quinta-feira, 25 de junho de 2015

A reestruturação do currículo no mercado de trabalho (Por Thiago Muniz)

As regras do jogo profissional mudaram. É preciso mudar de mentalidade.

"Não permita que ninguém jamais diga quanto você vale. Você é o único capaz de saber seu próprio valor." (Muhammad Ali)

"Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo grau de consciência que o gerou."
(Albert Einstein)

Desemprego no Brasil vai a 6,7% em abril

O IBGE divulgou nesta quinta-feira (25) que a taxa de desemprego em seis capitais do país se situou em 6,7% em abril, o índice mais alto desde 2010. A renda média real, por sua vez, também caiu 1,9% sobre abril e 5% na comparação com um ano antes e está em 2.117,10 reais. Os dois indicadores continuam a compor o quadro de deterioração do mercado de trabalho e da economia neste ano.

Este artigo foi escrito para quem está desempregado neste exato momento. Para quem sofre de frustração e impotência ao verificar que não encontra um emprego. Para quem há algum tempo sente que enviar currículos se transformou em uma perda de tempo. E, definitivamente, para quem deixou de ter medo de se reinventar profissionalmente porque já não tem nada a perder. Para todos vocês, descrevemos a seguir um percurso de nove etapas. Cada uma delas representa um caminho que o leitor deverá percorrer por conta própria.

1. Tome as rédeas de sua vida profissional. A crise explicitou a necessidade de transformação do modelo produtivo que rege nosso sistema econômico. Coube a nós viver o fim da era industrial e o início da era do conhecimento. As regras do jogo profissional mudaram e continuarão mudando, cada vez mais depressa. As instituições estabelecidas já não têm a capacidade de garantir segurança econômica para os cidadãos. Os contratos de trabalho por tempo indeterminado estão diminuindo. E para muitos chegou a hora de encarregar-se pessoalmente do trabalho. E de realizar uma função profissional útil, criativa e que faça sentido, que de preferência não possa ser automatizada e digitalizada pelas novas tecnologias, tampouco ser terceirizada para um país em desenvolvimento.

2. Cultive a inteligência emocional. Estar desempregado é uma situação profissional muito complicada de lidar. No entanto, para conseguir iniciar um processo de mudança, é importante não nos deixar levar pela reclamação, pela vitimização ou pela culpa, pois com isso só conseguiremos consumir a energia vital de que necessitamos para buscar novas soluções e alternativas. É fundamental investir tempo em nos conhecer em profundidade, aprendendo a cuidar da nossa autoestima e a cultivar a confiança em nós mesmos. Na medida em que desenvolvemos nossas fortalezas internas, começamos a enfrentar a adversidade de forma mais responsável, otimista e eficiente. E, à base de treinamento, verificamos que nosso grau de satisfação não tem tanto a ver com nossas circunstâncias, mas com a atitude que tomamos diante delas.

3. Treine a inteligência financeira. Em geral, as crenças sobre o dinheiro passam de geração em geração por inércia, sem nos darmos conta. Do mesmo modo que não escolhemos nosso time de futebol, nossa visão profissional e financeira do mundo foi pré-fabricada; é item de série. Não nos ensinaram a resolver nossos próprios problemas econômicos sozinhos. Cultivar nossa inteligência financeira nos capacita a fazer orçamentos, dando-nos a oportunidade de gerar excedentes para economizar, investir e não depender de empréstimos ou dívidas. Também nos mostra como ganhar mais e gastar menos, emancipando-nos das instituições estabelecidas.

4. Descubra seu propósito profissional. Em vez de fazer o que se diz que temos de fazer (buscar saídas profissionais), é hora de encontrar nosso verdadeiro propósito. E para isso é essencial escolher um caminho profissional que faça sentido para nós. Para além dos motivos típicos que nos movem a trabalhar (dinheiro, poder, segurança, comodidade ou reconhecimento), temos de nos conectar com uma motivação intrínseca que nos permita conceber nossa profissão de forma mais vocacional. Para isso, temos de redefinir nosso conceito de sucesso, assim como os valores que queremos que guiem nossas decisões e ações. O que faríamos profissionalmente se não tivéssemos de ganhar dinheiro? A que nos dedicaríamos se soubéssemos que tudo vai dar certo? O que faríamos se não tivéssemos medo? Saber a resposta dessas perguntas não tem preço.

5. Decida seu papel profissional. Cerca de 85% dos profissionais espanhóis trabalham como “funcionários”, vendendo seu tempo em troca de um salário no fim do mês, e fazendo parte de um sistema produtivo que enriquece outras pessoas. Mas além desse papel profissional existe o de “empreendedor”. Ou seja, aquele que trabalha para si mesmo como autônomo ou freelancer, ou que monta um projeto e contrata outras pessoas. Cada um conta com uma série de vantagens e desvantagens, exige um tipo de mentalidade específico e é acompanhado de um determinado estilo de vida. É por isso que passar de funcionário a empreendedor implica em uma mudança profunda na forma de se relacionar com o mercado de trabalho. E como a segurança profissional está na berlinda, é uma questão de escolher entre a incerteza do funcionário e a incerteza do empreendedor.

6. Faça algo que o apaixone e que potencialize seu talento.Apesar de termos sempre ouvido que “não podemos ganhar o pão fazendo o que gostamos”, na hora de se reinventar é fundamental nos dedicarmos a uma profissão que nos motive e interesse de verdade. Só assim encontraremos a força e a dedicação para dar o melhor de nós, potencializando nossas virtudes e habilidades. Todos temos algum tipo de talento a descobrir e desenvolver. Em essência, o talento é a forma pela qual expressamos nosso valor. Isso sim, os dons que são necessários para realizar as novas funções profissionais não têm nada a ver com a educação industrial ou as aptidões acadêmicas convencionais. Em vez disso, surgem quando nos comprometemos com nosso processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Quando mais nos conhecemos, mais nos valorizamos por sermos quem somos. E quanto mais nos valorizamos, mais sabemos para que servimos e como podemos ser úteis para a sociedade.

7. Encontre um problema social que o motive a resolver. As pessoas estão dispostas a pagar por produtos e serviços que atendam às suas necessidades e satisfaçam suas aspirações. O desafio está em saber que problemas podemos resolver fazendo o que gostamos usando nossos talentos. Também é importante criar “propostas de valor” que melhorem a qualidade de vida de outras pessoas. Ao mesmo tempo, é fundamental conhecer as últimas aplicações e ferramentas digitais que podemos empregar na Internet, concebendo assim novas formas de agregar valor ao mercado profissional.

8. Invista em formações específicas. Nesse ponto do caminho pode ser decisivo assistir a seminários que nos ensinem a “saber como” e a “ter com que” expressar nosso talento. Nesse sentido, a universidade convencional parece estar deixando de ser a única opção. Quanto do que estudamos nos foi realmente útil para desempenhar nosso trabalho atual? A nova formação será cada vez mais focada em oferecer cursos práticos que nos ensinem a desenvolver habilidades que nos permitam resolver problemas concretos. O investimento mais importante tem de ser feito em nós mesmos. Nossa inteligência, nossa criatividade e nosso talento são nossa principal fonte de riqueza.

9. Desenvolva sua marca pessoal. O marketing está se democratizando e se personalizando. E cada vez mais será protagonizado pela “marca pessoal”. Uma vez que temos claro o que oferecemos, o desafio é descobrir como oferecer. Ou seja, a maneira como nos comunicamos e conectamos com as pessoas a quem nossos serviços podem servir. É primordial montar uma página na web explicando os benefícios e soluções que oferecemos, utilizando as redes sociais para nos apresentar a nossos potenciais clientes. Por meio de nossa marca pessoal conseguimos que nossa profissão seja um reflexo da pessoa que somos, aprendendo a ganhar dinheiro como resultado de criar riqueza para a sociedade.

CV: 10 erros comuns

Já pensou em quem lê o seu Curriculum Vitae? Tente estar na pele de um recrutador e imagine que tem 300 CVs para analisar e tempo limitado para o fazer. Por onde vai começar?

Por mais que queira, não terá tempo para ler exaustivamente todos os CVs e, como tal, tem de filtrar e reduzir o leque de potenciais candidatos, procurando encontrar formas fáceis e eficientes de o fazer. Nesta fase, ainda não está à procura dos melhores, e sim procurando argumentos para eliminar candidatos, ou como se diz, está à procura de erros.

Um CV com erros pode significar a perda de boas oportunidades de emprego e revê-lo é essencial para prevenir erros que podem funcionar como filtros de rejeição na cabeça dos recrutadores. Conheça os 10 erros mais comuns em CVs, segundo o site Monster:

1) Ter erros gramaticais

Se o seu CV tiver erros e não for perfeito, os recrutadores poderão basear-se nisso para tirar conclusões à cerca de ti. “Não é atento”, “não tem atenção ao detalhe”, “não se esforçou”, “não se dedicou o suficiente” ou até “não sabe escrever”, são alguns dos pensamentos aos quais os recrutadores podem se agarrar para o eliminar.
2) Ser pouco objetivo

Os recrutadores querem compreender claramente o que já fez e alcançou. Quanto mais específico for, mais facilmente passará uma imagem compreensível pelo recrutador. “Membro de equipe de vendas” é menos objetivo e esclarecedor que “Prospecção, contato, abordagem e negociação com potenciais clientes. Angariação de X novos clientes e R$ Y em receitas”.

3) Não estar adaptado

Um CV geral enviado para todas as empresas ou vagas tem maior dificuldade em dar resultado. O CV deve ser ajustado em função da oportunidade almejada e das necessidades e competências específicas ao emprego.

4) Estar focado em funções

Os recrutadores preferem ver CVs focados em resultados/conquistas do que em funções/deveres. “Organização de histórico de arquivos, tornando-os mais facilmente acessíveis aos membros do departamento” é preferível a “Gestão documental do departamento”

5) Ser demasiadamente longo ou demasiadamente curto

Por norma um CV não deve ter mais do que 2 páginas. Já a tentação de tentar apenas 1 página pode significar deixar de fora informação relevante e valiosa para o candidato.

6) Ter um objetivo fraco

O objetivo do CV deve “vender” o seu valor acrescentado à empresa. Evite chavões como “À procura de oportunidades desafiadoras e com boas perspectivas” e aproveite para mostrar como pode beneficiar a empresa “Procuro utilizar e potencializar as minhas capacidades de persuasão e negociação para contribuir com o aumento das vendas da empresa”.

7) Ser passivo

Ao escrever o CV, deves utilizar verbos orientados para a ação. Em vez de “Responsável pela angariação de clientes”, pode escrever algo como “Angariei X clientes no valor de R$ Y no espaço de um ano”.

8) Omitir informação relevante

Por vezes experiências que podem parecer menos importantes são relevantes para os recrutadores. Um trabalho em part-time durante os estudos pode tê-lo ajudado a ganhar competências como gestão de tempo ou trabalho em equipe.

9) Ser difícil de ler

Um bom CV deve facilitar a vida do leitor. Para tal, certifique-se que tem uma estrutura e apresentação adequadas e que é fácil de ler e analisar.

10) Ter os contatos incorretos

De nada lhe serve um bom CV se depois não pode ser facilmente contatado. Certifique-se que mantém os contatos corretos e atualizados e que utiliza um número de celular que tem sempre disponível ou um e-mail que acesse regularmente.

Lembre-se que um bom CV é essencial na seleção para entrevistas e logo, decisivo na sua procura de emprego.



BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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