quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Como o Brasil não se preparou para a Copa em 11 anos

"Nenhum outro país estava na briga com o Brasil. A disciplina da competição, então, acabou não existindo e abriu espaço para alguns velhos vícios brasileiros; muita politicagem nos bastidores, muita esperteza e pouco progresso. De fato, a consequência da experiência brasileira foi o fim da ideia de revezamento de continentes para sediar a Copa do Mundo."

















"Estádios são coisas relativamente simples de se construir", disse a presidente Dilma Rousseff em visita à Suíça na semana passada. Isso de fato nos leva a uma pergunta óbvia: então por que tantos estádios para a Copa do Mundo estão tão atrasados?

A alta procura por ingressos e pacotes de hospitalidade ajudam a explicar a falta de paciência da Fifa com os prazos assumidos e não cumpridos – e não importa o que se pense sobre o relacionamento entre a Fifa e o governo brasileiro, a Copa do Mundo foi um negócio em que o Brasil entrou (e que o Brasil aceitou) voluntariamente.

Mas uma hora as máscaras caem, como quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, comentou recentemente que, em todos os anos que esteve no comando da entidade, nunca viu uma Copa do Mundo com tantos atrasos. Ele ainda acrescentou que o Brasil foi definido como país-sede da Copa de 2014 em 2007 e, portanto, acabou se beneficiando de um ano extra para se preparar – sete, em vez dos tradicionais seis. E aqui ele não está sendo generoso. Porque a realidade é que o Brasil não teve sete anos para se preparar. Teve 11.

Um pouco de história: Blatter tentou levar a Copa do Mundo de 2006 para a África do Sul, mas ele perdeu uma votação controversa no Comitê Executivo da Fifa. Por razões políticas, ele não poderia fracassar de novo quatro anos depois. Por isso, junto com Danny Jordaan (presidente da Confederação Sul-Africana de Futebol), ele sugeriu a ideia de revezar o torneio entre os cinco continentes. Em 2010, ele conseguiu decretar: seria a vez da África. Problema resolvido.

E para onde a Copa do Mundo iria depois? A América do Sul, que não recebia o Mundial desde 1978, era o candidato óvio. Então, em março de 2003, Joseph Blatter anunciou que em 2014 seria a vez do subcontinente. O torneio havia dobrado de tamanho desde a Copa da Argentina, em 1978. Quantos países no continente seriam capazes de sediar um Mundial com os 32 times que jogam atualmente? Na realidade, havia apenas um - e assim, alguns dias após o anúncio de Blatter, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) declarou que o Brasil era o seu único candidato.


É verdade que a Colômbia rapidamente rompeu com a Confederação e até lançou uma candidatura separada, mas nunca chegou a alimentar sérias esperanças. Ela estava apenas se protegendo contra a vizinha e rival Venezuela, que estava investindo pesado em estádios à época para sediar a Copa América de 2007. O real objetivo da Colômbia – que foi alcançado – era superar a Venezuela na disputa para sediar o Mundial Sub-20 de 2011.

Mas não dá para escapar da verdade: o Brasil sabia que iria sediar a Copa do Mundo de 2014 desde março de 2003. Não havia nenhuma tensão dramática quando, quatro anos e meio depois, a palavra "Brazil" saiu do envelope. Isso simplesmente confirmou o que todos já sabiam. Então por que outubro de 2007 foi tratado, não apenas pela mídia brasileira, como o ponto de partida?


Se tivesse havido uma disputa competitiva pela Copa de 2014, os países candidatos teriam que apresentar propostas. Uma das primeiras coisas que eles teriam quem fazer seria identificar as cidades-sede. Seria um princípio básico, necessário apenas para entrar na briga.

Mas nenhum outro país estava na briga com o Brasil. A disciplina da competição, então, acabou não existindo e abriu espaço para alguns velhos vícios brasileiros; muita politicagem nos bastidores, muita esperteza e pouco progresso. De fato, a consequência da experiência brasileira foi o fim da ideia de revezamento de continentes para sediar a Copa do Mundo.

Nenhuma decisão definitiva sobre as cidades-sede foi tomada até o fim de maio de 2009. Anos foram jogados fora. E uma vez que você fica atrás do relógio, os princípios básicos começam a valer; o custo do que você pode fazer aumenta. A escala do que você pode fazer diminui. E muitos estádios estão atrasados, com o orçamento estourado, enquanto inúmeros projetos de mobilidade urbana, a principal área que iria beneficiar realmente a sociedade, ainda não saíram do papel ou sequer têm chances de ficarem prontas a tempo.


Os estádios são bastante impressionantes. Ainda em 2007, o medo era que eles se tornassem Engenhões, versões maiores do estádio construído no Rio de Janeiro para os Jogos Pan-Americanos de 2007 que custou caro e nasceu obsoleto. Em vez disso, deixando de lado por um minuto a questão dos preços dos ingressos, os estádios são grandiosamente modernos. Eu não voltei lá depois da Copa das Confederações, mas achei a Fonte Nova, em Salvador, um lugar maravilhoso para se apreciar o futebol.

Em termos políticos, porém, o fato de os estádios serem impressionantes cria um problema. Isso ficou implícito – e em muitas vezes explícito – na mensagem dos protestos que estouraram em junho e julho do ano passado; se os estados brasileiros foram capazes de construir essas arenas, então por que seriam incapazes de entregar os serviços públicos no chamado "padrão Fifa"?

O pentacampeão em 2002, Rivaldo, disse outro dia que "o Brasil vai passar vergonha na Copa". Não vejo exatamente assim, embora imagino que haverá problemas e que já ficou claro que o evento não vai cumprir seu potencial para a sociedade brasileira.


Mas a "vergonha" é de quem? Do frentista ou da recepcionista que moram na periferia de uma grande cidade, acordando às 4 da manhã todo dia para chegar ao trabalho? Por que eles deveriam se sentir envergonhados? Eles não tiveram qualquer participação no processo. Não houve nenhum debate público no Brasil sobre os objetivos da Copa do Mundo, sobre quanto a sociedade estava disposta a gastar e o que queria em troca. Por anos, não havia sequer um lugar no Comitê Organizador Local para representantes eleitores pela sociedade (o que, por sinal, é um contraste gritante com a Copa da África do Sul, onde havia um envolvimento generalizado no governo). As pessoas não são porta-vozes das suas nações ou responsáveis por ações da classe dominante.

Infelizmente, todos os atrasos que afetaram a Copa do Mundo de 2014 eram previsíveis. O que não era nem um pouco previsível foi a reação do povo durante a Copa das Confederações, saindo às ruas em centenas, milhares, desafiando a noção que os brasileiros tinham – tinham, no passado – deles mesmos de ser um povo tão passivo a ponto de ser idiota.

O país estava mudando bem em frente aos nossos olhos. O Brasil que existia até maio de 2013 se foi para sempre. Ainda não está claro aonde isso vai nos levar em julho de 2014. Mas aqueles envolvidos na luta positiva para formar uma nova nação não estão passando vergonha. Estão passando para o mundo a visão de um Brasil alternativo, um Brasil mais justo e mais competente.



Por Tim Vickery (correspondente da BBC no Brasil) e Thiago Muniz (colunista de O Contemporâneo)

José Mujica: o presidente rei da simplicidade

“As pessoas não compram com dinheiro, compram com o tempo que tiveram que gastar para ter esse dinheiro”



José Mujica, atual presidente uruguaio é uma figura emblemática da simplicidade e do desapego nos dias atuais. Um homem com seu posto, na maioria das vezes viveria com as mais sofisticadas regalias, tendo em volta tudo do bom e do melhor que está disponível no mercado. Mas José Mujica é diferente.
Talvez sua maior ousadia tecnológica seja se arriscar lendo jornais em seu Ipad. Mas para por ai. Mujica vive em em uma humilde chácara há cerca de 10 km de Montevidéu, com a proteção de apenas dois policiais em uma guarita improvisada. Ele vive com sua esposa, que também atua no meio politico. Mujica descartou o palácio presidencial e até chegou a oferecê-lo como refúgio para os sem-teto. Em troca das muvucas e da barulheira das grandes metrópoles, Mujica preferiu ficar apenas com o canto das aves de seu sitio.


E não ouse rotular Mujica como uma pessoa pobre, já que ele contra-argumenta com a seguinte frase:

“Eu não sou pobre. Pobre são aqueles que precisam de muito para viver, esses são os verdadeiros pobres, eu tenho o suficiente”

Quando a indústria da guerra enchia seus olhos com um possível confronto bélico na Síria, Mujica fez a seguinte declaração, conquistando ainda mais a simpatia do povo:

"Único bombardeio admissível na Síria seria de leite em pó e biscoitos"


Como politico, José Mujica é ousado. Vale ressaltar que o Uruguai é um país com apenas 3,5 milhões de habitantes, com a agricultura e a criação de gado como atividades econômicas principais, em que se vive um ritmo calmo de uma população madura. O país em si é mais famoso pela cultura do futebol e pelas praias de veraneio. Logo da chegada à Presidência de José “Pepe” Mujica, ex-guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, que passou 14 anos preso durante a ditadura militar, a primeira lei que chamou a atenção foi a descriminalização do aborto. O tema da interrupção da gravidez gerou forte oposição de setores religiosos, para quem o começo da vida  se dá desde a concepção. Ainda assim venceram os que defendem a regulamentação do aborto, quando ainda não se atinge etapas avançadas da gestação, a fim de evitar procedimentos clandestinos, sem condições sanitárias e com frequentes consequências graves para a mãe, em especial  as pertencentes à população pobre. O resultado foi positivo. Em seis meses de legalização, Uruguai não registrou mortes de mulheres que abortaram. Foram realizados 2.550 abortos legais. Uruguai se tornou um dos países com taxas de aborto mais baixas do mundo.

A segunda lei que colocou o Uruguai na vanguarda progressista da América Latina foi a do matrimônio igualitário, de abril de 2013. A legislação permite a adoção também aos casais homossexuais e que a ordem do sobrenome dos filhos seja decidida pelos pais. O Uruguai também fez possível o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas.

A terceira lei que fez voltar os olhos para o Uruguai foi a legalização da maconha, cujas características da legislação a fazem única no mundo. Já era possível cultivar e possuir a erva para consumo individual, como em outros países, mas agora o Estado passaria a controlar produção, distribuição e venda.

José Mujica tem suas individualidades como qualquer pessoa, o Uruguai também tem suas características. Não há como adotar exatamente as mesmas medidas no Brasil ou em outro país. As culturas são diferentes, a população é diferente, tudo é diferente. Porém fica a lição de um país que resolveu quebrar vários temas considerados tabu para beneficio do seu próprio povo. 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Pessimismo ou Realismo?

Resolvi externar uma tese que defendo há anos, declarando antecipadamente que tenho sido voto vencido: a de que a maioria dos males dos quais somos vítimas-algozes de nós mesmos resulta de um único fato: somos um povo culturalmente autoritário!
A característica básica de um estado democrático de direito é a sujeição à carta magna e às leis POR TODOS. Somos um estado democrático de direito, mas não de fato.

Quem cumpre integralmente a carta magna e as leis em nosso país?
Os integrantes dos poderes executivos, legislativo e judiciário, seja em que nível for?

Num extremo, os letrados e diplomados, chegando aos pós-doutores?
Em outro extremo, os ignorantes e mesmo os analfabetos funcionais?

Ninguém, absolutamente ninguém (salvo raríssimas exceções, sendo discriminados por isso e taxados de chato ou algo pior ou mais deselegante, podendo sofrer, inclusive, retaliações!).

Nossa situação, por causa desse autoritarismo, fica agravada por causa de uma justiça inoperante e/ou corrupta na maioria das vezes, que em vez de estar perenemente cega fica temporariamente caolha, dependendo de quem a provoque ou dos interesses republicanos e/ou não-republicanos envolvidos.

E essa postura está tão culturalmente arraigada em nós, que aprendemos desde tenra idade até pelos maus exemplos dos que deveriam dar os bons exemplos, a começar, temos de ser imparciais nessa análise, muitas vezes pelos nossos próprios lares, visto que que sempre encontramos justificativas para o descumprimento das leis.

Vivemos num sistema que todos se beneficiam, e o que é pior: nos acostumamos e estamos perfeitamente adaptados! Por isso, sou convicto de que se queremos mudar as coisas, devemos começar por nós mesmos!

Na hora em que coletivamente começarmos a pensar e a agir de forma a não querermos mais que coisas desagradáveis ( em todos os níveis e graus) aconteçam, ou seja, abrirmos mão da adaptação ao sistema que (no fundo) mais prejudica do que beneficia, aí sim, teremos ventos de mudança.

Mas sou convicto também de que este dia ou época está muito longe de chegar!

Pessimismo ou realismo?

Por Hélio Vargas Chaves de Souza

O irritante jeitinho brasileiro de ser

Não entendo. Vejo tanta gente reclamando da Globo, de BBB, da Veja, do preço do Iphone, de políticos e do bababá e do bububú. Mas esses que reclamam são os mesmos que assistem a Globo, leêm Veja, estão com o último modelo do Iphone e votam sem estudo e sem consciência. 

Vai entender...



Agora, por exemplo, temos a moeda $urreal criada pelos cariocas para reclamar do abuso dos preços que vai de misto-quente à apartamento no Leblon. Mas muitos que reclamam mostram a nota para comprovar a veracidade e o abuso! Fala sério! Por que compraram??? Reclamar está no nosso sangue. A parte mais importante, que seria achar a solução para reclamação, simplesmente é abandonada, transformando a atitude de reclamar em algo totalmente inútil, a despeito de nos aliviar bastante. Mas infelizmente, isso somente não nos leva a nada. Por outro lado, também temos os adeptos à frase “não-vai-dar-em-nada”. Estes pertencem ao grupo dos “não-reclamantes”, mas que também são outros inúteis.

A causa de tudo isso está na educação. Daí, você, anti-sejaláqualforogoverno, diria que isso é resultado da falta de investimento do governo!!!


Essa é uma das possíveis causas, contudo, meu bem, não é a única. Somos extremamente mal educados em todos os sentidos, tanto na escola quanto na rua e no lar. E todos sabem que quanto menos educados, mais burros ficamos e eis que temos dados que comprovam a que nível chegamos: brigas de torcidas, 50 tons de cinza e Bruna Surfistinha como best sellers, fãs gritando quando Justin Bieber ganhou a Chave da Cidade do Rio de Janeiro pelas mãos do queridíssimo e amado prefeito Eduardo Paes, câmara de Deputados FEDERAIS premiando e homenageando em cerimônia pública Silas Malafaia, Vanderlei Luxemburgo e Ronaldinho Gaúcho ganhando a honraria máxima da Academia Brasileira das Letras, a medalha Machado de Assis e por aí vai...

Já viramos matéria de tese de doutorado. A resposta a tanta passividade pode estar na constatação de que o brasileiro é protagonista do fenômeno “ignorância pluralística” que se resume a "se o outro não faz, por que eu vou fazer?". 


Quantos ontem não vimos falando que já viram caminhões andando com caçambas levantadas. Por que não denunciaram? Por que? Maldita seja essa “ignorância pluralística”.Tanto os inúteis que só reclamam nas redes sociais e em comentários de jornais onlines quanto os inúteis que não reclamam são frequentemente associados, segundo pesquisas a nosso respeito, ao grupo que usa e abusa do "jeitinho brasileiro". 

É aquela coisa que principalmente a população brasileira é sagaz em fazer; saber reclamar mas não correr atrás e não enxergar as soluções. O povo brasileiro é especialista e dividir os defeitos e não somar as suas qualidades, por isso que não anda pra frente.

Os caras querem ser mega espertos e babaca, para eles, é quem não molha a mão do guarda, quem não tem gato, quem não anda no acostamento, quem não estaciona em vaga de deficientes, quem não fura fila, quem não se dá bem em cima da distração do outro... enfim, um mundo de gente com o rabo preso e querendo dar uma de certinho reclamando... E muitos desses que deitam e rolam nesse sistema passivo (e ao mesmo tempo mega agressivo) em que é natural, mega natural, passar por cima de um mendigo, vão para os EUA e voltam elogiando aquela merda toda e cospe em quem não tem condições para fazer a mesma coisa e mal-dizendo os brasileiros. 


Não tenho solução para nada, mas procuro fazer a minha parte. Ninguém aqui me vê reclamando por reclamar. Evito isso ao máximo. Pareço sempre de bem com a vida e feliz com todo esse inferno. Quando reclamo procuro fazê-lo para as autoridades (in)competentes. Denuncio. E ah sim, não compro Iphone ou algo que o valha, não leio Veja e revistas afins, não assisto televisão há mais de vinte anos.

O meu total desprezo, para esses, é o que eu pude fazer de melhor.

Complexo, mas simples assim.

Por Elika Takimoto (colunista colaboradora)

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

A queda da passarela é o retrato de uma prefeitura falida

O Contemporâneo vem acompanhando os desmandos que a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo sem que se tenha o básico que qualquer administrador deve proporcionar aos seus habitantes: saúde, educação, segurança e transporte. 
Uma cidade onde prefeitos construíram viadutos, vias de acesso que facilitaram a vida do carioca, recuperaram bairros, criaram centros de estudos, como os Cieps de Brizola, que permitiam a educação em tempo integral dos alunos, entre tantas outras obras importantes para a cidade e hoje o que se vê é a destruição de tudo isso.

A queda da passarela na Linha Amarela nesta terça-feira é o retrato do desmando e da falta de planejamento de uma administração incapaz, sequer, de dar segurança aos que passam pelas vias públicas da cidade.



Uma administração que não fiscaliza as concessões que faz, que não cobra da concessionária da Linha Amarela a fiscalização dos veículos que passam pela via, como o caminhão que causou o acidente com a caçamba levantada - que estaria prestando serviço para a própria prefeitura - e que não podia trafegar por ali naquele horário.
A queda dessa passarela por pouco não se transforma numa tragédia maior. A poucos dias dos alunos retornarem às aulas, essa passagem de pedestre é o caminho de milhares de crianças que vão diariamente para a escola. Se esse acidente fosse no período das aulas certamente muito mais vidas estariam perdidas. 

Como das outras vezes em que a cidade ficou paralisada por problemas de interdição de importantes vias, a primeira medida do prefeito, completamente perdido diante do grave acidente e da paralisação do trânsito, foi pedir aos motoristas que evitassem a Linha Amarela e seu entorno.  
Hoje o que se constrói já surge com problemas, como a Via Binário que em seus primeiros dias aberta ao trânsito ficou alagada porque não tinha drenagem, uma obra inacabada, ou melhor, mal feita e os usuários que se virem com os problemas que tiverem que enfrentar.
Uma cidade com um secretário que aconselha uma desorientação no trânsito e uma prefeitura que impõe aos cidadãos uma verdadeira tortura diária para ir e vir do trabalho para que o Rio de Janeiro fique bonito e seja visto pelo mundo por 20 dias para depois entrar num processo de degradação e enfrentar graves problemas como aconteceu com Atenas, depois das Olimpíadas na Grécia.

O Rio não suporta mais os graves problemas que enfrenta com obras mal feitas, acidentes e riscos aos seus cidadãos. A cidade precisa de uma intervenção urgente e o prefeito deve enfrentar um processo de impeachment. Não há mais como suportar greves de 90 dias nas escolas, hospitais sem médicos e sem capacidade de atender aos cidadãos, adutoras que se rompem e matam pessoas por falta de manutenção, a falta de segurança das casas noturnas e que podem ser palco de tragédias como a que infelizmente ocorreu na boate Kiss, no Rio Grande do Sul. 
Uma administração que mantém um interminável canteiro de obras, muitas com custos exorbitantes para benefício de poucos e que a população não deverá usufruir integralmente. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Fifa nunca mais será a mesma depois da Copa no Brasil

Na sede da Fifa, semana passada, a presidente Dilma Rousseff afirmou que “estádios são obras relativamente simples”. Disse, também, que “haverá todo o empenho para ser a Copa das copas. Isso inclui estádios, aeroportos, portos”.

Essas duas curtas manifestações exibem o tom da ilusão e de como nossa presidente está distante da realidade de eventos esportivos gigantescos e bilionários. Impressiona, também, como seus assessores não a atualizaram sobre o que de fato ocorre nessa trágica preparação brasileira.

Para um país que têm empreiteiras construindo até hidrelétricas, mundo afora, de fato construir estádios é uma barbada. Difícil é fazer isso aqui, principalmente devido à corrupção endêmica e à falta de um órgão gestor central para a Copa do Mundo, eficiente e confiável. Não temos isso. 

Ao afirmar que “haverá todo empenho” para realizar a Copa, Dilma Rousseff revela como o governo tratou com desleixo essa questão. Empenho, agora? Conquistamos a sede dos dois maiores eventos mundiais sem elaborar um único plano de formação de atletas, sem que se tenha o esporte como parceiro da atividade escolar, sem vincular o esporte a projetos sociais efetivos e não de caráter emergencial e apelo político. Nada! O material se sobrepôs ao humano, porque daí que sai o lucro superfaturado de muitos.

Aqui, é tão fácil construir estádios quanto destruí-los. Foi o que o próprio governo de Dilma Rousseff permitiu com o velódromo do Rio de Janeiro. E o que dizer do Engenhão, inaugurado há sete anos, mas já inativo, às vésperas da Copa do Mundo? E o estádio de atletismo Célio de Barros, abandonado?

Impressiona que todos os envolvidos nessas barbaridades destrutivas, recheadas de superfaturamentos e corrupção, continuem em seus cargos, tomando decisões e intimamente vinculados à preparação da Copa e Jogos Olímpicos.

Assim como Câmara e Senado, omissos diante dos confrontos sociais. O Legislativo é cúmplice, sim, dos saques oficiais, como as isenções fiscais concedidas à poderosa Fifa. As excelências agiram assim na esperança de receberem convites para os badalados camarotes VIPs da Copa. O órgão fiscalizador transformou-se em cúmplice da bandalheira.

Movimento de rua

Cresce na rede social o movimento “não vai ter Copa”. E não faltam motivos para essa ameaça indignada da população.

O então presidente Lula usou a Copa como apelo para fazer crescer a popularidade de seu partido. Afinal, futebol é a paixão brasileira. Mas o desleixo como o assunto foi tratado inverteu o interesse dos torcedores. Até porque, ir a um jogo do Mundial é exclusivo para quem pode pagar muito por um ingresso de luxo.

O próprio ministro Aldo Rebelo antecipou isso numa entrevista à revista Veja, no ano passado:

“Os novos estádios não foram feitos para o torcedor comum. Em dias de jogos da Copa esses torcedores não vão passar nem na frente deles”.

A irresponsabilidade de nossos dirigentes chegou a esse ponto. Portanto, aguentem as manifestações. Elas chegaram e vão crescer, enquanto a polícia já realiza operação tartaruga anunciando que está disposta a parar. E o futebol, quem diria, está apressando o caos em tempo que seria de muita festa.

A Fifa nunca mais será a mesma depois da Copa no Brasil.





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RADIO CONTEMPORÂNEO: TOM JOBIM

Hoje a rádio Contemporâneo está frenética com um gigante da música brasileira: Antônio Carlos Jobim.

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim - TOM JOBIM - nasceu no dia 25 de janeiro de 1927 no bairro da Tijuca - Rio de Janeiro, filho de Jorge Jobim e Nilza Jobim (o pai morrera quando o filho tinha apenas 8 anos). O parto, demorado e difícil, foi auxiliado pelo Dr. Graça Mello, o mesmo que tinha assistido, anos antes, o nascimento de NOEL ROSA.

Desde pequeno, era contemplativo. Gostava de passar longos tempos sentado no degrau da cozinha, olhando para o céu ou para o quintal cheio de flores. Quando teve permissão para sair sozinho, andava pelas ruas tranqüilas do bairro, ia olhar o mar ou assistir às matinês no cinema próximo de sua casa.

Foi testemunha e personagem de importantes mudanças no Rio de Janeiro, a partir do próprio bairro onde mora desde os quatro anos de idade, Ipanema. Como ele próprio gosta de lembrar, a Ipanema da sua infância oferecia as ruas para jogar bola de gude, além da lagoa Rodrigo de Freitas para nadar e pescar camarão. Muito diferente, portanto do que ocorre neste fim de século. Às vezes, o padrasto (Celso Frota Pessoa que estivera presente em todos os momentos importantes de sua vida e da de sua irmã), acordava a família meio da noite para irem à praia na Barra da Tijuca. Tom e Helena (irmã de Tom, foi quem colocou o apelido) deitavam-se na areia fria e aprendiam a identificar as grandes constelações.. Começaram as primeiras incursões de Tom com seu avô pelas matas que então circundavam a cidade. Aos poucos, o menino aprendeu a direção dos ventos, das águas, o nome dos bichos. Também aprendeu sobre as plantas e as árvores, identificava os pássaros e imitava o canto de cada um. Observavam as garças, as gaivotas, os biguás, os sócos e os martins-pescadores. Ou então, os dois irmãos iam passear na Lagoa Rodrigo de Freitas. Apesar das inúmeras histórias contadas pela mãe, de crianças que ficavam presas no lodo e nas plantas aquáticas do fundo da lagoa, Tom adorava nadar naquelas águas azuis. Num dia que se tornaria inesquecível, ele nadou pela primeira vez até o outro lado. Foi e voltou, mantendo sempre o mesmo nado ritmado e entusiasmando os amigos que torciam pelo sucesso da façanha.


Segue o vídeo da música e a letra para você acompanhar. 

Divirta-se...





Sabiá

Tom Jobim

Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma Sabiá...
Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira que já não há
Colher a flor que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia...
Vou voltar!
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer...





10 dicas para não deixar o mau humor acabar com os relacionamentos


Chore

Não importa o que aprendeu na infância em relação ao choro, e se você que me lê é um homem, sabe bem do que estou falando. Choro nunca foi sinal de fraqueza, até pelo contrário, é preciso coragem para liberar as lágrimas e lavar a alma como se deve. O choro tem o poder de dissolver os nós há muito tempo presos em nossa garganta, o que causa muito mal. Chore e sinta-se livre! Depois da chuva sempre vem o sol...

Elogie alguém

Comece a prestar atenção nos melhores aspectos da personalidade de quem o cerca (com o mesmo afinco que antes você via somente os pontos negativos). Ninguém é ruim de todo, somos todos perfeitos e imperfeitos e basta um pouco de boa vontade para observarmos o que o outro tem de melhor. Ao detectar esses aspectos, elogie sinceramente. O elogio tem o dom de abrir portas e deixar a vida levinha como deve ser, para o elogiado e para quem elogiou.

Redefina metas

Talvez seu mau humor tenha se estabelecido porque você se cobra um desempenho além do possível. Diferente do que falei na dica 1, algumas metas são parte obrigatória do trabalho e não dá para você jogar fora simplesmente, mas, reavaliá-las e adequá-las à sua capacidade é fundamental. Você não é de ferro, é apenas um ser humano e antes de qualquer coisa, deve vir seu próprio bem estar. Leve o dobro do tempo para cumprir as metas, mas não se violente, nada no mundo vale essa pena.

Organize-se

Muitas vezes, a desorganização nos faz trabalhar mais e isso interfere no nosso humor. Uma boa ordem nas coisas facilitará o dia a dia e o deixará mais leve. Assim como dar o devido valor às coisas realmente importantes, deixando para lá as que não são... Mais uma vez, diminua a bagagem e siga cada dia mais livre!

Dê atenção

Dê mais atenção às pessoas que o cercam, em ordem de prioridade: seus entes queridos em primeiríssimo lugar, seguido dos amigos, conhecidos e desconhecidos, que juntos formam o seu universo. Da mesma forma que prestar atenção a si próprio ajudará a melhorar seu humor, cultivar um amor profundo por todos que o cercam transformará seu mundo para melhor. Sonegue as críticas mas use abundantemente as boas palavras. Ame e será amado, essa é a lei!

Ria mais
O simples ato de rir libera endorfinas e melhora o humor. Tente assistir a alguns filmes estilo comédia, vá ao teatro, leia piadas na internet (em vez de noticiários pesados), pelo menos por uma semana e veja a diferença em seu comportamento. Certamente ficará mais fácil ter mais paciência com os outros e brigar menos.

Faça um favor a alguém 

Será que você não tem andado muito egoísta? Consegue observar quando alguém lhe presta um favor ou uma pequena gentileza? Quando praticamos a boa vontade com o outro, nossa vida se ilumina. Tente fazer uma gentileza a alguém próximo e sinta como seu interior irá se aquecer. Isso nos faz tão bem que duvido que não abalará o mau humor, por mais enraizado que ele esteja.

Respire

Isso parece simples, e é. Ao sentir que está prestes a “perder a linha” e agredir verbalmente a alguém, afaste-se por algum tempo (vá a uma janela, por exemplo). Feche os olhos e respire lentamente pelo nariz tão profundamente quanto puder. Segure a respiração por alguns segundos. Solte lentamente pela boca. Repita cinco vezes, volte e continue a conversa, certamente o ímpeto de esganar o outro já terá passado.

Perdão

Você pode começar por perdoar pessoas e situações. Muitas vezes somos agredidos e não revidamos, interiorizando esses fatos desagradáveis e a reação é a alteração do humor. Ao identificar esses “entulhos”, respire fundo, perdoe e se desligue deles e das pessoas que os causam, mesmo que sejam pessoas há muito tempo em sua vida. Libere o que não faz bem a você e te causa o mal.  Libere mas antes perdoe incondicionalmente, para que nenhuma amarra permaneça.

Reconhecer o terreno
Tente analisar o que está acontecendo. Talvez você esteja com mais atividades do que aguente ou se obrigando a fazer coisas contra a sua vontade. Se isso está acontecendo, exercite o poder do 'não' diminua sua carga e respire melhor, às vezes basta essa nova atitude para debelar o mau humor.