quinta-feira, 9 de abril de 2015

Vergonha do Avestruz: Congresso Nacional (Por Thiago Muniz)

Isso de votar contra não é mais que obrigação. Isso aí é voto para tentar agradar e se passar por "bom menino". Num Congresso podre como esse atual, todos os Partidos, todos, têm "rabo preso". Não pense que eles votaram contra para proteger o trabalhador, votaram para tentar passar outra imagem. Como sempre falo, talvez daqui uns 100 anos, quando surgir uma nova geração, torcer para que seja honesta e capacitada para talvez salvar o país.

Não poderia concordar mais! Os governos Lula-Dilma não conseguiram ser bem sucedidos em criar uma versão democrático-popular no âmbito federal. Qdo saiu a Carta aos Brasileiros por algum tempo achei que fosse tática diversionista, mas não era. Foi um pacto com o capital financeiro para permitir a eleição que se traduziu em um compromisso e em comprometimento de valores históricos do PT. Acho que é equivocado confundir o PT e a militância que o rodeia com a dinâmica própria da administração pública e do poder politico instituído, além do fato do Partido ter baixíssima ascendência sobre os rumos do governo (embora quadros da direção partidária é que forjaram e constroem esse modelo). Mas não tem como esconder a leniência com o discurso enviesado do Lula em relação a confundir o que está sendo feito com os valores que orientaram o PT historicamente.

Ninguém esperava um governo revolucionário ou socialista, mas esperávamos um governo de viés social-democrata, estilo europeu. Muita regulação do capital e da propriedade, aumento de impostos dos mais ricos, aumento da carga tributária para viabilizar serviços públicos, regulação econômica dos meios de comunicação, das empresas de telecomunicação, descentralização das agências reguladoras, democratização dos conselhos de políticas públicas, entre tantas outras demandas de contenção dos mecanismos perversos da concentração de capital. Mas o que ocorreu foi um modelo de capitalismo de estado forte intervencionista (para a reprodução do capital e não para conter mecanismos de concentração). Vide programas de habitação, que o governo acreditou que a mão invisível do mercado ia arrumar os preços, e o resultado foi encher as burras de bancos e empreiteiras às custas do endividamento das famílias, os bancos fizeram a festa, as empresas capitalistas amigas nadaram em dinheiro público, as empreiteiras são hoje praticamente estatais (financiadas por dinheiro público, compõem quase todos os consórcios de ganharam concessões de aeroportos e mega construções).

Particularmente na questão da terceirização, nunca na história desse país terceirizou-se tanto quanto nesses doze anos no governo federal e em suas estatais, sob diversos nomes: desde a típica terceirização de serviços meio (para reduzir custos, e onde temos dois trabalhadores no mesmo Ministério, um ganhando metade do vale refeição do outro), passando pela terceirização de funcionários de nível administrativo, além das ditas "parcerias" com ONGS que nada mais são que terceirização de serviço público (foram criadas dezenas dessas entidades para se sobrepor a necessidades de servidores e prédios públicos) e a última e mais absurda foi criação da Bolsa para pagar médicos prestando serviços públicos, talvez a maior aberração jurídica trabalhista jamais pensada nem na era Collor. Esse definitivamente não é um governo contra a terceirização. Praticou-a ostensivamente, se não com o apoio do PT mas contando com sua leniência.

Se esse Congresso se esforçar, dá tempo em quatro anos de:

Liberar a terceirização para qualquer atividade da empresa, mutilando a CLT.

Transferir o poder de demarcação de Terras Indígenas para deputados e senadores, travando - para sempre - a criação dessas áreas.

Reduzir a maioridade penal para 16 anos.

Proibir adoções por casais do mesmo sexo.

Alterar o conceito de trabalho escravo contemporâneo para diminuir as possibilidades de punição.

Reduzir a idade mínima para poder trabalhar de 14 para 10 anos.

Proibir o aborto nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal.

Aprovar a pena de morte.

Acabar com o voto feminino.

Cancelar a república e retroceder à monarquia.

Revogar a Lei Áurea.

UMA DERROTA COMO ESSA NÃO SE IMPROVISA.

São doze anos conciliando com os de cima.

São doze anos buscando boa relação com o monopólio da mídia.

São doze anos dando juros estratosféricos ao sistema financeiro.

São doze anos propiciando lucros extraordinários ao ensino privado.

São doze anos colocando reacionários em postos-chave do governo.

São doze anos buscando financiamento de campanha onde a direita também busca.

São doze anos priorizando a pauta conservadora.

São doze anos mantendo a macroeconomia de FHC em versão soft.

São doze anos sem reforma agrária.

São doze anos evitando confronto com os ruralistas.

São doze anos considerando os usineiros heróis nacionais

São doze anos sem constitucionalizar direitos sociais.

São doze anos sem taxar grandes fortunas.

São doze anos evitando a reforma política.

São doze anos se orgulhando que os bancos nunca lucraram tanto.

São doze anos achando que programa social focado é o máximo que se pode fazer.

São doze anos dizendo que a meta é sermos um país de classe média.

São doze anos indicando a elite para o supremo tribunal.

São doze anos fingindo que a luta de classes acabou.

São doze anos achando ser possível fazer um governo em que todos ganhem.

São doze anos deixando em paz o ovo da serpente.

NÃO AMIGAS E AMIGOS.

COMO DIRIA NELSON RODRIGUES, ESSA SURRA

NO CONGRESSO É OBRA METICULOSAMENTE CONSTRUÍDA.






















BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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