terça-feira, 7 de abril de 2015

O papel do jornalista no cotidiano (Por Thiago Muniz)

O papel dos jornalistas é "traduzir" para o público o que é complexo em simples.

Penso que o papel do jornalista, na sociedade do consumo, é interpretar e traduzir informações. Não cabe a ele apenas informar. Devido à saturação da informação, cabe ao jornalista interpretá-la, atribuindo-lhe sentido e precisão na produção de um bem intelectual que dê ao receptor a possibilidade de refletir e, também, de interpretar. É aí que reside a grandeza de um texto e só então pareceria correto atribuir ao jornalismo o papel de auxiliar na difusão do conhecimento.

O ato de informar consiste em transmitir dados técnicos sobre determinado fato. Estes dados, tal qual o lead, não possibilitam percepção de atmosfera, conjuntura emocional e emissão das particularidades de um fato. A absorção da informação calcada na objetividade jornalística esfria as capacidades emocionais e afeta o entendimento do universo particular de uma ocorrência por parte do receptor.

Ser objetivo não é ser pouco preciso. É possível ser objetivo em um texto jornalístico e descrever um acontecimento com precisão e técnicas narrativas literárias que lhe componham as sutilezas que permeiam a história humana. Inclusive o lead, ou “guia”, possui imenso valor às narrativas não ficcionais, portanto este ensaio não prega sua abominação, apenas uma mudança ótica e executiva.

Assiste aos jornalistas a obrigação de informar a população, dando-lhe meios de exercer a cidadania. Salvo melhor juízo, isso não pode se confundir, jamais, com militância política. Logo, o que dizem as autoridades é, sim, uma informação relevante a ser levada às pessoas. Se a análise dessa informação pressionará ou não uma autoridade ou qualquer que seja o partido político a tomar determinada decisão, não é culpa do jornalismo. O jornalismo carrega culpa quando, indevidamente, age como se fosse um dos três poderes constituídos.

Declarações de ministros do Supremo Tribunal Federal nas últimas semanas – corretamente divulgadas pela imprensa, diga-se – dão conta de que o tribunal não aceitará pressões externas para decidir o caso que ficou conhecido como mensalão. É justo – aliás, é prudente – que os ministros não acatem pressões e decidam neste ou em qualquer outro caso sob seus cuidados, de acordo com o ordenamento jurídico vigente no país. Como se trata da última instância do Poder Judiciário, não convém que as decisões sejam tomadas de acordo com pressões de ocasião, venham elas de onde vierem.

Mas é preciso deixar claro que o caso em debate não é comum, não é simples e talvez seja um dos mais importantes da história republicana brasileira. Será a primeira vez que, de forma concreta, um pernicioso esquema de corrupção será destrinchado e julgado pela corte maior. Dada a importância do julgamento, é crucial a cobertura independente da imprensa e que essa cobertura deixe explícita a importância do momento histórico para a sociedade, mesmo que o ministro Marco Aurélio Mello diga que o processo “é um processo como outros 700 que temos que apreciar. Por que pinçar este para julgar a toque de caixa?”

A própria sociedade civil tem se organizado pelo país nos últimos dias, legitimamente, para pedir celeridade à tramitação do processo e essa celeridade não se confunde com julgar a toque de caixa, como diz o ministro Mello. Até porque o escândalo, que veio à tona em 2004, foi transformado em processo em 2007 e desde então já ocorreram duas eleições, nas quais os eleitores foram às urnas sem a certeza da não culpabilidade dos partidos políticos envolvidos com o chamado mensalão e, o mais grave, sem saber se é contumaz o Legislativo receber benesses para atender aos pedidos do Executivo.

Responder a todas as perguntas na abertura de uma matéria é um desserviço ao leitor. Pensa-se que ele não possui tempo para ler jornais. Até parece uma afirmação acertada. Mas será mesmo? Ou será que os textos jornalísticos (salvo o brilho de poucos mestres) são frios, imprecisos, burramente objetivos e o leitor já se acostumou com essa estética técnica e industrial? Ora, o jornalismo se nutre da vida e história humana, portanto sua narrativa não deveria desumanizar as personagens das suas tramas de não ficção. O excesso da objetividade aborta a humanidade de um texto.

A importância do jornalismo bem feito, com pleno domínio do campo narrativo, por vezes chamado de “literário”, fica clara nesta vertente ideológica, em uma sociedade pautada pelo consumo desregrado e imediato, que cultua o objeto “de marca”, onde o “ser” é excluído pela supervalorização de um “ter” desenfreado e ambicioso.

Então, sendo o ser humano, a vida humana, a matéria prima do jornalismo e de toda narrativa, cabe ao jornalista o papel de extrema relevância de atentar-se para a humanização do seu trabalho. O escritor de reportagens não possui mais ou menos valor do que o literato, mas seu trabalho incide imediatamente sobre a sociedade, atingindo uma maior parcela da população com seus textos do que a maioria dos escritores de livros. Além disso, o ser humano acaba sendo o reflexo daquilo que consome, portanto, consumindo narrativas permeadas de olhar humano postulo que o adquirirá, por meio da interação do sujeito com este objeto abstrato, visto que o conhecimento só se manifesta e desenvolve através dele próprio.

Ir contra o consumo imediatista é uma solução paliativa para o estabelecimento de uma cultura da coletividade e de parcial igualdade. E sendo o jornalismo, e parte do processo comunicacional humano, uma estrutura de contrapoder, a ele lhe cabe o papel de regular e opor-se a degradação e massificação da mente coletiva da sociedade do espetáculo.

Se o jornalista escreve para seu leitor é por ele, e para ele, que deve se pautar. A intimidade e círculo de confiança gerado pelos jornais de pequenas esferas de abrangência, como jornais e cadernos de bairro, atendem de forma muito mais crucial aos interesses coletivos do que a generalização de abraçar o mundo dos grandes veículos. A estes últimos caberia o papel não de formadores de opinião, mas de proponentes da reflexão.

O verdadeiro papel do jornalista é, e sempre foi, fazer pensar.

É visível a inexistência de uma verdade absoluta, em qualquer área de estudo e trabalho, desde a ciência até o jornalismo. Entretanto, no caso do jornalismo, vê-se que é possível desenvolver as notícias, que serão passadas ao público de uma forma coerente tal que a imparcialidade possa ser adquirida pelo meio de comunicação que passa a informação, sem deturpar os fatos ou manipular as idéias para meios ilícitos. Sabe-se, entretanto, que há muito a verdade dentro do jornalismo deixou de ser um elemento básico seu, e portanto, característico de seu profissionalismo. Outros elementos, como a objetividade, são mais tangíveis. Todavia, muitos meios midiáticos ainda apregoam ser detentores, em sua forma de noticiar, deste elemento indispensável.

Qual é o papel da verdade dentro do jornalismo? Esta pergunta vem sendo debatida com freqüência entre os profissionais, acadêmicos, sociólogos entre outros profissionais ligados ao assunto, sobre fundamentação da verdade dentro do jornalismo, seja televisivo, seja nas redações de jornais impressos ou mesmo no rádio. A verdade resulta a partir de argumentos e evidências. Contudo pode-se refletir até que ponto tais argumentos e evidências seriam verdadeiros. Sabe-se que na ciência, que é considerada uma verdade a parte, muitos fenômenos científicos já foram modificados, com o passar de novas descobertas. E por que isso ocorre? Porque a ciência vive, também, de acordo com o contexto histórico em que está contida.

Que estória mais maluca é esta de que “aos jornalistas cabe o papel de ser oposição ao governo e à própria oposição”. Aos jornalistas cabe o papel de se ater aos fatos.

Jornalista, no geral, não tem formação para opinar a sério sobre absolutamente nada, desde esportes até ciência e tecnologia. Exceto alguns jornalistas especializados que tem origem, formação e experiência em esportes e ciência e tecnologia.

Acho que o jornalista, em sentido estrito, tem um papel fundamental na sociedade que é trazer ao público o que esta acontecendo em toda parte. Só relatar a informação exatamente como o fato aconteceu já é uma tarefa extremamente complexa e nobre.

Quando um fato supostamente favorável à sociedade aconteceu, é preciso dar o mesmo destaque que um fato supostamente desfavorável. Quem julga que o fato é de fato favorável ou desfavorável é o distinto público.

Jornalista não pode ficar torcendo para que o governo de ocasião permaneça no poder ou para que o julgamento de supostos criminosos oriundos do governo favoreçam a oposição.

O jornalista não está entendendo que o distinto público já percebeu que esta torcida para um lado ou para o outro só desmoraliza o jornalista e a imprensa como instituição. O distinto público está de saco cheio da imprensa, em especial a imprensa brasileira.

Se o jornalista ou um determinado órgão de imprensa quer fazer oposição ao governo ou à oposição que tenha a honestidade de informar ao distinto público sobre suas preferências. Garanto que o distinto público será grato por isto.


BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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