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sexta-feira, 23 de junho de 2017

A lata do lixo da história encheu rápido (Por Roberto Sander)

Após um ano do golpe que levou ao poder o grupo político mais corrupto da história do Brasil, confesso que sinto minha alma lavada. Por um lado é decepcionante ver o nosso país, depois de 13 anos de governo progressista (apesar de todos os percalços), ainda dominado pelo pior tipo de gente, sempre a serviço dos interesses mais escusos, mais antipopulares. 

Um grupo, como se sabe, que tem como objetivo apenas servir a plutocracia, ao mercado financeiro e as grandes corporações industriais.

Mas, por outro lado, mais rápido do que se imaginava, toda essa gente está sendo desmascarada. Apesar da resistência do STF em mandar prender de vez Aécio Neves, o grande mentor de toda essa desfaçatez, só a sua desconstrução como político, a sua total desmoralização - que traz a reboque a também desmoralização de todos os seus seguidores, aqueles que batiam a mão no peito para dizer que queriam um novo Brasil, livre da corrupção - já é motivo de satisfação para os espíritos democratas. Temer, o traidor, também é um fantasma político, vagando na presidência sem qualquer respaldo, sem mais capacidade sequer de entregar as reformas da morte que prometeu.

Enquanto isso, as grandes vítimas desse processo, apesar de todas as tentativas de ligá-los a esquemas de corrupção, seguem andando de cabeça erguida, sem nenhuma prova, pelo menos por enquanto, que possa incriminá-los.

Desmoralizado também está o juiz Sérgio Moro que, além de ter dado mais um tiro no pé, mostrando-se conivente com a corrupção ao inocentar as esbanjadoras de dinheiro de propina Cláudia Cruz e Adriana Ancelmo, teve agora o baque de ver, esfregado em suas fuças, o documento que comprova, de uma vez por todas, que o triplex do Guarujá nunca poderia ter sido cedido pela OAS ao presidente Lula.

Léo Pinheiro simplesmente não tinha como ter dado o apartamento a Lula sem ter depositado o valor correspondente ao imóvel em uma conta da Caixa Econômica Federal, que é na realidade quem possui, desde 2010, os direitos econômicos e financeiros sobre o tal triplex. A revelação desmontou a denúncia do Ministério Público Federal, que sustentava, apenas com base na delação de Pinheiro, que Lula era o dono oculto do imóvel.

Pois ter resistido a esse processo de demonização do PT e dos seus principais líderes me custou algumas inimizades. Inimizades de pessoas que tinha em alta conta e que nunca imaginei que fossem tão intolerantes e reacionárias. Fui chamado de petista (como se isso fosse uma grande ofensa), de ingênuo, de defensor de corrupto, de escrevinhador de bobagens, etc.

Mas como sempre tive absoluta convicção de que estava do lado certo - ou seja, do lado da Justiça, da legalidade e da democracia - que jamais deixei de resistir, de argumentar e, assim, de evitar o confronto.

Confesso que todo esse processo me enriqueceu bastante. Pude conhecer melhor as pessoas e ver a diferença que existe entre o "gente boa" e o "cidadão". O só "gente boa" é aquele que, na hora H, se deixa levar pelo lugar comum, pelo o que o sistema determina, sem nada questionar, sem de nada desconfiar. O "cidadão", ao contrário, é aquele que resiste, que não se curva diante das unanimidades, que tem como norte o que é legal, no sentido mais amplo da palavra.

Era amigo de muito "gente boa". Não sei se sou mais. Andam encolhidos, envergonhados, ressentidos, como se tivesse feito algum mal a eles por sempre apontar as suas contradições que agora estão mais do que escancaradas. E ao invés de uma autocrítica, de um reconhecimento de que se enganaram, se fazem de desentendidos e fogem do debate. 

Embora lamente, acho graça. Não deixa de ser divertido ver toda aquela empáfia de dono da verdade, de arauto da moralidade, reduzida a pó.

Difícil ainda prever o que acontecerá no nosso país. No entanto, seja lá o que vier, acredito que saímos dessa fortalecidos. A vitória da oposição na votação do senado - simbolizada por este grande político que se chama Paulo Paim - fez o projeto da reforma trabalhista empacar e trouxe um alento para quem via seus direitos serem tomados sem dó nem piedade.

De toda maneira, já sabemos que a lata de lixo da história chegou rapidinho para os três personagens que, a meu ver, simbolizaram esse momento em que se tentou (e ainda tenta) jogar o Brasil nas trevas: Sérgio Moro, Michel Temer e Aécio Neves. E Cunha, Cabral & Cia? Estes, embora também nefastos, são apenas coadjuvantes.






sexta-feira, 17 de junho de 2016

O dono do helicóptero com cocaína, agora no Ministério (Por Thiago Muniz)

É cocada boa, ou não é
É cocada boa
É cocada boa, ou não é
É cocada boa

O delegado da área, já mandou averiguar
O que é que tem nessa cocada
Que tá todo mundo querendo provar
Houve uma diligência só para experimentar
Eles provaram da cocada e disseram doutor deixa isso pra lá

(Bezerra da Silva)

O governo interino e golpista não cansa de surpreender. O dono do helicóptero apreendido pela Polícia Federal em 2013 com meia tonelada de pasta base de cocaína foi nomeado para comandar a Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor do Ministério do Esporte. Gustavo Henrique Perrela Amaral Costa é filho do senador Zezé Perrela (PTB/MG), ex-presidente do Cruzeiro.

Interessante ver que no Brasil não há problemas em ter um helicóptero com meia tonelada de pasta base de cocaína apreendido e depois ser chamado para ser Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor!

Que carreira linda!

Essa não é a única nomeação que chama a atenção na pasta comandada por Leonardo Picciani (PMDB/RJ). Conhecido como Vandinho Pitbull, o filho do falecido cantor Wando é assessor especial do ministério. Ele já foi condenado na Justiça do Rio de Janeiro por porte ilegal de armas, de drogas e por dupla tentativa de homicídio.

Agora a justiça condena uma mãe por comprar remédios a base de canabidiol para o filho doente, afinal estamos em "guerra" contra as drogas. Dois pesos e duas medidas.

Eu tenha pena de quem bateu panela, e foram pedir impeachment '''contra a corrupção'', que bem sabemos que não era contra a corrupção e sim contra PT, mas vocês acharam mais bonitinho fazer esse discurso. Agora aguentem.

Para integrar o ministério do Temer.
Currículo : Nome na lista de propina das empreiteiras ou ficha criminosa.
Sem estes dados será reprovado!

Avante Brasil!














BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

O golpe de fato (Por Thiago Muniz)

O que é golpe? 

É praticar violência contra algo ou alguém.

Quando a PM bate em estudantes que estão reclamando contra quem lhes roubou a merenda, por exemplo. Ou quando indígenas são trucidados com grandes quantidades de agrotóxicos em suas nascentes, compreende?

No plano político, golpe é tramar, subverter ou agir com violência, passando por cima de leis, direitos ou mandatos legitimamente conquistados. Cunha comprou deputados para votarem pelo impeachment da presidente, com a ajuda da Fiesp e outros organismos nacionais e internacionais. 

O julgamento já estava antecipado mesmo antes da denúncia ficar pronta. Isso é golpe!

Golpe é o judiciário agir contra a lei, como o seu capataz Sérgio Moro fez e continua fazendo, infringindo direitos e coagindo pessoas a praticarem delação premiada. 

A delação é ato espontâneo e não obtido através da coação sobre familiares das vítimas. Golpe é o Gilmar Mendes sentar em cima de processos contra denunciados, como Aécio, Serra e FHC e protelar "ad infinitum" a instauração dos processos, compreende? 

Bem como o Teori fazer vista grossa em relação ao mérito do impeachment e mandar prosseguir, uma vez que o rito era o que vocês tinham acertado como sendo o oficial. O rito podia estar correto, mas o mérito da ação não: pedalada fiscal não é crime. 

Dezesseis governadores estão na mesma situação e não vi até agora nenhuma ação para tratar dos respectivos impedimentos. Se a lei vale para um, porque não para todos, como assegura o mínimo estado de direito? 

Essa falta de simetria é golpe. É uma violência contra direitos constitucionais e internacionais.

Golpe, ainda, é o interino nomear ministros e iniciar um processo de desmonte da estrutura do Estado, da legislação trabalhista, retirando direitos históricos da classe trabalhadora. Isso após ter aumentado vossos salários em 70% e Cunha ter autorizado aumento semelhante para a corja instalada na Câmara.

Agir ou advogar em causa própria é golpe, fica mais claro agora?

E, para terminar, o Plano Brasil do interino, que visa aniquilar as riquezas nacionais, fatiar o Estado entre empresários, atentando violentamente contra a soberania econômica da Nação. Tudo dentro da lei, da lei da violência e da lógica golpista que ele - bem como dos congressistas, da mídia e da elite - emprega para dilapidar o país, burlar a Constituição e descer o porrete em quem reclamar.

Acho melhor mudar suas leituras matinais. Toda a grande imprensa internacional chama o atual processo em curso no Brasil de golpe. Diz o bom senso que se a maioria pensa assim, é porque suas convicções minoritárias podem não estar tão certas, percebe?

Entendeu ou precisa desenhar?

Quando o Vice-Presidente Itamar Franco ascendeu à Presidência da República após o impeachment de Collor, deparou-se com uma situação dolorosa. Seu principal aliado político e amigo pessoal, Henrique Hargreaves, ministro-chefe da Casa Civil, passou a ser acusado de várias irregularidades.

Itamar não pensou duas vezes: afastou Hargreaves - mesmo convencido de sua inocência - para que tudo fosse esclarecido. Depois de 100 dias, sem que as acusações pudessem ser confirmadas, Hargreaves foi reconduzido ao cargo. Itamar poupou o governo do imenso desgaste de acobertar um suspeito, e o ministro voltou ao posto fortalecido.

Infelizmente são raros os exemplos de transparência e respeito com a "coisa pública" em situações parecidas. Em entrevista recente à Sonia Bridi, o presidente em exercício Michel Temer respondeu a seguinte pergunta sobre eu Ministro do Planejamento, Romero Jucá:

Sônia Bridi: Apesar das críticas durante a composição do seu ministério, o senhor também nomeou um ministro investigado na Operação Lava Jato, o ministro Romero Jucá. Se ele se tornar réu, ele não terá uma situação semelhante à do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha? O senhor tomará a atitude de afastá-lo também?

Michel Temer: Você sabe que eu sou muito atento às instituições. E quando você fala em inquérito, você está falando em inquirição, em indagação, em investigação. Portanto, você disse bem, ele ainda não é réu. Primeiro ponto. Segundo ponto. O Jucá é uma figura, permita-me o elogio, ele é uma figura de uma competência administrativa extraordinária. Sobre o foco econômico, penso eu, que ninguém conhece tão bem o orçamento e as razões orçamentárias como ele. Primeiro lugar. Segundo lugar: tem uma capacidade de articulação política que é fundamental numa democracia. Até não é sem razão, já disse a ele, que ele foi líder de governo de três governos. E hoje me ajuda enormemente na tarefa de governar o país. E terceiro, eu espero, pelo menos ele tem me afirmado, com absoluta tranquilidade, que os dados que chegam aos ouvidos dele é de que, quando alguém diz alguma coisa, diz por ouvir dizer. Então nós não temos que pensar porque a pessoa é investigada que ela está, digamos assim, com uma espécie de morte civil. Não pode mais fazer nada no país, não é?"

A transcrição da conversa telefônica entre Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, expõe Michel Temer. Terá ele a disposição de manter no cargo quem, na condição de investigado pela Lava-Jato, manifestou-se claramente incomodado com a operação, a ponto de defender uma mudança de governo para "estancar a sangria"?

Ainda que não tenha dito o que disse com a intenção que parece, Jucá perdeu força na largada de seu trabalho no Ministério do Planejamento. Ainda não se sabe o que Temer vai fazer. Mas não há dúvida sobre o que Itamar faria.











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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ok! Fizeram o Impeachment! E agora? (Por Thiago Muniz)

Ok! Fizeram o espetáculo no Congresso e logo depois no Senado, mas e agora?

O que o “Novo Governo” irá fazer para conter os ânimos dos Congressistas que tiraram Dilma Rousseff do poder?

Com apenas uma semana de existência, a gestão do presidente interino Michel Temer (PMDB) já coleciona críticas e grande insatisfação popular. Temer também não titubeou ao nomear para o seu ministério nomes envolvidos em escândalos de corrupção.

Sete ministros investigados na Laja-Jato, Líder do Governo investigado por tentativa de assassinato, Presidente Interino inelegível por 8 anos e batem no pé que não é golpe.

A linhas do governo interino foram se desenhando logo nas primeiras horas de Temer como chefe do Poder Executivo federal e, dia após dia, uma nova medida ou anúncio gerou ainda mais instabilidade para um governo – considerado por setores ilegítimo – que corre contra o tempo para mostrar serviço antes do julgamento final, pelo Senado, do afastamento definitivo ou não da presidente Dilma Rousseff, que pode retomar o mandato. Tudo isso em meio a uma série de manifestações populares que continuam tomando as ruas de diversas cidades no Brasil pedindo o “Fora, Temer”.

Até que ponto Michel Temer conseguirá seguras os ímpetos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Sim, Eduardo Cunha trabalha nos bastidores sim, não está ativo no Congresso, mas continua mandando e comandando o baixo clero.

O baixo clero foi aquele mesmo grupo de deputados que fizeram aquela palhaçada de “pela família, pela Bíblia, pela vovó Kikinha, pelo torturador Ulstra, pelo prefeito de Montes Claros” e por aí vai; é um grupo de congressistas que se vendem pela melhor oferta, não importa qual lado defenderão, o que importa para eles é "o que “ganharão em troca” e nada mais.

Acredito que a fatura será alta e não será muito fácil como eles esperam aprovar as medidas que eles almejam.

O Centrão é um grupo fisiológico que age conforme o vento governista, mas que ganhou força desde que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a comandá-lo há cerca de quatro anos. Este é o novo Centrão da Câmara dos Deputados. Formado por uma lista de 13 partidos conservadores que vai do PP ao PSD, o grupo, até ano passado, tinha chegado ao auge quando elegeu o próprio Cunha presidente da Câmara, em primeiro turno, com 267 dos 513 parlamentares da Casa. 

O Centrão deu apoio quase maciço - e decisivo - ao impeachment de Dilma Rousseff na Câmara e agora ameaça colocar Michel Temer contra a parede. Tem agora entre 260 e 270 parlamentares, número suficiente para aprovar simples projetos de lei e próximo dos três quintos necessários (308) para aprovar propostas de emendas constitucionais.

Precisamos de uma frente plural, supra-partidária, multi-ideológica, composta de gente que compartilha uma única premissa: é possível conversar. É possível conversar com apoiadores do impeachment sem insultá-los de "golpistas". É possível conversar com apoiadores do ex-governo sem tratá-los como responsáveis por atrocidades como o Petrolão. É possível conversar com isentões sem acusá-los de serem responsáveis pelos desmandos do ex-governo e deste.

É hora de repensarmos na cultura política, torná-la mais aberta e plural. Precisamos reavaliar a forma de disputar e exercer o poder, rever os paradigmas, com muita humildade, com autocrítica, pois os modelos que defendíamos se esgotaram.
É possível, enfim, conversar com gente que está fora da bolha de cada um. O princípio da tolerância nunca foi tão urgente -- o que não significa tolerar malfeitos cometidos por políticos. Dá para separar as duas coisas, eu acho.

Toda unanimidade é burra. Um Governo deve ser avaliado por um tripé, qual seja: o lado econômico, social e político, e para isso é importante que o Governo tenha legitimidade através do voto popular. O que precisamos agora é de uma Reforma em todos os sentidos, e isso pode vir através de uma Constituinte para uma ampla Reforma, mesmo que atravesse os Centrões.










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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



segunda-feira, 9 de maio de 2016

Podemos achar uma bagunça, mas Impeachment não é brincadeira (Por Thiago Muniz)

"A grande mídia está literalmente esperneando. Trazendo parlamentares, advogados e correspondentes para refutar a decisão da presidência da Câmara. Já o chamaram de desequilibrado, intempestivo, ilegítimo, entre outros adjetivos que visam desqualifica-lo. Fazem o mesmo com a decisão em si. Segundo os impeachmistas, é uma atitude absurda, oportunista, de cunho político, que desrespeita a voz e os votos dos parlamentares."

(Thais Moya)


Decisão de Waldir Maranhão, presidente interino da Câmara dos Deputados, de anular sessão que aprovou continuidade do impeachment demonstra a fragilidade jurídica do processo. No mínimo, o jogo está embaralhado.

Decisão de anular a votação de impeachment de Dilma deixou muita gente irritada. Mas está correta.

Quase todo mundo concorda que a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, que ocorreu no mês passado, foi um show de horrores, com direito a deputados oferecendo o voto a sua própria família, um sem-número de menções ao divino causando confusão num estado supostamente laico, um gângster comandando tudo e até um zé mané que achou legal homenagear um torturador safado.

Mas o mais chocante é que, naquele domingo esquisito, os deputados simplesmente não fizeram o seu trabalho. Parece que eles esqueceram que estavam lá com uma missão muito clara e também muito importante: a de decidir se havia indícios sérios de que a presidente Dilma Rousseff cometeu um crime.

O assunto sequer foi discutido. Conforme a SUPER apurou, as expressões "responsabilidade fiscal", "improbidade administrativa" e "lei orçamentária" - que dizem respeito ao suposto crime de Dilma - praticamente não foram pronunciadas naquele dia. A primeira foi mencionada só 3 vezes, a segunda 2, a terceira uma única vez (já a palavra "família" apareceu nos pronunciamentos dos deputados 133 vezes).

Mas e daí? E daí que a Câmara fez um trabalho sujo na hora de punir a presidente: se praticamente todos os partidos concordam que Dilma deve cair, se mais de 60% da população são a favor de lhe tirar o cargo e sua popularidade se arrasta pelo chão, por que se ater a formalidades? Se o Brasil não quer mais Dilma presidente, não é mesmo o caso de lhe caçar o mandato logo, mesmo que para isso seja preciso acoxambrar uns processos e pedir ajuda a uns bandidos? 

Pois então... A verdade é que não. Democracia tem ritos, tem regras e tem balanços de poder. Obedecer a tudo isso dá trabalho, complica as decisões, mas é justamente o que faz com que democracia seja um regime melhor que os outros.

O cientista político Larry Diamod, da Universidade Stanford, um dos maiores especialistas em democracia do mundo, fala muito sobre isso. Ele diz que, para um país ser democrático, não basta que ocorram eleições. É preciso que haja uma série de "pesos e contrapesos" - o poder nunca pode estar num lugar só. 

Nem mesmo quem é eleito pelo voto pode ter direito a fazer o que quiser. Diamond fala muito sobre a ideia de accountability - uma palavra tão estranha à cultura política brasileira que nem tradução decente tem. Accountability é a obrigação que os governantes têm de prestar contas pelo que fazem.

Segundo Diamond, uma democracia de alta qualidade precisa ter dois tipos de accountability: vertical (prestar contas à população) e horizontal (certas áreas do governo têm a obrigação de fiscalizar outras áreas, ninguém pode ter poder absoluto sobre nada).

Pela premissa da accountability vertical, o povo tem todo o direito de caçar o mandato de um governante frustrante.

Pela accountability horizontal, faz todo sentido que o Congresso tenha a atribuição de investigar e de punir o presidente, mesmo num país presidencialista. Mas não pode ser de qualquer jeito.

Assim como Dilma não tinha o direito de aumentar os gastos sociais sem pedir autorização para o Congresso, o Congresso não tem o direito de anular os 54 milhões de votos de Dilma sem cumprir uma série de formalidades e provar que Dilma cometeu um crime. Numa democracia, "todo o poder emana do povo", mas nenhum poder é absoluto.

Ao que tudo indica, o crime foi mesmo cometido. Dilma realizou pedaladas fiscais, que nada mais são do que gastar mais do que tem para cobrir o rombo depois. O Brasil seria um país melhor se os governantes não cometessem tal crime, mas o fato é que eles cometem. Não só Dilma. Temer, nos curtos períodos em que substituiu a presidente em sua ausência, pedalou três vezes mais que ela.

Entre os tucanos, o senador Antonio Anastasia, relator do processo de impeachment no Senado, foi um padalador notório em seus tempos de governador. As pedaladas do governador paulista Geraldo Alckmin já ultrapassaram os 300 milhões de reais - bem menos que os bilhões de Dilma, mas crime igual. 

Se o Congresso quer seriamente punir Dilma, é importante que se afirme com clareza a disposição de punir de maneira equivalente todos os ciclistas fiscais, independente de partido ou de taxa de popularidade.

Alguém vai argumentar que se apegar às regras da democracia enquanto o país naufraga é como tocar violino no naufrágio do Titanic. Que importa se a Câmara não discutiu nem provou o crime, se não garantiu amplo direito a defesa nem cuidou para que o processo fosse legítimo e conduzido por pessoas insuspeitas? Só o que importa é derrubar Dilma. Enfim, democracia é bom, mas há que se abrir mão dela quando ocorre uma crise.

Mas não. Embora seja verdade que democracias quase sempre sejam mais lentas na hora de tomar decisões, há farta pesquisa mostrando que elas são muito mais estáveis no longo prazo. Regimes autoritários, nos quais regras são menos respeitadas, realmente conseguem tomar decisões mais rápido, mas de tempos em tempos acabam caindo em grandes crises institucionais, por falta de legitimidade de seus líderes. 

As sucessões são mais turbulentas, os debates políticos tornam-se violentos, a insegurança sobre quais regras valem e quais não valem gera um clima em que nenhuma regra é cumprida. Se um processo tão cheio de situações suspeitas quanto aquele iniciado no dia 17 de abril terminasse com o afastamento de uma presidente eleita e com a faixa no peito de um presidente tão ilegítimo quanto Temer - que não tem nenhum voto popular, é investigado por vários crimes e pedala mais que Dilma -, talvez ele nos assombrasse por muito tempo. Imagine o clima de revanche que isso podia gerar. Imagine o quanto essa insegurança institucional poderia atrapalhar a economia e afugentar investimentos.

Numa democracia de alta qualidade, o mandatário segue as regras - e portanto não pedala. Da mesma forma, numa democracia madura, o Congresso segue as regras e os ritos e faz as coisas direito. Um processo ilegítimo para punir um mandatário pelos seus processos ilegítimos não é um passo na direção de um país melhor. Não contribui em nada para deixar nossas instituições mais sólidas, justas e democráticas.

Que a Câmara faça seu trabalho direito dessa vez, sem nos obrigar a passar vergonha de novo. E que a decisão sobre se Dilma e Temer merecem ou não perder seus mandatos, seja ela qual for, não seja respaldada por paixões eleitorais ou por inspiração divina, mas pela aplicação objetiva da lei, que precisa valer para todo mundo.

Tudo que esta acontecendo só mostra o óbvio!
Esse sistema está falido!

REFORMA POLÍTICA JÁ!





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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Trocar o presidente não será a solução dos problemas (Por Thiago Muniz)

O brasileiro de um modo geral tem essa coisa de olhar para o cargo da presidência como a solução e a causa de todos os problemas do país.

Com um Congresso do nível desse que se viu no dia da votação do impeachment, somado a um Senado, são quase 600 pessoas barganhando aprovação ou vetos de projetos, mas o cidadão comum teima em se iludir que a vitória do seu candidato a presidente, ou a saída do que foi eleito (se não foi o que ele votou) é o X da questão, e com isso acaba ignorando todo um complexo sistema.

É risível ver as pessoas falando - "partido X acabou com o país" - porque antes do PT virar governo a miséria era maior, o desemprego era maior, as taxas de juros eram maiores, o país teve de racionar energia e a população era menor, sem falar na inflação que a ditadura militar deixou de herança anteriormente, porém, o foco aqui não é defender um governo cheio de falhas que, entre outras coisas, também está pagando o preço por ter se acomodado no sistema viciado dos anteriores ao invés de brigar pelas reformas necessárias, nem que para isso fosse necessário abrir um canal de diálogo com a população para pressionar a má vontade do Congresso ao invés de aderir ao joguinho de toma lá, dá cá.

Mas deixando de lado as questões de governabilidade, que em um sistema que não é parlamentarista não justifica a troca do Chefe de Estado, analisemos então a legalidade desse impeachment.

Um corrupto na condição de Presidente da Câmara aceita um processo em calar retaliação pelo fato do partido do governo ter se recusado a votar em sua causa no Conselho de Ética.

O vice presidente da República orquestra seu partido para abandonarem a base, mas ele próprio não o faz, conspirando assim para assumir a cadeira, sendo que assinou as mesmas pedaladas que servem de acusação para o processo da Presidente.

Mais 16 governadores e sabe-se lá quantos prefeitos praticaram as mesmas pedaladas, assim como os Presidentes anteriores, e isso nunca destituiu ninguém, mas agora pode seletivamente derrubar uma presidente que em meio a um cenário de corruptos não tem uma acusação de enriquecimento ilícito pesando sobre si.

Se isso que tem cheiro de golpe, cara de golpe, enredo de golpe e é visto no mundo inteiro como golpe não se trata de um golpe, então é o que? A salvação do Brasil pelas mãos de Temer e Cunha? Alguém acredita que esses caras querem salvar alguma coisa além da própria pele? Ou acreditam que vão "derrubar um por um" até que se encontre o governante ideal?

Por mais que não se aprove um governo, é impossível não notar a incoerência dessa manobra antidemocrática diante do mínimo de informação.

Além de tudo é preciso que se diga (e a grande mídia criminosa não o faz) que o pedido patético de impeachment feito por uma surtada e ex-cargo de confiança no governo FHC e um integralista (Fascista) é baseado nas chamadas pedaladas fiscais.

Não é com base na Lava Jato (que também não daria base ao pedido de impedimento da Presidenta). Pedalada fiscal não configura crime de responsabilidade. E, se configurasse, Temer e mais 17 governadores também o fizeram, incluindo Geraldo Alckmin e o relator da comissão do golpe no Senado, o lacaio de Aécio Neves.

As pessoas sequer conhecem o teor do Art 85 da Constituição Federal de 1988 e a lei 1079/50 e falam exatamente o que a mídia sonegadora de 615 milhões e notificada 766 vezes manda.

É golpe pois não há crime de responsabilidade. Qualquer giárdia leiga que tenha lido o referido artigo e a referida lei percebe isso. É golpe pois o que está em jogo não é a luta contra a corrupção. Se fosse, o grito em todo o território nacional seria FORA CUNHA e não fora Dilma. é apenas uma articulação dos bandidos liderados por Eduardo Cunha, apoiados por fascistas como Bolsonaro e aplaudidos por analfabetos funcionais.

Um eventual governo Temer é ilegítimo pois não nasceu das urnas e nem de um processo lícito, legal, honesto. Terá nascido de um golpe contra a democracia e reconhecer isso não faz de ninguém um defensor do Governo (só midiotas pensam assim). Eu, por exemplo sou de oposição ao Governo Dilma por algumas razões:

- Não aprofundou a reforma agrária;
- Não regulamentou a mídia;
- Não implementou o imposto sobre grandes fortunas;
- Não auditou a dívida interna;
- Se descolou dos Movimentos Sociais, governando para o criminoso mercado;
- Sancionou o AI-6, a tal lei anti-terrorismo.

Dessa maneira, um possível governo Temer será o caos para o trabalhador, com perdas de direitos trabalhistas, perda de liberdades, fortalecimento do racismo, machismo, homofobia, misoginia, aumento da favelização, da miséria, da fome e, consequentemente, da violência. 

Só será bom para os 367 bandidos da Câmara e para os cúmplices que os apoiam.











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