quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ricardo Teixeira: o oculto aos escândalos do futebol (Por Thiago Muniz)

Ricardo Terra Teixeira (Carlos Chagas, 20 de junho de 1947) é um ex-dirigente desportivo brasileiro, 18º presidente da Confederação Brasileira de Futebol, onde permaneceu no cargo de 16 de janeiro de 1989 até 12 de março de 2012. Seu quinto mandato consecutivo terminou em 2007, mas havia sido prolongado, e deveria durar até 2015.

Durante sua gestão na CBF, seleções brasileiras, de todos os níveis, conquistaram 11 títulos mundiais e 27 sul-americanos, consolidando a sua hegemonia no cenário mundial. Por outro lado, durante seus cinco mandatos aumentou em muito a êxodo de craques brasileiros para o exterior, nem sempre para os grandes clubes do futebol europeu.

Deve-se ainda a Ricardo Teixeira e a Eurico Miranda (na época, diretor de futebol da CBF), a criação da Copa do Brasil, que propicia a pequenos clubes, alguns de fora dos grandes centros, a oportunidade de aparecerem no cenário nacional.

O jovem mineiro do interior, filho de um bancário, estudava Direito no Rio de Janeiro quando conheceu Lúcia, filha de João Havelange, no carnaval de 1966. Tinha apenas dezenove anos.

Ao nascer seu primeiro filho (1974) fez um agrado ao sogro ao registrá-lo com o nome de Ricardo Teixeira Havelange, colocando por último o sobrenome materno, ao contrário do que determinava a lei brasileira.

Teve uma mal-sucedida passagem pelo mercado financeiro, numa sociedade com o pai, o sogro e um irmão.

Chegou ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 1989, sucedendo Octávio Pinto Guimarães, após derrotar na eleição o então vice-presidente da entidade, Nabi Abi Chedid. Encontrou a entidade quase sem condições de arcar com os custos da preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1990, na Itália.

Escândalos atingiriam a gestão de Teixeira, que é marcada por denúncias, com acusações de nepotismo no preenchimento de cargos na CBF, pagamento de viagens para países sedes da Copa do Mundo a magistrados e a outras autoridades, importação irregular de equipamentos para sua choperia El Turf, no Rio de Janeiro, após a Copa de 1994, a celebração de contratos lesivos para o futebol brasileiro, em especial com a fabricante de artigos esportivos Nike, omissão das declarações de rendimentos apresentadas nos exercícios de 1991, 1992 e 1993 dos valores por ele mensalmente auferidos, omissão de rendimentos provenientes de atividades rurais nas fazendas Santa Rosa I e II, localizadas no município fluminense de Piraí.

Também deu dinheiro da CBF para campanhas políticas de dirigentes esportivos, com o intuito de manter no Congresso Nacional uma bancada de deputados e senadores para defender a seus interesses (manter-se no controle da CBF, impedir investigações sobre corrupção dentro da CBF), que ficou conhecida como bancada da bola. Com a montagem deste esquema de poder, assegurou suas quatro reeleições.

Em 1998, vê-se envolvido em comissões parlamentares de inquérito na Câmara de Deputados e no Senado Federal, mas, com auxílio de congressistas fiéis, consegue se livrar das acusações. Prestou depoimento em duas CPIs, a do futebol e a da CBF-Nike.

Em 2000, Ricardo Teixeira prestou depoimento na CPI do Futebol. Até 1996 a CBF apresentava lucro. Neste ano assinou um contrato com a Nike de 160 milhões de dólares e a partir de então começou a ter prejuízos, ano após ano. A entidade então tomou dinheiro emprestado de origem duvidosa, pagando juros muito mais altos do que os de mercado, em alguns casos de cerca de 43%. Descobriu-se uma série de empresas suas e de comparsas ligadas a transações irregulares de dinheiro. Afirmou em depoimento na CPI que havia ganhado tanto dinheiro investindo em ações, mesmo sabendo-se que havia falido neste ramo no início de sua carreira. Também prestaram depoimentos Vanderlei Luxemburgo, Eurico Miranda e o empresário J.Hawilla. A Receita Federal autuou a CBF em R$ 14.408.660,80 por dívidas com o Fisco.

Na CPI da CBF-Nike, que contou com declarações de Zagallo, João Havelange e do atacante Ronaldo, Ricardo Teixeira foi acusado por Aldo Rebelo de fazer complô para tentar enfraquecer o trabalho das CPIs, por unir forças com Pelé, que antes o acusava de corrupção. Teixeira prestou esclarecimentos sobre a CBF, atividades pessoais e de suas empresas, como o restaurante carioca El Turf. Em janeiro de 2002, Teixeira obteve liminar da Justiça proibindo a impressão e distribuição do livro "CBF-Nike", de autoria dos deputados Sílvio Torres e Aldo Rebelo. A obra relatava todas as investigações que devassaram seus negócios. Atualmente Aldo Rebelo é amigo pessoal e confidente de Ricardo Teixeira. Está disponível na internet um resumo do relatório final da CPI.

Em 2007, a bancada da bola agiu novamente sob influência de Ricardo Teixeira e de 12 governadores, que previamente foram à Europa a convite de Ricardo Teixeira, por ocasião da escolha do país sede da Copa do Mundo de 2014, para impedir a instalação da CPMI do Corinthians/MSI, com a retirada de votos a favor da CPMI na última hora. 

O argumento era que a CPI poderia influenciar na escolha da sede. No epsódio, 71 parlamentares mudaram de opinião, e apenas 3 se justificaram.

Sobre o epsódio, Juca Kfouri escreveu: "Momento trágico: nada mais repulsivo que a campanha do presidente da CBF contra a CPMI Corinthians/MSI. E nada mais revelador de quem são alguns parlamentares de todos, rigorosamente todos, os grandes partidos. Daí o "jogo da família" ter sido o do senta, levanta. Elementar." Em seu blog, Juca Kfuri publicou ainda a lista com os nomes dos parlamentares que mudaram seus votos. São 18 parlamentares mineiros e 8 paulistas, entre muitos outros.

Por ocasião da escolha das cidades que receberiam jogos da copa, o apoio político à Ricardo Teixeira esteve ameaçado brevemente. Porém, novamente, a corrupção na CBF não esteve ameaçada.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que não apoiou o pedido de abertura da CPMI, declarou "Será que teremos de apoiar a CPMI de Corinthians e MSI para que expliquem em Brasília a escolha das cidades?" Numa clara atitude "toma-lá-da-cá".

Investigação na Fifa atinge Ricardo Teixeira

Presidente da CBF por mais de 20 anos, ele teria recebido US$ 15 milhões em apenas um contrato.

A investigação do FBI sobre o esquema de corrupção na Fifa e na Confederação Brasileira de Futebol atinge de forma direta Ricardo Teixeira, que presidiu a CBF entre 1989 e 2009. O nome do dirigente não é citado abertamente, mas a investigação das autoridades norte-americanas deixa claro que ele recebeu propina em ao menos dois negócios: no contrato da entidade que comanda o futebol brasileiro com a Nike e na venda de direitos de transmissão da Copa do Brasil.

O Departamento de Justiça dos EUA tornou públicas duas peças acusatórias na quarta-feira 27: uma delas contra o empresário J. Hawilla, dono da Traffic, e outra contra uma série de integrantes da Fifa, inclusive José Maria Marin, sucessor de Teixeira na presidência da CBF até 2015, quando deu lugar a Marco Polo del Nero, atual dono do cargo.

Nos dois inquéritos, os investigadores citam o caso de patrocínio fechado entre a CBF e a Nike, cujas negociações tiveram início em 1994 e foram finalizadas em 1996. Segundo as autoridades, Ricardo Teixeira e J. Hawilla negociaram o contrato com a Nike para a empresa norte-americana se tornar a fornecedora de material esportivo da seleção brasileira. Com validade de dez anos, o contrato era avaliado em 160 milhões de dólares.

Do valor total previsto no contrato, 40 milhões de dólares deveriam ser remetidos diretamente pela Nike à Traffic, como comissão pelos serviços prestados pela empresa de marketing esportivo de J. Hawilla. Os inquéritos não explicam como isso ocorreu, mas em vez de 40 milhões de dólares chegaram à Traffic 30 milhões de dólares. Metade desse valor, afirma J. Hawilla, foi entregue para Teixeira, ou seja, 15 milhões de dólares.

Esse personagem que negociou o contrato entre a CBF e a Nike ao lado de Hawilla (Teixeira, como mostram registros históricos) aparece como "co-conspirador número 11" no inquérito em que Marin é citado nominalmente e como "co-conspirador número 13" na ação contra Hawilla. Designado como um integrante de “alto nível” da Fifa e da CBF e membro da Conmebol, o "co-conspirador número 13" só pode ser Teixeira, pois ele foi o único todo-poderoso do futebol brasileiro por mais de duas décadas.

A prova mais cabal sobre o co-conspirador ser Teixeira, no entanto, está posta no inquérito contra Marin. Ali, os investigadores detalham como os direitos de transmissão da Copa do Brasil, torneio anual de clubes brasileiros, eram alvo de corrupção. De acordo com a acusação, a Traffic pagava propina a Marin e a outros dois dirigentes da CBF 2 milhões de reais por ano por esses direitos.

De acordo com a denúncia do FBI, em 2014 Marin se encontrou com J. Hawilla em Miami, nos Estados Unidos, e foi questionado sobre a necessidade de a propina continuar fluindo para "seu antecessor como presidente da CBF", que era Ricardo Teixeira. Marin, então, respondeu: “’Já é tempo de vir na nossa direção [a propina]. Certo ou errado?’ O Co-Conspirador #2 [J. Hawilla] concordou dizendo ´Claro, claro, claro. Esse dinheiro tem que ser dado a você. Marin concordou: ´É isso. Está certo’”.

Na peça contra J. Hawilla, esse diálogo entre Marin e o empresário não consta, mas é possível saber quando a corrupção na Copa do Brasil teve início: em 1990, ainda durante a segunda edição da competição, criada pelo próprio Ricardo Teixeira ao assumir a CBF. Segundo Hawilla, ele pagou, entre 1990 e 2009, propina pelos direitos da Copa do Brasil “de tempos em tempos” a Teixeira.

Ricardo Teixeira também é suspeito de receber propina

José Maria Marin, preso nesta quarta-feira (27) na Suíça, não é o único ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sob suspeita de ter participado do esquema de corrupção da Fifa denunciado pelo Ministério Público dos Estados Unidos. Documento obtido por ÉPOCA aponta que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que comandou com mão-de-ferro a entidade de 1989 a 2012, teria recebido propina de José Hawilla, dono da Traffic Group, empresa que negocia direitos de transmissão de torneios de futebol, como a Copa do Brasil. De acordo com a investigação do FBI, Marin também recebeu dinheiro ilegal na mesma transação.

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

No fim de 2011, porém, a Klefer, empresa concorrente da Traffic, passou a rival para trás na disputa e obteve da CBF o contrato pelos direitos de todas as edições da Copa do Brasil entre 2015 e 2022. Não saiu de graça. Para conseguir o negócio, a empresa do ex-presidente do Flamengo Kleber Leite “concordou em pagar uma propina anual” a um alto dirigente da CBF, como Hawilla “tinha feito no passado”. Durante as negociações, Leite viajou aos Estados Unidos para discutir o assunto com o dirigente, que não é identificado nominalmente na denúncia. O presidente da CBF, na ocasião, era Ricardo Teixeira, que renunciaria em março de 2012.

Havia um problema, entretanto. Kleber Leite informou a Hawilla que havia acertado pagamentos de propina ao dirigente da CBF. Passado algum tempo, porém, avisou que o valor do suborno negociado originalmente tinha aumentado, diante de novas circunstâncias. “Outros dirigentes da CBF – inclusive o réu José Maria Marin [que se tornou presidente da CBF em 2012], e o co-réu 12 [não identificado nominalmente] também exigiram pagamento de propina”. Segundo a denúncia, Hawilla “concordou pagar metade do custo do suborno, que totalizava R$ 2 milhões por ano”, a ser distribuído entre Marin, o novo dirigente, e o anterior.

De acordo com a denúncia, José Maria Marin e Hawilla se reuniram em abril do ano passado em Miami, na Flórida, para conversar sobre os pagamentos que Hawilla lhe devia pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. O documento do Ministério Público americano afirma que, na conversa, Hawilla perguntou a Marin se “era realmente necessário continuar a pagar propinas ao antecessor de Marin [Ricardo Teixeira]”. O ex-presidente da CBF então afirmou: “Já está na hora de... de começar a vir para a gente. Verdade ou não?’ Hawilla respondeu: ‘Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha de ser dado a você’. Marin concordou. “É isso aí, está certo.”

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

Hawilla, acusado dos crimes de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, fez umacordo com a Justiça dos Estados Unidos e pagará US$ 151 milhões (o equivalente a R& 470 milhões), dinheiro que teria lucrado ao pagar propinas para fechar contratos.

Del Nero liga contratos sob investigação à gestão Ricardo Teixeira

O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, afirmou que a prisão do ex-presidente José Maria Marin em Zurique nesta quarta-feira (27) é "péssima" para a imagem da entidade.

Ele, no entanto, defendeu o cartola, atual vice-presidente da confederação. Segundo Del Nero, os contratos da Copa do Brasil colocados sob suspeita pelas autoridades americanas nesta quarta foram assinados antes da gestão de Marin. Marin assumiu o cargo em março de 2012 após renúncia de Ricardo Teixeira.

"São contratos firmados antes da administração de Marin, não tem nada firmado após. Eu conheço os contratos", disse.

Questionado pela Folha se a prisão de Marin, junto a outros seis dirigentes da Fifa, prejudica a imagem da CBF, Del Nero respondeu: "Não é boa né? Lógico que não é boa, é péssima, mas temos que saber o que se passa", afirmou.

O dirigente brasileiro diz que foi informado pela mulher de Marin da prisão, ocorrida num hotel de luxo em Zurique onde os cartolas estão hospedados para o congresso da Fifa que elege o novo presidente na sexta-feira (29).

Del Nero fez as declarações após reunião da Conmebol, entidade que reúne as confederações sul-americanas.

A CBF divulgou uma nota em que diz que aguarda as investigações e que não fará julgamentos antes disso. Leia na íntegra:

"Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação. A entidade aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente. A nova gestão da CBF iniciada no dia 16 de abril de 2015 reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência."

CBF monta estratégia para pôr culpa em Ricardo Teixeira e livrar Marin e Del Nero

Pressionada com a prisão de seu vice, José Maria Marin, a CBF monta uma estratégia para lavar as mãos e se isentar de culpa nas investigações dos EUA.

A confederação age para transferir os holofotes para Ricardo Teixeira, ex-presidente que renunciou em 2012 após denúncias de corrupção. Ao colocar a culpa em Teixeira, o plano da diretoria da CBF é limpar a ficha de José Maria Marin e, especialmente, de Marco Polo Del Nero, novo presidente da entidade.

O discurso, alinhado entre Del Nero e sua diretoria, diz que a maior parte dos contratos da CBF foram assinados na gestão de Teixeira e que Marin “é a continuidade”.

De Zurique, aliás, o novo presidente da CBF entrou em contato com sua diretoria, no Rio, para emitir esse discurso. Foi Del Nero quem mandou soltar a nota oficial da CBF que diz: “A nova gestão da CBF iniciada no dia 16 de abril de 2015 reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência.”

Ricardo Teixeira segue escândalo e se vê traído por Del Nero

Ricardo Teixeira, confidenciou a amigos sua irritação e desapontamento com o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, por causa dos desdobramentos do escândalo no futebol mundial, desvendado em ação da Justiça dos Estados Unidos. Os dois eram aliados até recentemente. Segundo uma fonte revelou ao site Terra , Teixeira está se sentindo "traído" por Del Nero.

O motivo da irritação do ex-mandatário é por causa da declaração do atual presidente de que as atividades ilícitas investigadas pelo FBI teriam sido cometidas em administrações anteriores a de Marin, no caso a de Teixeira.

Teixeira tem acompanhado de sua casa, no bairro de Itanhangá, zona oeste do Rio, as notícias sobre a operação, que prendeu dirigentes de futebol de vários países, acusados de corrupção, incluindo o também ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Na última quarta, ele já recebeu a visita de pelo menos dois advogados, a quem recorre há vários anos, e conversou por telefone com amigos que ainda trabalham na CBF para saber em que pé estão as investigações que já receberam o reforço até de procuradores do Ministério Público Federal. De acordo com o senador Romário (PSB-RJ), o aprofundamento das investigações da justiça americana vai levar Ricardo Teixeira para a prisão.

Desde que renunciou à presidência da CBF, em 2012, por causa do acúmulo de denúncias de corrupção contra a CBF e ele próprio, o ex-dirigente se mantém recluso. Primeiro, foi morar em sua casa de Miami. Depois, voltou ao Rio. Também desfruta de uma residência no Uruguai. Recentemente, esteve em Mônaco.

Ricardo Teixeira faz acordo financeiro e corta vínculos com a Fifa

Num esforço para se afastar da Fifa e evitar um possível processo, o brasileiro Ricardo Teixeira rompeu com todos os vínculos financeiros com a entidade. O ex-presidente da CBF era membro do Comitê Executivo da Fifa até 2012, o que lhe dava direitos a receber uma aposentadoria até o ano de 2030. Mas um acordo foi fechado, fazendo com que ele recebesse um pacote de benefícios em uma só parcela milionária.

— Teixeira faz parte do passado — declarou o chefe do Comitê de Auditoria da Fifa, Domenico Scala, que confirmou a "bolada" recebida pelo brasileiro.

Ele, porém, não aceitou revelar o valor. Pelas regras da entidade, todos os cartolas têm o direito de receber a aposentadoria. Em 2013, o brasileiro teria, em tese, uma pensão da Fifa de cerca de R$ 60 mil, valor que entraria em sua conta até ele completar 82 anos. O dinheiro é considerado uma retribuição aos serviços prestados ao futebol.

A Fifa reservou US$ 16,8 milhões para as pensões dos 24 membros de seu Comitê Executivo, um "pé de meia" que eles mesmos criaram em 2005. Com o corte de todos os vínculos com a Fifa, Ricardo Teixeira tenta se afastar de qualquer processo legal na entidade. Pelo seu estatuto, a Fifa apenas pode julgar e punir quem mantém algum vínculo com a entidade.

No caso da investigação sobre os votos dados ao Catar para receber a Copa do Mundo de 2022, Ricardo Teixeira faz parte do informe de 200 mil páginas. Ele foi um dos que deu seu apoio à candidatura do país árabe. 

Mas uma eventual punição pode ser comprometida pelo fato de ele ter se afastado da Fifa e nem mais estar recebendo aposentadoria. Isso não significa, porém, que uma ação não possa ser tomada.

Ricardo Teixeira deixou a CBF e a Fifa em março de 2012, diante dos escândalos que se acumulavam. Alguns meses depois, a entidade com sede em Zurique chegou a tornar público documentos da Justiça da Suíça que comprovavam que o cartola brasileiro havia fraudado a Fifa e recebido propinas no valor de R$ 45 milhões durante anos. Além dele, o também brasileiro João Havelange, que já foi presidente da Fifa, estava envolvido no escândalo de corrupção.

Mas nem a Fifa e nem seu presidente, Joseph Blatter, jamais tomaram qualquer ação em relação a Ricardo Teixeira e Havelange. Pela publicação dos documentos da Justiça, ficou evidenciando que os dois brasileiros pagaram uma multa e o processo foi encerrado.

Meses depois, Blatter justificaria o fato de jamais ter agido contra o esquema, ainda que ele tivesse sido por todos esses anos o "braço direito" de Havelange na Fifa.

— Saber o quê? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios — respondeu Blatter. — Hoje, seriam punidas pelas lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje — indicou. — Caso contrário, acabaria como justiça moral. Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa.

Investigação contra Ricardo Teixeira é aberta pela Polícia Federal

Assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro confirma que cartola e irmão serão investigados por lavagem de dinheiro.

O delegado Vitor Poubel, chefe da Delegacia de Combate a Crimes Financeiro (Delefin), abriu inquérito contra Ricardo Teixeira. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. O nome do delegado que vai conduzir o caso, no entanto, ainda é mantido em sigilo.

Poubel vai coordenar as investigações contra Ricardo Teixeira e Guilherme Terra Teixeira, irmão do cartola, suspeitos por crime de lavagem de dinheiro no episódio da empresa Sanud - sediada no paraíso fiscal de Liechtenstein. A tendência é que ambos sejam ouvidos em breve.

A Sanud seria uma porta de entrada para dinheiro remetido ilegalmente ao Brasil. A empresa, de propriedade de Ricardo - Guilherme é procurador da Sanud - teria absorvido US$ 9,5 milhões (cerca R$ 16,7 milhões) no caso de pagamento de propina da extinta empresa ISL, acusada de dar dinheiro a integrantes da Fifa em troca de privilégios no contrato de televisão da Copa do Mundo.

Os documentos que comprovariam os subornos podem ser solicitados pela Justiça do Brasil.

O instauração do inquérito atende solicitação do procurador Marcelo Freire. Freire pediu que a evolução patrimonial dos Teixeira seja investigada.

Inicialmente, a equipe da Delefin tem 90 dias para concluir as investigações, mas o prazo pode ser esticado caso haja necessidade.

Onde está Ricardo Teixeira?

Será que ele é uma das peças do “Quebra Cabeça” que o FBI está quase fechando, mas, parece, alguém surrupiou e colocou dentro da cueca?

É preciso muita calma nesta hora. ‘Uma coisa é uma coisa’ e ‘outra coisa é outra coisa’.

Até agora Santo Ricardo, mesmo canonizado pela SRF/MF, um ex-presidente e por políticos (à exceção do sagaz Romário, a quem nunca o Santo ousou benzer) e resolveu não subir ao céu e ficar por aqui mesmo cobrando às bençãos aos afilhados. Bem isto “é uma coisa”.

Já o FBI e o Deptº de Justiça Norte Americano … aí, “é outra coisa”. Se eles estão falando em 24 anos, a única peça que falta só pode ser ele, pois o sogro aos 99 … noves fora, nada. Mas Herdeiros e Sucessores deste que se acautelem, ainda não se passaram vinte anos.

E isto é extremamente grave, na oportunidade em que o agente das propinas, J. Havilla, dono da Traffic, em seu acordo com a Justiça Norte Americana, admitindo uma série de crimes, concordou em pagar uma multa, devolvendo US$ 151 milhões. Essa foi uma das condições para não ser preso. Agora, vá saber se, também não falou coisas que não se divulgou.

Repórter da BBC fala mal de Ricardo Teixeira no Sportv

O inglês Tim Vickery é presença frequente no Redação Sportv, programa do canal de esporte das Organizações Globo. Correspondente da BBC no país, ele fala com conhecimento sobre futebol brasileiro e várias vezes aponta absurdos que ele vê no nosso país.

O inglês aproveitou para alfinetar Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Duramente criticado pela imprensa e alvo de uma campanha que pede sua queda, o cartola mostrou proximidade com a Globo à revista Piauí, quando deu a entender que uma entrevista sua à emissora tinha temas proibidos, como denúncias à sua administração.

Apesar de ter sido alvo de uma reportagem no Jornal Nacional recentemente, Ricardo Teixeira dificilmente é citado negativamente em canais da Rede Globo. Tim Vickery ignorou a regra e alfinetou o cartola.

“Vocês [brasileiros] são muito intolerantes com várias coisas, mas são muito tolerantes com outras, como o Ricardo Teixeira”, disse o inglês, sem que André Rizek, apresentador do programa, e o comentarista Renato Maurício Prado o interrompessem ou alongassem o assunto.

O comentário gerou repercussão imediata no Twitter. Internautas parabenizaram o inglês pela postura de criticar o cartola-mor do futebol brasileiro em um canal da Globo.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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