segunda-feira, 6 de abril de 2015

Foda-se (Por Thiago Muniz)

Não tenho o palavrão como forma de expressar minha revolta em uma série de coisas que acontecem no país. Mas hoje, desculpe-me, vou utilizar o "Foda-se" como o termo mais adequado para a sociedade brasileira, não como raridade, infelizmente, mas no senso comum, que assola a possibilidade da cidadania neste país.

O que me leva a escrever sobre o "Foda-se", foi estar parada num sinal, e ver duas motos, com jovens que sequer tinham 20 anos pilotando, atravessando um cruzamento cheio de gente, pela calçada, em alta velocidade, em plena da Av. das Américas, uma das principais vias da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Quando eu vejo jovens ligando o Foda-se, me desespero com o futuro deste país. Estou cansado que o cidadão brasileiro ligue o "Foda-se" para o seu próprio bem estar.

- Sou corrupto, foda-se a população.

- Estaciono meu carro em local destinando para pessoas com deficiência, foda-se que elas têm este direito.

- Ligo o som alto, foda-se que o vizinho tenha que dormir.

- Vou fazer fila tripla num retorno, foda-se que vou atrapalhar o trânsito.

- Vou ultrapassar o sinal vermelho, fodam-se os pedestres.

- Vou bater na minha mulher, foda-se que me chamem de covarde.

- Vou bater na minha filha, foda-se que esteja em pleno shopping e que todos vão olhar.

- Vou xingar a vizinha de safada, foda-se que ela seja uma mãe de família.

- Vou sacanear meu colega de trabalho, foda-se que o cara é melhor que eu e, por isso, mais merecedor.

- Vou jogar meu lixo na areia e no mar, foda-se a natureza.

- Vou cuspir na rua, jogar papel e mijar no chão, foda-se não sou eu quem vai limpar.

- Vou roubar, matar, estuprar, foda-se a polícia.

- Não vou fornecer a nota fiscal, foda-se a contribuição social.

- Compro produtos falsificados e contrabandeados, foda-se os autênticos.

- Não declaro rendimentos extras no Imposto de Renda, foda-se o governo.

- Vou ligar o foda-se, porque sou melhor que todo mundo e foda-se quem não gostar.

A lista é enorme.

É assim que sinto. Foda-se o Brasil, a lei do retorno é a que estamos vivendo.

Desculpe-me o palavrão.

Para fazer qualquer coisa, há basicamente duas formas de se colocar numa situação em que aquilo efetivamente vai ser feito.

A primeira opção, mais popular e devastadoramente errônea, é tentar se automotivar.

A segunda, uma escolha um tanto impopular e completamente correta, é cultivar a disciplina.

Trata-se de uma daquelas situações onde adotar uma perspectiva diversa redunda em resultados superiores imediatamente. Poucos usos do termo “mudança de paradigma” são realmente legítimos, mas aqui temos um deles. É como acender a lâmpada em cima da cabeça. Qual é a diferença?

A motivação, falando de modo geral, opera sob a presunção errônea de que é necessário um estado mental ou emocional particular para que uma tarefa seja realizada.

Isso está completamente invertido.

A disciplina, em vez disso, separa o funcionamento externo dos sentimentos e mudanças de humor, e assim ironicamente, ao melhorar as emoções de modo consistente, evita o problema.

As implicações disso são enormes.

Levar as tarefas a cabo efetivamente causa os estados interiores que procrastinadores crônicos acreditam que precisam para iniciar as tarefas em primeiro lugar.

Colocando de forma mais simples, não se deve esperar até se estar em boa forma para começar a treinar. Treina-se para se chegar à boa forma.

Quando a ação se condiciona pelas emoções, esperar um estado de humor ideal se torna uma forma particularmente insidiosa de procrastinação. Conheço isso muito bem, e gostaria que alguém tivesse me apontado isso vinte, quinze ou dez anos antes de eu acabar aprendendo a diferença ralando na vida.

Quem espera até ter vontade de fazer as coisas para fazê-las, está fodido. É exatamente disso que surge o temido círculo vicioso de procrastinação.

Foda-se a motivação, o que você precisa é disciplina

Levar as tarefas a cabo causa os estados interiores que procrastinadores crônicos acreditam que precisam para iniciar as tarefas.































BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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