terça-feira, 7 de abril de 2015

O legado olímpico que não será legado (Por Thiago Muniz)

Fazer uma Olimpíada custa caro demais. Melhorar a cidade-sede tornou-se a única forma de justificar o gasto. O problema é que isso raramente dá certo.

Para entendermos a diferença de uma Copa do Mundo de Futebol para os Jogos Olímpicos

* Copa do Mundo da FIFA: Grande torneio de 1 esporte só, composto por 32 países, disputado em 12 cidades/sede, num intervalo de 40 dias.

* Olimpíadas: Grande evento de 47 esportes, composto por mais de 150 países, disputado em 1 cidade/sede, num intervalo de 17 dias.







Diante do entusiasmo que marcou a candidatura do Rio e da posterior comoção advinda do anúncio da vitória da cidade, resta-nos problematizar as condições estruturais que sucedem a festa.

Em que contextos o projeto da candidatura será efetivado?

Que decisões serão tomadas diante de alguns obstáculos consideráveis, como aqueles que versam sobre segurança, transporte e ação política?

Quais são as garantias do projeto apresentado ao COI que demandam Políticas Públicas específicas para o evento?

Serão essas políticas mais urgentes que as outras já inscritas nas demandas sociais?

A cena já virou clichê: diante de um telão instalado em praça pública, uma multidão aplaude e celebra a escolha de sua cidade para receber a próxima Olimpíada. Tivessem em mãos a conta exorbitante da maior festa esportiva do planeta, a imagem seria bem diferente: os moradores da futura cidade-sede provavelmente acabariam vaiando o resultado da eleição promovida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Cada vez mais caras e complicadas, as Olimpíadas são, numa análise fria, uma péssima aposta e um risco gigantesco para qualquer cidade que se disponha a promovê-las. Desde 1896, os Jogos da era moderna já passaram por 23 cidades, incluindo gigantes ricas e desenvolvidas (como Paris, Londres e Los Angeles), metrópoles caóticas (Moscou, Pequim e Cidade do México) e sedes menores e mais modestas (Seul, Montreal, Melbourne). 

Cada uma recebeu o evento à sua maneira, mas todas sofreram mudanças, em maior ou menor escala, em decorrência dos Jogos. O impacto sofrido pelas sedes olímpicas tem aumentado de forma exponencial nas edições mais recentes, à medida em que o evento torna-se ainda maior e mais complexo - St. Louis (1904), Antuérpia (1920) e Helsinque (1952), por exemplo jamais seriam capazes de fazer uma Olimpíada em sua versão atual.

Na primeira vez que foi sede olímpica, Londres recebeu cerca de 2.000 atletas de 22 países. Dentro de três meses, a capital britânica terá de abrigar mais de 10.000 competidores de mais de 200 países - sem contar um contingente imenso de torcedores, jornalistas e autoridades em constante movimento, numa cidade que já sofre de superlotação e de uma implacável disputa por espaço. Dar conta desse terremoto urbano, ainda que ele dure pouco mais de duas semanas, custa muito caro. E o pior: quando uma cidade embarca na aventura olímpica, jamais tem a certeza de quanto gastará, já que os orçamentos iniciais sempre acabam sendo inflacionados.

Para quem tem dúvida do tamanho da encrenca financeira em que se metem as sedes olímpicas, basta dizer que uma das edições mais recentes dos Jogos teve poder destrutivo suficiente para ajudar a mergulhar na crise o continente mais desenvolvido do planeta. É consenso entre os economistas europeus que a gastança desenfreada promovida para a Olimpíada de Atenas, em 2004, foi uma das grandes culpadas pelo atoleiro de que a Grécia tenta fugir hoje. Mais catastrófica ainda é a constatação de que a dinheirama consumida pelo evento foi simplesmente jogada no lixo - as milionárias instalações olímpicas de Atenas agora são inúteis e estão abandonadas. É por isso que o caso grego é o mais emblemático quando se discute a armadilha econômica de se realizar uma Olimpíada. O custo estratosférico do evento é inevitável. 

Resta aos defensores da realização dos Jogos insistir no valor do legado olímpico - ou seja, justificar a montanha de despesas sustentando que o dinheiro, na verdade, serve de investimento para melhorar a cidade no futuro. É um argumento legítimo, é claro - mas que precisa ser avaliado com extrema cautela e desconfiança. Isso porque a história recente dos Jogos mostra que não é nada simples fazer uma Olimpíada de sucesso e ainda deixar para trás uma cidade melhor para se viver (confira no quadro abaixo). Até por uma questão de sobrevivência de seu maior patrimônio, o COI vem priorizando cada vez mais os projetos de legado urbano e esportivo na hora de selecionar uma futura sede olímpica.

Se fracassar na tentativa de garantir transformações positivas nas cidades que recebem os Jogos, o comitê se arrisca até a ficar sem candidatas dispostas a receber as edições seguintes. É por isso que, ao dar início à inspeção final antes dos Jogos de Londres, no mês passado, o presidente do COI, Jacques Rogge, bateu tanto na tecla da herança olímpica. "Londres criou um novo padrão de como entregar um legado duradouro. Já é possível ver resultados palpáveis da incrível revitalização da região leste da cidade. Esta grande e histórica cidade já deixou sua marca no legado para os próximos Jogos", sentenciou o cartola.

Se Barcelona é exemplo de como aproveitar os Jogos Olímpicos para transformar ambientes urbanos, Atenas oferece lições preciosas, como a subutilização, ou até o abandono, de arenas esportivas distantes do centro da cidade. O alerta foi feito pela arquiteta e paisagista grega Julia Georgi, que apresentou os projetos de intervenção dos Jogos Olímpicos de Atenas (2004) na terça-feira, 10 de fevereiro, no IAB-RJ.

Os Jogos de Atenas tiveram seu legado, mas os grandes equipamentos olímpicos tornaram-se um problema. O custo de manutenção é alto e é difícil ocupa-las. Os casos são mais graves nas arenas das modalidades que não são populares na Grécia”, afirmou Julia, que também vê situações positivas no país, em especial nos anos seguintes aos Jogos.

De acordo com a arquiteta, o evento proporcionou uma transformação no design da cidade, requalificação do ambiente natural, incrementou e requalificou o turismo e a atividade comercial.

Coordenadora da implantação do projeto paisagístico dos Jogos Olímpicos de Atenas, Julia Georgi falou sobre as dificuldades de gerenciar as diferentes demandas dos agentes envolvidos na organização do evento. Problema parecido vivenciado pelo paisagista Pierre-André Martin, que lidera a obra de recuperação da orla do Parque Olímpico Rio 2016.

“Antes de iniciar a obra, realizamos várias reuniões de projetos com a presença de 30 a 40 pessoas. Imagina como era administrar tantos interesses”, indagou Pierre.

Ao apresentar o projeto da orla do Parque Olímpico Rio 2016, o paisagista explicou as duas tipologias paisagísticas utilizadas. Enquanto a Via Olímpica é mais tradicional, a faixa de proteção tem uma proposta voltada à restauração, com utilização de espécies nativas.

“Na primeira visita ao sítio, identificamos grande quantidade de espécies exóticas, como bananeiras e amendoeiras. Todas plantadas pelo homem. Tentamos reconstruir o ambiente natural de restinga, com utilização de outros estratos, não só os arbóreos, para que não apareça a mão do homem no trabalho”, explicou Pierre.

Questionado sobre a manutenção e o futuro do projeto pós-olimpíadas, Pierre-André explicou que alguns equipamentos são temporários, mas a Via Olímpica e a faixa marginal de proteção permanecem:

“Embora tenha mais vegetação do que a via de Londres, a Via Olímpica ainda é muito seca. Após os Jogos, o espaço se tornará mais interessante, com nova vegetação, além de quiosques e praças.”

As apresentações de Julia Georgi e Pierre-André Martin acontecem uma semana após a realização do seminário “Londres e Rio de Janeiro – Metrópoles Olímpicas em Transformação”, que reuniu arquitetos de Inglaterra e Nova Zelândia no IAB-RJ. Para a vice-presidente de administração do IAB-RJ, Fabiana Izaga, a presença de Julia Georgi no IAB, e a quantidade de eventos recentes com profissionais de renome internacional, demonstra a internacionalização do IAB com foco em 2020, quando o Brasil vai sediar o Congresso Mundial da União Internacional dos Arquitetos (UIA).

… sem esquecer a “tragédia'' do Velódromo do Pan 2007, obra de R$ 15 milhões, destruída, sem que ninguém tenha sido responsabilizado por esse crime. Que empreiteira, partido ou político se beneficiou dessa manobra de corrupção?

Um dos Desafios dos projetos para os Jogos Olímpicos 2016 no Rio de Janeiro são os legados, Os equipamentos esportivos vão beneficiar os atletas, e a população geral. Instalações permanentes na região da Barra, por exemplo, como o Centro Olímpico de Treinamento (COT), Velódromo, parte do Centro de Tênis, Parque Aquático Maria Lenk e as três Arenas Cariocas vão compor um mega Parque Olímpico, para atletas de alto desempenho. Já o campo de golfe poderá receber torneios internacionais, e, também, será aberto ao público, com o objetivo de popularizar essa modalidade. 

Em Deodoro, o circuito de canoagem slalom e a pista de BMX vão resultar em um Parque Radical. Os legados de Políticas Públicas preveem os BRTs Transoeste e Transolímpica, Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), Duplicação do Elevado do Joá, Viário do Parque Olímpico (cuja principal intervenção é a duplicação das avenidas Abelardo Bueno e Salvador Allende), recuperação ambiental de Jacarepaguá, obras de saneamento na Zona Oeste, Porto Maravilha, Controle de Enchentes da Grande Tijuca, Requalificação Urbana do Entorno do Estádio Olímpico João Havelange, e quatro escolas da Arena do Futuro. “Consideramos que todos os projetos em andamento são desafiadores, porque nada pode dar errado. Se um deles não funcionar a contento, isso pode comprometer a avaliação do evento como um todo. 

O valor final poderá ser estimado quando todos os projetos exclusivamente associados à organização e realização dos jogos tiverem alcançado no mínimo o nível 3 de maturidade (com edital de licitação publicado, para projetos de governo, ou pedido de proposta publicado, para projetos privados). Apenas nesse momento será possível ter o valor global da Matriz de Responsabilidades. Estes ajustes, no entanto, não vão alterar significativamente o montante atual, porque os maiores projetos com custo mais elevado já têm seu valor conhecido”, afirma o presidente da EOM, Joaquim Monteiro, em entrevista para o Portal Área de Conhecimento.

As questões envolvendo o legado dos Jogos Olímpicos de 2016 não podem ser tratadas na véspera ou, pior ainda, após a realização dos Jogos. O planejamento dos Jogos com foco no legado, como sugere a candidatura brasileira, deve pressupor uma lógica em que, primeiramente, deve-se pensar no legado para, então, definirem-se projetos de construções ou reformas. Infelizmente, isto não está sendo observado no Estádio de Remo da Lagoa.

Existe um documento oficial produzido pelo Comitê Rio2016, nomeado “Lagoa Rowing Stadium – Sport Client Brief, version 1, October 2011”, redigido somente na língua inglesa, que descreve as intervenções projetadas para o Estádio de Remo da Lagoa e seu entorno. Neste documento, um famigerado conceito de “uso misto”, eufemismo da escandalosa privatização do Estádio de Remo da Lagoa (cujo recurso do Ministério Público com assistência da Federação de Remo do Estado do Rio de Janeiro há anos aguarda decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça), é utilizado para escamotear a subtração do uso público de um privilegiado espaço esportivo da população carioca.

Cabe lembrar, a título de informação, que em 1957 foi promulgada pela Câmara de Vereadores do antigo Distrito Federal uma lei que afetava toda a área do Estádio de Remo da Lagoa para uso exclusivamente esportivo. A Lei 905, de 16.12.1957, ainda em vigor, determina que o Estádio de Remo da Lagoa seja destinado para uso da Federação de Remo para o desenvolvimento do esporte.

A área está afetada em Lei para uso desportivo e não “misto”.

O “uso misto” implantado ilegalmente com a privatização do Estádio faz com que empreendimentos comerciais ocupem hoje 80% da área e empurrem o remo cada vez mais para a marginalidade, em um espaço (público) que deveria ser 100% dedicado ao esporte, ainda mais depois de acolher provas oficiais de uma Olimpíada.

A área do Estádio de Remo da Lagoa é um patrimônio estadual e deverá permanecer, a depender do atual governo, como “uso misto” após os Jogos. Isto é, não há a mínima intenção de corrigir este erro histórico que tanto prejuízo vem causando ao esporte.

Neste documento emitido pelo Comitê Rio 2016, consta que o resultado das intervenções e obras de adequação do Estádio de Remo para a Olimpíada visarão:

- Transformar o Estádio de Remo da Lagoa em um complexo esportivo estado-da-arte para o treinamento desportivo e para a pesquisa de remo do Brasil. Ele também deverá tornar-se o principal local de aprendizagem, com instalações para a educação, a formação de gestores e treinadores desportivos, a pesquisa científica aplicada e a identificação de talentos;

- Deixar instalações desportivas legadas projetadas como instalações de treinamento estado-da-arte para os atletas do Brasil e de outros países da América do Sul;

- Tornar o Estádio de Remo da Lagoa um verdadeiro ícone brasileiro para remo competitivo e para uso comunitário, mostrando o Rio através de sua arquitetura e sendo uma ferramenta de transformação para a juventude.

Em consequência deste funesto “uso misto” implantado no Estádio de Remo da Lagoa, é fácil verificar “in loco” que não há espaço disponível para o desenvolvimento do remo.

Se “dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”, cabe perguntar como pretende o Rio 2016 implantar os 3 objetivos acima enunciados, mantendo a atual ocupação ilegítima do Estádio escondida atrás do termo “uso misto”?

A população carioca pode contar com a garantia da entidade responsável pela construção do legado olímpico que o novo Estádio de Remo que renascerá da Olimpíada atenderá às necessidades de expansão do remo olímpico e do remo popular, comunitário, conforme estabelecido nos 3 objetivos acima elencados?

Ou tais objetivos não devem ser levados a sério? Neste caso, como se explica encaminhar para o Comitê Olímpico Internacional um documento oficial contendo objetivos de implantação do legado que não estão sendo considerados?

Estamos assistindo a uma fraude oficial?

Esperamos que não e que este documento oficial não se torne mais uma publicação inútil, produzida somente para agradar o Comitê Olímpico Internacional, no mais puro estilo “para inglês ver”.

O remo brasileiro precisa para o seu desenvolvimento que os objetivos de transformação estabelecidos pelo Rio-2016 para o Estádio de Remo sejam efetivamente cumpridos e que os cinemas e outros empreendimentos comerciais sejam transferidos para outro local, devolvendo assim o seu uso esportivo para a população.

Patrimônio público para uso público!


Atenas 2004 - O legado esquecido e uma oportunidade perdida

Há exatos um pouco mais de 10 anos, começavam oficialmente os Jogos da XXVIII Olimpíada, em Atenas (GRE). O que deveria ser um motivo de festa para o país que criou os Jogos Olímpicos, tornou-se uma dor de cabeça e um exemplo de como não aproveitar uma chance praticamente única.

A maioria das instalações Olímpicas construidas para os Jogos estão em completo abandono, enquanto outras são utilizadas para fins não-esportivos, como casamentos e conferências.

No Centro de Remo, localizado em Maratona (GRE), cães vadios ficam brincando no mato que toma conta do local, enquanto crianças brincam no curso d'água.

Ainda em Maratona, no local de disputas da Canoagem e Caiaque, a água no curso está totalmente seca e as arquibancadas destruídas.

No último dia 5, foi celebrado os dois anos para os Jogos do Rio de Janeiro, em 2016. Muitos críticos falam no risco de uma falta do uso das instalações e de incorrer no mesmo destino de Atenas.

Os gregos na época ficaram bastante orgulhosos em sediar os Jogos, mas atualmente, o que restou dele é fonte de raiva, com a Grécia atravessando um período de depressão econômica iniciada em 2008, com desemprego recorde, pessoas desabrigadas e pobreza.

O país tem sofrido bastante para fazer os locais que ainda são utilizados gerarem renda.

Após não ter conseguido sediar os Jogos do Centenário, em 1996, quando foram derrotados por Atlanta (USA), Atenas ganhou os direitos de sediar os Jogos de 2004, superando a então favorita Roma (ITA).

Quando o então presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Juan Antônio Samaranch, anunciou a vitória de Atenas, a comemoração tomou conta da delegação grega e a alegria foi tamanha, que remixaram o anuncio, que foi tocado em várias rádios gregas e virou até single.

Entretanto, a lua de mel durou pouco. Após três anos jogados fora no período de preparações, o COI alertou em 2000 o comitê organizador para acelerar as obras, ou corriam o risco de perder os Jogos.

Então, o país aumentou drasticamente o ritmo das obras, incluindo trabalho em três períodos, para garantir que tudo ficasse pronto a tempo.

Trilhos, estradas e locais de competição surgiram na capital grega e banners dizendo "Bem-vindo ao lar" foram espalhados por toda a cidade.

A essa altura, o custo dos Jogos já haviam dobrado e chegado a 11 bilhões de dólares.

Ao invés de utilizar estruturas provisórias ou locais de competição já existentes, os organizadores preferiram construir instalações gigantes para receber os eventos.

A Companhia de Propriedades Públicas da Grécia (ETAD), que assumiu algumas instalações, negou em 2011 as criticas que elas estavam em péssimo estado de conservação, declarando que elas estavam sendo mantidas por equipes especializadas e que estavam sendo guardadas por equipes de segurança.

Como Atenas, o Rio de Janeiro, sede dos primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, foi bastante criticado pelo atraso nas obras, tendo os seus preparativos declarados como os piores da história dos Jogos pelo vice-presidente John Coates.

No esforço para assegurar ao mundo que o Rio pode realizar os Jogos a tempo, o comitê organizador apresentou dias depois das criticas, um orçamento geral de 24.1 bilhões, que acrescentado pelas obras de Deodoro, subiram para 37,6 bilhões de reais.

Esse aumento não é uma surpresa para pesquisadores da Universidade de Oxford, que estudaram os Jogos realizados entre Tóquio 1960 e Londres 2012 todos eles não ficaram dentro do orçamento previstos na candidatura.

Os pesquisadores Bent Flyvbjerg e Allison Stewart escreveram que: "Para uma cidade e uma nação que vão sediar uma edição de Jogos Olímpicos, isso significa aceitar o maior risco financeiro que se pode correr atualmente. É um grande perigo que várias nações e cidades tem aprendido."

Para quem apoia os Jogos, a falha verdadeira não foi em quanto eles custaram para o país ou mesmo em relação ao estado dos locais de competição e instalações construídas para a Olimpíada. Afinal, nem todas estão abandonadas. O IBC (Centro de Televisão Internacional) virou um shopping center, o local de competições do badminton virou um teatro e os locais que ficavam próximos ao Aeroporto de Atenas foram vendidos.

Ao invés disso, eles reclamam da oportunidade perdida em capitalizar nos Jogos Olímpicos. Tanto na questão esportiva, quanto na questão econômica.

No esporte, a Grécia em 2008 e 2012 conseguiu apenas seis medalhas somando os dois Jogos e nenhuma de ouro. Na questão econômica, não conseguiram impulsionar o turismo no país, levando vários hotéis construídos para receber os visitantes durante os Jogos a serem fechados.

O Comitê Olímpico Grego negou as acusações de que os custos para sediar os Jogos Olímpicos contribuíram para a crise financeira do país que perdura desde 2009.

O presidente do Comitê, Spyros Kapralos, disse que: " Os Jogos custaram 8,5 bilhões de Euros. Será que esses 8 bilhões são os culpados pela dívida grega de 360 bilhões de Euros?"

"Se você colocar numa balança. Os aspectos positivos pesam mais que os negativos, entretanto, não conseguimos aproveitar isso." completou Kapralos.

E quanto ao Rio 2016? Nos resta esperar que os governantes aprendam com os erros de Atenas, para não repetir o péssimo exemplo deixado pelos Jogos de 2004 e que o país saiba aproveitar o legado que irá ganhar com a realização do maior evento esportivo do mundo.



BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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