segunda-feira, 18 de maio de 2015

Quem disse que o Brasileiro é simpático? (Por Thiago Muniz)

A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba.

Na relação entre as pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, é uma sociedade que se mata. Esse é o Brasil que vemos hoje na internet. Essa agressividade sempre existiu.

O povo brasileiro é um povo mau, interesseiro e não tem consideração quando se trata de bens materiais. Dizer que brasileiro é solidário é conversa fiada. Tudo o que o povo faz é pensando no seu próprio umbigo. Essa aparente alegria é apenas comodismo, pra dar menos trabalho. Se puder resolver as coisas com " jeitinho" é assim que ele resolve. Nosso problema não é educação, é índole. Se bastasse educação não teríamos tantos ladrões de colarinho branco. As pessoas falam mas se tiverem oportunidade vão fazer as mesmas coisas.

Esse debate em torno de nossa simpatia é interessante. Acredito que pessoas são primordialmente egoístas e antipáticas. No mundo todo. O ser humano é um bicho horrível, destruidor e predatório. É bom lembrar que não é diferente em nenhum lugar. 

Mas o brasileiro é muito agressivo, mais agressivo que o espanhol e que o americano, e isso fica bem óbvio se for observado os modos virtuais de nosso povo. Somos uma sociedade onde vale mais quem grita mais alto. Vale a pena tentar acabar com isso partindo de nós mesmos.

Brasileiro é um povo cordeiro, abaixa a cabeça e deixa ser levado. Estão aí algumas coisas que comprovam isso: não sabem votar; dizem, orgulhosos, que não gostam de política, vão aos estádios às 10 horas da noite para levantar às 6 da manhã; assistem BBB, e ainda dão lucro para as empresas de telefonia; idolatram jogadores de futebol e "celebridades" instantâneas.

Mas isso não é apenas mérito de brasileiro, a humanidade está cada vez mais hipócrita e egocêntrica, buscando cada vez mais uma autonomia por não confiar no próximo, que por sua vez também não confia, aí terminam cada um se recolhendo em sua casca vivendo seu próprio egoísmo.

O ser humano é produto do meio aonde cresce e aonde vive, na maioria dos casos. Veja nossa colonização foi a ferro e fogo, com muito saque e roubo. As crianças crescem sem.noção nenhuma de civilidade, ou é extremamente pobre aonde existe o hoje e a próxima refeição ou os pais derem tudo mas se esqueceram de que educação começa em casa. Nosso governo não ajuda muito, máfia para roubar. Receita.certa para a violência e impunidade.

O brasileiro é racista pré conceituoso invejoso oportunista aproveitador desleal e irônico. A palavra que mais define o brasileiro é a ironia. Em meio a tanta diversidade e adversidade só resta fazer uma piada. Dar uma risada e ir em frente. Mas se o assunto for fazer maldade para alguém e isto gerar uma convulsão pode ter certeza o brasileiro ganha de qualquer pais em violência crueldade e técnicas de tortura que remontam a idade média. O preso aqui fica protegido na cadeia por que se deixar por conta da população ele é torturado e linchado com requintes de crueldade de fazer inveja ao ISIS. Só lembrar do tal pau de arara. Amarrar uma pessoa numa estaca e tacar fogo por baixo assando o ventre. Linchamentos. Chacinas. Esquartejamentos. Tem gente que é assassinado só porque é bonito ou esta bem vestido.

O sistema político brasileiro está mal como estão mal todos os sistemas do mundo. Há protestos e desgaste dos partidos tradicionais, além da aparição de correntes populistas de extrema-direita e de extrema-esquerda. Na Espanha, em Portugal e na Grécia, a reação é de esquerda. Na França, na Inglaterra e na Alemanha, é de direita. Quando aponto a questão política me refiro a uma crise mundial dos sistemas tradicionais de democracia representativa, por conta da corrupção, agora mais exposta porque as pessoas têm mais acesso à informação e mais capacidade de organização por conta da internet.

Os cidadãos deixaram de aceitar que sua capacidade política seja um voto a cada quatro anos. Há uma insatisfação com toda a classe política. E isso não significa que se acredite que todos os políticos sejam corruptos, mas sim que há uma classe política que está separada da cidadania, que é formada por profissionais que têm um interesse comum: o monopólio da política da corrupção. Essa é a raiz do problema no Brasil, mas não só. Nos últimos anos vimos que afundou o sistema político italiano, espanhol, grego, está afundando o da Argentina, o do México. É algo mais profundo.

Está ocorrendo a tempestade perfeita. Junto a essa crise de representatividade, uma piora da economia. Houve um período de bom crescimento com redistribuição. Mas a desaceleração da China fez com que ficasse difícil manter o mesmo alto nível de gasto público. E então ressurgiu a inflação, que já sabemos que foi um câncer para a economia e a sociedade brasileira em outras épocas. No momento em que o governo atual percebeu que poderia haver um aumento da inflação, deveria ter restringido o gasto público, e não o fez.

As principais diferenças dos protestos no Brasil em 2013 e 2015 são em comum têm a denúncia da corrupção e o sentimento de que há demandas dos cidadãos que não podem se expressar nos atuais sistemas políticos. O movimento de 2013 era popular, jovem, e partiu de demandas concretas, mas imediatamente levantou o tema da dignidade. E teve êxito, pois anulou-se o aumento das tarifas. O movimento no Brasil causou a reação política mais positiva de um governo no mundo. A presidente Dilma Rousseff se conectou com ele. Mas o aparato do PT bloqueou a possibilidade de reforma.

O grupo que pede um golpe de Estado é pequeno e considero impossível que isso ocorra. Mas o significativo é que existam cidadãos e políticos que o queiram. 2013 e 2015 se conectam com as recentes manifestações em outras partes do mundo porque mostram que a sociedade que quer expressar-se, hoje em dia, se expressa em movimentos espontâneos, coordenados pela internet, e presentes na rua.

Essa é uma transformação completa, não digo se é boa ou má, apenas digo que é uma transformação. As instituições clássicas não são capazes de representar a diversidade da sociedade. Às vezes é pela esquerda, às vezes pela direita, às vezes são jovens, às vezes são de idade madura, mas o comum a todos é que não creem na possibilidade de representação institucional, têm de conectar-se pela internet e sair às ruas.

A internet é um instrumento de comunicação livre. Portanto, causa curto-circuito às instituições e ao poder do dinheiro. A comunicação social estava monopolizada até hoje ou pelo poder político, ou pelo poder econômico. Agora, a internet permite às pessoas comunicar-se diretamente sem passar por esses controles, e sem passar por qualquer censura. Ainda que se queira controlar a internet, não se pode.

Eu não creio que no Brasil, com a internet, exista mais agressividade no debate. O Brasil sempre foi agressivo. Nos tempos da ditadura, no final dos anos 60, anos 70, o debate não só era agressivo como se torturavam pessoas diariamente com impunidade. A imagem mítica do brasileiro simpático existe só no samba. Na relação entre as pessoas, sempre foi violento. A sociedade brasileira não é simpática, é uma sociedade que se mata. Esse é o Brasil que vemos hoje na internet. Essa agressividade sempre existiu.

A única coisa que a internet faz é expressar abertamente o que é a sociedade em sua diversidade. Trata-se de um espelho. Como hoje não precisam passar pelos meios tradicionais de comunicação, as pessoas aparecem como realmente são.

A pergunta fundamental é: a liberdade é um bem em si? Se dizemos que sim, então a internet é uma tecnologia de liberdade, e portanto realiza uma mudança histórica. Mas é preciso aceitar que liberdade é também para coisas de que não gostamos. É para todos. Portanto, se ali se articulam formas de violência, racismo, sexismo, é porque isso existe na sociedade.

Na internet, um racista ou um sexista pode facilmente encontrar outros racistas e sexistas que, em seu entorno social, não podem se declarar abertamente assim. Na rede, não há constrangimento e se abre a possibilidade de expressão espontânea da sociedade.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

4 comentários:

  1. No trânsito; o egoísmo, a "esperteza", a falta de educação, a falta de cordialidade do povo seja ele pedestre ou condutor na sua grande maioria transparece como uma pulsação em cadência onde cada um por sí tem que lucrar um espaço seguinte o mais depressa possível. Antipatia transparecendo pelos insulfilmes. Exceto para a gostosona querendo atravessar.

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  2. Ótimo comentário! É a pura verdade.

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  3. Acho que para mudar essa sociedade tanto mulher quanto homem tem que ser na infância mudar a programação em vez de desenhos violentos de heróis e vilões colocar coisas simples conhecimentos cultura estória da humanidade do mundo como educao crianças na europa mas na nossa sociedade parece difícil parece que as coisas são enraizadas

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    1. É uma idéia excelente, pode ser um bom começo.

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