terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

E o controverso ministro pode chegar ao STF (Por Thiago Muniz)

Presos degolados, motins em penitenciárias, um Estado inteiro sitiado e sem polícia. O que acontece com o ministro da Justiça? Vai para o Supremo Tribunal Federal. O presidente Temer está querendo indicar como se fosse um ministro dele no Supremo e isso não fica bem. É uma indicação política. Acho que isso partidariza mais o Supremo diante da opinião pública.

Como Moraes terá isenção para julgar “Angorá”, apelido de Moreira Franco na lista da Odebrecht, o mesmo que Temer promoveu a ministro na última semana para protegê-lo com o foro privilegiado do STF? Como será independente ao julgar o “Santo”, vulgo Geraldo Alckmin, seu padrinho político?
O presidente Michel Temer errou na indicação do ministro da Justiça Alexandre de Moraes para a vaga no Supremo. Temer foi citado na Lava-Jato, vários dos seus ministros também, alguns deles já estão sendo investigados. Esta não é a hora de escolher para o STF alguém da sua copa e cozinha e membro do PSDB.

O Brasil já viveu constrangimentos demais com ministros que claramente têm uma inclinação partidária. O ministro Dias Toffoli foi advogado do PT em campanhas presidenciais e, ao ser indicado para a vaga de ministro, achou que não estava impedido de atuar no julgamento do mensalão. Esse é um dos casos, não o único.

Neste momento com o primeiro e segundo escalões do governo sob o escrutínio do STF seria melhor se o governo Temer não tivesse escolhido um membro do PSDB, e um ministro do seu governo, e muito menos uma pessoa tão controversa.

Não se deve esperar do indicado para o STF nenhuma sutileza. Ele não é disso, basta ver como a polícia de São Paulo, sob seu comando, reprimia manifestações. Foi assim também, sem sutileza, que avisou em Ribeirão Preto: “Quando vocês virem essa semana, vão se lembrar de mim”. Palocci foi preso dias depois. No STF, vamos lembrar dele.

Alexandre de Moraes é membro do PSDB, fez sua carreira no partido e virou ministro do governo Temer. Até aí, parece o retrato no espelho do ministro Dias Toffoli. Esse é que é o problema. Toffoli foi advogado do PT em campanhas presidenciais e, mesmo assim, no julgamento do mensalão, que tratava de corrupção do PT em campanhas eleitorais, não achou que houvesse impedimento em julgar aqueles que defendera. Moraes disse ontem que se declarará impedido de julgar tucanos. Menos mal.

O presidente Michel Temer também não está sendo sutil quando escolhe seu ministro da Justiça para assumir a vaga de Teori Zavascki, após ter sido pessoalmente citado nas delações premiadas e ter seus ministros citados na Operação. Quer garantir pelo menos um voto a seu favor, e, já que Toffoli abriu o precedente, ele também poderá dizer que não vê impedimento. Se o STF se calou daquela vez, diante do óbvio conflito de interesses entre Toffoli e o julgamento do mensalão, o que poderá dizer agora?

O que é um voto? Pode ser o de desempate numa Corte dividida em questões cruciais como, por exemplo, o momento que recai sobre o réu o cumprimento da pena. Felizmente, ele não será o ministro relator da Lava-Jato, mas seria mesmo um acinte acima do tolerável.

Toffoli e Moraes têm outro ponto em comum: com 49 anos, vão influenciar a vida dos brasileiros, em todos os campos e com todo o poder que tem o Supremo, por mais 26 anos. É natural a escolha de uma pessoa com quem o presidente ou seu grupo no poder têm mais afinidade. Mas teria que ser uma identidade mais sutil e não tão explícita quanto a do ministro Alexandre de Moraes. Pode-se argumentar que o ministro Edson Fachin foi acusado de partidarismo antes de assumir, mas se portou como um magistrado. Não há garantia de que isso se repita.

O Brasil viu outros momentos em que ministros do STF exibiram sua lealdade aos grupos que o indicaram. O ministro Ricardo Lewandowski não escondeu, ao longo do julgamento do mensalão, que tinha um lado. Começou combatendo a estratégia de apresentação do voto do então ministro Joaquim Barbosa e não parou mais durante todo o julgamento.

No comando do impeachment no Congresso, tomou decisões impressionantes: considerou que o procurador de contas junto ao TCU era suspeito e portanto não poderia ser testemunha. E julgou que o ex-ministro do governo Dilma, autor de uma das pedaladas, Nelson Barbosa, era isento o bastante para ser testemunha. E no final conseguiu a proeza de preservar os direitos políticos da presidente condenada por crime de responsabilidade.

Esses casos mostram que a escolha para ministro do STF pode ter um peso enorme em futuras decisões do país. O poder que a pessoa passa a ter, com a toga, é grande demais, longo demais, incontestável demais. Por isso é que ele mesmo, Moraes, considerou, na sua obra, que quem exerceu cargo de confiança num governo não pode ser indicado por ele.

No episódio de sua declaração em Ribeirão Preto, ficou a impressão de que ele sabia da operação que prenderia o adversário político Antonio Palocci. Ele estava em evento de campanha do candidato do PSDB e fez essa inconfidência. Dias depois, Palocci foi preso e estourou uma crise na Polícia Federal, que garantiu guardar até do ministro o segredo, informando-o apenas em cima da operação. Como ministro da Justiça, ele não podia ter falado o que falou.

Suas declarações atrapalhadas são muitas, suas controvérsias, também, como a de ter sido advogado de Eduardo Cunha num processo em que o ex-presidente da Câmara foi acusado de ter usado documento falso. Mas o mais importante não é nada pessoal, nem sutil. Integrantes deste governo, inclusive o presidente, foram citados na Lava-Jato, que o STF passa a julgar. Esta era a hora de indicar pessoa sobre a qual não pairasse essa dúvida.

A indicação dele pelo presidente, que ainda precisa passar pela aprovação do Senado, vai na contramão de tudo o que o Governo peemedebista estava divulgando nos últimos dias: 1) de que a nomeação seria mais técnica do que política; e 2) de que só a faria depois que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado estivesse composta.

Ao indicar Moraes para o STF, Temer coloca na Corte alguém que terá muito o que explicar. Reportagem publicada nesta segunda-feira (06/02) pelo site Buzzfeed mostra que o ministro acumulou um patrimônio milionário no período em que ocupou cargos públicos. Entre 2006 e 2009, quando foi secretário de Kassab e conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, Moraes adquiriu oito imóveis em São Paulo e Minas Gerais pelo valor de 4,5 milhões de reais. A reportagem indica que ele não teria renda suficiente para comprar esses bens. Ao site, o ministro informou que todas as aquisições foram lícitas, por meio de seus rendimentos públicos e pelos direitos autorais nas vendas de mais de 700.000 livros. Segundo, ele, tudo registrado na sua declaração de imposto de renda.

Outras questões éticas ainda serão postas no debate. No curto período em que não ocupou funções públicas, entre 2010 e 2014, ele fundou um escritório de advocacia pelo qual defendeu clientes controversos, como o ex-deputado Eduardo Cunha (hoje preso pela Operação Lava Jato em Curitiba) e a cooperativa de transportes Transcooper, que já foi investigada por ter elos com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Moraes terá ainda outro constrangimento: explicar a contradição entre sua nomeação e suas teses como estudioso de direito, em uma espécie de reedição de "esqueçam o que escrevi”. Reportagem desta segunda-feira do jornal O Estado de S. Paulo revelou que em sua tese de doutorado o ministro defendia que o ocupante de uma cadeira no Supremo não deveria estar em função pública no momento de sua indicação. Esse é o próprio caso dele. A ideia de Moraes, no longínquo ano 2000, era de que se evitasse dar uma “demonstração de gratidão política”. “É vedado (para o STF) o acesso daqueles que estiverem no exercício ou tiveram exercido cargo de confiança no Poder Executivo, mandatos eletivos, ou o cargo de procurador-geral da República, durante o mandato do presidente da República em exercício no momento da escolha, de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política ou compromissos que comprometam a independência de nossa Corte Constitucional”.

Agora, ironicamente, a Lava Jato pode acabar derrubando o titular da Justiça justamente por sua avidez em tentar surfar politicamente nos louros da operação. A verificar nos próximos dias se ele sobreviverá à sua própria verborragia.








































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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama Tricolor, Eliane de Lacerda, blog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O ódio a Marisa Letícia (Por Thiago Muniz)

"Gostaria de lembrá-los de um detalhe: em 128 anos de República, Luís Inácio Lula da Silva foi o ÚNICO presidente a enterrar a esposa por responsabilidade do Estado Brasileiro. A primeira por negligência. A segunda por perseguição. Nenhum presidente vindo da elite passou por isso."  (Fagner Torres)

Marisa Letícia esteve o tempo todo ao lado de Lula. Aguentou ofensas, agressões, mentiras, indelicadezas. Nos últimos meses foi perseguida e acusada de forma abjeta por um sujeito que se acha o dono do mundo e é apenas um péssimo magistrado, parcial e despreparado.

Essa disseminação do ódio está cada vez mais preocupante.

Perdi a quantidade de pessoas que eu vi torcendo pela morte dela.

Isso está ficando em níveis extremos. As pessoas estão confundindo ódio com opinião. Se você parar pra ler os comentários dos principais jornais é de ficar revoltado e pensativo. Como alguém pode comemorar a morte de outra pessoa? Estão todos doentes.

Não sei o quanto do estresse e abuso psicológico a que ela foi submetida nos últimos meses, não foi responsável por isso. Foi um circo de horrores, com direito a conversas particulares da família no jornal noturno. A despeito de qualquer divergência política, foi desumano o que a família de Lula teve de enfrentar, em termos de ataques da mídia, da oposição, dos empresários loucos por mais lucros, e da própria população inflamada pelos três primeiros grupos citados. Triste país.

Precisamos aprender a ter compaixão e amor pelo próximo, cada um sabe das suas ações e julgar não cabe a nós. Como a sociedade tá doente, que comentários absurdos. É triste ver que o ser humano, não ter nada de humano. A falta de compaixão vem demonstrando que estamos cada vez mais piores em tudo, principalmente no amor. Não é um partido, não é uma primeira dama, é além de ser mulher, é uma vida. Solidariedade e compaixão com a dor, com o sofrimento do outro.

Tolerância, solidariedade, empatia, altruísmo... Nenhuma migalha política pode ficar acima daquilo que cala fundo em nosso eu maior. Adversário político histórico de Lula, FHC ofereceu o ombro no momento da dor pela perda de D.Marisa. Retribui gesto de Luiz Inácio quando da morte de D.Ruth, há 8 anos e meio. Que o abraço fique como inspiração em tempos de ódio e insanidade nas redes sociais. E D.Marisa seja acolhida com amor em sua passagem. Sabe o que nos difere dos bichos? A compaixão pela dor do outro.

Antes de partir ainda deixou seus órgãos para salvar vidas.

As pessoas ruins que zombar de sua morte mais pra frente iram pagar, que. Realmente, a lei do retorno é implacável. Não deseje o mal, pois ele pode se voltar contra você.








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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Eike Batista: de Midas a Vilão (Por Thiago Muniz)

Eike Batista ficou rico quando tinha praticamente a idade do Thor Batista. Aos 23 anos, abandonou a faculdade de engenharia na Alemanha para tentar ganhar dinheiro com o ouro da Amazônia. Era o auge do garimpo lá, no começo dos anos 80.

Pediu US$ 500 mil emprestados a dois amigos joalheiros para se estabelecer como comerciante de ouro no meio do mato. Comprava ouro na Amazônia e revendia no Sudeste. Em pouco tempo, os US$ 500 mil viraram US$ 6 milhões. É mais dinheiro do que parece. US$ 6 milhões do começo dos anos 80 equivalem a US$ 15 milhões de hoje.

Em vez de torrar esses milhões vivendo a melhor juventude que o dinheiro pudesse comprar, Eike fez o que parecia menos sensato: gastou tudo em máquinas que faziam extração mecânica de ouro. E os US$ 6 milhões viraram US$ 1 milhão. Por mês. Três milhões de reais em dinheiro de hoje. Ele não parou nisso. Claro. Comprou mais minas, mais máquinas, ficou sócio de empresas peso-pesado da mineração e, com 40 e poucos anos, chegou ao primeiro bilhão de dólares.

No começo dos anos 2000 resolveu trocar o ouro por minério de ferro. Perfeito: se ouro vale “mais do que dinheiro”, minério de ferro vale mais do que ouro. Por causa volume, lógico: todo o ouro minerado na história da humanidade dá mais ou menos 140 mil toneladas. Isso é o que a Vale extrai de minério de ferro em seis horas.

Em 2005, então, ele fundou sua mineradora, a MMX. Um ano e meio depois, vendeu uma fatia dela para outra mineradora, a Anglo-American. Pagaram US$ 5,5 bilhões. Ou seja: o negócio com a Anglo-American foi mais do que suficiente para que Eike fosse dormir sabendo ser o homem mais rico do Brasil.

E Eike aproveitou a maré. Foi financiar sua ideia mais ambiciosa: a de construir uma concorrente da Petrobras. Era a OGX, seu projeto de companhia de petróleo. Em 2008, Eike lançou ações dela na bolsa. Na prática, estava vendendo 40% da OGX antes de ela virar realidade. Levantou R$ 6 bilhões nessa – era o maior IPO (venda inicial de ações) da história da Bovespa até então.

Agora ele era o herói.

Assim: uma mineradora sempre precisa pagar para que algum porto escoe a produção dela – de preferência para a China, o maior consumidor de minério do mundo. Então porque não ser dono da mineradora e do porto também? Então criou a LLX, uma empresa de logística dedicada à construção de portos. Mais: mineradoras e portos precisam de energia. E pagam caro por isso. Então valia a pena ser dono da companhia de energia também. Eike já tinha uma empresa de termelétricas desde 2001, a MPX. Agora, então, a MPX faria as usinas que alimentariam as minas da MMX, os portos da LLX e as instalações da OGX. A própria MPX seria também alimentada por outra empresa de Eike: a CCX, uma companhia de mineração de carvão dedicada a fornecer combustível para suas termelétricas.

Ah: a OGX precisava de um fornecedor de equipamentos de perfuração e de plataformas marítimas. Quem fabricaria tudo isso para Eike? Eike mesmo, ué. Então ele fundou a OSX, um estaleiro sob medida para alimentar as necessidades da OGX. E onde instalar a OSX? No porto da LLX. Porto que, de quebra, também pode estocar petróleo da OGX.

No papel, a ideia é irresistível: uma companhia ajudando a outra, num círculo virtuoso sem fim. O mercado gostou. E cada uma dessas empresas teve seu IPO bilionário, o que levaria Eike aos seus US$ 34 bilhões e à sétima posição na lista da Forbes em 2012.

Só tem um problema: os mesmos elementos que moldam um círculo virtuoso também podem trazer um círculo vicioso. Foi o que aconteceu. A OGX saiu do papel produzindo só 25% do que a própria empresa esperava. Nisso, a OSX enfraqueceu também: a petroleira de Eike tem encomendas no valor de US$ 800 milhões com o estaleiro de Eike; se a OGX vende pouco petróleo, pode não ter como pagar a OSX. Sem essas duas funcionando a contento, a viabilidade da LLX fica em dúvida, já que o estaleiro e a petroleira são clientes do porto. Se a LLX não deslancha, complica para a MPX, que vende energia para ela. E aí quem pode ficar sem cliente é a CCX.

Nisso, o mercado passou a ver a interconexão das empresas X mais como vício do que como virtude. E o valor de mercado delas despencou, levando junto uma fatia da fortuna de Eike, já que o grosso de seu patrimônio são as ações que ele tem das próprias companhias. O preço somado de todas as ações da OGX, por exemplo, já foi de R$ 75 bilhões. Hoje é de R$ 10 bilhões.

Eike Batista foi preso por ter pago US$ 16,5 milhões de propina a Sérgio Cabral, o ex-governador do Rio que hoje se consolida como um dos maiores corruptos da história do Brasil, com roubos avaliados em US$ 100 milhões, mas que podem chegar a bem mais que isso. Não se sabe até este momento que tipo de vantagens Eike obteve com o suborno (e outros mimos, como ter praticamente deixado um jato seu à disposição de Cabral e da esposa por anos a fio). A maior suspeita, de qualquer forma, recai sobre as facilidades que o empresário obteve para montar o Porto do Açu (da ex-LLX) em São João da Barra (RJ) – desapropriações-relâmpago, isenções fiscais de pai para filho e a venda de terrenos avaliados em mais mais de US$ 1 bilhão por alguns milhões. Ou seja: saiu barato para o empresário

Entendo perfeitamente a vibração das pessoas pela prisão de Eike Batista. O cara tirava onda de bilionário às custas de esquemas brabos de corrupção. Mas não consigo sentir nada além de um sentimento de satisfação pelo fato de a justiça estar sendo feita. Não senti também nenhum tipo de regozijo quando vi a foto dele careca indo preso. Apenas constatei que a vida é mesmo cheia de ironias e reviravoltas. Achei inclusive muito digna a declaração de Eike ainda em NY: "Chegou a hora de pagar pelos erros cometidos", disse. Pelo menos não deu piti como Garotinho e outros.

Vejo as pessoas vibrando como num jogo de futebol. Acho isso muito deprimente. A única coisa boa é a esperança de que, com essas prisões, empresários e políticos pensem duas vezes, antes de participarem de negociatas. É o fetiche sádico da prisão alheia, ainda mais se for empresário rico, como se isso compensasse a frustração por não ser rico.

Eike Batista declarou que no Brasil os empresários são vítimas dos políticos corruptos. Discurso que tem eco, como demonstra as manifestações de apoio que o empresário recebeu no vôo de volta para se entregar. Eike também disse que vai passar o país a limpo. Vai confessar todos os crimes que cometeu? Vai contar como seu papai Eliezer Batista usava informações privilegiadas como presidente da Vale do Rio Doce para beneficiar o filhinho, ainda na ditadura? Será que vai falar dos seus esquemas desde a ditadura, passando por Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma? Essa vitimização do empresariado com a chancela da vênus platinada é muita cara de pau.

Isso é uma mancha triste para o Brasil, dos céus ao inferno; vê-lo de cabeça raspada, entrando no camburão da polícia, e saber que, neste momento, ele está vivendo num cubículo precário, na companhia de outros cinco presos, não nos traz alegria. Esse senhor influenciou muitas pessoas, nos fez acreditar que o Brasil poderia dar certo. A diferença é que o criminoso do colarinho branco, o estelionatário, o vigarista comum, esses não são violentos e não estão habituados à violência.Tudo isso é terrível, é desumano e é uma tragédia brasileira, mas que, pelo menos, sirva de exemplo. Que, pelo menos, outros ocupantes de cargos públicos tenham medo.



















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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A lógica de capitanear o caos (Por Thiago Muniz)

A lógica de capitanear o caos, por Valdemiro Santiago.


Pessoas criaram invenções religiosas.
Para dar as suas vidas um lampejo de esperança.
E para amenizar o seu medo de morrer.
E pessoas criaram ascensões religiosas.
Para subjugar os outros e para escravizar apenas para enriquecer ainda mais a si mesmos.


Charge: Vini Oliveira











































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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Imperatriz Leopoldinense x Máfia do Agronégocio (Por Thiago Muniz)

O índio estacionou no tempo e no espaço. O mesmo arco que faz hoje, seus antepassados faziam há mil anos. Se pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua comunidade tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade social, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades! Uma tranquila, onde o homem é dono de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em convulsão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz”.

(Orlando Villas-Bôas, sertanista)

O Carnaval de 2017 ainda nem começou, mas já vestiu a fantasia da polêmica. Enquanto milhares de foliões começam a se cobrir de purpurina para ir atrás dos blocos do pré-Carnaval carioca, os senhores do mundo rural rugem furiosos a milhares de quilômetros daqui. 

A razão é o enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, que, rompendo a norma não escrita de não apresentar temas muitos espinhosos, dedicará seu desfile às tribos do Xingu, em Mato Grosso, um parque indígena do tamanho da Bélgica. 

Apesar de se tratar de um território indígena protegido desde 1961, o entorno do parque não para de sofrer os impactos do desmatamento ilegal, dos agrotóxicos e da mega obra da usina hidrelétrica de Belo Monte, construída no rio de mesmo nome, no Pará.

A letra do samba-enredo é uma homenagem à natureza e às tribos, e uma crítica ao homem branco que ameaça sua sobrevivência.

Jardim sagrado, o caraíba [referência ao homem branco] descobriu. / Sangra o coração do meu Brasil,/ o belo monstro [a hidrelétrica] rouba as terras dos seus filhos,/ devora as matas e seca os rios,/ tanta riqueza que a cobiça destruiu!”, diz a canção. Durante o desfile, haverá uma ala fantasiada de borrifadores de pesticida.

Os acordes caíram feito uma bomba para os poderosos representantes do agronegócio, que vestiram a carapuça e se autointitularem os salvadores de um Brasil em crise. Associações de pecuaristas, plantadores de cana e até de engenheiros agrônomos fizeram um estardalhaço em cartas públicas de repúdio. “A abordagem generalista proposta pela Imperatriz Leopoldinense sobre o produtor rural, sem separar o joio do trigo, é incorreta, injusta e inadequada, com a tendência tipicamente alarmista que é característica da linha de pensamento pseudoambientalista”, disseram os engenheiros agrônomos em sua nota. “O produtor rural brasileiro deveria ser reverenciado por estar salvando o país da bancarrota há décadas, ao representar, por sua competência, 22% do PIB e gerar 37% dos empregos do país”, acrescentaram os ofendidos em suas cartas. Outras manifestações do mundo rural foram bem menos comedidas.

Os responsáveis pela escola já nem se dão mais ao trabalho de ler os insultos que recebem desde que o enredo foi divulgado. “A polêmica deixou claro um enorme preconceito e racismo contra os índios e contra a escola”, lamenta o carnavalesco da Imperatriz, Cahê Rodrigues. “Nossa crítica se baseia no uso indevido de pesticidas que poluem rios, matam peixes e causam danos muito sérios na vida do ser humano, assim como outras agressões à natureza que levam os índios ao desespero. A escola nunca pretendeu ofender o agronegócio, foram eles que se sentiram aludidos.”

A polêmica chegou ao Congresso Nacional, onde o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), da bancada ruralista, propôs a criação de uma comissão temática para discutir o assunto, o que incluiria convocar integrantes da escola e investigar suas fontes de financiamento. Caiado acredita que a escola “denegriu” o setor e difamou quem deveria ser enaltecido. A direção da escola disse ao EL PAÍS que não há grande mistério em seus patrocinadores, já que o desfile conta apenas com verbas de incentivo da Prefeitura do Rio e da Liga das Escolas de Samba, além dos direitos de imagem pagos pela TV Globo.

A ousadia da Imperatriz é uma novidade num Carnaval que acabou sendo silenciado por seus patrocinadores, boa parte deles empresas, instituições públicas e Governos sem interesse em polemizar.

Até os anos 90, as escolas mantinham seus desfiles com o financiamento de seus beneméritos, os banqueiros do jogo do bicho, e de comerciantes das respectivas comunidades, mas, à medida que a festa foi crescendo, se tornou mais cara e impossível de ser bancada apenas com os recursos tradicionais. Entraram na passarela então os grandes patrocinadores para arcar com desfiles que, apesar da opacidade das cifras, podem chegar a custar oito milhões de reais por escola.

“As escolas sempre se caracterizaram por seu jogo de cintura e seu papel negociador para sobreviver. Num ano faziam um desfile crítico, mas isso não significava que no ano seguinte não pudessem homenagear quem tinha sido criticado anteriormente”, explica o historiador Luiz Antônio Simas. “Mas foi a partir daquela década que a visão empresarial se tornou muito mais presente”, acrescenta. A partir dos anos 90, deixou de ser obrigatório que os enredos versassem sobre assuntos da cultura nacional, e as escolas então começaram a vender seus desfiles. “Vendiam-nos a cidades com interesse turístico, que viam nos enredos uma excelente forma de se divulgar, mas também a companhias aéreas e até a empresas de laticínios. Transformaram-se em instrumentos de propaganda de massa, chapa branca”, explica Simas, coautor do livro Dicionário da História do Samba.

A tendência não passou despercebida ao público da Sapucaí. Há mais de uma década os amantes da festa mais famosa do Brasil lamentam a ausência de crítica social nos desfiles do Sambódromo. Perdeu-se a personalidade do discurso das escolas e a crítica a políticos e igrejas, bem como a denúncia dos preconceitos, das injustiças e da desigualdade social que marcam o país. “A crise criou agora uma situação em que os patrocínios começaram a cair, e as escolas voltaram a fazer enredos autorais, propostos pelo carnavalesco, e não por uma empresa. O que tampouco impede que no ano que vem a Imperatriz Leopoldinense faça um enredo a favor do agronegócio. Sempre se procurou o equilíbrio”, opina Simas.

Atualmente, o papel de denúncia acabou recaindo nas mãos e ritmos dos blocos de rua, bem menos engessados e mais irreverentes que os desfiles do Sambódromo. “O mundo rural despertou um gigante adormecido”, diz Rodrigues. “Com suas críticas eles revelaram o poder das escolas de aproveitar a festa para levantar bandeiras e tocar em assuntos polêmicos.”.



XINGU - O CLAMOR QUE VEM DA FLORESTA


BRILHOU… A COROA NA LUZ DO LUAR!
NOS TRONCOS A ETERNIDADE… A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS
NA FLORESTA… HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NO AR
O PARAÍSO FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU

SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO
DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA

JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA, RAZÃO DE VIVER
ANDAR ONDE NINGÚEM ANDOU
CHEGAR AONDE NINGUÉM CHEGOU
LEMBRAR A CORAGEM E O AMOR DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO
KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA PELA SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!

SALVE O VERDE DO XINGU… A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ… HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA
A NOSSA VOZ VAI ECOAR… PRESERVAR!

























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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O linchamento dos linchadores da sociedade (Por Thiago Muniz)

Contra linchadores, estimula-se o linchamento

Quando a educação não é libertadora o sonho do oprimido torna ser opressor. Isso não é vontade de justiça e sim de vingança.

Uma parte significativa da imprensa e de páginas de facebook passam a divulgar, à exaustão, os nomes e as fotos dos suspeitos, que são identificados, presos e levados ao distrito policial sob a lente de inúmeras câmeras que mostram o rosto de “monstros”, desumanizados na sua essência, para o trepidar das tochas inquisidores continuarem a esquentar a indignação de um povo, que jamais terá seu desejo de vingança saciado, pois insaciável é.

Expor, incitar, desumanizar são ações típicas do linchamento, justamente a prática que vitimou o Índio Luis Ruas. O ciclo continua e o ditado com ferro fere, com ferro será ferido é adaptado para com linchamento fere, com linchamento será ferido.

Os reflexos dessa postura se não evoluírem para um linchamento físico e morte dos acusados, certamente já terão prejudicado o direito a um julgamento justo, ante a pressão pela condenação na forma mais rigorosa e lícita possível (ou não, quem se importa com isso?). O clamor e a ocasião são os combustíveis mais potentes para a sanha punitivista encontrar seu caminho de volta para o ciclo de linchamento.

Ou seja, se uma notícia não observa o direito a um julgamento justo, e portanto cega também em relação à Constituição, essa mesma notícia tem o condão somente de brutalizar cidadãos que podem ser inocentes, ou ainda que não sejam, merecem como qualquer pessoa o direito a um julgamento justo, imparcial e distante do clamor público.

A presunção de inocência e o devido processo legal, bem como demais garantias constitucionais como a preservação de seus nomes e imagens, além de sua própria integridade física e moral são completamente inobservados por meios de comunicação que deveriam ter responsabilidade ao noticiar um fato grave como o reportado até então.

Não se pode perder de vista que o suspeito é a parte mais vulnerável e frágil desta relação toda na medida em que ela será submetida a um processo penal que nada mais é que o próprio Estado investigando, acusando-o e por que não o condenando à prisão.

A rigor, o Estado de direito não comporta esses tipo de excesso. Aliás, como o próprio excesso pode significar essa atitude é digna de um verdadeiro Estado de exceção. Tudo em prol de um desejo coletivo de vingança.









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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A importância do Naming Right no esporte (Por Thiago Muniz)

Muito se fala no meio esportivo o termo “Naming Right”, mas poucos de fato conhecem o significado real e na prática deste.

“Naming Rights” é a prática da concessão de direitos de nome que empresas donas de algum estabelecimento de espetáculos culturais e/ou esportivos dá o nome para uma marca ou produto. Quando você compra os direitos de trocar o nome do evento, para o nome da empresa patrocinadora.

No Brasil, esta prática começou fora do esporte, com o Credicard Hall em São Paulo, criado em setembro de 1999. Já no esporte a primeira arena a adotar esta prática foi a Arena da Baixada em Curitiba, batizada em 2005 como Kyocera Arena.

No exterior, os “naming rights” estão consolidados. Quase todos os clubes das milionárias ligas profissionais dos Estados Unidos e na Europa, por exemplo, têm suas ‘casas’ batizadas com o nome de alguma empresa ou produto, vide o American Bank Arena, Barclays Center, Verizon Wireless Arena, Mercedes-Benz Arena Berlin, Emirates Stadium entre outros.

Por ventura da reforma de atualização de diversos estádios brasileiros, criados para a Copa de 2014, aos poucos foram adotando a comercialização do “naming right” como prática de receita atraente.

O estádio do Bahia, a famosa Fonte Nova, depois de sua reinauguração, o Grupo Petrópolis, segundo maior do setor cervejeiro no país e maior companhia 100% brasileira de bebidas, firmou um contrato deste porte associando a marca Itaipava ao estádio, sendo batizado de Itaipava Arena Fonte Nova. A empresa fechou um acordo no valor de R$ 10 milhões por ano, durante 10 anos, e além do nome, o contrato concede as marcas da empresa o direito de comercializar produtos com exclusividade em todos os bares e restaurantes do estabelecimento.

Outro estádio com um contrato de “Naming Rights” firmado é a nova Arena do Palmeiras. A seguradora Allianz, a construtora WTorre (responsável pela construção do estádio), o Palmeiras e a AEG (responsável pelos futuros eventos do local), firmaram parceria para colocar o nome da seguradora no estádio. A própria Allianz já possui diversos acordos de “naming rights” pelo mundo, como a Allianz Arena em Munique.

Se o modelo é novo para clubes e investidores, também é para a mídia, que vive de anunciantes e costuma ignorar o nome desses parceiros por entender que está fazendo propaganda de graça. Pior: em algumas ocasiões, vê concorrência entre o nome da arena e o de algum anunciante oficial.

A Allianz usou toda a experiência que tem como detentora de ‘naming rights’ de outros cinco estádios ao redor do mundo para ajudar na hora de negociar valores, tempo de contrato e formas de exploração da arena do Palmeiras.

Outra barreira de mercado enfrentada por clubes e investidores é mudar algo que já está enraizado. Como o público vai passar a chamar estádios tradicionais como Beira-Rio, Morumbi, Maracanã e Mineirão (nestes dois últimos, estádios públicos e que envolvem outro tipo de negociação), por outros nomes? É um trabalho lento e gradativo, mas o futebol brasileiro está quebrando paradigmas. A tendência é que as restrições em relação às tevês caiam aos poucos.

Um exemplo bem-sucedido foi a da Nestlé na escolha de um de seus produtos para colocar o nome de um campeonato, o Nescau MegaRampa.

Apesar de não ser exatamente uma novidade, o “naming right” poderia ser bem mais explorado aqui no Brasil. A tendência, já aproveitada por marcas como Net, Bradesco, Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Citibank, deve conquistar mais adeptos nos próximos anos.

Para se ter a magnitude das cifras, o Real Madrid fechou o maior contrato de naming rigths de estádio da história do futebol. O nome do novo Santiago Bernabéu foi negociado com a companhia de investimentos International Petroleum Investment Company por 425 milhões de euros (cerca de R$ 1,334 bilhão) em 20 anos.

A nova arena deve se chamar Abu Dhabi Santiago Bernabeu, como referência à cidade sede da companhia. Outra opção da empresa é dar o nome de Cepsa Santiago Bernabeu, em referência à empresa de petróleo espanhola que faz parte da holding da IPIC.Com a reforma, o estádio terá teto retrátil, hotel e complexo comercial e de lazer. As obras devem custar entre € 400 milhões e € 500 milhões e irão ampliar a capacidade do estádio para 90 mil pessoas.

E aí, ainda tem dúvidas que um bom trabalho de “Naming Right” gera uma forte captação de receitas?

Muito trabalho pela frente.






























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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Renan e sua afronta ao STF (Por Thiago Muniz)

Renan Calheiros será eternizado na História da República por dois precedentes desastrosos que fragilizam a ordem institucional e a segurança jurídica.

Não satisfeito em articular um processo de impeachment em que a Presidente afastada não perde os direitos políticos (atropelando um item da Constituição sobre o qual não há espaço para interpretações), realizou a proeza de descumprir uma liminar do Supremo Tribunal Federal, algo inédito na história da frágil democracia brasileira.

Graças a Renan, a partir de hoje, a famosa frase "decisão judicial não se discute, cumpre-se!" fica, digamos, sub-judice. Pelo andar da carruagem, Renan poderá ser defenestrado da vida pública mais cedo do que gostaria, mas o estrago causado por seus gestos permanecerá por mais tempo do que o Brasil merece.

Eu sinceramente espero que o STF, reaja de maneira enérgica, de maneira a coibir tais atos! Estamos vivendo o apogeu da imoralidade. O que assusta nesse incidente é que ele não tem precedentes em tempos de "democracia" no Brasil. Mesa do Senado justificar por escrito não cumprimento de liminar do STF? Protegendo um de seus membros que vem a ser Presidente do Senado?

Não consigo entender como este cidadão consegue descumprir tal decisão judicial sem que seja sumariamente punido por isso. Continua lá, na sua mesma cadeira, no mesmo conforto do seu poder? Isso é devido à imunidade parlamentar, que impede o STJ de dar-lhe devidas algemas? Não entendo como o STJ não pode-se fazer respeitar.

Vão se engolir vivos. A vaidade e a guerra para permanecer no poder não tem limites. Os interesses da nação são sempre os últimos a considerar.

O Senado não respeita o STF, que não se respeita e faz tempo que o povo ninguém respeita.
Renan se considera uma espécie de Rainha Elizabeth II do Brasil. A cadeira da presidência no planalto seria por espécie de Primeiro Ministro. Alagoas é seu feudo onde faz o que quer com o objeto/gente o que ele bem desejar. E ele deseja muito, muito mesmo. Mas, por desejar tanto, quis expandir seu feudo e tomar todo o Brasil.

Ao manter o Renan Calheiros na presidência do Senado Federal, o STF deixou claro que o maior compromisso da maioria dos seus ministros é com os interesses da política, mesmo que seja necessário julgar de forma seletiva, passando por cima de suas próprias decisões e atribuições constitucionais. É lamentável, triste, desanimador.

Não podemos esquecer que o Renan Calheiros não é um principiante. 

Numa sessão do impeachment. Quando alguns senadores batiam boca. Ele alertou aos parlamentares que estavam passando “ao Brasil e ao mundo” a imagem de que o Senado é um “hospício”. Que a confrontação política na sessão de julgamento era uma “demonstração de que a burrice é infinita”. O Renan é da turma do Eduardo Cunha, homens inteligentes e articulados.

Não me surpreenderia vê-lo renunciar mais uma vez, para se livrar da cassação.

Uma insolência sem precedentes no mundo democrático. Mas vindo dos coronéis do poder, não dá para pensar em vergonha do futuro histórico.

O importante para eles é a fortuna amealhada com o sofrimento alheio. Essa nova classe governante nunca rompeu com o passado. Pelo contrário, beneficiou-se e conviveu a todo momento com aquilo que havia de pior na nossa tradição — o mandonismo, o clientelismo, a pilhagem do Estado e a deferência subserviente aos caciques regionais.








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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A morte na calada da noite (Por Tom Valença)

A morte é a referência em torno da qual a vida é construída.

Sendo assim, até pouco tempo atrás era ponto pacífico que a morte deveria ser respeitada com exceção dos tempos de guerra, fosse no Ocidente ou Oriente. 

Mas isso mudou. Muito! 

Por exemplo, desde a semana passada está sendo possível perceber nas redes sociais, com o falecimento de Fidel, que a morte de uns parece ser o gol que outros esperavam acontecer desde sempre para comemorar sobre os que sentem a ausência de quem partiu. 

Ontem (29/11), esse processo se tornou mais claro, pois muitos se tornaram hostis para com os que lamentavam a tragédia da Chapecoense (e aqui não importa se espontaneamente ou se induzidos pelo fervor midiático) já que as únicas questões importantes seriam as votações que aconteceriam em Brasília. 

Nesse sentido, os últimos foram comemorados pelos primeiros como alienados. Pois bem, o dia transcorreu, as votações foram realizadas com seu ápice acontecendo na calada da noite e hoje o país amanheceu mais morto do que vivo. 

Morto em sua integridade imensamente combalida nos últimos tempos, culminando com o resultado dessas duas votações. 

E agora, será que a morte do corpo democrático brasileiro será tratada com o mesmo furor e ou desdém das morte do Comandante cubano e do time brasileiro? 

Se for, esse jogo democrático está irremediavelmente comprometido, talvez perdido por no mínimo algumas décadas. 

Para os dois times e para as duas torcidas, embora um dos times e sua torcida continuem comemorando. 

Mas não por muito tempo...


Tom Valença é Professor Doutor no Centro Universitário Jorge Amado





terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chapecoense - 29/11/2016 (Por Thiago Muniz)

"Diante de um dos dias mais terríveis que já presenciei sobre futebol, que os torcedores reflitam sobre o ódio que reina habitualmente aqui." (Paulo-Roberto Andel - escritor)


Extremamente lamentável o acidente que vitimou a delegação da Chapecoense e também outras pessoas que estavam no voo para Medellin. Estou profundamente consternado. Todo o resto no que tange ao esporte fica em segundo plano nesse momento. Minha solidariedade aos sobreviventes, às famílias das vítimas, à diretoria e à torcida da Chape.

O esporte mundial está de luto.

Foi triste demais acordar com a notícia da queda do avião da Chapecoense. A vida tem uma dimensão trágica. Filósofos tratam disto. Teólogos discorrem sobre o tema. Por que morrem pessoas no apogeu da juventude e do sucesso? Há os que indicam um plano superior. Outros, como eu, entendem que os fatos são aleatórios. Mesmo assim, todos sentimos a dor das famílias enlutadas. É o maior sinistro do esporte e do jornalismo do país. Fiquei duramente impactado. Muito mais gente morre no trânsito mensalmente, mas o acidente desse tipo tem um poder impactante forte. Emocionou-me ver as cenas. A ordem do nosso mundo foi abalada. Estamos todos por um fio e é importante viver plenamente. Os que ficamos aprendemos com os que deixaram de existir: vamos viver de verdade, sem adiamentos, sem meio termo. A vida segue um pouco mais melancólica.

Estamos todos acabados com essa injustiça. E desta vez não foi a injustiça da bola. É das nossas vidas.

Continuo com o mesmo brilho nos olhos quando falo de esporte. E eu não desisti, trabalho com aquilo que sempre sonhei trabalhar. Espero que continue brilhando esteja onde estiver.

Ficamos impotentes diante da tragédia, mas podemos ajudar a tecer a rede de afeto e solidariedade para confortar os que ficam. As boas lembranças servem para homenagear essas pessoas que marcaram nossas vidas.

Alguém tem que ter bom senso. Futebol em 2016 acabou por aqui. Que se mantenham as posições, não caia ninguém sei lá. Mas perdeu o clima. Futebol é alegria, é entretenimento, não tem como continuar o campeonato diante do acontecido.

Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta. E a Chapecoense e a cidade de Chapecó terão forças para reerguer esse time e traze-lo de volta, porque neste momento esse é o desejo de todo o nosso país.

A Chapecoense poderia virar o segundo time de todo brasileiro. O time vai jogar na sua cidade? Bora la com a camisa da Chapecoense torcer contra o rival. O time merece se reestruturar e apoio nessas horas é fundamental. Torcida gera faturamento, lucro gera reestrutura. A Chapecoense precisa e merece ter a maior torcida do Brasil.

Pra quem está desacreditado do ser humano, um sopro de esperança e momento de grandeza. Clube Atlético Nacional, de Medellin, pede a Conmebol que a Chapecoense seja declarada campeã da Copa Sul-americana.








































#ForçaChape #somostodoschape


PS: O espírito de porco do ser humano não tem limites. Ouvi falar que já tem fotos do acidente em grupos de whatsapp. Não compartilhe isso e mande a puta que pariu quem o fez.



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