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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Contra a privatização da UERJ (Por Thiago Muniz)

"Há muitas formas de destruir um país. Uma delas é acabando com a essência das universidades públicas com essa ladainha de privatização. O Brasil pede socorro." (Elika Takimoto)

Quando o povo vai deixar de ser gado!? Ninguém se revolta nesse país...aceitam tudo!

Ministério da Fazenda recomenda ao governo do Rio de Janeiro que privatize universidades públicas e demita servidores.

Não podemos deixar isso acontecer. Não vamos deixar que a educação, trabalhadores e aposentados sejam penalizados mais ainda por esta crise. Quem causou esta calamidade no Rio foi o governo do PMDB.

Sem dinheiro em caixa, por falta de repasses do governo fluminense, a UERJ resiste como pode. “A universidade está na UTI”, disse o reitor Ruy Garcia Marques.

Para quem ainda tinha dúvidas sobre o porquê do caos na Uerj, hoje veio a resposta oficial: o PMDB recomendou o fim de uma das maiores universidades do Brasil. Ou seja, para "recuperar" o Rio, o partido que destruiu o estado quer acabar de vez com um dos maiores patrimônios sociais e educacionais que temos – acabar para depois dar de bandeja a seus aliados, claro.

E não é só isso. Além de recomendar "o fim da oferta de ensino superior", o Ministério da Fazenda de Temer propôs:

💥 Extinção de empresas públicas, como a CEDAE;
💥 Demissão de servidores ativos;
💥 Contribuição previdenciária para inativos;
💥 Aumento contribuição previdenciária, além dos 14% já aprovados;
💥 Reforma do Regime Jurídico Único dos Servidores.

Onde vemos educação pública, Temer, Pezão e Meirelles veem migalhas pra alimentar bolsos amigos.
A gente não pode aguentar mais 1 ano desses caras governando e destruindo tudo o que nosso Estado conquistou ao longo dos anos. Somos referência na área de ensino, pesquisa em ciência e tecnologia.
Há 10 anos uma quadrilha se encastelou no Palácio Guanabara e hoje o resultado é esse.

A educação está precária e os professores que são pessoas importantíssimas para todo e qualquer cidadão, além do conviver com sala lotadas, sem nenhum tipo de suporte ainda tem que ficar sem salário. Mesmo na crise, UERJ ainda é uma das melhores do país. Porque querem acabar com ela e com o ensino público se este se prova a todo instante um dos melhores?

Confesso que não sei como conseguem continuar na luta política. Não sei! Acho desolador e desanimador demais todo esse cenário político carioca e nacional. Está difícil acreditar que nada deve ser impossível de mudar.

O Rio virou o laboratório do plano a futuro do poder econômico. Querem privatizar tudo e fazer negócios com o patrimônio público. Deixando ainda mais difícil a precária vida dos cariocas.

Vejo e escuto muita gente atribuir aos outros a obrigação de reclamar, lutar, ir para as ruas, disputar o espaço público, o vazio político. Não existe vitória sem a participação popular. É muito cômodo, esperar em casa que as coisas se resolvam por si só, passe de mágica. Parece que á população está sob efeito de hipnose ninguém reage, aceitam tudo na maior naturalidade. E é exatamente o que os ladrões querem: um povo sem ação.

Existe uma conta que nunca vai fechar, além do roubo, que é o pagamento da dívida e dos juros que consomem mais de 40% da riqueza produzida pelo país. Essa é a discussão central. A renda que o trabalhador produz vai para o sistema financeiro, o qual não produz nada e ainda tem as benesses desse sistema. Não há luz no fim do túnel, enquanto existir esses vermes que sugam a riqueza do país.

Quanta barbaridade! Acabam com centenas de vidas, com sonhos, com a juventude para enriquecerem vergonhosamente. O país todo está ameaçado com essa quadrilha que não para.

O dia que as pessoas entenderem que o diálogo de verdade só funciona quando ambos os lados tem o mesmo poder de barganha, o que NÃO é o nosso caso, definitivamente, talvez as coisas melhorem e avançamos para uma linguagem conhecida mundialmente: a truculência, vulgo porrada.

A Educação é lastimável e tem sido assim desde sempre. A hora é de unir forças. Historicamente quem muda as coisas são os estudantes. Mãos à obra. A UERJ é uma instituição de ensino,e não um palanque para esquerda ou direita.

O que está em jogo é sim, a diminuição do ensino público. Mas como diz um velho ditado: "povo burro não sabe votar".

#UerjResiste






















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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro, o revolucionário (Por Thiago Muniz)

"Hoje milhões de crianças dormirão na rua, nenhuma delas é cubana." (Fidel Castro)

"Fidel morreu, paz à sua alma. Mas não morreu um humanista ou um democrata, ou sequer um grande estadista, a menos que queiramos considerar dessa forma qualquer vulgar ditador.”
(Crónica de Henrique Monteiro, no dia em que Fidel Castro morreu, aos 90 anos)

Hasta siempre comandante!

Ele foi o herói da minha geração de latino-americanos: tanto como líder de revolução, quanto como líder da resistência às forças dos Estados Unidos, e sobretudo como líder de um governo comprometido com a justiça social, sem perder o vigor transformador.

Aliados e adversários concordam que ele foi um dos raríssimos latino-americanos que ficarão na história da humanidade.

Ele foi o herói da minha geração de latino-americanos: tanto como líder de revolução, quanto como líder da resistência às forças dos Estados Unidos, e sobretudo como líder de um governo comprometido com a justiça social, sem perder o vigor transformador.

Líder autoritário ou simplesmente um tirano para meia humanidade, lenda revolucionária e flagelo do “imperialismo ianque” para os mais despossuídos e para a esquerda militante, Fidel Castro era o último sobrevivente da Guerra Fria e certamente o ator político do século XX que mais manchetes de jornal acumulou ao longo de seus 47 anos de domínio absoluto em Cuba, um poder caudilhista que começou no dia 1º. de janeiro de 1959, após derrotar pelas armas o regime de Batista.

Um de seus bons amigos, o prêmio Nobel colombiano Gabriel García Márquez, escreveu certa vez sobre ele que “sua devoção pela palavra” era “quase mágica”. “Três horas são para ele uma boa média para uma conversa comum. E, de três horas em três horas, os dias passam para ele como sopros”, afirmou Gabo. A descrição parece exagerada, mas não é, nem de longe. Qualquer político estrangeiro que tenha tratado com ele pode testemunhar isso, para não falarmos dos milhões cubanos, de qualquer idade, que precisaram deveram dedicar milhares ou dezenas de milhares de horas da sua vida a escutar os discursos e arengas do comandante.

Ditador irresponsável para muitos, último revolucionário do século XX para seus admiradores do Terceiro Mundo, fazia tempo que Fidel não participava das decisões de governo, embora, por seu caráter de símbolo, tenha influído até o último momento nos rumos políticos do regime cubano, demarcando os limites que não deveriam ser ultrapassados. Agora ele já não existe. E desta vez é de verdade.
























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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O ato falho da MP do Ensino Médio (Por Thiago Muniz)

A MP do ensino médio é um evidente ato-falho.

Para resolver o atávico problema da medíocre formação de nossos adolescentes, os responsáveis pela MP deixaram claro o que entendem por educação.

Para ele, Artes deve ser colagem e Educação Física deve ser queimada.

Filosofia e sociologia são papo de bar.
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A MP do ensino médio é uma decisão burocrática.

Uma decisão tomada claramente por quem sofre de pragmatismo patológico.

Deixa claro que para eles o conhecimento vem exclusivamente dos livros, das fórmulas, da gramática e não da arte, do movimento, da discussão.
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A MP do ensino médio é uma enorme oportunidade desperdiçada.

Considerando a medíocre performance de nossos alunos, que despencaram nos rankings mundiais de aprendizagem nos últimos anos, essa era a hora de colocar gente séria, comprometida, para determinar o futuro dessa geração.

Optaram pelo caminho simplório de dividir conhecimento em caixinhas muito bem delimitadas.
Enquanto países como a Finlândia disparam para o topo do ranking com uma educação holística, com menos horas na escola, nós criamos uma medida sem pé nem cabeça.

Estranho como processos alternativos (no bom sentido), como antroposofia ou escola montressoriana, estão cada vez mais sendo valorizadas pela sociedade, pelo mercado e pelos próprios educadores, e absolutamente os técnicos do governo fingem que isso tudo não existe.

E nos remetem a processos educacionais cada vez mais obtusos e limitantes. Mas se você olhar que tipo de cidadão estará nas ruas e nas urnas daqui a pouco, é até compreensível.
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A MP do ensino médio é, enfim, uma triste metáfora. Que o currículo do ensino médio precisa ser revisto e aprimorado, isto é um fato inquestionável. Mas fazê-lo por meio de uma medida provisória, sem mais amplas discussões, nem com o Congresso, nem com a própria comunidade escolar, a maior interessada no projeto, esta é uma atitude altamente questionável.

Vivemos tempos provisórios. O Presidente que está aí, é um tapa-buraco. Uma mistura de passado recente com presente remendado.

É o que temos para o momento.

As reformas política, trabalhista, da previdência, do ensino médio, deveriam ter sido feitas há anos.
Mas agora vão saindo. Provisoriamente.

Ninguém sabe direito de onde vieram ou para onde vão.

Em matéria de Ensino, no geral, estamos mais atrasados que meteoro que sai da rota. Isso evidencia a grande falta de verdadeiros didáticos e conscientizados sobre a defasagem do ensino médio. Já lecionei, estive nesse meio e vi as incoerências, já naquela época, entre realidade, profissão e o que estava sendo ensinado.

Essa MP veio para tentar sanar uma evasão escolar galopante que acontece nos primeiros anos do EM, mas o que o governo não entendeu é que essa evasão esta muito mais ligada a um ensino precário no ensino fundamental do que a obrigatoriedade de matérias como artes e educação física.

É preciso sim uma reforma nos ano ensino fundamental para que esse aluno que se sente despreparado para o ensino médio não desista de sua educação.

A regra é clara: quanto menos ensinar mais terão 'boi de manobra'. Aconteceu na década de 70 e está acontecendo de novo. Lá na frente eles vão criar mais cotas porque as escolas particulares dão uma banana para eles e ensinam diferenciado. Quem vai pagar a conta somos nós, de novo.

A era de obscurantismo dos recentes governos vai nos assombrar por muito tempo ainda.

Só tenho uma palavra para política de educação nesse país: subdesenvolvida.


















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Thiago Muniz é colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Dez anos de CEFET (Por Elika Takimoto)

Há exatamente dez anos, assinei meu termo de posse. 

Na ocasião, o diretor fez um discurso do qual jamais esquecerei. Ele disse para os novos professores que não veríamos um colega sequer reclamar da instituição. 

Oras, quando ouvi aquilo, ri. Desacreditei. 

Professor sem reclamar? Como assim? 

Eu tinha duas matrículas no Estado e trabalhava em uma escola particular. A sala dos professores de ambas instituições era um verdadeiro martírio. Eu SÓ ouvia reclamação. Ou falavam mal dos alunos ou dos colegas ou do patrão. No Estado, falavam, óbvio, muito mal do salário também.

Como assim não vou ouvir professor reclamando do trabalho no CEFET?

Pois então, com o tempo vi que ninguém havia me enganado. Por ser dedicação exclusiva, pedi demissão de todos os lugares. Em dez anos, terminei o meu mestrado, fiz meu doutorado (com redução de carga e não de salário), participei de vários congressos (com tudo pago) e ainda vi meus colegas crescendo academicamente e tendo o cérebro bem oxigenado de tanto que somos incentivados a pesquisar.

Hoje, além de professora, sou coordenadora de Física do CEFET. A minha equipe é formada de professores que ou tem doutorado ou estão caminhando para ter o título. As exceções estão desenvolvendo algum tipo de atividade bacana. 

Jamais os professores só dão aula ali dentro. Temos liberdade para dar a aula do jeito que acharmos melhor. Não é á toa que CEFET é uma referência em Ensino. Os professores ousam e os alunos ganham muito com isso.

Na maioria das salas, temos projetores e aparelhos de ar condicionado. Os nossos laboratórios estão todos bem equipados. Nossos alunos são os melhores para se trabalhar. São alunos interessados, concursados e que em sua grande maioria respeitam o professor e sentem orgulho da instituição. É a receita perfeita para a felicidade e o sucesso. 

Ainda que tenhamos muito a melhorar, estamos, sem dúvida, no topo da cadeia alimentar.

Estou, pasmem, muito satisfeita com meu salário.

Enfim, foram dez anos muito felizes. Com o andar da carroagem e com os cortes que já estamos sentindo, temo que os próximos dez anos não serão com toda essa satisfação.

Ainda assim, seguirei trabalhando e aproveitando da liberdade e das instalações até onde o Deus de Janaína permitir.

Obrigada, CEFET, por tanta alegria que me deu nesses anos. Orgulho de pertencer a este lugar.















Elika Takimoto é vencedora do Prêmio Saraiva de Literatura, doutora em Filosofia, mestre em História, professora de Física.



terça-feira, 5 de julho de 2016

Educar para Libertar (Por Thiago Muniz)

Os políticos brasileiros descobriram há muito tempo que povo sem cultura é facilmente manipulável e, portanto, não têm interesse na solução dos problemas na educação. Tudo que se tem feito a respeito é pura demagogia. E agora, às vésperas das eleições, mais uma promessa de campanha.

Precisamos de vontade política e pressão popular, modernizar o ensino e dar salários dignos aos professores. Acabar também com essa história de passe livre de ano letivo é fundamental.

O Brasil deve investir na qualidade da educação, no ensino fundamental e na conscientização do povo. Assim teremos mais qualidade de vida com amor e paz no Brasil.

Felizmente a questão da educação no Brasil vem mostrando uma significativa melhora no que diz respeito ao analfabetismo. Mas, por outro lado, se faz urgente e necessário um investimento por parte do governo no que se refere à formação, capacitação e remuneração dos professores, bem como às melhorias das condições de trabalho dos mesmos. A evasão e a repetência escolar são frutos de um governo omisso que não tem como prioridade a educação de todo o cidadão. Nosso país somente será uma nação quando os nossos governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado a uma educação digna e de qualidade.

Premissas importantes:

1) Criação de Colégios em tempo integral;

2) Um centro nacional de preparação do material escolar, incluindo as aulas

3) Distribuição do material escolar para os colégios, onde os/as professores(as) explicariam as matérias aos alunos por meio de aulas vindas em videocassetes ou DVD.

4) Melhorar a formação dos professores e modernizar as escolas utilizando as tecnologias existentes;

5) O currículo escolar pode ser melhorado. Por exemplo, com a inclusão de uma terceira língua no ensino médio, e.g. espanhol, alemão, francês, russo;

6) Evasão. A evasão escolar acontece por várias razoes: trabalho infantil etc. Os problemas não são homogêneos e exigem soluções diferenciadas para cada região. No Nordeste, a bolsa-escola parece ser uma solução;

7) Repetência. Nunca vamos conseguir evitar a repetência em 100%, mas podemos diminuir o fator percentual. No geral, educação no Brasil precisa de investimentos, dinheiro mesmo, ação do governo, pois idéias para melhorar o ensino existem muitas, mas todas dependem de orçamento e de um projeto de longo prazo, algo como 10 anos.

Tudo que se faz em termos de educação, deve-se entender que surte efeito a médio e longo prazo. Um bom começo, no entanto, passa pela capacitação dos professores atuais em termos de adaptação a novas pedagogias e uma nova visão de mundo.

Para que se tenha um ensino fundamental de qualidade é necessária uma qualificação dos professores que irão lecionar neste ensino. Mas, para que se tenha uma melhor qualificação desses professores, eles já devem chegar com uma boa base ao ensino de terceiro grau. Para isso deve-se melhorar o ensino médio. Mas, para que se melhore o ensino médio, temos que ter melhores licenciados, e os alunos devem ter tido uma boa base no ensino fundamental. Todos os níveis de ensino são elos da corrente. Não podemos tentar melhor um elo da corrente se o outro está fraco. Se deixarmos um destes elos fracos, a corrente se arrebenta.

É necessário, um melhor investimento na modernização das escolas e também uma maior valorização dos profissionais da área, porém existe um grande problema que é a falta de condições que muitas famílias encontram para manter os filhos nas escolas. Famílias que não têm nem o que comer não sabem nem o que significa a palavra escola. Desta forma, é necessário que haja um planejamento familiar e uma melhor distribuição de renda, aí sim haveria melhorias na educação no Brasil, pois com a barriga cheia ficaria mais fácil para os menos privilegiados pensar na palavra escola e entender o seu significado.

Há o reconhecimento de que algo precisa ser feito e urgentemente. Mas como fazê-lo se a própria política fomenta a situação caótica em que vive a educação no Brasil? De que adianta o governo dizer que quase todas as crianças têm acesso ao ensino básico no país se por trás disto tudo o quadro é desesperador? Se de fato a "repetência" fosse levada a sério possivelmente teríamos uma visão mais realista a ser enfrentada. Por que não mostrar claramente que estas mesmas crianças estão chegando à quarta série sem saber ler na maior parte das escolas da rede pública? Seria isto uma evolução? Estamos realmente diante de novos fatos? Mas, ao que parece, procuramos escondê-los diante de cada um de nós e dizer que o país tem avançado nos últimos anos na área da educação. É hora de arregaçarmos as mangas. Valorizar o profissional que abriga, que aninha todo o processo de aprendizado- o professor - e reconhecer quando um sistema básico de vida não está caminhando bem. Montar uma ação que envolva todos os segmentos da sociedade talvez seja um início para se fazer algo pelo futuro da educação em nosso país.

Acho que o problema da Educação está nas pessoas responsáveis pelo planejamento, programas que são implantados sem ter o mínimo conhecimento da prática, do dia-a-dia das escolas. As mudanças devem ser regionais e com participação de pessoas que tenham interesse em mudar esse quadro vergonhoso da nossa educação.

Uma mudança de hábitos de um país inteiro não acontece da noite para o dia: leitura. Há de se criar o hábito de gostar de ler. A educação então começa em casa, com os pais oferecendo bons títulos e desligando a TV na hora das novelas. Os professores podem indicar outros bons títulos para exames e cultura geral. Conscientizar um país inteiro de que a educação começa por mudança de hábitos e dentro de casa é o grande desafio. É importante ressaltar que professores bem treinados podem indicar bons títulos, mas os pais devem incentivar o ato continuamente.

A educação, como estrutura, não pode ser vista em suas frações isoladamente, mas sim como um todo que precisa ter suas partes desenvolvidas adequadamente. A parte física deve oferecer os recursos necessários à aplicação de didáticas interdisciplinarmente ligadas, e estas didáticas devem ser aplicadas por professores devidamente preparados.

Acho que em primeiro lugar é preciso aumentar o número de escolas. É um absurdo o número tão pequeno de escolas nas favelas. Aumentando o número de escolas, aumentará consideravelmente o acesso das crianças a elas. Sobre investimento nos professores, acho que o professor é ferramenta fundamental no estímulo aos estudantes. Não só em salários, mas em capacitação também. Não existe coisa mais desestimulante do que um professor sem brilho. Em terceiro lugar, acho que os cientistas educacionais têm de descobrir uma metodologia que traga a realidade das crianças para dentro da escola, trabalhar com a realidade talvez seja mais estimulante para os alunos. Claro que modernização é importante, a tecnologia faz parte do cotidiano, mas, se os estudantes não estiverem preparados e em um ambiente propício, essa modernização não terá o feito devido.

A melhoria da educação no Brasil começa com a vontade do povo, agindo como cidadão, a fiscalização das irregularidades e a vontade política dos legisladores, tanto a nível federal como estadual e municipal. Os legisladores não podem agir de acordo com suas vontades, em prol de benefícios particulares, mas sim pelas solicitações dos cidadãos, ao mesmo tempo que o cidadão não pode agir sem o apoio do Legislativo.
















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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blogs "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Ocupe Escolas: o movimento dos alunos nas escolas, debaixo dos nossos olhos (Por Thiago Muniz)

Tenho visto muitos vídeos da garotada que ocupa escolas. Mostram meninos e meninas varrendo o chão, limpando paredes e vidros, cuidando dos prédios.

Observo que, talvez pela primeira vez, muitos tomam consciência de que as escolas são deles, e as tratam com carinho e com responsabilidade.

Acho que só isso já tem um valor didático tão grande que nem dá para avaliar.

Num país onde é comum as pessoas acharem que o que é todos não é de ninguém, é bom ver que começa a crescer, entre esses meninos, a ideia de que o que é de todos pertence a cada um.

Cidadania se faz nesses pequenos gestos e nessas pequenas posses, que afinal se revelam enormes.

Acompanho com orgulho e admiração, este que é das poucos movimentos legais acontecendo.

Nunca é tarde p começar a valorizar o que tem valor de verdade.

Num país onde alguns tornam particular a coisa pública, eles são belos exemplos. Remeteu-me à lembrança de uma cidade pune os próprios moradores reformam os jardins e pintam os bancos públicos (se não me falha a memória).

No Japão por exemplo, as escolas não tem faxineiros e quem cuida dela são os alunos e professores. Todos os dias eles tiram um tempo para essa atividade e uma vez por mês eles se dividem em grupos para limparem em volta da escola, já que no Japão não existem garis para essa tarefa. E vou dizer uma coisa, mesmo nas calçadas e guias em volta das escolas) são imensas, pois tem campo para esportes e playground) pegando todo o quarteirão, geralmente não se encontra nem um lixo jogado, a não ser as folhas secas das árvores e plantas.

É exemplo para aqueles universitários, filhos ricos da classe média, que depredaram reitorias em fases de ocupação, como foi na Unicamp algum tempo atrás. Aliás o motivo deles, num dos casos, era reformar o alojamento dos estudantes, em outro caso, acho que em Uberlândia, eles queriam bebidas alcoólicas no campus, deu polícia, foi horrível. Olha a contradição?

Se todos cuidassem da cidade com carinho e dedicação ao coletivo estaríamos em outra situação. É necessário ter esta noção, diria que urgente!

Acho que todo este processo por mais complexo está sendo engrandecedor para conscientização professores, alunos, país ...sociedade né? Estávamos precisando mesmo rever muitas coisas.

É ótimo ver estes estudantes participando e protestando, assim como em SP contra o roubo da merenda. Pena que alguns, talvez por verba governamental, apoiem corruptos.

A verdadeira cidadania se constrói assim, envolvendo o indivíduo no todo para que num futuro o todo possa envolver individualmente a cada um, havendo respeito e reciprocidade de benefícios.

Espero, sinceramente , que esse movimento Ocupa Escola se alastre e chegue não só as Escolas Estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro mas também as Escolas MUNICIPAIS de São Paulo. Lá não têm mais merenda há tempos. Será que a fome dos munícipes Paulistanos é diferente da fome dos Paulistas e dos Fluminenses?

Podiam agora formar conselhos de pais para ajudar na administração dessas escolas e acabar com o descaso e desperdício do dinheiro público. Livros que deveriam ter sido entregues aos alunos e estão empilhados em banheiros, apodrecendo, merendas desviadas e por aí afora. Que os alunos consigam realmente com esse movimento começar a consertar um pouco desse estrago.

Sabe, nem nos meus sonhos mais utópicos eu imaginava essa tomada de posição dos alunos. Sei que isso tudo é também um produto das convulsões dicotomizantes que se veem nas redes sociais, mas temos de aproveitar o que está acontecendo.

Essa galera, agora, toma uma consciência pela qual muitos de nós, professores, afirmávamos constantemente em nossas aulas. A escola pode ganhar novos ares, novas possibilidades. A oportunidade está aí. Espero que dela se crie uma nova chance para um futuro de melhores e mais justas chances de sucesso.

Agora tem que ver se há uso de partidos políticos e se cumprirão as horas aulas perdidas sem prejudicar os professores e funcionários. Gosto deste tipo de ação desde o Occupy Wall Street que infelizmente foi prejudicado por infiltrados. 

Estranho somente estar acontecendo agora na véspera do possível afastamento da presidente Dilma. Espero que isso venha para o Bem e que não existam partidos por trás disso.

Cidadania e educação. Quando escuto dizer, por parte inclusive de outros estudantes e de membros das escolas e da secretaria de educação, que o ano letivo está comprometido, fico estarrecido! Ignora-se o valor didático da ocupação e opta-se por uma visão burocrática da educação. Uma tristeza.

Devia-se estender a ocupação, fazer aulas diferenciadas, discutir com todos o sentido e o valor público das escolas. As escolas e universidades estaduais estão em estado de calamidade. Funcionam de forma precária e sucateada. A gente se acostumou a chamar esses lugares de escolas ou universidades, mas elas estão a muitas léguas de distância de serem efetivamente instituições educativas.










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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Tucano: ave boa pra comer merenda de estudante (Por Thiago Muniz)

Tucano é uma ave com bico bem longo, se alimenta com voracidade. Quando há abundância de alimentos, quer mais ainda, o que ocasiona conflito entre sua própria espécie. Para o partido dos tucanos isso não é diferente.

O escândalo da merenda escolar foi um ponto fora da curva do PSDB de São Paulo. Por tal, não se entenda o esquema em si, mas o esquema escapando do controle das autoridades do Estado. Por aqui há uma aliança férrea entre governo do Estado, Ministério Público Estadual e jornais. A cooperativa de Bebedouro era um propinoduto que alimentava algumas lideranças tucanas, como os deputados Fernando Capez, presidente da Assembléia Legislativa, Duarte Nogueira, Baleia Rossi e o Secretário da Casa Civil Edson Aparecido – um personagem com participação em muitos projetos.

De acordo com interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Civil, as ordens para o pagamento de propinas e superfaturamento de contratos para o fornecimento de merenda escolar partiam do ex-assessor da Casa Civil do governo Alckmin, dadas de dentro do Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com as investigações da Operação Alba Branca, o tucano Luiz Roberto dos Santos – conhecido como “Moita” – então braço direito do secretário-chefe da Casa Civil do governo Alckmin, Edson Aparecido-PSDB operava para a máfia da merenda de sua sala no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ou seja, em uma sala no mesmo prédio em que fica o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Segundo relatório policial, o ‘Moita’ mantinha contatos, de seu próprio gabinete, com suspeitos de fraudar licitações e superfaturar produtos agrícolas destinados à merenda escolar. Um dia antes da deflagração da operação, Luiz Roberto foi demitido do cargo de confiança e voltou para sua função de origem, na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A CPTM é outra companhia do estado de São Paulo envolvida em grandiosos casos de corrupção.

Os grampos mostram Luiz Roberto dos Santos orientando o lobista Marcelo Ferreira Júlio, que é apontado como operador das propinas da organização que fraudava as licitações. Santos foi flagrado no grampo da Polícia Civil várias vezes dizendo a interlocutores que falava do Bandeirantes.

Se o PT enfrenta dias de inferno astral com a tramitação de um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, a perda de aliados e o envolvimento na Operação Lava Jato, em São Paulo, o PSDB também precisa apagar, guardadas as proporções, os seus próprios incêndios à medida que vão avançando investigações sobre esquemas de corrupção envolvendo o partido.

Só nesta semana, dois escândalos ligados à gestão tucana tiveram desdobramentos. A polícia prendeu sete investigados por fraude na merenda escolar do Estado. Em outra frente, a Justiça de São Paulo aceitou denúncia contra sete executivos acusados de cartel e fraude na compra de trens, durante o governo José Serra (PSDB). Soma-se ao cenário a investigação sobre Edson Aparecido. Ex-secretretário-chefe da Casa Civil e braço-direito de Geraldo Alckmin (PSDB), ele deixou o cargo na última sexta-feira para concorrer a vereador. Semanas antes ele passou a ser investigado por enriquecimento ilícito.


Fonte: Com informações do GGN/UOL/Estadão.

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terça-feira, 19 de abril de 2016

Os palhaços do Congresso, um reflexo da sociedade (Por Thiago Muniz)

Por menos estado na economia, por austeridade fiscal, pelo fim do uso de ministérios como moeda de troca, que transformou a Esplanada numa comédia de mau gosto, eu votaria sim.

Mas “pelos militares de 64″? “Pelo ‘Grande Arquiteto do Universo'”? “Pela minha família”?, “Pelo Coronel Ustra”?, “Pela nação evangélica”? “Pela paz em Jerusalém”?, “Pelo povo da minha linda puta-que-o-pariu?”

Vergonha desse obscurantismo.

Mas uma coisa me deixa feliz, porque houve um momento histórico ontem. Não exatamente o impeachment, já que este nem é o primeiro de uma geração que ainda lembra bem do último.

Histórico mesmo foi a população inteira ter passado o domingo ouvindo cada um dos deputados discursar, e então constatarmos todos que ferrou, que a Câmara hoje é uma versão mal roteirizada da Escolinha do Professor Raimundo. Uns 300 Tiriricas com crachá de “autoridade”.

Isso coloca no mesmo barco quem até agora vinha cruzando o mar em naus diferentes.

A minha embarcação é o dos que defendem o seguinte: que a estrada para o bem-estar comum é a do empreendedorismo individual, do livre comércio, do fim das estatais. O outro barco, que eu vejo a bombordo aqui do meu convés, é o que entende o empreendedorismo estatal, em suas diversas formas, como o caminho para a diminuição da desigualdade.

O objetivo mais concreto dos dois barcos é o mesmo: exterminar a miséria, promover uma vida digna para a população inteira. Mas as vias são tão díspares que na maior parte das vezes as tripulações dos dois barcos, o da esquerda e o da direita, passam boa parte do tempo atirando bolas de canhão um contra o outro no oceano dos debates.

Mas hoje é um dia especial. A acefalia explícita do congresso uniu os nossos barcos: tornou-se o inimigo comum. Ficou nítido que o grosso do parlamento não representa porcaria nenhuma além da própria família – daí as citações infinitas a cônjuges, mães, filhos.

Até porque que o “bem da família” é a grande justificativa para que boa parte deles roube. Temos um congresso de Walter Whites – sujeitos que usam a família como desculpa moral para seus ilícitos.

Não é exagero: dos 108 congressistas mais votados, 40 são investigados pela justiça – entre eles, claro, Eduardo Cunha, o vigésimo mais votado.

Um índice de 37%. É como se o Congresso tivesse tantos criminosos de fato quanto o SISTEMA PRISIONAL – caso descontarmos da população de criminosos do sistema prisional quem está ali mais pelo delito de ser preto e pobre do que pela transgressão que realmente cometeu.

Mas talvez eles representem ainda menos a população de eleitores. O próprio site da Câmara informa que apenas 36 dos 513 deputados obteve o mínimo de votos necessários para assegurar um assento.

Os outros 477 foram puxados por votos dados para suas legendas, coligações e para os candidatos desse Top 36, já que o sistema permite que o “excedente” de votos de um candidato seja redistribuído pelo partido dele – Temer só foi eleito deputado em 2006 graças a essa contabilidade eleitoral.

São 477 deputados nessa situação. Ou seja: 93% do Congresso foi eleito assim, de forma indireta. Noventa-e-três-por-cento.

E entre os 7% eleitos “de verdade”, o que temos é a filha do Garotinho, o neto do Covas, Tiririca, Maluf, pastor isso, apóstolo aquilo. Nosso sistema consiste basicamente em celebridades, herdeiros de sobrenomes e líderes religiosos puxando votos para a nanicada.

Na próxima eleição, deve chover Youtuber nesse papel – uma mudança fundamental para que nada mude.

E tudo isso só existe porque é quase impossível votar para deputado. Escolher um sujeito entre os milhares de candidatos é tão complexo quanto concluir uma tese de doutorado. Não surpreende, então, que na hora de votar, não venha ninguém na mente do eleitor que não seja o filho de fulano, o pastor da televisão ou o Tiririca.

Se o voto fosse distrital, cada eleitor teria de escolher a partir de uma lista com 20, 30 nomes.

Concorde você com voto distrital, com voto proporcional, com mais estado, com menos estado, numa coisa nós concordamos: as feridas do país continuam sangrando, a começar pelas do próprio grupo que está assumindo o poder, com o rejeitado Temer à frente mais Cunha, um delinquente serial, na “articulação política”.

A solução mais redonda aí seria convocar eleições presidenciais em outubro. Mas, como Temer não consegue votos nem para se eleger deputado por conta própria, as urnas não lhe interessam.

Cabe a nós, então, exigir um novo pleito e um sistema eleitoral mais eficiente, porque não são esses 300 Tiriricas que vão fazer isso.

As pessoas não deveriam ir as ruas contra ou a favor, dividindo suas forças e agredindo umas as outras, quando teoricamente querem a mesma coisa, o fim da corrupção (utopia nesse país). O que existe no Brasil há anos e que chegou em seu ápice, é a crise política.


Há anos estamos elegendo pessoas que não fazem nada pelo bem do país, mas sim pelo bem pessoal e de seus partidos. Pelo bem dos empresários que depositam certo montante de dinheiro em suas contas todos os meses.

As pessoas deveriam ter se juntado e manifestado para que fosse feita uma reforma política. Que fossem realizadas novas eleições. Ou simplesmente exigissem a cassação e/ou renúncia dos envolvidos e acusados na operação Lava-jato.

Por fim, acredito que é decepcionante ver pessoas como o Cunha promovendo a abertura do processo de impeachment ainda mais do que é ter a Dilma como presidente que foi votada pelos 54 milhões de votos que você descreveu abaixo. Principalmente por que o PT e o PMDB, sua principal base aliada, vão continuar no poder. Mas que fiquemos com esse falso gosto de vitória na boca.











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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Porque o Brasil não vai pra frente? (Por Thiago Muniz)

"Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca."

(Darcy Ribeiro)

Uma nação onde os filhos são descendentes de escravos, eles levam na alma o pendor do senhor de engenho.

Os militares em 64 foram instrumento de uma classe dominante que literalmente defeca o seu preconceito nas classes menos favorecidas, ou seja, não queriam perder o filé mignon.

A postura do brasileiro comum é ser perverso, na maioria das vezes consigo mesmo.

Não há lugar melhor para se vier do que o Brasil, porém há uma classe dominante ruim de espírito e pervertida, ranzinza, medíocre e preguiçosa, que não deixa o Brasil ir para frente.

Essa classe dominante eu falo das grandes Famílias Brasileiras, as oligarquias dos Estados, aqueles que de alguma maneira influenciam os rumos de seus estados e paralelamente nos rumos do Brasil. Famílias que estão na política, na mídia e na economia, se inserem feito ratos comendo o queijo e sempre fogem da ratoeira da justiça, pois possuem o famoso "Foro Privilegiado" e saem impunes de suas sujeiras.

E é lamentável que nenhum governo no Brasil, nenhum está ou foi imune / isento (a) dessa classe dominante.

Quando implantaram os Centros Integrados de Educação Pública, os chamados CIEPs, muitos criticaram o projeto do Darcy Ribeiro pois "custava caro, era demagogo, populista, coisa de socialista e até comunista". Isso foi a mais de trinta anos. Seus sucessores desmontaram o projeto e hoje estamos pagando muito mais caro por não ter sido proporcionado um direito que todo cidadão tem que é o acesso à educação de qualidade. E pelo andar da carruagem, não há perspectivas de se reverter esse processo. Então daqui a trinta anos, continuaremos com a base da pirâmide... ocupando a mesma posição. Isso sem falar no projeto anterior de Anísio Teixeira, que tbém não foi levado adiante por governos digamos... "sem visão".

Lembrando que as classes dominantes não são só os "Governos" mas principalmente uma Elite que hoje se sente ferida, uma aristocracia falida que segue achando que ainda é aristocracia e que quer se sobrepor aos outros brasileiros. O Brasil continua sendo e parece-me que sempre será, uma Sociedade de Status e não de Méritos.

Impeachment é mentira das elites dominantes que foi adotada pela classe média, iludida em pensar ser uma classe dominante, o que não é de fato.

Criou-se no Brasil uma ideia, que é muito falsa, a partir de uma espécie de complexo de inferioridade entre nós, de que o brasileiro é potencialmente corrupto. Como se não houvesse jeitinho nos Estados Unidos, como se você sendo sobrinho de um senador lá sua vida não estivesse resolvida. A última crise dos EUA mostrou que havia maquiagem de balanço de empresas, houve mentiras, fraudes. A corrupção é um dado do capitalismo, do mercado. E não só do Brasil.

Há dois ou três anos, corrupção era aquilo cometido por agentes do Estado. A lei é feita pelos mais ricos, Foucault dizia que, a partir do momento em que o capitalismo se instala, o crime passa a ser algo cometido pelo pobre. É o cara que bate carteira, rouba galinha do vizinho, mas se você acaba com a economia de um país inteiro, como aconteceu com Argentina, Tailândia, Malásia e quase aconteceu com o Brasil, esse cara ganha uma capa na Time como um grande financista. Mas se pensarmos bem, com a nossa cabeça e não da mídia, quem é o grande criminoso, o corrupto? A ideia de que a corrupção acontece no Estado é para nos fazer de tolos. Você diz que ela é feita no Estado e as pessoas prestam atenção só no Estado, especialmente quando está sendo ocupado por partidos de esquerda. Foi só aí que virou problema para nós. Getúlio, em 1954, Jango (João Goulart), em 1964 e Lula e Dilma agora. Isso não é acaso. O único ponto fora de curva foi Fernando Collor de Mello que conseguiu em 24 horas colocar toda a sociedade contra ele ao confiscar a poupança.

A crise econômica foi produzida politicamente. E, obviamente, os empresários estão agindo juntos porque não estão investindo. Esse pessoal conversa entre si e trama entre si, há uma estratégia de classe para tirar a esquerda do poder no país. Ganharam dinheiro, mas agora querem mais, porque agora tem menos recursos. Não vai ficar um programa social de pé, vai tudo para pagar juros, que é onde esse pessoal ganha dinheiro. O produto do trabalho de uma sociedade inteira vai direto para o bolso de meia dúzia de pessoas.

Enquanto não se investir em Educação de Base com Qualidade, o Brasil não irá para frente.




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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Pense no dia seguinte (Por Luiz Eduardo Soares)

Por que sou contra o impeachment?

Amigos, não tenho a intenção de demonizar ninguém que seja a favor do impeachment, tenho muitos amigos favoráveis e a maioria de meu partido prefere o impeachment.

Quero apenas compartilhar as razões pelas quais sou contra, razões que tenho repetido há meses, em textos e debates públicos. Aprovado o impeachment, no dia seguinte, a mídia vai clamar por uma trégua para que o novo presidente possa trabalhar em paz e para que a economia se reequilibre. 

O ministro Gilmar Mendes, novo presidente do TRE, vai empurrar com a barriga o processo contra a chapa Dilma-Temer, para não desestabilizar o novo governo. Dirá: “O Brasil não aguenta outra queda de presidente”. Editorialistas escreverão: “A economia não resistirá a uma nova perturbação da ordem. Deixem as eleições para 2018. Agora, todos devem dar uma trégua ao presidente Temer. Agora, vamos trabalhar para restabelecer a confiança e reerguer a economia”.

O ministro da Justiça será forte, fortíssimo, alguém com autoridade para segurar a polícia federal (e atenção, confio na integridade e independência da PF e do MP, mas sei quão poderosas podem ser as pressões e manipulações na contra-mão da vontade dos profissionais). 

Quem? Talvez um ex-ministro da Defesa e da Justiça, ex-presidente do Supremo. Este ministro forte agirá. A lava-jato, que é, não nos enganemos, a grande moeda política no Congresso, razão para que dezenas de suspeitos e investigados votem contra ou a favor do impeachment, a lava-jato vai sair das manchetes e escorregar para as páginas policiais. 

E boa parte da população, iludida, vai celebrar a derrota da corrupção, como se o PT fosse o único partido corrupto, como se Temer e o PMDB não fossem cúmplices do PT, como se esta gigantesca manobra de Cunha et caterva não tivesse como objetivo justamente neutralizar a lava-jato.

Quem for a favor do impeachment por acreditar que depois de derrubar Dilma o povo pressionará pelo impeachment de Temer, vive no mundo da lua. Quem for a favor, supondo que a lição será dada ao PT e logo depois ao PMDB, com a cassação da chapa no TSE, está inteiramente equivocado. Passando o impeachment, fecham-se as tampas para mais mudanças. 

O Brasil perderá a potência da lava-jato, esse fenômeno único e transformador em nossa história –independentemente de seus erros. Além disso, o país será submetido a um arrocho sem precedentes. Quem pagará o preço, mais uma vez, serão os mais pobres. O país trocará Dilma pelos direitos dos trabalhadores e pela oportunidade única em sua história de passar a limpo essa classe política degradada, em seu conjunto.

O único caminho promissor é o impeachment não ser aprovado, porque, no dia seguinte, todas as expectativas da sociedade se voltarão para o TSE e não haverá a possibilidade do engavetamento. A chapa Dilma-Temer será cassada e haverá novas eleições. As provas são cabais de que houve uso, na campanha, de recursos oriundos de corrupção. Quem cairá será a chapa Dilma-Temer, porque esses recursos não elegeram somente Dilma, elegeram também Michel Temer.

Portanto, se você quer novas eleições, quer a continuidade da lava-jato e quer um enfrentamento vigoroso, sem tréguas e profundo à corrupção, diga não ao impeachment. Se eu fosse deputado e tivesse a chance de votar, diria, apontando para Eduardo Cunha: “Considero o governo federal corrupto e abjeto, indefensável ética e politicamente, mas voto não ao impeachment porque não vou entregar meu país a Vossa Excelência e a seu grupo inqualificável (como deputado, estaria livre para aplicar os adjetivos apropriados), não vou entregar o Brasil a V.Exc, a Michel Temer, a Renan Calheiros. 

Os senhores são cúmplices, são a outra face da mesma moeda. Novas eleições, já. E se esta Casa tivesse vergonha, faria o impensável: renunciaria, coletivamente, para que as novas eleições fossem gerais. Como isso não vai acontecer, a Nação deve voltar os olhos para o TSE e cobrar decisão urgente.

Você, favorável ao impeachment, creia: provavelmente sou tão crítico ao PT quanto você, desde o desgoverno na economia à derrocada ambiental, do atoleiro político à degradação ética. Mas prezo a lava-jato e não sou ingênuo: não creio que os problemas do Brasil se resumam ao PT. Quem acreditar nisso está iludido e dará, involuntariamente, sobrevida à corrupção e às mazelas nacionais, na política.









Luiz Eduardo Soares é um antropólogo, cientista político e escritor brasileiro. Soares é um dos maiores especialistas em segurança pública do país.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O dia em que acreditei no Brasil (Por Thiago Muniz)

Desde que eu era mais jovem, nunca fui um filiado político ou admirador de um político em específico.

Mas a minha juventude "adolescêntica" se iniciou nos anos 1990, uma década onde começou com um impeachment de um presidente e a era do plano Real para a economia brasileira bastante fragilizada pelas incompetências anteriores.

Como a era FHC priorizou a economia e o lado social ficou de lado, eu pensei de verdade que quando o Lula entrasse para a presidência, os rumos mudassem a favor de um Brasil melhor, mais digno e com a corrupção erradicada.

Por um momento melhorou sim, a classe pobre teve voz, ela recebeu crédito para consumo, acesso ao estudo e subsídios para ter uma vida melhor. Só que política assistencialista deve ter vida útil para existir senão ela se transforma em política coronelista, uma prática comum desde que o Brasil existe.

Para melhorar as condições de uma sociedade, se deve fornecer subsídios e instrumentos capazes dela caminhar sozinha, e não acomodá-la com fomentos.

Nas eleições de 2002 votei sim em Luiz Inácio, eu enxerguei maturidade governamental nele, achei que o Brasil melhoraria de fato, de alguma forma o Gigante cresceria de uma maneira sólida e rugiria para o mundo.

E cresceu de fato, a economia bombeou, a infra-estrutura progrediu, só que...

Surgiu o escândalo do Mensalão! Uma nefasta que existiria até hoje se não fosse a delação inanimada do profeta do PTB. A partir de lá a mídia se movimentou aos poucos contra o governo. E o que surgiram de barbaridades nós perdemos as contas. Surgiu a CPI dos Correios e o Petrolão que quase extinguiu com a Petrobrás.

Mas temos que ter dois pesos e duas medidas; por outro lado o movimento de oposição que busca incessantemente a retomada do poder, ou seja, o PSDB; houve escândalos tão bárbaros quanto os do PT, cito a Privataria Tucana em MG, o escândalo do metrô de SP, o fatídico helicóptero com os 400 kg de cocaína achados numa fazenda em MG, fora o aeroporto na cidade de Claudio-MG. Mas daí eu não vi um grande movimento midiático em prol dessas sujeiras.

A decáda de 2000 começou com esperança e terminou com ceticismo. A década de 2010 começou com ceticismo e sinceramente não sei como terminará.

Naturalmente que diante do quadro desse momento e de tudo que possa vir a acontecer durante o dia, ainda é cedo para tomar qualquer posição.

Só me resta lamentar que algo que seja tão importante para o crescimento do país, da justiça e da democracia esteja sendo usado de forma justamente a colocar a democracia em risco.

As ruas serão tomadas por ambos os lados e poderemos ter conflitos graves, pois a nossa sociedade é intolerante e ignorante, não sabe respeitar as adversidades e as opiniões.

Espero que a mídia tenha consciência da forma perigosa como vem dando suas cartadas.

Há muitas dúvidas sobre o que está por vir: como reagirá Dilma?

E os movimentos sociais? Algumas conclusões já são possíveis: o ambiente político ficará ainda mais envenenado e os protestos do domingo que vem (13 de março), e, consequentemente, o processo de impeachment, ganharão enorme fôlego.

E, muito mais do que 2005, o projeto de poder do PT nunca esteve tão perto do fim.

O Brasil não tem mais jeito.

Infelizmente essa é a minha constatação. A corrupção já está enraizada na cultura, é praticamente impossível combatê-la.

É duro ter esse prognóstico, mas o Brasil é a terra da bagunça e da promiscuidade a céu aberto.








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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Impeachment, mas quem de fato e merecimento? (Por Thiago Muniz)

Impeachment é uma palavra de origem inglesa que significa "impedimento" ou "impugnação", utilizada como um modelo de processo instaurado contra altas autoridades governamentais acusadas de infringir os seus deveres funcionais. Dizer que ocorreu impeachment ao Presidente da República, significa que este não poderá continuar exercendo funções.

Abuso de poder, crimes normais e crimes de responsabilidade, assim como qualquer outro atentado ou violação à Constituição são exemplos do que pode dar base a um impeachment.

O impeachment ocorre no Poder Executivo, podendo acontecer no Brasil, por exemplo, ao Presidente da República, Governadores e Prefeitos. Quando acontece o impeachment, significa que o mandato fica impugnado ou cassado.

O procedimento do impeachment está descrito na lei 1079/50.

O impeachment é um processo longo e para que ocorra, devem ser cumpridos vários passos, entre eles a denúncia, a acusação e o julgamento.

O artigo 86 da Constituição refere as medidas tomadas caso o Presidente da República seja de fato impugnado, a primeira das quais a suspensão de suas funções.

O Poder Legislativo gere todo este processo.


Impeachment não é apenas tirar um presidente e colocar outro, como se fosse um time de futebol que muda de técnico e tudo se resolve. Tem milhares de variáveis a serem observadas. Se tirar o presidente e colocar outro no lugar resolvesse o problema, seria simples. Pobre de quem pensa que política se resolve assim, sem a complexidade que exige a visão completa.

Quem está colocando esse pedido em pauta é um Deputado com Contas na Suíça, cheio de casos de corrupção nas costas, tentando se vingar de um apoio que não teve para se livrar do seu processo.

A própria oposição reconhece isso.

O Governo errou sim, cometeu vários equívocos, todavia isso por si só, não justifica derrubar um presidente.

Quem assumirá? 

O PMDB? Que tem Cunha, Renan Calheiros ( DENUNCIADO NA LAVA JATO ) entre outros de um quadro tão triste quanto o de qualquer um desses partidos que estão querendo o Poder?
Eles serão os salvadores da Pátria que luta contra a Corrupção?

Sinceramente, em todos meus anos de vida, nunca tinha visto tanta gente GRANDE ser presa, e agora que estão prendendo todo mundo estão querendo também tirar uma Presidente que foi quem permitiu essa independência nas investigações? Sim, foi uma lei sancionada pela Dilma que deu essa autonomia que não existia em Governos anteriores. 

Me parece muito mais medo de serem investigados e presos. Porque efetivamente NÃO HÁ UM SALVADOR DA PÁTRIA que fará algum milagre para que o Brasil volte a crescer com um Congresso Nacional atuando em benefício próprio.

Se política fosse fácil, toda comunidade, todo condomínio, todo prédio, toda reunião onde existem interesses diversos, no micro, seria moleza de entender, e todos que já participaram de uma assembléia, que seja, sabem muito bem que o buraco é muito mais embaixo.

O País precisa crescer novamente, por isso acho que tem que se votar logo esse impasse e resolver para onde vamos, e uma vez que a decisão seja tomada, pró impeachment, lembre-se de uma outra variável importante, AS RUAS SERÃO OCUPADAS. Os movimentos sociais não vão deixar barato. 

E certamente os movimentos pró-impeachment também vão ocupar. Mas se é do caos que sai a solução, então sem medo do Caos. Vamos seguir e ver quem é quem.

Eduardo Cunha, o achacador da República, sabendo que seus sinais vitais estão perto do fim resolveu aceitar o pedido de Impeachment para ser votado na Câmara. Vai morrer atirando!!!

Agora é que eu quero ver quem é quem nesse jogo.

A abertura de impeachment contra Dilma só reforça que Cunha está derrotado no Conselho de Ética.

Trata-se de um ato de aventura e irresponsabilidade política, um ato de chantagem consumada e de vingança. Neste contexto, independente das razões que possam ou não fundamentar tal pedido, o processo nasce contaminado pela marca do golpe político.

A meu ver que isso seja logo resolvido. Não dá para o Brasil ficar na mão desse homem e um Governo trabalhando para não enfrentar essa questão com medo de cair.

Que se resolva essa etapa para que possamos andar para frente. Dilma não tem nenhum crime de corrupção contra ela, o que a Câmara terá de votar são outras questões, então ao bom entendimento da Democracia, veremos quem é quem e quais os objetivos.

Se cair, teremos um resultado que não se resumira apenas ao Congresso, se ficar, que ande com esse País para frente e voltemos a crescer. Eleições agora só em 2018, teoricamente, mas do jeito que estamos vivendo a política, parece que 2018 é amanhã e não é bem assim, o caminho será longo.

A chantagem se transformou em instrumento institucional de trabalho. Cunha sempre foi conhecido por utilizar os piores métodos nos bastidores da sua atividade politica! Agora o faz no microfone e sendo acompanhado por todos os brasileiros em uma atuação que deixaria Frank Underwood, de House of Cards, ( politico de série americana que não tinha qualquer limite ético para alcançar os seus objetivos ) com receio por tamanha ousadia.

Jogou com o PSDB e a oposição de direita dizendo que trataria do impeachment no momento certo. Esses o protegeram o quanto puderam. Impacientes com uma falta de decisão disseram abandonar o presidente da Câmara mas não esconderam esperar uma mudança na sua indefinição sobre o afastamento presidencial!

Jogou com o governo e o PT! A imprensa relatou conversa dele com o vice Michel Temer em que Cunha disse que esperava a definição dos votos do partido no conselho de ética para se pronunciar sobre o impeachment. Quando os parlamentares anunciam a decisão de votar a favor do prosseguimento que pode levar a sua cassação ele dá inicio ao processo de afastamento de Dilma!

Tenho sido crítico da política econômica do Governo Dilma, mas é forçoso reconhecer que a tentativa de enquadrar as chamadas "pedaladas fiscais" como crime de responsabilidade a justificar o impeachment da Presidente da República não passa de uma tentativa de golpe de estado.

Senão vejamos. As chamadas "pedaladas fiscais" nada mais são do que o sistemático atraso nos repasses de recursos do Tesouro Nacional para que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal paguem benefícios sociais como o bolsa-família, Minha Casa Minha Vida, seguro desemprego, crédito agrícola etc.

Como as instituições financeiras pagam em dia os benefícios, o atraso no repasse dos recursos públicos gera contratualmente o pagamento de juros pelo governo aos bancos públicos.
De fato, a conduta, que visa a dar uma certa aura de equilíbrio às contas públicas em momentos de aperto de caixa, não é boa prática de Finanças Públicas. Mas está bem longe de constituir crime de responsabilidade.

Os defensores da tese da criminalização das pedaladas alegam que a medida se traduz, na verdade, em operação de crédito entre a União e os bancos federais, o que seria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Não prospera, porém, o argumento, porque quando o artigo 36 da Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe a operação de crédito entre o ente federativo e a instituição financeira por ele controlada, tendo esta no polo ativo na relação creditícia, visa a evitar a sangria das instituições financeiras públicas pelos governos, como ocorreu com os bancos estaduais pelos governadores, nos anos 80 e 90. 

Evidentemente, tal dispositivo não veda que os bancos públicos prestem serviços ao Governo Federal e nem os impedem de cobrar juros quando o Tesouro não lhes repassa tempestivamente os recursos para realizar o objeto do contrato de prestação de serviços. Portanto, a prática, embora não constitua, repita-se, boa técnica financeira, não é vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mesmo que assim não fosse, a prática não poderia ser enquadrada em qualquer das hipóteses de crime de responsabilidade do presidente da república por violação da lei orçamentária, cujas condutas sancionadas são expressamente previstas no artigo 10 da Lei n. 1.079/50, uma vez que a manobra, que vem sendo praticada desde o Governo FHC, não viola propriamente a lei de orçamento, que constitui o bem jurídico tutelado em todos os tipos do referido dispositivo legal.

Por outro lado, ainda que assim não fosse, não é qualquer violação à lei orçamentária que justifica o impeachment de um presidente eleito, sob pena de subordinarmos a democracia aos arranjos financeiros necessários a composição do superávit primário, em detrimento das prioridades sociais definidas pela sociedade.

Portanto, a tentativa de enquadrar as "pedaladas fiscais" nas hipóteses de crime de responsabilidade não encontra suporte jurídico.

Porém, como o julgamento tem um indiscutível tom político, já que a Câmara e o Senado, a quem compete julgá-las, são instituições eminentemente políticas, não surpreende a tentativa golpista.

Mas se o julgamento é político, convém perguntar se as atuais composições da Câmara e do Senado, em que mais de um terço dos parlamentares responde a inquéritos ou ações criminais, se encontram em condições morais de afastar uma Presidente da República eleita por 55 milhões de brasileiros, por não ter repassado tempestivamente os recursos para o pagamento dos benefícios sociais que o seu governo criou ou ampliou?

Seria a primeira vez na história da humanidade que um presidente eleito pelo povo seria cassado por seu governo ter obtido empréstimos a bancos públicos, e isso levado a efeito por um parlamento presidido e composto por vários políticos sabida e gravemente envolvidos com corrupção, o que, pelo se sabe, não é o caso da Presidente.

Os golpes no Século XXI não utilizam mais tanque e baionetas, mas manipulação de argumentos jurídicos e julgadores desapegados da vontade popular. Espero que não seja o caso do nosso país.
Agora vamos ver quem tem compromisso com o Estado de Direito!

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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.