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quinta-feira, 18 de maio de 2017

A verdade vindo a tona (Por Thiago Muniz)

"Temos que corrigir nossos erros do qual somos cúmplices pelo sufrágio colocamos esses ladrões no poder. Considerando que emana de nós, povo, temos que saber escolher, votando certo." 
(Luiz Carlos Quaresma)

E o Brasil foi dormir tendo certeza que o seu presidente ilegítimo é um corrupto. E aos que continuam céticos, os áudios serão divulgados em breve, não tão rápidos como esperávamos mas surgirão. Se não consegue mais aprovar o que lhe foi delegado, Temer perdeu a função e, por tabela, o único apoio que o sustentava – já que, na sociedade, a impopularidade do atual presidente é comparável às de Collor e Dilma antes de sofrerem o impeachment.

Se perder o apoio dos grandes empresários, o presidente perderá cacife fundamental para sustentar sua fisiológica base parlamentar. Depois de Joesley, quem mais vai topar negociar contribuições financeiras para políticos por indicação de Temer?

E o "salvador da pátria" de 2014, senhor Aécio Neves só não foi preso ainda por ter o tão maligno foro privilegiado, pois sua irmã e seu primo já foram presos pela Polícia Federal. A caveira de Tancredo Neves deve estar se revirando de desgosto.

O momento atual é termos lucidez. Esclarecer aos menos informados de que o momento é delicado no país. Nada é mais urgente do que Fachin derrubar o sigilo sobre as delações da JBS. Isso tem de ocorrer hoje, inclusive para minimizar o impacto do vazamento seletivo.

Sabermos que a Oligarquia já está articulando uma provável saída de Michel Temer e ele vai fazer de tudo para não renunciar. O momento atual não é escolhermos um mártir ou herói e sim sermos protagonistas da história do Brasil.

O momento é de reflexão, pois o atual Congresso é ardiloso e legisla em favor próprio. A sociedade necessita refletir de nossas atitudes.

Colocar os políticos para montar a Reforma Política é o mesmo que colocar criminosos para fazer a reforma no Código Penal, não tem sentido. Essa gente rouba e mata antes de ser delatada. É assim há 500 anos. Sem o fortalecimento das instituições democráticas, essa turma se arvora e toma o poder na marra, como aconteceu há um ano, para continuar roubando e calando quem as denuncia. Quanto mais luz e democracia, menos sombra.

Somente as ruas podem impedir o fim da democracia novamente no Brasil. O povo tem que agir.





































BIO


Thiago Muniz é roteirista, colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 27 de abril de 2017

Greve Geral em favor do Brasil e não dos políticos (Por Thiago Muniz)

"Odeio as vítimas que respeitam seus carrascos." 
(Jean Paul Sartre)

A movimentação contra a (anti)reforma trabalhista não é coisa de partidos. É uma luta de todo trabalhador sensato!

As Centrais Sindicais do Brasil convocam a classe trabalhadora a paralisarem suas atividades, fazerem greves, protestos, atos e manifestações no dia 28 de abril contra as propostas de reformas da Previdência e Trabalhista e contra a terceirização aprovada na Câmara dos Deputados. O dia 15 de março foi apenas um ensaio para o dia 28 de abril. Agora, chegou a hora. A classe trabalhadora vai à luta unificada, em todo o País!

Qual escola privada contratará um professor de 70 anos?
Qual empresa de ônibus contratará um motorista de 75 anos?
Qual empreiteira contratará um pedreiro de 80 anos?

As pessoas vão adoecer, serão demitidas e não conseguirão mais emprego, portanto, nunca se aposentarão. E ficarão desempregadas. Os mais afetados serão os trabalhadores da rede privada. Então, parem de dizer que os servidores públicos estão fazendo barulho porque não querem perder privilégios. Apenas, se unam para derrotar um inimigo muito maior.

Não sou só eu. É você, seu filho, seu neto, seu vizinho, seu amigo, seu inimigo. Somos todos.

Por que questionar a greve? Não concorda? Vá trabalhar! Esse movimento representa apenas 96% dá população brasileira que não aprova o atual presidente do Brasil, e nem as suas "prioridades"! Viver pode ser mais simples. O seu direito vai até onde começa o do outro.

3 MOTIVOS PARA CRUZAR OS BRAÇOS.

O governo quer que a gente morra de trabalhar sem se aposentar

O governo diz que a Previdência é deficitária, mas é mentira! Ele manipula os cálculos! Só em 2015 a Previdência Social teve um superávit de, acredite, R$ 11,2 bilhões de reais.

Aumenta idade mínima - Com a reforma da Previdência, homens e mulheres só poderão se aposentar quando tiverem 65 anos de idade. Hoje, há casos em que é possível a mulher se aposentar aos 55 e homens aos 60. Igualando a idade, a mulher trabalhadora será ainda mais prejudicada.

Mais tempo de contribuição - Para um trabalhador ou trabalhadora se aposentar terá de comprovar pelo menos 25 anos de contribuição. Hoje, a exigência é de 15 anos.

49 anos para benefício integral - O que é pior é que só terá direito ao benefício integral quem, com 65 anos, comprovar que também contribuiu 49 anos à Previdência, de forma ininterrupta.

Fim de aposentadorias especiais – Trabalhadores e trabalhadoras rurais, trabalho insalubre e em condições especiais, pessoas com deficiências e aposentadorias por incapacidade serão ferozmente atacadas.

Ataque às pensões - Na proposta do Governo, fica vetado o acúmulo de benefícios. Não será mais possível acumular aposentadoria e pensão por morte, por exemplo. Haverá redução de 50% no valor das pensões por morte e, a partir daí será acrescentado mais 10% por dependente, com o limite de cinco filhos beneficiados.

Afeta quem está na ativa - Eles querem que essas novas regras já valham para homens com menos de 50 anos e mulheres com menos de 45 anos. Os que tiverem acima desta idade entram numa regra de transição e poderão se aposentar pelas regras atuais, mas terá de contribuir com 50% a mais sobre o tempo que faltava para a aposentadoria.

Reforma trabalhista acaba com direitos históricos

O governo Temer pretende acabar com direitos históricos da classe trabalhadora, que hoje são Lei, garantidos na CLT.

Férias e jornada ameaçadas - Estão ameaçadas as férias de 30 dias, a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 semanais, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que poderá ser parcelada em quantas vezes quiserem os patrões e podem diminuir até o horário de refeição.

Trabalho temporário – O trabalho ficará ainda mais desregulamentado. O contrato de trabalho temporário passará a ter vigência de 4 meses e poderá ser prorrogado por igual período.

Terceirização precariza o trabalho

O projeto de lei da terceirização, o PL 4302, aprovado na Câmara Federal, impõe total superexploração à classe trabalhadora brasileira com a legalização da terceirização nas atividades fim. É o “liberou Geral” da precarização!

Não haverá geração de emprego. O que vai ocorrer, de fato, é uma onda de demissões de trabalhadores contratados pela CLT para posterior contratação terceirizada.

Na prática, significa trabalho com salários mais baixos, maior jornada, menos direitos trabalhistas e péssimas condições de trabalho e resultará também em maior número de acidentes, doenças (estresse, depressão, lesões por esforço repetitivo entre outros) e mais mortes por acidente de trabalho.

A greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, garante Ministério Público.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou uma nota assinada pelo procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, na qual considera legítima a greve geral anunciada para esta sexta-feira. "A greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal", diz o comunicado.

A nota ressalta ainda "a legitimidade dos interesses que se pretende defender por meio da anunciada Greve Geral como movimento justo" e também reafirma a posição institucional do MPT "contra as medidas de retirada e enfraquecimento de direitos fundamentais dos trabalhadores contidas no Projeto de Lei que trata da denominada 'Reforma Trabalhista'".

O comunicado foi emitido no mesmo dia em que o presidente Michel Temer decidiu cortar o ponto dos servidores federais que aderirem ao movimento dessa sexta-feira. O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), divulgou, também nesta quarta-feira, um vídeo dizendo que a greve não é justa: "só quem não quer trabalhar é que vai fazer greve", diz ele no pronunciamento.

Leia, na íntegra a nota do MPT.

"O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, considerando a Greve Geral anunciada para o dia 28.04.2017, vem a público:

I – DESTACAR que a Greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, bem como por Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, “competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender” ( art. 9º da CF/88);

II – ENFATIZAR a legitimidade dos interesses que se pretende defender por meio da anunciada Greve Geral como movimento justo e adequado de resistência dos trabalhadores às reformas trabalhista e previdenciária, em trâmite açodado no Congresso Nacional, diante da ausência de consulta efetiva aos representantes dos trabalhadores (Convenção OIT n. 144);

III – REAFIRMAR a posição institucional do Ministério Público do Trabalho - MPT contra as medidas de retirada e enfraquecimento de direitos fundamentais dos trabalhadores contidas no Projeto de Lei que trata da denominada “Reforma Trabalhista”, que violam gravemente a Constituição Federal de 1988 e Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho;

IV – RESSALTAR o compromisso institucional do MPT com a defesa dos Direitos Sociais e com a construção de uma sociedade livre, justa, solidária e menos desigual".


Contra a proposta de Reforma da Previdência
Contra a proposta de Reforma Trabalhista
Contra a proposta de Terceirização.





Greve Geral em favor do Brasil e não dos políticos.








A Casa Grande surta quando a Senzala entra em Greve.





BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Marcha das Famílias, uma mera coincidência com os dias de hoje? (Por Thiago Muniz)

"O povo está cansado das mentiras e das promessas de reformas demagógicas. Reformas sim, nós a faremos, a começar pela reforma da nossa atitude. De hoje em diante os comunistas e seus aliados encontrarão o povo de pé. [...] Com Deus, pela Liberdade, marcharemos para a Salvação da Pátria!", dizia o comunicado lido no dia da manifestação.

Há 50 anos, em 19 de março de 1964, era realizada na cidade de São Paulo a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Estima-se que entre 500 mil e 800 mil pessoas partiram às 16h da Praça da República em direção à Praça da Sé, no centro, manifestando-se em resposta ao emblemático comício de João Goulart, seis dias antes, defendendo suas Reformas de Base na Central do Brasil.

Passaram à história como as genuínas idealizadoras e promotoras da marcha organizações femininas e mulheres da classe média paulistana. No entanto, por trás deste aparente protagonismo feminino às vésperas do golpe que deu lugar a 21 anos de regime ditatorial, esconde-se um poderoso aparato financeiro e logístico conduzido por civis e militares que tramavam contra Jango. Um detalhe: quase todos eram homens.

Certamente, a atuação de alguns grupos femininos como “pontas-de-lança” da opinião pública contra o governo Goulart foi peça-chave na conspiração levada a cabo pelo complexo empresarial-militar do Ipês-Ibad (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais – Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Destas instituições femininas, as principais eram: a carioca CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) e as paulistas UCF (União Cívica Feminina) e MAF (Movimento de Arregimentação Feminina).

Conforme disseca a historiadora Solange Simões em seu livro Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964, a inserção das mulheres na conspiração que resultou no golpe foi estratégica. Com o intuito de fomentar uma atmosfera de desestabilização política e convencer as Forças Armadas a intervir, as campanhas femininas buscavam dar "espontaneidade" e "legitimidade" ao golpismo, tendo sido as mulheres incumbidas — pelos homens — de influenciar a população.

“Aqueles homens, empresários, políticos ou padres apelavam às mulheres não enquanto cidadãs, mas enquanto figuras ideológicas santificadas como mães”, escreve a pesquisadora. A própria dona Eudóxia, uma das lideranças femininas, reconhece, em entrevista à historiadora, sua função tática:

"Nós sabíamos que como nós estávamos incumbidas da opinião pública, os militares estavam à espera do amadurecimento da opinião pública. Porque sem isso eles não agiriam de maneira nenhuma. A não ser que a opinião pública pedisse. E foi isso que nós conseguimos."

Graças a uma bem-sucedida ação, eventos considerados aparentemente “desconexos” foram tomados como "reações espontâneas" de segmentos da população. Na verdade, essas manifestações apresentavam uma sólida coordenação por parte da elite.

Veja abaixo os principais aspectos desse movimento feminino que esteve à frente da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964.

1) COMO SURGIU E QUEM LIDERAVA?

Quem eram, afinal, essas mulheres que despontavam na rua, em passeatas e comícios, como “donas-de-casa” e “mães-de-família brasileiras”, envolvidas na conspiração civil-militar? Já chamadas de “guerrilheiras perfumadas” ou confundidas com mulheres “das classes médias”, as direções dos movimentos eram constituídas, essencialmente, por mulheres com baixa formação intelectual da burguesia e das elites militares e tecnoempresariais.

Essa ala feminina do golpe foi criada meses antes das eleições gerais de outubro de 1962. Suas principais líderes eram parentes próximas dos grandes nomes do setor empresarial e militar envolvidos na conspiração. Contaram, obviamente, com todo o aparato financeiro e logístico de seus cônjuges, primos e irmãos para erguer suas instituições. “O meu marido me incentivava: ‘Eu ajudo no que precisar’, dizia ele”, relembra em entrevista concedida a Solange Simões, a vice-presidente da CAMDE, Eudóxia Ribeiro Dantas, mulher de José Bento Ribeiro Dantas, empresário ipesiano presidente da Cruzeiro do Sul, uma das maiores companhias aéreas do país.

Do lado carioca, por exemplo, a CAMDE foi criada por Amélia Molina Bastos, irmã do general Antônio de Mendonça Molina, do setor de informação e contrainformação do Ipês. A ideia partiu declaradamente do vigário de Ipanema, Leovigildo Balestieri, e dos líderes ipesianos engenheiro Glycon de Paiva e general Golbery do Couto e Silva. A CAMDE foi lançada no auditório do jornal O Globo, no Rio, oferecido por seu diretor-proprietário, Roberto Marinho. Na manhã do dia 12 de julho de 1962, o periódico carioca estampava na capa: “A Mulher Brasileira está nas Trincheiras”.

Já em São Paulo, nas reuniões de fundação da UCF, compareceram figuras como: Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, diretor-proprietário do jornal O Estado de S.Paulo, e Regina Figueiredo da Silveira, primeira presidente da união paulista e irmã do banqueiro João Baptista Leopoldo Figueiredo, presidente do Ipês e primo do último presidente do ciclo militar.

2) EM TERMOS PRÁTICOS, O QUE FIZERAM?

Desde sua fundação, a CAMDE carioca e a UCF paulista se engajaram na ação política de combate e desestabilização do governo Goulart, orientadas ideologicamente e materialmente pelo complexo Ipês-Ibad.

“Caravana a Brasília”: pelo veto a Santiago Dantas

Em 1962, as mulheres organizaram uma “Caravana a Brasília” com o objetivo de formar um efetivo “coro popular” para impedir a posse de San Tiago Dantas como primeiro-ministro. Esse movimento integrava parte da política de rejeição, pela elite, de uma composição com a ala moderada do trabalhismo. Para tanto, entregaram ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, 60 mil cartas pedindo a não aprovação do plebiscito antecipado, bem como o impedimento da delegação de poderes ao conselho de ministros, fundamental à continuidade das Reformas de Base do governo Goulart.

Boicote ao Última Hora, o “diário da guerra revolucionária”

Um dos poucos jornais que se atreveram a criticar a tentativa de deturpar o processo eleitoral por parte dessas organizações femininas, o Última Hora, de Samuel Wainer, foi sistematicamente perseguido pela CAMDE e UCF. Caracterizando o periódico como “o diário da guerra revolucionária que se travava no Brasil”, as senhoras passaram a formar comissões de visitas a empresários, industriais e comerciantes que anunciavam no jornal, pedindo para que suas verbas publicitárias fossem suspensas. A coordenação dessa campanha de boicote foi feita em grande parte em sincronia com o Ibad, liderado pelo integralista Ivan Hasslocher, outra figura central na campanha anti-Jango. Hasslocher se exilou em Genebra depois de comprovados, pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 1963, os atos de corrupção de seu instituto no processo eleitoral de outubro de 1962.

"Marchas da Família com Deus pela Liberdade": quem convocou, dirigiu e financiou

Logo após o discurso de Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, a CAMDE se engajou em campanhas por telefone, incitando as mulheres a permanecerem em casa e acenderem velas em suas janelas como sinal de protesto e fé cristã. A massiva “Cruzada do Rosário em Família”, do padre norte-americano Patrick Peyton, pároco de Hollywood, foi o ensaio-geral para as marchas anticomunistas de abril e março de 1964, fundadas no lema “A família que reza unida permanece unida”.

Seis dias depois do comício de Jango, em 19 de março, data em que se comemora o dia de São José, padroeiro da família, realizou-se em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, coroando o auge dos esforços das associações femininas orientadas pelo Ipês.

A marcha reuniu entre 500 mil e 800 mil pessoas para protestar contra o comício de Goulart na Central do Brasil. A idealização da marcha partiu do deputado federal Antônio Sílvio Cunha Bueno (PSD), um grande proprietário de terras e diretor da norte-americana Willys-Overland Motors do Brasil, cuja matriz ficou famosa pela fabricação, em parceria com a Ford, do jipe usado pelos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. 

Ao contrário da propagandeada supervalorização do papel dessas mulheres na condução dos protestos, a organização da marcha não ficou a cargo nem da UCF nem do MAF, ambas entidades sediadas em São Paulo. Quem levou o evento adiante foi o próprio Cunha Bueno, além de outros políticos paulistas, como o vice-governador Laudo Natel, Roberto de Abreu Sodré (UDN) e Conceição da Costa Neves (PSD), deputada mais votada no estado nas eleições de 1962.

Acompanhados de suas esposas, políticos importantes se fizeram representar nas marchas: Adhemar de Barros e sua mulher, dona Leonor; além de Carlos Lacerda, governador do Rio, e dona Letícia. O deputado Herbert Levy, integrante da UDN e líder do Ipês, bradava: “o povo não quer ditaduras, o povo não quer comunismo, o povo quer paz e progresso”. Cunha Bueno discursava: “Todos vocês nessa praça representam a pátria em perigo de ser comunizada. Basta de Jango!”.

Em São Paulo, os banqueiros Hermann Morais Barros (Banco Itaú), Teodoro Quartim Barbosa (Comind) e Gastão Eduardo Vidigal (Banco Mercantil), líderes ipesianos do primeiro escalão, ficaram incumbidos de articular e obter adesão das entidades de classe de todo o país para as marchas.

“O Ipês de São Paulo também fez contribuições diretas e em dinheiro para o movimento feminino: consta do relatório de despesas de 1962 e do orçamento de 1963 uma contribuição mensal para a UCF”, conclui a historiadora Solange Simões.

A organização logística da marcha foi feita no prédio da Sociedade Rural Brasileira, supervisionada pelo Ipês e contando com a presença de membros de diversas entidades patronais e associações industriais. No bem aparelhado quartel-general do movimento feminino fizeram-se ainda pôsteres, cartazes e bandeiras com as seguintes palavras de ordem:

"Abaixo o Imperialismo Vermelho
Renúncia ou Impeachment
Reformas sim, com Russos, não
Getúlio prendia os comunistas, Jango premia os traidores comunistas
Vermelho bom, só o batom
Verde, amarelo, sem foice nem martelo.
"

3) HOUVE PROTAGONISMO FEMININO?

Uma vez vitorioso o golpe de Estado de 1º de abril de 1964, foi deflagrada a chamada “Marcha da Vitória”, reunindo 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro. Logo no dia 3 de abril, o líder do Ipês João Baptista Leopoldo Figueiredo, que estava em reunião na Guanabara na qual discutiam a escolha do “novo candidato” à presidência, telefonou para sua irmã Regina Figueiredo Silveira, presidente da UCF. Motivo: o banqueiro primo-irmão do último presidente militar solicitava à irmã-ativista que o lançamento da candidatura de Castello Branco fosse feito pela própria UCF.

Paulo Ayres Filho, outro líder ipesiano e empresário da indústria farmacêutica, ficou incumbido de elaborar, junto com uma equipe da UCF, o manifesto feminino de apoio ao marechal, levado às estações de TV e jornais pelas senhoras.

O general Olympio Mourão Filho, que marchou de Minas Gerais em 31 de março, antecipando-se ao plano dos conspiradores do eixo Rio-São Paulo, comentou, sobre as marchas das mulheres, que “como todos os homens que participaram da revolução, nada mais fez do que executar aquilo que as mulheres pregavam nas ruas para acabar com o comunismo”. Cordeiro de Farias foi ainda mais longe, de acordo com Solange Simões, “ao afirmar que a revolução foi feita pelas mulheres”.

Historiadores que estudaram o período são mais céticos: não veem a movimentação das mulheres como sintoma do engajamento universal da população brasileira no combate a Jango. Na verdade, essas mulheres, teriam funcionado como massa de manobra dos conspiradores — todos homens — para criar uma sensação de “espontaneidade” e “clamor popular” apta a dar “legitimidade” ao novo governo. Como aponta a pesquisadora Solange Simões, a marcha foi “ostensivamente uma manifestação das classes média e alta”. E mais: foi muito restrita, pois em uma cidade de 6 milhões de habitantes, como São Paulo, apenas 500 mil pessoas participaram.

Até o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, notório por seu apoio ao golpismo, percebeu a falta de apoio popular no movimento, conforme relata a Washington em um telegrama de 2 de abril de 1964: “A única nota destoante foi a evidente limitada participação das classes mais baixas na marcha”. 













Seu espião militar no Brasil, o coronel Vernon Walter também atesta que, até a realização das passeatas, havia um receio de que o movimento para derrubar João Goulart fracasse por falta de apoio popular.

Desferido o golpe em 1º de abril, as marchas do Rio e São Paulo foram seguidas de outras menores, organizadas pelas associações femininas em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santos.

“Se antes os maridos enalteciam o papel de mãe e esposa para manter a mulher no lar e discriminadas na esfera pública, passam agora a enaltecer aquele papel para comprometê-la na ‘política’”, arremata Solange Simões. 

Assim, revelando o ilusório protagonismo vislumbrado pelo espetáculo dessas marchas de massivas mobilizações, “a ‘mulher-dona-de-casa’ que respeitava, no lar, a autoridade do chefe da família, deveria, enquanto mulher-cidadã procurar a autoridade do Estado – autoridade que residia principalmente no seu braço armado”, conclui a historiadora.

4) ORGANIZAÇÃO DA MARCHA

Para organizar o evento foram realizadas diversas reuniões de organizações de direita e seus representantes, entre elas a Fraterna Amizade Urbana e Rural, Sociedade Rural Brasileira, a União Cívica Feminina, além de organizações católicas conservadoras como a Cruzada pelo Rosário em Família, Confederação Católica do Arcebispado do Rio de Janeiro, Associação dos Antigos Alunos do Sagrado Coração de Jesus e o Grupo de Reabilitação do Rosário.

5) TRAJETO

Com início às 16h na Praça da República, a marcha percorreu a rua Barão de Itapetininga, Praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, Praça do Patriarca, rua Direita e teve como ponto final o marco zero da capital paulista, a Praça da Sé.

6) CARTAZES

Entre os cartazes exibidos estavam os dizeres “Vermelho bom, só batom”, “Um, dois, três, Brizola no xadrez”, “Verde Amarelo, sem foice e sem martelo”, “Tá chegando a hora, de Jango ir embora”, "O Kremlin não compensa", "Abaixo o entreguismo vermelho", "A melhor reforma é o respeito à lei", "Chega de palhaçada, queremos governo honesto".

7) APOIO ESTRANGEIRO

Entre as organizações católicas que participaram da organização do evento estava a Cruzada pelo Rosário em Família. Ela tinha como líder o padre Patrik Peyton, que veio das Filipinas no final de 1963 a convite do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara.

Com o lema “a família que reza unida permanece unida”, Peyton promoveu uma série de eventos públicos de massa para os fiéis brasileiros em que associava os males do mundo aos “políticos ateus que queriam mudar a ordem natural das coisas”. Na década de 70, o padre foi apontado por historiadores norte-americanos como agente da CIA, especialista em levantar as massas católicas contra o comunismo ateu em nome da Virgem Maria.

Darcy Ribeiro (1922-1997), ministro da Casa Civil de João Goulart, considera em seu livro Confissões que Peyton inaugurou as ações de massa contra o governo brasileiro em 1964. “Os golpistas se assanham, promovendo ações de massa, já em fevereiro. A primeira delas foi importar um santão norte-americano, padre Peyton”, registra.

Percebendo o perigo que o padre estrangeiro representava, o então ministro resolve chamá-lo para Brasília afim de convencê-lo a rezar o terço com Jango. “Tivemos uma conversa desencontrada, porque ele foi trazido por um agente da CIA, que eu tive que colocar para fora da sala”, relata Darcy. A empreitada teve êxito e a missa e reza do padre foram gravadas para a televisão, mostrando logo no início Jango ao lado de sua esposa Maria Thereza, e seus dois filhos. Apesar da tentativa de minimizar o efeito da pregação anticomunista do padre, o terreno para ações de massa contra o governo já estava preparado.

8) OUTRAS MARCHAS

Após a marcha realizada na capital paulista, outras semelhantes correram o interior do Estado. No dia 21 de março foram realizadas duas Marchas, em Araraquara e Assis. No dia 25, cerca de 80 mil pessoas marcharam na cidade litorânea de Santos, no dia 28 em Itapetininga e no dia 29 em Atibaia, Ipauçu e Tatuí. A Marcha aconteceu também em outros estados. No dia 24, na cidade de Bandeirantes no Paraná e no dia 02 de abril cerca de um milhão de pessoas marcharam no Rio de Janeiro para comemorar o Golpe na Marcha da Vitória.


Principais fontes:
  • René Armand Dreifuss (‘1964: A conquista do Estado: Ação Política, Poder e Golpe de Classe’) Solange de Deus Simões (‘Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964’);
  • Acervo da Biblioteca Nacional;
  • Opera Mundi.


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Thiago Muniz é colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 22 de junho de 2016

A inércia do povo nas ruas (Por Thiago Muniz)

São mais de 500 anos de PLUTOCRACIA E CLEPTOCRACIA, a Democracia Representativa é usada como ferramenta de espoliação dos cofres públicos e tráfego de influências, independente de ideologias, se são de esquerda ou direita, estão todos envolvidos no mesmo jogo de privilégios e furto da esperança brasileira.

Quando estiver na deprê, lembre-se que muita gente vestiu a camisa "a culpa não é minha, votei no Aécio", que milhares usaram a hashtag #somostodoscunha e que uma multidão de patinhos amarelos acreditou na independência do MBL.

Está todo mundo indo pro buraco. Prometeram a "Disneylandia" com o impeachment, mas entregaram o Afeganistão, com todo respeito àquele país. Não sei qual investidor vai colocar dinheiro em um lugar onde muda-se de governo ao sabor dos esperneios da população, políticos e grupos de mídia. É só pensar um pouquinho. Não dói.

A minha impressão é que foi uma fortíssima antipatia contra o governo Dilma, independente se merecia ou não ser afastada. O brasileiro na verdade pouco se importa com a corrupção, estão na verdade mais ligados ao carisma da pessoa no cargo público. Os fatos demonstram isso.

Ainda há pouco, em nome do combate à corrupção, milhões de pessoas manifestavam-se pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Batiam panelas vazias, acampavam em parques, soltavam foguetes, desfilavam indignadas pelas vias públicas, cerravam fileiras, agressivas, nas mídias sociais. 

Após o afastamento de Dilma, no dia 12 de maio, um denso nevoeiro baixou sobre o país. O silêncio das ruas e avenidas espelha com clareza que os protestos nunca visaram o desmando que tomou conta da máquina do Estado, mas tão somente refletiam o inconformismo dos que perderam as eleições. Pura hipocrisia.

Se fosse uma reivindicação honesta, os manifestantes estariam novamente nas ruas e avenidas acompanhando os carros de som, ou nas varandas das residências munidos de panelas ou no Facebook, Instagram e blogues conclamando os cidadãos para continuar a luta pela decência e a dignidade na política. Afinal, em apenas um mês como presidente interino, Michel Temer teve de afastar três ministros – Romero Jucá, do Planejamento; Fabiano Silveira, da Transparência; e Henrique Eduardo Alves, do Turismo – por envolvimento com denúncias de corrupção, um recorde na história recente da República. Outros cinco ministros – Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo; Mendonça Filho, da Educação; Raul Jungmann, da Defesa; Bruno Araújo, das Cidades; e Ricardo Barros, da Saúde – também são investigados pela Operação Lava-Jato.

Aliás, o próprio Temer viu seu nome envolvido em denúncias de corrupção. O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, afirmou em depoimento que o presidente interino pediu R$ 1,5 milhão de propina para financiar a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo em 2012 – esse mesmo Chalita que agora é candidato a vice-prefeito na chapa liderada pelo petista Fernando Haddad. 

Temer torna-se assim apenas mais um ocupante do cargo máximo da política brasileira a ter seu nome ligado a falcatruas. Todos os presidentes do período da chamada Nova República (iniciado com o fim da ditadura militar) estão sendo investigados por suspeita de corrupção: do peemedebista José Sarney ao petista Luiz Inácio Lula da Silva, do livre-atirador Fernando Collor ao tucano Fernando Henrique Cardoso.

A única pessoa que não teve – até agora – seu nome envolvido em práticas ilegais é justo a presidente Dilma Rousseff, ironicamente a única punida até o momento. Seu afastamento se deu por uma irregularidade fiscal, manobra efetivada por pelo menos 16 dos atuais governadores, um crime menor diante do saque aos cofres públicos perpetrado por políticos de todos os partidos. É como se alguém que tivesse ultrapassado o sinal vermelho fosse condenado por um júri formado por ladrões, falsários e fraudadores. 

Dilma sem dúvida vinha fazendo um governo desastroso, inábil do ponto de vista político e incompetente no âmbito econômico, mas a maioria dos manifestantes saiu para as ruas para demonstrar sua revolta contra a perda de privilégios, não por se escandalizar com a roubalheira que grassa no país acima de todas as ideologias.

Os movimentos que lideraram manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff – dizendo-se apartidários e assentados em discursos pela ética e contra a corrupção – sempre se recusaram a prestar contas sobre a origem do dinheiro gasto na organização dos protestos. Hoje sabe-se, por exemplo, que o Movimento Brasil Livre (MBL), encabeçado pelo empresário Renan Santos (filiado ao PSDB até o ano passado), teve financiamento e apoio logístico dos partidos de oposição (DEM, PSDB, SD e PMDB). 

E que Renan Santos é réu em 16 ações cíveis e em mais de 45 processos trabalhistas – as acusações incluem fechamento fraudulento de empresas, dívidas fiscais, calote em pagamento de débitos trabalhistas e em ações por danos morais, em um total de R$ 4,9 milhões. O MBL anunciou que lançará candidatos, por vários partidos, às eleições deste ano.

Já o movimento Vem pra Rua foi criado em 2014 por um grupo de empresários para apoiar a candidatura do senador tucano Aécio Neves à Presidência da República. Seu principal articulador, Colin Butterfield, é presidente da Radar SA, do grupo Cosan, uma das maiores empresas privadas do Brasil, com negócios nas áreas de lubrificantes e produção de etanol, dona da Comgás e da Rumo, líder mundial de logística de açúcar para exportação. A Radar administra 270.000 hectares espalhados em oito estados, dedicados ao plantio de cana, soja, algodão e milho. 

O Revoltados On-Line, gerenciado pelo empresário Marcello Reis, que não esconde sua simpatia pela ideia de intervenção militar como solução para o Brasil, tem ligações com o deputado fascista Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Marcello Reis, que foi recebido pelo ministro Mendonça Filho, junto com o ator pornô Alexandre Frota, para discutir os rumos da educação brasileira, vende em seu site camisetas, bonés e adesivos sem nota fiscal.

O povo que botou a camisa da CBF pra ir pra rua, é uma gente que nunca precisou ir pra rua lutar, foi única e exclusivamente por birra, seletivismo, com pautas conservadoras e elitistas, agora a moda é ser contra a esquerda e contra o PT, mas que sempre esteve na rua lutando e tem um ideal político foi a esquerda, criticando e muito a gestão do PT inclusive, a história vai mostrar quem esteve do lado certo, não há vencedores com a derrubada da Dilma, muito pelo contrário, só serviu pra mostrar como o congresso reflete a nossa sociedade, como o povo não entende nada de política e defende seus algozes de maneira seletiva, vou ter muito orgulho de dizer com meus cabelos brancos que estive do lado da democracia, do lado do povo e não das elites.






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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lula em 2018, mas como Oposição: Acreditem! (Por Thiago Muniz)

As últimas declarações do Lula mostram com toda clareza seu afastamento da política de ajuste que a Presidente Dilma tenta fazer sem conseguir. Vale a pena ler especialmente suas declarações nos últimos dias em Buenos Aires, divulgadas pelos jornais.

Nada indica que o ex-presidente que administrou com responsabilidade as finanças públicas em seu governo, especialmente no primeiro mandato com o Palocci e o Meirelles, tenha ficado irresponsável, insuflando aumentar gastos sem receita e desprezar a queda na nota recebida da S&P, quando ninguém mais que ele comemorou quando a nota subiu. (Prova da miopia como nossos políticos agem, é que naquela época foi FHC quem menosprezou o grau de investimento que o Brasil adquiriu, graças em grande parte à responsabilidade fiscal do governo Lula, além claro das bases criadas pelo Plano Real.)

O que acredito que está por trás das novas posições do Lula é seu instinto prevendo que o governo Dilma não vai resistir até 2018 e que o Lula pode ser o líder da oposição ao novo governo que, qualquer que seja ele, terá de fazer ajustes tão fortes quanto o Levy deseja e não consegue. Vale lembrar que foi assim quando Itamar assumiu o governo depois do Collor, fez o Real com suas características de ajuste, e o PT ficou contra, surfando na oposição. (nem deixou que a Deputada Luiza Erundina assumisse um ministério sendo filiada ao PT.)

Ao criticar os ajustes da Dilma, se distanciando dela e do governo que vier a substitui-la, o Lula tem tudo para crescer junto aos trabalhadores, sindicatos, os beneficiados dos programas sociais e ressurgir. ( Ainda vai ter o discurso de que foi golpe, o que ele não podia dizer no caso do Collor. )O Pixuleco pode mudar de fantasia usando roupa de salva vida, e ele se transformar em salvador dos trabalhadores, dos pobres e contando com o apoio dos empresários cansados da falta de rumo e sem ver propostas na oposição.

Depois de se recuperar com o discurso anti-ajuste, a favor dos direitos sociais e dos trabalhadores, quando 2018 chegar ele faz outra carta ao povo brasileiro falando em responsabilidade com compaixão. E pode se reeleger. Em 98 ele era dado como fora do jogo depois de perder três. Em uma época cheia de líderes alternativos, que aparentemente não temos mais, pelo esgotamento dos discursos.

Só falta saber se tudo isso será feito pelo PT ou se Lula será capaz de criar nova sigla, ou entrar em uma das atuais, ou fundir o PT com outros partidos.

Os indícios de que isso estava vindo já estavam aí. Se posicionar como um salvador do povo enquanto sua antiga companheira se manchava tomando séries e séries de medidas impopulares.É preocupante porque nem todos foram capazes de ver erros e absurdos dos governos do PT até tudo começar a ruir. Será ele capaz de se reeleger para corrigir os erros que ele mesmo e os outros caciques de seu grupo provocaram? Um alerta mais do que necessário!

Esse método muito utilizado em jogo político. Esse pessoal não está preocupado com o Povo Brasileiro (Brasil), apenas pelo poder. Se algum elemento falha, torna-se descartável, (caso do governo atual), porem deve deixar em dormência algumas leis aprovadas na surdina (calada da noite).

O Lula irá navegar conforme a marola, inclusive indicando(as escondidas) , apoiando um dos seus em um desses partidos nanicos. Valeu o alerta tomara que o povo tome conhecimento e tenha lucidez para não votar em nenhum destes corvos de plantão.

Cada povo merece os políticos que tem, o Brasileiro está bem servido, o povo tem o que merece, saúde, educação e segurança pública. Se o Brasil fosse um país decente a maioria dos políticos estariam era presos. Mas aqui e o país da impunidade, fazer o quê? Mas o povo está feliz, continua a votar nos mesmos políticos, então devem continuar morrendo nos corredores de hospitais ou vítima de bandidos, afinal o povo tem o que merece.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quinta-feira, 30 de abril de 2015

Como confiar num país que espanca os seus próprios professores? (Por Thiago Muniz)

"Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade." (Leminski, poeta curitibano)


Dessa forma, o espancamento fascista a quem educa é tratado no Brasil! O que fizeram com os professores no Paraná ontem foi uma atrocidade! Mas, infelizmente nesse país é assim. Já com nossos políticos corruptos, o tratamento é VIP.

Os professores são tratados como vagabundos e os que saqueiam o cofre público são tratados como vítimas no STF, a justiça e a política nesse país são um lixo. Corrupção nesse país não dá cadeia, mas quando você protesta dignamente você é espancado e preso. Uma categoria de trabalhadores, os quais deveriam ter um salário digno, tem que ir às ruas para reivindicar um salário melhor e condição de trabalho digno. Uma vergonha.

Tanta coisa importante é tem gente com inteligência mínima discutindo e pondo culpa em partido A ou B. A lei não foi criada e aprovada por um único homem, houve aprovação da maioria. Claro que isso é um abuso. Mas não está limitado a um partido, todos são corruptos não se salva um.

Imaginem, então, o que acontecia durante a ditadura e depois meçam a capacidade mental e intelectual do povo que sai por aí pedindo pela volta da ditadura.

Sinto falta da galera que é contra tudo isso que está aí e vai pra rua com camisa da Seleção. Cadê a indignação com o que aconteceu no Paraná? Os revoltados não vão bater panela pelo sangue dos professores? Afinal, os protestos não são, entre outras coisas, por uma educação de qualidade? Ou só vale se o governante for do PT? Queria entender...

A selvageria da PM do Paraná é mais uma prova de que o país ainda não aprendeu a respeitar os professores. Na Pátria Educadora, escolher o magistério continua a ser um ato de coragem.

Foi tão arbitrária esse truculência, que vários policiais foram presos por se recusarem a bater nos professores !! Parabéns á eles !! Tomara que todos se conscientizem e a tropa toda não participe mais dessa bagunça, já que são todos da mesma "casa". A Rua é palco da democracia. Inadmissível o ocorrido com os professores do Paraná. Seria justo e pedagógico um ato nacional em defesa dos educadores.

As imagens de Curitiba não deixam dúvida sobre o uso desproporcional da força. Os policiais não economizaram em bombas de gás e balas de borracha. Enquanto mães corriam para buscar crianças em uma creche vizinha, a tropa de choque avançava sobre os grevistas. "Se precisar usar a tonfa [cassetete], é por baixo", dizia um comandante.

A pancadaria deixou ao menos 170 feridos. Principal alvo dos protestos, o governador Beto Richa (PSDB) saiu em defesa da PM. "Ninguém pode ser hipócrita de dizer que as cenas não são lamentáveis, mas os policiais ficaram parados, protegendo o prédio público", disse.

O prédio em questão era o da Assembleia Legislativa, onde aliados do tucano aprovaram mudanças na previdência dos servidores. O governo resolveu mexer na aposentadoria deles para tentar fechar o rombo nas contas do Estado.

Os atingidos pela ideia foram impedidos de acompanhar a votação no plenário.

Alguém precisa dizer a Richa que a violência contra professores não costuma ajudar governantes em apuros. Em 2013, a PM do Rio protagonizou cenas parecidas com as de Curitiba. A batalha na Cinelândia só fez engrossar as manifestações contra Sérgio Cabral. A rejeição ao peemedebista disparou, e ele acabou desistindo das eleições no ano seguinte.

Onde se escondeu o lema: Pátria Educadora. Esse governador demonstrou que nunca aprendeu as lições de patriotismo e Educação cívica, democracia. Tem que renunciar, voltar às salas de aula e reaprender o que nunca aprendeu.

Ficam como sempre algumas perguntas:

1. Por que a polícia é sempre tão bem equipada e aparelhada para bater em trabalhadores? Para proteger a população é sempre tão mal equipada e despreparada.

2. Com quem estudam esses filhos dos policiais? Como esses jovens, filhos de policiais, vão encarar seus professores?

Quase todos os professores são atacados todos os dias tanto verbalmente quanto fisicamente, não precisa ser do bem para tal situação. E nem precisam caçar para achar o que aconteceu foi vergonhoso. Com aqueles que lutam pela educação no Brasil.

Mais de 170 feridos em protesto de professores no Paraná que terminou em confronto com a PM. Os protestos ocorreram no Legislativo porque os deputados votaram, a portas fechadas, o projeto do governo Beto Richa (PSDB) que modifica a previdência dos funcionários públicos estaduais. De acordo com o sindicato servidores, foram à manifestação 15 mil pessoas –a PM não fez estimativa.

Apesar da confusão e dos protestos, o projeto da administração tucano acabou sendo aprovado pela Assembleia, onde Richa tem maioria. A proposta reduz a contribuição do governo –em crise financeira desde o ano passado– sobre as pensões pagas pelo Estado no PR. Os manifestantes reclamam que perderam benefícios.

Desde o início desta semana, a Assembleia foi cercada por PMs a pedido do governador tucano, que se baseou numa ordem judicial para fazer a votação sem a presença de manifestantes. A polícia jogou também jatos de água contra os ativistas. Já os manifestantes atiraram pedaços de pau e pedras. Parte deles são professores, que entraram em greve na última segunda (27) contra o projeto. O prédio da prefeitura, que fica em frente à Assembleia, foi transformada em uma espécie de enfermaria para agilizar o atendimento dos feridos. A polícia prendeu seis pessoas –entre eles, há professores e black-blocks, segundo a pasta.

O confronto durou pelo menos duas horas. Após o ataque da PM, os manifestantes –entre eles também alunos da rede pública–, recuaram, mas continuaram ocupando as ruas ao redor do Legislativo. A gestão Richa montou uma operação de guerra ao redor da Assembleia. Um deputado chegou a ser mordido por um cachorro da PM. Pelo menos dois cinegrafistas que cobriam o confronto também ficaram feridos –um por uma bala de borracha, outro também mordido na perna por um cão da polícia. O cinegrafista Luiz Carlos de Jesus, atacado por um pit bull da PM, foi atendido em um hospital, tomou vacina antirrábica, recebeu curativos e teve alta em seguida. Ele não fez cirurgia nem levou pontos.

Dos 170 feridos, 35 foram socorridos por ambulâncias do Samu e por guardas civis municipais. Eles foram levados para hospitais e para a UPA matriz. Havia também entre eles pessoas que passaram mal com o gás usado pela PM. Segundo a assessoria da prefeitura, diante do tumulto, as pessoas se refugiaram na prefeitura.

O saguão principal ficou lotado de pessoas ensanguentadas, ainda sob efeito de crise nervosa ou que tiveram algum tipo de ferimento. Funcionários tentaram acalmar manifestantes, distribuindo água. Enquanto isso, a sessão foi realizada na Assembleia. Foi interrompida por cerca de dez minutos, já que o gás chegou a atingir o plenário da Casa, mas foi retomada, mesmo com o barulho de bombas e gritos do lado de fora.

Enquanto no Japão o professores não precisa se curvar ao imperador, pois até mesmo ele passou pelas mãos de um professor. Aqui no Brasil o professor é tratado como bandido.

Educação e o Mundo Moderno. "Enquanto o nosso crescimento quantitativo se fizer com a aceleração presente e a aceitação de elementos de qualquer ordem para o preenchimento das nossas necessidades impedir a exigência de melhores requisitos, os serviços educacionais brasileiros continuarão a ser o que são, ajudados pela válvula de segurança do emprego fácil para os seus produtos de segunda ordem."

Falta de administração pública, planejamento, estratégia, falta tudo para o educador...só não falta armamento pesado para atirar nesse profissional que é tão importante para a sociedade do mundo.

O pior de tudo é ver que tem gente que defende a ação comandada pelo governador. É estranho que nas redes sociais, essas pessoas desmioladas só comentam em posts de grande mídia. Vendo o comentários nos canais menores parece que a opinião geral é outra. Minhas hipóteses para explicar esse fenômeno:

I) a galera que tem essa mentalidade não está nem um pouco preocupada em buscar outras fontes;

II) os partidos estão criando o máximo de perfil "fake" possível para tentar fazer a população acreditar que a opinião publica foi outra.

Os jornais estrangeiros, claramente apoiados por bancos brasileiros e do mundo que mais conspiram contra o Brasil, deveriam estar parabenizando o governo brasileiro por seus grandes anunciantes poderem continuar a pagar a publicidade em seus meios de comunicação. Seus lucros no Brasil são vergonhosos de tão altos, num momento em que a economia do país luta para crescer. Não custa lembrar que alguns, durante o período da campanha eleitoral, recomendavam a derrota da presidente Dilma Rousseff.

O banco espanhol Santander, que em 2008 foi salvo pelos lucros no Brasil, dava informações pessimistas ao mercado para esse trimestre, através de seus analistas que alardeavam que o Brasil não cresce e não vai crescer, que há inflação, bolha no mercado imobiliário, demissões, etc. Só não falam na Petrobras, pois estão lá dentro fazendo seus negócios que lhes permitem obter esses lucros.

Em relação aos bancos brasileiros, o lucro do Bradesco foi de R$ 4,24 bilhões no primeiro trimestre de 2015. Um aumento de 23,3% em relação ao mesmo período de 2014. A expectativa é parecida quanto aos resultados do Itaú Unibanco, que obteve um lucro de R$ 20,242 bilhões em 2014, 28,9% maior em relação ao de 2013.

Enquanto continuam a falar mal do Brasil e a alarmar o povo com notícias negativas, podendo levar a uma grande conflagração social, os bancos só comemoram.

É por isso que eu pergunto: Como confiar num país que espanca os seus próprios professores?













Um país que bate em seus professores não tem futuro!

"O que alguns podem não ter percebido, é que esse caso com as proporções que ganhou, será (ou já está sendo) exemplar para o restante do país, seja o desfecho favorável aos gregos ou aos troianas. Nesse sentido, a categoria docente que só observa deve buscar juntar forças para dar desdobramento ao processo, já sabendo que tipo de apoio buscar nas mídias e junto à sociedade. Algo que parece claro, é que quanto mais imagens do processo forem registradas, mais fácil será mostrar para a população quem é quem. A partir das imagens dos últimos dias, a população tomou partido com mais convicção. Até em São Paulo, Geraldo Alckmin já não pode mais negar que existe uma luta em curso. Se a grande mídia não mostra, cabe às redes sociais mostrarem serviço cidadão!" 

(Tom Valença, professor)


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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond.