domingo, 26 de abril de 2015

E que diria o vovô Tancredo? (Por Thiago Muniz)

Tancredo Neves era um político conservador. Nos momentos decisivos, no entanto, defendeu a democracia. Ficou ao lado dos derrotados e, portanto, dos princípios constitucionais e não com os golpistas que derrubaram Getúlio Vargas (1954) e João Goulart (1964).

Do presidente que não foi empossado Aécio foi bom aluno por longos anos. Hoje é mais udenista do que seus pares tucanos. O Brasil nunca vai mudar enquanto a população continuar elegendo filhotes de políticos para dar continuidade ao enriquecimento familiar. Isso é vergonhoso.

Aécio Neves, hoje senador (PSDB-MG), não era nascido quando seu avô, Tancredo Neves, figura proeminente do velho e pacífico PSD mineiro, era fustigado implacavelmente no Congresso pelos agressivos integrantes da chamada Banda de Música da UDN. Essas agressões dos udenistas, como o tempo provou, faziam parte da tentativa de alcançar o poder a qualquer preço e, por fim, chegar à transgressão.

Transgressão: por insuficiência de votos os udenistas batiam às portas dos quartéis para incentivar os generais a interromper o processo democrático. Foram, por isso, chamados de vivandeiras. O tempo era outro.

Tancredo era um político conservador. Nos momentos decisivos, no entanto, defendeu a democracia. Ficou ao lado dos derrotados e, portanto, dos princípios constitucionais e não com os golpistas que derrubaram Getúlio Vargas (1954) e João Goulart (1964).

Da primeira eleição disputada em 1982 até 2005, quando governava Minas Gerais, Aécio Neves seguia a tradição democrática do avô Tancredo, morto em 1985, há exatamente 30 anos.

Embora já fosse destacado integrante do PSDB, versão revista e piorada da UDN, Aécio não cerrou fileiras com os que tentaram derrubar Lula ou, na melhor das hipóteses, de evitar que o insolente metalúrgico disputasse a reeleição em 2006.

Por que teria abandonado agora as lições do avô e virar um ferrabrás? Aécio Neves tentou disputar a Presidência em 2010. Foi impedido pelo rolo compressor dos tucanos paulistas. Engoliu o sapo. Podia esperar outra oportunidade. O radicalismo verbal dele despontou no correr na disputa presidencial de 2014, na qual, embora derrotado, obteve expressiva votação surfando na crise econômica desenhada naquele ano e estabelecida em 2015.

Aécio perdeu. Não digeriu democraticamente essa derrota nas urnas, a exemplo de seus ancestrais políticos, que, após a derrota do brigadeiro Eduardo Gomes imposta por Getúlio em 1950, partiram para o tudo ou nada.

O reflexo disso parece ter provocado um retrocesso no DNA político de Aécio. Os discursos dele passaram a ter muita proximidade com as teorias e as práticas udenistas. Começou, então, a avaliar como “extremamente graves” todas as notícias contra o governo veiculadas na imprensa conservadora oposicionista.

Como presidente do PSDB, encomendou ao advogado Miguel Reale Júnior um estudo sobre a possibilidade de sustentar juridicamente o pedido de impeachment da presidenta Dilma. Parece ter agido precipitadamente. Reale Júnior recusou. Recuou também o ex-presidente Fernando Henrique. Seguiram essa trilha os senadores José Serra e Aloysio Nunes Ferreira. Os tucanos paulistas tiraram a escada e deixaram o tucano mineiro com a brocha na mão.

Esses movimentos guardam muita intimidade com a disputa dentro do PSDB na perspectiva da eleição presidencial de 2018. Será difícil para Aécio manter o fôlego até lá, principalmente se houver um reaquecimento da economia. Além disso, terá de cavalgar no cavalo desenfreado das manifestações.

É possível pensar, desde já, que a chance de Aécio Neves disputar a Presidência aconteceu em 2014. Parece agora que para ele só resta arrombar a porta do Palácio do Planalto. Com o recurso de um pé de cabra. Ou seja, o impeachment.

Defender Tancredo Neves em nome da redemocratização é o mesmo que reescrever a história do golpe militar como algo benéfico para o Brasil. Bem menos em relação a toda essa exaltação do Sr. Tancredo... Bem menos. O Tancredo em 2 anos no governo de Minas, só preocupou em arredação de ICMS, travou os aumentos dos funcionários públicos, menos dos fiscais da receita mineira o pequenos agricultor colhia e corria com dez saquinho de café atrás de notas de transporte se pego tava perdido. Anos 80 foi de geadas fiscalizações acirradas.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

Nenhum comentário:

Postar um comentário