quarta-feira, 15 de março de 2017

Reforma da Previdência é CRIME (Por Thiago Muniz)

Todos os governos que foram eleitos após a redemocratização tentaram reformar a Previdência Social com a alegação de que ela é deficitária e a qualquer momento pode explodir. O atual, tendo à frente, Michel Temer, vem agora como uma avalanche a atacar os direitos dos aposentados e dos trabalhadores. A proposta de emenda à Constituição (PEC 387/2016) tramita na Câmara dos Deputados e já recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça.

Há dois objetivos nesta reforma. Primeiro é o da retirada de direitos dos trabalhadores, enrijecendo as regras para a concessão de aposentadorias, aumentando a idade mínima para 65 anos, desvinculando a correção dos benefícios previdenciários do salário-mínimo e do crescimento do PIB. A reforma vai prejudicar a todos os aposentados, os trabalhadores da ativa e aqueles que se preparam para entrar no mercado de trabalho. O segundo objetivo é para beneficiar o sistema financeiro e os bancos. A estratégia é desmoralizar a previdência pública brasileira para fortalecer a previdência privada.

É óbvio que precisamos de uma reforma, mas não essa que ferra os pobres e ironicamente os paneleiros.

Será que não perceberam ainda que nunca conseguirão se aposentar, pois o mercado de trabalho descarta a maioria após os 50 anos de idade? E isso ocorre não apenas com trabalhadores de baixa qualificação. E os mais pobres que começaram aos 14 anos: um trabalhador braçal vai aguentar até os 65 anos? E quem vai conseguir trabalhar 49 anos pra ter aposentadoria integral do INSS? Mulheres se aposentando com a idade dos homens e perdendo parte das pensões?

E tudo isso junto com o fim da CLT e a implantação da terceirização irrestrita que tendem a precarizar o mercado de trabalho ainda mais. Temos primeiro que acabar com os privilégios dos parlamentares, do judiciário, do legislativo e dos políticos com suas aposentadorias vitalícias de marajás.

Temos que baixar essa taxa de juros insana que consome muito mais do Orçamento Federal que o "déficit" da previdência, que na verdade inexiste se o governo apertasse a cobrança dos sonegadores e parasse de tirar recursos da Seguridade Social pra tapar buracos do Tesouro, como o gasto absurdo com os juros decorrente da mais alta taxa do planeta em plena recessão, onde a inflação só caiu por conta da crise.

Mas quem apoia tudo isso pode demonstrar o seu apoio e passar hoje no RH e na agência da Previdência mais próxima e abrir mão de todos os direitos agora. Topam?

Atualmente, temos 9 pessoas economicamente ativas que trabalham pra que cada idoso consiga receber sua aposentadoria. A questão é que essa Previdência estatal obrigatória é uma pirâmide financeira que está desabando, é uma enganação, é uma imposição fracassada e um péssimo negócio para seus beneficiários que terão que trabalhar cada vez mais tempo para receber uma "esmola" cada vez menor.

Se faltar grana para pagar a aposentadoria dos que construíram esse país que tirem do orçamento como fazem para pagar as mordomias dos políticos e os roubos absurdos que eles fazem. A incompetência, a disputa do poder pelo poder, a ganância da corrupção, a falta de vergonha na cara de quem governa, independentemente de partido político, a apropriação do Estado por grupos como fosse um bem privado, leva, sem dúvida alguma, qualquer país do mundo ao fundo do poço.

Com essa onda improdutiva, estou pessimista. A maré está contra o Brasil. Há grandes chances da Reforma da Previdência acontecer e os escândalos políticos terminarem em pizza. Muito triste com esse retrocesso agudo no país.

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Para refletir:

Retweeted Ana Vilarino (@AnaVilarino1):

Mídia noticiando q a greve tá atrapalhando vc chegar no trabalho? Se a ref. da previdência passar vc vai ter a velhice inteira pra trabalhar










BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


terça-feira, 14 de março de 2017

Goleiro Bruno: Onde o crime compensa (Por Thiago Muniz)

O goleiro Bruno está preso desde 2010, acusado de envolvimento no assassinato de Eliza Samudio. Ele foi condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses de prisão, em regime fechado, por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver contra a ex-amante, além de sequestro e cárcere privado do filho que ele teve com Eliza. O jogador recorreu da decisão e estava preso por decisão de primeira instância há quase 7 anos.

As coisas podem sempre mudar na vida. Às vezes, mudanças são radicais. No mundo do futebol, nenhuma reviravolta foi tão brutal quanto a que ocorreu com Bruno. De ídolo do Flamengo a presidiário, o mineiro polêmico hoje é figura esquecida do mundo do futebol e enfrenta todos como se o passado tivesse sido apagado.

Bruno é a perfeita caracterização da personagem de Franz Kafka, em edição revista e ampliada. Quando Bruno Souza despertou, certa manhã, de um sonho agitado, viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de inseto.

Fico chocado lendo as pessoas enviando mensagens de apoio ou justificando que existem pessoas piores soltas. Me pergunto, porque será que o Brasil é tão impune? Será que a sociedade não é conivente? Ficam aplaudindo situações brutais como essa.

Gente que defende assassino, vota em ladrão, defende criminosos, pratica pequenas fraudes todos os dias até aparecer oportunidade para praticar um golpe grande... Esperar o que de um povo com esse comportamento? Esperar o que de um país que tolera esse tipo de gente?

Para termos uma idéia da magnitude da atrocidade que ele cometeu, se este mesmo crime tivesse sido feito nos Estados Unidos, dependendo do Estado já seria passivo de pena de morte, aguardando o dia da sua execução, e refletindo sobre aquilo que fêz.

Brasil o país da impunidade, mais um assassino solto. Uma vergonha. Clube que acolhe assassino é a favor de bandido.

Legalmente, nada a reparar na contratação do goleiro Bruno, não há o que se discutir. O que a gente está discutindo é o tipo de ressocialização do indivíduo. Então o Bruno, que há sete anos foi mandante de um assassinato brutal, premeditado, chocante, odioso, vai aparecer agora em rede nacional sendo herói de uma defesa, dando entrevista por ser melhor em campo.

Aposto que as crianças de Varginha olham para o time e se espelham nos jogadores, querem ser o lateral-direito, o goleiro, o volante, o centroavante... Jogador de futebol no Brasil, bem sucedido, é exemplo para outras pessoas. Será que é interessante que o goleiro Bruno seja um exemplo para as pessoas?

A liberação do goleiro Bruno pela Justiça e sua contratação pelo Boa Esporte Clube, da cidade mineira de Varginha, reabriram uma ferida transmitida em rede nacional por longos meses. Penso que este seja mais um caso representativo de como estamos lidando de modo passional e imediatista com diversos fenômenos de ordem social e política. 

Vimos isso com relação ao cinema, por exemplo, quando a direção e a equipe do filme Aquarius fizeram uma manifestação em Cannes e foram hostilizadas por uns e endeuzadas por outros. Estamos vivendo isso fortemente no campo político, sobretudo com o reavivamento de manifestações fascistas, as quais se espalham para diversos outros campos, como as críticas aos direitos da população negra, de LGBTs, de mulheres, etc. 

E o “caso Bruno” é emblemático para alimentar as mais diversas facetas do punitivismo que caracteriza nosso modo de lidar com o crime e com a responsabilização das pessoas que os cometem.

O New York Post, dos Estados Unidos, deu o título de “Goleiro que matou ex e alimentou cachorro, assina com novo clube”. O tabloide Daily Mail, da Inglaterra, foi pelo mesmo caminho, afirmando que “goleiro que ordenou o assassinato de sua namorada, antes de alimentar seu rottweiler com o corpo, assina com novo clube após cumprir pena por apenas sete anos”.

Ainda dá tempo do Boa Esporte reparar o dano moral que fez.

E para o goleiro Bruno, uma pergunta em que ele não teve coragem de responder: Você acha que é um bom exemplo para um pai levar uma criança a um estádio para te aplaudir?































Esta foto de Marcos Alves em O Globo não precisa de legenda, explicação ou tese. É o retrato do Brasil ignorante, acrítico e boçal, assim transformado pela deletéria ação da mass-media. E assim vamos nós, a caminho da barbárie.







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segunda-feira, 13 de março de 2017

Iansã: a senhora das tempestades (Por Thiago Muniz)

Orixá guerreira, Oyá esposa amada de Xangô, recebe dele o título de Iansã que faz referência ao entardecer, que pode ser traduzido como “a mãe do céu rosado” ou a “mãe do entardecer” portanto o rosa é a de Iansã cor por excelência.

Ela costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.

Sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais da Umbanda, e se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura – enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.

Extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante em suas lendas, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. Iansã é o orixá do arrebatamento, da paixão.

O filho de Iansã é conhecidos por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar.

Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro.

Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura.

Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo.

Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social.

Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo.

Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas.

O arquétipo de Iansã Orixá

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida.

Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração – tão ou mais radical ainda que a anterior.

São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo – e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida.

Os filhos de Iansã orixá são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões.

Aqueles que já consultaram o Jogo de Búzios e sabem que são filhos de Iansã tem porte poderoso, costumam ter temperamento indomável, diretos nas palavras e exagerados em tudo aquilo que lhes pareça importante. Competitivos, difíceis de lidar e intensos em suas paixões.

O nome Oyá significa “raio” e como um raio que corta os céus, o rio Níger atravessa o continente africano como se o rasgasse ao meio, e foi só após se unir a Xangô. O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao entardecer, Iansã pode ser traduzido como a mãe do céu rosado ou a mãe do entardecer.

Apesar da associação com o rio, Iansã quase nada tem a ver com o domínio das águas. Seu símbolo, como o de Ogum, é a espada, a guerra. De tão impulsivos e explosivos os que têm Iansã como orixá de cabeça podem significar perigosos relacionamentos amorosos para os incautos. Muito apaixonados e exigentes no amor, os filhos de Iansã são implacáveis como a tempestade!

Às vezes pode ser contraditório ou injusto o que fala ou faz um filho de Iansã. A própria divindade que tem como símbolo o rio é representada também, e principalmente, pelo fogo que o raio gera ao cair sobre a terra, ao mesmo tempo que é feminina e usa as cores rosa e vermelho, usa-as em tons de sangue, ferro e terra para se representar é, também, ativa e independente, ressaltando as características que se aproximam dos comportamentos mais masculinos na sociedade.

Vida Sexual dos filhos de Iansã Orixá

Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição – que não a que ele mesmo faz contra o ser amado.

Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas a uma pessoa são extremamente companheiras.

Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Yansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.

Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos para seu círculo mais íntimo.

Sincretismo Religioso e a Oração a Santa Bárbara

Yansã, ou Oyá, é um orixá cuja figura, no Brasil, é sincretizada com “Santa Bárbara”, santa da igreja católica.

ORAÇÃO:

“Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura.

Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Culto a Iansã Orixá

Dia: quarta-feira
Cores: marrom, vermelho e rosa
Símbolos: espada, eruexin, chifre de boi
Elementos: ar em movimento, fogo
Domínios: babuzal, tempestades, ventanias, raios, morte
Saudação: Epahei Oyá! (pronuncia-se: eparrei oiá!)
Fio de contas: Coral (marrom, bordô, vermelho, amarelo)
Incompatibilidades: rato, abóbora
Número: 9
Animais: cabra, coruja




































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sexta-feira, 3 de março de 2017

Devolvam o Maracanã ao povo (Por Thiago Muniz)

Domingo, eu vou ao Maracanã
Vou torcer pro time que sou fã,
Vou levar foguetes e bandeira
Não vai ser de brincadeira,
Ele vai ser campeão

Não quero cadeira numerada,
Vou ficar na arquibancada
Prá sentir mais emoção

Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer
Porque meu time bota pra ferver,
E o nome dele são vocês que vão dizer

(Ô, ô, ô )
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô!

(Neguinho da Beija-Flor)

Fico abismado com o descaso das autoridades públicas com relação ao estádio que por décadas foi considerado o maior do mundo: o Maracanã. Há um jogo de "empurra-empurra" entre empresa delatora Odebrecht e o falido governo do estado do Rio de Janeiro, arruínam o estádio cuja reforma custou R$ 1,2 bilhão.

O que acontece com o Maracanã, uma briga entre Odebrecht, governo do estado (isso ainda existe?) e o Comitê da Rio 2016 é o retrato da incompetência e desonestidade que, nos últimos tempos, tomaram conta dos poderes públicos brasileiros. Uma lástima.

O Maracanã sempre foi visto como o principal palco do futebol brasileiro, a casa da seleção brasileira, que é um dos maiores produtos de exportação do país. A gente enchia a boca para dizer que era o maior estádio do mundo. Mas essas reformas controversas o tornaram um estádio igual aos outros. Até a marquise de concreto, que era tombada pelo Patrimônio Histórico, foi retirada.

O atual problema do Maracanã começou com a decisão de se fazer uma reforma que destruiu completamente o antigo estádio, marco arquitetônico e histórico, e criou um novo dentro dele. A verba que foi gasta era suficiente para se ter construído outra arena e deixado o Maracanã intacto, do jeito que era.

O ex-governador fluminense Sérgio Cabral concedeu a administração do estádio ao consórcio formado pela construtora Odebrecht, pela empresa americana de entretenimento AEG e pela IMX, o braço que Eike Batista montou para explorar os mercados do esporte e do entretenimento. O contrato assinado no início de 2013 tinha de durar 35 anos. Por motivos diferentes, cada parte envolvida abandonou a responsabilidade nos anos seguintes. Cabral está preso por envolvimento num esquema de corrupção desbaratado pela Operação Lava Jato. A mesma operação policial colocou no xilindró Marcelo Odebrecht, presidente da construtora. A fortuna de Eike evaporou depois que o mercado notou que ele prometeu muito mais do que conseguiria cumprir, e a IMX foi vendida. Saiu do consórcio. A AEG continua nele, mas fracassou em todos os estádios nos quais tentou trabalhar no Brasil.

Então quer dizer que o Maracanã passou por reformas milionárias para o Pan de 2007, para a Copa das Confederações de 2013, para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016 e, ainda assim, não tem condições de receber jogos?

O Maracanã, referência mundial, constitui o espaço das relações inéditas e, por isso mesmo, é transformado num epifenômeno de outros fenômenos sociais nele observáveis. Nestes deslocamentos, jogador, seleção, juízes, torcida e outros tantos elementos do universo futebolístico, a crônica de futebol "rodrigueana" inscreve-se como mais uma interpretação da cidade.

Da mesma forma e em igual proporção, o estádio assusta pela grandiosidade, pelo êxtase coletivo; atemoriza pela diversidade de tipos que por ele passeiam, pela homogênea impessoalidade da multidão. Percebemos que ali estão depositados modos e comportamentos específicos do futebol, que contrariam o aspecto de passividade que se pode supor: o verbo ―assistir‖, por si só, atribui essa atitude de passividade diante do espetáculo do gramado. No entanto, o verdadeiro show está na plateia, no grito do ambulante, nos enfurecidos das arquibancadas. É nesta mesma multidão que observamos um emaranhado de práticas, companheirismo, afago, disputa, diálogo, conflito, que ultrapassa o modelo de comportamento da massa.

O descaso com o patrimônio é tamanho que nem o busto de cobre de Mário Filho foi poupado. A Polícia Civil registrou o furto de dois bustos (o de Mário e o do general Ângelo Mendes de Morais), de duas televisões e de partes de cobre de mangueiras de incêndio. Faltam segurança, limpeza e manutenção. A grama vem morrendo por passar tempo demais sem receber água num verão forte. O Maraca está sem luz e, com isso, as bombas automáticas de irrigação não funcionam. Apesar da dívida de quase R$ 3 milhões de contas vencidas, a distribuidora de energia Light informa que não cortou o fornecimento para o estádio.

A Odebrecht não quer reassumir o Maracanã, porque isso significa voltar a gastar dinheiro, e adotou a estratégia do “quanto pior, melhor”. Acusa o Comitê Rio-2016 de ter avariado as estruturas durante a Olimpíada e se apoia no termo de cessão, cuja cláusula afirma que o estádio precisa ser devolvido nas exatas condições em que foi entregue.

O futuro do Novo Maracanã, a partir daqui, é uma incógnita. Sabe-se muito sobre seu glorioso passado, que se confunde com a formação não só do futebol brasileiro como uma potência mundial, mas também do Rio como cidade e do Brasil como país. Sua demolição ilegal, escondeu uma teia de arranjos onde meia dúzia optou por enriquecer às custas de dinheiro público. Hoje, vários desses estão presos, foragidos ou na mira da Justiça.

Que o Antigo Maracanã descanse em paz. Que seu equivalente, o Novo Maracanã, belíssimo, consiga chegar perto do gigantismo de seu antecessor. Que sua gestão caia na mão de quem seja, de fato, ligado ao futebol — sem espaço para aventureiros propineiros de ocasião. Que pais e mães consigam construir, a partir da arquibancada, laços eternos de amor entre o futebol e os seus filhos.

Que tenhamos, um dia, uma sociedade evoluída o bastante para jamais permitir que se apague, assim, na base da propina e do arbítrio, o seu próprio passado.

O que é construído com o dinheiro do imposto do cidadão se destina à destruição consentida.

E que, em cada um de nós, o Maracanã viva. Para sempre.











































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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quinta-feira, 2 de março de 2017

Oxum: a senhora do amor (Por Thiago Muniz)

Oxum é um orixá feminino das águas doces, dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza, cultuada no candomblé e umbanda.

Através de mamãe Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de “Senhora do Ouro”, que outrora era do Cobre, por ser o metal mais valioso da época.

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais.

Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões.

As mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a Oxum , pois ela controla a fecundidade, graças a seus laços com Ìyámi-Àjé (“Minha Mãe Feiticeira”). É chamada de Ìyálóòde (Iaodê) título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Numerosos lugares profundos (ibù), entre Igèdè, onde nasce o rio, e Leke, onde ele deságua na lagoa, são seus locais de residência. Aí, ela é adorada sob nomes diferentes, com características distintas.

Sincretismo religioso e a comemoração em 08 de dezembro

Oxum orixá feminina das religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé) é sincretizada com diversas Nossas Senhoras.

Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres. No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora, ora com Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

O dia 8 de dezembro é marcado por duas celebrações cristãs de significados distintos (quase antagónicos), que se confundem devido à semelhança das suas designações.

A evocação popular, tradicional, celebra a Nossa Senhora da Conceição (ou Concepção), isto é, celebra o arquétipo da Maternidade. Conhecem-se desde o século VII, nomeadamente na Península Ibérica, festas com esta evocação; até há poucos anos era nesta data, e não no primeiro domingo de Maio, que se celebrava o Dia da Mãe.

O conceito teológico oficial é o do dogma da Imaculada Conceição de Maria, definido pelo papa Pio IX em 1854, e nada tem a ver com o conceito popular: afirma que Maria, mãe de Jesus, teria também sido gerada sem cópula carnal de seus pais (Ana e Joaquim); celebra, por isso, a castidade. Esta ideia começou a surgir no século XII, tendo causado intensa polémica e sido rejeitada por importantes teólogos, incluindo São Bernardo e São Tomás de Aquino, e condenada pelo papa Bento XIV em 1677, até ter sido aceite como dogma em 1854.

A instituição da ordem militar de Nossa Senhora da Conceição por D. João VI, que alegadamente sintetizaria um culto que em Portugal existiu muito antes de ser dogma, pelo menos na sua designação remete para o conceito popular, não para o conceito teológico afirmado pelo dogma. De igual forma, as freguesias portuguesas anteriormente listadas adoptaram a designação “Nossa Senhora da Conceição” ou “Conceição”, mas não “Imaculada Conceição”.

Em 8 de dezembro de 1904, em Lisboa solenemente lançou-se a primeira pedra para um monumento comemorativo do cinquentenário da definição do dogma. Ao ato, a que assistiram as pessoas reais, patriarca e autoridades, estiveram também representadas muitas irmandades de Nossa Senhora da Conceição, de Lisboa e do país, sendo a mais antiga a da atual freguesia dos Anjos, que foi instituída em 1589.

No Brasil é tradição montar a árvore de Natal e enfeitar a casa no dia 8 de dezembro, dia de N.Sra. da Conceição.
Oxum na África

Osun, Oshun, Ochun ou Oxum, na Mitologia Yoruba é um orixá feminino. O seu nome deriva do rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu.

É representada pelo candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado igba oxum.

É tida como um único Orixá que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio.

As mais velhas ou mais antigas Oxum são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Ex.: Osun Osogbo, Osun Opara ou Apara, Yeye Iponda, Yeye Kare, Yeye Ipetu, etc.

Em sua obra Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns, Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de Oxum são guardados no palácio do rei Ataojá.

O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Orixás: “Osun Osogbo, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo.”

O Festival de Oxum é realizado anualmente na cidade de Osogbo, Nigéria. O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, onde se encontra o Templo de Oxum, é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2005.

Ọṣun-Oṣogbo ou Bosque Sagrado de Osun-Osogbo é uma floresta sagrada às margens do rio Oxum que se encontra na cidade de Oṣogbo, Nigéria.

Características dos filhos da orixá Oxum

São extremamente vaidosos e conquistadores, adoram o luxo, a vida social, além de sempre estarem namorando. São obstinadas na procura dos seus objetivos.

Oxum é o arquétipo daqueles que agem com estratégia, que jamais esquecem as suas finalidades; atrás da sua imagem doce esconde-se uma forte determinação e um grande desejo de ascensão social.

Têm uma certa tendência para engordar, a imagem do gordinho risonho e bem-humorado combina com eles. Gostam de festas, vida social e de outros prazeres que a vida lhes possa oferecer. Tendem a uma vida sexual intensa, mas com muita discrição, pois detestam escândalos.

Não se desesperam por paixões impossíveis, por mais que gostem de uma pessoa, o seu amor-próprio é muito maior. Eles são narcisistas demais para gostar muito de alguém.

Graça, vaidade, elegância, uma certa preguiça, charme e beleza definem os filhos de Oxum, que gostam de jóias, perfumes, roupas vistosas e de tudo que é bom e caro.

O lado espiritual dos filhos de Oxum é bastante aguçado. Talvez por isso, algumas das maiores Yalorixás (mães-de-santo) da história do Candomblé, tenham sido ou sejam de Oxum.

Qualidades de Oxum
  • Kare – veste azul e dourado, cor do ouro. Usa um abebé e um ofá dourados.
  • Iyepòndàá ou Ipondá – é a mãe de Logunedé, orixá menino que compartilha dos seus axés. Ambos dançam ao som do ritmo ijexá, toque que recebe o nome de sua região de origem. Usa um abebé (espelho de metal) nas mãos, uma alfange (adaga), por ser guerreira, e um ofá (arco e flecha) dourado, por sua ligação com Oxóssi. É uma das mais jovens.
  • Yeye òkè
  • Iya Ominíbú
  • Ajagura
  • Ijímú
  • Ipetú
  • Èwuji
  • Abòtò
  • Ibola
  • Gama (Vodun feminino da mesma energia de Sakpatá, incorporado ao culto Yorubá através de sua concernente Oxum)
  • Oparà ou Apará – qualidade de Oxum, em que usa um abebé e um alfange (adaga) ou espada. Caminha com Oya Onira, com quem muitas vezes é confundida. Diferente das outras Oxuns por ter enredo com muitos Orixás, vem acompanhada de Oyá e Ogum.
Culto a Oxum
  • Dia principal de culto: Sábado
  • Comemoração Anual: 08 de dezembro
  • Cores: Amarelo, ouro, rosa, azul claro
  • Símbolo: Leque com espelho (Abebé)
  • Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas)
  • Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade
  • Saudação: Ora Yêyê Ô!
  • Velas: branca, rosa e azul clara
  • Oferendas: Omolocum, rosas e palmas amarelas, espelhos, bonecas, etc.






































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.





quarta-feira, 1 de março de 2017

Pós Apuração do Carnaval RJ: Portela campeã (Por Thiago Muniz)

Foi um rio que passou em minha vida.

Merecido! Eu nunca vi coisa mais bela.

Desfile sem erros, com uma perícia incrível na harmonia e na evolução.

Eu Chorei. Chorei porque foi o primeiro título que vivencio com esta escola. Muito sofrimento e injustiças durante esses anos todos de jejum.

Um ano depois da morte de seu presidente, Marcos Falcon, a Portela reencontra o caminho da vitória numa disputa apertada com a Mocidade Independente de Padre Miguel. A escola é a maior campeã do carnaval carioca, com o deste ano, a agremiação acumula 22 títulos. O seu último campeonato tinha sido conquistado em 1984.

No aniversário do Rio, a Portela se consolida como a maior campeã do carnaval carioca que sempre foi e faz a alegria não só de seus fãs, mas dos de todas as escolas que a respeitam, admiram e, de alguma forma, se inspiraram nela. Há quem diga que, no carnaval, o título é um detalhe. Pode até ser mesmo, mas ser campeão é bom demais!

Gostei muito das justas e obrigatórias homenagens ao passado e às divindades, contemplando diversas crenças. Cumpriu também importante papel social ao trazer o (ex-)Rio Doce à avenida.

Portela! O Rio de Janeiro precisa da Águia altaneira sempre grande e vitoriosa! Como dizia o presidente Marcos Falcon: "quem ousa, vence" e, "quando a causa é justa, vale a pena morrer por ela.".

Quero deixar registrado o fascinante desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel. O gigante acordou, a auto estima voltou para a agremiação, a escola nunca deixou de ser grande. A hora da escola voltar a ganhar chegará.

“Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”

“Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver este rio passar?”. Cantando este enredo, a Portela brilhou na Marquês de Sapucaí na madrugada de terça-feira (28), sendo a penúltima escola a desfilar: se destacou em vários quesitos, mostrou emoção, chão forte e plástica de muita qualidade. Não foi nota 10 apenas em efeitos especiais. Fez, com folga, o melhor desfile destes dois dias do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Nas alegorias, acabamento impecável e soluções com a assinatura do carnavalesco Paulo Barros. Nas fantasias, muito volume e bom gosto; junto neste pacote, evolução tranquila e sem achatar seus componentes, que brincaram Carnaval e contribuíram para o sucesso desta apresentação.

Sabe-se que um bom enredo dá bom samba. Na Portela, isso aconteceu e com louvor. O intérprete Gilsinho cumpriu seu papel com maestria, com ajuda de seu carro de som e ainda de mestre Nilo Sérgio. Sapucaí cantou, desfilantes retribuíram. Foi sensacional.

Houve catarse em vários outros momentos do desfile. A começar pela comissão de frente, assinada por Leo Senna e Kelly Siqueira: representou a piracema, fenômeno que se dá quando peixes nadam contra correnteza. Um enorme elemento alegórico complementou a performance dos 15 componentes-peixes.

No abre-alas, veio a “Fonte da Vida”, curiosamente em tons dourados e com belo efeito de luz. Teria nascido aí, segundo concepção da escola, o rio azul e branco portelense. Logo após, um setor representou mitos relacionados à água de rios.

O segundo carro, também muito impactante, mostrou o Egito e o Rio Nilo. Efeitos especiais faziam barquinhos irem de um lado a outro. Na saia, várias esfinges também imprimiram bom gosto e primoroso acabamento.

O setor seguinte mostrou os rios e os aspectos naturais, mais uma vez, de “encher as medidas”. Alas representavam animais como crocodilos, além de mananciais, e até mesmo lendas indígenas como o “Boto Cor-de-Rosa”. A terceira alegoria, de nome “Boiuna”, complementou a narrativa: a enorme cobra, fruto da lenda amazonense que impera entre os ribeirinhos, veio circundada com mais um efeito especial: jangadas nas laterais arrancaram aplausos do público.

Se até este momento o desfile da Portela era emocionante, outro setor potencializaria ainda mais este sentimento: a quarta alegoria, “Um rio que era doce”, fez alusão ao absurdo desastre sofrido por Mariana, cidade mineira, e outros locais afetados pela negligência dos responsáveis. Com cópia quase que fiel às imagens horríveis divulgadas pela mídia, teve um ponto alto: um rapaz, caracterizado de morador, veio “chorando” .

A Portela encerrou a narrativa com um setor em sua exaltação: “Meu coração se deixou levar” relembrou figuras que marcaram seus 94 anos. Na última alegoria, acoplada, veio o “Altar do Carnaval”, e junto a ele personalidades portelenses, além de uma homenagem a Oxum.

Resumo do enredo

O rio inspira os homens. De suas águas, pescam o sonho e o conhecimento, colhem a história e o encantamento. O rio azul e branco nasce da fonte de onde se originam a vida e as culturas humanas. Prima matéria, a água doce está associada aos mitos de criação do universo das antigas civilizações, é a manifestação do sagrado nas religiões e a maior riqueza para as sociedades modernas. A Águia bebe dessa água cristalina em sua nascente, onde brota o bem mais precioso criado pela natureza. No berço do samba, o pássaro abençoa a passarela, leito do rio da Portela. Segue recolhendo a poesia de muitos outros rios, enquanto mantém o seu rumo. Atravessa a Avenida, lavando a alma de quem deseja ver o rio passar, saciando a sede de vitória, irrigando de alegria o povo que habita a beira do rio. Suas águas purificam o corpo, afogam a tristeza e renovam as forças a cada alvorada. Convida a conhecer seus mistérios, cruzando aldeias e povoados, cidades e países distantes.

O rio é velho e por ele correm muitas histórias, porque sempre esteve ali a guardar os segredos das águas que deram origem ao mundo. O rio é novo porque está sempre em movimento e nunca passa duas vezes pelo mesmo lugar. O rio não pode voltar. Ele segue em busca do seu destino. Nasce como um fio d’água, calmo e sereno, e continua para receber muitas contribuições em seu curso. Enquanto cresce, irriga e fecunda as margens de onde se colhe o alimento do corpo e da alma. Avança sobre a terra e não se deixa vencer pelas pedras que encontra no caminho. Passa inspirando canções e poemas, linhas e formas sinuosas. Em sua exuberância, desfila entre matas, plantações, casas humildes e mercados, do interior até chegar às grandes metrópoles e receber as imensas construções fincadas em suas margens. O homem e o rio estão ligados pelo corpo e pelo espírito. Os artistas, músicos e cantadores, arquitetos e escritores incorporam a alma do rio e refletem suas imagens. Aqueles que se entregam à devoção e murmuram suas preces, pedidos e promessas fazem procissões e oferendas, agradecidos pelos desejos atendidos. O homem tira a vida do rio. A vida é como um rio que corre em direção ao seu destino.

"Salve o samba, Salve a santa, Salve ela...
Salve o manto azul e branco da Portela!
"

Veja ordem na apuração deste ano:

1º) Portela – 269,9 pontos
2º) Mocidade – 269,8 pontos
3º) Salgueiro – 269,7 pontos
4º) Mangueira – 269,6 pontos
5º) Grande Rio – 269,4 pontos
6º) Beija-Flor – 269,2 pontos
7º) Imperatriz – 268,5 pontos
8º) União da Ilha – 267,8 pontos
9º) São Clemente – 267,4 pontos
10º) Vila Isabel – 267,4 pontos
11º) Unidos da Tijuca – 266,8 pontos
12º) Paraíso do Tuiuti – 264,6 pontos

PS: Madureira em festa dupla. Império Serrano campeã da série A, um primor.






























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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



Pré Apuração do Carnaval RJ (Por Thiago Muniz)

Estou escrevendo aqui a poucos instantes da apuração do desfile do grupo especial do Rio de Janeiro.

A LIESA confirma que não haverá rebaixamento no grupo especial do RJ - Carnaval 2017.

A LIESA passou a mão por cima da incompetência. A decisão expõe uma característica da nossa sociedade que estamos querendo deixar pra trás: a tendência a quebrar contratos e desrespeitar as regras, dependendo de quem é o (des)favorecido.

Foi uma decisão muita mais cômoda do que com sabedoria. As 2 escolas devem ser responsabilizadas pela tragédia. Não foi uma simples tragédia, houve erros graves e os responsáveis devem ser investigados e punidos. Uma das punições deveria ser o rebaixamento de uma delas, dependendo da apuração das notas. Ao meu ver o fato de uma das escolas ser a Unidos da Tijuca pesou nesta decisão. Aposto que se a tragédia tivesse sido só com a Tuiuti ela certamente seria rebaixada.

Não é vergonha nenhuma disputar o acesso do RJ. Império Serrano, 9 vezes campeã do Carnaval, está lá. A exemplo da Viradouro, Estácio de Sá entre outras agremiações que já foram campeãs do Carnaval.

Se o problema fosse algo universal, fosse um problema em que todas as escolas tivessem sido prejudicadas, ou pelo menos um terço, e a medida beneficiasse a todas elas, seria outra história. Um erro individual (Constatado pela perícia da Polícia Civil) jamais pode ser beneficiado.

A LIESA não foi correta, a medida não foi correta, e jamais nos esqueceremos deste dia 1° de Março de 2017.

As escolas são culpadas pelos acidentes e não pagam por isso? Além da sanção criminal, tinham que arcar com o rebaixamento! Por mais triste que tenha sido, a Unidos da Tijuca é responsável pelo desabamento parcial da alegoria; a Paraíso do Tuiuti responsável pelo acidente com o carro dela.

As escolas deveriam sim serem responsabilizadas pelos seus atos até mesmo para que novas coisas sejam evitadas. Põem um carro mal estruturado na avenida, ele desaba, fere pessoas e nada acontece com a escola?

Fatalidade é diferente de irresponsabilidade!

Bem... mais um 7x1 na cara da sociedade principalmente na comunidade carnavalesca, em fator da impunidade.

Apuração chegando, elejo as favoritas ao título: Beija-Flor, Salgueiro, Mocidade e Portela. Fizeram desfiles muito técnicos, sem erros e com enredos muito fortes e de raíz, foi uma missão complicada para o corpo de jurados.

Pós apuração tem mais...































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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.