quinta-feira, 18 de junho de 2015

É o fim do futebol brasileiro? (Por Thiago Muniz)

Enquanto não tirar as Laranjas Podres que comandam e os Lixos que pensam que comandam, o futebol brasileiro continuará retrocedendo, até chegar ao ponto de não se classificar para uma Copa do Mundo.

O brasileiro não se reconhece mais naquilo que tinha de mais sagrado e encantava o mundo. A “Pátria em chuteiras”, como definia o dramaturgo Nelson Rodrigues, o Shakespeare dos trópicos, é uma ideia que não faz mais sentido.

E não é apenas a derrota de ontem, mal digerida pelo enfezado craque Neymar, que nos aterroriza. Além da escassez de craques, a maioria dos treinadores do país é tacanha em filosofia de jogo. Pensamos mal o jogo. Perdemos o free jazz, a bossa nova, a invenção. Dunga, por exemplo, preferiu conspirar contra o árbitro.

É difícil dizer isso, muito difícil, mas viramos um país comum com a bola nos pés. No dia em que o cavaleiro solitário não funciona, o fracasso vem naturalmente.

É difícil, mas teremos que nos educar, ao contrário do comportamento do nosso camisa 10, para a derrota. O 7x1 da Alemanha não serviu para isso. O resultado foi tão absurdo que não teve valor pedagógico. Só a derrota se tornando mais rotineira nos servirá de lição de casa. Para mostrar que não somos mais os donos do universo. Muito pelo contrário.

Fica aqui, como ponto final, o minuto de silêncio pela morte de Zito, craque do Santos e da canarinho de 1962, morto no derradeiro domingo aos 82 anos de existência.

Zito é um bom exemplo para o Brasil, nessa fase de luto, repensar o seu futebol. Zito tinha três “bês” que nos fazem muita falta hoje em dia: bola, brio e era um bem-aventurado homem de boa vontade.

Do técnico aos jogadores, há um discurso que se repete: todos querem ganhar do Brasil. Não é verdade. Não é mais assim. E faz tempo. Não se trata mais de todos quererem ganhar do Brasil. Trata-se de todos saberem que podem ganhar do Brasil. Já era assim antes da última Copa do Mundo. Depois do 7 a 1, então, qualquer um acha que pode tirar uma lasquinha do outrora poderoso futebol brasileiro. O pior é que pode mesmo.

Não bastasse o presidente da CBF estar complicado com a Justiça americana, eis que agora o melhor jogador brasileiro está complicado com a Justiça espanhola.

Marco Polo Del Nero não dorme preocupado com o dia em que o FBI preencher com seu nome o que chama de “coconspirador número 12″.

E Neymar acordou ontem com a informação de que ele, o pai dele, dois ex-presidentes do Santos, um ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, íntimo de Ricardo Teixeira, mais o atual presidente catalão, vão ser investigados pela nebulosa transação que o tirou da Baixada Santista e o levou para Catalunha.

O primeiro resultado da notícia foi terrível: um irritado Neymar não jogou bulhufas contra a Colômbia, a Seleção Brasileira o acompanhou numa atuação pífia e perdeu de 1 a 0.

Neymar foi expulso depois que o jogo acabou, está fora da partida decisiva contra a Venezuela e, muito provavelmente, caso a Seleção se classifique, de mais jogos na fase final.

Del Nero não está no Chile, preocupado com sua situação particular, e a sorte de Neymar está nas mãos de João Dória Jr., um empresário desfrutável que não tem a menor ideia de como agir num tribunal esportivo sul-americano, mas que é o chefe da delegação brasileira, embora itinerante, porque ele vai e volta a cada jogo.

A muleta da vez diz que o Brasil não tem uma boa geração. Ela não é a melhor da história, bem longe disso, mas conta com bons e ótimos jogadores. Eles precisam ser reunidos de maneira que, bem treinados, apresentem futebol de bom nível após algum tempo. E para isso será preciso justamente... tempo.

E capacidade. Um técnico com visão mais abrangente sobre futebol, técnica, tática e estratégia. Com metas a serem alcançadas pouco a pouco. Com um comandante capaz de fazer a equipe que jogar bola, marcar, defender, desarmar e também criar, atacar, com repertório. Não é fácil. Não é missão para Dunga. Um Guardiola é preciso.

Esta é uma seleção ruim. Isso menos de uma no depois da maior humilhação da história do futebol em todos os tempos. A aula dada pela Alemanha não deixou legado. Quantos choques de realidade serão necessários para que enxerguem o óbvio? O problema vai muito além de uma Copa América e nem mesmo conquistá-la mudará isso.

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BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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