quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ser um Workaholic e lidar com o mundo (Por Thiago Muniz)

Nos dias de hoje, com o acesso a informação cada vez mais intenso; tendo que nós todos administrarmos as tarefas num universo de tempo mais impulsivo, pessoas consideradas "Workaholics" surgem mais em nosso dia a dia. Mas afinal, o que quer dizer Workaholic? Eles produzem mais? Quais são os seus dramas? Enfim, vamos tentar descobrir um pouco desse universo sempre intenso dessas pessoas.

Workaholic é uma gíria em inglês que significa alguém viciado em trabalho; um trabalhador compulsivo e dependente do trabalho. As pessoas viciadas em trabalho sempre existiram, porém esse número está crescendo muito e se tornando um fenômeno em todo o mundo.

O mundo corporativo atual é feito, muitas vezes, de indivíduos motivados pela alta competitividade, vaidade, ganância, necessidade de sobrevivência ou ainda alguma necessidade pessoal de provar algo a alguém ou a si mesmo, e essas pessoas acabam se tornando viciados no trabalho para atingir seus objetivos pessoais.

Um indivíduo workaholic geralmente não consegue se desligar do trabalho, mesmo fora dele, e muitas vezes deixa de lado seu parceiro, filhos, pais, amigos e família, e seus amigos acabam sendo apenas os que convivem no ambiente de trabalho. Esse tipo de pessoa sofre e acaba tendo uma qualidade de vida muito ruim, pois as pressões do dia-a-dia e a auto-estima exagerada fazem com que este tipo de profissional tenha insônia, mau-humor, impotência sexual, atitudes agressivas em situações de pressão e pode chegar a causar depressão, entre outros efeitos nocivos.

Um dos maiores receios de um workaholic é o medo de fracassar, esse medo faz com que ele se condicione e continue sempre dando o melhor de si na busca por resultados. Porém, os workaholics estão perdendo espaço, uma vez que as empresas estão cada vez mais preocupadas com a saúde do seu funcionário, e em ajudá-los a equilibrarem sua vida profissional com a pessoal, além do mais oworkaholic também consome muitas horas extras, o que também prejudica a empresa.

Os termos workaholic e worklover expressam duas formas diferentes de comportamento no âmbito do trabalho. A diferença entre os dois é que o workaholic é viciado pelo trabalho, mas nem sempre gosta do que faz. O worklover (que significa "o que ama o trabalho" em inglês) gosta do seu trabalho, mas não o vê como um vício, ou seja, tem outras coisas importantes na sua vida.

Um worklover sabe encontrar o equilíbrio entre o trabalho e o lazer, e não descuida os aspetos sociais, mentais e familiares da sua vida. Enquanto o workaholic trabalha muitas horas para tentar demonstrar o seu valor, o worklover sabe que trabalhar muitas horas não é um sinal de competência. Um worklover sabe que tem que parar para descansar e tem que fazer coisas não relacionadas com o seu trabalho, para recuperar energias e ser mais produtivo quando regressar ao contexto laboral.

Mas é preciso cuidado nessa rotulagem. Nem sempre é fácil distinguir um trabalhador legitimamente dedicado ao que faz de um workaholic. Um médico que se entrega de corpo e alma durante 70 horas por semana à saúde de seus pacientes pode ser menos viciado em trabalho que um contador que se dedica 40 horas aos livros de caixa. Nesse caso, o que define o viciado é o tipo de vida que leva fora do trabalho.

Workaholics são pessoas que fazem do trabalho a sua principal razão de viver. Entre tantos motivos que levam a tal situação estão a competição, busca de poder e status, realização profissional e, às vezes, a maior razão, em muitos casos: a fuga de problemas íntimos ou familiares. O workaholic faz de seu trabalho o sentido de sua vida, canaliza cada vez em maior escala sua energia para a carreira profissional, sacrificando assim o lazer e as relações pessoais. É uma pessoa que racionaliza muito, desconsidera seus próprios sentimentos e tem um contato mínimo consigo mesma e com seus conflitos. É um tanto individualista e egoísta.

Worklover
Workaholic
• É apaixonado pelo trabalho
• Geralmente satisfeito, lida melhor com as dificuldades que aparecem
• Se a vida profissional emperra, busca ajuda para os problemas
• Passa muitas horas por dia no escritório, e a satisfação se estende à vida pessoal. Tem equilíbrio
• Se está sobrecarregado, prioriza tarefas e abre espaços na agenda
• Sofre menos de estresse, garantindo saúde mental e física por mais tempo
• É viciado em trabalho
• É motivado por natureza, mas não significa que esteja satisfeito
• Se a vida profissional não vai bem, sofre e descuida da saúde
• Quanto mais problemas tem em casa, mais tempo passa na empresa
• Se está sobrecarregado, se estressa e tende a se esforçar mais
• Apresenta mais estresse e tem mais chances de apresentar problemas cardiovasculares

É muito tênue a linha que separa a dependência do trabalho de um bom desempenho profissional: para a sociedade em que vivemos, a compulsão passa despercebida. “Existe um padrão social em que o trabalho está no centro da vida das pessoas”, explica a professora Ieda Rhoden, do Departamento de Psicologia da Unisinos. Segundo ela, o também chamado workaholic se distancia da própria vida, deixa de lado amigos e família para dar uma atenção totalmente voltada ao trabalho. “É um comportamento epidêmico que está tomando conta da sociedade, pois é a sociedade que está doente”, enfatiza. Logo, como é algo visto como “normal”, não se toma consciência do comportamento doentio, afirma a professora.

Ter um comportamento workaholic significa que a pessoa tem muito mais que uma simples dedicação ao trabalho. “As pessoas centralizam o trabalho em sua vida, e deixam inclusive os seus problemas pessoais de lado.” Os problemas, diz Ieda, atingem o corpo, com a manifestação de doenças psicossomáticas, tais como cardiopatias, pressão alta e até mesmo câncer. Por sua vez, o caráter de alguém dependente do trabalho é muitas vezes agressivo e hostil. As pessoas assim não aceitam os seus limites: ficam totalmente focadas nas tarefas, e se cobram e se culpam muito, tornando-se agressivas consigo mesmas. “O dependente está tão absorto no fazer ‘render’ que abandona sua vida, os amigos, os familiares, tudo”, alerta Ieda, para quem o workaholic é muito mais que apenas uma compulsão, dado que atinge todas as áreas da vida da pessoa – inclusive o trabalho.

Além de afetar a esfera pessoal, há um conjunto de outros sintomas que caracterizam o dependente pelo trabalho, como a personalidade acelerada e a hiperatividade (a pessoa faz várias coisas ao mesmo tempo). A inapetência sexual é outra manifestação desta síndrome moderna: a pessoa costuma ter relações do tipo “descarga”, mas é ausente, não se entrega durante esse momento de intimidade.

O comportamento do viciado em trabalho leva a outras adições, como o abuso do álcool e outras drogas. O quadro é ainda mais grave porque, além de ser bem visto pela sociedade, o distúrbio não consta na Classificação Internacional de Doenças (CID), que conceitua, padroniza e cataloga doenças e problemas relacionados à saúde, tendo como referência a Nomenclatura Internacional de Doenças, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Desta forma, não pode ser tratado pela medicina nem é identificado como algo nocivo.

Além destes efeitos prejudiciais, a dependência do trabalho pode ser tão forte que, uma vez sem exercer sua profissão ou função, a pessoa entra em depressão. Isso acontece porque, conforme a psicóloga, a pessoa desenvolve uma “persona” ligada à empresa e à vida profissional como um todo, sem a qual ela não vive: “É um efeito cascata: sem vida social, o organismo fica desequilibrado; a imunidade fica baixa e o corpo, mais vulnerável às doenças”.

É importante frisar, porém, que é possível apresentar uma ou várias destas características e não ser dependente do trabalho. A diferença entre o doentio e o saudável está na riqueza da vida de quem tem outros interesses além do trabalho, tais como hobbies e outros passatempos que fazem bem não apenas ao intelecto mas à pessoa como um todo: “É preciso nutrir todos os aspectos da personalidade, não apenas o cognitivo e o intelectual”.

A professora Ieda Rhode dá as seguintes dicas para quem suspeita que pode ter compulsão pelo trabalho:

- Tomar consciência, admitir que é dependente, é o primeiro passo para deixar o vício, qualquer que seja ele. E a dependência pelo trabalho é como qualquer outra – a única diferença é que, como aconteceu já com o cigarro em outra época, hoje é algo bem visto pelo sistema cultural. Sentir-se incomodado é importante porque este distúrbio “faz bem”: a pessoa é superprodutiva, consegue alcançar promoções no trabalho e “se dar bem”. Porém, tem uma vida vazia que, sem o trabalho, passa a não ter mais significado.

- Pedir ajuda. Como qualquer dependência, é muito difícil lidar com o problema sozinho. Buscar um psicoterapeuta ou psiquiatra fornece à pessoa ferramentas para que lide com o distúrbio de uma forma segura e mais saudável.

- Transformar sua vida, colocar outras coisas na agenda e segui-las como obrigações: exercícios, hobbies, artes, ver um amigo: “A pessoa precisa se permitir a estas coisas no início”, frisa a professora: para quem tem dependência do trabalho, tudo o que fica fora desta esfera é visto como perda de tempo . Neste caso, uma lista de “obrigações de diversão” pode ser útil. Mas atenção: não vale sair para um chope com colegas de trabalho ou com o mesmo interesse profissional. A regra é distrair-se, e não falar de... trabalho.

- Viajar para outro país. Para a especialista em Psicologia, esta é uma atitude muito importante para quem tem adição ao trabalho, pois a pessoa se depara com coisas novas e rompe um ciclo.

Outra dica da professora Ieda Rhode é observar-se: quem apresenta um ou mais dos comportamentos aqui citados pode não ser dependente ainda, mas tem forte propensão a se tornar um. Portanto, esteja atento e veja se não está fazendo do trabalho a única coisa que lhe interessa na vida.


Como deixar de ser um workaholic

Não há nada de errado com o trabalhar muito – pode ser divertido e motivante, pode representar uma enorme satisfação e valorização pessoal e profissional. Mas a verdade é que há mais na vida para além do trabalho – é preciso reconhecer que relaxar é importante e que o stress em excesso pode revelar-se um verdadeiro problema. Quando o trabalho domina a sua vida e começa a causar problemas – com as relações pessoais, saúde e felicidade – é preciso parar e refletir. Saiba como deixar de ser um workaholic, ou seja, como equilibrar a vida pessoal e profissional.

Antes de mais, atenção, não há nada de errado no que toca ao sucesso profissional e ao orgulho associado ao mesmo – é natural que se sinta bem com as suas concretizações profissionais. No entanto, essa não deve ser a única motivação na sua vida. Quais são as outras motivações importantes? Fazer coisas que adora, criar algo magnífico, passar tempo com as pessoas que ama, participar em atividades divertidas e diferentes.

Se o trabalho é algo que adora e que o motiva, ainda bem. Na realidade, é provavelmente uma das poucas pessoas que tem o privilégio de se sentir assim. Mas tem de haver mais na sua vida – quais são as outras coisas que lhe trazem felicidade? Passatempos? Passear ao ar livre? A companhia da família e dos amigos?

Pense em 4 ou 5 coisas que lhe trazem grande felicidade e motivação – pelo menos uma dessas coisas deve incluir uma pessoa(s) e outra não deve estar relacionada com o trabalho. Precisa de ter algum tipo de balanço na sua vida. Deixe que estas coisas lhe tragam bem-estar e vontade, deixe-se motivar pela sua paixão por elas. Se for casado e tiver filhos, por exemplo, deixe que a sua vida seja motivada pelo simples pensamento de passar tempo de qualidade com eles.

Alguém que trabalha demais – muitas horas no dia, não consegue parar de trabalhar, nem à noite ou fim-de-semana, está obcecado com o trabalho, ao ponto de ignorar as restantes áreas da sua vida. Se este retrato lhe parecer familiar, pode precisar de ajuda. Mais do que ler este artigo, pode precisar do apoio de familiares, amigas, um terapeuta ou até de um grupo de apoio (virtual ou real). Não tem de ter vergonha, simplesmente tem de vencer este vício. Se acha que o seu caso ainda não é muito grave, existem várias coisas que pode fazer para conseguir o tão desejado equilíbrio entre a esfera pessoal e profissional.
  • Em primeiro lugar, estipule uma hora de saída diária, que cumpre e a partir do qual não recebe mais chamadas do escritório – informe as pessoas com quem trabalha sobre isto. Em adição, não leve trabalho para casa. Quando chegar a hora de sair, saia… o resto pode esperar por amanhã.
  • A partir dessa hora, não volte a ver os e-mails ou a fazer qualquer outra atividade relacionada com o trabalho. Desligue o telemóvel, o iPhone e até mesmo o computador de casa e faça outra coisa qualquer. Outra regra fundamental é evitar levar ou estar a ver os e-mails no Blackberry quando estiver de fim-de-semana, a participar em momentos de família, atividades com as crianças e especialmente em tempo de férias.
  • Em terceiro lugar, faça questão de agendar outros programas na sua vida: faça exercício físico com um amigo depois do trabalho, planeie saídas românticas com a sua cara-metade, leve o seu filho à natação, dedique-se ao seu hobby preferido. Ao ter este tipo de atividades planeadas, vai ser mais fácil deixar de trabalhar e deixar de pensar no trabalho.
  • Estes três passos são um excelente maneira para começar a deixar de ser um workaholic. Comece por concentrar-se primeiro nestes e seja firme consigo próprio, para depois passar aos restantes. Não pode haver exceções!
Na realidade, este deve ser o passo mais fácil, afinal de contas trata-se de algo divertido, mas a verdade é que existem muitas pessoas que têm uma enorme dificuldade em relaxar e aliviar o stress.
  • Por isso mesmo, há que começar com passos pequenos. Se tem dificuldade em relaxar, não precisa de tentar fazer isto logo numa semana ou num mês, comece antes por parar e destressar durante curtos períodos de tempo, ou seja, blocos de 10 ou 15 minutos. Aos poucos vai habituar-se a este tempo tranquilo e vai começar a conseguir usufruir dele durante muito mais tempo.
  • Em segundo lugar, agende algum tipo de atividade física todos os dias. Pode ser uma caminhada, uma sessão de jogging, ciclismo, natação, jogar futebol ou basquetebol. Não interessa a modalidade, interessa mexer-se e, de preferência, sempre ao ar livre. Já sabe, comece apenas com 10 ou 15 minutos por dia e embora inicialmente pode não acertar logo na atividade que mais gosta de fazer e que mais o vai ajudar a destressar, não há nada como experimentar.
  • Em terceiro lugar, agende algum tempo de qualidade sozinho. Pode ser algo tão simples como ler descansado durante 10 minutos, fazer uma pequena caminhada sozinho, tomar um bom banho de imersão ou fazer um pouco de meditação. O ideal é fazer esta atividade em silêncio, sozinho e sem qualquer tipo de distração, ou seja, num local tranquilo, limpo e arrumado, onde não terá ninguém a bater-lhe à porta. Peça aos colegas de trabalho (se for no escritório) ou aos familiares (se for em casa) para o ajudar, respeitando o seu tempo de silêncio. Aos poucos, vai alargando esse tempo de qualidade consigo próprio de 10 minutos para 15, 20, 30 minutos, até chegar aos 45-60 minutos diários.
Para quem adora relaxar, este passo é um pouco difícil de compreender, mas para quem é um workaholic aprender a gostar de relaxar pode ser extremamente difícil. No fundo, requer uma alteração de atitude e de pensamento porque é necessário deixar de pensar que o trabalho é o único caminho virtuoso, que vale a pena na vida. Claro que trabalhar muito e bem é bom sinal e sabe bem, mas ser preguiçoso e relaxar completamente também é maravilhoso. Temos de conseguir dar a nós próprios permissão para relaxar e para gostar de o fazer.
  • Relaxar e ser preguiçoso é fundamental para a saúde, felicidade e bem-estar geral. Os nossos corpos e mentes precisam de recuperar todos os dias e todas as semanas, caso contrário algo vai correr mal: ficamos exaustos, as nossas relações com os outros sofrem, a nossa saúde ressente-se. Por isso, há que pensar no relaxamento como uma necessidade, como uma coisa muito boa.
  • Faça apenas aquelas coisas que lhe dão um enorme prazer. Esqueça todas as outras coisas que estão na sua agenda ou que tem na cabeça e viva o momento, viva a descontração ao máximo. Concentre-se no prazer que está a retirar dessa atividade e na forma maravilhosa como ela o está a fazer sentir. Inspire fundo e sinta todas as suas tensões a desaparecerem.
  • Para conseguir tudo isto, tem de dar tempo ao tempo. Pode parecer estranho, mas aprender a relaxar demora o seu tempo e irá adaptar-se devagar e gradualmente. Acima de tudo, tem de conseguir, com passos pequenos e ao bloquear todos os pensamentos negativos e relacionados com trabalho que possam surgir. Coloque esses pensamentos de lado e concentre-se exclusivamente naquilo que está a fazer agora. Esta transformação não vai acontecer da noite para o dia, mas vai acontecer… e quando acontecer vai ser maravilhoso.


BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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