quinta-feira, 14 de maio de 2015

O malicioso plano da Shell (Por Thiago Muniz)

Os Estados Unidos acabaram de conceder à Shell o direito de perfurar o Ártico em busca de petróleo, colocando nosso clima e a vida marinha em grave risco. Mas ainda há como impedir isso!

Antes da Shell chegar ao Ártico, seu navio monstruoso precisa aportar em Seattle. E um homem tem o poder de tirar a Shell do páreo: o prefeito de Seattle, Ed Murray, favorável à defesa do meio ambiente. Ele já disse que a petroleira não têm permissão para reparar equipamentos em Seattle, mas ela basicamente disse que está a caminho, quer a cidade goste ou não.

Agora cabe ao prefeito decidir se baixa a guarda ou vai com tudo em defesa do Ártico. Sabemos que ele está do nosso lado, mas é preciso muita coragem para enfrentar uma das empresas mais poderosas da história. Vamos mostrar ao prefeito que o mundo inteiro está do lado dele e da população de Seattle para fazer o que for preciso para dizer: Petróleo no Ártico? Nem a pau!

Especialistas têm certeza de que perfurar o Ártico é extremamente perigoso e compromete demais o nosso clima frágil. A estação mais próxima da Guarda Costeira fica a mais de mil quilômetros de distância. Se algo der errado, uma possibilidade real segundo o planejamento da própria Shell, não haverá nada o que se possa fazer e ninguém para ajudar.

Mais incrível ainda é se dar conta que estão considerando liberar uma nova forma de petróleo que os cientistas dizem ser 100% incompatível com a manutenção do clima atual conhecido pela humanidade desde sempre. Os lucros da Shell ou o equilíbrio do nosso clima? É uma decisão fácil de tomar.

A luta em Seattle está começando a esquentar. Na semana passada, após o aumento da pressão da parte de organizadores locais, o prefeito Ed Murray disse à Shell que a licença que a empresa tem não cobre todas as atividades planejadas. Mas navios da Shell partiram para Seattle ainda assim, em um caso de violação flagrante do processo democrático.

O prefeito Ed Murray sempre defendeu o meio ambiente, mas agora ele tem uma oportunidade única de defender todas as pessoas do planeta, colocando seus advogados e policiais entre a plataforma de petróleo da Shell e o vasto e frágil Ártico. Nosso destino depende da atitude que ele tomar: vamos dar o apoio que ele merece para tomar a decisão certa. Clique abaixo para assinar agora:

A questão vai muito além da proteção de ursos polares e outras magníficas espécies que habitam o Ártico. Trata-se de traçar os limites contra a exploração de petróleo em um dos últimos lugares intocados da Terra, e trazer toda a nossa esperança e determinação para apoiar o único homem que pode deter a Shell neste momento. Vamos mostrar a todos os poluidores que lutaremos juntos por energia 100% limpa.

Plano pode arrancar já no verão se a empresa conseguir as autorizações que faltam e que agora não deverão ser difíceis de obter. Ambientalistas alertam para risco de desastres ambientais.

A Shell recebeu na segunda-feira luz verde do governo federal dos Estados Unidos para o seu programa de prospeção de petróleo no mar de Chukchi, 110 quilómetros ao largo da costa do Alasca, e poderá iniciar os trabalhos já no verão, se até lá conseguir a necessária aprovação de um conjunto de outras agências, o que é agora visto como um obstáculo menor. Os protestos estalaram de imediato e a polémica está para durar.

As estimativas apontam para que nos mares do Ártico, que são regulamente varridos por fortes tempestades, existam reservas que podem chegar a 24 mil milhões de barris de petróleo. A gigante petrolífera, como seria de esperar, mostrou-se satisfeita com a decisão, que considera "um importante marco". Mas as organizações ambientalistas, que nos últimos anos e meses fizeram repetidos avisos sobre possíveis desastres ecológicos e sobre o revés que a exploração petrolífera no Ártico representará para as alterações climáticas, reagiram atacando a decisão - e não poupam palavras.

A agência americana de gestão da energia oceânica (BOEM, na sigla de língua inglesa), que abriu a porta às atividades de prospeção da Shell no Ártico, considerou que a empresa apresentou um plano revisto da sua futura atividade naquela região. Mas ressalva que a Shell deve agora obter autorização de outras agências do governo, como a da segurança e ambiente (BSEE), e mostrar que está conforme às leis federais para a proteção dos mamíferos marinhos e as espécies em perigo, que subsistem na região ou que a atravessam nas suas rotas migratórias. E isso já não deverá ser demasiado complicado.

A escolha da Shell de se aproximar do Ártico foi um erro de grandes proporções. A empresa gastou uma montanha de dinheiro e tempo em um projeto que não lhes trouxe nada além da má reputação e fama de incompetência”, afirmou o coordenador da campanha do Ártico no Greenpeace Internacional, Charlie Kronick. “A única decisão sensata neste momento é dar um ponto final nos planos de explorar a região no futuro”.

“A desistência da Shell de explorar o Ártico está sendo acompanhada por outras petrolíferas, que devem concluir que a região é muito remota, hostil e icônica para ser explorada economicamente”, disse Kronick. “Milhões de pessoas ao redor do mundo ajudaram a jogar luz sobre a exploração do Ártico, e isso começou a arranhar a imagem da Shell. Vamos continuar fazendo pressão enquanto a empresa não desistir definitivamente dos seus planos para aquela área”.

Desde 2003, a Shell já desembolsou mais de US$ 5 bilhões em seu programa no Alasca, e falhou nas tentativas de exploração após uma série de erros que poderiam ter resultado em grandes desastres nos últimos anos.

A Shell já tinha sido autorizada a perfurar no Ártico em 2012, mas ao fim de um ano não foi capaz de cumprir as condições de segurança. Na altura, a administração da Shell reconheceu que não estava preparada para enfrentar os problemas que encontrou, como o de ver a plataforma Kulluk ser evacuada e ficar à deriva nos mares agitados do Ártico.

Cinco anos após o terrível acidente do Golfo do México na plataforma Deepwater Horizon, que vazou milhões de barris de petróleo no mar e matou 11 pessoas, a administração norte-americana aprovou o pedido da Shell para voltar a perfurar no Ártico, numa zona considerada das mais perigosas do mundo para as prospeções de petróleo e sem meios de socorro que possam chegar em tempo útil em caso de acidente grave.

Segundo o New York Times, o posto da Guarda Costeira mais próximo da zona prevista de exploração está a mais de 1600 quilómetros de distância. O mar de Chukchi é conhecido pelas grandes tempestades, águas geladas e ondas gigantes e ao mesmo tempo fica na rota de migração de baleias e morsas.

A associação ambientalista Greenpeace, que já promoveu um bloqueio no Pacífico quando a plataforma petrolífera foi rebocada para Seattle, criticou a administração Obama por ter “dado luz verde à Shell para iniciar a prospeção no Ártico apesar de o governo dos Estados Unidos admitir que há uma probabilidade de 75% de um derrame de petróleo no mar de Chukchi se a produção arrancar”, afirmou Laura Kenyon, citada pela Euronews.

A agência Bloomberg cita um estudo do US Geological Survey que estima haver no Ártico cerca de 24 mil milhões de barris de petróleo. A Shell já tinha sido autorizada a perfurar no Ártico em 2012, mas ao fim de um ano não foi capaz de cumprir as condições de segurança. Na altura, a administração da Shell reconheceu que não estava preparada para enfrentar os problemas que encontrou, como o de ver a plataforma Kulluk ser evacuada e ficar à deriva nos mares agitados do Ártico.

A autorização para a Shell perfurar o mar de Chukchi está dependente da concessão de licenças de segurança e ambientais, e está limitada aos meses de verão e a uma profundidade inferior a 50 metros.

A guerra pelo petróleo joga-se no mar
As descobertas de novas reservas em águas profundas (mais de 400 m) proliferam e igualam o total de reservas terrestres descobertas entre 2005 e 2009 fora da América do Norte. Dado ainda mais importante: as reservas descobertas em águas ultraprofundas (mais de 1,5 Km) são quase 50% das jazidas descobertas em 2010.

No início de maio de 2014, a instalação da plataforma petrolífera de perfuração HYSY-981 nas águas contestadas do Mar da China Meridional suscitou especulações sobre as motivações chinesas. Na avaliação de diversos observadores ocidentais, Pequim pretendeu, com esse gesto, demonstrar que pode impor o seu controle e dissuadir outros países de continuar com as suas reivindicações de direito de exploração dessas águas, como é o caso do Vietname e das Filipinas. 

A medida chinesa faria parte “do quadro de uma série de ações empreendidas pelos chineses nos últimos anos para afirmar a soberania do país em relação a partes contestadas do mar [da China Meridional]”, de acordo com Erica Downs, especialista em China na Brookings Institution (Washington). Entre essas ações, exemplifica, estão a tomada de controle do recife de Scarborough (ponta de terra não habitada, reivindicada pela China e pelas Filipinas) e o ataque repetido a navios de vigilância vietnamitas.

Para outros especialistas, essas ações são a expressão legítima da emergência de uma China como potência regional. Se por um lado o país não estava em condições de proteger os seus territórios marítimos, agora as lideranças afirmam que a China está suficientemente forte para fazê-lo. No entanto, se considerações nacionalistas e geopolíticas sem dúvida desempenharam um papel essencial na decisão de instalar a HYSY-981, não se pode subestimar o interesse relacionado com assuntos terrestres que essa plataforma oceânica representa para a busca de preciosas jazidas de petróleo e gás natural.

As necessidades chinesas aumentam, e as autoridades desaprovam a dependência crescente de fornecedores pouco confiáveis na África e no Médio Oriente. O país procura suprir grande parte da energia utilizada por meio de fontes internas, entre elas os campos petrolíferos marítimos das zonas dos mares da China Oriental e Meridional, que considera estar sob o seu controle. A China pretende monopolizar a exploração nessas áreas.





BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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