vive reclamando que os políticos são ruins. Que são corruptos. Que não pensam no País. Mas quem os elege é você. Eu e muita gente que nunca votou num mau político pagamos pelos canalhas que você botou lá. E depois ainda vai à rua bradar, como se não tivesse nada a ver com isso: “Fora Fulano!”, “Fora Beltrano!”. Acho cara-de-pau.
Votando direito, fica mais fácil conquistar o que foi gritado nas ruas e exposto em cartazes. É, sim, uma reivindicação justíssima: está mais do que na hora de nosso País ter bons equipamentos públicos, boas escolas, bons hospitais. Não digo nem “padrão FIFA”, que afinal essa entidade não deve ser parâmetro para nada. Prefiro falar em “padrão Brasil”, porque a Copa mostrou como somos um país maravilhoso, receptivo, organizado e competente quando queremos. É assim que as coisas aqui devem ser, sempre, não só quando temos visitantes estrangeiros em casa. Que venha, portanto, o padrão Brasil. Nosso povo merece.


domingo, 13 de julho de 2014

A vergonha e decadência do futebol brasileiro

Disciplina, Planejamento e Metodologia de trabalho

3 princípios fundamentais para o desenvolvimento do progresso do futebol alemão, não foi por acaso que essa seleção está numa final de Copa do Mundo. A seleção brasileira se quer voltar a ser respeitada, precisará de mudanças, precisa de planejamento, precisa aprender, precisa abrir a sua mente futebolística e claro, diminuir a sua arrogância pelo fato de ser pentacampeão.

Não é vergonha nenhuma admitir que o futebol que a seleção brasileira vem apresentando está obsoleto e desatualizado com relação aos demais. Como sou cético em relação a profundas mudanças no Brasil, acredito que isso não acontecerá e a tendência é só piorar, vide a política de coronelismo da CBF juntos as federações locais, a capitalização de receitas que a CBF faz com relação a cotas de patrocínios / direitos de transmissão mídia / cotas de amistosos patrocinados, a corrupção que é aplicada nos grandes clubes de futebol, a abordagem agressiva dos pseudo-empresários junto aos jovens nas divisões de base e principalmente na falta de interesse de grande parte da classe de grandes mudanças e transformações positivas.

Nunca imaginei que 3x0 seria um alívio…depois da tragédia do 7x1. Mas isso é o reflexo do esporte no Brasil, muito dinheiro rolando, pouco ou nada de planejamento para um trabalho de longo prazo, contando com talentos individuais e culpando nossos atletas por uma derrota que, na verdade, está realmente ligada a incompetência da gestão esportiva em todas as esferas do Brasil, do que ao infinito potencial do esporte brasileiro.

A perplexidade acontece por ser o futebol um esporte de cifras milionárias e pelo histórico de vitórias incontestáveis, mas nossos atletas do esporte olímpico já conhecem esta realidade há muito tempo.


Ou muda ou não espere milagre dos atletas do Brasil.

Fiquei muito envergonhado com a cataclísmica derrota do Brasil frente à Alemanha na semifinal da Copa do Mundo, mas confesso que não me surpreendeu tanto. De um tempo para cá, a famosa seleção Canarinho se parecia cada vez menos com o que havia sido a mítica esquadra brasileira que deslumbrou a minha juventude, e essa impressão se confirmou para mim em suas primeiras apresentações neste campeonato mundial, onde a equipe brasileira ofereceu uma pobre figura, com esforços desesperados para não ser o que foi no passado, mas para jogar um futebol de fria eficiência, à maneira europeia.
Nada funcionava bem; havia algo forçado, artificial e antinatural nesse esforço, que se traduzia em um rendimento sem graça de toda a equipe, incluído o de sua estrela máxima, Neymar. Todos os jogadores pareciam sob rédeas. O velho estilo – o de um Pelé, Sócrates, Garrincha, Tostão, Zico – seduzia porque estimulava o brilho e a criatividade de cada um, e disso resultava que a equipe brasileira, além de fazer gols, brindava um espetáculo soberbo, no qual o futebol transcendia a si mesmo e se transformava em arte: coreografia, dança, circo, balé.
Os críticos esportivos despejaram impropérios contra Luiz Felipe Scolari, o treinador brasileiro, a quem responsabilizaram pela humilhante derrota, por ter imposto à seleção brasileira uma metodologia de jogo de conjunto que traía sua rica tradição e a privava do brilhantismo e iniciativa que antes eram inseparáveis de sua eficácia, transformando seus jogadores em meras peças de uma estratégia, quase em autômatos.
Contudo, eu acredito que a culpa de Scolari não é somente sua, mas, talvez, uma manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, já há algum tempo, representa todo o Brasil: viver uma ficção que é brutalmente desmentida por uma realidade profunda.
Tudo nasce com o governo de Luis Inácio 'Lula' da Silva (2003-2010), que, segundo o mito universalmente aceito, deu o impulso decisivo para o desenvolvimento econômico do Brasil, despertando assim esse gigante adormecido e posicionando-o na direção das grandes potências. As formidáveis estatísticas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística difundia eram aceitas por toda a parte: de 49 milhões os pobres passaram a ser somente 16 milhões nesse período, e a classe média aumentou de 66 para 113 milhões. Não é de se estranhar que, com essas credenciais, Dilma Rousseff, companheira e discípula de Lula, ganhasse as eleições com tanta facilidade. Agora que quer se reeleger e a verdade sobre a condição da economia brasileira parece assumir o lugar do mito, muitos a responsabilizam pelo declínio veloz e pedem uma volta ao lulismo, o governo que semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe.
A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos, e sim uma miragem que só agora começa a se esvair, como ocorreu com o futebol brasileiro. Uma política populista como a que Lula praticou durante seus governos pôde produzir a ilusão de um progresso social e econômico que nada mais era do que um fugaz fogo de artifício. O endividamento que financiava os custosos programas sociais era, com frequência, uma cortina de fumaça para tráficos delituosos que levaram muitos ministros e altos funcionários daqueles anos (e dos atuais) à prisão e ao banco dos réus.
As alianças mercantilistas entre Governo e empresas privadas enriqueceram um bom número de funcionários públicos e empresários, mas criaram um sistema tão endiabradamente burocrático que incentivava a corrupção e foi desestimulando o investimento. Por outro lado, o Estado embarcou muitas vezes em operações faraônicas e irresponsáveis, das quais os gastos empreendidos tendo como propósito a Copa do Mundo de futebol são um formidável exemplo.
O governo brasileiro disse que não havia dinheiro público nos 13 bilhões que investiria na Copa do Mundo. Era mentira. O BNDES (Banco Brasileiro de Desenvolvimento Econômico e Social) financiou quase todas as empresas que receberam os contratos para obras de infraestrutura e, todas elas, subsidiavam o Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder. (Calcula-se que para cada dólar doado tenham obtido entre 15 e 30 em contratos).
As obras em si constituíam um caso flagrante de delírio messiânico e fantástica irresponsabilidade. Dos 12 estádios preparados, só oito seriam necessários, segundo alertou a própria FIFA, e o planejamento foi tão tosco que a metade das reformas da infraestrutura urbana e de transportes teve de ser cancelada ou só será concluída depois do campeonato. Não é de se estranhar que o protesto popular diante de semelhante esbanjamento, motivado por razões publicitárias e eleitoreiras, levasse milhares e milhares de brasileiros às ruas e mexesse com todo o Brasil.
As cifras que os órgãos internacionais, como o Banco Mundial, dão na atualidade sobre o futuro imediato do país são bastante alarmantes. Para este ano, calcula-se que a economia crescerá apenas 1,5%, uma queda de meio ponto em relação aos dois últimos anos, nos quais somente roçou os 2%. As perspectivas de investimento privado são muito escassas, pela desconfiança que surgiu ante o que se acreditava ser um modelo original e resultou ser nada mais do que uma perigosa aliança de populismo com mercantilismo, e pela teia burocrática e intervencionista que asfixia a atividade empresarial e propaga as práticas mafiosas.
Apesar de um horizonte tão preocupante, o Estado continua crescendo de maneira imoderada – já gasta 40% do produto bruto – e multiplica os impostos ao mesmo tempo que as “correções” do mercado, o que fez com que se espalhasse a insegurança entre empresários e investidores. Apesar disso, segundo as pesquisas, Dilma Rousseff ganhará as próximas eleições de outubro, e continuará governando inspirada nas realizações e logros de Lula.
Se assim é, não só o povo brasileiro estará lavrando a própria ruína, e mais cedo do que tarde descobrirá que o mito sobre o qual está fundado o modelo brasileiro é uma ficção tão pouco séria como a da equipe de futebol que a Alemanha aniquilou. E descobrirá também que é muito mais difícil reconstruir um país do que destruí-lo. E que, em todos esses anos, primeiro com Lula e depois com Dilma, viveu uma mentira que seus filhos e seus netos irão pagar, quando tiverem de começar a reedificar a partir das raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento. É verdade que o Brasil tinha sido um gigante que começava a despertar nos anos em que governou Fernando Henrique Cardoso, que pôs suas finanças em ordem, deu firmeza à sua moeda e estabeleceu as bases de uma verdadeira democracia e uma genuína economia de mercado. Mas seus sucessores, em lugar de perseverar e aprofundar aquelas reformas, as foram desnaturalizando e fazendo o país retornar às velhas práticas daninhas.
Não só os brasileiros foram vítimas da miragem fabricada por Lula da Silva, também o restante dos latino-americanos. Por que a política externa do Brasil em todos esses anos tem sido de cumplicidade e apoio descarado à política venezuelana do comandante Chávez e de Nicolás Maduro, e de uma vergonhosa “neutralidade” perante Cuba, negando toda forma de apoio nos organismos internacionais aos corajosos dissidentes que em ambos os países lutam por recuperar a democracia e a liberdade. Ao mesmo tempo, os governos populistas de Evo Morales na Bolívia, do comandante Ortega na Nicarágua e de Correa no Equador – as mais imperfeitas formas de governos representativos em toda a América Latina – tiveram no Brasil seu mais ativo protetor.
Por isso, quanto mais cedo cair a máscara desse suposto gigante no qual Lula transformou o Brasil, melhor para os brasileiros. O mito da seleção Canarinho nos fazia sonhar belos sonhos. Mas no futebol, como na política, é ruim viver sonhando, e sempre é preferível – embora seja doloroso – ater-se à verdade.


sábado, 12 de julho de 2014

Custo da bagunça das alianças partidárias

Alianças são feitas sem respeito às identidades.
A democracia brasileira é uma bagunça, tanto no funcionamento do aparelho do Estado (relações entre os Três Poderes e pequenas repúblicas cartoriais envolvidas no exercício da atividade administrativa no dia a dia) quanto no processo eleitoral propriamente dito. A última semana desnudou a vergonhosa realidade desta bagunça: alianças feitas sem respeito às identidades ideológicas ou éticas entre os candidatos de uma mesma coligação. Como em toda bagunça, o eleitor fica desconsolado e o aparelho do Estado, caótico.

Esta bagunça de casamentos imorais em grupos sem identidade, que foi chamada de “orgia” e “suruba”, respectivamente, pelo prefeito Eduardo Paes e pelo deputado Alfredo Sirkis, tem outro demonstrativo vergonhoso no custo das campanhas. Somente Dilma e Aécio preveem gastar R$ 588 milhões. Somando os demais presidenciáveis, o custo será de R$ 870 milhões.

Em 2010, as eleições a todos os cargos custaram R$ 3,23 bilhões, cerca de 11vezes mais do que os gastos dos presidenciáveis de então. Mantida a mesma proporção, em 2014 os gastos serão de R$ 9,7 bilhões, equivalentes ao pagamento de piso salarial para cem mil professores ao longo de quatro anos. Nenhum regime pode ser considerado democrático se cada voto custa tão caro, os professores tão pouco, e os candidatos precisam ser ricos ou comprometidos com ricos financiadores de suas campanhas ou as duas coisas.



O maior custo, porém, não é financeiro, é o caos político e administrativo que está esgotando o atual modelo de democracia brasileira, desmoralizando e emperrando o funcionamento do setor público. Apesar disso, ainda não vimos qualquer dos candidatos à Presidência propondo reforma eleitoral que reduza este custo.

Com três medidas seria possível fazer a redução dos custos, tanto financeiros quanto políticos.

A proibição de alianças no primeiro turno levaria ao fim do comércio de tempo para os programas eleitorais. Esta medida reduziria o número de partidos e a consequente reorganização deles com base em identidade e substância de ideias e valores morais.
A utilização do horário eleitoral para transmitir debates e falas diretas dos candidatos, sem qualquer manipulação marqueteira que, a custos altíssimos, busca enganar o eleitor e vender o candidato como se fosse mercadoria. Sem caros marketings, o custo seria menor e a qualidade da democracia maior ao colocar os candidatos se enfrentando e olhando nos olhos dos eleitores, sem a parafernália usada para iludir.

Limitar os gastos eleitorais para cada candidato não poder gastar mais do que um determinado pequeno valor proporcional ao número de eleitores de sua circunscrição. Isto seria facilitado pela adoção de um sistema distrital misto, em que alguns dos deputados e vereadores representam apenas distritos, e não todo o estado.

As três medidas, entre outras, não deverão ser adotadas porque os candidatos que buscam a reeleição se beneficiam da bagunça, enquanto outros sonham em entrar nela.