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segunda-feira, 13 de março de 2017

Iansã: a senhora das tempestades (Por Thiago Muniz)

Orixá guerreira, Oyá esposa amada de Xangô, recebe dele o título de Iansã que faz referência ao entardecer, que pode ser traduzido como “a mãe do céu rosado” ou a “mãe do entardecer” portanto o rosa é a de Iansã cor por excelência.

Ela costuma ser saudada após os trovões, não pelo raio em si (propriedade de Xangô ao qual ela costuma ter acesso), mas principalmente porque Iansã é uma das mais apaixonadas amantes de Xangô, e o senhor da justiça não atingiria quem se lembrasse do nome da amada. Ao mesmo tempo, ela é a senhora do vento e, conseqüentemente, da tempestade.

Sempre guarda boa distância das outras personagens femininas centrais da Umbanda, e se aproxima mais dos terrenos consagrados tradicionalmente ao homem, pois está presente tanto nos campos de batalha, onde se resolvem as grandes lutas, como nos caminhos cheios de risco e de aventura – enfim, está sempre longe do lar; Iansã não gosta dos afazeres domésticos.

Extremamente sensual, apaixona-se com freqüência e a multiplicidade de parceiros é uma constante em suas lendas, raramente ao mesmo tempo, já que Iansã costuma ser íntegra em suas paixões; assim nada nela é medíocre, regular, discreto, suas zangas são terríveis, seus arrependimentos dramáticos, seus triunfos são decisivos em qualquer tema, e não quer saber de mais nada, não sendo dada a picuinhas, pequenas traições. Iansã é o orixá do arrebatamento, da paixão.

O filho de Iansã é conhecidos por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar.

Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro.

Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura.

Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo.

Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social.

Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo.

Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas.

O arquétipo de Iansã Orixá

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida.

Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração – tão ou mais radical ainda que a anterior.

São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo – e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida.

Os filhos de Iansã orixá são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões.

Aqueles que já consultaram o Jogo de Búzios e sabem que são filhos de Iansã tem porte poderoso, costumam ter temperamento indomável, diretos nas palavras e exagerados em tudo aquilo que lhes pareça importante. Competitivos, difíceis de lidar e intensos em suas paixões.

O nome Oyá significa “raio” e como um raio que corta os céus, o rio Níger atravessa o continente africano como se o rasgasse ao meio, e foi só após se unir a Xangô. O nome Iansã é um título que Oyá recebeu de Xangô. Esse título faz referência ao entardecer, Iansã pode ser traduzido como a mãe do céu rosado ou a mãe do entardecer.

Apesar da associação com o rio, Iansã quase nada tem a ver com o domínio das águas. Seu símbolo, como o de Ogum, é a espada, a guerra. De tão impulsivos e explosivos os que têm Iansã como orixá de cabeça podem significar perigosos relacionamentos amorosos para os incautos. Muito apaixonados e exigentes no amor, os filhos de Iansã são implacáveis como a tempestade!

Às vezes pode ser contraditório ou injusto o que fala ou faz um filho de Iansã. A própria divindade que tem como símbolo o rio é representada também, e principalmente, pelo fogo que o raio gera ao cair sobre a terra, ao mesmo tempo que é feminina e usa as cores rosa e vermelho, usa-as em tons de sangue, ferro e terra para se representar é, também, ativa e independente, ressaltando as características que se aproximam dos comportamentos mais masculinos na sociedade.

Vida Sexual dos filhos de Iansã Orixá

Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição – que não a que ele mesmo faz contra o ser amado.

Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas a uma pessoa são extremamente companheiras.

Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Yansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador.

Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos para seu círculo mais íntimo.

Sincretismo Religioso e a Oração a Santa Bárbara

Yansã, ou Oyá, é um orixá cuja figura, no Brasil, é sincretizada com “Santa Bárbara”, santa da igreja católica.

ORAÇÃO:

“Santa Bárbara, que sois mais forte que as torres das fortalezas e a violência dos furacões, fazei que os raios não me atinjam, os trovões não me assustem e o troar dos canhões não me abalem a coragem e a bravura.

Ficai sempre ao meu lado para que possa enfrentar de fronte erguida e rosto sereno todas as tempestades e batalhas de minha vida, para que, vencedor de todas as lutas, com a consciência do dever cumprido, possa agradecer a vós, minha protetora, e render graças a Deus, criador do céu, da terra e da natureza: este Deus que tem poder de dominar o furor das tempestades e abrandar a crueldade das guerras.

Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Culto a Iansã Orixá

Dia: quarta-feira
Cores: marrom, vermelho e rosa
Símbolos: espada, eruexin, chifre de boi
Elementos: ar em movimento, fogo
Domínios: babuzal, tempestades, ventanias, raios, morte
Saudação: Epahei Oyá! (pronuncia-se: eparrei oiá!)
Fio de contas: Coral (marrom, bordô, vermelho, amarelo)
Incompatibilidades: rato, abóbora
Número: 9
Animais: cabra, coruja




































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", dos sites Panorama TricolorEliane de Lacerdablog do Drummond e Mundial News FM. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



sábado, 10 de outubro de 2015

Vamos estocar vento? (Por Thiago Muniz)

Dia desses Dilma Rousseff fez um discurso na ONU, e quando falou sobre fontes limpas de energia, mencionou os parques eólicos e a dificuldade tecnológica que ainda se encontra hoje em dia para estocar vento.

Claro que a ignorantzia brasileira, representada pela malta paneleira das varandas gourmet, imediatamente tirou o pescocinho para fora do balde de merda no qual vive para caçoar da presidenta. Montaram vídeos, memes e gifs — são os guerrilheiros do Whatsapp, do Twitter e do Facebook, que imaginam estar fazendo algum tipo de revolução.

Como tenho alguma formação científica — trabalhei com isso por anos no meu início de carreira como jornalista –, óbvio que entendi do que se tratava. Cansei de entrevistar gente sobre o assunto, e faz bastante tempo, inclusive. Mas comecei a receber muitos desses vídeos, memes e gifs, o que só fez reforçar minha percepção de que a falta de conhecimento sobre qualquer coisa da maioria das pessoas é o grande mal da humanidade — o que chamo de burrice endêmica.

Pois bem.

Na Inglaterra, já se estoca vento. Não vou descrever o processo, é bem simples, apenas leiam o link indicado que dá para entender.

Na Noruega, um projeto parecido foi implantado numa pequena ilha e está funcionando bastante bem.

Nos EUA, uma tecnologia mais trabalhosa (com o uso de rochas em camadas porosas de arenito bem profundas para armazenar o vento com o uso de compressores na superfície) estava fase de implantação em Iowa, mas não sei se a usina ficou pronta. O esqueminha de funcionamento dela é esse aí do lado, bem interessante, inclusive.

Na Alemanha, estuda-se muito seriamente o assunto e uma usina do tipo CAES (Compressed Air Energy Storage) funciona há quase 40 anos em Huntorf, estocando vento em cavernas de sal — tem uma irmã gêmea americana em McIntosh, Minnesota, inaugurada em 1991.

Portanto, meninos e meninas, estocar vento é algo que cientistas especializados em energia vêm estudando faz tempo — e é disso que a presidenta falou na ONU.

O problema não é falar em estocar vento. O problema é falar em estocar vento para portadores de vácuo cerebral.





BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.