terça-feira, 25 de agosto de 2015

O WhatsApp pelos dois lados da moeda (Por Thiago Muniz)

O WhatsApp, não custa lembrar, vem do capitalismo, do desejo de lucrar, da propriedade privada, do investimento de capital poupado para ter retorno, do dinâmico setor de tecnologia, ícone do livre mercado, de investidores “anjos” em busca da próxima tacada bilionária. O mesmo para Facebook, Apple, Twitter, Microsoft etc.

Nada veio do socialismo!

O avanço do capitalismo foi o maior “milagre” para os mais pobres. Foi ele que permitiu o crescente acesso das massas aos diferentes produtos que trazem mais conforto, mais produtividade, mais qualidade de vida. Isso é o capitalismo em ação! Enquanto a defesa de grandes corporações em simbiose com o governo, o que chamam de “capitalismo de estado” só para manchar a imagem do capitalismo, é no fundo a prática recorrente das esquerdas.

O WhatsApp é um dos aplicativos mais populares de todos os tempos. É rápido, é flexível, é prático e é de graça, uma mão na roda nesses momentos difíceis em que todos os preços estão subindo. 

Ele é perfeito no que se propõe a fazer, ou seja, conectar pessoas. Por causa disso, todos adoram o WhatsApp. Isto é: todos menos as operadoras e o ministro Ricardo Berzoini, que estão loucos para acabar com ele.

Eu até entendo porque as operadoras não gostam do WhatsApp, já que ele permite aos usuários economizar o rico dinheirinho que, antes, ia direto para os seus (delas) bolsos. Mas, por mais que me esforce, não consigo entender por que o ministro não gosta do aplicativo, que considera um serviço pirata "à margem da lei".

Pensem comigo. Assim como o seu esclarecido colega Aldo Rebello, da Ciência, Tecnologia e Inovação, o ministro Berzoini se considera um homem de esquerda. Ora, como tal, ele deveria, pelo menos em tese, amar a vasta massa de trabalhadores -- que, por sua vez, amam de paixão o WhatsApp, que funciona a seu favor e protege o seu dinheiro das teles. As teles, todos sabemos, são empresas gigantescas, que têm lucros quase tão obscenos quanto os dos bancos. E que, ainda por cima, mandam quase tudo o que ganham para o exterior:

"Subsidiárias brasileiras de telecomunicações chegam a enviar (para o exterior) até 95% de seus ganhos anuais, como forma de reduzir endividamentos e de compensar queda na receita em países menos performáticos; a TIM e a Vivo, por exemplo, enviaram para suas matrizes cerca de R$ 15 bilhões desde 2009; ao mesmo tempo, continuam liderando reclamações na Anatel e enfrentando dificuldades em ampliar capacidade da rede de dados.".

Não tirei essa informação de nenhum órgão da imprensa golpista, mas sim do blog brasil247, espécie de porta-voz do governo que o ministro integra. Era de se esperar, portanto, que o ministro, como homem de esquerda que diz ser, demonstrasse um pouco menos de amor pelas teles e um pouco mais de amor pelos trabalhadores, que tanto dependem do WhatsApp. Também era de se esperar que notasse que, há tempos, as operadoras cobram dos cidadãos contas cada vez maiores por serviços cada vez piores, o que justifica em boa parte o sucesso do aplicativo. Até outro dia, homens de esquerda defendiam pessoas físicas da sanha de pessoas jurídicas; mas isso, claro, era na época em que a esquerda ficava à esquerda, e não à direita da direita, como fica hoje.

O ministro Berzoini argumenta que "esse tipo de serviço subtrai empregos do povo brasileiro”. Pelo visto, ele ainda não entendeu que emprego não é necessariamente sinônimo de trabalho, e nem reparou como tecnologias como o WhatsApp ajudam a todos os trabalhadores, indistintamente -- coisa que qualquer pessoa percebe no dia a dia, ao se comunicar com o mecânico, o feirante, o marceneiro ou a costureira, para ficar nuns poucos exemplos.

Ninguém pode criticar o ministro por ignorar a realidade. Militando no PT, alçado àquela elite política que tem todas as despesas pagas e todos os problemas cotidianos resolvidos, ele certamente não vê um trabalhador de perto há anos -- e não precisa do WhatsApp para nada.
É mais fácil as operadoras reclamarem do WhatsApp e até do Skype do que oferecerem uma banda maior, cobertura, ou mesmo 3G decente. A crítica deles é baseada na mediocridade do serviço que prestam, porque se prestassem uma banda decente e uma cobertura tb decente as pessoas usando o WhatsApp iriam aumentar o tráfego de dados e portanto reverter em lucro, mas eles não querem lucro, querem lucratividade absurda em cima de uma banda ridícula, de serviços medíocres.

O problema das operadoras de telefonia não é dinheiro, mas sim soberba, miopia e arrogância. Operadoras continuam brigando por voz pois é a única fonte de receitas que elas ainda dominam, exatamente como era no século XX.

É fácil falar agora sobre o Whatsapp? É. Mas o ponto não é o aplicativo que provavelmente seria criado de qualquer maneira, o ponto é a mentalidade avessa à inovação em serviços de valor agregado que sempre dominou as operadoras de celular independente da tecnologia. Elas simplesmente preferiram continuar penduradas na voz e agora estão pagando o preço por isso.

Dentre as várias coisas que faço, lido com inovação tecnológica a alguns anos, e na última década estive intimamente ligado ao mercado mobile. As teles pagam hoje por sua arrogância ao segregar a inovação em seu mercado, numa espécie de reserva, onde se consideravam 'donas'. Milhares de aplicativos tinham que suplicar para serem distribuídos por elas até 2008, e as empresas e pessoas eram simplesmente ignoradas como produtores que ajudariam a aumentar o faturamento delas com serviços que também ajudariam a população (ganha-ganha).

Hoje, elas foram colocadas de fora da linha da inovação no setor e passaram a apenas vender uma commoditie que é o canal de comunicação, o qual pode ser dispensado caso exista uma conexão wifi por perto. Era uma bola cantada a anos com o Skype, que preferiram ignorar e criar modelos de negócios que geraram esse 'cisne negro' que vivem hoje.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.




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