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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

A Escola sem partido num país em retrocesso (Por Thiago Muniz)

Para interpretar o programa Escola sem Partido, não basta ler o Projeto de Lei. É necessário conhecer o que está por trás dele. Para isso, basta entrar no site do programa e em sua página do Facebook. Na rede social, eles indicam a leitura de uma “bibliografia politicamente incorreta”. Um dos livros sugeridos chama-se Professor não é educador, que faz uma dissociação entre o ato de educar, que seria responsabilidade da família, e o ato de instruir, que caberia ao professor. Ou seja, a escola deveria se limitar a transmitir conhecimento, sem discutir valores ou a realidade dos alunos. Isso é um absurdo. 

Dialogar com a realidade do aluno é uma das principais estratégias para tornar o ensino das disciplinas significativo para ele. A meta do programa é proibir a doutrinação em sala de aula. A definição do que chamam de doutrinação pode ser encontrada no site do programa, no setor “Flagrando o doutrinador”. Lá, existe uma lista de atividades em que os alunos devem ficar atentos para identificar o professor que adota essa conduta. “Você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando seu professor se desvia frequentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional”, diz um dos itens. É como se o objeto da disciplina pudesse ser dissociado de tudo o que acontece na comunidade, no mundo. Isso não tem fundamento algum. É fácil perceber que, por trás desse projeto, há uma concepção de escola muito deturpada. 

Em 2015, o Escola sem Partido entrou com uma ação legal contra o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira], órgão do Ministério da Educação responsável pela elaboração da prova do Enem. A prova daquele ano, cujo tema de redação foi violência contra a mulher, foi acusada de promover doutrinação ideológica. Na opinião deles, a temática seria inconstitucional porque o aluno não teria um contraditório possível. Seria obrigado a criticar a violência contra as mulheres. 

O argumento central foi, conforme escrevem no site do movimento, a “inconstitucionalidade da exigência do respeito aos ‘direitos humanos’”. Esse é um exemplo do que eles querem fazer com a educação. Consideram inconstitucional uma prova que defende os direitos humanos. Isso é um escândalo.

O projeto quer estabelecer princípios para a educação nacional. A questão é que a Constituição Federal e a lei de diretrizes e bases já determinam esses princípios. Temos, então, um primeiro problema: como uma lei ordinária quer estabelecer algo que já está na Constituição? E o pior: o projeto amputa dispositivos constitucionais. Ele defende o “pluralismo de ideias no ambiente acadêmico”. 

Na Constituição, o pluralismo de ideias também é defendido, mas ao lado do pluralismo de concepções pedagógicas, que foi intencionalmente excluído do projeto. Eles excluem justamente o elemento atribuído ao professor. Além disso, um projeto de lei tem de ser objetivo e claro para que possa ser aplicado de maneira justa. Não é o caso desse projeto. Ele proíbe a “doutrinação”, mas não define que prática é essa. 

A subjetividade é um elemento de inconstitucionalidade. No projeto, as proibições são formuladas de forma tendenciosa, misturando práticas obviamente condenáveis com as salutares. Por exemplo, no terceiro dever do professor: “O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas”. É obvio que o professor não deve usar a sala de aula para fazer propaganda partidária, mas isso não quer dizer que ele não deva discutir política ou incentivar seus alunos a participar da vida pública. 

Ele não pode estimular o estudante a ir à manifestação x ou y, mas deve incentivá-lo a se manifestar democraticamente em espaços públicos. Isso é importante para a formação da cidadania, além de ser um objetivo garantido no artigo 205 da Constituição Federal.

O Escola sem Partido afirma se basear na Constituição Federal e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, cujo artigo 12 estabelece que os pais têm direito a que seus filhos recebam educação religiosa e moral de acordo com suas próprias convicções. Essa é uma interpretação absolutamente equivocada da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. 

Ela defende o espaço privado da intervenção do Estado, mas não se refere à prestação de serviços. É claro que, dentro do espaço privado, as famílias têm o direito de educar seus filhos de acordo com suas crenças. O que não pode acontecer é que essas normas invadam o espaço público da escola. O interesse da educação é justamente formar pessoas capazes de conviver com as diferenças, com outros valores e outras culturas. 

O professor não tem como evitar atividades que possam estar em conflito com as convicções dos pais de turmas heterogêneas, com cerca de 30 alunos. Isso amarraria o professor, que ficaria incapaz de discutir qualquer assunto. 

A maneira como o projeto está redigido pode abrir espaço para a proibição de diversas discussões. Se a intenção é proibir atividades que possam ir contra a crença de uma família, é necessário que se defina que crenças são essas. Se não, tudo poderá ser reprimido. Afinal, qualquer afirmação pode ferir alguma crença.

O programa diz que, em sala de aula, o professor tem liberdade de ensinar, mas não tem liberdade de se expressar. Seus representantes afirmam que, se houvesse liberdade de expressão em sala de aula, o docente não precisaria cumprir um programa de conteúdos obrigatórios. É um dos argumentos mais estúpidos que já ouvi. Em qualquer circunstância, qualquer cidadão tem sua liberdade de expressão, que é limitada por apenas leis. 

A obrigatoriedade de conteúdos não tira do professor sua liberdade de expressão. O projeto afirma que “não existe liberdade de expressão no exercício estrito da atividade docente, sob pena de ser anulada a liberdade de consciência e de crença dos estudantes, que formam, em sala de aula, uma audiência cativa”. Ele desqualifica o professor, tirando todos os elementos da sua prática.

O site do projeto cita uma pesquisa do Instituto Sensus que diz que 80% dos professores afirmam proferir discursos “politicamente engajados” em sala de aula. Essa é uma pesquisa com perguntas tendenciosas, cujos resultados não querem dizer nada. A interpretação das respostas também é extremamente tendenciosa e equivocada. 

Assim como o programa Escola sem Partido, essa pesquisa confunde partidarismo e política. Política é ação coletiva no espaço público, ou seja, falar de política não é fazer propaganda partidária. Professores devem falar com os alunos sobre o que está acontecendo no mundo, sobre a atuação deles no espaço comum. 

Ter um discurso politicamente engajado em sala de aula significa que esses professores estão formando para a cidadania. Estão formando alunos que se sintam capazes de mudar o mundo. Essa é a concepção de política com a qual a maioria dos professores trabalha.

O projeto está coberto de incoerências. Como diz o professor Fernando Penna: "é mal formulado, tendencioso e inconstitucional". Não serve para nada. Se tem algo de positivo no projeto é que, depois de arquivado, ele poderá mobilizar professores para uma discussão sobre os limites éticos da sua prática. Essa discussão deve envolver a sociedade como um todo, mas principalmente professores, o que não foi feito até agora. Nem ao longo da elaboração do projeto, nem ao longo de sua tramitação.

Como elaborar um projeto que discute a ética do professor, sem convidar essa categoria para discutir quais os critérios de sua própria atividade profissional?


































BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blogs "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



segunda-feira, 23 de maio de 2016

O golpe de fato (Por Thiago Muniz)

O que é golpe? 

É praticar violência contra algo ou alguém.

Quando a PM bate em estudantes que estão reclamando contra quem lhes roubou a merenda, por exemplo. Ou quando indígenas são trucidados com grandes quantidades de agrotóxicos em suas nascentes, compreende?

No plano político, golpe é tramar, subverter ou agir com violência, passando por cima de leis, direitos ou mandatos legitimamente conquistados. Cunha comprou deputados para votarem pelo impeachment da presidente, com a ajuda da Fiesp e outros organismos nacionais e internacionais. 

O julgamento já estava antecipado mesmo antes da denúncia ficar pronta. Isso é golpe!

Golpe é o judiciário agir contra a lei, como o seu capataz Sérgio Moro fez e continua fazendo, infringindo direitos e coagindo pessoas a praticarem delação premiada. 

A delação é ato espontâneo e não obtido através da coação sobre familiares das vítimas. Golpe é o Gilmar Mendes sentar em cima de processos contra denunciados, como Aécio, Serra e FHC e protelar "ad infinitum" a instauração dos processos, compreende? 

Bem como o Teori fazer vista grossa em relação ao mérito do impeachment e mandar prosseguir, uma vez que o rito era o que vocês tinham acertado como sendo o oficial. O rito podia estar correto, mas o mérito da ação não: pedalada fiscal não é crime. 

Dezesseis governadores estão na mesma situação e não vi até agora nenhuma ação para tratar dos respectivos impedimentos. Se a lei vale para um, porque não para todos, como assegura o mínimo estado de direito? 

Essa falta de simetria é golpe. É uma violência contra direitos constitucionais e internacionais.

Golpe, ainda, é o interino nomear ministros e iniciar um processo de desmonte da estrutura do Estado, da legislação trabalhista, retirando direitos históricos da classe trabalhadora. Isso após ter aumentado vossos salários em 70% e Cunha ter autorizado aumento semelhante para a corja instalada na Câmara.

Agir ou advogar em causa própria é golpe, fica mais claro agora?

E, para terminar, o Plano Brasil do interino, que visa aniquilar as riquezas nacionais, fatiar o Estado entre empresários, atentando violentamente contra a soberania econômica da Nação. Tudo dentro da lei, da lei da violência e da lógica golpista que ele - bem como dos congressistas, da mídia e da elite - emprega para dilapidar o país, burlar a Constituição e descer o porrete em quem reclamar.

Acho melhor mudar suas leituras matinais. Toda a grande imprensa internacional chama o atual processo em curso no Brasil de golpe. Diz o bom senso que se a maioria pensa assim, é porque suas convicções minoritárias podem não estar tão certas, percebe?

Entendeu ou precisa desenhar?

Quando o Vice-Presidente Itamar Franco ascendeu à Presidência da República após o impeachment de Collor, deparou-se com uma situação dolorosa. Seu principal aliado político e amigo pessoal, Henrique Hargreaves, ministro-chefe da Casa Civil, passou a ser acusado de várias irregularidades.

Itamar não pensou duas vezes: afastou Hargreaves - mesmo convencido de sua inocência - para que tudo fosse esclarecido. Depois de 100 dias, sem que as acusações pudessem ser confirmadas, Hargreaves foi reconduzido ao cargo. Itamar poupou o governo do imenso desgaste de acobertar um suspeito, e o ministro voltou ao posto fortalecido.

Infelizmente são raros os exemplos de transparência e respeito com a "coisa pública" em situações parecidas. Em entrevista recente à Sonia Bridi, o presidente em exercício Michel Temer respondeu a seguinte pergunta sobre eu Ministro do Planejamento, Romero Jucá:

Sônia Bridi: Apesar das críticas durante a composição do seu ministério, o senhor também nomeou um ministro investigado na Operação Lava Jato, o ministro Romero Jucá. Se ele se tornar réu, ele não terá uma situação semelhante à do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha? O senhor tomará a atitude de afastá-lo também?

Michel Temer: Você sabe que eu sou muito atento às instituições. E quando você fala em inquérito, você está falando em inquirição, em indagação, em investigação. Portanto, você disse bem, ele ainda não é réu. Primeiro ponto. Segundo ponto. O Jucá é uma figura, permita-me o elogio, ele é uma figura de uma competência administrativa extraordinária. Sobre o foco econômico, penso eu, que ninguém conhece tão bem o orçamento e as razões orçamentárias como ele. Primeiro lugar. Segundo lugar: tem uma capacidade de articulação política que é fundamental numa democracia. Até não é sem razão, já disse a ele, que ele foi líder de governo de três governos. E hoje me ajuda enormemente na tarefa de governar o país. E terceiro, eu espero, pelo menos ele tem me afirmado, com absoluta tranquilidade, que os dados que chegam aos ouvidos dele é de que, quando alguém diz alguma coisa, diz por ouvir dizer. Então nós não temos que pensar porque a pessoa é investigada que ela está, digamos assim, com uma espécie de morte civil. Não pode mais fazer nada no país, não é?"

A transcrição da conversa telefônica entre Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, expõe Michel Temer. Terá ele a disposição de manter no cargo quem, na condição de investigado pela Lava-Jato, manifestou-se claramente incomodado com a operação, a ponto de defender uma mudança de governo para "estancar a sangria"?

Ainda que não tenha dito o que disse com a intenção que parece, Jucá perdeu força na largada de seu trabalho no Ministério do Planejamento. Ainda não se sabe o que Temer vai fazer. Mas não há dúvida sobre o que Itamar faria.











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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Gilmar Mendes, o leão de chácara (Por Thiago Muniz)

Gilmar Ferreira Mendes (Diamantino, 30 de dezembro de 1955) é um jurista, magistrado, professor e ex-advogado brasileiro. É atualmente ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) desde 20 de junho de 2002, tendo presidido a corte entre 2008 e 2010.Foi indicado pelo então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em cujo governo exercera o cargo de Advogado-Geral da União desde janeiro de 2000.

Ao suspender as diligências do inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), barrou os depoimentos do parlamentar e de testemunhas, inicialmente marcados para cumprimento em 90 dias, e a coleta de evidências na documentação e arquivos apreendidos pela Operação Lava Jato que pudessem contribuir no caso. 

Na decisão que barra o avanço do inquérito e manda o pedido de apuração de volta para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para sua reavaliação, o ministro considerou não haver elementos novos que justificassem a continuação da investigação. Entre a abertura do inquérito para investigar o senador e o cancelamento das diligências foram cerca de 24 horas.

O procurador-geral havia pedido ainda à Corte autorização para obtenção e juntada aos autos de cópias de documentos da Operação Norbert, de apreensões feitas na Youssef Câmbio e Turismo, na época da deflagração do caso Banestado – – escândalo de evasão de cerca de R$ 30 bilhões do Banco do Estado do Paraná na década de 1990. Estas diligências também foram suspensas.

Uma das bases do pedido de Janot é a delação do senador cassado Delcídio Amaral (ex-PT-MS), em que ele liga Aécio Neves à suposta corrupção na estatal de energia em Furnas. A outra é a Operação Norbert, deflagrada no Rio. Na petição ao Supremo, por meio da qual pede abertura de inquérito contra o senador tucano, Janot afirmou que a investigação sobre a suspeita de corrupção ‘merece reavaliação’.

Em março de 2015, o Supremo arquivou, a pedido do próprio Janot, a investigação sobre o presidente nacional do PSDB. O procurador apontou ‘inexistência de elementos mínimos’. Naquela época, os investigadores tinham em mãos a delação premiada do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Operação Lava Jato, citando Aécio.

Delcídio Amaral disse que ‘sem dúvida’ o tucano recebeu propina em um esquema de corrupção em Furnas que, segundo o ex-líder do Governo Dilma Rousseff, era semelhante ao da Petrobrás, envolvendo inclusive as mesmas empreiteiras.

O ex-senador, cassado na semana passada por suspeita de tramar contra a Lava Jato, tem experiência no setor elétrico, conhece o ex-diretor de Engenharia de Furnas Dimas Toledo, apontado como o responsável pelo esquema de corrupção, e disse ter ouvido do próprio ex-presidente Lula, em uma viagem em 2005, que Aécio o teria procurado pedindo que Toledo continuasse na estatal.

Janot afirmou ao Supremo. “Diante do novo depoimento, colhido no bojo da colaboração celebrada por Delcídio do Amaral, no qual trata dos mesmos fatos agora, sob a perspectiva de alguém que ocupava uma posição privilegiada no que diz respeito ao conhecimento dos fatos, o quadro merece reavaliação.”

Segundo o procurador-geral, a versão apresentada por Delcídio, ‘que se agrega ao anterior relato de Alberto Youssef, mostra-se plausível’. Janot sustenta que ‘orbitam em torno de ambos os relatos alguns elementos confirmatórios’.

No documento ao Supremo, Janot cita uma denúncia do Ministério Público Federal contra o ex-diretor de Furnas Dimas Fabiano Toledo e contra Airton Antonio Daré, em 2012, perante a 2ª Vara Federal do Rio ‘por participação num esquema de arrecadação de vantagens indevidas (propinas) no âmbito de Furnas, custeadas mediante superfaturamento de obras e serviços’.

A denúncia, afirma Janot, posteriormente declinada à Justiça Estadual, ‘narra modus operandi muito semelhante ao noticiado pelos colaboradores Alberto Youssef e Delcídio do Amaral, com o pagamento de vantagens indevidas para servidores públicos e políticos no âmbito da empresa Furnas por empresas interessadas em contratar’.

“Há menção ao ex-diretor de Furnas, Dimas Fabiano Toledo. Este seria o responsável por gerenciar uma espécie de ‘fundo’ de valores ilícitos, que eram recursos disponibilizados a políticos para financiar campanhas”, aponta o procurador-geral da República.

“Ouvido no Inquérito 1835/2005 perante a Polícia Federal do Rio de Janeiro em 10 de fevereiro de 2006, Dimas Fabiano Toledo afirmou que conhece o então governador de Minas Gerais Aécio Neves e que este último ‘costumava procurar o declarante em Furnas para assuntos envolvendo os municípios onde o atual governador tinha base eleitoral’ , que ‘mantém com o sr. Aécio Cunha [pai de Aécio Neves], conselheiro de Furnas, relação de amizade, já que o avô do declarante já era companheiro de partido do avô de Aécio Cunha.”

Ao Supremo, Janot citou ainda a irmã do presidente nacional do PSDB. “A irmã de Aécio Neves, mencionada por Delcídio do Amaral e Alberto Youssef, possui (ou ao menos possuía) diversas empresas em seu nome e, na época dos fatos, mantinha inclusive empresa de factoring, criada em 1993 e que teve atividades ate 2010, conforme pesquisa na Junta Comercial de Minas Gerais.”

O procurador apontou também a Operação Norbert, que tramitou perante a Justiça Federal do Rio. Na ação, foram apreendidos ‘diversos documentos, por ordem judicial, na casa dos doleiros Christiane Puchmann e Norbert Muller’.

“Referidos documentos revelaram que diversas pessoas, valendo-se das atividades dos doleiros, criaram mecanismos de interposição de personalidade jurídica, com o intuito de manter e ocultar valores no exterior, inclusive na Suíça e no Principado de Liechtenstein, na Europa. Como fruto das referidas apurações, o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro ofereceu denuncia em face de Christine Puschmann (vúuva de Norbert Miiller) e suas filhas Christine Miiller e Ingrid Maria Miiller Lusguinos”, destacou o procurador.

O inquérito, que fazia referência à Inês Maria Neves Faria, mãe do senador Aécio Neves, foi posteriormente arquivado. De acordo com o Ministério Público Federal no Rio o arquivamento ‘alude ao fato de os valores dos depósitos no exterior serem inferiores àquele fixado pelo Banco Central como de comunicação obrigatória, além da inviabilidade de colaboração internacional [com Liechtenstein] com o fim de dar prosseguimento às investigações’.

Quando o inquérito foi aberto, o senador Aécio Neves se manifestou desta forma:

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), divulgou nota na quinta-feira, 12, e voltou a chamar de falsas as acusações feitas contra ele pelo ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) em delação premiada no âmbito da Operação Lava Jato.

“Quando uma delação é homologada pelo Supremo Tribunal Federal, como ocorreu com a delação do ex-senador Delcídio Amaral, é natural que seja feita a devida investigação sobre as declarações dadas. Trata-se de temas que já foram analisados e arquivados anteriormente”, diz o comunicado. “O senador Aécio Neves tem convicção de que, como já ocorreu no passado, as investigações irão demonstrar a falsidade das citações feitas.”

O nome do ministro do STF, Gilmar Mendes, está na lista de Furnas engavetada pelo procurador-Geral da República Rodrigo Janot há mais de um ano. A matéria a seguir foi publicada originalmente na Carta de Campinas

A famosa Lista de Furnas, que está engavetada pelor procurador Geral da República, Rodrigo Janot, há pelo menos um ano, está no centro de um escândalo que provocou o processo de Impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

Pelo menos desde 2012, sabe-se da lista e nada foi investigado até o momento. Uma das blindagens no judiciário pode estar relacionada à presença do nome do ministro do Supremo, Gilmar Mendes, como beneficiário do esquema de corrupção. Ele teria recebido pelo menos R$ 185 mil quando era da Advocacia Geral da União (AGU), durante o governo tucano de FHC. O esquema foi denunciado pela revista Carta Capital.

A lista de Furnas já foi confirmada e citada várias vezes nas delações da Lava Jato, mas não há interesse em investigá-la. Como delatou o senador Delcídio do Amaral (PT e ex-PSDB), a briga entre Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Dilma começou porque Dilma acabou com o esquema de corrupção em Furnas.

Mas não era só Cunha que recebia dinheiro de Furnas. Segundo delação da Lava Jato, Aécio Neves (PSDB) recebia um terço de toda a corrupção na empresa estatal de energia elétrica.

Parece razoável o ódio de Aécio, Cunha e Gilmar Mendes ao PT. Mesmo sendo ministro, Gilmar Mendes não esconde sua atuação política e partidária contra o PT em declarações e nos autos dos processos. Sua postura é muito diferente da do juiz Sérgio Moro, que participa de eventos tucanos, mas finge ser apartidário.

O problema de Rodrigo Janot é que, se aceitar a denúncia contra Aécio, automaticamente torna a Lista de Furnas como prova, o que colocaria Gilmar Mendes também como possível réu.

A Lista de Furnas está metodicamente organizada e foi já assunto de documentário.

Sob o enunciado “relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. Eduardo Azeredo (PSDB) foi condenado a 20 anos de prisão por corrupção.




A lista tem quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes foram réus do “mensalão” petista.

Surrealismo é o mínimo que se pode dizer da iniciativa de um ministro do STF que liga para um preso em flagrante, acusado de corrupção, em inquérito que tramita dentro do próprio STF. Mais surreal ainda é sua camaradagem “muy amiga” de dizer que vai falar com o relator do processo (Dias Toffoli), sobre o caso em tramitação na Casa. Usamos a expressão patrimonialismo para expressar a confusão que se faz da coisa pública com a coisa privada.

O patrimonialismo é pai do nepotismo, filhotismo, fisiologismo, parentismo, amiguismo e tantos ou “ismos” mais, que nossas lideranças nacionais (de todos os poderes), em geral, sabem conjugar de cor e salteado. O Brasil conta com avanços civilizatórios em muitas áreas, mas continua aos trancos e barrancos em termos institucionais. Isso decorre, sobretudo, da qualidade das lideranças nacionais, seja do mundo empresarial, seja do mundo político, seja de outros altos escalões da República.

O Brasil é um país carente de exemplaridade. Em tempos de mensalões (do PT e do PSDB), de “petrolão”, de licitações viciadas no metrô de SP e tantas outras estrepolias dos políticos brasileiros, oportuno se faz recordar que é na honra e na exemplaridade que reside a missão cívica de todo servidor público. 

Como bem enfatiza Gomá Lanzón (2009, p. 261): “O espaço público está cimentado sobre a exemplaridade, esse é seu cenário mais genuíno e próprio. A política é a arte da exemplaridade”. Para se cumprir esse mandamento, o funcionário e o político devem “predicar com o exemplo”, porque, no âmbito moral, só o exemplo “predica” de modo convincente, não as promessas, os discursos, os quais, sem a força do exemplo (e da exemplaridade), carecem de convicção, caem no vazio.







Descoberto o algorítimo do sistema de informática que sorteia
os processos de Aécio Neves no STF!


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


Fontes: STF, Carta Capital, Estadão, Folha de São Paulo


segunda-feira, 16 de maio de 2016

Nada a Temer... (Por Thiago Muniz)

Sobre a entrevista de Temer: perguntas surpreendentemente pertinentes e o previsível do entrevistado: recusou-se a admitir que afastará o amigão Jucá mesmo se o elemento se enrolar ainda mais na Justiça, poupou o parceiro Cunha, falou das mulheres escanteadas como o "mundo feminino" (aquela visão anos 70)... Aliás, como prova de valorização da mulher disse que sua chefe de gabinete "até" participou da primeira reunião do Ministério.

O detalhe hilariante foi argumentar que a posse é legítima por ter sido eleito na mesma chapa de Dilma, mas tirou o corpo fora quando se aventou a possibilidade de a chapa ser impugnada no TSE. Aí, na interpretação do constitucionalista, vale o cada um por si. Resumo da ópera: não tem marketeiro que resolva. Questão de meses, poucos. PS: em Moema, talvez o bairro mais reacionário de SP, obviamente não houve panelaço. Mas surpreendentes buzinadas quebraram o silêncio.

O grande crime perpetrado contra nosso povo, porque é ideário dos que governam o mundo, é tornar OBRIGATÓRIA a filiação partidária para se eleger. Numa democracia real, os candidatos devem surgir de todos os grupos das mais variadas matizes (grupos de padeiros, cientistas, educadores, músicos, tenistas, botânicos, empacotadores e por aí vai...), assim os partidos e as empresas seriam apenas mais algum grupo. 

Ocorre que em nossa realidade eles não são mais um grupo, pois apenas as empresas, que usam os partidos para camuflarem seus interesses, têm o poder absoluto de colocar comandados nos cargos eletivos, fazendo parecer que a escolha do candidato é feita pelo partido, o qual foi desgraçadamente consagrado como portador de uma "ideologia de representação popular". Tudo com guarida na Constituição de 1988, Art. 14, parágrafo 3º, inciso V. 

Quando o ideário de conceder acesso ao poder a candidatos escolhidos pelo povo estiver consolidado em sua imensa maioria, nos livraremos dos grilhões dos donos do mundo. A propaganda resultante desse processo nefasto, pelo controle absoluto da mídia, e o discurso melífluo dos facínoras a serviço dos dominadores é que fazem a imensa maioria dos habitantes da Terra se esquecerem que são mais de 7 bilhões de indivíduos contra alguns milhões desses criminosos. 

Por isso a necessidade que eles têm de simular fraudulentamente um cenário onde todos devem acreditar que um presidente governa, os parlamentares nos defendem e somos nós que escolhemos tudo isso.

Tinha muita socialite a favor de Temer e agora mostra que no governo dele não tem espaço para o sexo feminino. E o pior é que elas concordam com essa falta de espaço, acham que se deve privilegiar a capacidade sem olhar o gênero. 

Acho que nunca trabalharam e vivem às custas de um homem ou não convivem com mulheres capacitadas, ou são ignorantes mesmo. 

Pra que serve o meu diploma, minha especialização? Quem tem filha mulher então deve pensar em mandá-la para o exterior porque aqui não serão valorizadas ou investir pesado no visual e encaminhá-la para um bom casamento (golpe do baú talvez).

Temer fala em "pacificação do Brasil", mas com paz só para os mesmos de sempre. A esta tentativa de retorno ao arcaico "Ordem e Progresso", negros e negras levantaram cartazes diante da FIESP, a "Casa Grande Moderna". Em um deles, a resposta: "Se a paz não for para todos, ela não será para ninguém".

A imagem do Ministério de Temer produz estranhamento. É como um retrato que já nasce amarelado. Só brancos, só velhos, só homens. Nenhuma mulher, nenhum negro. Esse retrato é uma imagem poderosa porque não representa o Brasil atual.



Quatro polêmicas que marcaram os primeiros dias do governo Temer 

(Fonte BBC)

1. Falta de diversidade

Com a posse de Temer, é a primeira vez desde 1979, quando o país ainda era governado pelo general Ernesto Geisel, que somente homens formam o gabinete de um presidente.

A decisão de se rodear por auxiliares apenas do sexo masculino provocou fortes críticas ao peemedebista. Isso também representa uma quebra de paradigma quando comparado com o governo de Dilma, que, além de ser a primeira presidente mulher do país, nomeou 15 ministras ao longo de seus dois mandatos.

Questionado sobre a ausência de mulheres, o novo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que "tentamos de várias formas, na parte que dizia respeito à disponibilidade, em várias funções, tentamos encontrar mulheres".

2. Nomeações polêmicas

No primeiro dia como presidente interino, Temer nomeou políticos sob suspeita para cargos-chave em sua gestão.

Dos 23 ministros escolhidos pelo peemedebista, pelo menos cinco tiveram seus nomes ligados à Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobras. Todos negam as acusações – e a grande maioria deles não é oficialmente investigada.

O único que já teve abertura de inquérito aceita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) é o titular do Planejamento, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele é acusado de receber propina em obras da Petrobras e da Eletronuclear.

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), do Turismo, foi citado pelo Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS, como beneficiário do esquema. Ele é alvo de dois pedidos de investigação feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ambos ainda não obtiveram aval do STF para prosseguir.

O ministro de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), foi ligado à Lava Jato pela mesma OAS. Ex-vice-presidente da Caixa, ele foi citado em mensagens sobre a liberação de recursos do banco à empreiteira.

Os peemedebistas Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretário do Programa Crescer, de parcerias e investimentos) também foram mencionados por delatores.

Há outros ministros que aparecem em planilhas sobre supostos financiamentos apreendidas pela Polícia Federal na casa de um ex-executivo da Odebrecht. Ainda não é possível saber, porém, se tal documento se referia a doações eleitorais legais ou não.

3. Aumento de impostos

Em sua primeira entrevista como ministro da Fazenda, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles falou sobre a necessidade de aumentar impostos.

Segundo ele, o novo governo deve anunciar medidas "duras" para reverter a tendência de crescimento da dívida pública, que considerou "insustentável".

"O Congresso reflete a sociedade, e a sociedade está amadurecida para medidas de ajuste importantes. O que não é possível é continuar como está", afirmou na última sexta-feira.

"O país está aguardando uma mudança no itinerário da economia. Existe uma demanda da sociedade para uma reversão na trajetória da economia, do emprego e da renda", acrescentou.

Meirelles também cogitou adotar tributos temporários, como a volta da CPMF (imposto sobre transações bancárias), medida que já era defendida pelo governo Dilma.

O objetivo, segundo ele, é equilibrar a dívida pública.

"Em relação à CPMF, o princípio é o seguinte: O nível tributário no Brasil é elevado. Para que a economia volte a crescer de forma sustentável é importante diminuirmos o nível da tributação da sociedade, mas a prioridade hoje é o equilíbrio fiscal. Caso seja necessário um tributo, ele será aplicado, mas de modo temporário", afirmou.

Meirelles também defendeu mudanças na Previdência Social, principalmente no regime de aposentadores e afirmou que "direitos adquiridos" devem ser respeitados, mas não devem prevalecer sobre a Constituição.

Um dos maiores defensores do impeachment de Dilma, o deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) atacou o plano em nota divulgada pela Força Sindical, central que comanda. Ele classificou algumas ideias do ministro, como a de instituir uma idade mínima para as aposentadorias, como "estapafúrdias".

4. Exclusão de ministérios

Para atender a críticas de que havia um excesso de ministérios no Brasil, o presidente interino reduziu o número de pastas de 32 para 23.

A economia provocada por essa medida, porém, será simbólica. Isso porque funcionários públicos e órgãos ligados aos ministérios extintos serão colocados sob o chapéu das pastas que ficaram, algumas delas agora com superpoderes.

Artistas, por exemplo, já se manifestaram contra a extinção do Ministério da Cultura (MinC), que foi mesclado com o da Educação.

A associação Procure Saber, que tem entre seus integrantes Caetano Veloso e Gilberto Gil, e o Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música, que inclui músicos como Ivan Lins e Fernanda Abreu, divulgaram uma carta aberta conjunta a Temer pedindo a revisão da mudança.

"Se o MinC perde seu status e fica submetido a um ministério que tem outra centralidade, que, aliás, não é fácil de ser atendida, corre-se o risco de jogar fora toda uma expertise que se desenvolveu nele", diz o texto.

Em artigo escrito para o jornal O Globo, Caetano criticou pessoalmente o fim da pasta, que definiu como "ato retrógrado".

Movimentos sociais também não gostaram nada de ver a pasta de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos ser agregada à da Justiça e Cidadania.

Também houve crítica de especialistas ao fim da CGU (Controladoria-Geral da União), órgão responsável, entre outras coisas, por fiscalizar o governo federal. Eles veem riscos à independência e possíveis ameaças ao combate à corrupção no país.

O órgão, cujo chefe tinha status de ministro, agora integra o novo Ministério da Fiscalização, Transparência e Controle.













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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

O fim da democracia no Brasil (Por Thiago Muniz)

"Aos brasileiros que se opõem ao golpe, mantenham-se mobilizados" (Dilma Rousseff)

É lamentável a crise instaurada pela Política suja no Brasil. Derruba-se um governo eleito pelo povo. Instala-se um governo eleito por corruptos, hipócritas, usurpadores e egoístas. Não há razão para rir quando quem perde é o Brasil.

Impeachment POLÍTICO!

12/05/2016: Dia triste para o Brasil. Mesmo quem hoje está rindo, soltando fogos, ainda vai se dar conta disso –a não ser que seja cúmplice ou tenha a ganhar pessoalmente com o governo ilegítimo que hoje se instala, esperamos que interinamente.
O capitalismo global, capitaneado pelos Estados Unidos, não tolera nenhum experimento político-social que escape de suas mãos.

Os Estados Unidos, capitaneando essa globalização, impedem por todos os meios qualquer iniciativa que possa questionar sua hegemonia. 

Isso pela simples razão de ser potência dominante que pretende continuar sua supremacia, pois necessita da América Latina como um território vital [fonte de matérias-primas indispensáveis, de petróleo, de água doce, de mão de obra barata para levar ali muita indústria de montagem, como mercado para seus produtos, entre outros benefícios]. 

As oligarquias nativas, articuladas a esse projeto capitalista, fazem as vezes de aliados táticos nessa dominação; daí que todas reagem por igual ante estes governos "incômodos", com perfil populista.

27 anos de democracia foram hoje jogados no lixo por uma oposição que, fracassada há quatro eleições nas urnas, decidiu ignorá-las.

Mas a luta não acabou - e se há algo que posso garantir é que continuarei a combater este "governo" ilegítimo até o fim. Se há uma coisa que me orgulho de ter é coerência - ao contrário do outro lado, que protestou quando Lula foi nomeado ministro e agora acha lindo Temer ter colocado seis indiciados na Lava Jato em ministérios que lhes conferem foro privilegiado. E um detalhe fundamental: Lula nem era indiciado. Seu crime, muito maior, era ser o Lula.

Aliás, a narrativa do "governo" Temer começa a se tornar cada mais vez óbvia: pela primeira vez desde o governo Geisel, não há UMA única mulher ministra. Tampouco há negros. Mas há, além dos indiciados na Lava Jato, o inevitável Serra no Comércio Exterior - um posto perfeito para quem já havia se encarregado de apresentar projeto para abrir o pré-sal pros estrangeiros e agora poderá negociá-lo diretamente.

Seja como for, numa dessas coincidências que julgo curiosas, quando o golpe anterior ocorreu, em 1964, havia dois filmes brasileiros na mostra competitiva de Cannes: Vidas Secas e Deus e o Diabo na Terra do Sol. Pois este ano não só temos o próprio filho de Glauber Rocha exibindo um doc sobre o Cinema Novo na Quinzena dos Realizadores como ainda teremos o brasileiro Aquarius na competição.

E deixem que os golpistas sigam com suas provocações imaturas de "Chola mais", "Aceita que dói menos" e "Tchau, querida". Firmes no lado errado da História, só resta a eles a "retórica" de um pré-adolescente. O que não sabem é que quem é movido por uma ideologia não aceita golpe e não perde tempo chorando: a luta, como sempre, continua.

Ladrão julgando ladrão e ainda usando o nome de DEUS em vão. Homens corruptos, sem moral e sem caráter representando o povo brasileiro. O povo brasileiro precisa aprender a eleger seus representantes ou seremos sempre espectadores desse circo de horrores e marionetes nas mãos de inescrupulosos que se perpetuam no poder através do voto e manobras políticas.

Sem vencer nenhuma eleição para Presidência da República em seus 50 anos de história, o PMDB assumirá o cargo pela terceira vez em pouco mais de 30 anos. Com a confirmada ascensão de Michel Temer, o partido passa a ter "100% de aproveitamento" de seus três vices, que chegaram à Presidência.

O primeiro governo federal do PMDB se iniciou em 1985, com José Sarney. Ele assumiu a Presidência por causa da morte de Tancredo Neves, também peemedebista, que venceu a eleição indireta em janeiro daquele ano, mas adoeceu e morreu antes mesmo de tomar posse.

Sarney, porém, não tinha nenhum histórico no PMDB e se filiou em agosto de 1984, deixando o PDS num acordo com setores mais conservadores para poder concorrer como vice de Tancredo.

O segundo presidente peemedebista também se filiou em cima da hora. Itamar Franco assinou ficha em maio de 1992, quando o governo Collor já enfrentava uma grave crise de popularidade. Itamar foi eleito pelo PRN, junto com Collor, mas deixou o partido após uma reforma ministerial feita em abril daquele ano. Em 2 de outubro, assumiu como presidente interino após abertura de processo de impeachment --que viria a ser aprovado em dezembro.

Michel Temer classificou as pedalas fiscais como "artifícios contábeis" para resolver um problema em um momento de dificuldade. "Este crime de responsabilidade não ocorreu, e se tivesse ocorrido teria ocorrido em 16 estados brasileiros, inclusive no estado do relator, o senador Antonio Anastasia.

Uma pergunta que não quer calar: cai uma presidente mulher, ou "presidenta", como ela gosta, e não entra nenhuma mulher no primeiro escalão do governo interino do vice Michel Temer.

Novo Brasil nasce com 1 presidente ficha suja. 7 investigados da Lava Jato colocados nos Ministérios. (para obter foro privilegiado). DEM E PSDB como base aliada. Nenhuma mulher e nenhum negro em cargos Ministeriais. E uma parte da população que dizia que estava lutando contra a corrupção, mas parece que era só contra as do PT.

Você sabia que a FIESP, um dos grandes apoiadores do impeachment (que fez doações violentas de grana), é a favor do fim da CLT, do 13o salário e das férias?

Você sabia que SETE investigados na Lava Jato serão nomeados ministros e, por isso, terão foro privilegiado?

Você sabia que uma das prioridades do Temer é a reforma da previdência e os beneficiários (ou seja, você daqui uns anos) poderão receber menos que o salário mínimo no futuro?

Você sabia que, entre os ministros, não há uma mulher ou negro? O primeiro governo sem mulheres desde o fim da ditadura.

Você sabia que o Temer é investigado por corrupção - coisa que Dilma nunca foi? E que por ser ficha-suja, é inelegível?

Que o Alckmin (aquele que curte atrasar obra de metrô e mandar a PM bater em geral) deve 333 milhões por pedaladas fiscais - mas seu impeachment nunca foi cogitado?

E que o Ministro da Justiça é o Secretário de segurança do Alckmin, cuja truculência e falta de abertura para diálogos já foi escancarada?

Não comemorem, queridos. Essa lista acima ainda é muito maior. É como falaram por aí: Dilma não perde. Quem perde é a gente, que não tem conta na Suíça nem no Panamá.





















Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar

(Chico Buarque)





BIO

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Fora Temer (Por Thiago Muniz)

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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Um golpe na democracia brasileira (Por Thiago Muniz)

O espetáculo grotesco oferecido pela Câmara Federal expõe à saciedade quão imperiosa é a reforma, profunda, do sistema eleitoral que a produziu. Mas como esperar que nossos parlamentares livrem a legislação das mazelas e vícios que garantem a reprodução de seus mandatos? Pois essa Câmara abriu o processo de impeachment.

Uma Casa de maioria hegemonizada por um agrupamento de acusados, presidida por um parlamentar consabidamente desonesto, no comando de um processo de cassação de uma presidenta consabidamente honesta. E, se esse processo tiver curso no Senado, há risco de vermos uma presidenta legitimamente eleita por 54,5 milhões de votos ser substituída por um vice perjuro, sem um só voto.

O parlamentarismo e o presidencialismo conhecem fórmulas distintas de substituição do chefe do governo. Nos regimes de gabinete há o voto de desconfiança que destitui o primeiro-ministro (e o gabinete) sempre que este se encontre em minoria parlamentar. É ato tipicamente político.

No parlamentarismo, o presidente é geralmente eleito pelo voto popular (França, Portugal, Itália, por exemplo) e cabe-lhe simplesmente as funções de chefe de Estado e em alguns casos o comando da política externa. Nas monarquias parlamentares (Inglaterra, por exemplo), o “rei reina, mas não governa”. As funções de governo e de Chefe de Estado são atribuições do primeiro-ministro, eleito pelo Parlamento, expressão do poder popular.

No presidencialismo há apenas duas formas de mudança do presidente, a clássica, do golpe de estado clássico (com violência ou não) e a constitucional, via impeachment, nas hipóteses previstas pela constituição. Quando esse se processa sem o atendimento à prescrição constitucional, volta-se para a primeira hipótese e para a classificação de golpe de Estado. É o caso atual.

A acusação à presidente – na peça vestibular, na Comissão, no Plenário da Câmara, na Comissão do Senado – não conseguiu indicar uma só hipótese de crime de responsabilidade, e não foi por deslize administrativo que ela está sendo punida, mas por haver perdido maioria no Congresso e isso é uma violência inominável no leito do presidencialismo.

Trata-se, pois, de ato político, estritamente político-partidário, aliás revelado à saciedade nos votos esdrúxulos do 17 de abril, um infindável desenrolar de queixas, queixumes e mágoas ao lado de um vazio de acusações objetivas. Eis o golpe e, para essa configuração, é irrelevante se o agente foi o Congresso ou um destacamento militar.

Independentemente do desfecho imediato da crise política, permanecerá intocada a fratura exposta da crise de legitimidade que corrói os poderes da República, e ameaça a democracia representativa, qual a praticamos, reclamando a reorganização política do País. O Estado de hoje não mais atende às necessidades de nosso desenvolvimento e da complexidade que caracteriza a mudança social em andamento.

A crise política é o anúncio de um fim de ciclo e indica, no horizonte, o novo ciclo que se está costurando nos escaninhos insondáveis do processo histórico. Aos movimentos sociais cabe preparar-se para uma longa e dura jornada de lutas em defesa dos direitos trabalhistas e sociais e da soberania nacional. Afinal, o que está em jogo é o Brasil das próximas décadas.





























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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Trocar o presidente não será a solução dos problemas (Por Thiago Muniz)

O brasileiro de um modo geral tem essa coisa de olhar para o cargo da presidência como a solução e a causa de todos os problemas do país.

Com um Congresso do nível desse que se viu no dia da votação do impeachment, somado a um Senado, são quase 600 pessoas barganhando aprovação ou vetos de projetos, mas o cidadão comum teima em se iludir que a vitória do seu candidato a presidente, ou a saída do que foi eleito (se não foi o que ele votou) é o X da questão, e com isso acaba ignorando todo um complexo sistema.

É risível ver as pessoas falando - "partido X acabou com o país" - porque antes do PT virar governo a miséria era maior, o desemprego era maior, as taxas de juros eram maiores, o país teve de racionar energia e a população era menor, sem falar na inflação que a ditadura militar deixou de herança anteriormente, porém, o foco aqui não é defender um governo cheio de falhas que, entre outras coisas, também está pagando o preço por ter se acomodado no sistema viciado dos anteriores ao invés de brigar pelas reformas necessárias, nem que para isso fosse necessário abrir um canal de diálogo com a população para pressionar a má vontade do Congresso ao invés de aderir ao joguinho de toma lá, dá cá.

Mas deixando de lado as questões de governabilidade, que em um sistema que não é parlamentarista não justifica a troca do Chefe de Estado, analisemos então a legalidade desse impeachment.

Um corrupto na condição de Presidente da Câmara aceita um processo em calar retaliação pelo fato do partido do governo ter se recusado a votar em sua causa no Conselho de Ética.

O vice presidente da República orquestra seu partido para abandonarem a base, mas ele próprio não o faz, conspirando assim para assumir a cadeira, sendo que assinou as mesmas pedaladas que servem de acusação para o processo da Presidente.

Mais 16 governadores e sabe-se lá quantos prefeitos praticaram as mesmas pedaladas, assim como os Presidentes anteriores, e isso nunca destituiu ninguém, mas agora pode seletivamente derrubar uma presidente que em meio a um cenário de corruptos não tem uma acusação de enriquecimento ilícito pesando sobre si.

Se isso que tem cheiro de golpe, cara de golpe, enredo de golpe e é visto no mundo inteiro como golpe não se trata de um golpe, então é o que? A salvação do Brasil pelas mãos de Temer e Cunha? Alguém acredita que esses caras querem salvar alguma coisa além da própria pele? Ou acreditam que vão "derrubar um por um" até que se encontre o governante ideal?

Por mais que não se aprove um governo, é impossível não notar a incoerência dessa manobra antidemocrática diante do mínimo de informação.

Além de tudo é preciso que se diga (e a grande mídia criminosa não o faz) que o pedido patético de impeachment feito por uma surtada e ex-cargo de confiança no governo FHC e um integralista (Fascista) é baseado nas chamadas pedaladas fiscais.

Não é com base na Lava Jato (que também não daria base ao pedido de impedimento da Presidenta). Pedalada fiscal não configura crime de responsabilidade. E, se configurasse, Temer e mais 17 governadores também o fizeram, incluindo Geraldo Alckmin e o relator da comissão do golpe no Senado, o lacaio de Aécio Neves.

As pessoas sequer conhecem o teor do Art 85 da Constituição Federal de 1988 e a lei 1079/50 e falam exatamente o que a mídia sonegadora de 615 milhões e notificada 766 vezes manda.

É golpe pois não há crime de responsabilidade. Qualquer giárdia leiga que tenha lido o referido artigo e a referida lei percebe isso. É golpe pois o que está em jogo não é a luta contra a corrupção. Se fosse, o grito em todo o território nacional seria FORA CUNHA e não fora Dilma. é apenas uma articulação dos bandidos liderados por Eduardo Cunha, apoiados por fascistas como Bolsonaro e aplaudidos por analfabetos funcionais.

Um eventual governo Temer é ilegítimo pois não nasceu das urnas e nem de um processo lícito, legal, honesto. Terá nascido de um golpe contra a democracia e reconhecer isso não faz de ninguém um defensor do Governo (só midiotas pensam assim). Eu, por exemplo sou de oposição ao Governo Dilma por algumas razões:

- Não aprofundou a reforma agrária;
- Não regulamentou a mídia;
- Não implementou o imposto sobre grandes fortunas;
- Não auditou a dívida interna;
- Se descolou dos Movimentos Sociais, governando para o criminoso mercado;
- Sancionou o AI-6, a tal lei anti-terrorismo.

Dessa maneira, um possível governo Temer será o caos para o trabalhador, com perdas de direitos trabalhistas, perda de liberdades, fortalecimento do racismo, machismo, homofobia, misoginia, aumento da favelização, da miséria, da fome e, consequentemente, da violência. 

Só será bom para os 367 bandidos da Câmara e para os cúmplices que os apoiam.











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