domingo, 10 de maio de 2015

Allianz Parque: o estádio censurado (por Thiago Muniz)

A 30 minutos do início do Campeonato Brasileiro de 2015, surgiu um branco. Alguns torcedores se entreolharam, outros forçaram a vista para entender melhor o que estava acontecendo. Minutos depois, as redes sociais já estavam infestadas de informações e revoltas dos palmeirenses.

Todas as placas do estádio Allianz Parque, palco da partida entre Palmeiras e Atlético Mineiro, foram parcialmente cobertas com faixas. Ficou o Parque, esconderam o Allianz, a seguradora alemã que pagou R$ 300 milhões pelo naming rights da nova casa alviverde.

A inusitada censura ganhou uma justificativa minutos depois. Segundo Paulo Nobre, presidente do Palmeiras, um acordo com a TV Globo sobre os espaços publicitários fez com que a CBF recomendasse os tampões improvisados. Segundo o regulamento da Série A, os letreiros do estádio são classificados como espaços estáticos secundários e não pertencem aos clubes.

CBF e Rede Globo não se pronunciaram até agora, mas qualquer cidadão menos ingênuo é capaz de elucubrar mais algumas hipóteses para o veto. A emissora que domina os direitos de transmissão do futebol brasileiro praticamente ignora o Palmeiras em sua grade de programação, mas, para promover o início do Campeonato Brasileiro, abriu o sinal do Pay Per View para a partida inaugural. E mais uma vez decidiu deixar claro quem manda no futebol brasileiro. Para quem já adulterou o distintivo do Red Bull Brasil para evitar propaganda involuntária, o tampão ao letreiro do Allianz Parque estava dentro do script.

Mas por que só agora o veto, e não, por exemplo, na primeira final do Campeonato Paulista, disputada no mesmo local? Aí entra a CBF, patrocinada pela Seguros Unimed, uma concorrente direta da patrocinadora do Palmeiras. Ou seja, ambas tinham o interesse de impedir a exposição demasiada de uma empresa que não contribui para os seus respectivos cofres. Foi o recado implícito que deram ao presidente palestrino.

Como toda decisão arbitrária feita na base do improviso, a censura ajudou a expor ainda mais a marca. A hashtag #AllianzParque ganhou o topo do Twitter, o Facebook foi inundado com fotos e vídeos dos palmeirenses relatando o ocorrido.

Em um universo de clubes endividados, abarrotados de processos trabalhistas, e culpados pela bolha de salários astronômicos, a abertura para os acordos com patrocinadores parece um fio de esperança para evitar a falência completa. CBF e Globo parecem não se atentar que clubes financeiramente debilitados tornarão o produto cada vez pior, afetando audiência, venda de produtos agregados e até mesmo a chegada de novos investidores.

O branco que se viu nas arquibancadas do Allianz Parque antes mesmo do primeiro apito é um sinal claro da mesquinharia, da arrogância e do abuso de poder. É um sinal de que os clubes perderam o bonde da mudança e são reféns de um simples telefonema exigindo que se tampe aqui, retire ali e pinte lá. Os torcedores revoltados que arrancaram as faixas com as próprias mãos mostraram a mentalidade de revolta que inexiste entre os presidentes dos clubes que ano após ano entram na fila das cotas de TV com o pires na mão.

Acho estúpido aplaudir renda de jogo, mas é ainda mais grotesco desrespeitar as empresas que ainda insistem em investir dinheiro nessa ofensa que se tornou o futebol brasileiro, nesse ambiente moldado por arenas modernas e mentalidade sempre arcaica. Mais uma vez, começou mal o maior torneio do país. Será um longo e tenebroso inverno.

#AllianzParque



Depoimento de Rica Perrone em seu blog em 10 de maio de 2015

Eu não concordo, contesto o tempo todo a política da mídia em não ajudar o esporte brasileiro e cobrar resultados dele no final. Mas os negócios tem que ser respeitados e vocês precisam ser informados de que atrás da “vilã” globo existe um tosco contrato que seu clube assinou.

A Rede Globo paga o que paga pros times e em troca disso tem o que comprou. Além do direito de TV é dela o direito de expor as marcas no estádio. Quem vende aquelas placas de publicidade é ela, e isso é acordado com todos os clubes, inclusive com o Palmeiras.

Quem tem direito web sobre os clubes é a Globo, mesmo que não use. Quem vende direito mobile pra Globo e não pode fazer quase nada depois são os clubes.

E quem aceitou toda essa condição num negócio discutido e PAGO foram os clubes.

É muito cafajeste e fácil vir agora pra vocês, torcedores, e dar a Globo de bandeja pra que vocês apedrejem. Eu também acho absurdo o “Arena Palmeiras”. Mas não é novo e nem mesmo “contra a vontade do Palmeiras” que o nome “Allianz” está sendo coberto.

É uma acordo feito pelas partes e que o Palmeiras assinou porque quis. Cobrem dos clubes o que é culpa dos clubes, e da Globo o que é culpa da Globo.

Isso foi acordado. Cumpra-se e na próxima renovação de contrato leia antes de assinar.

abs,

Rica Perrone



BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


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