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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O que eu espero? (Por Thiago Muniz)

"...A direção é a pior possível. Perceber que o Brasil voltou às mãos de quem sempre se valeu da miséria alheia para enriquecer e subjugar os mais frágeis é algo que entristece profundamente aqueles que têm algum caráter humanista e solidário..." (Flávio Gomes - jornalista)

Depois do tapa de mão aberta que o Senado fez com a ex-presidente Dilma Rousseff em cassá-la do mandato e minutos depois votarem para que ela não perdesse os direitos políticos, ou seja, nas eleições de 2018 ela pode se candidatar a cargo público.

O Senado cassou Dilma, mas manteve seus direitos políticos. Como foi possível mudar a regra da votação em cima da hora? A quem isso beneficia? E o que esse acontecimento revela sobre a forma como os brasileiros resolvem seus conflitos políticos.

Isso foi puramente estratégia do senador Renan Calheiros em manter proximidade com o PT, atual oposição ao governo de Michel Temer, e abre o precedente na votação para a cassação do mandato de Eduardo Cunha, o que fico desconfiado de não acontecer.

A papagaiada do Senador Renan Calheiros ao separar o impeachment da inabilitação política só terá consequências e revela seu inequívoco fisiologismo. Um sujeito rasteiro tentado agradar gregos e troianos. Patético.

Qualquer pessoa com um pouco de sensatez, seja de que partido for, não ficou satisfeito com o que aconteceu ontem no senado! Ora, todos sabem que a decisão de não retirar os direitos políticos de Dilma, não foi um benefício dado só a ela e sim a todos os outros que estão envolvidos em falcatruas, o Cunha, O Renan...todos esse meliantes serão beneficiados, isso me cheira a um acordão! E sendo sincero, nunca fui nem um pouco favorável às ações dos black blocks, mas, a partir do que vi acontecer no senado ontem, quero ver mais quebra-quebra! Esse país não deve ficar em pé pra atender apenas a interesses de políticos mal intencionados! Se for pra ser assim,

Que quebrem tudo antes que eles façam isso!

Sinto que depois dos acontecimentos de ontem, atritos de interesses em poderes do PMDB surgiram e o partido está um pouco dolorido. Michel Temer, como um bom lobo que é, articulará da melhor maneira possível e o partido não chegará a um racha como muitos pensam.

Para o PT que sirva de lição daqui pra frente que não se corrompa para se manter no poder. O PT decretou seu fim quando se vendeu e desviou sua finalidade, e muito dinheiro. Espero que as urnas os julguem de acordo e sejam escorraçados em todos os níveis.

O PT se meteu com o que não deveria: Outros partidos sujos. Ao invés de tentar ganhar o poder com sua força popular, se aliou ao ninho de cobras que é o PMDB e PP. Praticamente estagnou o avanço de direito das minorias, usando até como moeda de troca com a bancada evangélica para salvar a cabeça de um petista.

À esquerda tem que aprender a não forçar a barra! Agora temos uma nova guerra, que a antiga esquerda não soube brigar! A retirada da antiga oligarquia política. Pelo contrário os defensores dos pobres e oprimidos se juntou aos tiranos de sempre! Ou seja, como falar em golpe se eles mesmos deram poder aos executores da antiga política? À esquerda Brasileira precisa de auto-crítica.

Um período para não se esquecer. É assim que devemos fazer com o que aconteceu com a farsa do impeachment, esse golpe parlamentar ocorrido no Brasil e que feriu de morte da nossa Democracia. No entanto, a luta continua para resgatá-la e devolver aos brasileiros sua auto-estima. É preciso deixar de sermos o eterno gigante adormecido e assumirmos de vez a nossa condição de potência mundial, mas para isso acontecer temos que banir a corrupção do Brasil e isso se passa por reformas, no judiciário, na mídia e a mais importante, na política. Não é uma tarefa fácil, no entanto, para sairmos dessa eterna condição de País do futuro se faz o imprescindível que isso aconteça.

Hora de se reinventar. A sociedade precisa acordar para as diversidades, sair da sua zona de conforto (sinceramente não sei onde...) e olhar para o próximo, estender a mão. O brasileiro perdeu a sua essência e os mandatários em Brasília são o puro reflexo dessa conduta.

Crises são ótimas para aproveitar e fazer melhorias e retirar o que é ruim.

Uma boa hora de refletirmos que o mal do Brasil não é de exclusividade do PT. Vamos parar de rotularmos e analisarmos que mal do Brasil somos nós mesmos. Dias horríveis vêm pela frente. Os últimos dois anos serviram para revelar personalidades, trouxeram à tona uma clara divisão de pensamentos e visões de mundo.

ACORDEM: O Brasil se curvou ao conservadorismo extremo, e pior; não foi por ideais e sim por interesses de uma minoria dominante. As bancadas evangélica, ruralista e da bala que o digam. Quem manda atualmente no Brasil são essas minorias, com a chancela da oligarquia.

Em seu primeiro pronunciamento em cadeia nacional como presidente de fato, Michel Temer (PMDB) defendeu a reforma da Previdência e mudanças na legislação trabalhista. Ele afirmou que seu compromisso, no que lhe resta de tempo no poder, é "resgatar a força da economia e recolocar o Brasil nos trilhos".

Preparados para a pobreza dos anos 90?




































BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Pode pruma coisa, não pode proutra coisa? (Por Thiago Muniz)

"...Nas óperas sempre há uma cantora gorda que só canta uma ária. Enquanto ela não cantar, a ópera não termina.

Não há nenhuma cantora gorda no nosso futuro, leitor. Enquanto ela não chegar, evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós.
"

(Luiz Fernando Veríssimo)

Prefiro o luto da lucidez do que a bonança da ignorância.

O Brasil é um país fluído. Moralmente, politicamente, legalmente fluído.. Dilma foi deposta da presidência acusada de crime de responsabilidade. Perdeu a presidência, mas manteve direitos políticos, ‘’Criminosa’’, mas nem tanto. Meia condenada, pode se candidatar amanhã ao que bem quiser., ou se abrigar em algum cargo público pra se esquivar de Sérgio Moro.

A lei brasileira é movediça e se presta sempre a olhar para os interesses de quem a traduz ( e ainda falam em instituições sólidas...). A decisão de desmembrar a acusação e a condenação da ex- presidente abre precedente pra salvaguardar os mesmos direitos a Eduardo Cunha e toda a classe de corruptos do país. 

Com ajuda do PMDB e do PT, partido que acusava Cunha pelo impeachment de Dilma. O PT agora abre a possibilidade de meia salvação para seu algoz favorito Eduardo Cunha, bem como todos os acusados da lava-jato. 

Um acordo de purificação coletiva para crimes em comum entre políticos que ora se odeiam, ora se amam, ora se perdoam, para salvação de todos e condenação da população, sempre feita de idiota – conscientemente ,às vezes, inclusive pelo próprio voto.

Se a maioria da classe política é criminosa, o perdão entre os pares é absolvição divina pela qual o congresso se banha em redenção. Deuses congressistas que se absolvem de seus pecados humanos. O povo, sempre condenado a ficar à margem das decisões dos deuses que elegem para ludibriá-lo de forma mais convincente.

Inconsistente uma votação no Senado que afasta uma presidente da República eleita democraticamente, mas mantém seus direitos de ocupar cargos públicos.

Que crime de responsabilidade é tão grave para permitir uma ruptura tão aguda na representação política e, ao mesmo tempo, permite que a ré para outras funções, inclusive se candidatar em próximas eleições?

O sistema político brasileiro não está condenando a Dilma. Mas se absolvendo. É isso que transforma toda essa farsa em tragédia.

Como Dilma sofreu impeachment e manteve os direitos políticos e o vice tomou posse, sendo inelegível?

Quem diria, até o Fernando Gabeira saiu da toca e foi ao Senado posar ao lado daquele garoto idiota, o Kim Kataguiri. Sinceramente, me dá vergonha alheia.

Junto com a Dilma caíram a minha convicção de que vale a pena assistir aos debates, de que vale a pena sair de casa e ir votar, de que a voz da maioria será respeitada. Votei nela as duas vezes. A primeira por achar que ela era a melhor e a segunda por achar que era a menos pior.

Processo de impedimento honesto"? Com o Collor, Aécio, Caiado e outros mais julgando?

Infelizmente venceu a minoria e a democracia virou chacota. Perderam no campo e viraram a mesa como faziam nos campeonatos de futebol e como fazem em outras instituições.

Me sinto envergonhado e pela segunda vez na semana estão tentando me convencer que Baré e Coca-Cola são a mesma coisa.

Será que são?

Golpe confirmado.

Agora é escutar os foguetes e as buzinas celebrando o fim da corrupção e o ótimo futuro que temos pela frente, sem nenhum tipo de problema. 

A hipocrisia será gritante, ao contrário das panelas que, ironicamente, não serão mais ouvidas como já não estão sendo, mesmo com os incontáveis absurdos já feitos por Temer, que fará muito mais.

Critiquei e continuo e continuarei criticando os governos de Lula e Dilma, que assim como o de FHC e outros, tiveram seus méritos e problemas, mas o retrocesso é claro, assim como as más notícias e o péssimo cenário.

Em um governo que desdenha dos nossos direitos usando a crise como desculpa, congelar gastos públicos com saúde, educação e abono salarial por 20 anos é apenas a ponta do iceberg que me faz temer (irônico, não?) um retrocesso incalculável e incontáveis e enormes perdas que teremos.

Infelizmente, o povo foi usado como massa de manobra, como em tantas outras vezes, e muitos bobos caíram direitinho. Alguns poucos ainda acreditam, ingenuamente, que Temer e companhia também irão cair. Dilma não caiu porque vocês queriam, e sim porque eles queriam e usaram vocês para isso.

O mundo inteiro vê, menos alguns bobos que vivem por aqui. O impeachment não vai salvar o Brasil. Nem melhorar. Aliás, muito pelo contrário.

Nossa democracia e o voto foram jogados no lixo. Milhões vão sofrer - principalmente a camada mais necessitada da nossa população, sempre esquecida - e terão suas vidas muito afetadas negativamente. Mas tá tudo bem, é dia de celebrar, soltar foguetes e buzinar. É dia de ser alienado e tratar o futuro do nosso país como um jogo de futebol.

Michel Temer chega ao cargo já com alta taxa de reprovação (68%) e precisará aprovar ajustes econômicos impopulares. "Não vai ser como o governo de Itamar Franco (que assumiu após impeachment de Collor). Toda a sociedade estava contra o Collor. As circunstâncias agora são diferentes.

































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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

* Texto com colaboração do jornalista Felix Junior - Jornal Correio Eletrônico



Dilma Rousseff tolida pela própria história (Por Thiago Muniz)

O dia em que a solidão do poder será ainda mais sentida por Dilma Rousseff, abandonada de vez que será pelo seu partido, pelos seus eleitores e, por algum tempo, certamente, também pela história.

O apoio a seu impeachment é maior do que sua votação nas eleições. Fica claro que parte do seu eleitorado quer sua saída. O que não quer dizer que deseja o governo Temer. Olhando os dados, conclui-se que muitos, hoje, preferem novas eleições.

Talvez seria ingovernável se ela ficasse. Esse é um aspecto interessante do nossa lei de impeachment. Uma vez que há um governo interino que assume, a volta do presidente afastado gera ainda mais instabilidade. Nos EUA ocorre diferente. O presidente não é afastado durante o processo. Por isso, muita gente, no Brasil, já tem falado da necessidade em se reformar essa legislação.

É admirável sua resistência durante a longa sessão no Senado Federal na última segunda-feira. Muitos disseram que o discurso da presidente foi consistente, o que não mudará absolutamente nada na votação de hoje. Afinal, não foi com base em argumentos técnicos que parte majoritária dos que nesta quarta-feira votarão pela sua saída foram convencidos.

Se é verdade que o governo cometeu muitos erros, e que Dilma, como todo político faz sempre, buscou diminui-los ou mesmo ignora-los em seu discurso, o fato é que o domínio da presidente acerca dos detalhes das acusações que pesam sobre ela – mesmo que com sua oratória pobre, seu pensamento confuso e seu ar professoral – certamente colocam sérias dúvidas sobre sua culpa. Em geral, quando isso convém, “in dubio pro reo”.

Mas não é o que acontecerá hoje. Daremos início a um novo ciclo político-institucional marcado pela incerteza, pelo risco da formação de maiorias circunstanciais. Maiorias que, em contextos de crise econômica (seja ela culpa do governo ou não); escândalos morais (potencializados ou não pela mídia), manifestações sociais (populares ou não, ainda que numerosas) e falta de habilidade política do governante (seja pela sua história de vida ou por sua trajetória política) poderão se articular para tirar do poder representantes legítima e constitucionalmente eleitos.

Dilma Rousseff perderá o cargo pelo “conjunto da obra”, embora o impeachment não constitua um “recall”, que usamos quando concluímos que o governo vai mal. Como disse outro dia a líder do governo interino no Senado, Rose de Freitas, “não teve esse negócio de pedalada, nada disso; o que teve foi um país paralisado, sem direção e sem base nenhuma para administrar”.

Dilma está correta no que disse no Senado ao responder à Ana Amélia: o impeachment é legal, pois existe na Constituição, mas para que seja legítimo – do ponto de vista da democracia que temos, e não das maiorias formadas momentaneamente –, precisa ser também justo em seu conteúdo.

Por isso, muitos falam que estamos assistindo a um golpe. Mesmo para quem discorda, com certeza não é fácil ignorar o casuísmo que marca o momento, casuísmo que, revestido de legalidade (“O impeachment está previsto na Carta de 1988”), é a marca de todos os processos de tomada do poder pela via não-eleitoral. 

Por isso, olhar apenas a lei, como se ela fosse não a expressão provisória de uma correlação de forças existente na realidade social, mas a própria realidade social, é ignorar o fato de que nem sempre a lei está correta, porque nem sempre ela é justa – basta lembrar da escravidão, do nazismo, do Apartheid, da exclusão das mulheres da política, todos legais em sua época. A decisão passa ser, portanto, entre legalidade e justiça. O ideal – um ideal em que muitos acreditam, inocentemente ou não – é que esses dois termos sempre pudessem formar um par perfeito.

Na análise do conjunto da obra, vários senadores que subiram à tribuna do Senado na segunda-feira acusaram Dilma Rousseff de ter mentido durante a campanha. Tinham razão, certamente. Diziam que ela, prometendo não tirar os direitos sociais nem que a “vaca tossisse”, acabou fazendo exatamente isso. 

O ardil, aqui, está em passar a idéia de que, ao tirar a presidente do poder, essa base parlamentar ajuda a defender os direitos sociais, quando se sabe que o governo da vez, ainda na sua interinidade, já estuda medidas incomparavelmente mais duras que só farão aprofundar a desigualdade social no Brasil. Com o tempo, talvez fique claro que teria sido melhor perder um pouco de direitos com Dilma do que tanto mais com Temer.

A História se encarregará de provar todos os erros cometidos neste processo. Mas, o que mais me assusta é a falta de condições morais mínimas de muitos componentes do "tribunal" que defendem interesses que certamente não são da população. O "julgamento" é político e deve levar ao impedimento da presidente. Pode ser legal, mas não é legítimo. 

Enquanto isso, Eduardo Cunha permanece... (até quando?)

Um adendo para refletir: 58,5% dos nossos líderes foram eleitos por voto popular - mas 41,5% foram escolhidos indiretamente, pelos militares ou pelo Congresso.


Dilma fechou sua declaração à imprensa com uma citação de Maiakovski:

"Não estamos alegres, é certo,
Mas também por que razão haveríamos de ficar tristes?
O mar da história é agitado
As ameaças e as guerras, haveremos de atravessá-las,
Rompê-las ao meio,
Cortando-as como uma quilha corta.
"


O impeachment da fé (Por Tom Valença)

Deus está morto. Morreu de overdose da fé falsa dos fariseus que erguem templos de areia banhados em ouro. Morreu bombardeado pela fé cega dos iconoclastas que só veneram o que enxergam no espelho. Morreu intoxicado por alimentos fast food feitos com os pães com grãos transgênicos, pelos peixes contaminados pela lama da Samarco e pelo vinho feito com o sangue dos que atiraram a primeira pedra e esconderam a mão. Deus morreu de vergonha quando seus símbolos foram evocados em vão por quem lavou as mãos e deixou a torneira aberta até a fonte secar. Deus está morto e sua maior prova de sabedoria é não querer ressuscitar para viver tudo de novo nos sonhos de seus criadores que se dizem seus filhos multiplicados entre centésimos de dízimos.








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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 30 de agosto de 2016

O fracasso e retrocesso da democracia (Por Thiago Muniz)

Hoje é um dia de fracasso. 

O impeachment de um presidente da República é um fracasso nacional.

Mas é importante entendermos o que aconteceu. Como chegamos a este fracasso.

Dilma Rousseff está sofrendo o impeachment por parte de um Congresso fisiológico. 

O que motiva boa parte dos parlamentares pró-impeachment tem mais a ver com sua própria sobrevivência e a de suas práticas do que o futuro do Brasil. Entregam Dilma à turba de brasileiros que marcham pelas ruas contra a corrupção na esperança de que sacie sua fome. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

Com alguma sorte, a turma volta para casa e o Congresso segue a vida como ela era.

As pedaladas fiscais são uma desculpa. Elas aconteceram. Aconteceram, entre 2014 e 2015, em níveis muito superiores à prática de todos os presidentes anteriores. Principalmente no caso de 2014, ocorreram por populismo eleitoral. Interessava a Dilma disfarçar as reais condições da economia brasileira para se reeleger. As pedaladas de 2014 e 15 não são equivalentes às outras em volume ou no tempo. É bastante razoável considera-las operações de crédito. Mas também é fato que o Tribunal de Contas jamais as censurara antes.

As pedaladas são uma desculpa. Dilma sofre o impeachment por causa da Operação Lava Jato que expôs os brutais níveis de corrupção dentro de seu governo e no de seu antecessor e padrinho, Lula. Sofre o impeachment por sua inépcia na gestão econômica do país. As causas da crise podem estar lá fora, mas nenhum país emburacou como aquele governado por Dilma. Sofre o impeachment, também, porque a nova classe média, gestada durante o governo Lula, virou-lhe as costas. Virou porque está ameaçada de perder tudo o que ganhou pela crise.

O Presidente da Câmara na época, Eduardo Cunha chantageou Dilma ameaçando abrir o processo de impeachment caso o Planalto não o auxiliasse na luta por manter seu mandato. O Planalto quis ajuda-lo. Tentou. Se esforçou. Os deputados federais do PT é que se recusaram a ouvir os apelos do Planalto. Dilma estava plenamente disposta a ser chantageada. Parlamentares petistas é que decidiram, ali, impor um limite. Um raro gesto de dignidade que lhes custou caro, talvez. E a abertura do processo veio. E mais de dois terços do plenário da Câmara achou por bem apresentar a denúncia de impeachment ao Senado.

Não se trata de uma luta de fisiológicos contra honrados.

O PT, ao chegar no Planalto, acreditou que poderia jogar o mesmo jogo. Tornou-se tão fisiológico quanto os velhos coronéis, tão corrupto quanto os antigos barnabés, tão capaz de distribuir cargos, verbas e propinas quanto quaisquer outros políticos que já estiveram no mando brasileiro.

Lula e seu governo são investigados por práticas de corrupção em níveis nunca documentados. O prejuízo oficial da Petrobras, aquele cravado em planilha, provocado pela corrupção de diretores que se tornaram réus confessos, causado por negócios terríveis nos quais há inúmeros sinais de ampla distribuição de propinas como a compra improvável de Pasadena, equivale a 1% do PIB brasileiro.

Os efeitos da brusca queda da Petrobras sentem-se com violência em toda economia brasileira, em particular no estado do Rio de Janeiro. Dilma Rousseff, a administradora capaz que se gabava de microgerenciar cada casa decimal de cada planilha, presidia o Conselho da Petrobras.

Ela é responsável pelo que ocorreu na empresa. Ela é responsável pelo que aconteceu no Brasil nos últimos cinco anos e meio.

Assim como Lula é responsável. Um político extraordinário, brilhante, de um carisma ímpar. Não há hoje, no Brasil, um político mais hábil do que Lula. Ele poderia ter comandado uma ong internacional de combate à fome, poderia ter presidido a ONU, poderia ter sido Nelson Mandela. Preferiu ser lobista de empreiteiras. É incrível como um homem tão grande pode ser tão pequeno. Com suas palestras e seu nome, poderia ter pago quantas reformas quisesse em quanto sítios de Atibaia desejasse, teria os tríplex com os quais sonhasse. E ainda, pela pura força de seu carisma e de seu nome, pela habilidade nata de costurar acordos, teria chegado ao Nobel da Paz e melhorado a vida de um bom bilhão de homens, mulheres e crianças.

Lula preferiu ser lobista de empreiteiras brasileiras na África e América Latina. Preferiu exportar o fisiologismo pátrio.

O fracasso dele é o nosso fracasso. É o fracasso cultural do Brasil. Porque Lula é o reflexo do que o Brasil é.

Os antipetistas mais rábicos podem acreditar que tiveram uma grande vitória e que afastaram do poder alguma espécie de mal fundamental.

Os petistas mais irracionais acreditarão que as possibilidades de um governo justo e social foram derrubadas pelas camadas mais reacionárias da sociedade.

O que aconteceu foi muito menor.

Só substituímos um governo fisiológico por outro. O governo Michel Temer não tem uma política econômica particularmente distinta daquela que Dilma tentou implementar a partir de 2015. A diferença é que Temer é um político hábil e Dilma não o foi. A diferença é que Michel Temer completa as frases que inicia. Com alguma sorte, estabilidade econômica virá.

Mas Michel Temer é também o Brasil velho. Como, aliás, o PT.

O impeachment é legal. Se é legal, não é Golpe. Não é consolo.

Mas há a Lava Jato.

O fisiologismo brasileiro se ancora na propina de grandes empresários que detém os mais vultuosos contratos públicos. É esta propina que, lentamente, vai financiando as campanhas eleitorais que ampliam a base fisiológica nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional.

O fisiologismo abraçado por tucanos e petistas, assim como por peemedebistas e todos os outros.

Se alguém quer entender por que o Congresso Nacional piora a cada ciclo eleitoral é por causa disso. Porque, desde a redemocratização, a máquina do fisiologismo trabalhou para produzir dinheiro de campanha e se procriar. Este tipo de vereador, deputado e senador encontrou o caldo de cultura perfeito. A fonte da eterna caixa 2.

Mas há a Lava Jato.

E empresários, hoje, têm medo de pagar propinas. Para eles, corromper ficou caro. O dinheiro de campanha que alavancava a candidatura de parlamentares fisiológicos está desaparecendo. Será um soluço inédito na história do Brasil para tudo voltar a ser como antes? A política brasileira pode ter piorado, mas o Estado melhorou por dentro. Talvez o Estado democrático tenha criado a vacina para este fisiologismo patrimonialista que nos condena ao passado.

O nosso lado é o da inclusão. O nosso princípio precisa ser o de "amar o próximo como a ti mesmo". Se o nosso lado não coincidir com o dos "vencedores", não tem importância. Estamos onde estamos por causa deles.

O apelo central aqui é... não abandone a arte da política. Mas escolha um lado. O mais fácil é o dos vencedores. É isto que você quer para nós e para o país?
Essa é a esperança que nos resta.


"viva eduardo cunha, viva mendoncinha ministro da educação do brasil, viva perrela do helicóptero, viva aécio do leblon, viva magno e sua malta piadinha, viva cristovam q esqueceu a fantasia organizada de celso furtado, viva a nova indústria da seca nas mãos do pmdb, viva o crime de lesa-pátria, viva marta suplicy, viva os vendidos todos, mas viva principalmente o stf q "legitimou" em 64 e agora faz o bis pra vocês, viva a falta de legalidade, dane-se, viva a imprensa q acata e dá sinais de tudo bem, meu bem, viva os isentões e os seus senões, viva a culpa eterna no pt de quem sequer tem mãe pra mandar se lascar no cemitério dos édipos gerais, viva o psdb, o mais íntegro e inimputável partido da mídia brasieira, viva zé serra, o maior ministro do governo golpista q nao foi votado para tal posto, viva nós os otários q comemos na mão da ignorância." (Xico Sá)




































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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A democracia dilacerada (Por Thiago Muniz)

"O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro. Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia." - (Dilma Rousseff)


"As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras." - (Dilma Rousseff)


"Não esperem de mim o silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje com a retórica jurídica, pretendem acabar com o estado de direito (...). Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, luto pela democracia, pela verdade e a justiça." - (Dilma Rousseff)


Começou o ato final da farsa do impeachment de Dilma. A ópera-bufa, iniciada com a ruptura entre burguesia ilustrada do tucanato paulista e o iluminismo, chutando pra vala o compromisso com a Constituição de 88, renovando sua representação à direita e abraçando fervorosamente o obscurantismo, encaminha-se para o grand finale sob a forma de um golpe de Estado a frio, sem tanques nem fuzis, substituídos pela eclética coalizão de rentistas, ladrões, fascistas, traidores e imbecis, bem armados de uma raivosa tropa de choque parlamentar, pelo controle de segmentos amplos do judiciário e legitimados pela narrativa massificada pelo monopólio midiático de Pindorama.

O espetáculo durou 1 ano e 10 meses: iniciou-se com a deslegitimação do resultado das urnas de outubro de 2014, a vigarice do pedido de auditoria das urnas, a desqualificação do eleitorado (a massa de ignorantes e dependentes de bolsa-família decidiu o pleito, segundo os tucanos), seguido do vale-tudo para inviabilizar o governo.

A mudança de retórica do PSDB - que Wanderley Guilherme Dos Santos chamou de "linguagem dos jagunços" e Juarez Guimarães tratou com brilhantismo no artigo http://cartamaior.com.br/… refletiu a organização de um centro político disposto a coordenar a estratégia golpista.

Nestes 22 meses, rolou de tudo: uma denúncia forjada por um auditor do TCU em conluio com um procurador do órgão e assinada por um velho jurista tucano, um velho ex-petista a transbordar ressentimento e uma tucana new generation do quadro docente da USP e devidamente contratada por 45 mil mangos, cuja atuação performática nos dá o direito de especular que sonha, em breve, ocupar como mandatária uma das cadeiras que hoje utiliza como convidada; a abertura das torneiras das entidades patronais, pato amarelo a frente, a irrigar generosamente os "novos movimentos sociais" de gente diferenciada, sob a cobertura cinematográfica da imprensa a destacar o ativismo heróico da nova cidadania, ao mesmo tempo em que aumentava o tom da criminalização da esquerda, transformando partidos e movimentos de trabalhadores em tentáculos de uma máfia vermelha; a chantagem pública e sabotagem comandada por um presidente da Câmara lobista e corrupto, cujos bons préstimos aos interesses da plutocracia o garantem até hoje o gozo da liberdade e a conivência criminosa de seus pares. Dilma, sem ter cometido um único crime, será cassada e perderá seus direitos políticos ANTES de Cunha.

Afirmo que perderá seus direitos e o mandato conferido pelo voto popular porque não deposito uma migalha de expectativa na dignidade dos representantes da burguesia que infestam o parlamento brasileiro, nem esperanças em milagres. 

Afinal, trata-se MESMO de um golpe de Estado. Considerar a possibilidade de mudança de votos baseada no convencimento de parlamentares das teses da defesa de Dilma é, ao mesmo tempo, acreditar que o processo é democrático e ignorar que não só todos os argumentos da defesa foram solenemente desprezados pela maioria do Congresso durante todas as fases do julgamento, como o governo interino funciona desde maio com ares de definitivo, destruindo em três meses pilares que levamos mais de uma década para edificar nos governos democráticos comandados pelo PT.

Fosse eu um senador comprometido com a democracia, me recusaria a votar. Encerraria minha participação forçada nesta farsa saindo de braços dados com Dilma, Lula, Boulos, Sabatella, Chico Buarque, João Paulo, Luciana, Rossetto e outros representantes da sociedade democrática que hoje estarão no Senado acompanhando a presidenta. 

Que comandem o grand finale os golpistas tão afoitos pelo retorno ao comando do Estado que dispensaram uma etapa até então fundamental para isto, chamada voto popular; mas que o façam sozinhos, sem as digitais de gente digna e valente como Vanessa, Gleisi, Fátima, Lidice, Lindbergh, a dar ares de legalidade a este escárnio na condição de minoria derrotada.

O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas.

O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população.

O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais.

O PMDB chegará ao poder pela terceira vez sem ser eleito. O PSDB se coloca como artífice de uma manobra "legal",

A maioria dos julgadores da presidenta Dilma no senado tem processo na Justiça e nove deles nem foram eleitos pelo voto! O presidente da casa, Renan Calheiros está envolvido em uma série de processos de corrupção. E estão tirando uma presidenta eleita pelo voto popular, numa tese frágil de "pedaladas fiscais". 

Não é a utilização e devolução de recurso para os bancos públicos que coloca a economia em crise e sim os desvios bilionários de tantos corruptos políticos no país! O sistema político brasileiro e esse Impeachment são uma farsa!

Em 2013, nós ocupamos as ruas acreditando que poderíamos fazer parte do processo político, forçando os engravatados de Brasília a nos ouvir. Três anos depois, são 81 senadores que decidirão o futuro de 200 milhões de brasileiros.

Dilma Rousseff desmascara os golpistas e revela que os paneleiros apoiadores desse golpe ao voto de 54,5 milhões de brasileiros foram massa de manobra, inocentes úteis que usaram uniforme da corrupção, camisas da CBF, para exigir o "fim" da corrupção no Brasil...mais icônico do que está ocorrendo é impossível, a mídia e políticos corruptos fizeram uso da falta de noção dos incautos indignados seletivos.

Sem esconder seus rostos, os defensores das elites colocam mais uma vez a democracia no banco dos réus. Prepare-se para entrar em um período de 10 anos de instabilidade contratual, que irá colocar o povo na miséria, afetará aposentadorias, cortes em programas sociais e deixará escancarada a face anti-democrática e avarenta das elites brasileiras.

Sim, o governo Dilma foi desastroso em muitos pontos. Sim, grande parte do PT se envolveu em casos de corrupção. Sim, passamos por uma grave crise econômica. Agora, NADA disso legitima o impeachment. Dilma não tem contas na Suíça. Dilma não teve enriquecimento ilícito. E, antes de falar "Dilma na cadeia!" responda apenas uma pergunta: do que é que a Dilma está sendo acusada mesmo? Você sabe o que são pedaladas fiscais? Você sabe que, se a lei fosse igual para todos, mais da metade dos governadores dos estados brasileiros teriam que sofrer impeachment, pelos mesmos motivos que Dilma? Ser contra isso e querer Temer fora, não significa ser a favor do PT. Significa entender que este processo já nasceu corrompido, que fere a nossa democracia profundamente. Não bastasse tudo isso, ainda estaremos entregando nosso país aos abutres. Temer, Jucá, Renan, Cunha, Caiado, Aécio e seus companheiros representam uma elite opressora que não quer o desenvolvimento do Brasil. Querem fazer a manutenção da desigualdade social extrema e assim poder continuar explorando as classes menos favorecidas. Querem garantir que a engrenagem da corrupção não pare, que nenhum deles seja punido por nada, que as empresas públicas sejam privatizadas e que a população continue desinformada, sem educação e sem cultura. Afinal, um povo que não conhece a sua história, que não sabe como suas instituições funcionam, nunca será capaz de exigir de seus políticos o que é realmente necessário. Pense nisso...
A História não fará justiça a Dilma; este não é o seu papel. Mas a História registrará a infâmia destes dias, a democracia dilacerada, a fraude escancarada para impor a vontade do dinheiro. Registrará o nascimento de um governo ilegítimo, a desmoralização internacional, o saque aos direitos do povo. E narrará o surgimento de uma nova consciência democrática a defender o nosso legado, corrigir os erros e reorganizar os nossos sonhos, forjada na resistência aos ataques já iniciados pelo golpe, fortalecida pelo espírito generoso e solidário do nosso povo. A luta só começou.


"Se a elite financeira e política do Brasil é o lixo moral do mundo, a classe-média é um gado analfabeto funcional. Respira que é de graça." - (Fagner Torres)


"Dilma vai cair, isso é um fato. Mas confesso que a ansiedade mesmo é pelo dia seguinte. Quando o Impronunciável colocar em prática seu pacote de maldades. O fim da CLT, a entrega do pré-sal, os cortes no SUS, a privatização total do Ensino Superior. E o que eu farei diante do cenário? Sentarei na primeira birosca que estiver no caminho, abrirei uma ampola do diurético e darei boas risadas quando os conhecidos que apoiaram esta farsa se perceberem sem seus direitos, sua paz, e, em seguida, sua vida. Será o meu momento William Waack." - (Fagner Torres)






















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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 22 de junho de 2016

A inércia do povo nas ruas (Por Thiago Muniz)

São mais de 500 anos de PLUTOCRACIA E CLEPTOCRACIA, a Democracia Representativa é usada como ferramenta de espoliação dos cofres públicos e tráfego de influências, independente de ideologias, se são de esquerda ou direita, estão todos envolvidos no mesmo jogo de privilégios e furto da esperança brasileira.

Quando estiver na deprê, lembre-se que muita gente vestiu a camisa "a culpa não é minha, votei no Aécio", que milhares usaram a hashtag #somostodoscunha e que uma multidão de patinhos amarelos acreditou na independência do MBL.

Está todo mundo indo pro buraco. Prometeram a "Disneylandia" com o impeachment, mas entregaram o Afeganistão, com todo respeito àquele país. Não sei qual investidor vai colocar dinheiro em um lugar onde muda-se de governo ao sabor dos esperneios da população, políticos e grupos de mídia. É só pensar um pouquinho. Não dói.

A minha impressão é que foi uma fortíssima antipatia contra o governo Dilma, independente se merecia ou não ser afastada. O brasileiro na verdade pouco se importa com a corrupção, estão na verdade mais ligados ao carisma da pessoa no cargo público. Os fatos demonstram isso.

Ainda há pouco, em nome do combate à corrupção, milhões de pessoas manifestavam-se pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Batiam panelas vazias, acampavam em parques, soltavam foguetes, desfilavam indignadas pelas vias públicas, cerravam fileiras, agressivas, nas mídias sociais. 

Após o afastamento de Dilma, no dia 12 de maio, um denso nevoeiro baixou sobre o país. O silêncio das ruas e avenidas espelha com clareza que os protestos nunca visaram o desmando que tomou conta da máquina do Estado, mas tão somente refletiam o inconformismo dos que perderam as eleições. Pura hipocrisia.

Se fosse uma reivindicação honesta, os manifestantes estariam novamente nas ruas e avenidas acompanhando os carros de som, ou nas varandas das residências munidos de panelas ou no Facebook, Instagram e blogues conclamando os cidadãos para continuar a luta pela decência e a dignidade na política. Afinal, em apenas um mês como presidente interino, Michel Temer teve de afastar três ministros – Romero Jucá, do Planejamento; Fabiano Silveira, da Transparência; e Henrique Eduardo Alves, do Turismo – por envolvimento com denúncias de corrupção, um recorde na história recente da República. Outros cinco ministros – Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo; Mendonça Filho, da Educação; Raul Jungmann, da Defesa; Bruno Araújo, das Cidades; e Ricardo Barros, da Saúde – também são investigados pela Operação Lava-Jato.

Aliás, o próprio Temer viu seu nome envolvido em denúncias de corrupção. O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou em depoimento que o presidente interino pediu R$ 1,5 milhão de propina para financiar a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012 – esse mesmo Chalita que agora é candidato a vice-prefeito na chapa liderada pelo petista Fernando Haddad. 

Temer torna-se assim apenas mais um ocupante do cargo máximo da política brasileira a ter seu nome ligado a falcatruas. Todos os presidentes do período da chamada Nova República (iniciado com o fim da ditadura militar) estão sendo investigados por suspeita de corrupção: do peemedebista José Sarney ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, do livre-atirador Fernando Collor ao tucano Fernando Henrique Cardoso.

A única pessoa que não teve – até agora – seu nome envolvido em práticas ilegais é justo a presidente Dilma Rousseff, ironicamente a única punida até o momento. Seu afastamento se deu por uma irregularidade fiscal, manobra efetivada por pelo menos 16 dos atuais governadores, um crime menor diante do saque aos cofres públicos perpetrado por políticos de todos os partidos. É como se alguém que tivesse ultrapassado o sinal vermelho fosse condenado por um júri formado por ladrões, falsários e fraudadores. 

Dilma sem dúvida vinha fazendo um governo desastroso, inábil do ponto de vista político e incompetente no âmbito econômico, mas a maioria dos manifestantes saiu para as ruas para demonstrar sua revolta contra a perda de privilégios, não por se escandalizar com a roubalheira que grassa no país acima de todas as ideologias.

Os movimentos que lideraram manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff – dizendo-se apartidários e assentados em discursos pela ética e contra a corrupção – sempre se recusaram a prestar contas sobre a origem do dinheiro gasto na organização dos protestos. Hoje sabe-se, por exemplo, que o Movimento Brasil Livre (MBL), encabeçado pelo empresário Renan Santos (filiado ao PSDB até o ano passado), teve financiamento e apoio logístico dos partidos de oposição (DEM, PSDB, SD e PMDB). 

E que Renan Santos é réu em 16 ações cíveis e em mais de 45 processos trabalhistas – as acusações incluem fechamento fraudulento de empresas, dívidas fiscais, calote em pagamento de débitos trabalhistas e em ações por danos morais, em um total de R$ 4,9 milhões. O MBL anunciou que lançará candidatos, por vários partidos, às eleições deste ano.

Já o movimento Vem pra Rua foi criado em 2014 por um grupo de empresários para apoiar a candidatura do senador tucano Aécio Neves à Presidência da República. Seu principal articulador, Colin Butterfield, é presidente da Radar SA, do grupo Cosan, uma das maiores empresas privadas do Brasil, com negócios nas áreas de lubrificantes e produção de etanol, dona da Comgás e da Rumo, líder mundial de logística de açúcar para exportação. A Radar administra 270.000 hectares espalhados em oito estados, dedicados ao plantio de cana, soja, algodão e milho. 

O Revoltados On-Line, gerenciado pelo empresário Marcello Reis, que não esconde sua simpatia pela ideia de intervenção militar como solução para o Brasil, tem ligações com o deputado fascista Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Marcello Reis, que foi recebido pelo ministro Mendonça Filho, junto com o ator pornô Alexandre Frota, para discutir os rumos da educação brasileira, vende em seu site camisetas, bonés e adesivos sem nota fiscal.

O povo que botou a camisa da CBF pra ir pra rua, é uma gente que nunca precisou ir pra rua lutar, foi única e exclusivamente por birra, seletivismo, com pautas conservadoras e elitistas, agora a moda é ser contra a esquerda e contra o PT, mas que sempre esteve na rua lutando e tem um ideal político foi a esquerda, criticando e muito a gestão do PT inclusive, a história vai mostrar quem esteve do lado certo, não há vencedores com a derrubada da Dilma, muito pelo contrário, só serviu pra mostrar como o congresso reflete a nossa sociedade, como o povo não entende nada de política e defende seus algozes de maneira seletiva, vou ter muito orgulho de dizer com meus cabelos brancos que estive do lado da democracia, do lado do povo e não das elites.






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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ok! Fizeram o Impeachment! E agora? (Por Thiago Muniz)

Ok! Fizeram o espetáculo no Congresso e logo depois no Senado, mas e agora?

O que o “Novo Governo” irá fazer para conter os ânimos dos Congressistas que tiraram Dilma Rousseff do poder?

Com apenas uma semana de existência, a gestão do presidente interino Michel Temer (PMDB) já coleciona críticas e grande insatisfação popular. Temer também não titubeou ao nomear para o seu ministério nomes envolvidos em escândalos de corrupção.

Sete ministros investigados na Laja-Jato, Líder do Governo investigado por tentativa de assassinato, Presidente Interino inelegível por 8 anos e batem no pé que não é golpe.

A linhas do governo interino foram se desenhando logo nas primeiras horas de Temer como chefe do Poder Executivo federal e, dia após dia, uma nova medida ou anúncio gerou ainda mais instabilidade para um governo – considerado por setores ilegítimo – que corre contra o tempo para mostrar serviço antes do julgamento final, pelo Senado, do afastamento definitivo ou não da presidente Dilma Rousseff, que pode retomar o mandato. Tudo isso em meio a uma série de manifestações populares que continuam tomando as ruas de diversas cidades no Brasil pedindo o “Fora, Temer”.

Até que ponto Michel Temer conseguirá seguras os ímpetos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Sim, Eduardo Cunha trabalha nos bastidores sim, não está ativo no Congresso, mas continua mandando e comandando o baixo clero.

O baixo clero foi aquele mesmo grupo de deputados que fizeram aquela palhaçada de “pela família, pela Bíblia, pela vovó Kikinha, pelo torturador Ulstra, pelo prefeito de Montes Claros” e por aí vai; é um grupo de congressistas que se vendem pela melhor oferta, não importa qual lado defenderão, o que importa para eles é "o que “ganharão em troca” e nada mais.

Acredito que a fatura será alta e não será muito fácil como eles esperam aprovar as medidas que eles almejam.

O Centrão é um grupo fisiológico que age conforme o vento governista, mas que ganhou força desde que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a comandá-lo há cerca de quatro anos. Este é o novo Centrão da Câmara dos Deputados. Formado por uma lista de 13 partidos conservadores que vai do PP ao PSD, o grupo, até ano passado, tinha chegado ao auge quando elegeu o próprio Cunha presidente da Câmara, em primeiro turno, com 267 dos 513 parlamentares da Casa. 

O Centrão deu apoio quase maciço - e decisivo - ao impeachment de Dilma Rousseff na Câmara e agora ameaça colocar Michel Temer contra a parede. Tem agora entre 260 e 270 parlamentares, número suficiente para aprovar simples projetos de lei e próximo dos três quintos necessários (308) para aprovar propostas de emendas constitucionais.

Precisamos de uma frente plural, supra-partidária, multi-ideológica, composta de gente que compartilha uma única premissa: é possível conversar. É possível conversar com apoiadores do impeachment sem insultá-los de "golpistas". É possível conversar com apoiadores do ex-governo sem tratá-los como responsáveis por atrocidades como o Petrolão. É possível conversar com isentões sem acusá-los de serem responsáveis pelos desmandos do ex-governo e deste.

É hora de repensarmos na cultura política, torná-la mais aberta e plural. Precisamos reavaliar a forma de disputar e exercer o poder, rever os paradigmas, com muita humildade, com autocrítica, pois os modelos que defendíamos se esgotaram.
É possível, enfim, conversar com gente que está fora da bolha de cada um. O princípio da tolerância nunca foi tão urgente -- o que não significa tolerar malfeitos cometidos por políticos. Dá para separar as duas coisas, eu acho.

Toda unanimidade é burra. Um Governo deve ser avaliado por um tripé, qual seja: o lado econômico, social e político, e para isso é importante que o Governo tenha legitimidade através do voto popular. O que precisamos agora é de uma Reforma em todos os sentidos, e isso pode vir através de uma Constituinte para uma ampla Reforma, mesmo que atravesse os Centrões.










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segunda-feira, 9 de maio de 2016

Podemos achar uma bagunça, mas Impeachment não é brincadeira (Por Thiago Muniz)

"A grande mídia está literalmente esperneando. Trazendo parlamentares, advogados e correspondentes para refutar a decisão da presidência da Câmara. Já o chamaram de desequilibrado, intempestivo, ilegítimo, entre outros adjetivos que visam desqualifica-lo. Fazem o mesmo com a decisão em si. Segundo os impeachmistas, é uma atitude absurda, oportunista, de cunho político, que desrespeita a voz e os votos dos parlamentares."

(Thais Moya)


Decisão de Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara dos Deputados, de anular sessão que aprovou continuidade do impeachment demonstra a fragilidade jurídica do processo. No mínimo, o jogo está embaralhado.

Decisão de anular a votação de impeachment de Dilma deixou muita gente irritada. Mas está correta.

Quase todo mundo concorda que a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, que ocorreu no mês passado, foi um show de horrores, com direito a deputados oferecendo o voto a sua própria família, um sem-número de menções ao divino causando confusão num estado supostamente laico, um gângster comandando tudo e até um zé mané que achou legal homenagear um torturador safado.

Mas o mais chocante é que, naquele domingo esquisito, os deputados simplesmente não fizeram o seu trabalho. Parece que eles esqueceram que estavam lá com uma missão muito clara e também muito importante: a de decidir se havia indícios sérios de que a presidente Dilma Rousseff cometeu um crime.

O assunto sequer foi discutido. Conforme a SUPER apurou, as expressões "responsabilidade fiscal", "improbidade administrativa" e "lei orçamentária" - que dizem respeito ao suposto crime de Dilma - praticamente não foram pronunciadas naquele dia. A primeira foi mencionada só 3 vezes, a segunda 2, a terceira uma única vez (já a palavra "família" apareceu nos pronunciamentos dos deputados 133 vezes).

Mas e daí? E daí que a Câmara fez um trabalho sujo na hora de punir a presidente: se praticamente todos os partidos concordam que Dilma deve cair, se mais de 60% da população são a favor de lhe tirar o cargo e sua popularidade se arrasta pelo chão, por que se ater a formalidades? Se o Brasil não quer mais Dilma presidente, não é mesmo o caso de lhe caçar o mandato logo, mesmo que para isso seja preciso acoxambrar uns processos e pedir ajuda a uns bandidos? 

Pois então... A verdade é que não. Democracia tem ritos, tem regras e tem balanços de poder. Obedecer a tudo isso dá trabalho, complica as decisões, mas é justamente o que faz com que democracia seja um regime melhor que os outros.

O cientista político Larry Diamod, da Universidade Stanford, um dos maiores especialistas em democracia do mundo, fala muito sobre isso. Ele diz que, para um país ser democrático, não basta que ocorram eleições. É preciso que haja uma série de "pesos e contrapesos" - o poder nunca pode estar num lugar só. 

Nem mesmo quem é eleito pelo voto pode ter direito a fazer o que quiser. Diamond fala muito sobre a ideia de accountability - uma palavra tão estranha à cultura política brasileira que nem tradução decente tem. Accountability é a obrigação que os governantes têm de prestar contas pelo que fazem.

Segundo Diamond, uma democracia de alta qualidade precisa ter dois tipos de accountability: vertical (prestar contas à população) e horizontal (certas áreas do governo têm a obrigação de fiscalizar outras áreas, ninguém pode ter poder absoluto sobre nada).

Pela premissa da accountability vertical, o povo tem todo o direito de caçar o mandato de um governante frustrante.

Pela accountability horizontal, faz todo sentido que o Congresso tenha a atribuição de investigar e de punir o presidente, mesmo num país presidencialista. Mas não pode ser de qualquer jeito.

Assim como Dilma não tinha o direito de aumentar os gastos sociais sem pedir autorização para o Congresso, o Congresso não tem o direito de anular os 54 milhões de votos de Dilma sem cumprir uma série de formalidades e provar que Dilma cometeu um crime. Numa democracia, "todo o poder emana do povo", mas nenhum poder é absoluto.

Ao que tudo indica, o crime foi mesmo cometido. Dilma realizou pedaladas fiscais, que nada mais são do que gastar mais do que tem para cobrir o rombo depois. O Brasil seria um país melhor se os governantes não cometessem tal crime, mas o fato é que eles cometem. Não só Dilma. Temer, nos curtos períodos em que substituiu a presidente em sua ausência, pedalou três vezes mais que ela.

Entre os tucanos, o senador Antonio Anastasia, relator do processo de impeachment no Senado, foi um padalador notório em seus tempos de governador. As pedaladas do governador paulista Geraldo Alckmin já ultrapassaram os 300 milhões de reais - bem menos que os bilhões de Dilma, mas crime igual. 

Se o Congresso quer seriamente punir Dilma, é importante que se afirme com clareza a disposição de punir de maneira equivalente todos os ciclistas fiscais, independente de partido ou de taxa de popularidade.

Alguém vai argumentar que se apegar às regras da democracia enquanto o país naufraga é como tocar violino no naufrágio do Titanic. Que importa se a Câmara não discutiu nem provou o crime, se não garantiu amplo direito a defesa nem cuidou para que o processo fosse legítimo e conduzido por pessoas insuspeitas? Só o que importa é derrubar Dilma. Enfim, democracia é bom, mas há que se abrir mão dela quando ocorre uma crise.

Mas não. Embora seja verdade que democracias quase sempre sejam mais lentas na hora de tomar decisões, há farta pesquisa mostrando que elas são muito mais estáveis no longo prazo. Regimes autoritários, nos quais regras são menos respeitadas, realmente conseguem tomar decisões mais rápido, mas de tempos em tempos acabam caindo em grandes crises institucionais, por falta de legitimidade de seus líderes. 

As sucessões são mais turbulentas, os debates políticos tornam-se violentos, a insegurança sobre quais regras valem e quais não valem gera um clima em que nenhuma regra é cumprida. Se um processo tão cheio de situações suspeitas quanto aquele iniciado no dia 17 de abril terminasse com o afastamento de uma presidente eleita e com a faixa no peito de um presidente tão ilegítimo quanto Temer - que não tem nenhum voto popular, é investigado por vários crimes e pedala mais que Dilma -, talvez ele nos assombrasse por muito tempo. Imagine o clima de revanche que isso podia gerar. Imagine o quanto essa insegurança institucional poderia atrapalhar a economia e afugentar investimentos.

Numa democracia de alta qualidade, o mandatário segue as regras - e portanto não pedala. Da mesma forma, numa democracia madura, o Congresso segue as regras e os ritos e faz as coisas direito. Um processo ilegítimo para punir um mandatário pelos seus processos ilegítimos não é um passo na direção de um país melhor. Não contribui em nada para deixar nossas instituições mais sólidas, justas e democráticas.

Que a Câmara faça seu trabalho direito dessa vez, sem nos obrigar a passar vergonha de novo. E que a decisão sobre se Dilma e Temer merecem ou não perder seus mandatos, seja ela qual for, não seja respaldada por paixões eleitorais ou por inspiração divina, mas pela aplicação objetiva da lei, que precisa valer para todo mundo.

Tudo que esta acontecendo só mostra o óbvio!
Esse sistema está falido!

REFORMA POLÍTICA JÁ!





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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Trocar o presidente não será a solução dos problemas (Por Thiago Muniz)

O brasileiro de um modo geral tem essa coisa de olhar para o cargo da presidência como a solução e a causa de todos os problemas do país.

Com um Congresso do nível desse que se viu no dia da votação do impeachment, somado a um Senado, são quase 600 pessoas barganhando aprovação ou vetos de projetos, mas o cidadão comum teima em se iludir que a vitória do seu candidato a presidente, ou a saída do que foi eleito (se não foi o que ele votou) é o X da questão, e com isso acaba ignorando todo um complexo sistema.

É risível ver as pessoas falando - "partido X acabou com o país" - porque antes do PT virar governo a miséria era maior, o desemprego era maior, as taxas de juros eram maiores, o país teve de racionar energia e a população era menor, sem falar na inflação que a ditadura militar deixou de herança anteriormente, porém, o foco aqui não é defender um governo cheio de falhas que, entre outras coisas, também está pagando o preço por ter se acomodado no sistema viciado dos anteriores ao invés de brigar pelas reformas necessárias, nem que para isso fosse necessário abrir um canal de diálogo com a população para pressionar a má vontade do Congresso ao invés de aderir ao joguinho de toma lá, dá cá.

Mas deixando de lado as questões de governabilidade, que em um sistema que não é parlamentarista não justifica a troca do Chefe de Estado, analisemos então a legalidade desse impeachment.

Um corrupto na condição de Presidente da Câmara aceita um processo em calar retaliação pelo fato do partido do governo ter se recusado a votar em sua causa no Conselho de Ética.

O vice presidente da República orquestra seu partido para abandonarem a base, mas ele próprio não o faz, conspirando assim para assumir a cadeira, sendo que assinou as mesmas pedaladas que servem de acusação para o processo da Presidente.

Mais 16 governadores e sabe-se lá quantos prefeitos praticaram as mesmas pedaladas, assim como os Presidentes anteriores, e isso nunca destituiu ninguém, mas agora pode seletivamente derrubar uma presidente que em meio a um cenário de corruptos não tem uma acusação de enriquecimento ilícito pesando sobre si.

Se isso que tem cheiro de golpe, cara de golpe, enredo de golpe e é visto no mundo inteiro como golpe não se trata de um golpe, então é o que? A salvação do Brasil pelas mãos de Temer e Cunha? Alguém acredita que esses caras querem salvar alguma coisa além da própria pele? Ou acreditam que vão "derrubar um por um" até que se encontre o governante ideal?

Por mais que não se aprove um governo, é impossível não notar a incoerência dessa manobra antidemocrática diante do mínimo de informação.

Além de tudo é preciso que se diga (e a grande mídia criminosa não o faz) que o pedido patético de impeachment feito por uma surtada e ex-cargo de confiança no governo FHC e um integralista (Fascista) é baseado nas chamadas pedaladas fiscais.

Não é com base na Lava Jato (que também não daria base ao pedido de impedimento da Presidenta). Pedalada fiscal não configura crime de responsabilidade. E, se configurasse, Temer e mais 17 governadores também o fizeram, incluindo Geraldo Alckmin e o relator da comissão do golpe no Senado, o lacaio de Aécio Neves.

As pessoas sequer conhecem o teor do Art 85 da Constituição Federal de 1988 e a lei 1079/50 e falam exatamente o que a mídia sonegadora de 615 milhões e notificada 766 vezes manda.

É golpe pois não há crime de responsabilidade. Qualquer giárdia leiga que tenha lido o referido artigo e a referida lei percebe isso. É golpe pois o que está em jogo não é a luta contra a corrupção. Se fosse, o grito em todo o território nacional seria FORA CUNHA e não fora Dilma. é apenas uma articulação dos bandidos liderados por Eduardo Cunha, apoiados por fascistas como Bolsonaro e aplaudidos por analfabetos funcionais.

Um eventual governo Temer é ilegítimo pois não nasceu das urnas e nem de um processo lícito, legal, honesto. Terá nascido de um golpe contra a democracia e reconhecer isso não faz de ninguém um defensor do Governo (só midiotas pensam assim). Eu, por exemplo sou de oposição ao Governo Dilma por algumas razões:

- Não aprofundou a reforma agrária;
- Não regulamentou a mídia;
- Não implementou o imposto sobre grandes fortunas;
- Não auditou a dívida interna;
- Se descolou dos Movimentos Sociais, governando para o criminoso mercado;
- Sancionou o AI-6, a tal lei anti-terrorismo.

Dessa maneira, um possível governo Temer será o caos para o trabalhador, com perdas de direitos trabalhistas, perda de liberdades, fortalecimento do racismo, machismo, homofobia, misoginia, aumento da favelização, da miséria, da fome e, consequentemente, da violência. 

Só será bom para os 367 bandidos da Câmara e para os cúmplices que os apoiam.











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quarta-feira, 20 de abril de 2016

O sul-realismo fantástico toma conta do Brasil (Por Thiago Muniz)

E quem conta são os jornalistas estrangeiros.

O golpe parlamentar em curso no Brasil está sendo tratado por grande parte da imprensa internacional como uma grave ruptura das instituições democráticas do país. Tendo em vista que, internamente, um dos pilares dessa situação é a predileção da maior parte da chamada grande imprensa pelo lado que apoia o impeachment da presidente Dilma Rousseff, as versões publicadas por correspondentes e enviados especiais diferem fortemente dos enquadramentos vistos pelas bandas de cá. 

Várias são as matérias divulgadas nos últimos dias por meios alternativos ou de menor alcance no cenário brasileiro acerca da questão. Assim, como o tema está sendo bastante comentado, enfoco apenas algumas das muitas matérias sobre o assunto.

A votação sobre a admissão do processo de destituição de Dilma no último domingo, na Câmara dos Deputados (que terminou com 367 votos para o sime 137 pelo não) foi um show de horrores. Indo de votos em “nome de Deus” a deputados federais cantando paródias e soltando confetes, o circo do dia 17 de abril foi bem definido pela manchete do irlandês Irish Times: “Brasil envia os palhaços para votar impeachment de Rousseff”. No texto, o enviado especial Tim Hennigan comenta que, mesmo tendo Tiririca, um dos palhaços mais amados do país, como congressista, outros políticos se mostraram como piadistas ainda maiores. “Na mais importante sessão do Legislativo do país em quase um quarto de século, muitos de seus membros se comportaram com o decoro dos fãs de futebol bêbados em um clássico local”. 

O jornalista comenta que, com o passar do tempo, era difícil não simpatizar com o lado contrário ao impeachment — mesmo porque, do outro lado, se posicionam o extremista Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a “aranha no centro da teia”, denunciado por envolvimento em diversos casos de corrupção.

O New York Times, na semana passada, havia publicado texto no qual afirma que os políticos que tentam tirar Dilma Rousseff da presidência enfrentam eles próprios acusações de corrupção, apresentando a situação como exemplo de hipocrisia, já que a presidente não responde a nenhuma acusação. 

Na segunda (18/04), o periódico norte-americano noticia que, apesar da empolgação dos oposicionistas, o resultado da votação não termina com a crise brasileira. O NYT aproveita para apresentar o vice-presidente Michel Temer como um “cavaleiro cuja armadura não é muito brilhante”, já que ele foi denunciado em irregularidades.

“Deus derruba a presidenta do Brasil” é a irônica manchete do periódico espanhol El País sobre o desfile da alegada “religiosidade” dos congressistas ao microfone da Câmara. O bizarro cabedal de dedicatórias de votos é relembrado pela jornalista María Martín, que observa, porém, que as chamadas pedaladas fiscais foram completamente esquecidas como razão de voto pelo sim. 

María diz que a Casa legislativa se vê repleta de fundamentalistas religiosos e que possui uma clara tradição de nepotismo. Ao final do texto, além do Todo-Poderoso, a jornalista espanhola acrescenta os netos dos deputados como responsáveis pelo resultado da votação.

O grotesco pronunciamento de Jair Bolsonaro, que dedicou seu voto à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra — torturador de centenas de pessoas e da presidente Dilma e seu ex-marido — causou espanto e revolta ao comentarista político Miguel Sousa Tavares, da rede portuguesa SIC:

“Nunca vi o Brasil descer tão baixo”, disse. “Chegar a essa grau de indignidade ultrapassa tudo que é respeitável”. Tavares atacou também o processo levado a cabo na Câmara, desqualificando a tentativa de derrubada do governo. “Foi uma assembleia-geral de bandidos, comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha”. 

O jornal britânico The Guardian comenta que a figura de Bolsonaro é extremamente controversa, principalmente em assuntos relacionados a mulheres (é citada sua agressão verbal à também deputada federal Maria do Rosário), e que, apesar de suas demonstrações de machismo, ele é o terceiro político com mais “likes” no Facebook. A matéria do Guardian observa que a deplorável fala de Bolsonaro acabou sendo um “dedo” nas feridas da ditadura, pois o tema foi colocado para a presidente em seu encontro com a imprensa internacional na terça-feira (19/04). Na ocasião, Dilma não citou o nome do parlamentar, mas disse ser deplorável que o momento no país tenha aberto espaço para a intolerância, o ódio e esse tipo de declaração.

Na segunda-feira (18/04), a mandatária havia feito um pronunciamento em Brasília sobre a votação. É necessário dizer que o pronunciamento de Dilma foi transmitido ao vivo pelo canal de TV argentino Todo Noticias, enquanto, no Brasil, nenhuma rede colocou a presidente no ar. Isso é um indicativo forte de duas coisas: a grande importância que os argentinos estão dando ao tema; o absurdo posicionamento da chamada grande imprensa brasileira, que, em um momento de ebulição como o atual, resolve não dar visibilidade à mandatária. 

Por quê? Por qual razão Dilma não podia ter sido ouvida naquele momento? 

Não há justificativa plausível — em se levando em conta as prerrogativas de um jornalismo minimamente responsável, obviamente.

O jornalista norte-americano baseado no Brasil Glenn Greenwald, vencedor do prêmio Pulitzer e editor do The Intercept — que, há duas semanas, havia entrevistado o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva –, deu uma excelente entrevista entrevistado pela veterana Christine Amanpour, da CNN.

Ao citar as acusações contra figuras como Paulo Maluf, Eduardo Cunha e outros políticos que julgam Dilma, Amanpour pergunta, assombrada: “O que está acontecendo?!?”. Ele responde que Dilma não é acusada por nenhum crime e que o processo de impeachment é antidemocrático e que a elite empresarial e as grandes empresas de mídia do país empurram o processo. 

Greenwald comenta que o impeachment ser liderado por Cunha, político que comprovadamente possui contas não-declaradas na Suíça e está envolvido em uma diversidade de escândalos, é a situação mais absurda que ele já cobriu como jornalista. Ao ser perguntado se Dilma deverá renunciar ou ser tirada do poder, Greenwald sustenta que é pouquíssimo provável que ela deixe a presidência por renúncia, pois é uma mulher forte, que sobreviveu aos horrores da tortura durante o período militar.

Ao contrário do velho jargão jornalístico que diz que “só nos resta esperar”, é urgente defender a democracia brasileira antes que seja tarde. O processo de impeachment teve seu estrondoso início com o espetáculo das trevas na Câmara, mas ainda há um complexo caminho a ser percorrido. O que mais espanta nessa situação é que a imprensa internacional, com simplicidade, faz o trabalho que grande parte do jornalismo brasileiro não quer. 

Ou, como sabemos em muitos casos, não pode. Urge pensar sobre a responsabilidade que o campo midiático-jornalístico carrega em todo o imbróglio atual e, nesse sentido, é obsceno o posicionamento de vozes como Eliane Cantanhêde, do Estadão, que afirma que a narrativa estrangeira está sendo comandada por uma imagem vendida pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Além da vergonha alheia quando se vê que a coluna da articulista é definida como “um olhar crítico no poder e nos poderosos”, dá pena observar que análises tão rasteiras e superficiais são as que marcam espaço na imprensa tradicional — para não ser injusto e comentar apenas Cantanhêde, pode-se relatara que analistas como Merval Pereira, do canal GloboNews, também chiaram contra os meios estrangeiros, afirmando que eles não conseguem “compreender” o cenário nacional.

Política e socialmente, pouco parece ter mudado na orientação dos meios jornalísticos desde 1964. Mas há uma grande dificuldade de essas empresas imporem uma versão única dos fatos, seja pela concorrência com periódicos alternativos, seja pelas expressões individuais e coletivas de grupos que não são profissionais da notícia, mas que divulgam informações e são compartilhados e retuitados.

Afora isso, as empresas jornalísticas externas tentam entender o que acontece nessas terras, e apesar da complexidade da situação, os jogadores e seus interesses vão ficando cada vez mais claros, especialmente sob os discursos de honra a Deus, aos filhos, netos, sobrinhos, corretores de seguros e à paz de Jerusalém. Por essa razão, é cada vez mais importante ver, ler e ouvir o que profissionais do exterior têm a dizer sobre o realismo fantástico que tomou conta do Brasil.











BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.