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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Elika Takimoto para oxigenar a ALERJ (Por Thiago Muniz)

“Prova viva, cabal e baixinha de que números e letras não precisam viver em conflito cisjordânico permanente: todos podemos ler, todos podemos escrever, todos podemos calcular.” (Paulo-Roberto Andel)

O Brasil que eu quero é Transparência, Senso de Justiça e Ética como atributos primordiais aos nossos políticos. Ainda dá tempo? Mas é claro que dá, e venho aqui apresentar a minha (e será a SUA!) candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro: ELIKA TAKIMOTO.

Doutora em Filosofia pela UERJ. Mestre em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Graduada em Física pela UFRJ, Professora e Coordenadora de Física do CEFET/RJ. Integrante do grupo de pesquisa Estudos Sociais e Conceituais de Ciência, Sociedade e Tecnologia. Elika é vencedora do Prêmio Saraiva Literatura, categoria: crônicas.

Autora de mais de dez livros, dentre eles:
  • História da física na sala de aula;
  • Minha vida é um blog aberto;
  • Como enlouquecer seu professor de física;
  • Filhosofia;
  • Beleza suburbana;
  • Tenso, logo escrito; 
  • Isaac no mundo das partículas.

Tenho uma grande admiração pela Elika. Conheço há pelo menos 15 anos, acompanhei de perto a sua ascendência profissional como professora, os seus textos enigmáticos sobre milhares de assuntos, a maneira irreverente como cuida de seus filhos e sua vida pessoal. Recebeu um desaconselho do presidente Lula sobre entrar na política, e de quebra, se filiou ao partido e amadureceu a ideia de se candidatar.

E tinhosa e focada como é, se candidatou e ganhou muita força. És a minha candidata.

Gostou? Se identificou? Quer colaborar? Acesse o LINK da campanha de financiamento coletivo. Lá você será contemplado(a) com o vídeo explicativo da Elika sobre a importância do financiamento.

Você não se arrependerá!













BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda e Mundial News FM.


quinta-feira, 15 de março de 2018

Hasta Siempre, Marielle (Por Ernesto Xavier)

"Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades...
" (Cazuza)


A morte de Marielle não é algo fácil de se digerir. Não é apenas mais uma morte.

Em primeiro lugar devemos entender quem ela era.

Morreu uma mãe negra.

Uma mãe negra periférica. Uma mãe negra da favela que virou liderança política em uma cidade sitiada por bandidos fardados, bandidos de colarinho branco e bandidos descamisados. Uns se confundem com os outros. Difícil dizer quem é quem. Quando termina um e começa o outro? No Rio é difícil dizer.

Mas além das questões partidárias, ideológicas e de qualquer outro gênero, devemos lembrar que ali tinha (tem) um ser humano, com família, com amigos, com sonhos, anseios, angústias, questões, erros, acertos. Morreu um ser humano.

Morreu também uma ideologia. Morreu uma ideia de que ainda podemos lutar por algo. Não podemos, amigos. Somos nada. Somos pó de estrelas sendo soprados aleatoriamente no universo.

Dispersos em neuroses. Somos poeira, colegas.

Neste caso, somos corpos negros violados. Desfigurados. Acuados. Coagidos. Indefesos.

Somos carne negra sendo vendida a preço de banana.

Lutar por algo que mexesse na estrutura racista, misógina e desigual desse país sempre fez jorrar sangue. Nossa história é de guerra, não de paz.

Marielle era da Maré.

Marielle lutava pelas milhares de vidas negras e pobres perdidas diariamente.

Marielle era presidente da comissão que fiscalizaria a intervenção na câmara municipal.

Marielle denunciou as mortes de jovens em Acari por policiais no último final de semana.

Marielle incomodava e muito.

Marielle somos nós, companheiros.

Se você não se importa, talvez não tenha entendido que o próximo também pode ser você.

Quem matou Marielle?

Quem poderá afirmar? 

Quem mata os mais de 40 mil corpos de jovens negros todos os anos no Brasil?

O Brasil matou Marielle.

Marielle, PRESENTE.

Descanse em paz. Seja lá onde essa paz possa ser alcançada.


#SentiNaPele


Ernesto Xavier é ator, jornalista e escritor. Autor do livro "Senti na pele".




























terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O Fim da Ala dos Compositores (Por Vinicius Natal)

"As alas acabaram e a discussão é longa. Outra questão relevante é a perda das escolas de samba como espaços de composição dos chamados "sambas de terreiro". Se a produção de sambas-enredo diminuiu muito, a de sambas de terreiro está praticamente extinta. Poucas escolas ainda fazem concursos de sambas de quadra, com quase nenhuma repercussão fora da bolha. Algumas perguntas: as direções das escolas de samba estão dispostas a dialogar para pensar em democratizar as disputas? Interessa a alguém que as disputas sejam democratizadas? Existem maneiras de se impor controle de gastos nos concursos? É justo que sambas com redes de financiamento, lícitas ou ilícitas, formem palcos milionários, em detrimento dos demais concorrentes? Quem ganha dinheiro com as disputas? Como formar novos compositores? Está sendo feito sobre isso nas escolas mirins? Sambas encomendados matam alas de compositores ou só existem porque as alas de compositores morreram? Eu teria mais umas vinte proposições a fazer..." (Luiz Antõnio Simas)

Assistindo o bar apoteose do amigo Alex Cardoso, fiquei pensando.

Lembro muito bem que, quando eu era pequeno, frequentava diversas festas da ala dos compositores da Vila Isabel. Havia datas esperadas como a festa de natal, a entrega dos sambas que era bebemorada e compartilhada, os pagodes depois dos ensaios, as viagens à casa de praia de Irany Olho Verde, os passeios, os jogos de futebol entre casados x solteiros, os concursos de samba de meio de ano, o pagamento de mensalidade, a eleição acirrada da disputa entre as chapas para ver quem seria o presidente da ala - cargo respeitadíssimo - e, por fim, disputas de samba em que o samba, por si, contava - não é folclore, é real!

Hoje, o compasso não é mais esse...

As alas de compositores, enquanto núcleos de sociabilidade, acabaram. Vamos aceitar isso. Samba de enredo virou um quesito assim como casal de mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, carnavalesco e a plástica, etc. Cada vez é mais comum a encomenda de samba em busca de um campeonato e de 40 pontos. Prática que, sejamos francos, tem nos rendido sambas incríveis.

Que se assuma isso como um dado concreto e se crie uma nova forma de resgatar a sociabilidade e divertimento de uma ala dos compositores, enquanto grupo coeso, ou vamos dar murro em ponta de faca. E aí todo mundo sangra, exceto os mesmos compositores mega talentosos - os quais conhecemos bem e,merecidamente, são os mais aplaudidos.

Vamos pensar aqui:

- As disputas de samba se modificaram sensivelmente com a entrada da indústria fonográfica nas escolas de samba. Pensar, então, de que forma o papel das produtoras e distribuidoras impacta nas relações de dentro de compositores da escola é uma tarefa urgente - sambas que rendem mais de 400 mil reais em um ano, quem ganha o lucro, a escola de samba que "sequestra" mais de metade do dinheiro do compositor e, até mesmo, as escolas que nada pagam. Afinal, o compositor não é um artista, assim como o carnavalesco?

- O número de sambas, na maioria das escolas, em uma disputa, é ínfimo. Tem escolas que tem 5 sambas pra disputar e a escola precisa ficar enrolando para não acabar cedo. É justo e correto enrolar uma disputa nesse nível?

- As torcidas, que antes eram pessoas da comunidade que torciam para seu samba sair vencedor, hoje são ônibus alugados de variados locais do Brasil para torcer, sem a mínima ligação com as agremiações. É pertinente isso para a escola de samba que queremos?

- Uma parceria de grupo especial gasta, aproximadamente, 100 mil para ganhar uma disputa. Logo, 100 mil reais é um dinheiro que se pode/deve investir em disputa de samba?

- As quadras ficam vazias em disputa de samba, na maioria das escolas, e há uma lenda que disputa dá lucro para escola. Será mesmo? O custo para abrir uma quadra em disputa é tão grande...

- Muitas escolas encomendam samba mas, para passar um ar de sobriedade, fingem ter uma disputa com o samba escolhido desde o início. Isso é honesto com o sambista?

Longe de ter certezas aqui, mas esse modelo de concurso está falido, assumamos isso... Mais importante que a disputa de samba, é se voltar para os milhares de compositores que amam suas agremiações e, hoje, não escrevem mais. Talentosos artistas da cultura popular que foram se afastando e, como o tempo é cruel, estão nos deixando, ressentidos, sem poesia.

Já joguei o jogo na minha escola e, cruelmente gastamos mais de 70 mil reais, sem patrocínio. 

Encarar os problemas é uma necessidade para a mudança e, creio eu, que os deuses do carnaval nos deram a oportunidade de sermos melhores. Não só por nós, mas por todos os poetas de samba do Brasil.

Que o "Não deixe o samba morrer" deixe de ser só uma canção, mas se torne uma prática cotidiana.

E que comece agora...

Foto: Acervo Alexandre Medeiros

Vinicius Natal é compositor, diretor cultural da Unidos de Vila Isabel, professor de História e mestrando em Antropologia pela UFRJ.










sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O Rio de Janeiro tomado pela violência (Por Thiago Muniz)

"Os verdadeiros traficantes estão no Congresso Nacional atuando para atrasar o avanço de leis e pautas que possam de fato interromper o fluxo financeiro que o tráfico de drogas gera! Os milhões de dólares de receita econômica que recebem sem pagar um centavo qualquer ao Estado. Lavando dinheiro em bancos, em igrejas, em todo tipo de instituição legal. Tendo seus aviões e helicópteros com pasta de cocaína presos diante do cinismo de uma sociedade que se recusa a debater de forma honesta a questão da regulamentação das drogas." (Tico Santa Cruz)

"O "caos" em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, "caos" seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?" (Vladimir Saflate)

O Rio de Janeiro está jogado as moscas. A violência toma conta da cidade; assaltos, latrocínios, arrastões, tiros, guerra de facções. O que mais precisa pra detectarmos que estamos numa guerra civil?

A preocupação da imprensa e governo é com o Leblon ou com o morador da Rocinha? Essa histeria busca a melhoria de vida do morador da favela ou é você que não vai poder ir no Rock in Rio?

Por isso que quando pega um morro próximo a Zona Sul, se alardeia todo esse processo que estamos vendo. Só ganha visibilidade quando chega perto dos mais ricos.

Quando é Zona Sul é o CAOS.
Quando é Subúrbio é uma DOCE ROTINA.

"Operação Inteligente", é avisar os bandidos cada passo da invasão policial com transmissão ao vivo no Globocop.

Essa guerra na Rocinha por exemplo está apenas descortinando quão hipócrita é boa parte de nossa sociedade. Vários mortos, alguns queimados vivos, moradores baleados, moradores tendo seus carros roubados, casas invadidas, tendo seus bens destruídos Mas... ninguém, absolutamente ninguém fala nada.

Onde estão os demagogos para fazerem grandes textos nas redes sociais? Os problemas são muito profundos para serem tratados de forma simplificada e com discursos rasos que são adotados por figuras midiáticas e populistas, com seus jargões que na prática não oferecem nenhuma real condição de estabelecer uma ordem social e econômica para a questão da violência.

Onde estão as manifestações, ônibus queimados, moradores desocupados pedindo justiça?

Onde está aquele advogado de porta de cadeia que só aparece se a vítima for morta por agentes do estado? Onde ele está, para ajudar as famílias dos mortos nessa guerra?

Onde estão os policiólogos, sociólogos, maconhólogos com suas teses cretinas e estapafúrdias, falando daquilo que não sabe e não conhece?

Agora vemos todos atônitos verem mais de 60 vagabundos armados de fuzis patrulhando as ruas da favela, um absurdo! Mas quando colocaram alguém lá que barrou essa putaria, armaram para ele é o tiraram de lá! Agora paguem o preço! E aguardem que vai ficar pior, em breve quando eles vierem para o asfalto! Quem sobreviver, verá!

Tem que acabar com essa entrada imoral e ilegal de fuzis, enquanto esse esquema imundo das forças policiais, forças armadas e política continuar o ciclo vicioso da violência e venda de drogas continuará, não mudará. Nossas fronteiras não estão sendo cuidadas, nosso litoral também não. Entram toneladas de armamento todos os dias com anuência desse mesmo Estado que falido, não consegue dar conta do básico.

A ameaça a soberania do país não vem mais de nações vizinhas e sim do tráfico e do crime organizado que impõem a população leis e decisões que não pertencem a Constituição do Brasil. O problema não é o Estado como Estado, e sim os grupos que tomam o poder desse Estado para usarem em benefício próprio. Lembrando, muitos deles a serviço das empresas privadas.

O tráfico na favela é a senzala armada, os bois de piranha dos verdadeiros nocivos da sociedade. O verdadeiro traficante não está na favela! Ali estão os soldados, os descartáveis, os que morrerão e serão trocados por outros, numa fila interminável.

Vários fatores são responsáveis por esse quadro no Brasil, a violência está completamente ligada com a desigualdade social, que por sua vez é mantida pela falta de investimentos públicos reais em educação, que por sua vez colocam jovens em situação de vulnerabilidade e falta de oportunidades para conseguir empregos, que por sua vez num país arruinado por uma crise política onde aqueles que deveriam estar trabalhando para nós, estão trabalhando para salvarem suas próprias peles!

O Rio de Janeiro está em guerra sim, mas sempre esteve... E infelizmente quem também acaba sofrendo sempre com essa guerra são os mais pobres, a periferia e a favela!













BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contra a privatização da UERJ (Por Thiago Muniz)

"Há muitas formas de destruir um país. Uma delas é acabando com a essência das universidades públicas com essa ladainha de privatização. O Brasil pede socorro." (Elika Takimoto)

Quando o povo vai deixar de ser gado!? Ninguém se revolta nesse país...aceitam tudo!

Ministério da Fazenda recomenda ao governo do Rio de Janeiro que privatize universidades públicas e demita servidores.

Não podemos deixar isso acontecer. Não vamos deixar que a educação, trabalhadores e aposentados sejam penalizados mais ainda por esta crise. Quem causou esta calamidade no Rio foi o governo do PMDB.

Sem dinheiro em caixa, por falta de repasses do governo fluminense, a UERJ resiste como pode. “A universidade está na UTI”, disse o reitor Ruy Garcia Marques.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o porquê do caos na Uerj, hoje veio a resposta oficial: o PMDB recomendou o fim de uma das maiores universidades do Brasil. Ou seja, para "recuperar" o Rio, o partido que destruiu o estado quer acabar de vez com um dos maiores patrimônios sociais e educacionais que temos – acabar para depois dar de bandeja a seus aliados, claro.

E não é só isso. Além de recomendar "o fim da oferta de ensino superior", o Ministério da Fazenda de Temer propôs:

💥 Extinção de empresas públicas, como a CEDAE;
💥 Demissão de servidores ativos;
💥 Contribuição previdenciária para inativos;
💥 Aumento contribuição previdenciária, além dos 14% já aprovados;
💥 Reforma do Regime Jurídico Único dos Servidores.

Onde vemos educação pública, Temer, Pezão e Meirelles veem migalhas pra alimentar bolsos amigos.
A gente não pode aguentar mais 1 ano desses caras governando e destruindo tudo o que nosso Estado conquistou ao longo dos anos. Somos referência na área de ensino, pesquisa em ciência e tecnologia.
Há 10 anos uma quadrilha se encastelou no Palácio Guanabara e hoje o resultado é esse.

A educação está precária e os professores que são pessoas importantíssimas para todo e qualquer cidadão, além do conviver com sala lotadas, sem nenhum tipo de suporte ainda tem que ficar sem salário. Mesmo na crise, UERJ ainda é uma das melhores do país. Porque querem acabar com ela e com o ensino público se este se prova a todo instante um dos melhores?

Confesso que não sei como conseguem continuar na luta política. Não sei! Acho desolador e desanimador demais todo esse cenário político carioca e nacional. Está difícil acreditar que nada deve ser impossível de mudar.

O Rio virou o laboratório do plano a futuro do poder econômico. Querem privatizar tudo e fazer negócios com o patrimônio público. Deixando ainda mais difícil a precária vida dos cariocas.

Vejo e escuto muita gente atribuir aos outros a obrigação de reclamar, lutar, ir para as ruas, disputar o espaço público, o vazio político. Não existe vitória sem a participação popular. É muito cômodo, esperar em casa que as coisas se resolvam por si só, passe de mágica. Parece que á população está sob efeito de hipnose ninguém reage, aceitam tudo na maior naturalidade. E é exatamente o que os ladrões querem: um povo sem ação.

Existe uma conta que nunca vai fechar, além do roubo, que é o pagamento da dívida e dos juros que consomem mais de 40% da riqueza produzida pelo país. Essa é a discussão central. A renda que o trabalhador produz vai para o sistema financeiro, o qual não produz nada e ainda tem as benesses desse sistema. Não há luz no fim do túnel, enquanto existir esses vermes que sugam a riqueza do país.

Quanta barbaridade! Acabam com centenas de vidas, com sonhos, com a juventude para enriquecerem vergonhosamente. O país todo está ameaçado com essa quadrilha que não para.

O dia que as pessoas entenderem que o diálogo de verdade só funciona quando ambos os lados tem o mesmo poder de barganha, o que NÃO é o nosso caso, definitivamente, talvez as coisas melhorem e avançamos para uma linguagem conhecida mundialmente: a truculência, vulgo porrada.

A Educação é lastimável e tem sido assim desde sempre. A hora é de unir forças. Historicamente quem muda as coisas são os estudantes. Mãos à obra. A UERJ é uma instituição de ensino,e não um palanque para esquerda ou direita.

O que está em jogo é sim, a diminuição do ensino público. Mas como diz um velho ditado: "povo burro não sabe votar".

#UerjResiste






















BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


terça-feira, 16 de maio de 2017

Barra de Guaratiba: o litoral paradisíaco (Por Thiago Muniz)

"Guaratiba" é um termo oriundo da língua tupi que significa "ajuntamento de guarás", através da junção dos termos agwa'rá ("guará") e tyba ("ajuntamento").

Barra de Guaratiba é um bairro litorâneo do município do Rio de Janeiro, onde Situa-se em região de reserva ecológica, entre a Restinga de Marambaia, manguezais e Mata Atlântica. Distante cerca de 60 Km do Centro do Rio de Janeiro, a Barra de Guaratiba é a que fica mais distante, aproximadamente 1h30min de carro dos aeroportos Santos Dumont e Galeão. Mas quem vence a distância acaba encontrando outras compensações.

O bairro de Barra de Guaratiba aparenta ser um recanto, uma rua sem saída, um lugar pequeno e aconchegante, ao chegar próximo do centro ruas estreitas e interessantes, casas construídas a um nível acima e a abaixo da estrada e uma vista deslumbrante. Além da linda praia da Barra de Guaratiba com visual incrível para o mar e a a Restinga de Marambaia.

Ao penetrar na Barra de Guaratiba, vê-se em primeiro plano, as pontes que ligam a região á Restinga da Marambaia; mais adiante o morro da Espia, de onde se descortina o horizonte, e, embaixo, a sua pequena praia banhando o pé do morro. 

Do morro da Espia, com o mar agitado, vê-se um imenso lençol de espuma causado pelas constantes ondas que quebram e rolam até guiriri (espécie de planta que cobre toda a extensão da restinga e produz pequenos cocos), época em que os surfistas aproveitam para estar na crista de todas as ondas, ou penetrando nos “tubos” que ali se formam. 

Com o mar morto, a enseada da praia da Barra de Guaratiba serve de porto para as embarcações, principalmente as traineiras que são ancoradas durante as horas de folga dos pescadores. Na praia, o intercâmbio das canoas e barcos que saem e chegam para a pesca ou passeio é um espetáculo de encher os olhos de quem vê. A acolhida e hospitalidade de seu povo completa a sua beleza.

Possui uma área territorial de 944,20 hectares e 4.380 habitantes (IBGE/2000).

Além de vários bares e restaurantes especializados em frutos domar e bebidas geladíssimas, há várias traineiras de pescadores que fazem passeios deliciosos pela orla.

No lado direito de sua pequena orla, começa a belíssima restinga de Marambaia, que possui acesso restrito por ser área militar. A praia possui águas calmas e conta com estrutura de casas, bares e um morro urbanizado. O acesso é feito pela estrada Roberto Burle Marx ou estrada da Barra de Guaratiba, com cerca de 45 km de distância do Centro.

Através de trilha no costão de Guaratiba, partindo da Rua Parlon Siqueira, entre Grumari e Guaratiba, é possível ter acesso a praias totalmente desertas e selvagens, como as praias do Perigoso, do Meio, Funda e do Inferno. Para chegar até a praia do Perigoso são cerca de 50 minutos de caminhada e até a praia do Inferno (a última), cerca de 3 horas. 

Para realizar as trilhas, recomenda-se o uso de protetor solar, roupas leves, muita água e o acompanhamento de um guia. Também é indicado fazer a caminhada em grupo em razão do isolamento do local. Aos mais aventureiros, o prêmio, por último, chega-se à Praia do Inferno, de onde se tem uma trilha alternativa para um regresso mais rápido à Barra de Guaratiba. Estima-se um percurso de até duas horas para o retorno.

Barra de Guaratiba é conhecida nacionalmente como centro gastronômico: possui vários restaurantes rústicos na beira da estrada Roberto Burle Marx onde servem crustáceos, frutos do mar e deliciosas peixadas. 

Os restaurantes das tias (Tia Penha e Tia Palmira por exemplo) começaram a despontar nos anos 80 e eram bem rústicos, praticamente o quintal da casa dos pescadores. Hoje atraem gente de longe. Muita coisa mudou, mas a comida que é importante continua de ótima qualidade. 

O Restaurante do Bira é um dos mais famosos restaurantes da região. A especialidade da casa são frutos do mar e o visual é imbatível de frente para a Restinga da Marambaia e o Canal do Bacalhau. Seu preço não é barato, mas as porções são muito fartas, então o ideal é ir com um grupo um pouco maior (ou levar muita quentinha para casa depois).




UMA BREVE HISTÓRIA DO BAIRRO

Em indígena, significa “abundância de guarás”, aves aquáticas pernaltas. A Freguesia de Guaratiba foi criada em 1755, com terras desmembradas da Freguesia de Irajá, por iniciativa de Dom José de Barros Alarcão.

Em Guaratiba, existiam importantes engenhos, como o Engenho Novo, o Engenho de Fora, o do Morgado, o da Ilha, o da Bica e o da Pedra. Duas de suas maiores capelas eram a de Santo Antônio (Engenho da Bica) e a de São Salvador do Mundo, de 1773, doada pelo Capitão Francisco Pais Ferreira, proprietário do Engenho de Fora.

Numa disputa entre Francisco Macedo Vasconcelos, do Engenho do Morgado, e Ana Sá Freire, do Engenho da Ilha, foi aberto um caminho pelo Engenho Novo que se converteu em Estrada Geral, surgindo nela novos engenhos. No bairro há um largo, uma estrada e um morro com a denominação Ilha. Uma das versões é de que “ilha”, seria uma corruptela de William, nome de um oficial inglês da frota de Dom João VI em 1808, que se instalou no local.

Após o ciclo do açúcar e aguardentes em seus engenhos, surgiu a cultura do café, e a fazenda do Engenho Novo, de Pedro Dauvereau, foi a primeira fazenda carioca a usar maquinaria moderna importada. No Governo Washington Luís, o prefeito Antonio Prado Junior levou a Guaratiba, sua primeira estrada moderna, a da Grota Funda, com sinuosas curvas, que dava acesso à baixada de Jacarepaguá. Na década de 1970, foi construída a estrada Rio-Santos, atual Avenida das Américas, cruzando a extensa baixada. Existiu uma linha de bondes ligando Campo Grande ao largo da Ilha.

Grande parte de Guaratiba é ocupada por manguezais que chegam até a orla da Baía de Sepetiba e formam importante ecossistema, com viveiro de peixes e crustáceos. No Bairro foi implantado o atual Centro Tecnológico do Exército. Em sua baixada, atravessada pelos rios Piraquê e Cabuçu, destacando-se os jardins Maravilha, Garrido, Guaratiba, Cinco Marias e Piaí, todos da década de 1950/1960.

Nota: A denominação, delimitação e codificação do Bairro foi estabelecida pelo Decreto Nº 3158, de 23 de julho de 1981 com alterações do Decreto Nº 5280, de 23 de agosto de 1985.

PRIMEIROS HABITANTES

Nos registros pertencentes a matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba, consta que a região da Barra de Guaratiba começou a ser habitada a partir de março de 1579, quando Manoel Velloso Espinha, morador da Vila dos Santos, que lutou ao lado de Estácio da Sá contra os Tamoios, requereu à Coroa portuguesa a doação de uma sesmaria ( medida de terras com que o rei de Portugal agraciava os seus colonos mais fiéis), situada ao norte da ilha chamada Marambaia da Barra (hoje Restinga de Marambaia), ao longo da costa, com duas léguas de comprimento e outras tantas em direção ao sertão, e mais uma ilha de nome Guratiba-Aitinga ou Aratuquacima (hoje Barra de Guaratiba), com todas as águas, entradas e saídas, visto estarem devolutas povoadas, segundo instruções de sua alteza para povoar o Rio de Janeiro.

O referido cidadão justificou o seu pedido de doação, alegando ter usado um navio de sua propriedade, e a sua custa, com sua gente, mais escravos, com muita despesa, conquistando para a Coroa Portuguesa o rio Tamoio-Franceses e Cabo Frio, além de ter contribuído para a derrota dos Tamoios ao lado de Estácio de Sá.

A doação foi concebida, sob a exigência de que o donatário povoasse as terras dentro de um prazo máximo de três anos, com seus herdeiros, ascendentes e descendentes, sem tributo algum, a não ser dizimo devido a Deus e pago à igreja.

Não resta a menor dúvida de que começou a partir dessa época a ocupação das terra de Guaratiba, pelo homem branco, e a formação de seu povo.

A partir do ano de 1750- cento e setenta e um anos depois, Dom Fradique de Quevedo Rondon na época donatário das terras, doou parte delas á matriz de São Salvador do Mundo da Freguesia de Guaratiba.

DESEMBARQUE DE INVASORES

Louvado em anotações feitas pelo guaratibano Almir de Carvalho, consta que há fortes indícios de que foi em Barra de Guaratiba que os invasores franceses desembarcaram em 1710, quando o corsário Duclerc percebeu que não poderia vencer a barreira de fogo da Fortaleza de Santa Cruz, para penetrar na Baía de Guanabara. Há fortes indícios, também de que a restinga de Marambaia foi utilizada como local de concentração do tráfico negreiro do século XVIII.

A divisão do Patrimônio histórico, diante das evidências, considerou-a semelhante á região da Barra de Guaratiba, depois de ter examinado uma reprodução do local de desembarque,

A pesquisa teve início quando, estudando a cultura cafeeira na província, tomou conhecimento de que o latifundiário José Joaquim de Souza Breves envolveu-se no comercio do café, para tanto adquirindo a ilha de Marambaia, local utilizado como porto de embarque e desembarque, e, bastante adequado ao acolhimento de embarcações negreiras.

DICA DO CRONISTA

Umas das vistas mais lindas do Rio de Janeiro, Barra de Guaratiba é um bairro muito gastronômico com belos passeios. Você pode alugar um stand up e desfrutar o canal ao lado da restinga. Também pode fazer a trilha da Pedra do Telégrafo e ter uma das mais belas paisagens, mas mantenha a paisagem limpa, ultimamente os visitantes estão deixando o local bastante sujo, o que degrada mais rápido o local. É um destino bem interessante para aqueles que querem ficar bem próximos da natureza. É extremamente encantadora, a paisagem é deslumbrante. Um lugar calmo e com pessoas muito receptivas. Lembra uma aldeia de pescadores, um lugar tranquilo, me sinto a vontade em andar pelas ruas e sem preocupações com violência.











Praias do Canto e Grande visto por cima




Trilha a caminho da Praia do Meio




Trilha a caminho da Pedra da Tartaruga




Praia do Canto




Praia Grande




Pedra do Telégrafo




Pedra da Tartaruga




Praia do Perigoso - visão interna




Ponte antiga




Ponte antiga




Pescadores de Barra de Guaratiba com tubarão de 1.200 Kg. (1931)




Pedra da Tartaruga e Praia do Perigoso





















































BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 5 de abril de 2017

Sobre Cenas do Centro do Rio, de Paulo-Roberto Andel (Por Thiago Muniz)

"Cenas do Centro do Rio: crônica, poesia, ficção e realidade num pocket book que atravessa o coração da cidade maravilhosa, desde os anos 1950 até hoje." (Paulo-Roberto Andel)

Se você é um apaixonado pelo Rio de Janeiro, mais especificamente pelo Centro e bairros adjacentes, você não pode deixar de ler "Cenas do Centro do Rio", do meu guru Paulo-Roberto Andel.

O livro contém uma breve mini auto biografia do autor, principalmente a partir de sua migração de Copacabana para o Centro, próxima a praça da Cruz Vermelha; histórias hilárias com seus amigos de longa data; roteiros culturais imperdíveis; dicas gastronômicas, literárias e musicais belíssimas, com justíssimas saudações a anônimos ilustríssimos.

As crônicas estão bem montadas que o leitor consegue enxergar como uma cena de filme, quase um roteiro milimetricamente escrito.

Um Pocket book que você consegue ler em 1 dia, mas faz com que aguce a sua curiosidade em conhecer locais do Centro com uma pluralidade imensa. Após a leitura do livro, recomendo agendar uma caminhada pelo Centro, uma coisa posso te garantir, não se arrependerás.

Não é simplesmente um livro, é um manual com uma riqueza de detalhes sobre como conhecer o Centro da Cidade de raiz.

Como diz o jornalista Luiz Paulo Silva, "O passado e o presente nas cenas do Centro do Rio."

Eu recomendo. Adquire e Boa leitura!



Noite de autógrafos e bom papo na famosa Casa Vieira Souto.
Foto: Silvio Almeida.

































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Devolvam o Maracanã ao povo (Por Thiago Muniz)

Domingo, eu vou ao Maracanã
Vou torcer pro time que sou fã,
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira,
Ele vai ser campeão

Não quero cadeira numerada,
Vou ficar na arquibancada
Prá sentir mais emoção

Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer
Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer

(Ô, ô, ô )
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!

(Neguinho da Beija-Flor)

Fico abismado com o descaso das autoridades públicas com relação ao estádio que por décadas foi considerado o maior do mundo: o Maracanã. Há um jogo de "empurra-empurra" entre empresa delatora Odebrecht e o falido governo do estado do Rio de Janeiro, arruínam o estádio cuja reforma custou R$ 1,2 bilhão.

O que acontece com o Maracanã, uma briga entre Odebrecht, governo do estado (isso ainda existe?) e o Comitê da Rio 2016 é o retrato da incompetência e desonestidade que, nos últimos tempos, tomaram conta dos poderes públicos brasileiros. Uma lástima.

O Maracanã sempre foi visto como o principal palco do futebol brasileiro, a casa da seleção brasileira, que é um dos maiores produtos de exportação do país. A gente enchia a boca para dizer que era o maior estádio do mundo. Mas essas reformas controversas o tornaram um estádio igual aos outros. Até a marquise de concreto, que era tombada pelo Patrimônio Histórico, foi retirada.

O atual problema do Maracanã começou com a decisão de se fazer uma reforma que destruiu completamente o antigo estádio, marco arquitetônico e histórico, e criou um novo dentro dele. A verba que foi gasta era suficiente para se ter construído outra arena e deixado o Maracanã intacto, do jeito que era.

O ex-governador fluminense Sérgio Cabral concedeu a administração do estádio ao consórcio formado pela construtora Odebrecht, pela empresa americana de entretenimento AEG e pela IMX, o braço que Eike Batista montou para explorar os mercados do esporte e do entretenimento. O contrato assinado no início de 2013 tinha de durar 35 anos. Por motivos diferentes, cada parte envolvida abandonou a responsabilidade nos anos seguintes. Cabral está preso por envolvimento num esquema de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato. A mesma operação policial colocou no xilindró Marcelo Odebrecht, presidente da construtora. A fortuna de Eike evaporou depois que o mercado notou que ele prometeu muito mais do que conseguiria cumprir, e a IMX foi vendida. Saiu do consórcio. A AEG continua nele, mas fracassou em todos os estádios nos quais tentou trabalhar no Brasil.

Então quer dizer que o Maracanã passou por reformas milionárias para o Pan de 2007, para a Copa das Confederações de 2013, para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 e, ainda assim, não tem condições de receber jogos?

O Maracanã, referência mundial, constitui o espaço das relações inéditas e, por isso mesmo, é transformado num epifenômeno de outros fenômenos sociais nele observáveis. Nestes deslocamentos, jogador, seleção, juízes, torcida e outros tantos elementos do universo futebolístico, a crônica de futebol "rodrigueana" inscreve-se como mais uma interpretação da cidade.

Da mesma forma e em igual proporção, o estádio assusta pela grandiosidade, pelo êxtase coletivo; atemoriza pela diversidade de tipos que por ele passeiam, pela homogênea impessoalidade da multidão. Percebemos que ali estão depositados modos e comportamentos específicos do futebol, que contrariam o aspecto de passividade que se pode supor: o verbo ―assistir‖, por si só, atribui essa atitude de passividade diante do espetáculo do gramado. No entanto, o verdadeiro show está na plateia, no grito do ambulante, nos enfurecidos das arquibancadas. É nesta mesma multidão que observamos um emaranhado de práticas, companheirismo, afago, disputa, diálogo, conflito, que ultrapassa o modelo de comportamento da massa.

O descaso com o patrimônio é tamanho que nem o busto de cobre de Mário Filho foi poupado. A Polícia Civil registrou o furto de dois bustos (o de Mário e o do general Ângelo Mendes de Morais), de duas televisões e de partes de cobre de mangueiras de incêndio. Faltam segurança, limpeza e manutenção. A grama vem morrendo por passar tempo demais sem receber água num verão forte. O Maraca está sem luz e, com isso, as bombas automáticas de irrigação não funcionam. Apesar da dívida de quase R$ 3 milhões de contas vencidas, a distribuidora de energia Light informa que não cortou o fornecimento para o estádio.

A Odebrecht não quer reassumir o Maracanã, porque isso significa voltar a gastar dinheiro, e adotou a estratégia do “quanto pior, melhor”. Acusa o Comitê Rio-2016 de ter avariado as estruturas durante a Olimpíada e se apoia no termo de cessão, cuja cláusula afirma que o estádio precisa ser devolvido nas exatas condições em que foi entregue.

O futuro do Novo Maracanã, a partir daqui, é uma incógnita. Sabe-se muito sobre seu glorioso passado, que se confunde com a formação não só do futebol brasileiro como uma potência mundial, mas também do Rio como cidade e do Brasil como país. Sua demolição ilegal, escondeu uma teia de arranjos onde meia dúzia optou por enriquecer às custas de dinheiro público. Hoje, vários desses estão presos, foragidos ou na mira da Justiça.

Que o Antigo Maracanã descanse em paz. Que seu equivalente, o Novo Maracanã, belíssimo, consiga chegar perto do gigantismo de seu antecessor. Que sua gestão caia na mão de quem seja, de fato, ligado ao futebol — sem espaço para aventureiros propineiros de ocasião. Que pais e mães consigam construir, a partir da arquibancada, laços eternos de amor entre o futebol e os seus filhos.

Que tenhamos, um dia, uma sociedade evoluída o bastante para jamais permitir que se apague, assim, na base da propina e do arbítrio, o seu próprio passado.

O que é construído com o dinheiro do imposto do cidadão se destina à destruição consentida.

E que, em cada um de nós, o Maracanã viva. Para sempre.











































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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.