segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Michel Temer livre pra inserir o câncer do PMDB no Brasil (Por Thiago Muniz)

O paulista Michel Temer deu sua fisionomia ao PMDB e, com discrição, comanda a máquina partidária há mais de 10 anos.

Os noticiários já haviam antecipado, em seus editoriais, a posição central do vice-presidente Michel Temer no cenário político, ao mesmo tempo em que acenou para o clima de instabilidade no Executivo.

No domingo, 16 de agosto, o Jornal do Brasil destacava que a pouca adesão às manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff se devia à atuação de Temer:

"A competente ação que o vice-presidente vem desenvolvendo nestes últimos dias como reorganizador do processo político, onde o vencedor é o Brasil, mostrou que o vice é o grande artífice das manobras politicas que, primeiro, mostram as forças das instituições, e não bravatas de políticos provincianos com arroubos golpistas", escreveu o JB, prosseguindo: "Michel Temer merece o apoio de todos os partidos que pensam no Brasil para que possa, na coordenação política, abrir caminhos para as propostas do governo serem vitoriosas no Congresso em benefício do povo."

Ao mesmo tempo, no dia 6 de agosto, o JB alertava para o clima instável no Executivo, quando Temer declarou: "É preciso que alguém tenha capacidade de reunificar, reunir a todos”

Michel Temer é um homem de fala mansa, comportamento tranquilo, político conhecido por suas articulações silenciosas sempre com bons resultados, frases curtas e objetivas. As declarações dadas na quarta-feira (4/8) pelo vice-presidente da República, Michel Temer, de que “é preciso que alguém tenha capacidade de reunificar, reunir a todos”, é uma frase que é um pingo no “i”, disse o JB,acrescentando:"Não há dúvida do que quis dizer Temer. Estamos navegando em águas turvas, revoltas e sem timoneiro".

Nesse momento em que o mundo passa por uma crise devastadora nos países emergentes em razão de os preços dos commodities desabarem, com a sinalização de uma possível recessão na China, os mais prejudicados são os que têm nos últimos anos aumentado suas exportações para aquele país. Entre eles, o Brasil é um dos que mais se beneficiavam daquele mercado.

Se o cenário econômico é extremamente preocupante, o político, com o posicionamento de Temer, já nos permite também acreditar que o rompimento em São Paulo é iminente. O PMDB terá candidatura própria. Somada à inevitável crise brasileira na área política, a saída de Temer também dá ao presidente da Câmara um certo conforto nas ameaças que vem fazendo.

Quando se vê que o individual, por razões puramente fisiológicas, contrariam o interesse nacional, vemos que podemos estar caminhando para o caos. Não se vê por parte da oposição, e o JB já antecipou, nenhuma crítica aos corruptores. O assunto Eduardo Campos morreu com ele. Seu partido não se posiciona. O envolvimento de Sérgio Guerra na Lava Jato também parece ter morrido com ele.

O que se vê claramente é a tentativa da oposição em fazer política contra o partido do governo. Não se vê na oposição uma defesa ao juiz Sergio Moro, e nem um ataque às empreiteira envolvidas no Lava Jato. Não se vê o presidente da Câmara se defender do que lhe acusam. Se vê o presidente da Câmara atacar a lentidão do Lava Jato contra outros supostos acusados.

A saída de Temer da articulação acelera a crise política, que será explosiva para a crise econômica.

Discreto, protocolar, litúrgico e um dos poucos políticos que, em vez da voz alta, usa os ouvidos para tomar decisões, o vice-presidente da República, Michel Temer, uniu e colocou o PMDB como uma espécie de fiel da balança nas eleições de 2014. 

 

Com o mais importante cargo na linha sucessória do Palácio do Planalto, a hegemonia no comando do Congresso, o maior número de prefeitos (1.421), de vereadores (7.825), de deputados estaduais (147), quatro governadores, a segunda maior bancada na Câmara (77 deputados federais) e a maior no Senado (21 senadores com a adesão de Kátia Abreu, do Tocantins) desde a eleição da presidente Dilma Rousseff, em 2010, o PMDB se uniu em torno do nome de Temer. Hoje licenciado por conta das atribuições do cargo de vice, Temer comanda a máquina partidária há 11 anos e deu sua fisionomia ao PMDB.

“Reconheço que o Michel vem exercendo um papel importante na conciliação do PMDB. Ao contrário de outros vices, pela discrição, experiência política e o perfil conciliador, ele conquistou um peso específico e importante no partido e nas decisões do governo”, diz o senador Pedro Simon (PMDB-RS), independente e peemedebista histórico. Em várias ocasiões Simon se insurgiu contra a ala governista do partido, da qual Temer é um dos idealizadores.

Tanto cacife obriga que nenhuma decisão relevante na relação com o governo deixa de passar por Temer. É dele também a costura que garantiu o acordo que levou a presidência da Câmara ao decano Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL) à presidência do Senado. A contrapartida é o aval que garante a ele, mais uma vez, a vaga na dobradinha pela sucessão presidencial.

O PMDB também acumula, por força do acordo, cinco pastas importantes na Esplanada (Minas e Energia, Agricultura, Aviação Civil, Turismo e Previdência) e, ainda, a possibilidade de agregar um sexto ministério, o da Integração Nacional, desocupada pelo ex-ministro Fernando Bezerra com o racha que separou o PSB da base aliada. O nome de consenso costurado por uma articulação de Temer junto aos senadores e deputados numa eventual reforma em janeiro é o do senador Vital do Rego (PMDB-PB).

Aos 73 anos, filho de libaneses, caçula de uma família de oito irmãos, seis mandatos de deputado federal (de 1987 a 2011), líder em várias legislaturas e presidente da Câmara por três vezes (1997, 1999 e 2009), o grande desafio desse paulista de Tietê, católico, professor de direito e advogado, é tirar do PMDB a fama de partido paroquial e fincar a bandeira da legenda justamente em sua base eleitoral, o disputadíssimo Estado de São Paulo.

Se a chapa nacional está consolidada – conforme ele mesmo não se cansa de repetir – o trabalho de maior fôlego agora é unir o partido em torno do empresário Paulo Skaf, que se impôs como candidato depois que outro pupilo de Temer, o deputado Gabriel Chalita, caiu em desgraça por suspeitas de corrupção.

Michel Miguel Elias Temer Lúlia, ou simplesmente Michel para os peemedebistas, entrou na política durante o governo de Ademar de Barros como chefe de gabinete do então secretário de Educação, Ataliba Nogueira. Em 1983, no governo Franco Montoro, já filiado ao PMDB dois anos antes, virou procurador-geral do Estado de São Paulo. Um ano depois, foi nomeado secretário de Segurança Pública, cargo que voltaria a exercer em 1992, já na gestão do ex-governador Luz Antônio Fleury Filho, com a missão de debelar uma das maiores crises da segurança pública paulista, deflagrada com a chacina dos 111 presos do Carandiru. 

 

“Era um momento muito difícil. Com habilidade e espírito de conciliação, ele pacificou a segurança. O Temer é extremamente leal, correto e hábil articulador político”, derrama-se em elogios o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho. A primeira medida de Temer como secretário foi chamar a sociedade civil a participar da política de segurança, o que acabou resultando no único episódio que se tem notícias de uma reação voluntarista. Numa reunião com o Conselho da Polícia Civil, um dos “cardeais” chegou a ameaçar que pediria demissão caso os interesses da polícia fossem misturados aos grupos de direitos humanos.

“Pois se o senhor formalizar o pedido de demissão, eu aceitarei”, reagiu o então secretário, numa das raras ocasiões em que alterou a voz. O cardeal silenciou-se. Depois, a amigos, ele confidenciou que seu jeito cerimonioso às vezes levava as pessoas a confundir com frouxidão.

Quando Temer assumiu a segurança, em 1992, as tropas de choque da PM haviam chegado ao auge da matança de civis em alegados conflitos de rua: 1.421 mortes. Além de reforçar as corregedorias, ele adotou duas singelas medidas para inibir os excessos: a perícia deveria fazer o exame residuográfico (que mede a presença de pólvora) nas mãos das vítimas para confirmar se ela reagiu a tiros à ordem policial; os agentes envolvidos em conflitos sairiam das ruas e, depois de tratamento psiquiátrico, seriam remanejados para áreas administrativas. No final do ano seguinte, as estatísticas registravam 377 mortos de civis, uma drástica redução e a comprovação das suspeitas de que grande parte dos conflitos, na verdade, era execução de supostos criminosos.

A atuação na segurança levou Fleury a nomeá-lo Secretário de Governo, cargo em que acumulava a Casa Civil e o colocava como o segundo na hierarquia do Palácio dos Bandeirantes, responsável pela articulação política. “Ele me ajudou muito”, afirma Fleury, que não conhece personagem com quem Temer tenha se incompatibilizado. “Pode procurar um inimigo dele. Não vai encontrar”, garante.

O vice-presidente da República é assim. Um homem de união. Um aparador de arestas, como define o cientista político Gaudêncio Torquato. Cerimonioso e conciliador, tornou-se um confessor que une figuras tão diferentes como Renan Calheiros e José Sarney. O PMDB é para profissionais.

Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), constitucionalista e estudioso das questões jurídicas, deve-se a Temer o parecer que destrancou a pauta da Câmara quando esta era travada pelas medidas provisórias emitidas pelo governo. Ele apresentou uma interpretação mostrando que a pauta só seria trancada para as matérias ordinárias própria das MPs, o que deixava a Mesa livre para votar outros projetos em sessões extraordinárias.

O parecer de Temer acabou sendo respaldado pelo decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello em decisão que virou jurisprudência. Temer sabe como ninguém os atalhos existentes entre o Legislativo e o Executivo, lembra o cientista político Leonardo Barreto. Mas nem tudo são flores: na disputa pela liderança do partido na Câmara, ele perdeu a parada. Quem levou foi um adversário do Palácio do Planalto, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Desde então, diante da incapacidade do vice em vetar Cunha, o Planalto passou a conversar diretamente com o Congresso.

Sempre que o acusam de fisiológico, Temer responde com os números sobre a capilaridade do PMDB e seu direito de governar. Tantos anos na política também renderam desgaste. Em 2009, seu nome foi citado 21 vezes numa lista de supostas doações não declaradas encontradas na Construtora Camargo Corrêa durante a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Depois, no caso do Mensalão do DEM, no Distrito Federal, foi acusado por um dono de jornal de ter recebido dinheiro para afastar do partido o ex-governador Joaquim Roriz. Ele negou e, para se defender, abriu uma ação contra o detrator.

Em 2009, o Departamento Intersindical de Assistência Parlamentar (Diap) apontou Temer como o mais influente congressista. Constitucionalista, o vice-presidente escreveu várias obras sobre direito, entre elas Elementos do Direito Constitucional que, na 26ª edição, com perto de 250 mil exemplares vendidos, é referência nas faculdades de direito. Ele também andou incursionando pela literatura: no ano passado lançou “Anônima Intimidade” (Editora Topbooks), uma coletânea de poesias escritas em guardanapos durante as viagens de avião pelo país.

Tirar a obra do âmbito íntimo mostrou-se uma surpreendente exceção da vida pública de um homem que, como poucos, gosta dos bastidores e da liturgia do poder.

Numa rara entrevista em que demonstrou nervosismo, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) soltou uma pérola sobre o futuro do país, ontem, após reuniões com “aliados” do governo Dilma Rousseff.

Segundo ele, o país precisa de “alguém que tenha capacidade de reunificar a todos”.

Quem seria essa pessoa? Há duas interpretações: ele, Temer, ou uma personificação do Congresso Nacional, ou seja, o PMDB.

Eis que hoje pela manhã os deputados decidem votar quatro contas de ex-presidentes e preparam o terreno para avaliar os dados de 2014 de Dilma Rousseff – aqueles das pedaladas fiscais. Ao mesmo tempo, uma pesquisa Datafolha mostra que a rejeição a Dilma chega a 71%, superior à de Collor.

É a senha para mostrar que o caminho para o impeachment está aberto. Portanto, chegou a hora de pensar seriamente no que vem depois.

Teríamos o PMDB no comando das presidências da República, da Câmara e do Senado. Na primeira cadeira, alguém eleito na chapa da presidente afastada, nas outras duas, investigados pela operação Lava Jato.

O que isso muda essencialmente na vida dos brasileiros? O PMDB possui um plano diferente do ajuste fiscal de Dilma e Joaquim Levy para tirar a economia do buraco? A corrupção vai diminuir?

Pois é, você sabe qual é a resposta.

PMDB é sócio majoritário de todos os problemas enfrentados pelo país atualmente. E não vai passar a ser solução de uma hora para outra.

No fundo, o PMDB só está sendo o PMDB. Ou melhor, o “imobilismo em movimento”, segundo o livro do filósofo da Unicamp Marcos Nobre.

A obra descreve o “peemedebismo” como o eixo central da política brasileira há três décadas. Uma força que blinda qualquer possibilidade de transformação de fato no país.

Se o partido comandar o poder central de fio a pavio, não seremos governados por nada mais que a nossa política em estado puro. O que só comprova a tese da nação do voo de galinha, que só sabe andar em círculos e que, volta e meia, percebe que nunca saiu do governo Sarney.

Bem-vindo, de novo, a 1985.





BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


2 comentários:

  1. Remoto neural monitoramento por satélite terrorismo no Brasil

    Os cérebros dos brasileiros estão sendo conectados à satélites para fins de tortura e assassinato e o governo continua ignorando os fatos. Essa tecnologia por satélite é controlada por uma rede global de criminosos esses elementos adentram o cérebro humano 24 hs a conexão pode vir de várias pessoas ao mesmo tempo, leitura do córtex visual através da interface cérebro computador utilizando antenas de telefonia, satélite e o cérebro humano. Essa arma sonora é perigosa através dela é possível inserir sons e imagens direto no crânio do alvo com auxílio de ondas acústicas, vibracionais de rádio frequência eletromagnética com o uso de implante ou assinatura cerebral. Os elementos que compõem o bando que estão ignorando às leis são formados por quadrilhas inteiras que estão usurpando estes corpos. O crime organizado utiliza essa tecnologia no tráfico de drogas, gente para fraudar concursos públicos, vestibular ou simplesmente para atormentar, atordoar, torturar cidadãos inocentes. Leiam mais v2k technology, voice to skull, nano implant brain radar synthetic telepathy gang stalking world, target individual, microwaves in remote neural monitoring psychotronic Weapons, mk ultra, mind control an silent sound, remoto neural monitoramento por satélite. Já existem inúmeras vítimas no nosso país isto está acontecendo no mundo todo . Não exagero em dizer que os casos são tão horrendos quanto aos praticados pelos médicos nazistas em especial Dr.Mengele na segunda guerra mundial. As vítimas são torturadas 24hs durante ano após ano sem terem o direito de defesa. Recentemente foi aprovada uma lei nos EUA contra o uso de armas geofísicas climática e controle mental, gostaria de saber a opinião da população e autoridades brasileiras à respeito desse tipo de crime no país.

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