segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Lucro é do bem ou do Mal? (Por Thiago Muniz)

De dois anos pra cá, a situação da Venezuela piorou muito. Lá, o simples fato de sair de casa para comprar comida se transformou num martírio. Isso mesmo. Para pessoas de bem conseguirem comprar comida para sua sobrevivência, elas têm que enfrentar longas, intermináveis e humilhantes filas. Homens, mulheres, velhos e jovens recebem sua numeração e apresentam o seu documento usado pelo governo para controlar a quantidade a que cada um tem o direito de comprar.

Os ítens que estão em falta atualmente: carne, leite, frango, açúcar, café, água engarrafada, azeite e farinha, mas também pães, papel higiênico, sabão, preservativos, retrovirais e medicamentos para doenças crônicas, como diabetes e epilepsia. A tendência é que outros produtos também comecem a faltar, tirando ainda mais a dignidade deste povo que há 2 décadas vivia muito bem. Afirmo isso porque morei lá em 1993 e nesta época, Hugo Chaves estava preso por uma tentativa de golpe de estado pelas vias armadas. Ninguém me contou. Vi com os meus próprios olhos como morador no país. A Venezuela era economicamente muito mais estável que o Brasil, tinha um mercado aberto e para ir fazer compras em Miami, a passagem custava apenas 150 dólares. Qualquer empregada doméstica viajava aos EUA para fazer compras. Afinal, até hoje, a Venezuela é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Senhores, a razão que temos comida farta em nossas mesas todos os dias no Brasil é uma só: o lucro.

Quando você vai num supermercado, este estabelecimento existe porque um empresário investiu o seu dinheiro, a seu próprio risco, sem apoio de ninguém, com altos impostos, com altos encargos trabalhistas para assumir todos os riscos, num cenário desfavorável para o empreendedorismo como o Brasil, para obter lucro. Isso mesmo. LUCRO. Simples assim. Lucro não é uma palavra bestial, de baixo calão ou um pecado. Por causa do lucro você encontra um supermercado para comprar a comida que é parte de sua sobrevivência. Sem lucro, o supermercado fecha as portas. Faz sentido isso pra você? Se esta informação é verdadeira, o lucro é bom, não é?

Dentro do supermercado, você encontrará um monte de produtos, como produtos agrícolas, pecuários, industrializados, laticínios, produtos de higiene pessoal, de limpeza, brinquedos, eletrônicos etc... Sabe por porque esses produtos estão lá para vender?

Porque por trás de cada produto deste existem empresários que investiram o seu dinheiro, enfrentando corrupção da máquina pública e da burocracia, em busca do lucro. Isso, olha ele aí de novo. O santo LUCRO que faz com que pessoas de bem, trabalhadoras, decidam assumir os riscos necessários para criarem empresas, gerando empregos para um monte de famílias, que dá a você acesso, a qualquer tempo, entrar numa loja, num shopping ou num supermercado para comprar, na quantidade que você quiser e quantas vezes você quiser, sem controle de ninguém, os produtos que precisa para viver com conforto, incluindo a sua alimentação que não tem faltado em sua mesa. Por que não falta? Porque alguém tem lucro com isso. Simples assim.

Quando um governo começa com um discurso medíocre, colocando a população contra as "elites", criando um ambiente hostil na sociedade, ele está ameaçando este equilíbrio do mercado que é estimulado pelo lucro.

Quando um governo começa a regular as práticas comerciais, fazendo congelamentos de preços numa economia instável, o que fatalmente colocará o preço dos produtos tabelados em níveis abaixo do estímulo necessário para indústria e, em muitos casos, tabelando os preços abaixo do que de fato custa, o empresário, que não é escravo do governo, decide não correr mais os riscos e prefere encerrar as operações. Por que alguém trabalharia de graça? E perdendo dinheiro? Você faria o que se fosse empresário num cenário como este criado por um governo autoritário? Não precisa ser nenhum gênio para imaginar a sua resposta porque ela é muito óbvia.

Se você acha que determinado empresário tem uma margem muito grande de lucro, simplesmente não compre. Se isso acontecer ele baixará o preço para conseguir vender. O poder está sempre nas mãos do consumidor.

Agora, quando o governo trata o empresário como um usurpador, um explorador, em vez de reconhecer a sua coragem de empreender e o quanto ele é fundamental para o país, aquele ser humano trabalhador que investe o seu dinheiro num negócio, não se sente estimulado a empreender mais e decide ficar com o seu dinheiro aplicado e seguro num banco internacional, o que é o seu direito.

A grande parte desses empresários saem do país e vão morar num lugar melhor, num país livre que reconhece a iniciativa de quem quer empreender, gerar empregos e bem estar para a sociedade. Empresários de países autoritários são bem vindos em qualquer lugar do mundo, porque seus governos dão incentivos para eles a fim de que eles possam investir naquele país que o recebeu bem.

Portugal é um exemplo disso que dá 10 anos de isenção de impostos para atrair empresários estrangeiros para morarem no país. O rquisito é investir no mínimo 500 mil euros em imóveis ou 1 milhão de euros no mercado financeiro. Eu posso lhe dar uma lista de outros 20 países que fazem o mesmo... Nos EUA, onde também morei e tenho negócios, um greencard é dado para o empresário estrangeiro com sua família que investir 500 mil dólares num projeto que gera emprego no país. Percebem a diferença de tratamento?

Já na Venezuela e países com a mesma ideologia acontece exatamente o oposto e o empreendedor é tratado como marginal. Não é por acaso que muitos empresários foram embora já que são desrespeitados pelo governo. Os que ainda permaneceram lá, são recorrentemente prejudicados pela máquina estatal autoritária que controla preços com a ameaça de prisão aos comerciantes. Os que tentam, com tudo isso, continuar a empreender no país chegam a conclusão que empreender neste mercado tornou-se inviável, tirando-lhes a perspectiva do LUCRO. O que fazem então? Não vêem mais sentido em continuar os seus negócios, não vêem mais sentido em produzir no campo, pois os preços tabelados não compensam o esforço e o risco do empreendedor.

Resultado?

Os produtos não são produzidos, distribuídos e vendidos no comércio e o povo sofre. FALTAM MESMO!

Governos populistas falam uma linguagem pensando apenas em agradar os mais simples que, por ignorância, acreditam no discurso de conspiração vomitado pelo governo. Quando o governo perde popularidade e se sente ameaçado, aumenta ainda mais o tom classista, colocando um contra o outro, para tentar garantir o seu curral eleitoral. Com isso, vai destruindo ainda mais o mercado produtor. O resultado lamentável é o que vemos pintado com todas as cores na Venezuela.

Lá, a violência urbana explode com uma força incrível. A maior taxa de assassinatos do mundo por habitantes. Mata-se mais que no Brasil que é o campeão em números absolutos. A inflação explodiu junto com o desemprego. O desabastecimento mexe com a dignidade da população. Um sofrimento lamentável e desnecessário de um país rico, porém empobrecido pela utopia bolivariana.

Agora, me pergunta se o governo perde a pose. Claro que não! Eles nunca dão o braço a torcer. Mentem mesmo como ferramenta de trabalho. Eles pensam que os fins justificam os meios. Além disso, as familias e amigos do rei, Maduro, vivem muito bem. São ricos, pois a corrupção costuma correr solta nesses modelos e reinados de estado absoluto.

Antes que me perguntem, "o Brasil não vai seguir pelo mesmo caminho?" Não cairemos na mesma conversa bolivariana-leninista-marxista. Não seremos uma Venezuela, porque a nossa bandeira jamais será vermelha e nem azul. A Bandeira do Brasil é e sempre será verde e amarela.

Em finanças VALOR > LUCRO. Valor neste caso, valor tem duplo duplo sentido, tanto no sentido moral e dos bons costumes como valor no sentido de ganho de capital.

As pessoas que nunca abriram um livro de Economia nem mesmo para ler o Sumário jamais irão compreender a enorme função social do lucro como incentivo ao aumento da produção, e portanto, da oferta de bens e serviços a preços cada vez menores, e consequentemente, na maior facilidade de acesso a tais bens e serviços e, portanto, no ganho em qualidade de vida para os que não estão lucrando diretamente com o processo. Essas pessoas se deixam levar pelo apelo sentimentalista que a palavra "lucro" lhes invoca. Para elas, lucro significa mais do que exploração, significa abuso e, se alguém está lucrando é porque outrem necessariamente está perdendo. É uma pena constatar que muitos adultos, mesmo depois de tantos anos de experiência de vida e tanto tempo para tentarem compreender como funciona o mecanismo de mercado, ainda acreditam que as relações econômicas são um um jogo de soma zero.

Acabei de ler um livro juvenil, que fala exatamente isso a saga dos Jogos Vorazes mostram o poder autoritário da Capital, que é rica e os distritos passando fome e como resultado para mostrar o poder da capital está os jogos Vorazes.. A Venezuela só falta colocar crianças dentro de uma arena e mandar elas se matares Pq o resto já está bem parecido... O engraçado é que parece uma história mas não vejo tanta diferença entre o livro e algumas realidades por aí.

Só os empreendedores sabem quantas horas são dedicadas diariamente para que seu empreendimento funcione corretamente como planejado. Aí vem um vagabundo e diz: Quero ser empresário para ver os outros trabalhando pra mim enquanto fico descansando. O Povão sempre vai preferir o discurso de um "salvador", de alguém que resolva o problema do País como num passe de mágica, mas só tardiamente o Povão descobrirá que não existe mágica, o que existiu foi apenas uma grande ilusão que o "salvador" criou para que todos acreditassem nele.
Fácil falar "não compre quando o lucro é abusivo" temos 3 bancos nacionais no Brasil e TODOS eles tem lucros abusivos. O Itau nunca lucrou tanto nos últimos 20 anos. Temos 5 operadoras de celular e os seus serviços são uma porcaria e seu lucro é abusivo. Para onde o consumidor vai correr? Tem vários exemplos desses. Fornecedores de Internet, montadoras de carros, etc. Não é só o lucro não, tem muito mais que o lucro.

Acho interessante como os discursos em torno de sistemas econômicos sempre consideram os sistemas ideais e não os reais. Sempre que um socialista fala, ele esquece das distorções que ocorrem no sistema prático e exalta apenas as qualidades. Esse texto tem uma condição parecida. Cita os benefícios do lucro dentro do sistema capitalista ideal, omitindo que na prática há muitas distorções.

Apenas para exemplificar, uma das distorções mais comuns dentro do capitalismo é o oligopólio. Ele acontece quando algumas empresas se "ajeitam" dentro do mercado e a concorrência deixa de existir. É diferente do cartel, onde elas combinam as coisas. É uma condição onde o mercado, por diversos fatores, se acomoda em algumas empresas e a concorrência deixa de existir.

No Brasil há diversos exemplos, mas talvez os mais emblemáticos sejam os dos bancos e das montadoras de automóveis. Esses são dois setores de grande abrangência e importância na economia, por isso afetam diretamente a vida das pessoas. Nesses setores, na prática, o consumidor não tem poder de escolha. Os preços são altos em qualquer das empresas. Não há alternativa. Além disso, devido ao tamanho das empresas envolvidas, novos empreendedores são engolidos e novas iniciativas, que poderiam mudar o cenário, são "mortas no ninho". Além disso, grandes empresas internacionais, ao entrarem no mercado nacional, acabam por "entrar na roda" simplesmente porque é mais lucrativo integrar o sistema do que tentar concorrer com ele.

Diante disso, é importante notar que a relação entre lucro real e lucro justo fica muito prejudicada. O próprio mercado deveria definir o que seria lucro justo através dos mecanismos que você explicou no texto, mas as distorções impedem que isso aconteça na prática.

Outro fator a se considerar é que muitas vezes o que determina o lucro não é exatamente uma decisão econômica. Vivemos num mundo onde as pessoas são gananciosas e são estimuladas a serem assim. A vontade de ganhar cada vez mais permeia a nossa sociedade de forma bastante profunda. Isso afeta diretamente a administração das empresas.

Uma empresa deveria equilibrar de maneira justa o preço, os custos e o lucro. Porém, de forma a aumentar cada vez mais o lucro ela sacrifica os outros dois elementos. A grande questão é que aumentar indiscriminadamente os preços também pode afetar o lucro, então esse tem um limite que muitas vezes é estreito. Aí o peso do lucro cai fortemente em cima dos custos, dentre os quais estão os custos com pessoal. As consequências disso então são lógicas, relações trabalhistas fragilizadas, trabalhadores explorados e condições de trabalho degradadas. Apesar de parecer muito dramático isso, basta olhar como as empresas tratam seus empregados apenas para produzir um lucro pouco maior. Não se pensa que uma empresa que lucra 15 bilhões já lucra bastante e não precisa apertar seus empregados, porém esse não é o pensamento de mercado. A busca desenfreada pelo lucro acaba por gerar essas relações exploratórias que poderiam muito bem ser evitadas.

Então, o lucro não é exatamente o problema, a ganância é. Porém o lucro é o motor da ganância.

O maior problema é a ignorância, o desconhecimento do processo produtivo, ninguém quer trabalha e não receber, o mesmo acontece com uma organização, se ela "trabalha" ela precisa receber, ou seja, sua remuneração se denomina lucro. Para o empregado ele simplesmente acredita que apurado é lucro, e que o empresario não faz nada apenas recebe o dinheiro, ele não tem ideia de enquanto ele tem hora de entrada e saída do trabalho, tem salário garantido e tudo mais, o empresario tem fica ligado 24 horas, a prioridade é pagar as contas, senão o negocio vai por água abaixo.

Empresários que enfrentam a turbulência do mercado e guiados por uma visão, empreendem, enfrentando uma carga tributária opressora, enfrentando lei trabalhistas com seus juízes pró laborais que apoiam mão de obra preguiçosa encostada na lei, empresários julgados, apedrejados e marginalizados pela sociedade e seu governo hipócrita que na covardia de sua ações, invejam aqueles que tiverem a coragem de se entregarem aos seus riscos pessoais e venceram...empresários que com o pagamento de seus impostos sustentam essa "piscina cheia de ratos" que é a administração deste país...porque os bilhões arrecadados dos 40% do faturamento de nossas empresas, não são revertidos para uma educação, saúde, segurança e transporte público de qualidade...mas são revertidos para dar esmolas para um povo sofrido..onde essas bolsas esmolas são uma pseudo ajuda..onde na verdade são uns verdadeiros "grilhões sociais" que escraviza, algema e mata a mente empreendedora desse povo...levando-os a se conformarem com a esmola que recebem.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

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