sexta-feira, 19 de junho de 2015

Batalha de Waterloo: um confronto que marcou o destino de muitos (Por Thiago Muniz)

A Batalha de Waterloo, teve início em 18 de Junho de 1814 em Waterloo, Bélgica e foi um combate decisivo entre forças francesas, britânicas, russas, prussianas, austríacas e se deu nas proximidades da aldeia belga de Waterloo. Ocorreu durante os Cem Dias de Napoleão, entre seu exército de 72 mil homens recrutados às pressas e o exército aliado de 68 mil homens comandados pelo britânico Arthur Wellesley, Duque de Wellington, (com unidades britânicas, neerlandesas, belgas e alemãs), antes da chegada dos 45 mil homens do exército prussiano.

Napoleão Bonaparte perdeu a batalha de Waterloo contra a Inglaterra e a Prússia. Assim, as potências européias encerraram o império de Napoleão I, obrigando-o a abdicar pela segunda vez e o deportando para Santa Helena.

A Batalha de Waterloo foi um confronto militar ocorrido a 18 de Junho de 1815 perto de Waterloo, na atual Bélgica (então parte integrante do Reino Unido dos Países Baixos). 

Um exército do Primeiro Império Francês, sob o comando do Imperador Napoleão (72 000 homens), foi derrotado pelos exércitos da Sétima Coligação que incluíam uma força britânica liderada pelo Duque de Wellington, e uma força prussiana comandada por Gebhard Leberecht von Blücher (118 000 homens). Este confronto marcou o fim dos Cem Dias e foi a última batalha de Napoleão; a sua derrota terminou com o seu governo como Imperador.

Depois do regresso de Napoleão ao poder em 1815, muitos dos Estados que se tinham oposto ao Imperador formaram a Sétima Coligação, dando início à mobilização dos seus exércitos. Duas forças de grande dimensão sob o comando de Wellington e de Blücher concentraram-se perto da fronteira nordeste da França. Napoleão decidiu atacar na esperança de as destruir antes que dessem início a uma invasão coordenada da França, juntamente com outros membros da coligação. O confronto decisivo da campanha de três dias de Waterloo - 16 a 19 de Junho de 1815 -, teve lugar em Waterloo. De acordo com Wellington, a batalha foi "a mais renhida a que assisti na minha vida".

Napoleão atrasou o início da batalha até ao meio-dia esperando que o terreno secasse. O exército de Wellington, posicionado ao longo da estrada para Bruxelas, na escarpa de Mont-Saint-Jean, resistiu a múltiplos ataques franceses até que, no final do dia, os prussianos chegaram em força e penetraram no flanco direito de Napoleão. Naquele momento, o exército de Wellington contra-atacou provocando a desordem das tropas francesas no campo-de-batalha. Posteriormente, as forças da coligação entraram em França repondo Luís XVIII no trono francês. Napoleão abdicou, rendeu-se aos britânicos e foi exilado na ilha de Santa Helena, onde morreu em 1821.

O campo-de-batalha fica, atualmente em território belga, a cerca de treze quilómetros a sudeste de Bruxelas, e a 1,6 km da cidade de Waterloo. No local da batalha existe hoje um enorme monumento designado por Monte do Leão (em francês Butte du Lion), construído por terra trazida do próprio terreno da batalha.

Os últimos dias de março de 1815 foram azedos para os diplomatas reunidos em Viena. Ali, representantes do Império Russo, Reino da Prússia, Império Austríaco, Suécia, Reino Unido e várias nações e reinos menores tentavam, havia meses, redesenhar o mapa político da Europa, reinstaurando as monarquias e os territórios que existiam antes do furacão napoleônico. Porém, a ilusão de que o general corso estava liquidado acabou quando souberam que ele não só havia retornado do exílio na ilha de Elba (uma ilhota no mar Mediterrâneo), como no dia 20 de março fora recebido em glória em Paris. Os aliados mal puderam acreditar. Napoleão Bonaparte, dez meses antes, em 11 de abril de 1814, fora derrotado por uma coalizão de mais de 500 mil soldados de várias nações europeias, que se sublevaram contra o domínio francês após a desastrosa campanha da Rússia, em 1812. Vitoriosos, os aliados colocaram Luís XVIII no trono da França e enviaram Bonaparte ao exílio.

Em 15 de junho, com 73000 homens, ele invadiu a Bélgica. Seu único trunfo era bater separadamente os exércitos inimigos antes que se reunissem. As tropas que estavam na área eram formadas por prussianos e outras compostas por ingleses, belgas, neerlandeses e alemães, instalados na Bélgica. Napoleão tentaria batê-los para forçar algum armistício com as outras nações, que estavam com seus exércitos mais distantes da França. O desafio não era fácil. O exército anglo-batavo-alemão contava com 93 mil homens, liderados pelo duque de Wellington. O prussiano tinha 117 mil homens, comandados por uma velha raposa, o general Blücher. Mesmo em inferioridade numérica, Napoleão teria de atacar. Dentro de um mês, o exército austríaco de 210 mil homens, outro russo, de 150 mil e um terceiro grupo austro-italiano, de 75 mil invadiriam a França pelo norte e pelo sul.

Quando invadiu, as tropas inglesas, prussianas e russas ainda não haviam se juntado ao exército prussiano. Napoleão decidiu bater primeiramente os prussianos, que estavam à sua direita em Ligny. e Napoleão Bonaparte mandou o marechal Michel Ney com 24 mil homens, para Quatre-Bras a fim de barrar qualquer tentativa dos ingleses ajudarem os aliados. 

No dia 16 de junho de 1815, Bonaparte encarou o velho Blücher. Sabendo que eram os franceses que tinham de correr atrás do osso, o prussiano entrincherou seus homens em fazendas próximas a Ligny e esperou. A batalha durou todo o dia. No fim da tarde, a Guarda Imperial Francesa arrebentou o centro prussiano, decidindo a batalha. Blücher evitou uma desgraça maior, liderando o contra-ataque com a cavalaria. Os prussianos puderam recuar em ordem, na escuridão.

Ao término do embate, os prussianos amargavam 22 mil baixas, contra 11 mil dos franceses. Blücher evitou a derrota. Napoleão, porém, conseguiu o que queria: afastar os prussianos para bater os ingleses em seguida. Para não deixar que os prussianos pudessem se juntar aos ingleses na batalha seguinte, Napoleão destacou uma tropa de 30 mil homens, entregou-a ao general Emmanuel de Grouchy e ordenou que perseguisse os prussianos.

Napoleão: 6 curiosidades e lendas sobre essa personalidade histórica

Há 200 anos, em 18 de junho de 1815, acabava o império de um dos principais estrategistas militares da história, o francês Napoleão Bonaparte (1769-1821). Em seu auge, o império napoleônico ocupou boa parte da Europa, acumulando quase um terço da população do continente.

A queda de Napoleão aconteceu na Bélgica, no episódio conhecido como Batalha de Waterloo. Depois de retomar o poder por mais de três meses, no período chamado de Governo dos Cem Dias, Waterloo marcou o fim da carreira política de Napoleão.

Eis seis curiosidades sobre o líder, conhecido por sua personalidade forte:

1) Casar de branco

Para o evento de sua coroação, em 1804, Napoleão mandou confeccionar trajes brancos seguindo o modelo de sua esposa Josefina. Durante a cerimônia, o papa Pio 6º também oficializou o casamento deles. Antes de Napoleão e Josefina, as pessoas se casavam com trajes de qualquer cor. Depois do casal, a opção do branco começou a se popularizar.

Outra relação entre Napoleão e a moda é a lenda de que os botões presentes nas mangas de paletós e casacos foram ideia dele. O imperador gostava que suas tropas estivessem alinhadas e bem vestidas -- ele não gostava que os soldados limpassem o nariz e a boca nas mangas da farda. Por isso, ordenou que oito botões de metal fossem colocados no local, a fim de evitar tal atitude. Com menos botões, o design dos trajes permanece até hoje.

2) Arco do Triunfo: monumento às vitórias das tropas napoleônicas

O Arco do Triunfo, em Paris, é parada turística obrigatória para quem vai para a França. Mas nem todo mundo sabe que os desenhos do monumento fazem referência a batalhas travadas pelas tropas napoleônicas.

Ele foi construído em 1805, quando o exército francês fazia uma campanha militar para lá de bem sucedida. Naquele ano, o império conseguiu uma de suas principais vitórias na Batalha de Austerlitz, numa região que corresponde à atual República Tcheca. Nesse confronto, o exército francês venceu as tropas austro-russas, apesar de ter menor número de soldados que o inimigo. Os historiadores consideram a batalha uma obra-prima tática de Napoleão, o que evidenciou sua genialidade como estrategista militar.

O monumento contém gravados os nomes de 128 batalhas e 56 generais. Apesar de ter planejado a homenagem, Napoleão nunca chegou a ver o Arco do Triunfo pronto. A obra só ficou pronta em 1836, 15 anos após a morte do imperador e 21 anos após a derrota em Waterloo.

3) O imperador sem pênis

Napoleão morreu em 1821, na Ilha de Santa Helena. No entanto, o corpo não foi sepultado com todos os órgãos. O pênis do imperador teria sido amputado horas depois de sua morte. A principal hipótese para explicar esse fato é que a amputação tenha sido feita durante a autópsia, pelo médico francês Francesco Antommarchi.

A relação de Antommarchi com Napoleão era pouco amistosa. Enviado para cuidar do câncer de estômago do imperador, o anatomista pouco entendia do assunto. O fato irritou Bonaparte, que o recebia com insultos e cusparadas. A amputação teria sido uma vingança do médico.

Mais de um século depois, a relíquia reapareceu nos Estados Unidos, guardada pelo urologista John Lattimer. Segundo a Time, Lattimer permaneceu com o órgão até sua morte em 2007. A filha que herdou a relíquia deseja leiloá-la. O preço inicial é 100 mil dólares (cerca de R$ 310 mil).

4) Chapéu leiloado por R$ 6,5 milhões

Em 2014, um chapéu de duas pontas, usado por Napoleão, foi leiloado por 1,89 milhão de euros – cerca de R$ 6,5 milhões. Dos 120 chapéus que o imperador usou durante seu governo, 19 foram encontrados. Boa parte deles está em coleções de franceses.

5) Solução do enigma dos hieróglifos

Napoleão teve um papel essencial para decifrar os hieróglifos egípcios, um dos mais antigos sistemas de escrita do mundo. Durante a invasão do Egito, em 1798, Napoleão levou um grupo de estudiosos, que deveria trazer à França todos os patrimônios de interesse cultural ou artístico.

Um dos soldados de Napoleão encontrou uma pedra de granito, que continha inscrições em três tipos de escrita: grego, hieróglifo egípcio e demótico. Mesmo com diferentes caligrafias, o texto inscrito na Pedra de Roseta, como ficou conhecida, continha o mesmo significado. Foi, portanto, essencial para resolver o enigma dos hieróglifos.

6) Anticristo?

A rainha portuguesa Maria 1ª, apelidada de Maria, a Louca, acreditava que Napoleão seria o "anticristo". Portugal era um dos alvos do imperador, pois o país era aliado e tinha fortes laços comerciais com a Inglaterra. Napoleão havia proibido o comércio com os ingleses, no ato que ficou conhecido como Bloqueio Continental-- e por causa dele, a família real portuguesa fugiu para o Brasil em 1808.

Pesquisadores questionam se vitória de Napoleão em Waterloo mudaria a História

Napoleão foi derrotado em Waterloo em 18 de junho de 1815, e perdeu definitivamente o poder, mas muitos questionam se, caso ele tivesse vencido, teria construído o império que sonhava, de Finisterre até a China, ou se a Segunda Guerra Mundial teria acontecido.

Essas perguntas fascinam há anos os escritores, e também os historiadores mais rigorosos.

Para começar, se tivesse vencido os ingleses de Wellington e os prussianos de Blücher na batalha de Waterloo, no sul de Bruxelas, o imperador teria retomado seu caminho para o norte da Alemanha, considera o historiador Helmut Stubbe da Luz, consultado pela AFP.

"Bremen, Hamburgo e Lübeck teriam se convertido em francesas de novo", sustenta este especialista de Hamburgo, a grande cidade portuária alemã incorporada ao império francês no final de 1810.

Ainda que esse cenário deva ser tomado com reservas, reconhece Da Luz, já que, inclusive se Napoleão tivesse derrotado a coalizão em 18 de junho, as monarquias europeias não teriam se dado por vencidas e teriam continuado lutando.

Waterloo "foi uma vitória total para os Aliados, mas (se o resultado tivesse sido o contrário) não seria uma vitória total para Napoleão", explica o historiador belga Philippe Raxhon, especialista nessa histórica batalha.

Supondo que Bonaparte tivesse vencido seus inimigos diretos, "de terem realizado seus projetos originais de 1810, então tivesse invadido de novo a Rússia e extendido seu império, potencialmente, até as fronteiras da China", considera Stubbe da Luz.

No século XIX, o escritor francês Louis Geoffroy imaginou um cenário ainda mais atrevido. Em seu livro "Napoleão e a conquista do mundo, 1812-1832", escrito em 1836, descreve como Bonaparte consegue submeter a China, convertida em uma simples "província da Ásia".

Nesta ucronia —gênero literário que imagina o que aconteceria se um evento histórico não tivesse acontecido— Geoffroy volta três anos antes de Waterloo.

"Escrevi a história de Napoleão desde 1812 até 1832, desde Moscou em chamas até sua monarquia universal e sua morte. Vinte anos de uma grandeza que crescia incessantemente e que o elevou a uma onipotência acima da qual não há nada mais que Deus", escreveu como introdução o autor, cujo nome real era Louis-Napoléon Geoffroy-Château.

Grandeza? Para Stubbe da Luz, no final das contas, "Napoleão era um ditador".

"Mas não um ditador reacionário como o Czar da Rússia", diz. Para o historiador, um reino napoleônico na Europa continental, equilibrado pela supremacía marítima inglesa, não significaria inevitavelmente um retrocesso para a Humanidade.


** Alemanha menos forte

"A ditadura de desenvolvimento que Napoleão exportou para os países sob sua dominação supôs uma regressão em comparação com o progresso da Revolução Francesa", mas não foi má para as sociedades da Alemanha, Holanda, Itália e Espanha, opina. Ali introduziu "a igualdade de direitos para as minorias religiosas e a população rural, o direito de voto para os homens, um sistema jurídico sem comparação ou um espaço econômico extendido", enumera o especialista.

Com prudência, Stubbe da Luz imagina uma Europa continental dominada pela França durante todo o século XIX. Nesse caso, a Alemanha não teria se feito tão forte, e portanto "provavelmente não teria disposição de provocar a Primeira Guerra Mundial".

Imaginar uma história paralela é um exercício de voo alto para os historiadores. "As causas dos acontecimentos são inumeráveis", lembra Philippe Raxhon, da Universidade de Liège.

Os escritores romancistas, por outro lado, não têm pudores em se deixar levar por sua imaginação.

Em seu 'best seller' "Fatherland", publicado em 1992, o britânico Robert Harris imagina uma Alemanha se preparando para a visita, em 1964, de Joseph P. Kennedy" (o pai de "JFK") a Adolf Hitler, vencedor da Segunda Guerra Mundial. Uma guerra que, segundo outros cenários, não teria acontecido se Napoleão tivesse vencido em Waterloo.

Quatro curiosidades sobre a batalha de Waterloo

1) Cantando vitória antes da hora

Quando os prussos capturaram a carruagem de Napoleão, no dia 19 de junho, encontraram textos impressos anunciando a vitória francesa. As mensagens, dirigidas aos belgas, eram datadas de 17 de junho. Ele também liberava o saque para suas tropas, quando chegassem a Bruxelas.

2) O erro mortal da leitura

O Marechal Grouchy, homem de confiança de Napoleão, não achou necessário deslocar-se até o front, por ter interpretado mal uma mensagem que lhe foi enviada. Nela estava escrito “a batalha começou (engagée)”. Grouchy, porém, leu: “A batalha foi vencida (gagné)”.

3) Depois, uma celebridade no convés

Napoleão causou sensação quando foi aprisionado no navio Bellerophon. Milhares de pessoas remaram perto da embarcação para vê-lo no convés. Quando enviaram sua roupa à terra para ser lavada, algumas pessoas pagaram para poderem vesti-la rapidamente.

4) Na companhia do veneno

Três dias depois de ser derrotado, Napoleão tomou um frasco de veneno que carregou durante a batalha, caso fosse preso. Estima-se que vestígios da fórmula tenham ficado em seu estômago até seis anos depois, quando morreu na ilha de Santa Helena.


























BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

Nenhum comentário:

Postar um comentário