sexta-feira, 3 de julho de 2015

Crise: Estaleiro mais antigo do Brasil fecha as portas (Por Thiago Muniz)

Estaleiro Mauá é o mais antigo estaleiro privado brasileiro, sendo superado apenas pela estatal Arsenal da Marinha do Brasil que foi fundado em 1808.

A sua origem é a empresa anglo-brasileira Estabelecimento de Fundição e Estaleiros da Ponta d' Areia, localizada em Niterói, Rio de Janeiro, e foi comprada em 11 de agosto de 1846 por Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá.

Em 2000 a empresa realizou um joint-venture com o também estaleiro Jurong Shipyard de Cingapura, dando origem a empresa Mauá Jurong S/A (MJ) . A nova companhia além da construção e reparos de navios, tem como especialização a construção de plataformas para exploração de petróleo e gás.

Um dos Estaleiros mais antigos do Brasil, o Estaleiro Mauá, hoje chamado Eisa - Petro Um, encerrou suas atividades até que se adeque à realidade atual, devido ao momento econômico.

O estaleiro tem grande importância histórica. Em 1846, Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, tornou-se proprietário do “Estabelecimento de Fundição e Estaleiros” em Niterói, fato pioneiro na industrialização do Brasil. Quando a Guerra do Paraguai eclodiu quase um terço da frota naval brasileira havia sido construída na Ponta d' Areia. O estaleiro chegou a construir mais de 70 navios a vapor e a vela para navegação de cabotagem no país.

O seu fechamento provocará a demissão de mais de dois mil trabalhadores.

A forte instabilidade econômica do país está levando ao fechamento de milhares de postos de trabalho e a inoperância do atual governo federal tem agravado a situação, pois tanto a Petrobras quanto os demais Órgãos do governo federal preferem contratar construção de navios na China do que aqui no Brasil.

Cerca de 200 trabalhadores fazem manifestação em frente ao prédio da Transpetro, no Centro do Rio

Cerca de 200 manifestantes protestam na tarde desta sexta-feira na Avenida Presidente Vargas, em frente ao prédio Transpetro, contra o fechamento do Estaleiro Eisa Petro Um (antigo Estaleiro Mauá), anunciado pela empresa na quinta-feira. Acompanhados de um carro de som, eles também se mobilizam contra as demissões no setor naval e a construção de embarcações no exterior. O grupo é acompanhado por cerca de 20 policiais.

De acordo com o presidente eleito do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, Jesus Cardoso, os manifestantes formarão uma comissão para tentarem ser recebidos pela Transpetro.

— Vamos reivindicar uma solução para esse problema. A Caixa diz que o problema é com a Transpetro. A Transpetro diz que é com a Caixa. Os estaleiros dizem que o problema é com os dois. Vamos pedir para a Transpetro, que é responsável pelas obras, que é a armadora, que resolva isso.

O diretor de luta sindical do Sindicato de Metalúrgicos de Niterói, Gilberto Ramos, afirma que cerca de mil trabalhadores demitidos pelo estaleiro na semana passada ainda não receberam a rescisão.

— O prazo era até quarta-feira, mas não caiu nada na conta do trabalhador. Como sindicato, tomamos as providências necessárias.

A liderança do grupo de manifestantes afirma que ficará no local até ser recebida pela Transpetro. Como parte do protesto, o grupo também ateou fogo em três uniformes do Mauá.

Em comunicado do estaleiro a funcionários, entregue nesta quinta-feira, a Eisa afirma que a paralisação se deve a uma “crise financeira cada vez mais profunda”.

“Ela está motivada tanto no desequilíbrio econômico dos contratos atuais, como na indefinição na liberação dos contratos para construção de mais oito navios. Soma-se a isto a situação atual do Brasil e especificamente da indústria naval, onde estão cortando investimentos e enviando obras para serem realizadas no exterior”, diz o documento. “É por essa razão que nos vimos forçados a encerrar momentaneamente as atividades, até que se consiga achar uma saída que possa garantir as mínimas condições de trabalho que todos merecem.”

Em reação ao comunicado, o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói convocou os funcionários do Estaleiro Mauá para a passeata no Centro do Rio. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Edson Rocha, repudiou a decisão da direção do Mauá.

— Fechar o Estaleiro Mauá é cuspir na história dos trabalhadores e em todo esforço do governo para recuperar os investimentos no setor naval — disse Edson Rocha. — A Justiça deve punir as pessoas corruptas e não as empresas.

De acordo com Rocha a decisão da empresa deixa sem emprego cerca de 3 mil trabalhadores, sendo que mil deles já foram formalmente demitidos na última terça-feira, sem receber rescisão. Os outros, que continuaram trabalhando até esta quinta-feira, ainda não receberam os pagamentos referentes ao mês de junho.

— Ontem, entregaram uma circular para cada trabalhador informando que o estaleiro estaria fechado, que não teria como continuar com suas operações. Não deu previsão de quando sairia a rescisão ou quando seria feito o pagamento dos salários do mês de junho.

Características do Terminal



Acessos:Terrestres: O acesso as instalações do TERMINAL (Estaleiro Mauá) se dá a partir da Avenida Feliciano Sodré, dobrando à direita na esquina com a Rua Barão do Amazonas, prosseguindo em direção a Ponta D'Areia, através das ruas Miguel Lemos e Barão do Mauá, até atingir a Rua Dr. Paulo Frumêncio. O TERMINAL não dispõe de acesso ferroviário.

Marítimos:O acesso marítimo às instalações do TERMINAL inicia-se na entrada da Baía da Guanabara. A partir do ponto situado à latitude 22° 52' 42" S e longitude 43° 08' 15" W, entre a Ponta da Armação e a Ilha do Mocanguê. rumando em direção à Ponta do Toque-Toque, até o ponto que dá início ao canal de acesso as instalações do porto de Niterói.

Instalações de atracação:

CAIS I: O Cais I, de cortina fechada, totaliza 360m lineares de comprimento e plataforma de alívio pavimentada com 12,5 m de largura, tem a cota de coroamento a +3,00m. Construído em estrutura de concreto armado sobre estacas também de concreto. A profundidade de projeto é para -07,00m em relação ao zero hidrográfico, apresentando profundidade efetiva de 07,00 conforme batimetria. Dispõe de 16 cabeços para amarração, com espaçamento médio de 21,0m.

CAIS II: O Cais II, totaliza 306m lineares de comprimento e plataforma de alívio pavimentada com 12,5 m de largura, tem a cota de coroamento a +3,00m. Construído em estrutura de concreto armado sobre estacas também de concreto. A profundidade de projeto é para -07,00m em relação ao zero hidrográfico, apresentando profundidade efetiva de 07,00 conforme batimetria.Dispõe de 12 cabeços para amarração, espaçados médio de 28,0 m.

Canal de Acesso:

O canal de acesso com profundidade de projeto de 08 m, com largura de 70m e 5.000m a partir da entrada na Baía de Guanabara, rumo ao Porto de Niterói.

Bacia de Evolução:

Bacia de Evolução retangular de 700x250, com profundidade de projeto de 08 m.

Especificação da Embarcação Tipo de Maior TPB:

- Até 180metros de comprimento - Até 23 metros de largura - Até 35.000 TPB - 07,00 metros de calado.




BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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