quarta-feira, 20 de maio de 2015

A história do ódio no Brasil (Por Thiago Muniz)

Achamos que somos um bando de gente pacífica cercados por pessoas violentas”. A frase que bem define o brasileiro e o ódio no qual estamos imersos é do historiador Leandro Karnal. A ideia de que nós, nossas famílias ou nossa cidade são um poço de civilidade em meio a um país bárbaro é comum no Brasil.

O “mito do homem cordial”, costumeiramente mal interpretado, acabou virando o mito do “cidadão de bem amável e simpático”.

Pena que isso seja uma mentira. “O homem cordial não pressupõe bondade, mas somente o predomínio dos comportamentos de aparência afetiva”, explica o sociólogo Antônio Cândido. O brasileiro se obriga a ser simpático com os colegas de trabalho, a receber bem a visita indesejada e a oferecer o pedaço do chocolate para o estranho no ônibus. Depois fala mal de todos pelas costas, muito educadamente.

Corpo Esquartejado de Tiradentes
Olhemos o dicionário: cordial significa referente ou próprio do coração. Ou seja, significa ser mais sentimental e menos racional.

Mas o ódio também é um sentimento, assim como o amor. (Aliás os neurocientistas têm descoberto que ambos sentimentos ativam as mesmas partes do cérebro.) Nós odiamos e amamos com a mesma facilidade.

Dizemos que “gostaríamos de morar num país civilizado como a Alemanha ou os Estados Unidos, mas que aqui no Brasil não dá para ser sério.” Queremos resolver tudo num passe de mágica. Se o político é corrupto devemos tirar ele do poder à força, mas se vamos para rua e “fazemos balbúrdia” devemos ser espancados e se somos espancados indevidamente, o policial deve ser morto e assim seguimos nossa espiral de ódio e de comportamentos irracionais, pedindo que “cortem a cabeça dele, cortem a cabeça dele”, como a rainha louca de Alice no País das Maravilhas.

Ninguém para 5 segundos para pensar no que fala ou no que comenta na internet. Grita-se muito alto e depois volta-se para a sala para comer o jantar. Pede-se para matar o menor infrator e depois gargalha-se com o humorístico da televisão. Não gostamos de refletir, não gostamos de lembrar em quem votamos na última eleição e não gostamos de procurar a saída que vai demorar mais tempo, mas será mais eficiente.

Com escreveu Sérgio Buarque de Holanda, em “Raízes do Brasil“, o criador do termo “homem cordial” : “No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedica­dos a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente pró­prio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação im­pessoal” Ou seja, desde o começo do Brasil todo mundo tem pensando apenas no próprio umbigo e leva as coisas públicas como coisa familiar. Somos uma grande família, onde todos se amam. Ou não?

O já citado Leandro Karnal diz que os livros de história brasileiros nunca usam o termo guerra civil em suas páginas. Preferimos dizer que guerras que duraram 10 anos (como a Farroupilha) foram revoltas. Foram “insurreições”. O termo “guerra civil” nos parece muito “exagerado”, muito “violento” para um povo tão “pacífico”. A verdade é que nunca fomos pacíficos. A história do Brasil é marcada sempre por violência, torturas e conflitos. As decapitações que chocam nos presídios eram moda há séculos e foram aplicadas em praça pública para servir de exemplo nos casos de Tiradentes e Zumbi. As cabeças dos bandidos de Lampião ficaram expostas em museu por anos. Por aqui, achamos que todos os problemas podem ser resolvidos com uma piada ou com uma pedrada. Se o papo informal não funciona devemos “matar” o outro. Duvida? Basta lembrar que por aqui a república foi proclamada por um golpe militar. E que golpes e revoluções “parecem ser a única solução possível para consertar esse país”. A força é a única opção para fazer o outro entender que sua ideia é melhor que a dele? O debate saudável e a democracia parecem ideias muito novas e frágeis para nosso país.

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo. Na minha opinião, primeiro devemos entender a violência e depois vomitar quais seriam suas soluções. Por exemplo, você sabia que ocorrem mais estupros do que homicídios no Brasil? E que existem mais mortes causadas pelo trânsito do Brasil do que por armas de fogo? Sim, nosso trânsito mata mais que um país em guerra. Isso não costuma gerar protestos revoltados na internet. Mas tampouco alivia as mortes por arma de fogo que também tem crescido ano a ano e se equiparam, entre 2004 e 2007, ao número de mortes em TODOS conflitos armados dos últimos anos. E quem está morrendo? 93% dos mortos por armas de fogo no Brasil são homens e 67% são jovens. Aliás, morte por arma de fogo é a principal causa de mortalidade entre os jovens brasileiros.

Séc XIX, escravo sendo castigado no Pelourinho
Quanto à questão racial, morrem 133% mais negros do que brancos no Brasil. E mais: o número de brancos mortos entre 2002 e 2010 diminuiu 25%, ao contrário do número de negros que cresceu 35%. É importante entender, no entanto, que essas mortes não são causadas apenas por bandidos em ações cotidianas. 

Um dado expressivo: no estado de São Paulo ocorreram 344 mortes por latrocínio (roubo seguido de morte) no ano de 2012. No mesmo ano, foram mortos 546 pessoas em confronto com a PM. 

Esses números são altos, mas temos índices ainda mais altos de mortes por motivos fúteis (brigas de trânsito, conflitos amorosos, desentendimentos entre vizinhos, violências domésticas, brigas de rua,etc). 

Entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios do Estado de São Paulo teriam sido causados por esses motivos que não envolvem ação criminosa. Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio. É importante lembrar que vivemos numa sociedade em que “quem não reage, rasteja”, mas geralmente a reação deve ser violenta. Se “mexeram com sua mina” você deve encher o cara de porrada, se xingaram seu filho na escola “ele deve aprender a se defender”, se falaram alto com você na briga de trânsito, você deve colocar “o babaca no seu lugar”. Quem não age violentamente é fraco, frouxo, otário. Legal é ser ou Zé Pequeno ou Capitão Nascimento. Nossos heróis são viris e “esculacham”

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário”.

O discurso de ódio invade todos os lares e todos os segmentos. Agora que o gigante acordou e o Brasil resolveu deixar de ser “alienado” todo mundo odeia tudo. O colunista da Veja odeia o âncora da Record que odeia o policial que odeia o manifestante que odeia o político que odeia o pastor que odeia o “marxista” que odeia o senhor “de bem” que fica em casa odiando o mundo inteiro em seus comentários nos portais da internet. Para onde um debate rasteiro como esse vai nos levar? Gritamos e gritamos alto, mas gritamos por quê?

Política não é torcida de futebol, não adianta você torcer pela derrota do adversário para ficar feliz no domingo. A cada escândalo de corrupção, a cada pedreiro torturado, a cada cinegrafista assassinado, a cada dentista queimada, a cada homossexual espancado; todos perdemos. Perdemos a chance de conseguir dialogar com o outro e ganhamos mais um motivo para odiar quem defende o que não concordamos.

Eu também me arrependo muitas vezes de entrar no calor das discussões de ódio no Brasil; seja no Facebook, seja numa mesa de bar. Às vezes me pergunto se eu deveria mesmo me pronunciar publicamente sobre coisas que não conheço profundamente, me pergunto por que parece tão urgente exprimir minha opinião. Será essa a versão virtual do “quem não revida não é macho”? Se eu tivesse que escolher apenas um lado para tentar mudar o mundo, escolheria o lado da não-violência. Precisamos parar para respirar e pensar o que queremos e como queremos. Dialogar. Entender as vontades do outro. O Brasil vive um momento de efervescência, vamos usar essa energia para melhorar as coisas ou ficar nos matando com rojões, balas e bombas? Ou ficar prendendo trombadinhas no poste, torturando pedreiros e chacinando pessoas na periferia? Ou ficar pedindo bala na cabeça de políticos? Ficar desejando um novo câncer para o Reinaldo Azevedo ou para o Lula? Exigir a volta da ditadura? Ameaçar de morte quem faz uma piada que não gostamos?

Cabeça expostas a público do bando de Lampião, em 1938
Se a gente escutasse o que temos gritado, escrito e falado, perceberíamos como temos descido em direção às trevas interiores dos brasileiros às quais Nélson Rodrigues avisava que era melhor “não provocá-las. Ninguém sabe o que existe lá dentro.”

Será que não precisamos de mais inteligência e informação e menos ódio? Quando vamos sair dessa infantilidade de “papai bate nele porque ele é mau” e vamos começar a agir como adultos? 


Quando vamos começar a assumir que, sim, somos um povo violento e que estamos cansados da violência? Que queremos sofrer menos violência e provocar menos violência? Somos um povo tão religioso e cristão, mas que ignora intencionalmente diversos ensinamentos de Jesus Cristo. Não amamos ao nosso inimigo, não damos a outra face, não deixamos de apedrejar os pecadores. Esquecemos que a ira é um dos sete pecados capitais. Gostamos de ficar presos na fantasia de que vivemos numa ilha de gente de bem cercada de violência e barbárie e que a única solução para nossos problemas é exterminar todos os outros que nos cercam e nos amedrontam.

Mas quando tudo for só pó e solidão, quem iremos culpar pelo ódio que ainda carregaremos dentro de nós?

Há hipocrisia da sociedade em criticar e julgar qualquer pessoa quando lhe são proferidas ações odiosas e, ao mesmo tempo, infligir insultos e demonstrações de tal sentimento aos outros por simplesmente divergirem de seu ponto de vista.

Infelizmente, porém, senti que sua visão tira, de certa forma, a legitimidade do "cidadão do bem", que de fato existe. Certas ações de outrem inflamam, por vezes, nossa ira e revolta. Isso não é brasileiro, é humano, e não significa que deixemos de ser cordiais como pessoa, muito embora, como nação não sejamos mesmo, nem acredito que nos vemos mais assim. Todo brasileiro sabe o quão violento é seu país e que nunca foi pacífico. Esse é um conceito que "pegou" muito mais lá fora do que aqui. O que acontece é que e no Brasil, em que são falhas todas as instâncias legislativas, administrativas e executivas, atos de ódio tem maiores chances de ocorrer; e crimes, de serem cometidos.

Um exemplo é o "Adote um bandido", a ação daqueles agressores de modo nenhum se justifica, mas se explica: numa sociedade onde não há justiça, seus membros acabam compelidos por impô-la à força; e cega, não tem discernimento para refletir e dar-lhe a justa medida. Um "efeito colateral" disso é o que aconteceu com a mulher que foi assassinada por ter sido confundida com uma sequestradora.

Rio de Janeiro 1982, trabalhadores sendo revistados
Concordo e me identifico quando você fala sobre aqueles que postam comentários na Internet só para despejar seu ódio, mas a única diferença entre a ira dos brasileiros na rede e de outros povos é o vocabulário. Basta checar fóruns, sites de vídeos e política estrangeiros. O Brasil não é realmente cordial, e por este prisma, nenhum outro o é.

Não me surpreendi pela violência doméstica liderar o ranking no Brasil. E isso não ocorre por falta de reflexão e excesso de ódio, e sim por falta de coerção. 

Não carecem puramente de discernimento do que é certo ou errado os criminosos, e sim do medo de sofrer as consequências. A desigualdade e segregação sociais, assim como a baixa escolaridade da maior parte dos brasileiros tem papel importante nesse comportamento, mas não são os únicos fatores. E nos colocarmos no lugar deles, como fazem muitos deputados, ativistas, pseudocomunistas e hipócritas não tem melhorado a situação. Porém, como você mesmo diz, enxergá-los apenas como incômodos marginais e não humanos, como fazem outros tantos "playboys", policiais, acomodados e imediatistas, tampouco adianta.

Também concordo que é impossível ser contra o bandido e a violência ao mesmo tempo. Mas quem disse que temos que ser contra a violência quando ela se faz necessária e justificável? Veja bem, não me refiro a nenhum episódio de barbárie ou justiça feita com as próprias mãos, e sim a fatos históricos cuja violência foi imprescindível, um último recurso para mudar uma sociedade e, portanto, legítima.

Desejo uma nação pacífica tanto quando você e acredito ser possível, dentro de uns cem anos, que o povo brasileiro aprenda a refletir, votar, planejar, e que se conscientize e responsabilize pelos seus atos. Só uma sociedade madura impedirá que os "ratos" que impregnam todos os escalões civis e militares de nosso país, os quais são os principais disseminadores de ódio na nossa sociedade, se rearticulem no poder.

Acho que todos os ativistas de redes sociais deveriam ler este texto. Observo esse sentimento de ódio nas pessoas há um certo tempo, mesmo naquelas que se dizem mais "esclarecidas e sensíveis às causas sociais". O discurso que pregamos, cheio de ideologias e promessas de mudanças, torna-se vazio se acharmos que, para mudar, o policial, o bandido, o político, o pastor, o padre, o rico, o pobre, etc. devem morrer. Esse ódio pode ser observado até mesmo em coisas inofensivas, como a opinião sobre um filme, por exemplo: vou nas redes sociais, dizemos que não gostamos e ficamos esperando uma avalanche de pessoas criticar para que possamos brigar com elas (ou dizemos que não gostamos de um filme que todos gostaram para fazer o mesmo), e isso é mais normal do que a gente pensa.

Gosto sobretudo do seu texto, Fred, porque você usa a primeira pessoa do plural. Sempre encontramos discursos inflamados sobre os problemas do Brasil na terceira pessoa ("o brasileiro", "o Brasil", "esse povo"...). Com certeza, isso faz parte da ideia de que somos um bando de gente pacífica cercado por pessoas violentas.

Recentemente, refleti bastante sobre as manifestações de 2013 e seus desdobramentos, e passei por ondas ora de renovada esperança na mudança da mentalidade das pessoas (nossa mentalidade), ora de total desânimo com a falta de perspectiva prática que as manifestações por si só trouxeram. Desde que me conheço por gente, destilo esse ódio mencionado no texto contra tudo e todos, como se a culpa do nosso país/sociedade ser assim se encontrasse do lado de fora. Não havia ainda percebido que a maioria de nós é hipócrita, que enquanto critica o outro comete atos igualmente danosos pra sociedade, mesmo que sejam apenas atos verbais. 

2014, menor infrator após ser espancado
na Zona Sul do Rio de Janeiro
Decidi seguir o conselho de um amigo e começar a agir como formiguinha. Ele me convenceu de que a mudança é lenta e depende de nós. Temos que primeiro mudar de atitude com relação aos problemas que compartilhamos em sociedade, depois de nos informarmos melhor sobre o que realmente acontece, coisa que ficou muito mais fácil com o advento da internet, vide este blog. Li alguns bons textos de pensadores comprometidos com o bem estar das pessoas e mudei minha postura diante dos nossos problemas sociais, tentando encontrar soluções cabíveis para eles, ao invés de apenas me somar ao coro de críticos não construtivos. Uma das máximas da minha nova postura é o "gentileza gera gentileza", sabedoria popular eternizada nas vigas da perimetral do Rio, recentemente demolidas, mas que permanece viva na memória do povo.

Decidi colocá-lo em prática. Ultimamente venho puxando papo com as pessoas no trem, ônibus, na rua. quando vejo que tenho uma brecha para somar algo à visão que aquela pessoa tem da nossa sociedade, eu faço. 

Se todos que possuem um razoável senso crítico construtivo e um entendimento dos problemas que enfrentamos, de forma ampla, colaborassem para elucidar pessoas que não tiveram a mesma chance que nós de se ilustrar, já seria um bom começo, talvez o único possível. Aqueles, maioria dentre nós, que estão reféns de uma cultura televisiva que os torna meros espectadores de uma história brasileira em curso completamente distorcida podem receber de bom grado uma informação ou reflexão que foge ao que estão habituados a ouvir e repetir. Só pra terminar, um exemplo bem contundente de como podemos mudar o Brasil agindo como elos em uma cadeia.

Estava no trem dia desses, nem estava tão cheio, mas como de praxe, algumas poucas pessoas de pé se amontoavam perto da porta. Eu estava sentada a uma certa distância. Sentou-se um senhor bem humilde ao meu lado saindo da aglomeração e comentou que já havia sido furtado em uma situação parecida. Dei papo pra ele e disse que tinha mesmo que ter cuidado e ele então começou a falar montes de coisas sobre como as pessoas são ruins umas com as outras, que não dá pra confiar, que pra ele bandido que rouba trabalhador é o pior tipo e tinha que morrer. Eu não quis dizer que os maiores ladrões dos trabalhadores estão no poder, mas esse não era o ponto. Pensei comigo, quanta raiva, e não tirei a razão dele. É pra ter raiva mesmo, mas não pode ficar só nisso. Matar os bandidos do alto ou baixo escalão não vai resolver nada. Outros virão, como sempre foi. Aguardei. Ele entaõ começou a falar nos presídios lotados e que aquelas pessoas não tinham jeito, que saíam e continuavam bandidas.

Que tinham que "matar tudo". Enxergando uma deixa, eu perguntei pra ele se não seria melhor que o governo que já gasta tanto dinheiro para manter aquelas pessoas presas ociosas, sem contribuírem em nada pra gente que está aqui trabalhando, ao invés de os matar, os colocasse para trabalhar também. Nem quis entrar na complexidade da discussão sobre o que leva essas pessoas a cometerem crimes. Queria apenas mudar o ponto de vista dele, quebrar a corrente de ódio. Disse que se o sistema prisional fosse reorganizado, os presos poderiam aprender um ofício e serem empregados nas próprias obras do governo, minha casa minha vida por exemplo, nos Pac´s (Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal), etc.

Assim, receberiam um salario, (acredito que dinheiro não falta, pagamos muito imposto que é mal empregado) contribuiriam para a sociedade e sairiam da prisão com um ofício e experiência, talvez pudessem permanecer empregados na mesma função. Todo mundo concorda que a chance de reinserção de um preso na sociedade é muito baixa no modelo "correcional" atual. A prova foi que os olhos dele brilharam e ele disse, "é mesmo, sabe que eu mesmo trabalho em obra, sou pedreiro!". Ele nem sequer cogitou que aquele preso poderia tirar o lugar dele. Ele é uma pessoa disposta a aceitar o outro que cometeu um erro mas que tem uma chance de mudar.

Até aquela pessoa que num primeiro momento nós por preconceito julgamos incapaz de compreender uma obviedade dessas, e outras tantas, possui no seu inconsciente, ou sei lá aonde, um mínimo grau de discernimento pra julgar o que é melhor pra nós como sociedade. Só temos que semear as idéias, no terreno que for. Vai levar muito tempo, mas é o único começo que eu julgo palpável. Sociedade mais justa, no sentido de equilibrada, não se constrói com dinheiro, com risco Brasil, com créditos dos bancos internacionais, com aumento de renda, com aumento do consumo de bens e serviços. Se constrói em cima da nossa percepção e postura de cidadania e respeito ao próximo, com reflexão e conhecimento amplo sobre como os problemas devem ser resolvidos.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

2 comentários:

  1. Sim. O ódio é intenso no Brasil e sempre foi porque o sentimento de inferioridade é o terreno onde ele nasceu e nasce; o se sentir subalterno é o esterco para ele crescer; o se sentir vazio ( na cabeça e no coração) é a fossa para ele se enlamear.

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    1. Perfeito e lúcido comentário. Obrigado!

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