quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vaccari ao brejo do esquema (Por Thiago Muniz)

A vaca está indo para o brejo mas João Vaccari não ri. Na cadeia, o tesoureiro do PT - que a maioria que controla o partido mantém na temerária função - terá tempo para refletir sobre suas perigosas relações com doleiros e propineiros, nesse caminho para o pântano do financiamento milionário de partidos e campanhas, que o PT de antigamente tanto criticava. De repente, Vaccari se lembrará do que foi fazer no escritório de Youssef. E de que, nas conversas com Renato Duque e Pedro Barusco, não tratou só de amenidades como arte, futebol e genéricas apreciações de cenários políticos, tudo regado a um velho e bom Scotch.

A vaca está indo para o brejo mas Cândido Vaccarezza não reza. O visitador contumaz da Petrobras não se reelegeu, porém está sob investigação na Lava Jato. Seu mandato continua presente na Câmara dos Deputados, através da PEC dita da 'Reforma Política', da qual é autor, que constitucionaliza o financiamento empresarial de campanhas.

Como assinala a sabedoria popular do interior do Brasil: "a situação está de vaca desconhecer bezerro". Corrupção se alastra por todos os partidos, corrupção não é dengue, que vai pegando em quem não quer. Corrupto é sujeito ativo.

Temos de entender que não é só porque o ministro da Casa Civil arquitetou um plano de roubo de dinheiro de estatais para pagar campanhas, que o presidente do PT também criou o golpe, que o tesoureiro do PT organizou a quadrilha que ligava campanhas eleitorais a propinas e contratos milionários com estatais, que os sócios das agências de publicidade que cuidaram da campanha do PT foram presos por isso, que os bancos estatais que o PT protege tanto foram usados para comprar deputados para votar sempre em ordens partindo diretamente do Executivo, que o diretor de marketing do Banco do Brasil colocado lá pelo PT para roubar nosso dinheiro fugiu para a Itália, que o vice-presidente da Câmara, petista, foi preso na Lava Jato, que o diretor da área internacional e o diretor de abastecimento (essas áreas tão pequenuchas) da Petrobras colocados lá pelo PT tenham sido presos, que os donos de empreiteiras que pagaram propina para ter muito mais dinheiro público (nosso) em mãos tenham sido presos, que o doleiro que cuidou de orquestrar a lavagem do dinheiro tenha dito que Lula e Dilma sabiam de tudo, que a lista do Janot cite o nome de Dilma Rousseff ONZE vezes (mas ela não será investigada por um cambalacho jurídico tirado ad hoc das frinchas de nossas leis mastodônticas), que dois senadores e cinco deputados petistas (e quase todos os outros sejam da base de sustentação do PT) estejam sendo investigados pela Lava Jato, que o tesoureiro do PT que substituiu aquele tesoureiro preso agora também foi preso que vamos partir pra conclusão apressada de que o PT é corrupto e que Lula e Dilma sabiam de alguma coisa, né, minha gente?

Corrupção existe em todos os partidos, é rigorosamente equanimente distribuída, PT e outros partidos são todos iguais, se um colou na prova que moral que tem pra falar de quem roubou R$ 88,6 bilhões só através de uma das estatais, não foi o PT que inventou a corrupção, foi-se o tempo em que se varria a sujeira para debaixo do tapete, o problema é que sonegam imposto (dinheiro que o PT cuidaria tão bem), é conspiração da mídia e da Rede Globo ditadura militar, chupa coxinha, sambou, lacrou, aceite as urnas, é porque a classe média fascista não gosta de tanto pobre que mora em Guaianazes e Bangu esteja viajando de primeira classe e usando perfume de R$ 800 já que o PT é tão eficiente.

Investigação do MPF (Ministério Público Federal) e da PF (Polícia Federal) aponta que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, desviou recursos para o partido durante dez anos. Vaccari foi preso na manhã desta quarta-feira (15) em São Paulo em nova etapa da Operação Lava Jato. A defesa dele vai recorrer da decisão.

"Vaccari já vem sendo investigado há bastante tempo. Já temos uma denúncia de doações oficiais que, na verdade, escondem operações de lavagem de dinheiro relativas a valores da corrupção da Petrobras. Nós verificamos que ele tem uma trajetória desse tipo de operação desde 2004. Diante disso, de uma reiteração de conduta que vem desde 2004 até pelo menos 2014, nós acreditamos necessária a prisão de Vaccari", afirmou o procurador de Justiça Carlos Fernandes Santos Lima, em entrevista coletiva em Curitiba na manhã de hoje.

"Vaccari é mencionado por pelo menos cinco delatores como sendo intermediador [de propinas] do PT. Os fatos que são atribuídos a ele não estão só baseados nos depoimentos dos cinco delatores, mas também em material aprendido, fornecido por esses delatores, e material apreendido no corpo da operação. A característica de reiteração criminosa dele é bem clara", acrescentou o delegado da PF Igor Romário de Paula.

Segundo o delegado e o procurador, o pedido de prisão preventiva de Vaccari foi feito à Justiça no dia 14 do mês passado. Vaccari foi preso por volta das 6h de hoje, quando saía de casa para caminhar. Ele foi levado para a carceragem da PF em Curitiba. Ainda não há previsão de quando ele deve prestar depoimento, informou o delegado.

O procurador afirmou que a investigação indicou que "a família dele possui várias operações suspeitas que ainda estão sendo investigadas com valores relativamente significativos".

As investigações também apontam, segundo ele, para uma ligação entre o PT e a Editora Gráfica Atitude, em São Paulo, que teria recebido parte das propinas no esquema de corrupção da Petrobras.
Nova etapa da Lava Jato

A nova etapa da Operação Lava Jato também cumpriu mandado de condução coercitiva de Giselda Rose de Lima, mulher do tesoureiro. Segundo o delegado da PF, ela prestou depoimento em sua casa. "A informação que tenho é que não foi proveitoso para a investigação", revelou o delegado.

"Em relação a Giselda, nós temos dúvidas quanto a uma série de depósitos, feitos na conta dela sem a devida identificação, que corresponde a valores de mais de R$ 300 mil em três anos. Depósitos feitos em caixas eletrônicos, com valores abaixo de R$ 10 mil, que impossibilitam a identificação", explicou o procurador.

A Justiça também expediu um mandado de prisão temporária contra Marice Correia de Lima, cunhada de Vaccari, que não foi localizada até o momento. A polícia e o MPF querem a prisão dela por "operar junto com Vaccari operações de doações partidárias ilegais e operações financeiras relativas à Petrobras", explicou o delegado.

Na semana passada, Vaccari prestou depoimento à CPI da Petrobras, em uma sessão que ficou marcada por um tumulto após alguém soltar roedores. Na ocasião,o tesoureiro afirmou que conhece o doleiro Alberto Youssef, preso por envolvimento em um esquema de corrupção na estatal, mas negou que tenha relação próxima com ele.

Vaccari também declarou que sua permanência na secretaria finanças depende do partido. "A decisão de estar na secretaria de finanças do PT não pertence a mim, mas ao diretório nacional do partido. Essa decisão será discutida e terá resultado", declarou.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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