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domingo, 2 de setembro de 2018

O último a sair apaga a luz: Museu Nacional (Por Thiago Muniz)

Como deixaram acabar com o Museu Nacional? 200 anos de pura história virando guimba.

O sentimento é de INÉRCIA. Profunda TRISTEZA. Muita REVOLTA com o descaso a nossa história. HORROR com o caos predominante. O DESCASO era notório.

Tristeza profunda com o incêndio do Museu Nacional. Passei minha infância tendo a Quinta da Boa Vista como o espaço mais agradável dos meus passeios. Tudo fica na memória. Lamentável o descaso dos governos. Incalculável a perda. A falta de investimento em cultura e no patrimônio público tem consequências dramáticas.

Um dos dias mais tristes da minha vida. Um acervo inteiro repleto de peças históricas, obras de arte, pesquisas, fontes e documentação viraram cinzas. O zelo pela memória é um ato político. Vocês estão vendo em forma de tragédia anunciada a importância de um voto. O governo ignorou centenas de vezes o apelo dos funcionários do museu por uma restauração, o governo reduziu drasticamente o orçamento destinado a cultura. Não podemos “deixar a história para lá”, aprendam. Não é difícil.

Há muitas décadas esse museu vinha agonizando, mas exceto os historiadores, arqueólogos, biólogos e outros profissionais que sabiam da importância deste espaço, quase ninguém se importou. Alguns até davam gargalhadas e do alto da respectiva estupidez reacionária, proferiram em alto e bom som que se dependesse deles, acabariam com este e todos os outros museus. "Cultura e história não dão camisa a ninguém!" Diziam eles.

Podem comemorar corruptos e reacionários. Os desejos de vocês estão sendo atendidos. Agora, estou aguardando e deduzindo o arsenal de hipocrisia e demagogia que será despejado por muitos candidatos diante do que ocorreu. Se valesse prêmio adivinhar o que vão dizer, garanto que ficaria rico.

Vão fingir lamentações, prometer recursos para a cultura e blá blá blá. O fato é que um dos mais importantes aparelhos de cultura do país se foi. O resto é questão de tempo. O incêndio que destrói o Museu Nacional neste momento, na Quinta da Boa Vista, simboliza os tempos obscuros que vivemos no Brasil e o fim da Ciência promovido pelos canalhas golpistas. Parabéns a quem apoiou a destruição do país.

Isso era uma tragédia anunciada. Não importa agora questionarmos se foi criminoso ou mera fatalidade. O que importa agora é termos a noção que um dos acervos históricos do nosso país se foi, da mesma maneira que estão definhando com a nação.

Aos que não sabem, o Museu Nacional em termos de acervo era o quinto maior museu do mundo...

Não sei o que virá de pior, tempos sombrios.

Sem palavras...

" O Museu Nacional arde em chamas agora. A mais antiga instituição cientifica do país e guarda em seu acervo mais de 20 milhões de itens. Idealizado por D. João VI, o museu que ocupa um prédio histórico, o palácio de São Cristóvão, completou 200 anos em junho deste ano. Logo que foi criado, serviu para atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico do país. Ele guardava muitas preciosidades como o mais antigo fóssil humano já encontrado no país, batizada de "Luzia", que fazia parte da coleção de Antropologia Biológica. Para vocês terem uma noção da importância histórica, o Museu Nacional foi palco para a primeira Assembleia Constituinte da República no final do século dezenove que marcou o fim do império no Brasil. Esse incêndio não pode ser considerado um acidente. Recentemente visitei o Museu e fique assustada de como ele estava abandonado. Isso é fruto de mais um descaso de nossos governos com a cultura e a educação. Muitos não sabem, mas ele está há pelo menos três anos funcionando com orçamento reduzido. Chegaram a anunciar, pasmem, uma "vaquinha virtual" para arrecadar recursos junto ao público para reabrir a sala dos dinossauros. A meta era chegar a R$ 100 mil reais. Não é um prédio pegando fogo que estamos vendo. É a nossa história sendo apagada. Dor. Só dor aqui. " 
(Elika Takimoto)

" Não precisamos de educação, cultura, história, não, não precisamos de absolutamente nada disso. Só precisamos de grandes líderes neoliberais, inflação de dois dígitos, mercado totalmente livre, nenhuma lei de proteção ao trabalho, ao trabalhador, não, não precisamos de nada disso, é tudo besteira, afinal pra quê história, aquela coisa mofada, múmias, roupas e estátuas envelhecidas, pra quê.Não precisamos de professores de história, então pra que alunos, não, nada disso importa, importa sim, reduzir toda a verba ou orçamento da cultura, todos os benefícios, importa sim libertarmos o mercado, afinal ele se ajusta naturalmente, pra quê levar nossos filhos ao museu? Pra ver índio pelado, negro açoitado, coisa de velho. Precisamos sim de queimar todos os livros, todos os projetos educacionais, precisamos de armas, muitas armas, muita munição, muito sangue, afinal é isso que o povo brasileiro está pedindo, é isso que estamos produzindo. Deixa o museu queimar né, deixa os falsos profetas tomarem o poder, deixa a privatização se preocupar com seus lucros. Aos 59 anos digo com tristeza, nós, todos nós merecemos tudo o que temos de ruim aqui nesse país pq batemos Palmas pra maluco dançar e apoiamos projetos de destruição, infelizmente. Não, não há espaço pra revolta, revolta sem termos feito absolutamente nada? Não, não temos esse direito, se fizermos uma pesquisa rápida aqui, quantos de nós fomos a um museu esse ano, quantos de nós lemos um livro, assistimos uma exposição de arte qualquer, fomos a um show de um artista da nova geração e desconhecido, sim, aquele fora da fama da TV, ficaríamos envergonhados com o resultado dos números. Nelson Rodrigues, sempre ele, dizia, "O mineiro só é solidário no câncer", confesso que nunca entendi muito bem, porém quando assisto comoção depois do caldo entornado, da vaca ir pro brejo e do leite derramado, posso entender um pouquinho. Não somos nada solidários, somos individualistas egoísticamente falando, somos duros com os pobres, os famintos nas ruas, mas arriamos às calças pro rico e bem nascido, não somos um povo "legalzinho" e muito menos "bonzinho", somos cruéis, queremos ver corpos e sangue derramados, mas não queremos que sejam os dos nossos filhos, queremos os dos filhos do outro, do desconhecido, jamais seremos uma nação, continuaremos sendo um bando de ajuntados por conta da colonização, e não me venham dizer que a culpa é de Portugal, reconheço toda a capacidade dos patrícios, afinal, não fossem eles não teríamos esse gigante chamado Brasil. Ahhh tá pegando fogo, foi destruído o acervo da história do nosso país e da humanidade ajuntado por Pedro, João? Ainda tem muito mais pra pegar fogo e ser destruído, lá na Dom Hélder Câmara tem um, a última sede de fazenda cafeeira do Rio de Janeiro, pertinho do Norte shopping, ah o shopping nós conhecemos né, sim, lá tem a remanescente da Fazenda Capão do Bispo, procure saber, temos ainda muito mais, aliás o Rio de Janeiro é repleto de museus, bibliotecas, patrimônios da nação que não são visitados e muito menos valorizados, ah que pena que nós não tivemos tempo de conhecer né, ah sim, tem o Louvre, podemos ir até lá e aproveitamos para fazer uma selfie na Torre Eiffel. " 
(Silvio Almeida)

" As chamas que destruíram o Museu Nacional já têm ardido em todo o país. São os trabalhadores tratados como lixo por seus patrões, humilhados e postos para correr. Os pobres humilhados diariamente na entrada e saída de favelas pelo poder público. Os doentes amontoados nos hospitais. As balas assassinas que matam inocentes e policiais, mortos por armas traficadas por outros policiais. O Brasil incendiado pelo ódio primitivo dos verdadeiros homens das cavernas, loucos para que morram 150 milhões de brasileiros, mas sem coragem para admitir publicamente - por isso odeiam as políticas sociais mas não possuem propostas para o caos brasileiro, simplesmente porque não têm hombridade para dizer o que pensam. Ratos passando por cima de crianças, gente dormindo em esgotos, gente morrendo de fome. Armas para todos, nas quatro patas. Cem milhões de mortos-vivos, enquanto os grandes salões corporativos comemoram vitórias às custas de ruínas. Diante deste cenário macabro, quem chora o Museu são os poucos, são os bons, são os que sabem o tamanho da tragédia. Vai ter gente dizendo que o Museu Nacional não faz falta, porque tem Jornal Nacional todo dia. "
(Paulo-Roberto Andel)






























BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda e Mundial News FM.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Devolvam o Maracanã ao povo (Por Thiago Muniz)

Domingo, eu vou ao Maracanã
Vou torcer pro time que sou fã,
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira,
Ele vai ser campeão

Não quero cadeira numerada,
Vou ficar na arquibancada
Prá sentir mais emoção

Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer
Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer

(Ô, ô, ô )
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!

(Neguinho da Beija-Flor)

Fico abismado com o descaso das autoridades públicas com relação ao estádio que por décadas foi considerado o maior do mundo: o Maracanã. Há um jogo de "empurra-empurra" entre empresa delatora Odebrecht e o falido governo do estado do Rio de Janeiro, arruínam o estádio cuja reforma custou R$ 1,2 bilhão.

O que acontece com o Maracanã, uma briga entre Odebrecht, governo do estado (isso ainda existe?) e o Comitê da Rio 2016 é o retrato da incompetência e desonestidade que, nos últimos tempos, tomaram conta dos poderes públicos brasileiros. Uma lástima.

O Maracanã sempre foi visto como o principal palco do futebol brasileiro, a casa da seleção brasileira, que é um dos maiores produtos de exportação do país. A gente enchia a boca para dizer que era o maior estádio do mundo. Mas essas reformas controversas o tornaram um estádio igual aos outros. Até a marquise de concreto, que era tombada pelo Patrimônio Histórico, foi retirada.

O atual problema do Maracanã começou com a decisão de se fazer uma reforma que destruiu completamente o antigo estádio, marco arquitetônico e histórico, e criou um novo dentro dele. A verba que foi gasta era suficiente para se ter construído outra arena e deixado o Maracanã intacto, do jeito que era.

O ex-governador fluminense Sérgio Cabral concedeu a administração do estádio ao consórcio formado pela construtora Odebrecht, pela empresa americana de entretenimento AEG e pela IMX, o braço que Eike Batista montou para explorar os mercados do esporte e do entretenimento. O contrato assinado no início de 2013 tinha de durar 35 anos. Por motivos diferentes, cada parte envolvida abandonou a responsabilidade nos anos seguintes. Cabral está preso por envolvimento num esquema de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato. A mesma operação policial colocou no xilindró Marcelo Odebrecht, presidente da construtora. A fortuna de Eike evaporou depois que o mercado notou que ele prometeu muito mais do que conseguiria cumprir, e a IMX foi vendida. Saiu do consórcio. A AEG continua nele, mas fracassou em todos os estádios nos quais tentou trabalhar no Brasil.

Então quer dizer que o Maracanã passou por reformas milionárias para o Pan de 2007, para a Copa das Confederações de 2013, para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 e, ainda assim, não tem condições de receber jogos?

O Maracanã, referência mundial, constitui o espaço das relações inéditas e, por isso mesmo, é transformado num epifenômeno de outros fenômenos sociais nele observáveis. Nestes deslocamentos, jogador, seleção, juízes, torcida e outros tantos elementos do universo futebolístico, a crônica de futebol "rodrigueana" inscreve-se como mais uma interpretação da cidade.

Da mesma forma e em igual proporção, o estádio assusta pela grandiosidade, pelo êxtase coletivo; atemoriza pela diversidade de tipos que por ele passeiam, pela homogênea impessoalidade da multidão. Percebemos que ali estão depositados modos e comportamentos específicos do futebol, que contrariam o aspecto de passividade que se pode supor: o verbo ―assistir‖, por si só, atribui essa atitude de passividade diante do espetáculo do gramado. No entanto, o verdadeiro show está na plateia, no grito do ambulante, nos enfurecidos das arquibancadas. É nesta mesma multidão que observamos um emaranhado de práticas, companheirismo, afago, disputa, diálogo, conflito, que ultrapassa o modelo de comportamento da massa.

O descaso com o patrimônio é tamanho que nem o busto de cobre de Mário Filho foi poupado. A Polícia Civil registrou o furto de dois bustos (o de Mário e o do general Ângelo Mendes de Morais), de duas televisões e de partes de cobre de mangueiras de incêndio. Faltam segurança, limpeza e manutenção. A grama vem morrendo por passar tempo demais sem receber água num verão forte. O Maraca está sem luz e, com isso, as bombas automáticas de irrigação não funcionam. Apesar da dívida de quase R$ 3 milhões de contas vencidas, a distribuidora de energia Light informa que não cortou o fornecimento para o estádio.

A Odebrecht não quer reassumir o Maracanã, porque isso significa voltar a gastar dinheiro, e adotou a estratégia do “quanto pior, melhor”. Acusa o Comitê Rio-2016 de ter avariado as estruturas durante a Olimpíada e se apoia no termo de cessão, cuja cláusula afirma que o estádio precisa ser devolvido nas exatas condições em que foi entregue.

O futuro do Novo Maracanã, a partir daqui, é uma incógnita. Sabe-se muito sobre seu glorioso passado, que se confunde com a formação não só do futebol brasileiro como uma potência mundial, mas também do Rio como cidade e do Brasil como país. Sua demolição ilegal, escondeu uma teia de arranjos onde meia dúzia optou por enriquecer às custas de dinheiro público. Hoje, vários desses estão presos, foragidos ou na mira da Justiça.

Que o Antigo Maracanã descanse em paz. Que seu equivalente, o Novo Maracanã, belíssimo, consiga chegar perto do gigantismo de seu antecessor. Que sua gestão caia na mão de quem seja, de fato, ligado ao futebol — sem espaço para aventureiros propineiros de ocasião. Que pais e mães consigam construir, a partir da arquibancada, laços eternos de amor entre o futebol e os seus filhos.

Que tenhamos, um dia, uma sociedade evoluída o bastante para jamais permitir que se apague, assim, na base da propina e do arbítrio, o seu próprio passado.

O que é construído com o dinheiro do imposto do cidadão se destina à destruição consentida.

E que, em cada um de nós, o Maracanã viva. Para sempre.











































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




segunda-feira, 25 de julho de 2016

O descaso com a Baía de Guanabara (Por Thiago Muniz)

A Baía de Guanabara não é lixeira nem latrina.

Ecobarreiras e Ecobarcos jamais serão solução. Chega de vexame!

Falta um plano integrado de despoluição e saneamento, uma política de Estado (e não de governo) que mobilize a sociedade.

Os Jogos passam. A Baía fica.

O que virá depende de nós. Em outubro tem eleições.

Os 16 municípios que circundam a Baía terão novos prefeitos e vereadores.

O que eles acham do esgoto (18,4 mil litros por segundo) e do lixo flutuante (90 toneladas por dia) que despejam nesse magnífico ecossistema?

Isso só fará diferença para eles se fizer antes para você!

A cidade maravilhosa vai expor para o mundo inteiro tudo aquilo que o governo tenta esconder com enganações. A Educação abandonada ao longo dos anos fez com que se formasse gerações sem o mínimo respeito à Mãe Natureza.

E agora com esta ideia de Escola sem Partido vão dizer que ensinar sobre a preservação ambiental é fazer campanha do Partido Verde. Não consigo ver nenhuma melhora com políticos corruptos e educação sendo manejadas por este mesmos políticos. É muito difícil quem não teve educação, educar.

Os órgãos ambientais estão corrompidos. Um empresário de Cachoeiras de Macacu deu entrada no licenciamento no INEA de uma empresa de coleta de esgoto. Foi em 2012! Em maio de 2016 pediu a licença de operação . Disseram à ele que levaria no mínimo 6 meses mas entregaram a ele dois cartões de empresas que poderiam acelerar o processo. Pediram R$45.000,00.

Vergonhoso é saber que este povo joga tudo no rio, na baía e depois quando chove e inunda a área onde mora quer receber aluguel social... cuide da sua casa, por fora e por dentro.

Independente de ações elaboradas, patrocínios e milhões gastos, nada disso vai adiantar se o povo não deixar de jogar lixo nas águas, nas encostas, nas ruas e em tantos outros lugares que não são locais para lixo. O papel de bala que você joga no chão se tornará parte de toneladas de lixo se todo mundo fizer o mesmo. Façamos a nossa parte!

O mesmo que reclama do lixo é o que descarta irresponsavelmente. Já estive em várias capitais do país, o Rio só perde para São Paulo em termos de conscientização. O lixo não é responsabilidade do estado e sim de todas as comunidades do Rio e as piores não estão nos barracos em morros e sim condomínios fechados.

Hoje, as águas turvas e poluídas que receberão as provas de vela das Olimpíadas 2016 são o retrato do descaso: do lixo não coletado e do esgoto doméstico e industrial vindo de 16 cidades da Região Metropolitana do Rio, das quais 13 não o tratam devidamente.

Projetos de despoluição existem desde a década de 90, mas são extremamente lentos e incompletos na execução. Só nos últimos 20 anos, mais de R$ 10 bilhões em empréstimos foram gastos em programas de limpeza.

A promessa era de "coletar e tratar 80% de todos os esgotos" lançados na Baía até 2016. Mas o compromisso olímpico frustrou. Atualmente, só 49% do esgoto jogado na Baía recebe tratamento, segundo dados do governo. O restante tem passe livre para poluir.

Para abalar ainda mais a credibilidade da promessa, recentemente, uma análise da qualidade da água encomendada pela agência de notícias AP encontrou níveis perigosamente altos de vírus e bactérias de esgoto humano em locais de competições olímpicas e paralímpicas. A notícia, naturalmente, assustou os atletas olímpicos e especialistas internacionais.

Agora, o governo diz que precisa de mais 15 anos (e de mais recursos) para recuperar toda a área. Na última quinta, o estado fluminense anunciou um novo plano de despoluição da Baía, que contará com a participação de sete universidades e três centros de pesquisas.

Desta vez, a meta é despoluir a Baía de Guanabara até 2030. A conferir.





















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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blogs "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

O Parque Madureira pede socorro (Por Elika Takimoto)

Rio de Janeiro, 15 de junho de 2016.

O Parque Madureira pede socorro

É com profunda dor que anuncio que hoje levaram meu celular. Estou lamentando muito a perda material porque estava na 3ª prestação e bem feliz com o aparelho. Mas choro muito mais pelo local onde tudo aconteceu: O Meu Lugar.

Resolvi caminhar hoje no Parque Madureira pela manhã e como a minha internet móvel havia acabado levei um livro. Estava andando e lendo ao mesmo tempo. Sim. Faço isso. De repente, dois garotos munidos de uma faca gigantesca vieram até mim e pediram meu celular. Após me assaltarem, levaram também o celular de mais um funcionário do próprio parque.

Assim que os assaltantes pularam a cerca que divide o Parque da linha do trem, eu comecei a gritar. O Guarda Municipal perguntou para mim se eles estavam armados e eu disse que havia uma faca. O guarda Souza Lima saiu disparado atrás deles e conseguiu pegar um deles. Menor de idade...

Fomos todos, vítimas, três guardas municipais e infrator na mesma viatura para a Cidade da Polícia onde passei a manhã inteira. Mega tenso andar junto e bem perto com uma alma perdida nesse mundo. O garoto não falava coisa com coisa. Estava drogado. Descalço. Abandonado. Parecia um animal. Um rato, certamente. Não consegui ver um ser da mesma espécie que eu ali. Que horror nos tornamos todos. Que horror...

Conversando com os guardas no caminho fiquei sabendo que o Parque Madureira está tendo assalto todos os dias o dia inteiro. A imagem de segurança que ali é passado pela quantidade de guardas que por lá circulam é ilusória. Eu sempre estive crente que estava segura ali dentro, mas não. Embaixo do monumento da "Cidade Olímpica" vi o brilho da faca de mim se aproximando.

O celular foi jogado longe pela linha do trem assim como foi a faca na hora da fuga. Depois que voltei da delegacia, fiquei mais duas horas andando pela linha do trem procurando meu bichinho. Achei mochila com documentos, bolsas, sapatinho de criança, galinha morta esmagada, tênis velho, muitas garrafas quebradas, óculos de Sol sem lente, velas,... mas nada do meu celular... e achei o facão. Além dos documentos, peguei a faca e levei para a administração do Parque Madureira.

Registrei a ocorrência para o gestor do Parque lamentando que a imagem que a Prefeitura do Rio de Janeiro vende do Parque Madureira não corresponde mais à realidade que encontramos. Pedi um celular novo já que não estou em condições de comprar outro. Duvido que me respondam quanto mais que eu seja ressarcida. Mas tudo que eu pude fazer eu fiz.

Ao sair, passei no local onde ficam os guardas para agradecer o Souza Lima pela coragem e pela competência. Mal chegando, me deparei com dois policias militares. Um cara havia acabado de colocar a arma na cabeça de uma das pessoas que estava se exercitando no Parque e roubou tudo dela.

Enfim, essa postagem é para alertar a todos os frequentadores do Parque Madureira que tomem muito cuidado. Mas mais do que isso: essa postagem é um pedido à Prefeitura do Rio que coloque viaturas ali dentro para que possamos usufruir de um espaço tão lindo e bacana já que os guardas municipais não podem andar armados e nada fazer em casos como esses que estão acontecendo todos os dias. Um policiamento maior é o que precisamos, penso eu.

Já temos tão pouca opção no subúrbio. Triste ver um local de lazer virar algo tão feio como a fome...

Estou bem. Sem celular e com o humor quase reduzido a nada. Coisas boas nisso tudo: andei naqueles carrinhos de golf em alta velocidade ali dentro do Parque (sempre quis andar neles) e o moço da viatura deixou eu ligar a sirene para ver como era. Consegui rir um pouco nesse momento.

Enfim, pouco importa.

Socorro para o Parque Madureira e cuidado para quem o frequenta.

Att














quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O descaso com a Humanidade (Por Thiago Muniz)

Como diria Renato Russo, "O senhor da guerra não gosta de crianças.."

A morte de uma criança fugindo da guerra é uma afronta, um grito da vida contra a morte.

Mais uma catástrofe anunciada num passado recente se materializa. Migrações em massa e tragédia humanitária em massa.

De que guerras fogem? Aos interesses de quem atendem estes conflitos? Quem lucra com tanta desigualdade social? Quais indústrias, organizações políticas e religiosas e grupos financeiros mais faturam com as mazelas humanas? As respostas não estão tão distantes!

Hoje, mais uma vítima da crise de refugiados. Um garoto sírio, Aylan Kurdi, de 3 anos, fugia de Kobane, na Síria, e havia conseguido escapar das atrocidades do grupo 'Estado Islâmico'. Mas ele, sua mãe e irmão morreram na travessia de barco entre a Turquia e a Grécia.
Ele não morreu afogado. Não foi o mar que o matou. Não foi uma fatalidade.

Ele foi assassinado.

Acorda Europa! Acorda mundo! Acorda!

Estamos vendo ao vivo o que apenas líamos em livros de história geral. Sempre aconteceram, pois onde está o homem, está o erro/ pecado. Por isso foi criada a carreira Jurídica.

Posto esta foto, com um comentário. De incredulidade ou, quem sabe, de protesto. Depois de duas horas, só duas pessoas a curtiram. Parece que a maioria preferiu ignorá-la.

Em contraposição, um monte de bobagens que posto tem muito mais curtidas em muito menos tempo.

Por que será?

Por que a foto é muito forte e as pessoas consideraram impróprio postá-la?

Ou por que não deram bola pra ela?

Confesso que fiquei sem entender. Pra mim, essa foto é uma porrada. Que mereceria ser compartilhada à exaustão. Pelo menos por quem tem um mínimo de sensibilidade.

Se antes muitos tentavam não ver a situação das pessoas que fogem das guerras ou da miséria profunda; se tentavam ignorar os mortos nessa corrida por condições mínimas de vida; se clamavam por mais muros e cercas para mantê-los longe de si, hoje já não podem se fazer de indiferentes diante da cena da morte de uma das maiores vítimas deste mundo cão: as crianças, duplamente indefesas diante da sua incapacidade natural em reagir à xenofobia e ao racismo.

A foto da criança, encontrada morta em uma praia turca após o naufrágio da embarcação em que ela e sua família utilizavam para chegar à Grécia ganhou as manchetes de todos os jornais do mundo hoje.

De que guerras fogem? Aos interesses de quem atendem estes conflitos? Quem lucra com tanta desigualdade social? Quais indústrias, organizações políticas e religiosas e grupos financeiros mais faturam com as mazelas humanas? As respostas não estão tão distantes!

Embora muito se fale da questão europeia, não podemos esquecer que vivemos esta realidade aqui, em nosso próprio país. E, da mesma forma, vemos clamores por todos os cantos para que haitianos e bolivianos, que fogem da miséria, sejam expulsos, impedidos de entrar em nosso país. Vemos ataques com armas nas ruas, revoltados das redes sociais praticando o assédio e a humilhação, em vídeo, com grande repercussão e aceitação.

Aqui impera o mesmo discurso, infelizmente. Parlamentares, declaradamente representantes destes revoltados, berram aos microfones da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, da qual sou membro, que não existe xenofobia, que estes refugiados são, na realidade, criminosos e guerrilheiros e que, portanto, são vítimas de uma suposta violência justificada. Atacam qualquer política que garanta a estes imigrantes, ou mesmo à população pobre e discriminada do nosso próprio país, uma vida digna e produtiva.

A imagem deste pequeno garoto morto pode muito bem representar a forma como o nosso país vem tratando aqueles que a ele recorrem. Não podemos nos omitir, e não iremos. Por um mundo mais humano às próximas gerações humanas!

A machadada cruel dos nossos tempos faz dela o retrato com o qual a consciência do mundo há de conviver como expressão dessa afronta. O guarda fez o gesto desesperado; mas antes do guarda foi o mundo que não soube salvá-la; o guarda foi o herói dos olhos tristes, fez tudo o que podia. O mundo não soube salvá-la. Seu único destino, o de seus pais, o de seus passos, era sobreviver; seu horizonte não era sequer viver, ter profissão, amores e despedidas: seu destino, esse que agora jaz sem vida no mundo, era o de desenhar na areia a casa, o barco, e já não há nem casa nem barco nem nada.

Não há nada. O mundo levou-lhe tudo: nem este nem aquele, nem este país nem este outro: o responsável por esta terrível expressão dos nossos tempos é o mundo inteiro, porque a criança é também o mundo inteiro. Suas mãos são os desenhos que deixa, seu corpo de três ou quatro anos é o que resta da árvore que ela teria imaginado que era a vida, e antes da hora soube que o mundo não sabe salvar as crianças, porque também desconhece como se salvar. Aí jaz, nessa praia, o mundo inteiro.




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"Vou Hibernar
Acorde-me quando a humanidade
não for mais a mesma
Quando o homem deixar de lado
toda a sua indecência
E pensar no seu próximo mais do que
em sua própria reverência

Vou hibernar até que não haja mais orgulho
Até que todas as formas de capitalismo disfarçado
se extinguam
E até que viver seja mais importante do que o poder

Avise-me quando o mundo não for mais mundo
Quando a humanidade for mesmo 'humanidade'
E quando tudo o que precisarmos para viver seja mesmo
Viver
Sem mais mediocridade"

(Maria Ines Quintella)





BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.