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segunda-feira, 20 de junho de 2016

O Rio de Janeiro em falência (Por Thiago Muniz)

O Rio de Janeiro vive uma crise política, financeira e moral na segurança, na saúde e na administração do dinheiro público. A administração do PMDB deixou o Estado envergonhado e falido.
O ano é 2010. O Brasil é a bola da vez no mundo. Em meio a uma crise que assola os países mais desenvolvidos do planeta, ocupamos a capa da revista “The Economist”, uma das mais importantes publicações já criadas, com a imagem de um cristo redentor decolando.

O Brasil vivia uma festa. O país iria sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas e apenas alguns meses depois descobriria seu maior crescimento econômico em 35 anos. Do outro lado do Atlântico, na Europa, o cenário era o exato oposto. 

Apenas seis anos após sediar uma olimpíada, a Grécia era o centro de um continente em crise, o símbolo de um modelo que deu errado. Passado o mesmo tempo, já em 2016, prestes a sediar as Olimpíadas, a cena se repete – o Rio de Janeiro acaba de declarar falência. Muito mais do que coincidência, a história é, no fundo, uma grande lição.

Do Caburaí ao Chuí, os governos estaduais estão quebrados (dez deles já parcelam salários). Todos, sem exceção, gastam mais do que o recomendado com pagamento de funcionalismo público. Em três deles, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, já se gasta mais com aposentadorias e pensões do que com educação e saúde. Para onde quer que se olhe, o cenário é quase sempre o mesmo.

Para muitos estados, como o Rio Grande do Sul, por exemplo, que convive há mais de quatro décadas com déficit nas contas públicas, a situação pode ser considerada dentro dos padrões normais, ou ao menos dentro do esperado. Em outros casos, como o do Rio, no entanto, a situação ainda parece difícil de acreditar. Trata-se do mesmo Rio de Janeiro que há 10 anos esperava crescer o dobro da média nacional e atingir até 20% de participação no PIB brasileiro em 2016. 

O motivo pra euforia? A descoberta da camada pré-sal lá em 2007. O otimismo não rolou à toa. Apenas entre 2014 e 2016 o estado recebeu nada menos do que R$ 235 bilhões em investimentos, boa parte deste valor destinado à indústria do petróleo e à infraestrutura necessária para sediar os jogos olímpicos.

No papel, o Rio estava bombando. Como em uma das famosas apresentações de Eike Batista, seu ilustre morador, tudo parecia ajustado e pronto para explodir. Na prática, porém, as coisas desandaram tão rápido quanto pareciam crescer.

Poucos meses antes de sediar as Olimpíadas para as quais vem se preparando há quase uma década, o Rio declarou “estado de calamidade pública”. A medida emergencial significa que na prática o governo estadual terá acesso mais rápido à liberação de recursos por parte do governo federal (estimados em R$ 3 bilhões), permitindo pagar salários e horas extras, além de continuar investindo nas obras fundamentais para a realização dos jogos olímpicos.

Com um déficit estimado para este ano em R$ 19 bilhões, ou quase metade do total arrecadado em 2015, o governo do estado não chegou até esse patamar sem nenhum motivo. Disfarçado por muito otimismo, algumas partidas marcantes de Copa do Mundo e uma enxurrada de investimentos por parte de estatais como a Petrobras, há alguns fatores que levaram o estado à situação atual. 

Entender estes motivos significa na prática se adiantar em alguns meses, ou na melhor das hipóteses, poucos anos, aquilo que tem boas chances de ocorrer ao governo federal. Abaixo, oferecemos um manual completo de como não evitar estes problemas.

Falar que há problemas na previdência brasileira pode parecer chover no molhado. Há anos a reforma no setor vem sendo debatida e discutida. Evitar um déficit que pode alcançar a casa dos trilhões é provavelmente uma das mais urgentes medidas que qualquer governo poderia tomar. 

Apenas para este ano, por exemplo, o governo federal estima que o déficit dos 28 milhões de beneficiários do INSS deve atingir R$ 146 bilhões, valor próximo daquilo que deve ser alcançado pelos 1,2 milhão de aposentados e pensionistas do serviço público. Dizendo de outra forma, nada menos do que R$ 700 bilhões serão gastos em 2016 para pagar benefícios sociais (mais do que a arrecadação de todos os estados brasileiros).

Escondida em meio a esse debate nacional, a previdência dos estados chega a apresentar dados ainda mais assustadores. Para este ano, o déficit programado deve atingir R$ 51 bilhões. E quase 25% deste valor deve-se a um único estado: o Rio de Janeiro.

Em todo o país, apenas dois estados possuem mais aposentados do que trabalhadores na ativa: o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro. Em outras palavras, para cada médico, policial ou professor que lhe presta um serviço público, você precisa pagar por pelo menos dois.

Como nos demais estados brasileiros, o Rio de Janeiro se especializou em um sistema no qual cada funcionário na ativa paga uma contribuição sobre seu salário, que é destinada a cobrir o salário daqueles que estão aposentados. A diminuição do número de funcionários na ativa em relação aos inativos tem se agravado nos últimos anos – e com ela a necessidade de aportes do Tesouro.

Ao contrário dos demais estados, porém, o Rio criou uma fonte específica e complementar de financiamento da sua previdência estadual: os royalties do petróleo. Em 2014, nada menos do que 55% dos pagamentos de aposentadorias e pensões tinham como origem os royalties aos quais o estado tinha direito. 

Cerca de 95% de todos dos royalties do estado se destinavam a cobrir gastos com previdência. Com a queda no preço do barril de petróleo, no entanto, a situação tornou-se insustentável. Royalties hoje bancam apenas 28% dos gastos com previdência. Cabe ao governo do estado complementar. Em 2015, isso significou aportar R$ 7 bilhões na “RioPrevidência”.

Entre 2007 e 2015, os gastos com previdência no Estado saltaram de R$ 5,7 bilhões para R$ 17 bilhões. Graças à receita abundante dos royalties, em especial quando o petróleo atingiu US$ 145 por barril, o estado pode reajustar pensões, elevando o gasto médio de R$ 900 para R$ 4 mil no período. 

Atualmente, cerca de 66 em cada 100 funcionários na ativa possuem a chamada “aposentadoria especial”, podendo se aposentar mais cedo do que as demais categorias (em especial, bombeiros, policiais e professores), o que contribui significativamente para elevar o déficit da previdência. O socorro ao fundo de previdência fez os gastos do governo estadual com aposentados e pensionistas saltar nada menos do que 118% apenas em 2015.

Juntos, os estados brasileiros possuem uma conta a ser paga de R$ 2,4 trilhões na previdência. Ao contrário do Rio, no entanto, a maioria deles não pode contar com a sorte de ter as maiores reservas de petróleo no país. Sozinhos, os gastos com previdência no Rio atingem mais do que aquilo que é gasto em saúde (R$ 3,96 bilhões), educação (R$ 4,04 bilhões) e segurança (R$ 5,18 bilhões), somados.

Pouco mais de um século e meio como capital do país fizeram do Rio um estado onde se respira funcionalismo público. Nem mesmo cinco décadas de mudança da capital para Brasília foram capazes de apagar isso. Ainda hoje, inúmeras empresas estatais, bancos públicos e repartições das mais variadas possuem o Rio de Janeiro como sede.

Não por acaso, há mais funcionários públicos federais no Rio de Janeiro hoje do que em Brasília. São cerca de 258,5 mil contra 178,5 mil funcionários públicos na atual capital federal. Em termos de salários, o Rio é destino de R$ 22 bilhões anuais contra R$ 10,3 bilhões de Brasília (incluindo aí apenas funcionários do Executivo).

Cerca de 1 em cada 5 trabalhadores no estado tem como empregador o setor público. São 18,64%, acima da média nacional. Como a Lei de Responsabilidade Fiscal não obriga os estados a contabilizarem gastos com previdência como sendo “gastos com pessoal”, a situação do estado passou anos como sendo aparentemente uma das mais positivas do país.

Toda maquiagem contábil, porém, não impediu que o Rio fosse o segundo estado do país a começar a parcelar salários. Mesmo sendo em teoria o estado que menos gasta com pessoal em todo o país (apesar de ser um dos que mais emprega), o Rio está oficialmente “incapacitado de pagar o funcionalismo”, nas palavras do próprio governador em exercício.

Justamente por não ferir o que manda a LRF (gastar no máximo 44% da sua receita corrente líquido com funcionalismo), o Rio se viu livre para elevar salários e amenizar o fato de que seus policiais e professores se encontram entre os cinco mais mal pagos do país.

Quando somado ao aporte que o Estado teve de fazer para pagar aposentados e pensionistas, a folha de pessoal teve custos de R$ 24,5 bilhões em 2015, sendo R$ 10,84 bilhões com inativos. A receita do estado, porém, teve queda, atingindo R$ 39 bilhões. Quando incluídos aí todo os gastos com funcionalismo inativo, o Rio de Janeiro gastou R$ 31,6 bilhões no ano, um crescimento de 146% desde 2009. No mesmo período a inflação medida pelo IPCA atingiu 57,29%.

O valor, quase oito vezes o déficit que o governo estadual deve atingir em 2016, representa aquilo que, de boa vontade, os governadores do estado abriram mão de arrecadar em ICMS entre 2008 e 2013.

Para atrair empresas da área de petróleo, infraestrutura, siderurgia e bebidas, o governo do estado não se fez de rogado – botou a mão no bolso dos pagadores de impostos e distribuiu as benesses. Ao mesmo tempo em que elevava a distribuição de isenções fiscais, o governo fluminense aumentava também a sua já preocupante dívida. Ao final de 2013, o Rio devia R$ 107 bilhões, quase o dobro dos R$ 59,2 bilhões devidos em 2008.

A escolha de quem receberia os benefícios ficou a cargo do governo estadual. No meio de tantos bilhões, casos como a indústria de jóias, que recebeu isenções de R$ 230 milhões, chamam a atenção. Enquanto obrigava toda a população a bancar uma máquina pública cada vez mais pesada, o governo concedeu benefícios a uma indústria cuja base de consumidores é essencialmente a camada mais rica dos moradores do estado.

Dentro deste valor, há ainda casos mais curiosos, como o da montadora Nissan, que recebeu R$ 353 milhões em isenções, além de ter tido sua fábrica no estado financiada pelo próprio governo, ao custo de R$ 5,9 bilhões, com carência e prazo para pagamento em 30 anos.

Outros R$ 760 milhões via crédito de ICMS foram destinados a financiar a expansão da AMBEV em Piraí, onde o governador Pezão foi prefeito por dois mandatos. Menos de um ano antes, a empresa havia recebido R$ 850 milhões para financiar uma de suas sedes. A montadora alemã Volkswagen foi outra das beneficiadas, recebendo R$ 2,1 bilhões para se instalar no estado.

Para o governo, a prática estimula a geração de empregos. No acordo com a AMBEV, por exemplo, foram criadas 73 vagas de empregos. Somando os dois contratos, a empresa recebeu nada menos do que R$ 7 milhões por emprego gerado.

Reformado para os jogos Panamericanos, para a Copa do Mundo e agora para as Olimpíadas, o Maracanã já demandou sozinho R$ 1,2 bilhão do governo do Estado – quase 5 vezes o valor investido em sua construção na década de 40 (com valores são atualizados). 

Hoje sob concessão da empreiteira Odebrecht, o estádio é apenas um dos exemplos da festa que foi o Rio de Janeiro na última década. A expectativa das Olimpíadas, a final da Copa do Mundo e tudo que gira ao redor disso, fizeram o estado entrar em uma onda de gastos que pode chegar a R$ 39,1 bilhões, ou mais de duas vezes o valor estimado para o déficit deste ano.

O decreto emitido pelo governo em exercício é parte do plano para impedir que os serviços públicos no estado entrem em colapso antes das olimpíadas. Quase R$ 3 bilhões devem ser liberados. Após a festa, a conta ainda deve perdurar por algumas décadas.

Apenas a dívida do governo do estado com a União atinge mais de R$ 75 bilhões, ao custo de R$ 6,5 bilhões por ano – ou mais do que o valor gasto com a segurança no estado. O serviço total da dívida, no entanto, atinge R$ 10 bilhões este ano, mais do que os valores de saúde e educação somados. Como resultado, o estado investe menos da metade do que a lei determina em saúde.

O resultado da farra de gastos, porém, não deve se limitar ao próprio estado. Impedido por lei de dar calote na União (caso deixe de repassar a parcela da dívida, a União pode legalmente bloquear as contas do estado e impedir repasses), o governo do estado já aplicou calotes em outras dívidas. 

A Agência Francesa de Fomento, por exemplo, deixou de receber o que lhe era devido pelo estado ainda em junho deste ano. Para compensar, a União teve de arcar com o prejuízo. Cerca de 90% da divida já foi paga. Pagamentos futuros ainda são incertos.

O calote é parte de uma tragédia anunciada. Em maio deste ano, a agência Fitch já havia rebaixado a nota de crédito do Rio para BB-, ou “mau pagador”.

De fato, a situação do Rio de Janeiro não é alheia aos demais estados e muito menos ao próprio país. Ao longo das últimas duas décadas, governos estaduais têm se convertido a cada dia que passa em pagadores de salários, relegando investimentos. Enquanto o investimento público total no país saltou de 0,8% para 1,1% nos últimos 20 anos, os gastos públicos totais saíram de 25% para 36% – e ao que tudo indica, não deve haver nenhuma reversão deste cenário em um futuro próximo.

Para qualquer turista, o samba, o futebol, as praias, a caipirinha, o Corcovado e o Cristo Redentor são a cara do Brasil. Um olhar mais atento, porém, identificaria que a verdadeira coincidência entre o Brasil e o Rio nesse momento são os seus problemas econômicos. Evitá-los é o grande desafio das próximas décadas a qualquer liderança política que se preze.

Com uma carga tributária tão alta no país, as aposentadorias não deviam ser pretexto de ser a causa dos problemas estaduais, mas, sim a má gestão, como essa farra de incentivos fiscais á empresas ricas que não geraram tantos empregos assim, e nosso país bancar uma copa do mundo sem arrecadar nada de impostos da Fifa, e agora bancando uma olimpíada sem poder.É fácil jogar a culpa nos funcionários públicos, melhor seria buscar as verdadeiras razões para o país estar de joelhos, simplesmente por péssimas administrações á nível estadual e federal, é bem simples.

Nós pagamos em média 50% do valor de qualquer produto adquirido, da pasta de dente ao carro importado, e vão querer me convencer que o país não tem dinheiro?

Está aí o Rio de Janeiro, um dos estados mais ricos, na merda pura. Aprendam a votar, libertem-se da oligarquia do PMDB daí e parem de pedir socorro ao Brasil, que tem muito a aprender, muito a aprender o que não fazer, pois Rio-SP é uma cartilha de como não ser.













BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



quarta-feira, 18 de maio de 2016

Dois passos para frente e um pra trás (Por Thiago Muniz)

No meu espírito otimista, é neste ritmo que vejo a humanidade - e o Brasil - caminhando. 

Verdade que há momentos em que parece o contrário - que recuamos dois passos depois de muito esforço pra avançar um - mas creio que uma observação mais tranquila e de longo prazo mostra coisa diferente….

São chocantes os episódios de homofobia com os quais ainda temos que conviver, mas é bom lembrar que apenas poucas décadas atrás ser homossexual ainda era crime mesmo em muitos países da Europa, como a Grã-Bretanha. 

É terrível ver mulheres ainda tendo que enfrentar a ideologia de gênero que tenta colocá-las em posições de inferioridade mas são inegáveis os avanços que elas conseguiram nos últimos anos. 

É desesperador observarmos que ainda tem gente submetida a trabalho escravo em pleno século XXI mas na maior parte da história da humanidade esta relação servil foi vista como absolutamente natural ou mesmo a única possível.

Vejo as sociedades como bastante resilientes depois que conseguem avançar. Grupos que por séculos sofreram calados, depois que sentem o gosto do empoderamento (palavra feia, mas não encontro melhor tradução para o lindo conceito do empowerment) não o esquecem mais e seguem empurrando pra frente mesmo quando uma força contrária tenta joga-los de novo no atraso e no passado.

O importante é que o impulso pra frente continue e se fortaleça. A história me parece feita de vetores que puxam pra diferentes lados e nessa combinação de forças se chega a um vetor resultante que é o que, no fim das contas, nos leva pra um lado ou pra outro. 

E em geral é dos radicais - não dos moderados e ponderados, entre os quais costumo me incluir - que vêm os principais motores desta caminhada. Por isso, respeito profundamente os radicais mas também creio que se estivessem sozinhos e conseguissem tudo o que querem, poderiam nos fazer ir a passos largos para uma pântano ou abismo. 

Mas na correlação de forças, são eles que nos fazem avançar na direção da evolução.

Portanto, tendo a me manter tranquilo quando penso no longo prazo. E pra quem vê o recuo e se desespera, sugiro uma combinação de tranquilidade e força pra resistir e empurrar pro lado que consideram o certo, na confiança de que de um jeito ou de outro, em algum tempo, estaremos avançando de novo.

E não digo que seja o certo mas sim o que observo. Encarar com tranquilidade é diferente de concordar ou gostar.



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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

A ciclovia olímpica e novos modelos de gestão de construção (Por Thiago Muniz)

"As obras, se não são inspiradas não são duradouras."
(Pensamento judaico)



Sobre o desabamento de parte da ciclovia da Avenida Niemeyer (com duas vítimas fatais) inaugurada há apenas 3 meses no Rio de Janeiro, importa lembrar que este incidente criminoso não merece ser considerado um fato isolado.

Deu-se o mesmo no Estádio Olímpico João Havelange, mais conhecido como Engenhão, interditado menos de seis anos após a inauguração por gravíssimos problemas estruturais em sua cobertura.

Também a Vila do Pan, construída para abrigar os atletas dos Jogos Pan-Americanos de 2007, e que depois teve os apartamentos vendidos para milhares de novos proprietários, sofreu com a interdição de várias áreas comuns do condomínio por erros absurdos de projeto, principalmente afundamento do solo. Crateras gigantes apareceram onde os construtores deixaram de realizar os procedimentos corretos de rebaixamento de solo em um terreno pantanoso.

A Cidade da Música, construída às pressas para abrigar a mais moderna sala de concertos do Estado, teve o resultado final criticado pelo próprio arquiteto responsável, com denúncias de superfaturamento e falhas de execução. Virou caso de polícia.

Mais recentemente, vários trechos do BRT e das ciclovias da cidade também registraram problemas de acabamento, com as pistas esfarelando semanas depois de inauguradas.

A lista é grande. Tão grave quanto o número de obras mal feitas no município, com erros de projeto e de execução, é a impunidade que prevalece sobre todos esses casos de desperdício de dinheiro público com riscos reais e mensuráveis sobre a vida das pessoas.

Considerando que o Rio se tornou um gigantesco canteiro de obras por conta das Olimpíadas, resta torcer para que novos acidentes gravíssimos como esses não voltem a acontecer. O problema é que o passado nos condena.

A ciclovia de 3,9 km teve custo de R$44,7 milhões e as obras foram feitas pela empreiteira Concremat. E não é que a Concremat tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho, avô do Secretário Especial de Turismo da Prefeitura do Rio, Antônio Pedro Viegas Figueira de Melo?

Se você dividir o custo de R$44,7 milhoes por 3,9kms e multiplicar pelos 20metros que cairam, isso dá R$ 229mil. Com essa soma astronômica daria para colocar duas vigas I de aço especial, indestrutíveis quando ancoradas no chão. O piso da ciclovia (a bandeja) poderia ter sido uma grade, diminuindo a superfície de impacto das ondas e a força total exercida para cima.

Também, se tivesse colocado como apoio UMA das vigas que sumiram da perimetral, chumbada em outra desta viga ancorada na rocha, certamente a estrutura não teria caído.

O que não consigo entender é que as empreiteiras que fazem estas lambanças aqui (não sei se é o caso desta empreiteira), são as mesmas que fazem obras de altíssima qualidade e acabamento no exterior.

Por que será que isso acontece?

Será que existe alguma explicação técnica para esta pergunta, ou será a reminiscência do famoso jeitinho brasileiro que sempre quer levar vantagem em tudo?

Está aí o ponto que quero chegar...

Os especialistas que ouvimos sobre a tragédia da ciclovia que desabou no Rio - e todas as obras mal feitas no Brasil - apresentaram uma solução relativamente simples para esse tipo de problema, já adotada em outros países do mundo.

Em vez dos governos contratarem construtoras ou empreiteiras, contrata-se uma seguradora. Cabe à seguradora a responsabilidade de contratar a empresa que vai fazer a obra. 

Qualquer erro, de qualquer natureza, implica no pagamento de um prêmio (valor altíssimo) por parte da seguradora, que para escapar desse imenso prejuízo, torna-se a principal interessada em zelar pela execução da obra no prazo previsto, pelo valor justo, sem uma sucessão desvairada de termos aditivos e com muito menos margem de manobra para propinas.

Simples assim.

Perguntei a eles por que, em sendo tão simples, esse modelo de contratação não foi ainda implantado no Brasil.

Precisa responder?

Ainda que a ciclovia estivesse firme como rocha, é seguro pedalar ali em dias de ressaca?

Como as ressacas são comuns, deveria haver uma ciclovia ali naquela posição?

A "boa gestão" da prefeitura vai deixando seu legado. É a ponte para o futuro do ‪#‎PMDB‬


Vídeo comentário de Rapha Ramirez, no canal "Posso falar? Já falei!"










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sábado, 5 de dezembro de 2015

Você é contra ou a favor do Impeachment? (Por Thiago Muniz)

Sou contra.

Sou contra porque acho que, tendo sido o pedido encaminhado como foi, em ato de represália a uma chantagem que não deu certo, o todo fica comprometido. Eu sei que o pedido não foi feito pelo Cunha, mas foi ele quem deu início ao processo, e nada que ele faça hoje tem mais qualquer legitimidade. Esse homem devia estar na cadeia há tempos. Ou num manicômio.

Sou contra também porque acho que este processo de impeachment foi um presente dado de bandeja ao PT para justificar a sua falência administrativa. Se o impeachment acontecer, o que acho improvável, o governo terá sido a calamidade que está sendo porque a Dilma terá sido cassada; se não acontecer, teremos ido para o fundo do poço por causa da turbulência política provocada pela elite branca de olhos azuis que não se conforma em ver um operário no poder os porteiros viajando de avião os pobres na universidade blá blá blá.

Em suma, o idiota do Cunha deu munição e sobrevida ao PT, que vai chegar revitalizado a 2018: parabéns.

Sou contra, ainda, porque a Dilma foi eleita num processo supostamente democrático, e há dúvidas entre os juristas se as razões expostas no pedido são procedentes. Um pedido de impeachment deveria estar baseado em provas inequívocas.

Digo "supostamente democrático" porque, a meu ver, o uso despudorado da máquina governamental favoreceu enormemente a sua reeleição. Das verbas dobradas das empreiteiras aos deputados comprados nas coligações canalhas, tudo contribuiu para que ela voltasse ao poder. Mas este é o sistema que temos, e ele é a primeira coisa que precisamos corrigir para moralizar a política.

Por outro lado, sou totalmente contra a Dilma.

Não só pela sua óbvia incompetência, mas porque, a essa altura, ela não tem mais condições de ocupar o cargo. Tudo ao seu redor é caos. Nada funciona. Enquanto isso, o seu partido é protagonista do maior escândalo de corrupção jamais descoberto no país.

Se os demais partidos também roubavam (e continuam roubando) são outros quinhentos; quem está no poder agora, neste momento, é o PT, que daqui a pouco vai ter mais representantes nas penitenciárias do que no Congresso. Dilma pode não ter participado diretamente da bandalheira, mas foi criminosamente omissa, o que compromete a sua imagem e a legitimidade do seu governo.

Então, ‪#‎comofaz‬?

Não sei. Se soubesse eu estava em Brasília, tentando fazer.

Mas o Brasil -- que elegeu a Dilma, contra todas as evidências e mentiras da campanha eleitoral -- merece a Dilma. A culpa da miséria que estamos vivendo, e que ainda vamos amargar por muito tempo, ela divide com cada um dos seus eleitores.

Quando o Lula tinha 80% de aprovação, eu falava que o tal Brasil primeiro mundo registrado em cartório não passava de um voo de galinha de surfar na bonança de venda de commodities para a China. A partir de 2012 quando a China desacelerou, o castelo de areia desabou.

Por isso sou contra o impeachment !!! Se o PT sair, ele logo,logo vai ficar na posição onde ele é mestre, ou seja, na oposição culpando qualquer um que assumir.

Deixa a Dilma ai para tentar limpar toda o desastre que eles produziram. Ninguém nem precisa se preocupar que 2006 não se repete, pois perdoaram o Lula do Mensalão e o reelegeram ali pq a economia estava bombando na conjuntura internacional da época.

Agora sem a muleta da China para salvar e com a policia batendo na porta a toda hora com a Lava Jato, quando isso terminar esses caras nao se elegem nem para sindico de prédio.

A verdade é que o resultado de um impeachment - ou não, pode trazer consequências que não se pode antecipar. Afinal isto é Brasil e as idiossincrasias são parte de nossa vida.


De qualquer forma, alguma reforma drástica tem que ocorrer seja ela causada por Dilma, Cunha ou por nós mesmo.


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