quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Lamentação de uma nação (Por Thiago Muniz)

Ganância desmedida! "O mundo está ao contrário e ninguém reparou...."

Tenho "pena" do Zé Dirceu. Mesmo. De verdade. Assim como tenho "pena" do Collor, também. E tenho pena porque não consigo imaginar o que é uma falta de ambição desse tamanho, ou, por outra, uma ambição tão descomunal, mas com tal defeito de fábrica.

Collor, por exemplo, que só não está preso por descuido, foi o presidente mais jovem jamais eleito no Brasil, e tinha apoio suficiente da população para mandar os chantagistas habituais do Congresso às favas.

O que é que uma pessoa verdadeiramente ambiciosa faria nessa situação? Faria o melhor governo possível, lutaria com unhas e dentes para melhorar o país e deixar uma marca positiva e indelével na História. Teria tido tempo suficiente para isso, e ainda teria vida sobrando.

Em vez disso, preferiu comprar meia dúzia de carros importados.

Para isso ele não precisava se eleger presidente, bastava abrir uma concessionária, e das "top de linha".

Zé Dirceu, a mesma coisa. Partiu para uma vida dramática, lutou pelos seus ideais (sim, Millôr, é verdade, precisamos desconfiar dos idealistas que lucram com os seus ideais), dedicou-se à construção de um grande partido, se bom ou mau são outros quinhentos.

Poderia ter chegado à presidência. E, como Collor, poderia ter feito uma grande diferença para o bem; instrumentos não lhe faltaram, e pessoas boas que estavam dispostas a ajudá-lo nos bastidores para isso.

Em vez disso, preferiu enriquecer.

Para que mesmo? Para andar de jatinho? Para fazer implante? Para usar calção Villebrequin?

A pena nesse caso, gente, é outra, diferente daquela que a gente sente quando vê uma pessoa boa se dando mal. É uma pena de uma história não vivida, de uma oportunidade jogada fora. De fazer a diferença mesmo. Eu entendi assim. E concordo plenamente. Tenho pena desses pobres coitados tb, mas quero mais é que eles paguem centavo por centavo, se ainda for possível confiscar os carros importados e os jatinhos.
O calção, pode ficar...

Em 1991 na sede do Banco do Brasil, o mensalão na época era feito com a farta distribuição de cartão Ourocard sem limite e empréstimos faraônicos feitos pelo BB a todos do Congresso. Todas as vezes que o Coĺlor queria aprovação do Congresso, mandava o presidente do BB pressionar os congressistas inadimplentes, que eram quase todos, com a execução de suas dividas. O Collor foi o maior blefe como presidente!

Quanta pobreza! Uma pobreza de espírito, uma pobreza social.

Sim, eu tenho pena mesmo, de verdade, eu tenho é do Brasil e da sua gente; mas todo ser humano tem penas de vários tipos em estoque, e pode usá-las todas simultaneamente sem prejuízo umas das outras...

Poder e vaidade, é isso que corrompe no Brasil.

É o mal de todo ganancioso: sempre querer mais e mais. Mas acredito que ainda estamos num Brasil colonial. as coisas funcionam em prol do senhor de engenho. ele só beneficia a ele e ao seus coronéis que estão ligados à sua causa.

Para andar de jatinho, fazer cirurgias plásticas em Cuba para "parecer" outra pessoa, fazer implantes e se achar acima de tudo e de todos, principalmente da lei. Tais pessoas jamais tiveram um "projeto de país", um "ideal de humanidade" e sim, projeto de poder a qualquer custo e tiveram muito tempo para isso, pois trabalho nunca foi uma virtude, dedicando-se integralmente à construção de uma quadrilha travestida de partido político!

Fiz-me essa pergunta um dia desses. Poderiam ter ter seus nomes na história de forma positiva e resolveram jogar fora toda história bonita dos seus ideais e resolveram marca de forma negativa a história.

Por outro lado não há motivo para ter pena e nem esta esperança equivocada de que eles poderiam ter feito coisa melhor. Eles foram e se tornaram exatamente o que se comprometeram a ser. O compromisso deles foi com eles mesmos. Collor foi o presidente que sabia ser, serviu seu ego pessoal e alimentou-se do oportunismo. José Dirceu se viesse a ser presidente não tomaria outro caminho. Se a pessoa tem na essência a predisposição para fazer algo grandioso o faz, seja ele presidente ou vendedor de pipoca e o mesmo se da se tem a predisposição para ser um ser mesquinho. Guardada as proporções das posições ocupadas o que esta dentro do ser e do caráter é empregado em qualquer situação em que ele se encontre.

Pena é um mal que nós latinos costumamos ter desses criminosos que aparentemente não cometem atrocidades, mas que na prática são responsáveis por elas. Matam gente nas filas dos hospitais, na falta de segurança, na ausencia de saneamento basico. São criminosos de centenas, milhares de pessoas que já nascem sem esperança. E de outro tanto que tem que passar a vida num equilíbrio maluco para criar os filhos ou ter uma vida decente.

No primeiro Mundo ficariam presos pra sempre. Aqui ja celebramos quando vão presos. Pra haver uma mudança real nesse País, precisaremos passar a olhar para essas pessoas , como olhamos para assassinos em série. Sem pena ou desprezo. Só assim eles terão medo de fazer novamente.

Esses políticos eleitos perdem a chance, num país cuja história política tem sido uma vergonha, de entrarem para a história de uma maneira memorável. Fazer a diferença de maneira positiva. Mas a ganância e, porque não, a burrice, parece ser fator fundamental para se ser político no Brasil. Nosso país é bom. Mas os políticos, uns sanguessugas!

O único problema é que esse comportamento é a raiz do povo brasileiro, com algumas exceções pois repetimos esse comportamento furando fila, não devolvendo troco a mais, usando e gastando o celular da empresa, emitindo nota fria para o patrão reembolsar... Enfim, para mim só parece ser uma questão de oportunidade, quem tem usa. Não acho que somos inocentes nessa situação.

Eu tenho pena é de nós, trouxas, que fazemos de tudo para andar na linha e temos que assistir esses políticos corruptos enriquecerem sem o menor esforço e falta de vergonha na cara.

E depois dizem ou diziam que o Brasil é um país pobre. Pobre nada!! Se fosse assim ninguém quereria sentar em cadeira de gestor. Se é pobre o crime de tirar de desvalido coloca o réu moralmente pior. O que eu sei é que se a prática atual nâo parar , aí sim seremos um país de cuia na mão, principalmente porque quem leva nosso dinheiro nem pensa em devolver. Tem que ter prisão, apreensão de bens, e confisco do dinheiro público desviado.

O peso do rombo nos cofres públicos é enorme, levaram bilhões de reais e o país à beira do precipício. A lista de safados é extensa e, aos poucos, o povo vai conhecendo os integrantes da máfia que ajudou a colocar o Brasil nessa situação. Que a caçada ao dinheiro roubado seja levada às últimas consequências e que os responsáveis por tudo isto sejam severamente punidos. Quem rouba tem que pagar pelo crime, ressarcir os prejuízos e ficar atrás das grades ,mas o que vemos aqui é um Collor dizendo que as buscas são uma “perseguição” e uma “humilhação” atacando duramente os investigadores da Lava-Jato.

Como ter pena desse e de outros cínicos que insistem em achar que somos idiotas?

Pena eu tenho de milhões de crianças que não tem acesso à escola e a uma assistência médico-hospitalar decente. Pena tenho de idosos que passam pelos mesmo problemas.

Tenho pena é do povo brasileiro que não merece esse país paralelo que se construiu com seu suor, honestidade e bom caráter. E que só beneficia os amigos do Poder. Que levem uma pena do tamanho do mal que provocaram pelo que poderia ter sido feito e que não foi. E que devolvam tudo o que surrupiaram aos cofres públicos, com juros e correção, como nos cobram quando devemos ao Estado e aos Bancos.

O Brasil é o único país do mundo onde os passageiros torcem para o avião cair porque não gostam do piloto.






















"...Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que comovem. Elas são muitas demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas".

(Darcy Ribeiro)



BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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