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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A morte na calada da noite (Por Tom Valença)

A morte é a referência em torno da qual a vida é construída.

Sendo assim, até pouco tempo atrás era ponto pacífico que a morte deveria ser respeitada com exceção dos tempos de guerra, fosse no Ocidente ou Oriente. 

Mas isso mudou. Muito! 

Por exemplo, desde a semana passada está sendo possível perceber nas redes sociais, com o falecimento de Fidel, que a morte de uns parece ser o gol que outros esperavam acontecer desde sempre para comemorar sobre os que sentem a ausência de quem partiu. 

Ontem (29/11), esse processo se tornou mais claro, pois muitos se tornaram hostis para com os que lamentavam a tragédia da Chapecoense (e aqui não importa se espontaneamente ou se induzidos pelo fervor midiático) já que as únicas questões importantes seriam as votações que aconteceriam em Brasília. 

Nesse sentido, os últimos foram comemorados pelos primeiros como alienados. Pois bem, o dia transcorreu, as votações foram realizadas com seu ápice acontecendo na calada da noite e hoje o país amanheceu mais morto do que vivo. 

Morto em sua integridade imensamente combalida nos últimos tempos, culminando com o resultado dessas duas votações. 

E agora, será que a morte do corpo democrático brasileiro será tratada com o mesmo furor e ou desdém das morte do Comandante cubano e do time brasileiro? 

Se for, esse jogo democrático está irremediavelmente comprometido, talvez perdido por no mínimo algumas décadas. 

Para os dois times e para as duas torcidas, embora um dos times e sua torcida continuem comemorando. 

Mas não por muito tempo...


Tom Valença é Professor Doutor no Centro Universitário Jorge Amado





terça-feira, 29 de novembro de 2016

Força Chapecoense - 29/11/2016 (Por Thiago Muniz)

"Diante de um dos dias mais terríveis que já presenciei sobre futebol, que os torcedores reflitam sobre o ódio que reina habitualmente aqui." (Paulo-Roberto Andel - escritor)


Extremamente lamentável o acidente que vitimou a delegação da Chapecoense e também outras pessoas que estavam no voo para Medellin. Estou profundamente consternado. Todo o resto no que tange ao esporte fica em segundo plano nesse momento. Minha solidariedade aos sobreviventes, às famílias das vítimas, à diretoria e à torcida da Chape.

O esporte mundial está de luto.

Foi triste demais acordar com a notícia da queda do avião da Chapecoense. A vida tem uma dimensão trágica. Filósofos tratam disto. Teólogos discorrem sobre o tema. Por que morrem pessoas no apogeu da juventude e do sucesso? Há os que indicam um plano superior. Outros, como eu, entendem que os fatos são aleatórios. Mesmo assim, todos sentimos a dor das famílias enlutadas. É o maior sinistro do esporte e do jornalismo do país. Fiquei duramente impactado. Muito mais gente morre no trânsito mensalmente, mas o acidente desse tipo tem um poder impactante forte. Emocionou-me ver as cenas. A ordem do nosso mundo foi abalada. Estamos todos por um fio e é importante viver plenamente. Os que ficamos aprendemos com os que deixaram de existir: vamos viver de verdade, sem adiamentos, sem meio termo. A vida segue um pouco mais melancólica.

Estamos todos acabados com essa injustiça. E desta vez não foi a injustiça da bola. É das nossas vidas.

Continuo com o mesmo brilho nos olhos quando falo de esporte. E eu não desisti, trabalho com aquilo que sempre sonhei trabalhar. Espero que continue brilhando esteja onde estiver.

Ficamos impotentes diante da tragédia, mas podemos ajudar a tecer a rede de afeto e solidariedade para confortar os que ficam. As boas lembranças servem para homenagear essas pessoas que marcaram nossas vidas.

Alguém tem que ter bom senso. Futebol em 2016 acabou por aqui. Que se mantenham as posições, não caia ninguém sei lá. Mas perdeu o clima. Futebol é alegria, é entretenimento, não tem como continuar o campeonato diante do acontecido.

Hoje esse humilde time de Santa Catarina tem a maior torcida do mundo, pois quando sonhos despencam do céu a solidariedade é a única camisa que todos vestem, pois essa é a única camisa que nesse momento nos conforta. E a Chapecoense e a cidade de Chapecó terão forças para reerguer esse time e traze-lo de volta, porque neste momento esse é o desejo de todo o nosso país.

A Chapecoense poderia virar o segundo time de todo brasileiro. O time vai jogar na sua cidade? Bora la com a camisa da Chapecoense torcer contra o rival. O time merece se reestruturar e apoio nessas horas é fundamental. Torcida gera faturamento, lucro gera reestrutura. A Chapecoense precisa e merece ter a maior torcida do Brasil.

Pra quem está desacreditado do ser humano, um sopro de esperança e momento de grandeza. Clube Atlético Nacional, de Medellin, pede a Conmebol que a Chapecoense seja declarada campeã da Copa Sul-americana.








































#ForçaChape #somostodoschape


PS: O espírito de porco do ser humano não tem limites. Ouvi falar que já tem fotos do acidente em grupos de whatsapp. Não compartilhe isso e mande a puta que pariu quem o fez.



BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.