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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Fim da Linha para a Corrupção (Por Francisco da Zanzibar)

Chega! 

Eu queria meu Brazil de volta e finalmente consegui! 

Acabou esta merda de corrupção neste país livre, democrático e cheio de gente feliz. 

Não faz o menor sentido milhões de pessoas louvarem um paraíba que não sabe nem roubar direito, com uma porra dum apartamento cafona de merda que nem era dele. 

Como pode esse homem querer governar o Brazil? Isso é inaceitável! É um paraíba! Quem tem que mandar é rico que sabe se vestir, que tem presença e que saiba alinhar as minhas ferraduras.

Precisamos de profissionais de verdade para construir a nassão (sic) que merecemos. 

Para isso, precisamos usar o melhor que temos: políticos traficantes com seus helicópteros cheios de cocaína, juízes fascistas e acovardados, empresários corruptores, polícias e demais forças rendidas, capachos estadunidenses, redes de TV e imprensa escrita 100% prostituídas e contra os interesses da população, pastores bandidos e atores pornô de quinta categoria formando openeão (sic). 

Do pó viemos, ao pó voltaremos. Claro, também precisamos de cem milhões de idiotas que riem de tudo feito hienas e acham ótimo, porque é isso mesmo. O sistema não funciona sem uma grande massa de imbecis a serviço dele. 

Não basta ser imbecil: é preciso levar chibatadas do senhor feudal e ficar satisfeito, feliz. E daí que tem gente morrendo nas ruas? 

O que importa é ter smartphone, nudes, gatonet, latão na mão e muito "uhuuuuuu!". Foda-se o outro: não fui eu que fiz este mundo e não tenho culpa de quem ele é. Acabou a corrupção. Agora podemos ver toda noite o jornal da TV feito cachorros espiando frango assado na padaria, enquanto um corno de voz imponente lê as ordens de seus patrões. 

Estamos em abril, precisamos correr com a nossa sonegação do imposto de renda, porque aí sobra algum pra gente gastar no shopping. Daqui a pouco tem Copa do Mundo: se o patrão escravagista não liberar o horário pra ver os jogos, será que alguém descola um atestado médico? 

Ah, quando uma mulher negra for fuzilada a gente aplaude. Afinal, era puta, sapatão, comunista, mulher de traficante e nós sabemos de tudo: nosso QI não tem quatro patas à toa. 

Foi o que nos ensinou o nosso grande líder, um liberal que passou a vida inteira pendurado no saco do Estado, e que quer a morte dos veadinhos mas usa penteado de garoto-moça. Daqui a pouco a gente assiste às aulas on line de Facebook e Twitter. 

Mais tarde tem intensivão do Fantástico Fascismo. A gente olha a internet e as bancas de jornais, tem aquelas manchetes com letras gigantescas e então pensamos "Nossa, que escândalo! Ainda bem que a imprensa é 100% isenta, não tem partido nem interesses e está sempre do lado do povo". 

Finalmente o meu Brazil está de volta. 

Mas o que eu queria mesmo era ser dono daquele apartamento com 50 milhões que não deu em nada. Aquilo deve ter sido um boi de piranha: pegaram parte do dinheiro em um, deixado de propósito lá, e levaram o "resto" para outros. 

Emprego de salário mínimo eu deixo pra essa gentinha aí, que deveria trabalhar de graça pra mim.

Este é um país para homens de terno, brancos, de bem, em nome de Deus e da família, cabelos gomalinados e pastas recheadas de dólares, mandando uma banana na cena da novela enquanto milhões de otários aplaudem e saúdam o Carnaval. 

A corrupção acabou. 

O desemprego, a violência desmedida, a ignorância e a incapacidade de pensar no país como uma sociedade igualitária, não. 

Mas foda-se: agora podemos descansar em paz, deitados em berço esplêndido da maior senzala multicolorida voluntária e ignorante do mundo.


Francisco da Zanzibar atualmente é avesso a redes sociais e qualquer tipo de tecnologia, ainda escreve suas colunas numa máquina de escrever, que segundo ele: "Para não perder a ternura jamais..."










sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O Rio de Janeiro tomado pela violência (Por Thiago Muniz)

"Os verdadeiros traficantes estão no Congresso Nacional atuando para atrasar o avanço de leis e pautas que possam de fato interromper o fluxo financeiro que o tráfico de drogas gera! Os milhões de dólares de receita econômica que recebem sem pagar um centavo qualquer ao Estado. Lavando dinheiro em bancos, em igrejas, em todo tipo de instituição legal. Tendo seus aviões e helicópteros com pasta de cocaína presos diante do cinismo de uma sociedade que se recusa a debater de forma honesta a questão da regulamentação das drogas." (Tico Santa Cruz)

"O "caos" em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, "caos" seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?" (Vladimir Saflate)

O Rio de Janeiro está jogado as moscas. A violência toma conta da cidade; assaltos, latrocínios, arrastões, tiros, guerra de facções. O que mais precisa pra detectarmos que estamos numa guerra civil?

A preocupação da imprensa e governo é com o Leblon ou com o morador da Rocinha? Essa histeria busca a melhoria de vida do morador da favela ou é você que não vai poder ir no Rock in Rio?

Por isso que quando pega um morro próximo a Zona Sul, se alardeia todo esse processo que estamos vendo. Só ganha visibilidade quando chega perto dos mais ricos.

Quando é Zona Sul é o CAOS.
Quando é Subúrbio é uma DOCE ROTINA.

"Operação Inteligente", é avisar os bandidos cada passo da invasão policial com transmissão ao vivo no Globocop.

Essa guerra na Rocinha por exemplo está apenas descortinando quão hipócrita é boa parte de nossa sociedade. Vários mortos, alguns queimados vivos, moradores baleados, moradores tendo seus carros roubados, casas invadidas, tendo seus bens destruídos Mas... ninguém, absolutamente ninguém fala nada.

Onde estão os demagogos para fazerem grandes textos nas redes sociais? Os problemas são muito profundos para serem tratados de forma simplificada e com discursos rasos que são adotados por figuras midiáticas e populistas, com seus jargões que na prática não oferecem nenhuma real condição de estabelecer uma ordem social e econômica para a questão da violência.

Onde estão as manifestações, ônibus queimados, moradores desocupados pedindo justiça?

Onde está aquele advogado de porta de cadeia que só aparece se a vítima for morta por agentes do estado? Onde ele está, para ajudar as famílias dos mortos nessa guerra?

Onde estão os policiólogos, sociólogos, maconhólogos com suas teses cretinas e estapafúrdias, falando daquilo que não sabe e não conhece?

Agora vemos todos atônitos verem mais de 60 vagabundos armados de fuzis patrulhando as ruas da favela, um absurdo! Mas quando colocaram alguém lá que barrou essa putaria, armaram para ele é o tiraram de lá! Agora paguem o preço! E aguardem que vai ficar pior, em breve quando eles vierem para o asfalto! Quem sobreviver, verá!

Tem que acabar com essa entrada imoral e ilegal de fuzis, enquanto esse esquema imundo das forças policiais, forças armadas e política continuar o ciclo vicioso da violência e venda de drogas continuará, não mudará. Nossas fronteiras não estão sendo cuidadas, nosso litoral também não. Entram toneladas de armamento todos os dias com anuência desse mesmo Estado que falido, não consegue dar conta do básico.

A ameaça a soberania do país não vem mais de nações vizinhas e sim do tráfico e do crime organizado que impõem a população leis e decisões que não pertencem a Constituição do Brasil. O problema não é o Estado como Estado, e sim os grupos que tomam o poder desse Estado para usarem em benefício próprio. Lembrando, muitos deles a serviço das empresas privadas.

O tráfico na favela é a senzala armada, os bois de piranha dos verdadeiros nocivos da sociedade. O verdadeiro traficante não está na favela! Ali estão os soldados, os descartáveis, os que morrerão e serão trocados por outros, numa fila interminável.

Vários fatores são responsáveis por esse quadro no Brasil, a violência está completamente ligada com a desigualdade social, que por sua vez é mantida pela falta de investimentos públicos reais em educação, que por sua vez colocam jovens em situação de vulnerabilidade e falta de oportunidades para conseguir empregos, que por sua vez num país arruinado por uma crise política onde aqueles que deveriam estar trabalhando para nós, estão trabalhando para salvarem suas próprias peles!

O Rio de Janeiro está em guerra sim, mas sempre esteve... E infelizmente quem também acaba sofrendo sempre com essa guerra são os mais pobres, a periferia e a favela!













BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 19 de abril de 2016

Domingo histórico? (Por Vitor de Angelo)

Dizem por aí que domingo foi um dia histórico para o Brasil por causa da sessão da Câmara que aprovou o impeachment contra a presidente Dilma. Dizem também que, em certos momentos da vida, é preciso saber de qual lado da história se quer ficar.

Eu acrescentaria que, uma vez escolhido o lado, o mais honroso seria não renegar essa decisão, sobretudo com menos de 24h depois dos fatos passados. Fazer autocrítica é uma coisa; outra, bem diferente, é tergiversar sobre a realidade que se ajudou a construir, sem reconhecer que ela é obra das próprias mãos de quem a rejeita.

Está em curso um movimento sutil, porém, facilmente perceptível, de recuo da parte de muitos daqueles que apoiaram a aprovação do impeachment da presidente no último domingo. De um lado, esse movimento consiste em simular uma ofensiva contra Michel Temer e Eduardo Cunha que – sabemos todos – jamais será concretizada por esses setores. 

Não existe essa história de “um de cada vez”. MBL, Revoltados Online, Vem Pra Rua e congêneres não convocaram nem convocarão nenhum protesto contra esses políticos.

De outro lado, tenta-se transferir àqueles que se posicionaram contrários ao impeachment a responsabilidade de, hoje, termos em Temer o virtual substituto de Dilma, já que foram os eleitores da presidente que escolheram uma chapa da qual ele era vice, em 2010 e 2014. 

De fato, isso não deixa de ser verdade, não obstante se pudesse falar, aqui, da impossibilidade de separar o voto no cabeça de chapa do voto no seu companheiro. Ou os eleitores de José Serra, em 2006, votaram no senador tucano querendo eleger o deputado Índio da Costa, seu candidato a vice?

Da minha perspectiva, tudo leva a crer que muitos apoiadores do impeachment tiveram, no domingo, um encontro consigo mesmo. E não gostaram do que viram; como, de resto, os demais que assistiram à longuíssima sessão da Câmara. A diferença é que, enquanto estes jamais tiveram dúvidas sobre o que veriam na TV, aqueles sempre dissimularam o que parecia óbvio.

Em primeiro lugar, é óbvio que Eduardo Cunha sempre foi usado, tolerado e protegido na medida em que servia ao interesse maior dos apoiadores do impeachment, que é tirar a presidente e seu partido do poder. 

O que causou constrangimento foi ver esse aliado circunstancial ser chamado de ladrão, bandido, conspirador e gângster por seus próprios pares. Nesse sentido, embora muitos já soubessem, ficou maculada a luta contra a corrupção feita em aliança com o “chefe de quadrilha”, nas palavras do ex-ministro Ciro Gomes.

Em segundo lugar, é óbvio que a luta dos apoiadores do impeachment jamais foi contra a corrupção, somente. Mais da metade dos membros da comissão especial da Câmara que analisou o pedido de impeachment já foi condenada ou responde à Justiça. Eduardo Cunha, que presidiu a sessão, tem um processo de cassação no Conselho de Ética da Casa e também é réu no STF por corrupção e lavagem de dinheiro. 

Diversos deputados que votaram “sim” têm pendências na Justiça. O voto que sacramentou a aprovação foi proferido por um parlamentar que aparece na lista da Odebrecht envolvendo contribuições de campanha com dinheiro de propina. 

Uma das deputadas que votou pelo impeachment dizendo lutar “por um Brasil que tem jeito” teve o marido preso na manhã seguinte pela Polícia Federal em operação contra a corrupção.

Em terceiro e último lugar, é óbvio que os apoiadores do impeachment, ao flertarem com o radicalismo político, abriram espaço para uma extrema-direita já desavergonhada no Brasil de hoje. Desavergonhada a ponto de aludir a torturadores em seu voto contra Dilma Rousseff, tal como o fez o deputado Jair Bolsonaro. 

Nos protestos anti-governo ocorridos em 2015 e 2016, os apologistas da ditadura sempre estiveram presentes, saudando as Forças Armadas e pedindo intervenção militar “constitucional” e “democrática”. 

Sem que isso jamais tivesse incomodado a liderança do movimento, entusiastas do período mais tenebroso da história recente do Brasil foram sendo incorporados aos opositores do governo e do PT no simples propósito de fortalecer o movimento, ainda que ao preço de defender a violação dos direitos humanos. 

Bolsonaro não é uma caricatura. Ele é precisamente a parte mais extremada desses setores pró-impeachment.




quarta-feira, 6 de maio de 2015

Quando panela de rico bate, panela de pobre esvazia (Por Thiago Muniz)

Rico não se manifesta no interesse dos de baixo. Essa classe social tão barulhenta não quer ver mais pobres em aeroportos ou universidades, quer ver menos. Tem ojeriza ao povo.

É incrível como, no Brasil, basta rico soltar um peido que o país para.

Na noite da última terça-feira, um bando de moradores de bairros “nobres” de algumas capitais combinou pela internet de fazer um “panelaço” durante o programa partidário do PT, garantido ao partido e aos seus simpatizantes, militantes e eleitores pela Carta Magna. Esse protesto, impossível de quantificar, foi parar no Jornal Nacional.

Segundo o insuspeito Estadão, em São Paulo as panelas soaram em “bairros nobres, como Higienópolis, Jardins, Perdizes, Bela Vista, Tatuapé, Vila Romana, Ipiranga, Morumbi, Pinheiros, Praça da Árvore, Vila Mariana, Pompéia e Itaim Bibi.

Por aí dá para se ter uma ideia de quão poucos cidadãos – que mal sabem onde fica a cozinha de seus imensos apartamentos – fizeram essa manifestação de egoísmo contra um partido cuja obra social marcou tanto este país que o mesmo partido já elegeu QUATRO presidentes da República em sequência.

No Rio, os “panelaços” também se reduziram a bairros “nobres” da Zona Sul, como Copacabana, Leme, Lagoa, Ipanema e Botafogo. Já em bairros populares da Zona Norte, como o Grajaú, algum desavisado que aderiu às manifestações da elite ouviu de volta gritos em favor de Lula – sempre segundo o Estadão.

Lula não se elegeu em 2002, reelegeu-se em 2006, elegeu a sucessora em 2010 e esta reelegeu-se em 2014 à toa. Sim, claro que Dilma Rousseff perdeu popularidade, mas esse fenômeno decorre do medo do terrorismo econômico – que conseguiu prejudicar a economia – e, tão logo a economia entre nos eixos, as coisas irão mudar.

A menos que a sabotagem continue e alcance seu objetivo, claro. Mas sabotar a economia é um jogo que a elite pode jogar por um tempo, mas que não irá jogar mais quando a água começar a lhe bater na bunda.

O mesmo aconteceu em outras capitais, segundo o Estadão. Em Florianópolis e Porto Alegre o jornal também relata que o “panelaço” ficou mesmo lá nos bairros de rico.

Por que rico protesta contra o PT? Não é por medo do terrorismo econômico. Eles sabem que não estão perdendo nada. O problema dessa gente é aturar pobre em aeroporto, shoppings, universidades e até, ousadia das ousadias, em restaurantes e casas noturnas da moda.

Precisa ser cego e surdo para dizer que não sabe quanto as pessoas mais pobres melhoraram de vida desde 2003. As lojas estão cheias de pobres comprando celulares, televisões de última geração; o desemprego, mesmo tendo subido um pouco, ainda é um dos mais baixos da história; a quantidade de universitários praticamente dobrou nos últimos 12 anos…

Mas boa parte dessas pessoas está com medo. A inabilidade do governo ao promover o ajuste fiscal soou mal e conferiu verossimilhança a uma cantilena sobre desastre econômico que vinha sendo martelada havia anos, mas todos os analistas mais importantes – incluindo aí FMI, Banco Mundial e agências de classificação de risco – preveem melhora a partir do ano que vem.

Então por que os ricos batem panela? Por que atacam um ex-presidente que, segundo o Datafolha, não só melhorou a vida da imensa maioria como também é considerado por essa maioria como o melhor presidente da história?

É oportunismo, caro leitor. O PSDB, freguês do PT há quatro eleições presidenciais seguidas, quer obter lucro eleitoral enquanto pode, por isso estimula um grupelho de endinheirados de bairros “nobres” a servir de massa de manobra. Gente preconceituosa, elitista, que acha que se tirar os benefícios do pobre elegendo um governante pró ricos, vai sair ganhando.

Não vai. Este país está à beira de uma convulsão social há muito tempo. Só ainda não ocorreu de o morro descer para o asfalto para cobrar a nossa descomunal dívida social graças a alguém que essa elite cretina execra. Ele mesmo, Lula.

Se não fosse a distensão social promovida pelos governos do PT a partir de 2003, essa gente que bate panela para tirar direitos e oportunidades de pobre talvez nem estivesse aqui para contar a história, pois se – ou quando – o morro descer, vai cobrar a dívida social à bala.

Essa história de rico bater panela quando pobre melhora de vida, vem de longe. Faz algum tempo, a Folha de São Paulo publicou reportagem muito interessante que mostra que essa forma de protestar foi criada no Chile no estertor do governo Salvador Allende, pouco antes de Pinochet dar o golpe.

O resultado daquilo todo mundo conhece.

Rico escolheu um jeito esdrúxulo de se manifestar politicamente. O ato de bater panelas sugere protesto contra a fome, que foi justamente o que os governos do PT combateram. E que tanto desagradou aos paneleiros.

Quando rico bate panela para defender seus interesses políticos, pobre ou remediado deve abrir o olho. Rico não se manifesta no interesse dos de baixo. Essa classe social tão barulhenta não quer ver mais pobres em aeroportos ou universidades, quer ver menos. Tem ojeriza ao povo. Não entre no jogo de uma gente que tanto mal já fez ao Brasil.

Estou a ver televisão, quando é anunciado o programa político do Partido dos Trabalhadores. De repente, alguns vizinhos do prédio onde moro e dos edifícios circunvizinhos começam a bater em panelas, frigideiras, fôrmas, caçarolas e tambores. Sim... Tambores? Afinal, trata-se da tribo dos coxinhas paneleiros, que remonta, por intermédio do som de um batuque mequetrefe e desprovido de ritmo e harmonia, as origens e os sentimentos mais antigos da humanidade — os mais ferozes e inconfessáveis.

Reacionários e rancorosos em crise de identidade, porque portadores de uma depressão psicossocial sem precedentes, os coxinhas paneleiros, moradores dos bairros de classe média, média alta e ricos nunca passaram fome na vida e, ignorantes, não percebem o quão ridículo é bater em panelas, um símbolo de protesto dos povos latino-americanos reprimidos pelas ditaduras ou pelos pobres, que ocupavam as praças, a realizar os "panelaços", porque realmente sentiam fome. Uma fome generalizada até os idos da década de 1990, quando a América do Sul, por exemplo, foi varrida em sua dignidade por causa de presidentes ou mandatários neoliberais que conquistaram o poder e "ferraram" com seus povos e países, a exemplo de FHC — o Neoliberal I.

Agora e neste momento, os coxinhas batuqueiros de panelas estão a demonstrar uma profunda depressão cívica, que contamina seus humores e cérebros, que não conseguem ao menos debater o País e perceber, inclusive, que suas vidas melhoraram de forma real, na prática e no dia a dia. Porém, a vitória de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves causou um pânico e inconformismo a essa gente fútil e deslumbrada, que sonha em ter ascensão social para frequentar a classe A. Este é o sonho "dourado" de nove entre dez coxinhas ritmistas de panelas de marca e que reluzem como as luzes da ribalta de suas lindas salas refrigeradas e repletas de quadros, abajures e candelabros.

Trata-se da depressão da "coxada", que se sente profundamente traída pelos governos petistas por ver empregados braçais, gente de origem humilde e trabalhadores em geral a ocupar os espaços públicos e alguns privados até então destinados "somente" para a pequena burguesia de temperamento feroz e intolerante, ao ponto de mandar a educação às favas, além de xingar e vociferar contra tudo e todos, com palavrões e palavras ríspidas as pessoas que não compartilham com suas concepções políticas e ideológicas notadamente ridículas, pueris, sectárias, provincianas, racistas, que formam o conjunto de seus preconceitos e violências.

Lamentável é a ignorância social e histórica dessa gente de alma pequena, mas mesquinhez e insensatez gigantescas, bem como se apresenta em forma de desfaçatez e infâmia o analfabetismo político desse grupo social aliado dos interesses dos ricos e dos muito ricos. Coxinhas paneleiros encolerizados, donos de bons empregos, que viajam e compram o que desejam, passam a bramar e a esbravejar com a barriga cheia de comida e bebida, mas os cérebros vazios de ideias, de conhecimento, de generosidade e sensatez. Trata-se do dantesco em toda a plenitude de sua estupidez.

Enquanto isto, a imprensa burguesa, leviana e venal, fonte de informação preferida dos coxinhas paneleiros que conhecem Miami e desconhecem as realidades do Brasil e de seu povo, fica a cantar loas e boas a um panelaço promovido por burgueses e pequeno burgueses, nos melhores bairros das capitais do País, como se fosse um protesto do povo brasileiro, que votou em Dilma e não em Aécio Neves, candidato da direita, das oligarquias e dos coxinhas paneleiros de classe média, que jamais vão ser ricos e, consequentemente, não frequentarão os saraus, a comezaina, os regabofes e a papança dos ricos e dos muito ricos. É melhor os pais coxinhas avisarem seus filhos coxinhas sobre esta dura, porém, verdadeira realidade. Coitados...

A verdade é a seguinte: os coxinhas paneleiros de péssimo ritmo e harmonia estão cagando e andando para a corrupção e para "tudo o que está aí". Se estivessem, eles iriam bater tanto nas panelas, que não sobrariam mais tão importantes objetos no mercado consumidor. Afinal, e imaginem, se tais coxinhas revoltados resolvessem ter, enfim, uma pauta séria de reivindicações e exigissem à base da porrada em panelas a investigação, a denúncia, a acusação, o julgamento e a prisão de todos os corruptos, inclusive da oposição, leia-se PSDB, DEM, PPS(PSB), PRO, SD etc., além de empresários de outros setores da economia, que não sejam apenas da construção civil, a exemplo dos magnatas bilionários de imprensa, que estão nas listas dos escândalos HSBC e Zelotes.


Imagine os coxinhas paneleiros de janelas e varandas, seres humanos(?) completamente despolitizados e que viajam todo o dia na maionese, exigir com porradas em panelas, que antes estavam abarrotadas de comida boa e saborosa, a prisão dos responsáveis pelos roubos da Lista de Furnas, do Banestado, do Trensalão, do Metrozão, do maior roubo do mundo: a Privataria Tucana, do Mensalão Tucano, da sonegação da Rede Globo referente à Copa do Mundo de 2002, dentre inúmeros casos, acusações e denúncias, que a PGR, o MP, o STF, a Receita, a PF resolveram congelar. Só não me perguntem se essas instituições fazem política ou se aliaram à oposição aos Governos do PT. O que você acha, cara pálida?

Então, se já imaginou, imagine também se os coxinhas paneleiros, cujas "revoltas" são, sobretudo, seletivas, resolvessem acabar com os fundos de suas panelas porque estão "putos" da vida com a Lei da Terceirização, que prejudica a classe trabalhadora, com os aeroportos construídos em fazendas de parentes de Aécio Neves, com o massacre dos professores do Paraná, com a falta de água e de planejamento do governo de São Paulo, à frente o governador tucano Geraldo Alckmin, ou com a dengue que infestou o estado bandeirante, o mais industrializado do País, cujo povo está a ser comido por mosquitos, que lhes dão em troca dor e febre.

Não. De forma alguma. E a reforma política? Os coxinhas berram por ela nas ruas, mesmo sabendo que o financiamento privado de campanhas é o maior responsável pela corrupção, como informa, inapelavelmente, o noticiário sobre os escândalos? A resposta é um sonoro não! Os coxinhas paneleiros são reacionários e amargurados, quiçá, violentos. Apostam no atraso e no retrocesso e só faltam gritar, a pleno pulmões, "Mamãe, eu quero o meu Brasil sectário e elitista de volta!", para logo complementar: "Eu quero a minha universidade pública, o meu bairro, o meu aeroporto e aviões, o meu shopping, o meu cinema, bar e restaurante, a minha loja de eletroeletrônicos e de carros de volta, porque somente eu e os meus podem usufruir das coisas boas da vida!"

Por fim, o revoltado coxinha paneleiro e seletivo dá um altissonante rugido: "Eu não quero — acredite, é sincero e pra valer o preconceito enraizado e a hipocrisia que sinto — ver a minha empregada doméstica, o meu mecânico e o meu porteiro em Paris, Miami, Londres e Nova York. Tudo, menos isto. Do contrário, prefiro a morte!" E assim segue o Brasil, que, em 2018, vai realizar outra eleição presidencial. Os coxinhas das "revoltas" seletivas ainda vão bater muito em suas panelas chiques e de grife. O melhor a fazer é entrar em uma escola de samba ou bloco carnavalesco e treinar a batucada. Ou usar as panelas para cozinhar. É isso aí.

Que batam panelas até furar.

Para além de 2018!

Não desistam… O Brasil é grande. Cabe até paneleiro ignorante nesse país.

Somos generosos com a ignorância de vocês.

Mas não se equivoquem: panela não é urna, respeitem meu voto!

Golpe nunca mais!

Viva a Democracia!



BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.