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domingo, 19 de março de 2017

Jornal O Dia, ¿Por qué no te callas? (Por Thiago Muniz)

"O que está acontecendo no Brasil pode culminar no triunfo da aliança entre setores do judiciário e empresas religiosas neo pentecostais que nos levarão, se o projeto dessa turma funcionar, a um contexto em que os três poderes estarão articulados para colocar em prática o projeto do "Brasil, pátria do evangelho"; que mais se parecerá uma cleptocracia cruzadística..."
(Luiz Antônio Simas)

O jornalista Caio Barbosa foi demitido do jornal O Dia por exigência do prefeito do Rio, bispo Marcelo Crivella, feita diretamente ao dono do jornal.

A exigência de demissão foi feita após o jornalista publicar matéria denunciando a situação dos postos de saúde do município frente à campanha contra a febre amarela.

Ao perseguir jornalistas, o bispo Crivella revela sua intolerância à crítica e sua incapacidade de se relacionar com a liberdade de imprensa.

A liberdade de imprensa nesta colõnia chamada Brasil são só para a grande mídia oligárquica, que mandam e desmandam na sociedade. Democratização e independência são cerceadas e vão agonizando.

Temos que nos mobilizar urgentemente para produzir uma vacina contra o arbítrio do poder político em nosso país, democratizando os meios de comunicação.

O colega Caio Barbosa, um dos últimos repórteres de verdade das arrasadas redações cariocas e autor da coluna de bares do jornal, que ultimamente vinha me servindo de inspiração, referência e motivo de orgulho, foi demitido do jornal, a pedido do prefeito da cidade. O motivo, ter escrito uma matéria em que expunha, com sobriedade e imparcialidade, o medo da população com relação à febre amarela. Mas o bispo não gostou... Lamentar a covardia do "empresário dono de jornal" que acatou o pedido é chover no molhado. Absolutamente revoltante, contudo, é constatar que esse "prefeito" revela-se um homem público de estatura tão baixa que nem nos nossos piores pesadelos poderíamos prever. Com esse bispo sentado no Piranhão, os próximos quatro anos na nossa cidade vão ser de coroar o capeta.

A gente sabe que a mídia corporativa sempre precisou rezar a cartilha do poder público e que, no caso da grande emissora, ela é o quarto poder, mas eles perderam completamente a inibição. Não é mais segredo pra ninguém. Cuidar das pessoas é o cacete.

Lamentável. Não é a primeira e nem será a última. É assim em todos os setores profissionais. O beneficiado hoje será o esquecido de amanhã. É uma roda. Seguir no caminho correto é fundamental e através das pequenas coisas ir tentando mudar o que está por aí. Nunca foi e nem será fácil. São mais derrotas que vitórias. Importante é saber que todas conquistas são fundamentais e que nenhuma derrota deve tirar sua vontade de querer mais e mais. Se for para perder que seja lutando, não desistindo e mesmo caindo ter força para levantar e enfrentar novamente. Tenho certeza que quem sigo e acredito não vai desistir NUNCA.

Jornal O Dia, ¿Por qué no te callas?















BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Marcha das Famílias, uma mera coincidência com os dias de hoje? (Por Thiago Muniz)

"O povo está cansado das mentiras e das promessas de reformas demagógicas. Reformas sim, nós a faremos, a começar pela reforma da nossa atitude. De hoje em diante os comunistas e seus aliados encontrarão o povo de pé. [...] Com Deus, pela Liberdade, marcharemos para a Salvação da Pátria!", dizia o comunicado lido no dia da manifestação.

Há 50 anos, em 19 de março de 1964, era realizada na cidade de São Paulo a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. Estima-se que entre 500 mil e 800 mil pessoas partiram às 16h da Praça da República em direção à Praça da Sé, no centro, manifestando-se em resposta ao emblemático comício de João Goulart, seis dias antes, defendendo suas Reformas de Base na Central do Brasil.

Passaram à história como as genuínas idealizadoras e promotoras da marcha organizações femininas e mulheres da classe média paulistana. No entanto, por trás deste aparente protagonismo feminino às vésperas do golpe que deu lugar a 21 anos de regime ditatorial, esconde-se um poderoso aparato financeiro e logístico conduzido por civis e militares que tramavam contra Jango. Um detalhe: quase todos eram homens.

Certamente, a atuação de alguns grupos femininos como “pontas-de-lança” da opinião pública contra o governo Goulart foi peça-chave na conspiração levada a cabo pelo complexo empresarial-militar do Ipês-Ibad (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais – Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Destas instituições femininas, as principais eram: a carioca CAMDE (Campanha da Mulher pela Democracia) e as paulistas UCF (União Cívica Feminina) e MAF (Movimento de Arregimentação Feminina).

Conforme disseca a historiadora Solange Simões em seu livro Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964, a inserção das mulheres na conspiração que resultou no golpe foi estratégica. Com o intuito de fomentar uma atmosfera de desestabilização política e convencer as Forças Armadas a intervir, as campanhas femininas buscavam dar "espontaneidade" e "legitimidade" ao golpismo, tendo sido as mulheres incumbidas — pelos homens — de influenciar a população.

“Aqueles homens, empresários, políticos ou padres apelavam às mulheres não enquanto cidadãs, mas enquanto figuras ideológicas santificadas como mães”, escreve a pesquisadora. A própria dona Eudóxia, uma das lideranças femininas, reconhece, em entrevista à historiadora, sua função tática:

"Nós sabíamos que como nós estávamos incumbidas da opinião pública, os militares estavam à espera do amadurecimento da opinião pública. Porque sem isso eles não agiriam de maneira nenhuma. A não ser que a opinião pública pedisse. E foi isso que nós conseguimos."

Graças a uma bem-sucedida ação, eventos considerados aparentemente “desconexos” foram tomados como "reações espontâneas" de segmentos da população. Na verdade, essas manifestações apresentavam uma sólida coordenação por parte da elite.

Veja abaixo os principais aspectos desse movimento feminino que esteve à frente da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” de 19 de março de 1964.

1) COMO SURGIU E QUEM LIDERAVA?

Quem eram, afinal, essas mulheres que despontavam na rua, em passeatas e comícios, como “donas-de-casa” e “mães-de-família brasileiras”, envolvidas na conspiração civil-militar? Já chamadas de “guerrilheiras perfumadas” ou confundidas com mulheres “das classes médias”, as direções dos movimentos eram constituídas, essencialmente, por mulheres com baixa formação intelectual da burguesia e das elites militares e tecnoempresariais.

Essa ala feminina do golpe foi criada meses antes das eleições gerais de outubro de 1962. Suas principais líderes eram parentes próximas dos grandes nomes do setor empresarial e militar envolvidos na conspiração. Contaram, obviamente, com todo o aparato financeiro e logístico de seus cônjuges, primos e irmãos para erguer suas instituições. “O meu marido me incentivava: ‘Eu ajudo no que precisar’, dizia ele”, relembra em entrevista concedida a Solange Simões, a vice-presidente da CAMDE, Eudóxia Ribeiro Dantas, mulher de José Bento Ribeiro Dantas, empresário ipesiano presidente da Cruzeiro do Sul, uma das maiores companhias aéreas do país.

Do lado carioca, por exemplo, a CAMDE foi criada por Amélia Molina Bastos, irmã do general Antônio de Mendonça Molina, do setor de informação e contrainformação do Ipês. A ideia partiu declaradamente do vigário de Ipanema, Leovigildo Balestieri, e dos líderes ipesianos engenheiro Glycon de Paiva e general Golbery do Couto e Silva. A CAMDE foi lançada no auditório do jornal O Globo, no Rio, oferecido por seu diretor-proprietário, Roberto Marinho. Na manhã do dia 12 de julho de 1962, o periódico carioca estampava na capa: “A Mulher Brasileira está nas Trincheiras”.

Já em São Paulo, nas reuniões de fundação da UCF, compareceram figuras como: Antonieta Pellegrini, irmã de Júlio de Mesquita Filho, diretor-proprietário do jornal O Estado de S.Paulo, e Regina Figueiredo da Silveira, primeira presidente da união paulista e irmã do banqueiro João Baptista Leopoldo Figueiredo, presidente do Ipês e primo do último presidente do ciclo militar.

2) EM TERMOS PRÁTICOS, O QUE FIZERAM?

Desde sua fundação, a CAMDE carioca e a UCF paulista se engajaram na ação política de combate e desestabilização do governo Goulart, orientadas ideologicamente e materialmente pelo complexo Ipês-Ibad.

“Caravana a Brasília”: pelo veto a Santiago Dantas

Em 1962, as mulheres organizaram uma “Caravana a Brasília” com o objetivo de formar um efetivo “coro popular” para impedir a posse de San Tiago Dantas como primeiro-ministro. Esse movimento integrava parte da política de rejeição, pela elite, de uma composição com a ala moderada do trabalhismo. Para tanto, entregaram ao presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, 60 mil cartas pedindo a não aprovação do plebiscito antecipado, bem como o impedimento da delegação de poderes ao conselho de ministros, fundamental à continuidade das Reformas de Base do governo Goulart.

Boicote ao Última Hora, o “diário da guerra revolucionária”

Um dos poucos jornais que se atreveram a criticar a tentativa de deturpar o processo eleitoral por parte dessas organizações femininas, o Última Hora, de Samuel Wainer, foi sistematicamente perseguido pela CAMDE e UCF. Caracterizando o periódico como “o diário da guerra revolucionária que se travava no Brasil”, as senhoras passaram a formar comissões de visitas a empresários, industriais e comerciantes que anunciavam no jornal, pedindo para que suas verbas publicitárias fossem suspensas. A coordenação dessa campanha de boicote foi feita em grande parte em sincronia com o Ibad, liderado pelo integralista Ivan Hasslocher, outra figura central na campanha anti-Jango. Hasslocher se exilou em Genebra depois de comprovados, pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) de 1963, os atos de corrupção de seu instituto no processo eleitoral de outubro de 1962.

"Marchas da Família com Deus pela Liberdade": quem convocou, dirigiu e financiou

Logo após o discurso de Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964, a CAMDE se engajou em campanhas por telefone, incitando as mulheres a permanecerem em casa e acenderem velas em suas janelas como sinal de protesto e fé cristã. A massiva “Cruzada do Rosário em Família”, do padre norte-americano Patrick Peyton, pároco de Hollywood, foi o ensaio-geral para as marchas anticomunistas de abril e março de 1964, fundadas no lema “A família que reza unida permanece unida”.

Seis dias depois do comício de Jango, em 19 de março, data em que se comemora o dia de São José, padroeiro da família, realizou-se em São Paulo a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, coroando o auge dos esforços das associações femininas orientadas pelo Ipês.

A marcha reuniu entre 500 mil e 800 mil pessoas para protestar contra o comício de Goulart na Central do Brasil. A idealização da marcha partiu do deputado federal Antônio Sílvio Cunha Bueno (PSD), um grande proprietário de terras e diretor da norte-americana Willys-Overland Motors do Brasil, cuja matriz ficou famosa pela fabricação, em parceria com a Ford, do jipe usado pelos norte-americanos na Segunda Guerra Mundial. 

Ao contrário da propagandeada supervalorização do papel dessas mulheres na condução dos protestos, a organização da marcha não ficou a cargo nem da UCF nem do MAF, ambas entidades sediadas em São Paulo. Quem levou o evento adiante foi o próprio Cunha Bueno, além de outros políticos paulistas, como o vice-governador Laudo Natel, Roberto de Abreu Sodré (UDN) e Conceição da Costa Neves (PSD), deputada mais votada no estado nas eleições de 1962.

Acompanhados de suas esposas, políticos importantes se fizeram representar nas marchas: Adhemar de Barros e sua mulher, dona Leonor; além de Carlos Lacerda, governador do Rio, e dona Letícia. O deputado Herbert Levy, integrante da UDN e líder do Ipês, bradava: “o povo não quer ditaduras, o povo não quer comunismo, o povo quer paz e progresso”. Cunha Bueno discursava: “Todos vocês nessa praça representam a pátria em perigo de ser comunizada. Basta de Jango!”.

Em São Paulo, os banqueiros Hermann Morais Barros (Banco Itaú), Teodoro Quartim Barbosa (Comind) e Gastão Eduardo Vidigal (Banco Mercantil), líderes ipesianos do primeiro escalão, ficaram incumbidos de articular e obter adesão das entidades de classe de todo o país para as marchas.

“O Ipês de São Paulo também fez contribuições diretas e em dinheiro para o movimento feminino: consta do relatório de despesas de 1962 e do orçamento de 1963 uma contribuição mensal para a UCF”, conclui a historiadora Solange Simões.

A organização logística da marcha foi feita no prédio da Sociedade Rural Brasileira, supervisionada pelo Ipês e contando com a presença de membros de diversas entidades patronais e associações industriais. No bem aparelhado quartel-general do movimento feminino fizeram-se ainda pôsteres, cartazes e bandeiras com as seguintes palavras de ordem:

"Abaixo o Imperialismo Vermelho
Renúncia ou Impeachment
Reformas sim, com Russos, não
Getúlio prendia os comunistas, Jango premia os traidores comunistas
Vermelho bom, só o batom
Verde, amarelo, sem foice nem martelo.
"

3) HOUVE PROTAGONISMO FEMININO?

Uma vez vitorioso o golpe de Estado de 1º de abril de 1964, foi deflagrada a chamada “Marcha da Vitória”, reunindo 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro. Logo no dia 3 de abril, o líder do Ipês João Baptista Leopoldo Figueiredo, que estava em reunião na Guanabara na qual discutiam a escolha do “novo candidato” à presidência, telefonou para sua irmã Regina Figueiredo Silveira, presidente da UCF. Motivo: o banqueiro primo-irmão do último presidente militar solicitava à irmã-ativista que o lançamento da candidatura de Castello Branco fosse feito pela própria UCF.

Paulo Ayres Filho, outro líder ipesiano e empresário da indústria farmacêutica, ficou incumbido de elaborar, junto com uma equipe da UCF, o manifesto feminino de apoio ao marechal, levado às estações de TV e jornais pelas senhoras.

O general Olympio Mourão Filho, que marchou de Minas Gerais em 31 de março, antecipando-se ao plano dos conspiradores do eixo Rio-São Paulo, comentou, sobre as marchas das mulheres, que “como todos os homens que participaram da revolução, nada mais fez do que executar aquilo que as mulheres pregavam nas ruas para acabar com o comunismo”. Cordeiro de Farias foi ainda mais longe, de acordo com Solange Simões, “ao afirmar que a revolução foi feita pelas mulheres”.

Historiadores que estudaram o período são mais céticos: não veem a movimentação das mulheres como sintoma do engajamento universal da população brasileira no combate a Jango. Na verdade, essas mulheres, teriam funcionado como massa de manobra dos conspiradores — todos homens — para criar uma sensação de “espontaneidade” e “clamor popular” apta a dar “legitimidade” ao novo governo. Como aponta a pesquisadora Solange Simões, a marcha foi “ostensivamente uma manifestação das classes média e alta”. E mais: foi muito restrita, pois em uma cidade de 6 milhões de habitantes, como São Paulo, apenas 500 mil pessoas participaram.

Até o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, notório por seu apoio ao golpismo, percebeu a falta de apoio popular no movimento, conforme relata a Washington em um telegrama de 2 de abril de 1964: “A única nota destoante foi a evidente limitada participação das classes mais baixas na marcha”. 













Seu espião militar no Brasil, o coronel Vernon Walter também atesta que, até a realização das passeatas, havia um receio de que o movimento para derrubar João Goulart fracasse por falta de apoio popular.

Desferido o golpe em 1º de abril, as marchas do Rio e São Paulo foram seguidas de outras menores, organizadas pelas associações femininas em Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Santos.

“Se antes os maridos enalteciam o papel de mãe e esposa para manter a mulher no lar e discriminadas na esfera pública, passam agora a enaltecer aquele papel para comprometê-la na ‘política’”, arremata Solange Simões. 

Assim, revelando o ilusório protagonismo vislumbrado pelo espetáculo dessas marchas de massivas mobilizações, “a ‘mulher-dona-de-casa’ que respeitava, no lar, a autoridade do chefe da família, deveria, enquanto mulher-cidadã procurar a autoridade do Estado – autoridade que residia principalmente no seu braço armado”, conclui a historiadora.

4) ORGANIZAÇÃO DA MARCHA

Para organizar o evento foram realizadas diversas reuniões de organizações de direita e seus representantes, entre elas a Fraterna Amizade Urbana e Rural, Sociedade Rural Brasileira, a União Cívica Feminina, além de organizações católicas conservadoras como a Cruzada pelo Rosário em Família, Confederação Católica do Arcebispado do Rio de Janeiro, Associação dos Antigos Alunos do Sagrado Coração de Jesus e o Grupo de Reabilitação do Rosário.

5) TRAJETO

Com início às 16h na Praça da República, a marcha percorreu a rua Barão de Itapetininga, Praça Ramos de Azevedo, Viaduto do Chá, Praça do Patriarca, rua Direita e teve como ponto final o marco zero da capital paulista, a Praça da Sé.

6) CARTAZES

Entre os cartazes exibidos estavam os dizeres “Vermelho bom, só batom”, “Um, dois, três, Brizola no xadrez”, “Verde Amarelo, sem foice e sem martelo”, “Tá chegando a hora, de Jango ir embora”, "O Kremlin não compensa", "Abaixo o entreguismo vermelho", "A melhor reforma é o respeito à lei", "Chega de palhaçada, queremos governo honesto".

7) APOIO ESTRANGEIRO

Entre as organizações católicas que participaram da organização do evento estava a Cruzada pelo Rosário em Família. Ela tinha como líder o padre Patrik Peyton, que veio das Filipinas no final de 1963 a convite do então arcebispo do Rio de Janeiro, dom Jaime de Barros Câmara.

Com o lema “a família que reza unida permanece unida”, Peyton promoveu uma série de eventos públicos de massa para os fiéis brasileiros em que associava os males do mundo aos “políticos ateus que queriam mudar a ordem natural das coisas”. Na década de 70, o padre foi apontado por historiadores norte-americanos como agente da CIA, especialista em levantar as massas católicas contra o comunismo ateu em nome da Virgem Maria.

Darcy Ribeiro (1922-1997), ministro da Casa Civil de João Goulart, considera em seu livro Confissões que Peyton inaugurou as ações de massa contra o governo brasileiro em 1964. “Os golpistas se assanham, promovendo ações de massa, já em fevereiro. A primeira delas foi importar um santão norte-americano, padre Peyton”, registra.

Percebendo o perigo que o padre estrangeiro representava, o então ministro resolve chamá-lo para Brasília afim de convencê-lo a rezar o terço com Jango. “Tivemos uma conversa desencontrada, porque ele foi trazido por um agente da CIA, que eu tive que colocar para fora da sala”, relata Darcy. A empreitada teve êxito e a missa e reza do padre foram gravadas para a televisão, mostrando logo no início Jango ao lado de sua esposa Maria Thereza, e seus dois filhos. Apesar da tentativa de minimizar o efeito da pregação anticomunista do padre, o terreno para ações de massa contra o governo já estava preparado.

8) OUTRAS MARCHAS

Após a marcha realizada na capital paulista, outras semelhantes correram o interior do Estado. No dia 21 de março foram realizadas duas Marchas, em Araraquara e Assis. No dia 25, cerca de 80 mil pessoas marcharam na cidade litorânea de Santos, no dia 28 em Itapetininga e no dia 29 em Atibaia, Ipauçu e Tatuí. A Marcha aconteceu também em outros estados. No dia 24, na cidade de Bandeirantes no Paraná e no dia 02 de abril cerca de um milhão de pessoas marcharam no Rio de Janeiro para comemorar o Golpe na Marcha da Vitória.


Principais fontes:
  • René Armand Dreifuss (‘1964: A conquista do Estado: Ação Política, Poder e Golpe de Classe’) Solange de Deus Simões (‘Deus, Pátria e Família: As mulheres no golpe de 1964’);
  • Acervo da Biblioteca Nacional;
  • Opera Mundi.


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Thiago Muniz é colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do site Jornal Correio Eletrônico. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 27 de abril de 2016

Bolsonaro e a volta ao passado retrógrado (Por Thiago Muniz)

“Messias” em hebraico significa “ungido”, ou seja, consagrado. A palavra extrapolou o contexto religioso judaico-cristão e, tornando-se conceito, passou a representar alguém que acredita possuir poderes sobrenaturais para solucionar os problemas enfrentados por sociedades mergulhadas em situação de caos. 

O terreno propício para o aparecimento do “escolhido” é o da desesperança política, desagregação econômica e ressentimento social. Vestido com o manto da intolerância e empunhando a clava do autoritarismo, o líder messiânico elege como bodes expiatórios todos aqueles que ousam pensar e agir de maneira independente. O resultado dessas intervenções mistificadoras é sempre catastrófico.

Político, Bolsonaro demonstra profundo desprezo pelas agremiações. 'Católico fervoroso', Bolsonaro tem profundo desprezo pelo ser humano. Homofóbico, disse: 'Seria incapaz de amar um filho homossexual.' 

Ainda assim, tem três milhões de seguidores no Facebook". 

A pior parte disso tudo é ver o número de pessoas que adota o discurso de ódio aumentando, sem pensar nas consequências. Parece que a parte política tá falando mais alto que a parte humana nas pessoas. 

Bolsonaro tem desprezo pela política do jeito que ela deve ser feita. Lembra a Alemanha nos anos 30.

Os milhões de seguidores do Bolsonaro demonstram a falência da Educação no Brasil. Porque só a ignorância explica a adesão dessas pessoas às ideias racistas, misóginas, machistas e homofóbicas desse sujeito.

A coisa mais engraçada dos seguidores de Bolsonaro é que nem eles mesmos acreditam em seu líder fala, não nega nada do que disse, se você for lá perguntar ele assume o que disse. E quando essas coisas são expostas para seu seguidores (pasmem) eles dizem que é mentira, que estão tentando criar um monstro. Eu sei que é difícil de acreditar que alguém possa ser tão escroto, até para os seguidores, mas é.

Jair Messias Bolsonaro chegou à Câmara dos Deputados montado em quase 465 mil votos, o equivalente a 6% do total do eleitorado fluminense. Defensor entusiasmado da ditadura, ele mesmo militar da reserva, quando na ativa, entretanto, demonstrou profundo desprezo pela hierarquia. Em 1986, já capitão do Exército, ficou preso por 15 dias por indisciplina e imoralidade, acusado de liderar manifestações por melhoria do soldo. No ano seguinte, anunciou uma operação, denominada Beco sem Saída, que consistia na explosão de bombas de baixa potência em quartéis para chamar a atenção para os salários da categoria. Em ambas as ocasiões, acabou absolvido pelo Superior Tribunal Militar.

O deputado de extrema direita Jair Bolsonaro, defensor da tese de que os gays são fruto do consumo de drogas e partidário de proibir o voto a analfabetos e pessoas sem renda, costuma ser estrela nos protestos, ovacionado pela multidão, órfã de candidatos sem reparos em se declarar de direita. Bolsonaro quer ser presidente em 2018 e os ventos conservadores que sopram no Brasil estão disparando sua popularidade. Caso parecido já se viu na Itália com Silvio Berlusconi e hoje nos Estados Unidos, com um imparável Donald Trump.

O deputado está tomando a sério a promessa, já lançada em 2014, de “ser o candidato da direita”. Contratou até um marqueteiro. Hoje, um veterano publicitário paulista, com experiência nos Estados Unidos, e partidário da intervenção das Forças Armadas no Brasil, articula a pré-campanha do pré-candidato. O deputado, no Congresso desde 1991, transformou-se também nos últimos tempos em uma máquina nas redes sociais. Mais de 2,4 milhões de pessoas o acompanham no Facebook, superando o público virtual de Lula em mais de 300.000 seguidores. Na rede social, Bolsonaro mobiliza 58 grupos e tem 99 páginas associadas ao nome dele, segundo um levantamento do Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic). Lula tem apenas 9.

A mídia tem sido, efetivamente, um dos principais palanques de Bolsonaro, um candidato que, ao igual que Trump, cresce na polémica. Na sua primeira eleição a vereador em 1988 ele era conhecido nos jornais como o capitão que orquestrou um ano antes a operação Beco Sem Saída. O plano consistia em plantar bombas de fabricação caseira em quarteis para protestar se o aumento dos salários do militares fosse menor de 60%. Bolsonaro, que confessou o complô a uma jornalista a quem pediu infrutuosamente sigilo, foi finalmente absolvido, mas a etiqueta de conspirador –e ao mesmo tempo defensor dos interesses dos militares­– o perseguiu por anos.

O problema de quem acredita no Bolsonaro, e nas suas idéias, é que eles simplesmente não acreditam que essas coisas não podem se voltar contra eles, o cara prega a morte e a tortura de pessoas com ideais diferente dele, mas um dia ele vai se voltar contra as pessoas que elegeram ele, pois a única coisa que importa é o poder, vide que ele não respeitou a hierarquia militar.

Isso mostra a qualidade de caráter do povo. Esses mesmos 3 milhões de seguidores dele, estavam espalhados pedindo o impeachment. Essa é a escória que compõe o corpo da direita deste país. É temeroso um futuro com mais animais como esses ameaçando nossa democracia com os olhos vermelhos de ódio!

Fato no Brasil é pegar frases ditas em um determinado contexto e rotular a pessoa. O Povo precisa ler, reler, buscar outros pontos de informação, para formar sua própria opinião. O que vemos hoje são várias pessoas sendo feitas de ignorantes em uma velocidade assustadora.




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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.