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domingo, 19 de março de 2017

Jornal O Dia, ¿Por qué no te callas? (Por Thiago Muniz)

"O que está acontecendo no Brasil pode culminar no triunfo da aliança entre setores do judiciário e empresas religiosas neo pentecostais que nos levarão, se o projeto dessa turma funcionar, a um contexto em que os três poderes estarão articulados para colocar em prática o projeto do "Brasil, pátria do evangelho"; que mais se parecerá uma cleptocracia cruzadística..."
(Luiz Antônio Simas)

O jornalista Caio Barbosa foi demitido do jornal O Dia por exigência do prefeito do Rio, bispo Marcelo Crivella, feita diretamente ao dono do jornal.

A exigência de demissão foi feita após o jornalista publicar matéria denunciando a situação dos postos de saúde do município frente à campanha contra a febre amarela.

Ao perseguir jornalistas, o bispo Crivella revela sua intolerância à crítica e sua incapacidade de se relacionar com a liberdade de imprensa.

A liberdade de imprensa nesta colõnia chamada Brasil são só para a grande mídia oligárquica, que mandam e desmandam na sociedade. Democratização e independência são cerceadas e vão agonizando.

Temos que nos mobilizar urgentemente para produzir uma vacina contra o arbítrio do poder político em nosso país, democratizando os meios de comunicação.

O colega Caio Barbosa, um dos últimos repórteres de verdade das arrasadas redações cariocas e autor da coluna de bares do jornal, que ultimamente vinha me servindo de inspiração, referência e motivo de orgulho, foi demitido do jornal, a pedido do prefeito da cidade. O motivo, ter escrito uma matéria em que expunha, com sobriedade e imparcialidade, o medo da população com relação à febre amarela. Mas o bispo não gostou... Lamentar a covardia do "empresário dono de jornal" que acatou o pedido é chover no molhado. Absolutamente revoltante, contudo, é constatar que esse "prefeito" revela-se um homem público de estatura tão baixa que nem nos nossos piores pesadelos poderíamos prever. Com esse bispo sentado no Piranhão, os próximos quatro anos na nossa cidade vão ser de coroar o capeta.

A gente sabe que a mídia corporativa sempre precisou rezar a cartilha do poder público e que, no caso da grande emissora, ela é o quarto poder, mas eles perderam completamente a inibição. Não é mais segredo pra ninguém. Cuidar das pessoas é o cacete.

Lamentável. Não é a primeira e nem será a última. É assim em todos os setores profissionais. O beneficiado hoje será o esquecido de amanhã. É uma roda. Seguir no caminho correto é fundamental e através das pequenas coisas ir tentando mudar o que está por aí. Nunca foi e nem será fácil. São mais derrotas que vitórias. Importante é saber que todas conquistas são fundamentais e que nenhuma derrota deve tirar sua vontade de querer mais e mais. Se for para perder que seja lutando, não desistindo e mesmo caindo ter força para levantar e enfrentar novamente. Tenho certeza que quem sigo e acredito não vai desistir NUNCA.

Jornal O Dia, ¿Por qué no te callas?















BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A voz da Abstenção nas urnas (Por Thiago Muniz)

"O desgaste do processo político é um fenômeno de alcance mundial. Mas cada país o vive de acordo com sua trajetória histórica. Estamos sustentando um sistema apodrecido. Não é exato dizer que as pessoas que se afastam dele sejam alienadas. Se entendemos alienação como distância da realidade, é o sistema que se alienou, encastelando-se no próprio atraso, enquanto a sociedade avançava na aspereza cotidiana." (Fernando Gabeira)

É um saco. Você liga a TV e as mesmas palavras aparecem: desvio de dinheiro público, improbidade administrativa, caixa 2. Sem falar nos deslizes que os governos cometem mesmo quando são bem-intencionados. Diante de tanta desilusão com a política no Brasil, muita gente decide chutar o balde, recusar todos os candidatos de uma vez e votar nulo. Outros se perguntam se, afinal de contas, o ato de anular tem algum valor para melhorar o país. O assunto fica pipocando nas mesas de bar e nas redes sociais. Em 2014, no 1º turno da eleição presidencial, 6,6 milhões de brasileiros escolheram votar nulo.

Será que esses votos são resultado de uma atitude digna? Ou significaram simplesmente tomar uma decisão alienada, jogar um direito no lixo?

Na história, o voto nulo já foi uma bandeira ideológica. Era uma idéia básica dos anarquistas, um dos movimentos utópicos que nasceram no século 19 e fizeram sucesso no começo do século 20. Para eles, votar nulo era uma condição para manter a própria liberdade, se recusando a entregá-la na mão de um líder. Anarquistas como o filósofo francês Pierre-Josef Proudhon não viam grande diferença entre reis tiranos que oprimiam seus súditos e presidentes eleitos pela maioria. "Não mais partidos, não mais autoridade, liberdade absoluta do homem e do cidadão", pregava Proudhon. O sonho dos anarquistas era uma sociedade organizada pelas próprias pessoas, sem funcionários, sem autoridades e sem líderes.

Quando me lembro do entusiasmo de algumas eleições passadas, sinto uma certa nostalgia do tempo em que havia esperança. Alguns acham que a esperança deveria voltar, como se fosse algo que pudéssemos fabricar a qualquer momento. Quem tem esperança nesse processo político merece respeito, mas está distante da realidade. Quantas vezes não ouviu essas promessas eleitorais? Quantas vezes não viu candidato dizendo que ele, sim, pode resolver os problemas da cidade?

O voto branco ainda é considerado um voto conformista, ou seja, o eleitor que utiliza essa forma de voto é considerado um sujeito satisfeito com qualquer um dos candidatos que ganhasse. A ideia por trás disso é que todos os votos em branco vão para o vencedor.

Já o voto nulo é tido como uma forma de protesto. Muita gente incentiva as pessoas a votarem em nulo porque isso mostraria a indignação coletiva com o estado da política no nosso país e forçaria a realização de novas eleições, com novos candidatos.

O fato é que, desde 1997, os votos brancos são considerados inválidos e não favorecem nenhum candidato. Já os votos nulos não têm poder nenhum de influenciar o rumo de uma eleição, apenas diminuindo o total de votos válidos. Assim, os dois votos praticamente se equivalem em seus efeitos.

O voto nulo não é computado em nenhuma eleição e só interfere, indiretamente, nas eleições para deputados e vereadores, pois diminui a porcentagem total de votos válidos. Assim, mesmo quando são a maioria, eles não anulam nenhum tipo de eleição.

O que muitas vezes causa confusão e leva alguns a acreditar que o voto nulo pode anular a eleição é o artigo o 224 do Código Eleitoral, que prevê a necessidade de marcação de uma nova eleição se “a nulidade atingir mais de metade dos votos do país”. Porém, a nulidade a que o artigo se refere não é o voto nulo! Na verdade, ela se refere à anulação de votos em decorrência de fraudes nas eleições: cédulas falsas, votação feita fora do horário e local estipulados, etc.

Anular também parece uma boa para quem não se contenta ou não vê diferença entre os candidatos. "Política é escolha. E o voto nulo é uma escolha como qualquer outra", afirma Francisco de Oliveira, professor de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP). Não se trata de um acadêmico que enxerga a política apenas teoricamente. Francisco participou do governo do presidente João Goulart até 1964. Com o golpe militar, teve que sair do Brasil para não ser perseguido pela ditadura. Na década de 1980, se uniu a um grupo de amigos e ajudou a fundar o PT.

Numa campanha sobre as eleições presidenciais de 2002, a MTV foi acusada de fazer propaganda do voto nulo em uma vinheta que sugeria ao público jogar ovos e tomates nos políticos. Apesar de a emissora afirmar que não pretendeu incentivar o voto nulo, também colocou todos os candidatos no mesmo saco. Com zurros de burro ao fundo, a vinheta recomendou: "Cuidado. De um lado, o governo sujo pela corrupção e pela hipocrisia. De outro, a oposição que pensa que todo mundo é idiota e não se lembra do que fizeram quando estavam no governo".

Em 1988, depois do fracasso do Plano Cruzado, o macaco Tião, habitante do zoológico do Rio de Janeiro, foi lançado candidato a prefeito. Terminou em 3o lugar, com 400 mil votos (9,5% do total). O bode Cheiroso é um famoso candidato nulo. Em Jaboatão (PE), recebeu 400 votos para vereador. Bodes com o mesmo nome já venceram em Olinda (PE) e Minas Gerais. O maior índice de nulos das últimas eleições para deputado federal foi em 1994: 25,2% dos votos. Para presidente, foi em 1998, com 10,7%. Não há registro de que surtiram efeito como protesto.

E o que aconteceria se a maior parte dos eleitores tomasse uma decisão coletiva de recusar todos os candidatos e votasse nulo?






















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Thiago Muniz é colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 30 de agosto de 2016

O fracasso e retrocesso da democracia (Por Thiago Muniz)

Hoje é um dia de fracasso. 

O impeachment de um presidente da República é um fracasso nacional.

Mas é importante entendermos o que aconteceu. Como chegamos a este fracasso.

Dilma Rousseff está sofrendo o impeachment por parte de um Congresso fisiológico. 

O que motiva boa parte dos parlamentares pró-impeachment tem mais a ver com sua própria sobrevivência e a de suas práticas do que o futuro do Brasil. Entregam Dilma à turba de brasileiros que marcham pelas ruas contra a corrupção na esperança de que sacie sua fome. Vão-se os anéis, ficam os dedos.

Com alguma sorte, a turma volta para casa e o Congresso segue a vida como ela era.

As pedaladas fiscais são uma desculpa. Elas aconteceram. Aconteceram, entre 2014 e 2015, em níveis muito superiores à prática de todos os presidentes anteriores. Principalmente no caso de 2014, ocorreram por populismo eleitoral. Interessava a Dilma disfarçar as reais condições da economia brasileira para se reeleger. As pedaladas de 2014 e 15 não são equivalentes às outras em volume ou no tempo. É bastante razoável considera-las operações de crédito. Mas também é fato que o Tribunal de Contas jamais as censurara antes.

As pedaladas são uma desculpa. Dilma sofre o impeachment por causa da Operação Lava Jato que expôs os brutais níveis de corrupção dentro de seu governo e no de seu antecessor e padrinho, Lula. Sofre o impeachment por sua inépcia na gestão econômica do país. As causas da crise podem estar lá fora, mas nenhum país emburacou como aquele governado por Dilma. Sofre o impeachment, também, porque a nova classe média, gestada durante o governo Lula, virou-lhe as costas. Virou porque está ameaçada de perder tudo o que ganhou pela crise.

O Presidente da Câmara na época, Eduardo Cunha chantageou Dilma ameaçando abrir o processo de impeachment caso o Planalto não o auxiliasse na luta por manter seu mandato. O Planalto quis ajuda-lo. Tentou. Se esforçou. Os deputados federais do PT é que se recusaram a ouvir os apelos do Planalto. Dilma estava plenamente disposta a ser chantageada. Parlamentares petistas é que decidiram, ali, impor um limite. Um raro gesto de dignidade que lhes custou caro, talvez. E a abertura do processo veio. E mais de dois terços do plenário da Câmara achou por bem apresentar a denúncia de impeachment ao Senado.

Não se trata de uma luta de fisiológicos contra honrados.

O PT, ao chegar no Planalto, acreditou que poderia jogar o mesmo jogo. Tornou-se tão fisiológico quanto os velhos coronéis, tão corrupto quanto os antigos barnabés, tão capaz de distribuir cargos, verbas e propinas quanto quaisquer outros políticos que já estiveram no mando brasileiro.

Lula e seu governo são investigados por práticas de corrupção em níveis nunca documentados. O prejuízo oficial da Petrobras, aquele cravado em planilha, provocado pela corrupção de diretores que se tornaram réus confessos, causado por negócios terríveis nos quais há inúmeros sinais de ampla distribuição de propinas como a compra improvável de Pasadena, equivale a 1% do PIB brasileiro.

Os efeitos da brusca queda da Petrobras sentem-se com violência em toda economia brasileira, em particular no estado do Rio de Janeiro. Dilma Rousseff, a administradora capaz que se gabava de microgerenciar cada casa decimal de cada planilha, presidia o Conselho da Petrobras.

Ela é responsável pelo que ocorreu na empresa. Ela é responsável pelo que aconteceu no Brasil nos últimos cinco anos e meio.

Assim como Lula é responsável. Um político extraordinário, brilhante, de um carisma ímpar. Não há hoje, no Brasil, um político mais hábil do que Lula. Ele poderia ter comandado uma ong internacional de combate à fome, poderia ter presidido a ONU, poderia ter sido Nelson Mandela. Preferiu ser lobista de empreiteiras. É incrível como um homem tão grande pode ser tão pequeno. Com suas palestras e seu nome, poderia ter pago quantas reformas quisesse em quanto sítios de Atibaia desejasse, teria os tríplex com os quais sonhasse. E ainda, pela pura força de seu carisma e de seu nome, pela habilidade nata de costurar acordos, teria chegado ao Nobel da Paz e melhorado a vida de um bom bilhão de homens, mulheres e crianças.

Lula preferiu ser lobista de empreiteiras brasileiras na África e América Latina. Preferiu exportar o fisiologismo pátrio.

O fracasso dele é o nosso fracasso. É o fracasso cultural do Brasil. Porque Lula é o reflexo do que o Brasil é.

Os antipetistas mais rábicos podem acreditar que tiveram uma grande vitória e que afastaram do poder alguma espécie de mal fundamental.

Os petistas mais irracionais acreditarão que as possibilidades de um governo justo e social foram derrubadas pelas camadas mais reacionárias da sociedade.

O que aconteceu foi muito menor.

Só substituímos um governo fisiológico por outro. O governo Michel Temer não tem uma política econômica particularmente distinta daquela que Dilma tentou implementar a partir de 2015. A diferença é que Temer é um político hábil e Dilma não o foi. A diferença é que Michel Temer completa as frases que inicia. Com alguma sorte, estabilidade econômica virá.

Mas Michel Temer é também o Brasil velho. Como, aliás, o PT.

O impeachment é legal. Se é legal, não é Golpe. Não é consolo.

Mas há a Lava Jato.

O fisiologismo brasileiro se ancora na propina de grandes empresários que detém os mais vultuosos contratos públicos. É esta propina que, lentamente, vai financiando as campanhas eleitorais que ampliam a base fisiológica nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional.

O fisiologismo abraçado por tucanos e petistas, assim como por peemedebistas e todos os outros.

Se alguém quer entender por que o Congresso Nacional piora a cada ciclo eleitoral é por causa disso. Porque, desde a redemocratização, a máquina do fisiologismo trabalhou para produzir dinheiro de campanha e se procriar. Este tipo de vereador, deputado e senador encontrou o caldo de cultura perfeito. A fonte da eterna caixa 2.

Mas há a Lava Jato.

E empresários, hoje, têm medo de pagar propinas. Para eles, corromper ficou caro. O dinheiro de campanha que alavancava a candidatura de parlamentares fisiológicos está desaparecendo. Será um soluço inédito na história do Brasil para tudo voltar a ser como antes? A política brasileira pode ter piorado, mas o Estado melhorou por dentro. Talvez o Estado democrático tenha criado a vacina para este fisiologismo patrimonialista que nos condena ao passado.

O nosso lado é o da inclusão. O nosso princípio precisa ser o de "amar o próximo como a ti mesmo". Se o nosso lado não coincidir com o dos "vencedores", não tem importância. Estamos onde estamos por causa deles.

O apelo central aqui é... não abandone a arte da política. Mas escolha um lado. O mais fácil é o dos vencedores. É isto que você quer para nós e para o país?
Essa é a esperança que nos resta.


"viva eduardo cunha, viva mendoncinha ministro da educação do brasil, viva perrela do helicóptero, viva aécio do leblon, viva magno e sua malta piadinha, viva cristovam q esqueceu a fantasia organizada de celso furtado, viva a nova indústria da seca nas mãos do pmdb, viva o crime de lesa-pátria, viva marta suplicy, viva os vendidos todos, mas viva principalmente o stf q "legitimou" em 64 e agora faz o bis pra vocês, viva a falta de legalidade, dane-se, viva a imprensa q acata e dá sinais de tudo bem, meu bem, viva os isentões e os seus senões, viva a culpa eterna no pt de quem sequer tem mãe pra mandar se lascar no cemitério dos édipos gerais, viva o psdb, o mais íntegro e inimputável partido da mídia brasieira, viva zé serra, o maior ministro do governo golpista q nao foi votado para tal posto, viva nós os otários q comemos na mão da ignorância." (Xico Sá)




































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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 12 de maio de 2016

O fim da democracia no Brasil (Por Thiago Muniz)

"Aos brasileiros que se opõem ao golpe, mantenham-se mobilizados" (Dilma Rousseff)

É lamentável a crise instaurada pela Política suja no Brasil. Derruba-se um governo eleito pelo povo. Instala-se um governo eleito por corruptos, hipócritas, usurpadores e egoístas. Não há razão para rir quando quem perde é o Brasil.

Impeachment POLÍTICO!

12/05/2016: Dia triste para o Brasil. Mesmo quem hoje está rindo, soltando fogos, ainda vai se dar conta disso –a não ser que seja cúmplice ou tenha a ganhar pessoalmente com o governo ilegítimo que hoje se instala, esperamos que interinamente.
O capitalismo global, capitaneado pelos Estados Unidos, não tolera nenhum experimento político-social que escape de suas mãos.

Os Estados Unidos, capitaneando essa globalização, impedem por todos os meios qualquer iniciativa que possa questionar sua hegemonia. 

Isso pela simples razão de ser potência dominante que pretende continuar sua supremacia, pois necessita da América Latina como um território vital [fonte de matérias-primas indispensáveis, de petróleo, de água doce, de mão de obra barata para levar ali muita indústria de montagem, como mercado para seus produtos, entre outros benefícios]. 

As oligarquias nativas, articuladas a esse projeto capitalista, fazem as vezes de aliados táticos nessa dominação; daí que todas reagem por igual ante estes governos "incômodos", com perfil populista.

27 anos de democracia foram hoje jogados no lixo por uma oposição que, fracassada há quatro eleições nas urnas, decidiu ignorá-las.

Mas a luta não acabou - e se há algo que posso garantir é que continuarei a combater este "governo" ilegítimo até o fim. Se há uma coisa que me orgulho de ter é coerência - ao contrário do outro lado, que protestou quando Lula foi nomeado ministro e agora acha lindo Temer ter colocado seis indiciados na Lava Jato em ministérios que lhes conferem foro privilegiado. E um detalhe fundamental: Lula nem era indiciado. Seu crime, muito maior, era ser o Lula.

Aliás, a narrativa do "governo" Temer começa a se tornar cada mais vez óbvia: pela primeira vez desde o governo Geisel, não há UMA única mulher ministra. Tampouco há negros. Mas há, além dos indiciados na Lava Jato, o inevitável Serra no Comércio Exterior - um posto perfeito para quem já havia se encarregado de apresentar projeto para abrir o pré-sal pros estrangeiros e agora poderá negociá-lo diretamente.

Seja como for, numa dessas coincidências que julgo curiosas, quando o golpe anterior ocorreu, em 1964, havia dois filmes brasileiros na mostra competitiva de Cannes: Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol. Pois este ano não só temos o próprio filho de Glauber Rocha exibindo um doc sobre o Cinema Novo na Quinzena dos Realizadores como ainda teremos o brasileiro Aquarius na competição.

E deixem que os golpistas sigam com suas provocações imaturas de "Chola mais", "Aceita que dói menos" e "Tchau, querida". Firmes no lado errado da História, só resta a eles a "retórica" de um pré-adolescente. O que não sabem é que quem é movido por uma ideologia não aceita golpe e não perde tempo chorando: a luta, como sempre, continua.

Ladrão julgando ladrão e ainda usando o nome de DEUS em vão. Homens corruptos, sem moral e sem caráter representando o povo brasileiro. O povo brasileiro precisa aprender a eleger seus representantes ou seremos sempre espectadores desse circo de horrores e marionetes nas mãos de inescrupulosos que se perpetuam no poder através do voto e manobras políticas.

Sem vencer nenhuma eleição para Presidência da República em seus 50 anos de história, o PMDB assumirá o cargo pela terceira vez em pouco mais de 30 anos. Com a confirmada ascensão de Michel Temer, o partido passa a ter "100% de aproveitamento" de seus três vices, que chegaram à Presidência.

O primeiro governo federal do PMDB se iniciou em 1985, com José Sarney. Ele assumiu a Presidência por causa da morte de Tancredo Neves, também peemedebista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.

Sarney, porém, não tinha nenhum histórico no PMDB e se filiou em agosto de 1984, deixando o PDS num acordo com setores mais conservadores para poder concorrer como vice de Tancredo.

O segundo presidente peemedebista também se filiou em cima da hora. Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Itamar foi eleito pelo PRN, junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment --que viria a ser aprovado em dezembro.

Michel Temer classificou as pedalas fiscais como "artifícios contábeis" para resolver um problema em um momento de dificuldade. "Este crime de responsabilidade não ocorreu, e se tivesse ocorrido teria ocorrido em 16 estados brasileiros, inclusive no estado do relator, o senador Antonio Anastasia.

Uma pergunta que não quer calar: cai uma presidente mulher, ou "presidenta", como ela gosta, e não entra nenhuma mulher no primeiro escalão do governo interino do vice Michel Temer.

Novo Brasil nasce com 1 presidente ficha suja. 7 investigados da Lava Jato colocados nos Ministérios. (para obter foro privilegiado). DEM E PSDB como base aliada. Nenhuma mulher e nenhum negro em cargos Ministeriais. E uma parte da população que dizia que estava lutando contra a corrupção, mas parece que era só contra as do PT.

Você sabia que a FIESP, um dos grandes apoiadores do impeachment (que fez doações violentas de grana), é a favor do fim da CLT, do 13o salário e das férias?

Você sabia que SETE investigados na Lava Jato serão nomeados ministros e, por isso, terão foro privilegiado?

Você sabia que uma das prioridades do Temer é a reforma da previdência e os beneficiários (ou seja, você daqui uns anos) poderão receber menos que o salário mínimo no futuro?

Você sabia que, entre os ministros, não há uma mulher ou negro? O primeiro governo sem mulheres desde o fim da ditadura.

Você sabia que o Temer é investigado por corrupção - coisa que Dilma nunca foi? E que por ser ficha-suja, é inelegível?

Que o Alckmin (aquele que curte atrasar obra de metrô e mandar a PM bater em geral) deve 333 milhões por pedaladas fiscais - mas seu impeachment nunca foi cogitado?

E que o Ministro da Justiça é o Secretário de segurança do Alckmin, cuja truculência e falta de abertura para diálogos já foi escancarada?

Não comemorem, queridos. Essa lista acima ainda é muito maior. É como falaram por aí: Dilma não perde. Quem perde é a gente, que não tem conta na Suíça nem no Panamá.





















Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

(Chico Buarque)





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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Um golpe na democracia brasileira (Por Thiago Muniz)

O espetáculo grotesco oferecido pela Câmara Federal expõe à saciedade quão imperiosa é a reforma, profunda, do sistema eleitoral que a produziu. Mas como esperar que nossos parlamentares livrem a legislação das mazelas e vícios que garantem a reprodução de seus mandatos? Pois essa Câmara abriu o processo de impeachment.

Uma Casa de maioria hegemonizada por um agrupamento de acusados, presidida por um parlamentar consabidamente desonesto, no comando de um processo de cassação de uma presidenta consabidamente honesta. E, se esse processo tiver curso no Senado, há risco de vermos uma presidenta legitimamente eleita por 54,5 milhões de votos ser substituída por um vice perjuro, sem um só voto.

O parlamentarismo e o presidencialismo conhecem fórmulas distintas de substituição do chefe do governo. Nos regimes de gabinete há o voto de desconfiança que destitui o primeiro-ministro (e o gabinete) sempre que este se encontre em minoria parlamentar. É ato tipicamente político.

No parlamentarismo, o presidente é geralmente eleito pelo voto popular (França, Portugal, Itália, por exemplo) e cabe-lhe simplesmente as funções de chefe de Estado e em alguns casos o comando da política externa. Nas monarquias parlamentares (Inglaterra, por exemplo), o “rei reina, mas não governa”. As funções de governo e de Chefe de Estado são atribuições do primeiro-ministro, eleito pelo Parlamento, expressão do poder popular.

No presidencialismo há apenas duas formas de mudança do presidente, a clássica, do golpe de estado clássico (com violência ou não) e a constitucional, via impeachment, nas hipóteses previstas pela constituição. Quando esse se processa sem o atendimento à prescrição constitucional, volta-se para a primeira hipótese e para a classificação de golpe de Estado. É o caso atual.

A acusação à presidente – na peça vestibular, na Comissão, no Plenário da Câmara, na Comissão do Senado – não conseguiu indicar uma só hipótese de crime de responsabilidade, e não foi por deslize administrativo que ela está sendo punida, mas por haver perdido maioria no Congresso e isso é uma violência inominável no leito do presidencialismo.

Trata-se, pois, de ato político, estritamente político-partidário, aliás revelado à saciedade nos votos esdrúxulos do 17 de abril, um infindável desenrolar de queixas, queixumes e mágoas ao lado de um vazio de acusações objetivas. Eis o golpe e, para essa configuração, é irrelevante se o agente foi o Congresso ou um destacamento militar.

Independentemente do desfecho imediato da crise política, permanecerá intocada a fratura exposta da crise de legitimidade que corrói os poderes da República, e ameaça a democracia representativa, qual a praticamos, reclamando a reorganização política do País. O Estado de hoje não mais atende às necessidades de nosso desenvolvimento e da complexidade que caracteriza a mudança social em andamento.

A crise política é o anúncio de um fim de ciclo e indica, no horizonte, o novo ciclo que se está costurando nos escaninhos insondáveis do processo histórico. Aos movimentos sociais cabe preparar-se para uma longa e dura jornada de lutas em defesa dos direitos trabalhistas e sociais e da soberania nacional. Afinal, o que está em jogo é o Brasil das próximas décadas.





























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domingo, 30 de agosto de 2015

Galán: o político que não se vendeu a Pablo Escobar (Por Thiago Muniz)

"Ni un paso atrás, siempre adelante." 
(Luis Carlos Galán)

A noite de um sexta-feira 18 de agosto de 1989 o narcotráfico e os seus vínculos com o poder político conseguiram outra vitória na Colômbia. O candidato à Presidência Luis Carlos Galán, um liberal que tinha prometido lutar contra o crime organizado no país em tempos de Pablo Escobar, morria crivado a balas quando se dispunha a dar um dos seus famosos discursos.

O assassinato foi uma tragédia que marcaria para sempre a história de um país que vivia momentos terríveis de violência com o auge de Pablo Escobar e seus sequazes, o cartel de Medellín, quem tinham alcançado estabelecer fortes vínculos com as altas esferas políticas colombianas.



Galán, liberal e ex-ministro de Educação do Governo de Miguel Patrana, queria desafiar à dinâmica que governava a Colômbia e sob a frase: "Nem um passo atrás, sempre adiante, e o que for necessário, será", decidiu defender até o final a luta contra a corrupção, a violência e o narcotráfico.

"Apesar de que era um menino, lembro o que estava acontecendo. Os assassinatos de Rodrigo Lara (ministro de Justiça), Jaime Pardo Leal (da União Patriótica), Guillermo Cano (jornalista). Todos em casa sabíamos que papai era um homem ameaçado e que a Colômbia sofria com os violentos", rememora o seu filho Carlos, segundo o diário colombiano 'El Espectador'.

A sua família lembra Galán, como um "mamagallista (brincalhão) por natureza", mas cujo caráter teve que mudar à força, quando sofreu a primeira tentativa de assassinato, em 4 de julho de 1989. As autoridades lograram deter os culpados, mas desde então os seus dias estavam contados.

Aquele dia fatídico a mulher de Galán, Gloria, lhe tinha insistido para que não fosse à uma manifestação em Soacha, no sul de Bogotá. Tinha medo depois do atentado frustrado que haviam preparado contra eles e depois dos assassinatos uns dias antes do magistrado Carlos Valencia García e do coronel Valdemar Franklin, na Antioquia.

Ignorando os conselhos da sua família, Galán dirigiu-se a Soacha disposto a pronunciar um discurso. Cumprimentou a multidão que o esperava e subiu a uma improvisada tarimba, onde lhe esperavam os seus assassinos. De repente se escutou a primeira rajada de balas. As televisões colombianas captaram aquele momento histórico que tirou a fala dos seus espectadores e que afundou mais ainda na escuridão a uma Colômbia que, por aquele então, nunca se tirava o luto.

Ainda que uma boa parte do país critica a impunidade do assassinato do líder liberal, a Promotoria tem uma lista de condenados e uma hipóteses clara sobre os motivos deste crime, que estaria vinculado com outros quatro magnicídios.

Após anos de investigação, e após o assassinato de oito dos testemunhas do caso, entre eles os próprios sicários, os fiscais sustentam que Galán foi assassinado por uma aliança criminal entre inimigos, que sob a liderança de Pablo Escobar pretendiam acabar com aqueles líderes contra o crime organizado que tivessem possibilidades de alcançar o poder.

Entre os já condenados e acusados do caso encontram-se o narcotraficante John Jairo Velásquez, alcunhas 'Popeye'; o ex-ministro Alberto Santofimio Botero; os coronéis da Polícia Manuel Antonio González; o ex-comandante do primeiro distrito de Soacha Luis Felipe Montilla; além do general em retirada Miguel Maza Márquez, quem recentemente foi julgado, entretanto não tem a condena aplicada.

Segundo a Promotoria, entre as testemunhas e implicados no caso que foram assassinados ao longo dos anos estaria o responsável do homicídio.

Sobre os avanços e obstáculos que teve a investigação pelo assassinato de Galán, o seu filho Carlos falou também de supostos vínculos do clã dos Ochoa com o assassinato do seu pai, segundo informou Caracol Rádio.

Outro membro da família, o ex-vereador de Bogotá e irmão do liberal, Antonio Galán, destacou que desde o princípio das investigações forças escuras levaram para outros setores as investigações e fizeram que inocentes fossem à prisão por um delito que não cometeram.

Segundo os investigadores do caso, há uma carta que no próximo 22 de outubro, quando se adiante um julgamento contra os dois coronéis implicados, poderia dar novas pistas do crime.

A carta é o testemunho de um cabo da Polícia que fazia parte do grupo motorizado que encarregava-se da segurança na praça de Soacha para o evento de Galán.

Supostamente, esta testemunha teria informação de quem ordenaram alterar a segurança do candidato presidencial e tiveram o poder de manipular os relatórios da Polícia de Soacha.

Este testemunha, identificado como José Ariza Lancheros, teria permanecido escondido e com segurança durante vários anos e, aparentemente, teria provas para resolver um dos magnicídios a mãos de cartel mais importante e mais controversos do país.

Em resposta, o governo ordena a prisão de numerosas propriedades pertencentes aos chefões do cartel de Medellin e o fechamento da fronteira para impedir a fuga dos traficantes. A máfia, por sua vez, dinamita as sedes dos partidos Liberal e Conservador e multiplica as ameaças de morte. Uma nova guerra entre o governo colombiano e a máfia da droga estava começando.

Em 1982, Pablo Escobar, um homem muito rico, nascido em Antióquia e de antecedentes desconhecidos, era inicialmente membro do Partido Novo Liberalismo de Galán. O senador conhecia detalhes sobre suas atividades ilegais e publicamente o rejeitava diante dos milhares de apoiadores de Antioquia e de toda a Colômbia.

Galán continuava com sua ascendente carreira, abstendo-se, porém, de concorrer às eleições de 1986 a fim de evitar as divisões dentro do seu partido, sendo, no entanto, reeleito uma vez mais como senador. Isso permitiu ao Partido Liberal reconquistar a presidência com a eleição de Virgílio Barco, mas com um terrível custo:o partido perdeu 50% dos votos conquistados na eleição anterior. 

Foi somente com a mediação do ex-presidente Julio César Turbay que Galán retornou ao partido em 1987 tentando ganhar a indicação para candidato presidencial.

Galán estava crescentemente incomodado com a violência e a corrupção que os cartéis da droga, chefiados por Escobar e Gonzalo Rodriguez, impunham à Colômbia.

Ele tentava respaldar o débil governo de seu correligionário buscando contrabalançar o poder de seus perigosos inimigos.

De acordo com relatos, as primeiras ameaças de assassinato foram chamadas telefônicas feitas diretamente para a residência de Galán. Folhetos foram deixados na caixa de correio ameaçando matar ou sequestrar seus filhos. Uma tentativa de matar Galán com uma lança-granadas fracassou quando visitava Medellin em 4 de agosto de 1989. A tentativa foi frustrada pelos homens de Waldemar Quintero que foram avisados. Quintero era o comandante da Polícia Nacional Colombiana em Antióquia e, como Galán, havia sido prefeito de Medellin.

Após esses acontecimentos, Galán e sua família restringiram seus deslocamentos especialmente durante a noite. Dias depois, o staff de Galán recebeu informação da inteligência colombiana alertando-o da presença em Bogotá de um grupo de sicários com a intenção de matá-lo. A equipe o aconselhou a não viajar à cidade de Soacha e que o deslocamento para Valledupar era mais recomendável, uma vez que também estava agendado para participar de um jogo de futebol do qual a seleção estava participando. No último momento, Galán mudou de ideia e ordenou que seus assessores preparassem a viagem para Soacha.

Galán foi morto enquanto caminhava em direção ao palanque, prestes a falar a uma multidão de 10 mil pessoas. O cartel da droga estava preocupado com a possível aprovação no Congresso de um tratado de extradição com os Estados Unidos e imaginava que com o atentado afastaria da votação os inimigos políticos de Galán temerosos de seu crescente poder.

Segundo John Jairo "Popeye" Velásquez e Luis Carlos "El Mugre" Aguillar, ex-sicários de Escobar, o assassinato foi planejado numa fazenda pelo narcotraficante Gonzalo "El Mexicano" Rodríguez, o líder do Partido Liberal, Alberto Santofimio e outros. Velásquez afirmava que Santofimio tinha certa influência sobre as decisões de Escobar e que o ouviu exclamar “mate-o Pablo, mate-o!”. Outros potenciais bandidos foram mencionados por um membro desmobilizado do grupo paramilitar “Ernesto Baez” das AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) que testemunharam que o assassinato de Galán havia sido organizado pela máfia com a participação de elementos corruptos do exército e da DAS (Departamento Administrativo de Segurança), a polícia política.

Em 2004, numa carta escrita por um dos sicários que havia se infiltrado entre os guarda-costas de Galán sugeriu que o assassinato foi executado com a ajuda de um policial corrupto e alguns membros de seu corpo pessoal de segurança, que haviam sido comprados pelos chefões do cartel das drogas, inclusive Escobar. A maioria dos presumíveis sicários presos foram mortos na cadeia ou logo após sua libertação, supostamente para silenciá-los.

Em 13 de maio de 2005, o ex-ministro da Justiça e congressista pelo Partido Liberal, Alberto Santofimio, conhecido por suas estreitas ligações com Escobar durante os anos 1980, foi preso e acusado de ser o autor intelectual do assassinato de Galán.

De acordo com novos depoimentos do chefe do bando de Escobar, John Jario Velásquez, Santofimio teria abertamente sugerido a eliminação de Galán durante um encontro secreto, a fim de eliminar seu rival, para também, no caso de Galán ser eleito presidente, evitar a provável extradição de Escobar. Em 11 de outubro de 2007, Alberto Santofimio foi condenado a 24 anos de reclusão.





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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pepe Mujica, o mito (Por Thiago Muniz)

Pepe Mujica é, sem dúvida, uma grande figura.

Mujica apaixona o Brasil porque fala o óbvio: é preciso decência na política.

Mas seus dias de pop star no Rio de Janeiro se explicam também por outra razão: é um político que tem uma vida pessoal coerente com o que defende na vida pública.

Não está preocupado em enriquecer, em prestar "consultorias", em ter relações promíscuas (e lucrativas) com empreiteiras ou em outras picaretagens do gênero.

Como o modelo é coisa rara no nosso mercado, faz um merecido sucesso.

Assim, o frisson que ele tem causado é consequência de duas coisas, combinadas: de suas indiscutíveis qualidades e da indigência política e moral de boa parte dos nossos "homens públicos".

O contraste com o que estamos acostumados aqui no Brasil é muito grande, por isso choca tanto as pessoas, ele é simples e coerente,qualidades praticamente extintas na classe política brasileira.

O seu título de "Doutor Honoris Causa" lhe foi conferido pelo povo, que tem nele um exemplo de dignidade e de real compromisso com a causa pública.

Eu estava na UERJ e em dado momento quiseram saber que são os exemplos históricos e os livros que mudaram a percepção de vida de Pepe.Qual foi a resposta :

"Queridos,a vida é um livro aberto". A falta a leitura desse livro para alguns políticos de esquerda no Brasil.

Mujica é, de fato, um grande político. Mas tornou-se maior com o passar do tempo justamente porque soube aprender com os erros do passado e buscar alianças amplas para governar. Alguns procuram caracterizá-lo como um homem de esquerda que não faz concessões. Seria um exemplo da "verdadeira esquerda", em contraposição à Lula. É bom saber que ele, Mujica, tem grande admiração por Lula e já declarou isto diversas vezes.

Vai visitá-lo nesta viagem no Instituto Lula. Em segundo lugar, Mujica fez várias concessões, a começar pelo sistema financeiro uruguaio, que permaneceu intocado, apesar de ser notória a lavagem de dinheiro no país. Ele fez muito bem o que estava a seu alcance e por isto se consagrou.

"Quem gosta muito de dinheiro não deve entrar para política" (Mujica)

"Esta democracia não é perfeita, porque não somos perfeitos. A luta é para melhorá-la, não para sepultá-la" (Mujica)

As pessoas xingam o cara pelo simples fato de ser comunista. Ai lembro que o Paulo Freire também era e, no entanto, seus pensamentos são a base de muitos sistemas educacionais de sucesso no mundo, inclusive, pasmem, dos EUA. Ah, por sinal, foi convidado para lecionar em Harvard sem ter nenhum título. Ia me esquecendo, em Stanford tem uma biblioteca inteira dedicada a sua obra. E os brasileiros, o que fizeram? Desprezaram tudo isso. Por que? Somente pela ideologia política do cara. Isso explica porque estamos onde estamos.

"Os políticos têm que viver como a maioria da população, não como a minoria privilegiada"(Mujica).

Esse fez dos belos discursos a sua prática. Não é como esses socialistas de araque do Brasil que vivem na ostentação, no luxo. Que do alto dos seus apartamentos, iates e carros de luxo, no conforto do Ar-condicionado, tomam vinhos e champanhe de 10 mil a garrafa, ficando a se deliciar com a miséria completa de um povo que vegeta por falta de educação de qualidade, nos açougues denominados de hospitais, enfim, mergulhados na miséria e ignorância!.

Suas palavras são pronunciadas, sílaba por sílaba, com a potência similar de um cisco no olho. Foram elas, acompanhadas de uma conduta pessoal que condiz com o que prega, que fizeram que esse ex-guerrilheiro, tão normal e tão humano, alcançasse a presidência do Uruguai em 2009 e o status de guru e filósofo internacional de toda uma geração. Sua simplicidade fascina, sua sabedoria assombra. Especialmente uma juventude com novos valores, menos materiais, e que exige mudanças. E tudo isso aos 80 anos de idade.

Quando presidente, Mujica doava parte de seu salário, continuava a viver em sua chácara na periferia de Montevidéu, ia de Fusca para o trabalho, não usava gravata —às vezes nem sapato!— e ainda abria as portas do palácio presidencial no inverno para os moradores de rua. De quebra, apoiou a regularização da maconha, a liberalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo —já não é normal no Uruguai que as mulheres estejam proibidas a fazer o que querem e que as pessoas não possam se amar livremente, mas isso é papo para outro dia.




























Mujica na UERJ



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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Mudar para não mudar? Ou mudar de vez? (Por Thiago Muniz)

O carro, que já não era muito potente, andava pendendo pra direita: pneu furado. Ao buscar o estepe para a troca, veio a triste constatação de que também ele estava furado. O jeito foi ir se arrastando, mesmo empenando a roda, até o borracheiro mais próximo, na BR-2018.

Essa metáfora me ocorre quando leio sobre a possibilidade da troca da presidente do PT pelo vice do PMDB.

O PSDB não admite derrota , mas o que os deputados estão fazendo é falta de ética, chego a conclusão que eles querem cargo.

Essa briga é pelo poder! Nenhum político dos maiores partidos desse país, seja ele da oposição ou situação está interessado no que é melhor para o Brasil, estão interessados no poder. O PSDB tem a capacidade de usar o slogan: Oposição à favor do Brasil, queria saber o que eles estão fazendo para evitar essa crise política???!!.

O que estou vendo daqui é gente jogando gasolina no meio de um grande incêndio...Para a oposição: quando pior a coisa ficar melhor!

Eu também não gostaria de ver o PMDB no Poder. Agora, não custa nada lembrar que quem está cavando o próprio abismo é o PT. Não dá pra fechar os olhos pra tantos desmandos. O partido dos trabalhadores se tornou uma legenda que não controla os atos dos seus. É muito aloprado de segundo escalão roubando o país. Sinceramente, não sei mais como seguiremos com esse futuro tão incerto e tanta roubalheira de todos os lados. Momento tenso!!

Cansada dessa ignorância política, de gente que não entende que isso é um golpe da elite, de pseudo-políticos dessas oligarquias que ha tanto mandam no nosso país e principalmente de analfabetos políticos que não tem memória.

Manobra dos velhos coronéis, que, ao não estarem satisfeitos com o candidato que apoiaram, tentam emplacar o vice, via cassação, quando não deixavam esse serviço por conta dos seus jagunços.

Só vejo que esses rumores do PMDB vai abandonar o barco e lançar candidatura própria. Que lástima, se de base de apoio eles fazem a farra do fisiologismo, quem dirá de mandatário do poder. Continuamos a caminhar, sem horizontes.

O pior é constatar que não ha mais diferença entre o PT, PMDB e PSDB. Tanto em termos políticos quanto éticos. É o fim do mundo mesmo. Mas esta escolha do PT foi feita ainda no primeiro governo Lula, quando colocou Meirelles, neo-liberal ligado ao PSDB no comando da economia... Depois governou para o grande capital.... E expulsou os membros que não concordaram com tamanha traição.

Sou contrário à Dilma e ao PT apesar dos avanços que a gestão Lula trouxe ao país. Há um porém, os deméritos são muito maiores do que os méritos, os malefícios, cada vez mais, mostram-se maiores do que os benefícios. É como sustentar a esposa e bater nela todo dia. É uma relação impossível de manter. Os eleitores do PT e da Dilma são como a esposa apaixonada que não deixam o maldito agressor por nada. É uma obsessão por crápulas, que é difícil de compreender.

O impeachment é uma boa solução para amenizar a crise política, acalmando os ânimos da população traída, apesar das cicatrizes que deixaria, mas só traria mais desconfiança para investidores externos e internos agravando ainda mais a crise econômica. O PMDB no comando do congresso e do planalto dificultaria o avanço da Operação Lava-Jato o que possivelmente geraria uma crise institucional. A Dilma é péssima gestora e de fato cometeu um grave estelionato eleitoral.

O povo é que escolhe, no alto de sua ignorância e acaba tendo o governo que merece, tanto no congresso, quanto no executivo. Um saco de batatas governaria melhor o país. Porem é Dilma que temos, um fruto podre de nossa nova porém forte democracia. O modelo parlamentarista é a moral da história. Tiririca estava errado; Pior do que está fica, ainda mais se um eventual afastamento da Presidente da República vier a prosperar.

Esse cenário é tão louco mas tão louco que não duvido que o Michel Temer viraria como vice do Aécio e o José Serra de Ministro da Economia.

Na década de 50, um deputado Federal, Carlos Lacerda, conspirou contra três governos e levar o país à uma ditadura militar. Hoje conspiram o Aécio, o Caiado, a Câmara Federal, na sua maioria, demonstrando serem maus brasileiros pois eles bem sabem que uma conspiração pode levar o país à uma ditadura como em 64. Em um minuto a presidente pode dissolver o Congresso e acabar com toda essa palhaçada. É isso que eles querem?


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