sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Rabo preso no Congresso Nacional (Por Thiago Muniz)

Rabo Preso”, classificado como “aquela pessoa que deve moralmente; relativo a alguma coisa que a pessoa fez indevidamente”. Ou seja, se fez algo indevidamente, não pode falar dos outros, que está envolvida em algo que pode complica-la, se falar algo de alguém, poderá ser envolvida, ou até receber chantagem. Quer dizer que fez algo ilegal (ou imoral) e não pode atuar conforme seu desejo, mas sim de acordo com o desejo de alguém ciente de tal ato.

Os sinônimos para “rabo preso” são: comprometido, corrupto, ilegal, fora-da-lei. Outros termos ou palavras relacionadas são: infiel, que deve favor, sujo, tem algo a ser contado, saia-justa… e por aí vai.

Li a imoral e covarde entrevista que o Sr. Fernando Henrique Cardoso deu à jornalista Eliane Catanhêde. Ora, senhor ex-presidente, essa é a melhor orientação que o principal líder do PSDB, partido dito de oposição possa dar para os seus pares em face da atual crise ética, moral, econômica e social que o país vive? O PSDB é realmente oposição? Afinal o Brasil gostaria de saber se seu partido é composto por um bando de covardes ou tem o rabo preso com a roubalheira institucionalizada da atual administração.

Prefiro pensar na primeira alternativa, afinal, ninguém é obrigado a ter coragem, mas é obrigado a ter ética e moral pelo menos no exercício de um cargo público. O nosso ex presidente, salvo engano de interpretação, acha que se deve "cozinhar o galo em fogo brando nos próximos quatro anos". Na minha opinião ele está querendo por toalhas quentes nos movimentos sociais em curso, ao dizer que o PSDB faz bem em não chamar para a rua. Que covardia, SENHOR FERNANDO HENRIQUE CARDOSO!

A verdade é que PSDB não chama ninguém para nada, não é oposição, seus parlamentares com raras exceções não honram nem o voto recebido dos cidadãos que acreditaram em suas propostas de oposição e combate à corrupção. Está sempre em cima do muro. Imagino que o senhor FHC esteja descontente com a vida e pretende ir para o andar de cima muito antes de quatro anos. Mas eu não, quero viver os próximos quatro anos e mais algum tempo em um país limpo, governado por gente capaz e honesta, que não envergonhe a mim e a nenhum outro brasileiro ao chegar no exterior. Temos que ter orgulho do nosso país e nunca vergonha a exemplo do que acontece atualmente.

Não é à toa que, há anos, o PT defende seu eterno tesoureiro João Vaccari Neto, envolvido nos maiores escândalos financeiros do partido. Todo mundo tem o rabo preso com ele, desde os tempos da Bancoop, passando pelo Mensalão, chegando ao Petrolão. Vaccari com a sua mochila de U$ 200 milhões será ovacionado hoje na festa dos 35 anos do PT. Lula e Dilma vão defendê-lo, assim como o PT inteiro o fez ontem. A matéria abaixo é do Valor.

O PT fez ontem uma ampla defesa do secretário de finanças da legenda, João Vaccari Neto, suspeito de receber propina em nome do partido, e deve mantê-lo no cargo. Com um discurso semelhante, dirigentes petistas afirmaram que Vaccari apenas cumpriu a missão dada pelo PT e rebateram as acusações de que o partido teria recebido até US$ 200 milhões em desvios da Petrobras, em um esquema que teria o tesoureiro petista como um de seus operadores, segundo investigação da Operação Lava-Jato.

Horas depois de Vaccari prestar depoimento à PF, em São Paulo, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, afirmou ontem que as acusações são falsas e fazem parte de uma tentativa de criminalizar a legenda da presidente Dilma Rousseff. "Não haveria nenhuma razão para não apoiá-lo, já que ele [Vaccari] vem cumprindo suas tarefas com correção, com transparência, com lisura conforme depôs na Polícia Federal, respondendo a todas as perguntas sem deixar dúvida. Sequer foi indiciado", disse Falcão, ao sair de um encontro do PT de Minas Gerais, em Belo Horizonte. "Nada temos a temer. Não aceitamos o estigma da corrupção. Somos um partido honesto, um partido que cumpre as leis do país", afirmou Falcão.

Vaccari teve de prestar esclarecimentos sobre depoimento feito por ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco. Na delação, Barusco disse que entre 2003 e 2013 o PT recebeu até US$ 200 milhões em recursos desviados da Petrobras e que o tesoureiro teria levado US$ 50 milhões. Depois do depoimento, Vaccari foi para Belo Horizonte, onde o PT está reunido para comemorar os 35 anos da sigla, em evento que deve ter a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.

Coordenador da corrente majoritária do PT, Francisco Rocha da Silva, o Rochinha, que comanda a Comissão de Ética e Disciplina do PT, disse que o tesoureiro cumpriu missão dada pelo PT e garantiu respaldo dentro do partido. "Saibam os abutres que aqui tem uma trincheira de companheiros e companheiros que jamais fugirão à luta. Os filiados consegue distinguir com clareza o joio do trigo", afirmou em texto publicado na internet. Ao Valor, disse que há uma "espetacularização" da Operação Lava-Jato. "Virou uma fanfarra de vazamentos, pouco crível. Por que só vazou o nome do tesoureiro do PT, às vésperas do aniversário do partido, quando 64 nomes são investigados?", questionou.

Jorge Coelho, um dos vice-presidentes da sigla, disse que "de maneira alguma" o PT irá pedir o afastamento do tesoureiro do cargo. "Não há motivo nem interesse para isso. Vaccari goza de toda credibilidade no comando do PT", disse. "Não temos dúvida da lisura das operações feitas por ele". Coelho disse que as doações recebidas pelo PT foram feitas de forma legal. "Se a empresa faz uma doação irregular quem tem de responder é a empresa, não o PT", afirmou o dirigente, que foi tesoureiro da campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, em 2014.

Em nota, o partido seguiu a mesma linha de defesa e afirmou que o PT recebe apenas doações legais e que são declaradas à Justiça Eleitoral. O partido afirmou que as delações de Barusco "não merecem crédito" e disse que os acusadores "responderão na Justiça pelas mentiras" contra o PT.

Ex-presidente do PT-MG, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que parece haver uma ação para minar a festa de aniversário do PT. "Querem criminalizar doações oficiais. Então, o que é doação oficial das empresas para o PSDB é lucro, e o que é doação oficial para o PT é propina? Precisa ter cautela".

Para o líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), a oposição não encontrou nada contra Vaccari. "Colocaram [o Vaccari] no centro da CPI [da Petrobras] e quebraram o sigilo. O que fizeram com esses dados eu não sei porque até agora não se ouviu falar uma palavra da oposição sobre isso", afirmou.

No governo, o clima foi de cautela. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), cancelou participação em um evento. A presidente Dilma não falou sobre a crise na Petrobras e, em discurso, enfatizou o uso dos recursos do pré-sal para educação. O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, disse que não há "constrangimento" para o governo. "Se houver algum envolvimento de alguma pessoa do PT, o partido terá que tomar as atitudes que tem que ser tomadas".

O deputado estadual Anísio Maia (PT) criticou o Projeto de Lei (PL) sobre regime de terceirização dos trabalhadores. Durante sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), o petista disse que o PL prejudica grande parte dos trabalhadores do Brasil e que é defendida por parlamentares que têm ‘rabo preso’ com financiadores de campanha.

“A oposição só defende os trabalhadores quando é para criticar o Governo Federal. A terceirização é um ardil para fugir dos direitos dos trabalhadores. Só na indústria automobilística, 35% dos trabalhadores terão redução de salário. Metalúrgicos, por exemplo, passarão a outra categoria de remuneração inferior”, disse Anísio.

Ele comentou, ainda, que essa PL serve apenas aos grandes empresários, que são os financiadores de campanha de muitos deputados. “O direito do trabalhador pode ser diminuído? Porque é de interesse dos grandes empresários. É por isso que precisamos acabar com o financiamento privado de campanha. Tem que acabar com o financiamento privado para que o deputado possa votar livre”, finalizou Anísio Maia.

O presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha prometeu apressar a pauta de um projeto sobre a lei antiterror. Ele aproveitou o embalo de uma informação divulgada pelo jornal Estado de S. Paulo sobre supostas tentativas de aliciamento de jovens brasileiros para servir ao Estado Islâmico (EI).

A matéria do Estadão se baseava em conjecturas e não indicava propriamente nenhuma confirmação de que esteja acontecendo verdadeiramente. Mas Cunha, que é Cunha, saiu na frente e desencavou o tal projeto que a burguesia brasileira quer que a todo custo vire lei.

Cunha é uma figura nefasta da política brasileira que se caracteriza por defender projetos que indicam retrocesso nos mais diversos campos. O que fez agora simplesmente confirma isso.

De tanto ascender, Eduardo Cunha ganhou maior espaço na revista Veja que o considera uma espécie de maioral da política brasileira.

Na verdade, o surgimento na pauta jornalística do Estado Islâmico, apenas por conjecturas de serviços de inteligência, está servindo de pretexto para tentar decretar uma legislação objetivando de fato atingir os movimentos sociais.

Cunha e seus seguidores querem mesmo que o Estado brasileiro reprima protestos. O EI não passa de uma criação prática de serviços secretos ocidentais, como tinha sido Bin Laden, aliadíssimo dos Estados Unidos para combater os soviéticos no Afeganistão.

Agora, no Brasil, da mesma forma que no Oriente Médio, os terroristas do EI servem de pretexto para retrocessos. No caso do Oriente Médio, a ação terrorista ajuda aos industriais da morte a desaguarem armamentos, enquanto que no Brasil o surgimento do grupo nas páginas do Estadão ajuda a empreender repressão aos movimentos sociais que defendem os interesses da sociedade civil.

Mas já que estamos em Eduardo Cunha, nada melhor do que colocar em pauta o dizer consagrado no cancioneiro popular “Recordar é viver” para conhecer melhor com quem estamos lidando.

Para os desmemoriados, vale lembrar como surgiu na política o poderoso da Veja Eduardo Cunha, hoje o segundo na ordem de sucessão presidencial.

Cunha em 1991 foi indicado pelo de triste memória PC Faria, o “tesoureiro” de Fernando Collor de Mello, para a presidência da Telerj, onde permaneceu dois anos até o fim da era daquele “caçador de marajás”.

Cunha integrava então o partido de Collor de Mello, PRN (Partido da Reconstrução Nacional), chegando ao posto de conselheiro político da agremiação de aluguel, dirigida então por um tal de Daniel Tourinho, hoje ocupando a presidência do PTC (Partido Trabalhista Cristão), figura que por sinal voltou às páginas ao ser divulgada lista de políticos com contas no HSBC da Suíça.

Depois do “estágio” na Telerj, Cunha tornou-se não muito tempo depois presidente da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab) durante o governo Garotinho. Ficou pouco tempo.

Em seis meses, Cunha teve de renunciar, acusado de beneficiar a empresa de um ex-auxiliar do então ex-presidente. Ele conseguiu se safar porque o processo a que passou a responder se extinguiu por decurso de prazo.

Cunha anda dizendo que já respondeu outros processos, mas foi considerado inocente das acusações.

Como no Brasil o que aconteceu ontem já é apagado hoje, Cunha vai ocupando espaços midiáticos e tenta de alguma forma ser em algum momento indicado para concorrer à Presidência da República. Aí seria o absurdo dos absurdos, mas como tudo é possível neste mundo político menor, todo cuidado é pouco.

Pensar que este político ocupa um cargo tão relevante como o atual é realmente um retrato sem retoques sobre o momento atual da política brasileira.

Cunha foi indiciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot como um dos envolvidos na Operação Lava-Jato. Está sendo investigação, não podendo por enquanto ser considerado culpado.

Mas o que impressiona é o fato de Cunha antes de qualquer coisa ser desagravado por políticos que o consideram de primeira grandeza e antes de mais nada um cidadão acima de qualquer suspeita. Pode-se imaginar quem sejam eles.

Para se ter uma ideia, como se não bastasse ter sido paparicado ao comparecer na CPI sobre a Petrobras, Cunha agora vai ser homenageado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) por decisão de correligionários do PMDB, o partido majoritário naquela Casa. A iniciativa foi do deputado estadual Jorge Picciani, do mesmo time de Cunha.

Não é à toa que Cid Gomes saiu por cima do Ministério da Educação e ganhou projeção nas redes sociais ao enfrentar na base do olho no olho o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Este alerta sobre Eduardo Cunha vale também para os que andam defendendo a renúncia ou o impeachment de Dilma Rousseff. Pensem bem, já imaginaram Eduardo Cunha o primeiro na ordem da sucessão presidencial? É realmente muito risco para a jovem democracia brasileira.

Se o governo não anda bem com Dilma Rousseff, como entendem alguns, sem ela a Presidência ficaria ainda pior, podem crer. Assumiria, se assumisse, o peemedebista Temer. E se por algum motivo ele não ocupasse o cargo, os destinos do Brasil ficariam nas mãos (limpas?) de Eduardo Cunha.

Nesta história sombria quem mais perderia seriam mesmos os trabalhadores brasileiros.

Sobre Michel Temer, nos bastidores políticos conta-se que quando foi criado o PSDB, uma costela do PMDB, Temer estava prestes a aderir à nova sigla política. Mas aí, Franco Montoro o aconselhou a permanecer no PMDB sob o pretexto de que “lá você vai ser um dos nossos”.

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